sábado, 31 de outubro de 2009

Fora do ar por motivos... de força maior


E isso só foi a primeira parte do Halloween, hein... Agora é se montar para a parte 2 e rezar para que eu consiga chegar vivo amanhã...

Lembrete: Champagne é MUITO mau. heheheh

(Amanhã voltamos com a nossa programação normal).

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Festa de Halloween e não sabe com que fantasia vai?


Hippie? Cowboy? Médico? Tô fora! Porque in mesmo é causar e ainda dar uma de ativista político... heheeh

E coió? O que é coió mesmo, hein? Fiquei desfamiliarizado com esse conceito... ;)

E enfim, quem sabe ainda saio no lucro, néam?

Ai Manoel, que saudades da terrinha...


Fui bailaaaaaar... no meu baaaaatel...

Ó Pá!!!!! Minha viagem para Lisboa foi CON-FIR-MA-DA. :) Mais 5 dias, e Fernando estará pirigueteando em terrinhas lusitanas!!!
Viajar para Lisboa é digno, é mara, é wunder(= mara), é giro, porque:

1) Devido a minha inteligentíssima programacao de viagens, o máximo que eu cheguei em direcao ao Sul na Europa até agora foi... Londres (mas em compensacao, peguei Primevera/Verao na Escandinávia, táh? Ultimate hype ever: ficar bronzeadíssimo -  debaixo do sol da Dinamarca no início da Primevera. Ipanema todo mundo pode - mas Amalienborg e Nyhavn, só alguns, táh... rs).

2) Preciso desesperadamente de sol. E me recuso a ir a um Solarium (loja de bronzeamento artificial) aqui em Hamburgo. Primeiro, isso é a ultimate humilhacao e decadencia para um carioca. Segundo, morro de medo de ficar que nem o Valentino. Terceiro, tá na hora de comecar a cuidar da pele - afinal 30's are the new 20's, e 40's are the new 30's... entao agora preciso manter esse look por muito mais tempo  (sabiam que já existe linha de cuidados anti-idade para a partir dos 25 anos de idade?!!! Conheco uma história de uma amiga de uma amiga que teve uma crise quando se deparou com essa informacao numa loja. E claro, comprou tudo. O mundo é mau...).

3) Porque acho phoda ter a oportunidade de conhecer a nossa versao européia. Incrível pensar que esse povinho, lá do final da Europa, de uma terra sem muitos recursos nativos, teve culhoes para se enfiar no mar desconhecido e viajar o mundo inteiro. E que por isso, existe algo que nos une a lugares tao distintos como Macau, Timor Leste e Angola. Colonizacao portuguesa RULES (para quem acha que "se tivessemos sido colonizados por ingleses e franceses, o Brasil seria outro", só um pequeno lembrete: Índia, África do Sul e Haiti. No additional comments.).

4) Porque quero desbravar Lisboa escutando muito Madredeus e Amália Rodrigues no iPod (aliás, alguém tem dicas de cantores/bandas portuguesas legais?). E lembrar de "Sob o céu de Lisboa", do Wim Wenders, enquanto vejo aquilo tudo.

5) Porque achava super digno "Os Maias" e "As Pupilas do Senhor Reitor". E as novelas trash toda-vida do RTP.

6) Porque finalmente poderei falar portugues!!! E com vocabulário exdrúxulo!!! (Nota pessoal: userei MUITO gerúndio - praticamente uma atendente de telemarketing da Zona Leste de SP. Portugueses quase MORREM quando escutam a gente falando assim).

7) Porque poderei causar horrores em terras lusitanas (Mosteiro dos Jerónimos, me aguarde! Maite Proenca, watch and learn!)!!!!

8) Portugueses.

9) Portugueses.
...
1348) Portugueses. E fatura de melanina. E pegada. E jeito "latin lover meets Seu Manel da Padaria".

(E claro, tudo isso com cobertura oficial para o Lost und Found in Translation, queridoes!!! Aguardem!)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Bem, é que na verdade...


Porque mulher alemã sabe o que quer e vai atrás, queridão! :) Já a mira.... 
Estava eu, parado, segurando a minha margarita, num evento para estagiários da minha empresa em um happy hour de uma boate daqui de Hamburgo, quando sou abordado por uma garota até que bonita. Ela chega, fala algo em alemão que eu (natürlich) finjo entender, fala algo "do meu sorriso, que me viu desde que eu cheguei lá" e me dá um pedaço de papel.

Eu não entendendo muito o que se passava (quase que solto um "UM AMIGO? QUE AMIGO?" rs) só segurei o papel, dei um sorriso e um "Obrigado" e a garota se foi embora. E eu abro o papel e me deparo com isso.

Sim. Eu fui paquerado por uma mulher. PA-QUE-RA-DO. Em Hamburgo. Onde as pessoas JAMAIS paqueram. :)

Tudo bem que eu sabia que as amigas suecas da minha amiga quase se mataram quando souberam que eu era gay ("Mas neeeem bi, Fe?" falava uma delas) - mas porra, to podendo, hein... :) rs

Enfim, é aquela coisa: cantada de mulher é que nem elogio de pedreiro - óbvio que não vai rolar nada... mas faz sempre um beeeem enorme por ego, néam? :)

Amiga... eu também "ficaria muito feliz"... mas se aquele seu amigo loiro que estava do seu lado me desse o telefone dele. Trato feito? 


P.S.- E agora? O que fazer?! Mando uma SMS mandando uma real light (algo do tipo "Amygah, temos MUITO mais em comum do que você imagina. Nem te conto!"? rs)? Ou ignoro e faço ela se sentir um tribufú esnobado? Aiii... Hilfe!!!

Achtung, Achtung


Meio da tarde de uma quinta-feira qualquer, dia chuvoso e frio. Eu tentando me motivar a iniciar uma das tarefas mais chatas ever aqui no estágio (gerentes e semelhantes profissionais assistidos por estagiários: seus estagiários também sao seres humanos. Cuide deles com carinho.). De repente, toca o alarme de emergencia daqui da empresa. Um alarme MEGA alto. A minha empresa é uma das mais tradicionais da Alemanha, e a sede de Hamburgo é o heaquarters mundial do conglomerado - ou seja, alarme tocou, alguma merda jumbo deve ter acontecido.
Eu, como bom brasileiro (e uma pessoa facilmente impressionável) quase peguei o telefone para ligar para a minha mae no Brasil ("MAAAE, te amo, tá?!!!") quando eu olhei em volta. Todos os alemaes placidamente sentados olhando para os alto-falantes, que logo depois anunciavam: "Por favor, todos os trabalhadores se retirem do prédio imediatamente. Isso nao é um teste. Saiam agora!". (1- Ok, em portugues isso até que soa normal, mas em alemao... Por isso que os alemaes tem horror a gente que fala alto: alemao falado em voz baixa tem uma sonoridade super educada - mas elevou a voz um pouco mais, se torna extremamente imperativo. Compreensível porque SM nesse país parece ser tao popular... 2- Emergencia sim, mal educado never: o prédio pode estar desabando, os vermelhos atacando Berlim... mas sempre "Por favor". Alemao é phyno, sempre.).
Todos os alemaes calmamente se viraram para trás, pegaram os seus casacos (tá frio bacaraí lá fora) e desceram as escadas, calmamente, num climinha "pausa do café" (enquanto isso, eu com olhoes arregalados, e já me imaginando fazendo a linha "Jean Charles de Menezes" do salsichón - afinal, carinha de árabe é o que me define). Lá embaixo, todos calmamente conversando, ninguém ligando para mae, cachorro e papagaio para falar que estava vivo.
E nisso, alguém solta "Mas será que temos que nos organizar por andar ou por setor?".
Nessa hora eu nao me contive e soltei uma gargalhada. ISSO é Alemanha. o mundo pode estar desabando, mas ordem, sempre. Pois sem ela, afinal, o que eles sao? (Um alemao mais FDP falaria: franceses! rs).

Isso me lembrou da foto que eu posto agora aqui embaixo - ela mostra bem claramente esse espírito bem germanico que conseguiu sobreviver até hoje: o prédio ao fundo é o Portao de Brandemburgo e essa "horta" fica em um dos parques mais importantes de Berlim. Quem conhece bem a história alema sabe a ruína que o país ficou no final de Segunda Grande Guerra, e os berlineses sofreram especialmente durante esse período. E mesmo com o país desmoronando, a Frau Helga teve o cuidado de cercar a sua horta, e manter o mínimo de organizacao no caos em volta dela.

Das ist Deutschland. :)

P.S.- Nem sinal do que aconteceu, mas depois de 10 minutos lá embaixo, todos foram liberados para voltar para o prédio. E todos trabalharam até o final da tarde normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Update - ALOKA! O prédio no fundo da foto é o Portao de Brandemburgo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Post pilequinho

Warnung: Uma garrafa vazia de prosecco (vagabundo) italiano se encontra do meu lado, portanto, pode ser que amanhã eu perceba que esse post foi queima-filme demais, e o delete... Enfim, não estranhem o tom do post em si!

Acho que só quem morou no exterior durante um tempo sabe como são aqueles momentos em que bate um sentimento de deprê, de estar fora da sua cultura, longe de amigos que são o seu apoio... Chega um momento que você inevitavelmente se questiona "Será que realmente valeu a pena tudo isso?".

Hoje estava num dia dessas. Não consegui trabalhar direito no trabalho, e junto disso vieram os pensamentos sobre o FDP germânico, de como apesar de tudo o que ele fez sinto falta dele, e de como estar aqui é tão complicado e tão difícil algumas vezes... Enfim, tava me sentindo tristonho, uma merda hoje. Mesmo assim, me forcei a ir para o treino de volleybol com os estudantes alemães aqui da residência hoje. Aprendi aqui na Alemanha que nesses momentos o melhor que você tem a fazer é sair mesmo do seu quarto, se obrigar a fazer alguma coisa que exija interação, e colocar um sorriso falso no rosto.

Enfim, jogamos volleybol e um dos alemães - que eu conheço um pouco mais - me chamou para tomar um vinho mais tarde e jogar conversa fora com o grupo deles.

E sabe quando você entende que todas as merdas e perrengues pelos quais você passa são de alguma forma válidos, porque de alguma forma formam o teu carater, te introduzem a pessoas que te fazem enxergar o seu real valor?

Um dos alemães fofamente falou que ele se sente muito feliz de ter me conhecido, por toda a minha cabeça internacional, e pela minha vontade de me integrar e aprender sobre a cultura alemã. Sobre mesmo estando um pouco mais alegre (sou mega fraco para álcool) e cansado, eu continuar insistindo em falar alemão. Que isso mostrava como eu era um cara tolerante, aberto a coisas novas, e que ele achava isso fantástico em mim. E mais uma vez, que ele estava muito feliz de se tornado meu amigo...

Nessa hora o sentimento drama-latino veio, e eu não consegui segurar a lágrima. Lágrima que veio porque eu pensei que em Janeiro eu vou ter que dizer adeus para tantos amigos alemães que eu fiz aqui. Amigos que esperam o sinal ficar verde mesmo que nenhum carro esteja vindo, amigos que acham que 2 minutos já representam um atraso inaceitável... amigos tão alemães, mas que de alguma forma eu conquistei, e me tornei parte da vida deles.... e eles da minha.

Achei que isso merecia ficar registrado num post, porque nesse blog eu meto tanto o pau nos alemães... e precisava registrar a capacidade desse povo, de com poucas palavras, falarem tanto e tocarem tanto o coração de uma pessoa. Afinal, quando alemão fala alguma coisa, eles realmente sentem aquilo, né? :)
Bom perceber que já valeu alguma coisa essa viagem: eu fiz amigos que eu certamente jamais irei esquecer e levarei pelo resto da minha vida. Mas agora, o que eu faço? Eu não quero dizer tchau para eles! E ao mesmo tempo, saudades tantas do amigos que ficam no Brasil...

Viajar realmente é deixar um pedaço do seu coração em cada lugar que você pisa... E ao mesmo tempo que ele se torna enorme, fica cada vez mais difícil montar ele todo... :(

Tem coisas que a sua terapeuta em 3 anos nao consegue...

... mas que a Alemanha te ensina em 3 tempos. Exemplo? Sinceridade na lata.

Situacao #1
Onde?
Facebook, criatura carioca que eu nunca vi me adiciona via um gringo que eu nao peguei em idos de 2005
Quem?
Gringo: daqueles que ficam deslumbrados com a "imensa simpatia, beleza e acessibilidade dos cariocas" (porque os trombadinhas nunca assaltam esse malas, hein?) e acham que entendem mais do Rio que os próprios cariocas porque ficaram 5 dias na cidade - todos gastos (claro) torrando ao sol na Farme de Amoedo e no circuito Leblon-Ipanema-Copa. E fazer questao de tirar o tesao em qualquer coisa que voce faca pela Europa - afinal, pagar de "carioca gringo" por aqui é hype.
Criatura carioca: Creiço. Gostoso. Mas creiço do tipo "foto principal: sunga, latinha Itaipava na mao, óculos Oakley  no rosto". Coxao bom (ah, saudades do Brasil). Mas creiço - e nascido em 1990: tudo bem, eu nao nasci muito antes disso nao, mas porra, 1990? Eu já tinha consciencia em 1990!
Como?
Creiço me adiciona no Facebook.
Fernando nao aceita, e responde "Oi, nos conhecemos de algum lugar?" (fazendo a linha educado, afinal, eu já aprontei muito nas 00's e Galerias da vida, néam... Nunca se sabe...).
Creiço responde "Nao... Mas leke, curto fazer amigos novos." (Parenteses: "leke"?! Ok Thiago, eu sei da sua predilecao pelo tipo "carioca marrento", mas "leke" nao dá. Isso equals Baronetti, Nuth e pitboy usando camiseta Osklen demais pra mim. Absolut non go.).
Fernando recusa o pedido de amizade.
Creiço adiciona de novo.
Fernando responde: "Queridao, Facebook nao é Orkut. Nao to nem um pouco na vontade de fazer amiguinho virtual. Escolhe outro para aumentar o seu número de amigos. Beijos!".

Situacao #2
Onde?
Boate Moondoo, minha preferida em Hamburgo (gentém, descobri que a doorwoman/man é um travesti brasileiro! Ela é alta, ela é loira, e ela é má - se voce vai de tenis, ou um pouco mais mal vestido: "Desculpa, voce nao tem cara de VIP. Próximo!". E o que tem de alemao inocente se atracando com ela e descobrindo algo que nao esperava é lendário aqui em Hamburg Town! Adoro ela!).
Quem?
Alemao com que tinha saído 3 semanas atrás para um café - onde óbviamente, eu fiquei dando mole e o cara nada - para assim que o cara me deixa em casa, me manda um SMS "You are the sexiest guy I've ever met". Semanas ocupadas na minha agenda, a minha fila andou (natürlich!), e ele ainda na "mensagem 22.30h: Vem pra cá!" (Mein Arschloch: 22.30h tá um frio do caralho na rua, 5°C COM vento, e alemao nao dorme junto com desconhecidos - ou seja, é rolar o que tem que rolar e depois partir pro Night Bus para cada um dormir sozinho).
Como?
Eu, na Moondoo, na minha nova jeans skinny, pagando de hype+latino gostoso (eu uso os cliches ao meu favor, ok?). Mensagem no celular, alemao "Fica ai, to indo te encontrar!". Alemao me encontra, faz aquela cara de "Ah ahém?" e me tasca um beijo. Reacao de choque do Fernando (dá um desconto: to morando aqui já faz 9 meses. Pegada NAO existe aqui.), seguido do pensamento meu "Foda-se, melhor aproveitar". Daí o alemao comeca a me beijar, some por 10 minutos, volta para me beijar. Mistério: assim como alemao com pegada, dar perdido definitivamente nao é um costume local (alemao gosta ou nao gosta. Simples assim.). Comeco a ficar puto. Mando um educado "Vou encontrar com os meus amigos, até mais" pro cara, ele me puxa, me beija, me pede pra ficar... e faz a mesma coisa de novo. E aí, já perdi a carona dos meus amigos (só quem mora em clima frio sabe a depre que é ficar esperando 20 min o Night Bus em uma temperatura de 5°C com vento. Só tem turco e velho alemao bebado no onibus. Muito depre.). Encho o saco, e mando a real para ele. E ai a criatura manda o "É... Eu acho que é melhor voce ir mesmo.".

Todos os meus genes latino-judaico-barraqueiros clamam por resposta. Viro com o sorriso mais fofo do mundo, bato no ombrinho dele e respondo "You are an asshole". Cara de choque dele, dou as costas e volto para a outra pista, onde eu ainda encontro os meus amigos portugueses gostosoes (AND heteros. Thumbs down, eu sei).

Ah, nao tenho saco!

Porque tem coisas que ultrapassam a barreira do idioma e da cultura...


Amigo alemao, enquanto eu lia o blog da Katylene: "Noooossa... Essa daí é member*, hein? Pessoal naquela The Week que voce tanto me fala é tudo assim?"

É... realmente Miro, é internacional o seu "ima"...

member* = member of the family. Sim, daquela family. :)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A arte de viajar por... mim mesmo - Parte 1

 Guia de conversacao - Porque digno é saber falar "O número do meu quarto é o 301" em sueco, húngaro e polones ;)

Guia Michelin, Frommers e Lonely Planet: tremei! ;) he he he
Nem de longe esse post tem como objetivo querer ensinar alguém a "forma ideal de se viajar". Afinal, eu acredito que viajar é uma atividade essencialmente pessoal - e somente viajando voce encontra a sua fórmula ideal para montar a viagem, o roteiro perfeito, etc. O que funciona para uns, pode ser a fórmula do desastre (e fator desencadeador de uma psicopatia assassina) para outros. Portanto, óbvio que nao existe uma fórmula ideal e universal.
O post é para realmente compartilhar o estilo "Fernando" de viajar, desenvolvido depois de muitos perrengues, atividades furadas (e finais de semana onde eu olhava para o meus companheiros de viagem e tinha vontade de estrangular cada um deles que tinha me convencido a entrar naquela furada). Pode nao ser o seu estilo de viajar, mas caso seja... join the group e nao se sinta mais sozinho no mundo! :)


1) Natureza equals inexistencia de cobertura wifi equals "Despertando o Charles Manson em mim" 
Primeiro aquele amigo bicho-grilo friendly te convence que um feriadao enfiado numa barraca de camping em Trindade, Ilha Grande e similares nao é uma idéia tao má assim. Depois voces se enfiam num carro abarrotado de tranqueiras e dirigem 8 horas até algum lugar no meio do nada, desembarcam tudo e caminham 3 horas até um local no meio do nada - exatamente igual a todos os locais que voce viu pelo caminho. Barraca montada, óbvio que comeca a chover, e voce percebe que a barraca nao é tao a prova-d'agua assim. A fauna selvagem local (formigas, mosquitos e outros insetos nao identificados) decidem que a sua barraca é o the place to be do momento, e apesar dos seus protestos, o seu amigo bicho friendly te proíbe de usar o seu Baygon ultra-químico-mata-tudo porque isso nao é "ecologicamente correto". Caso voce tenha muita má sorte, outro grupo de bichos-grilos friendly acamparao perto de voces, instantanemamente o seu amigo e eles farao uma amizade de infancia e planejarao várias atividades do tipo "seguir a trilha de 8h para uma praia deserta a 20km de distancia" (que será exatamente igual a praia em frente a que voces estao acampados) para os próximos dias. Chega a hora de jantar e alguém fará aquele indefectível "macarrao com salsichas" que irá atacar o seu fígado. E quando voce menos espera, chega o golpe final: alguém do outro grupo saca um violao da barraca, e todos ao redor de uma fogueira comecam a cantarolar todo o repertório do Legiao Urbana.
E ainda faltarao 3 dias para o final do feriadao.
Agora me respondam: sobrevoei o Atlantico por 13h; estou a 45 min e 30€ de distancia de Londres, Barcelona e Dublin e me tornei infinitamente ainda mais fresco depois do contato com H&M, culinária refinada e cosméticos La Roche-Posay por precos acessíveis. Um dos americanos without notion me solta "Gente, o que voces acham de um final de semana acampando aqui por perto?!". Quem voces acham que espalhou o boato que "cidades pequenas do interior estavam infestadas de grupos de skinheads xenófobos assassinos"? ;)


2) Guias de viagem gigantes equals furada
Eu sei, eu também sonhava com o dia que eu entraria em uma Saraiva/Livraria Cultura da vida, pegaria aquele guia gigante "Europe" do Lonely Planet e me dirigiria ao caixa.
O problema é que quanto maior o guia (mais países, mais cidades), menos focado ele será - e maior transtorno ele causará. E as consequencias disso?
Consequencia #1 "Síndrome de Cascao": Viagem significa pegar chuva, andar 7 horas por dia todo dia, sentar naquele parque para curtir o solzinho de final de tarde - tudo isso ao mesmo tempo com tudo enfiado dentro da mochila. Responda sinceramente: em que estado voce acha que o seu lindo e branquinho guia de 750 páginas estará depois de 30 dias de viagem e 7 países percorridos? (Nojinho).
Consequencia #2 "Síndrome de Winehouse - Lost":  Ninguém vem para a Europa e fica na base do suquinho + saladinha + dormir cedo para dar uma corridinha de manha. É um mundo de tentacoes winehousísticas: vinho frances, cerveja alema, vodka polonesa, espumante italiano. TU-DO dando sopa no mercado mais próximo, a um quinto do preco que voce pagaria no Brasil, TU-DO conspirando para voce liberar a Heleninha Roitman de dentro de voce. Portanto, claro que voce vai encher a cara, e claro que a situacao "achar o caminho do hotel enquanto desvia dos postes" se tornará uma situacao muito recorrente. E ai, honey, se voce conseguir se achar em Paris, Londres ou Lisboa usando um calhamaco de páginas desses, eu juro que voce merece entrar pro Guiness...
Consequencia #3 "Síndrome de Calvin e Haroldo": Se voce tiver ligeiras tendencias DDAH ou de indecisao (me, me), esse tipo de guia se transformará no transtorno na sua vida. Pode ir visualizando a cena: "Voce, sentado por 1 hora em algum Mac Donalds, tentando decidir se vai para o Museu da História Viking ou para a Igreja das Virgens Capuchinhas de Estocolmo". E  no final, voce ficando puto de tanta informacao, e acaba decidindo ir para o hotel se recuperar da ressaca do dia anterior,  passando o resto da tarde assistindo E!ntertainment ou MTV.
A minha solucao foi comprar guias menores, para cada uma das cidades que eu visitei. Quanto menor o guia, mais acessível ele será, mais fácil de carregar e menos uma dor-de-cabeca na sua vida. Guia de viagem precisa ser um apoio, precisa ser prático: nao existe praticidade num livro de 750 páginas que voce precisa folhear enquanto se equilibra numa bicicleta e tenta adiar o seu inevitável tombo em Copenhagen. Eu pessoalmente me achei com a série "Encounters" da Lonely Planet - é prático, pequeno, portátil e em uma das secoes eles listam roteiros muito dignos para diferentes tipos e duracoes de viagem. Roteiro é TU-DO: no primeiro dia, voce segue o que está escrito sem se preocupar se segue para a direita ou esquerda e já mata todo aqueles pontos mais importantes do local. E nos outros dias voce investe em sentir mais tranquilamente a vibe da cidade - que nao estará nos locais turísticos, seguramente.

domingo, 25 de outubro de 2009

Domingo em Hamburgo

Domingo "bombante" na Mönckebergerstraße (Centro de Hamburgo)
Eu sempre odiei domingo. Domingo é aquele dia de semana em que voce acorda tarde com uma mega ressaca (resultado acumulado da badalacao de sexta e sabado) e de mau humor. Caso voce tenha a felicidade de nao ter algum compromisso suuuuuper legal (batizado da filha da sua prima de terceiro grau, churrasco na casa daquele seu amigo mala do trabalho, festinha da escola do seu sobrinho e semelhantes), voce se rasteja até a TV e só tá passando o crème de la merde da programacao televisiva (agradeco a Jesus, Maomé e Buda pela graca alcancada de viver 1 ano sem Gugu, Didi, Faustao e Cia. Meu QI e sanidade mental agradecerao eternamente). Depois de ficar a tarde inteira num estado semi-zumbi em frente assistindo televisao (a ressaca te permite fazer somente atividades de baixíssimo teor intelectual), voce cai na real que já sao 18h e voce nao fez nem 10% de todas as atividades importantes que voce tinha programado para fazer durante o final de semana (declaracao do imposto de renda, lista de 350 exercícios de Cálculo III, passar aquela pilha de roupa do tamanho do Everest que te espera na área de servico). A dor de cabeca da ressaca aumenta ainda mais. E entao chega o golpe de misericórdia: o "Boa Noite" do Zeca Camargo + musiquinha do final do Fantástico. O final de semana acabou. The fun is over.
Saco.
Mas feliz era eu e eu nao sabia... Quando eu vim para a Alemanha, a minha "paixao" por domingos passou para um whole another level : domingo na Alemanha simplesmente nada funciona. Absolutamente N-A-D-A. Supermercados, lojas, padaria, farmácia - tudo fechado. Nada daquele shopping básico para dar uma motivada leve (sim, eu sou capitalista, eu me motivo com compras) - ele também tá fechado. Saco.
O resultado prático disso é que o sábado se torna um dia incrivelmente estressante. Durante a semana, supermercado e lojas funcionam somente até as 20h (nada de shopping aberto até 22h como no Brasil). Estamos na segunda maior cidade da Alemanha, regiao metropolitana mais rica do Continente (depois de Londres)... e servicos 24h simplesmente inexistem por aqui. Portanto, sábado é o dia em que os "sérios alemaes" passam correndo de um lado para o outro, tentando organizar e deixar tudo pronto para a semana que está por vir.
Como eu nao sou um "sério alemao" e planejamento definitivamente nao é o meu forte, enquanto os alemaes estao se acotovelando no supermercado em busca daquele salsichao na Promocao Rosadinha, eu provavelmente repouso tranquilamente na minha caminha (ressaca parte I: sexta) ou estou em alguma atividade com amigos do Erasmus. Óbviamente eu esqueco completamente dos horários, e quando eu me toco já sao 20h e fudeu - supermercado fechou. E aí eu me lembro que a minha geladeira praticamente é a Árvore de Natal da Lagoa ("Um show de águas e luzes" - Só água) e eu nao tenho nada para comer. E o jeito vai ser, no domingo, ir de Mac Donalds ou Döner Kebab no turco mais próximo. Mais uma vez. :/
A perspectiva alema nesse ponto é que sábados sao feitos para que as obrigacoes sejam cumpridas... e que o domingo seja um dia para ser aproveitado sem nenhum tipo de estresse. Domingo é o dia em que os alemaes levam as criancas para o parque, passeiam em volta do lago... enfim, aproveitam a vida com um pouco menos de pressa e planejamento.
Claro, tudo isso SE fizer tempo bom: o que em Hamburgo é suuuuper comum - assim como um onibus chegando atrasado, um cachorro latindo (absolutamente todos sao treinados), uma crianca chorando (suspeito que sao treinadas no mesmo lugar que os cachorros) ou um estudante de intercambio carioca indo dormir cedo num domingo de noite ao invés de ficar postando no blog dele. ;)

sábado, 24 de outubro de 2009

Ich liebe: Mitfahrzentrale

Somewhere entre Hamburgo e a Dinamarca

Sabe aquele clássico dilema de viagem "Vou ou não vou de carro?"? Aqui na Alemanha ele meio que não existe - afinal temos o Mitfahrzentrale!
O Mitfahrzentrale é um site de busca e oferta de caronas, e os destinos não somente são para dentro da Alemanha mas também para países vizinhos (eu, por exemplo, viajei para a Dinamarca nesse esquema). As caronas também não são somente de carro - na Alemanha, tudo feito em grupo (opa!) é sempre bem mais barato, logo é muito comum pessoas comprarem tickets para grupos na Deutsche Bahn e oferecerem as "vagas restantes" nesse site.
O site é bem direto e simples (mas claro, todo em alemão): você coloca a origem, o destino desejado e a data da viagem. Aparece uma lista de oferta de caronas dentro desses parâmetros, e você pode clicar para saber qual o carro, qual o ponto de partida exato da viagem, etc. Normalmente tem o telefone da pessoa que oferece a carona, para o qual você liga e combina maiores detalhes.
Claro, como estamos em um dos bastiões do capitalismo moderno, a carona, claro, não é di gratís (não existe salsichão grátis na Alemanha, lieber...). :) Mesmo assim, a viagem vai sair por um preço seguramente bem menor do que outras formas de transporte - o sistema de trens na Alemanha é famoso por atrasar bastante (sim, questão de horas - ônibus não atrasa na Alemanha, mas trem sim) e ser bem mais caro do que nos países vizinhos (ah, dica #2: viajando de trem para ou da Alemanha para outro país? Sempre veja a passagem no site não-alemão. O site da Deutsche Bahn sempre apresenta os maiores preços).
E a pergunta que eu sei que os brasileiros estão fazendo, porque eu também me fiz: é seguro? Dá para confiar?
Sim, super dá. Todos os alemães usam aos montes, e por mais que pareça estranha a idéia para um brasileiro de dividir o seu carro com estranhos, aqui na Alemanha isso é visto como algo completamente normal. A primeira viagem que eu fiz nesse esquema foi de Hamburgo para Hannover (pertinho, somente 1,5h) e foi super tranquila (na verdade, na volta eu vim sozinho com um cara numa daquelas vans Volkswagen Transporter super "psicopata-car"... Enfim, o motorista era um cara LINDO, a viagem foi super tranquila e cheguei vivo ao meu destino final. Intocado, infelizmente, mas pelo menos vivo. rs).

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Autobahn

Se fosse feita uma lista dos principais símbolos nacionais alemaes, eu creio que junto com cerveja, salsicha e gente mal vestida (he he he veneno mode on), as auto-estradas alemas entrariam nessa lista fácil.

Sim, elas sao perfeitas - dá para dormir com a cabeca no encostada vidro sem sofrer aqueles solavancos que quase causam um traumatismo craniano, tao comum nas estradas brasileiras. Sim, (em alguns trechos) elas nao possuem limite de velocidade - onde Herr Fritz vai facilmente meter 280km/h na Mercedes SLK dele, deixando todos os Peugeot's e Citroen's comendo poeira, enquanto dirige a caminho do Mar Báltico.

Aliás, esse é um ponto importantíssimo: qual a funcao das auto-estradas (afinal, trem é o que nao falta aqui)? Para darem alguma funcao aos carros mega ultra blaster potentes produzidos pelas montadoras alemas! Natürlich! Mas que fique claro - montadoras ALEMAS: no quesito "O seu carro define quem voce é", carros estrangeiros estao na categoria "carrocas e charretes". E for frances, praticamente é rebaixado a categoria de "patinete e similares". Alemao dirige carro alemao - e de preferencia BMW ou Mercedes.

Enfim, todo alemao adora reclamar que as auto-estradas nao sao mais o que costumavam ser, que estao cheias de "engarrafamentos quilométricos" (adoro assustá-los falando dos recordes de engarrafamento em SP hehehe) e que o asfalto nao é mais tao liso desde a Queda do Muro. Mesmo assim, é um alemao botar o pé fora da Alemanha para comecar a reclamar "Mas isso é inaceitável! Como pode uma estrada dessas!" - se for na Itália entao, ih, melhor nem falar! Eles ficam possessos com os limites de velocidade (porque para eles dirigir a menos de 250km/h numa estrada é praticamente andar rastejando), com o tracado cheio de curvas, com os automóveis-carrocas (de montadoras estrangeiras, natürlich), enfim... Ficam loucos para voltar a tranquilidade, previsibilidade e perfeicao das famosas Autobahn's.

E na verdade, sao quase perfeitas sim: mesmo as mais antigas, plajenadas por Titio Hitler, foram desenhadas para nunca passarem por dentro da cidades. Ou seja:

1) Nada daquela coisa de estrada do interior brasileiro, cortando exatamente a rua central de Santa Xiboquinha do Norte, com gente andando perto da rodovia (momento memórias: quando eu era crianca - e fudido - todo ano viajavamos para Recife, claro via Itapemirim, naquela viagem INTERMINÁVEL que durava 48h. A melhor parte sempre era o interior da Bahia - sempre me lembro de uma senhora, sentada com a neta, na praca central ao lado da rodovia, fazendo o que? Catando PIOLHO da coitada. Com uma avó dessas, inimigo para que, né?!).

2) Horas e horas de planícies verdejantes sem fim. 5 minutos de viagem: "Ah, que lindo!... Nossa, a natureza alema é tao diferente, nao é?". 10 minutos: Saco. 30 minutos: Saco. Infinito: Saco. Nada muda. Tudo igual. A viagem inteira.

3) Viajou de noite? Lembra daqueles clássicos do Supercine, tipo "A morte pede carona"? Sabe a estrada do filme? I-G-U-A-L. Breu, breu, breu. Nada aceso, nenhuma casinha para se escapar em caso de ataque de um psicopata escondido no banco de trás. Um saco + medo do carai.

Enfim (amo dizer enfim), morar na Alemanha é certeza de se acostumar com as maravilhosas autobahn's, ficar assustado com os cálculos malucos que eles fazem de tempo x distancia (Rio - SP = 450km, 6h = meus amigos alamaes com cara de "Voces viajam como? Andando?") e desejar ter uma daquelas mega máquinas para poder meter acima de 250km/h (e com alguma sorte, chegar vivo no destino final).

P.S.- Sim, eu tenho medo do escuro na Alemanha. Porque? País desenvolvido sem muito crime tipo "perdeu playboy" equals falta de tanque para lavar roupa equals psicopata aos montes! Lembra do canibal gay que comeu o penis do maluco com o consentimento da vítima?! De onde eram essas criaturas? Claro, Alemanha!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

In my head: New Radicals / Westlfie

Quinta-feira de noite, relaxando antes de ir dormir, escutando a melhor rádio do mundo (Radio Hamburg - Hits music only!), dia não foi perfeito - mas pelo menos foi tranquilo, e começa a tocar "New Radicals - You get what you give".

Sim, eu sei - anos 90 total! :) E eu volto aos meus 16 anos, aprendendo alemão no Goethe, sonhando com uma viagem a Europa que parecia tao impossivel... :) E 8 anos depois, aqui estou eu. A vida é muito louca, né?

Enfim, amo a música - para mim é total "levanta astral" e sempre que a escuto um sorriso se abre no meu rosto... Fiquem com ela aí e boa noite!


Update: Tô falando que essa rádio é pra mim - o que toca logo depois de New Radicals? "Westlife - When you are looking like that"! Eu AMO Westlife (sim, é brega, é trash, é boyband... mas eles eram tãaaao gostosos! E achava muito mais não-conformista gostar de boyband européia do que dos malas do Backstreet Boys).
Essa música eternamente vai lembrar do "NEEEEEJ!!!" que eu berrei em Estocolmo num clube quando começou a tocar essa música! :) Afinal, era uma música beeem lado B de um dos discos deles. Enfim, se você esteve em Estocolmo em Agosto e viu um brasileiro berrado "...And hooooooooow am I supposed to live without youuuuuuuu..." em clube de Östermalm, fato que era yo. :)

Warnung, Warnung: Wir speak kein Englisch!



Comercial do Berlitz para o mercado alemao para mostrar que, ao contrário do que se fala no Brasil ("que todo mundo na Alemanha fala ingles" - ha ha ha), os conterraneos de Frau Helga e Herr Hans nao sao lá muito versados no idioma shakespeariano nao...

É a chamada "Síndrome do País Grande Europeu": se fala um dos idiomas top 5 do continente europeu (alemao, frances, ingles, italiano e espanhol), certeza que vai falar ingles com um sotaque intelingível, vai ficar inconformado porque voce nao fala fluentemente o idioma dele (frances chato "Mas Fernando, falar alemao para que? Frances é muito melhor!" / Fernando not in a very friendly day "Melhor para que?! Para ler embalagem de perfume e desodorante? Voces nao usam mesmo...") e vai encher o saco falando que o idioma dele ainda tem alguma expressao internacional. E em viagem nesses países, pode ir esquecendo cinema e televisao se voce nao fala o idioma fluentemente - T-U-D-O dublado (e pasmem: nao existe tecla SAP nas TV's daqui! Viva Globo, viva NET!). Ou seja, tudo com aquele jeitinho de dramalhao mexicano (voces acreditam que um alemao teve a pachorra de me falar que "é porque muitas pessoas nao conseguem ler enquanto assistem o filme"? . HallOOO: Índice de Alfabetizacao em 99%?!!! PIB per capita de US$ 39.650?!!! Inglaterra a 45 minutos e 30€ de distancia daqui?!!!! Ah, vai tomar no cú!).

Enquanto isso, Escandinavos e Holandeses falam ingles melhor do que os próprios americanos (o que nao é nenhum grande desafio: sejamos sinceros, povinho mais without notion impossível...). Em qualquer um desses países, é voce tentar falar algo no idioma deles que eles automaticamente respondem "How may I help you?"- todo mundo, incluindo motorista de onibus, trocador e imigrante vendedor de cachorro-quente. Lindo demais (Como eu já falei, amo IDH elevado, me amarro numa deficiencia de melanina e adoro horários de onibus do tipo "13.57h).

P.S.- Post vinganca pelas 2403 vezes que eu escutei alguma expressao em espanhol na hora em que eu falei que era do Brasil - muitas vezes escutando ainda "Ah, mas espanhol é igual a portugues, nao é?". Ah, nao fode: Ok, espanhol é igual a portugues (e quem me vier com lista de "falsos cognatos" leva um Don Quijote de La Mancha na cabeca de volta!). Mas porra, pagava uma fortuna no Goethe para aprender esse merda de idioma suuuper popular e acessível (no ranking "países mais odiados do mundo", Alemanha tá lá no top 10 fácil. Também, quem manda iniciar e ainda perder duas guerras num século? Aprende com Itália, caramba: o case de marketing do século - "Como perder uma guerra, enviar judeus para Auschwitz, apoiar a Alemanha nazista e ainda sair de vítima no final da Guerra"), venho de um país de terceiro mundo, a criatura vem de um dos melhores sistemas de ensino do planeta e eu vou ter que ensinar geografia para europeu?! Mein Arschloch! Aliás: toda essa historinha de BRIC's fez com que todos os europeus por aqui nao acreditem que o Brasil é ainda um país de terceiro mundo (sério, eles me corrigem quando eu falo isso!). Em resposta, eu falo que somos "Third World - Business Class".

P.S.2- Para os que acham alemao um idioma "feio", "forte", "gutural demais": escutem dinamarques e holandes, e depois falem comigo. Alemao em comparacao com esses idiomas parece frances de tao leve e suave. Sabe aquele som daquela sua tia-avo, filial da CSN, 5 décadas fumando 850 Capri's por dia, quando limpa a garganta? Holandes. Sabe aquela onomatopéia igualzinha ao som de vomitar? Esse fonema é um dos mais usados em Dinamarques. (Dica: mesmo que voce fale alemao, melhor levar escrito o nome dos lugares quando voce for a Dinamarca ou Holanda. Ao contrário do alemao - onde o que vale é o que está escrito - em dinamarques e holandes o som é completamente diferente do que está escrito. Tive problemas sérios em Copenhague para me guiar, achar uma estacao ou dizer onde eu morava).

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Programa Erasmus

Definição da Wikipedia: ...Programa Erasmus foi estabelecido em 1987, é um programa de apoio interuniversitário de mobilidade de estudantes e docentes do Ensino Superior, entre estados membros da União Europeia e estados associados, permite a alunos que estudem noutro país por um tempo de 3, 6 e 12 meses.

Definição do Fernando: Programa Erasmus é um programa interuniversitário de mobilidade de estudantes que serve para que os estudantes europeus possam, durante 6 meses, viverem de forma deliciosamente irresponsável suas vidas em um outro país do bloco, fazendo todas as merdas possíveis que eles jamais teriam coragem de fazer nos países natais. :) Ou seja: conduta sexual não aconselhável, consumo excessivo de substâncias químicas (sim, tem estudantes holandeses no grupo), festas segunda-a-segunda e 0 horas de estudo propriamente dito. E depois de tudo isso, ainda poderem voltar para casa e terem o diferencial no currículo de "experiência internacional". :)
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É realmente uma pena que não tenhamos um programa como o Erasmus na América do Sul. Para a geração que frequentou a faculdade nas últimas duas décadas aqui na Europa, Erasmus é praticamente um pré-requisito para um bom emprego no mercado de trabalho e oportunidades acadêmicas. Além disso, o Erasmus é considerado um dos promotores do chamado sentimento "pan-europeu", promovendo o intercâmbio entre estudantes do bloco.

Ok, "promover o intercâmbio entre estudantes do bloco" é uma frase bonita para caramba, mas... óbvio que colocar um monte de estudantes europeus num mesmo lugar não ia resultar em "estudantes alemães e franceses discutindo as diferenças e semelhanças entre os trabalhos de Heidigger e Rousseau". Na verdade, resulta mais em discussoes do tipo "a pior cerveja sempre será melhor do que o pior vinho?".

Mas então, quais são os:
1) Agentes promotores da interacao cultural?
2) Como a interacao entre culturas se dá?
3) Quais os ambientes e fatores promotores da interacao cultural?
(Ah, saudades daqueles textos chatérrimos de História do Pensamento Econômico, onde você lia 5 parágrafos e entendia 5 linhas...).
Bem, o assunto rende, e eu nao pretendo escrever o maior post da história de um blog (afinal, esse premio certamente vai para o introspective heheehe - brincadeira, tá? Seus textos sao longos e ÓTIMOS!). Portanto, vai por partes mesmo, ok? :)
P.S.- A imagem do post é do cartaz do famoso "Albergue Espanhol", considerado o filme "Erasmus", por mostrar a estadia de um grupo de estudantes que participam do programa em Barcelona. Mais sobre o filme eu nao posso falar, porque eu ainda nao o vi - fiz uma promessa pessoal de somente assisti-lo quando estiver de volta a terras brasileiras.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cenas Hamburguesas

Ponto de ônibus da estação de Barmbek- Hamburgo, Alemanha. Segunda-feira. 8.46h. 6°C.
O que comentar? Falo sobre como é bom viver num lugar onde você se sente livre para expressar os sentimentos? Sobre a tolerância dos hamburgueses que, como fica registrado na foto, nem olham mais para cenas como essas como se isso fosse um espetáculo de outro mundo? Ou sobre como esses dois caras gays acompanharam toda a evolução da causa GLBT, para que perto dos 50 pudessem exercer o direito fundamental de serem felizes em público?

Ou talvez, a foto não mereça comentário nenhum mesmo. Simplesmente a foto de um casal apaixonado. Numa fria manhã de segunda-feira. Num ponto de ônibus.

Como deveria ser em qualquer lugar. :)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Curtíssimas

- Segunda-feira, dia internacional da... ressaca! :) Balde XXL de café no meu lado esquerdo, pacote de aspirinas no lado direito. Receita alema para ressaca: 500mg de aspirina e muita água. Nao entendo nada de Medicina, mas tendo em vista a vastíssima experiencia empírica germanica na área de alcoolicos, creio que eles sabem muito bem do que estao falando (Wilkommen ao país onde se toma cerveja até no horário de almoco)... Com 2,5 meses pela frente, melhor aproveitar o que ainda me resta... Só espero chegar vivo (e com um fígado funcional) em Janeiro...

- Temperaturas desabando em Hamburgo: início de Outono, e as temperaturas já descem aos invernais 3°C, 4°C - durante o dia. Rolam boatos que dois dias atrás até nevou de manha cedo - o que obviamente eu perdi, porque acordar antes das 14h durante final de semana never again. Tenho trauma de manhas de final de semana. Na fase pós outing, mamae cortou todas as possibilidades possíveis de entretenimento: nights/baladas, cineminha e até Internet. Como o que me restava era dormir cedo na sexta, durante um bom tempo a minha realidade foi Globo Ecologia + Globo Ciencia + Acao sabado de manha. Trauma 1) Odeio ecologia (thanks, nao quero saber que a libélula-pintada da Nicarágua se reproduz somente 1 vez a cada cinco anos. Na verdade, quero que a libélula-pintada da Nicarágua se foda. Ou que vire peca de colecionador europeu. Ou que o habitat dela vire um lindo Club Med bem capitalista - sem nenhuma libélula-pintada para ficar enchendo o saco dos turistas.). Trauma 2) Odeio programa de ciencia (thanks, nao acho "irado" saber como um acelerador de partículas funciona. Mas fazia o Marcelo Gleiser fácil.). Trauma 3) Odeio programa de acao social (tá, estudo economia, por isso nao posso ligar o "foda-se" para programas sociais, mas na boa: acordar sábado cedo para ver grupo de pirralhos batucando lata de tinta vazia é... chato. Ainda mais com o Serginho Groisman falando como uma pessoa com 1/5 da idade dele).

- Rio de Janeiro tá bombando, hein? Ignorava completamente esse assunto até voltar de um passeio, domingo a tarde, com um amigo alemao e escutar o noticiário no rádio. Constatacao 1: noticiario no rádio? Tamos podendo, hein... Constatacao 2: Grande desafio pela frente, hein Governo Federal... (Btw, isso me faz lembrar do lendário vídeo da invasao do Brasil pelos EUA... Acho que o pessoal do Morro dos Macacos se inspirou nele final de semana passado).

- Por falar em violencia, o Estagiário-Trambolho pratica tiro nas horas livres. Medo. Melhor ser mais simpático com ele.

- Por falar em Rio, ontem assistindo tranquilamente a VIVA (tipo uma MTV local) debaixo das cobertas, comeca um vídeo tal de Mark Medlock - um saco, músicas bem do tipo "yo soy latino, viva verano, muchas maracas!". Latino dream demais para mim. Novo vídeo do cara? Curte aí "Baby Blue":

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Kun for mig

Definitivamente o melhor dos mundos para um viajante é contar com um bom amigo para te apresentar o lado daquela cidade que só quem mora lá sabe encontrar. Tem coisas que nenhum Lonely Planet pode ensinar não... ;)

Enfim, relendo o blog do Tony Goés esses dias, nao é que eu encontro uma das aquisições musicais mais legais das terras dinamarquesas: Medina?! Medina é uma chileno-dinamarquesa, super hype em Copenhague e tocando direto nas nights/baladas de lá. E a minha grande surpresa ao ler o post do Tony foi saber que existia a "You and I", que nada mais é a versão em inglês da original (em dinamarquês, claro) "Kun for mig", que foi a que eu conhecia e fui apresentado por amigos dinamarqueses.

"Kun for mig" significa "Só para mim", e tem uma letra bem mais "to solteira, to depre mas to de sainha e ninguém vai me segurar" do que a versao em ingles. Letra bem superacao, sofrimento, "me largou mas eu vou dar a volta por cima" - ou seja, tudo o que nós adoramos para cantar bem alto na boate...;)

Como eu me amarro numa deficiencia de melanina e tudo que vem daquelas bandas, eu pessoalmente curto mais a original. Enfim, escutem ai, pratiquem o dinamarques de voces, paguem uma de hype/"eu conheco alguma coisa da Dinamarca além de Lego e turista loirao gato" e bom final de semana! :)




Comments:
1- (0:13) Momento Andrea Sachs, Devil wears Prada, Vogue: Rykah, Katylene, Brasyl. (Ou Dynahmarka nesse caso?).
2- (0:28) Momento "De Sainha". Valesca Popozuda é Brasil, é povao, é hype na Escandinávia.
3- (1:00) Stephany?!!!
4- (1:32) Hvad er denne mand, Brasilien?! (= Que homem é esse, Brasil?!)
3- (2:19) Bate aquele "Ui, to bebada", voce para, senta e olha para alguma coisa aleatória que te lembra de uma outra coisa mais aleatória ainda que CERTEZA vai fazer te lembrar do FDP. E óbvio, nesse exato instante, na sua cabeca, o aperta-se o play do DVD "Voce e o FDP: Momentos Molico" - voces dois, mega blaster photoshopados, muito sorriso, muita luz branca natural, em todos aqueles momentos "caminhando pela praia" ou "jantando naquele restaurante lindo em Paraty", falando como numa novela do Manoel Carlos. (Óbvio que momentos como "eu, carregando ele, trebado, na saída da The Week as 6:15h de um domingo, puto" e semelhantes estao de fora do DVD "Momentos Molico").
4- (2:24) Hvad er denne mand, Brasilien?!!!!!!
4- (2:28) Aquela amiga fervidíssima chega mandando o "Sai dessa, amygaaah!!!”, trazendo aquele copo... Qual copo? Aquele maldito copo... E torra a tua paciencia até tu virar tudo. Depois, o seu momento "me laaaaarga que eu quero dancar, porrah!". Últimos momentos dos quais voce vai lembrar no dia seguinte.
5- (4:00) Momento "Agora eu to solteira e ninguém vai me segurar". Paris Hilton feelings.
6- (4:30) Mensagem FDP (Desculpa baby - volta para mim!). Celular para fora do carro - Atitude diva. Digna. :)

Deswegen liebe ich Hamburg :)

Site do HVV (Sistema de Transportes Integrados de Hamburgo). Site facílimo de usar: calcula como chegar a qualquer lugar na zona metropolitana extendida de Hamburgo, com todas as variacoes possíveis: menor tempo, menor preco, menor número de baldeacoes, passar via um determinado local.

De tao perfeito, organizado e fácil de usar... chega a dar medo. :) Por isso os alemaes nunca chegam atrasados a nenhum compromisso.

Wednesday is my new Friday



Se até agosto passado eu tinha um estilo de vida rykah aqui em Hamburgo (morava na casa de um amigo alemao – saudades da máquina de café automática, banheira e estoque interminável de Nutella), quando eu me mudei para a residencia estudantil, o que eu perdi em comforto eu acabei ganhando em badalacao. :) European Student way of Life, YEAH! :)

Toda quarta rola festa no bar de residencia onde eu moro. O de sempre: conversas animadas com pessoas de trocentos países diferentes (ontem rolou inclusive debate sobre como a Europa enxerga o Isla, com os novos amigos iemenitas e tunisianos - gente, acho muito digno ter amigos “iemenitas”! Tao ONU...); Becks, Becks, Becks; dancar “I got a Feeling” do Black Eyed Peas como se o mundo fosse acabar amanha. E ir dormir as 3h. E chegar quinta no estágio com cara de quem foi atropelado por um alce on pills (pior que esse tempo mais frio parece contribuir ainda mais para a sua cara de amassado de manha – óbvio que quando eu chego no trabalho, mando o cao “Ai, esse frio na Alemanha é tao forte para mim” + ”tossinha de crianca do comercial de Vick” para nao ficar muito na cara).

Mas é bem legal. :) Ah, eu vou sentir saudade desses tempos de diversao low cost e high fun da Europa...

Comments:
1 – Beck’s é uma cerveja alema long neck – nada de “desenvolvida por monges trapistas em um mosteiro dos Alpes perto de Garmisch-Partenkirchen” – é cerveja de jovem, estudante, pessoal que nao tem muita frescura com essa história de cerveja (e eles levam isso MUITO a sério aqui..). Bem Leve, em várias versoes manerissimas, perfeita para a night/balada. O vídeo acima é um dos comerciais da marca aqui na Alemanha, e dispensa a traducao para os nao iniciados no idioma-pesadelo de Goethe.
2- Tem coisa mais fofa (e confesso, sexy) do que sotaque frances em qualquer idioma? :) Eta povinho gostoso, mon dieu...

Viu só a prova de que eu estava doente ontem! Cachecol! :)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

China na Feira do Livro de Frankfurt 2009

(Foto do site Zeit.de - © dpa)

Hoje comeca em Frankfurt a maior feira do mercado editorial mundial: a Frankfurter Buchmesse (Feira do Livro de Frankfurt). O evento é considerado a mais importante plataforma para autores e editoras, e todo ano um país é convidado para ser o destaque da Feira. Em 1994, nós brasileiros fomos os convidados e esse ano advinha quem foi? China.

O barraco está montado porque eu, voce e toda a populacao de Shanghai sabemos que publicar livros na China é basicamente um inferno. Obviamente, o governo chines investiu pesado na comitiva que irá representar o país em Frankfurt, e levou somente o que considerou interessante para a manutencao da imagem da China como um país "moderno". O que eles nao contavam era com o espírito de Schwein de algumas editoras alemas (que "atóoram" uma censura e repressao política - a metade oriental do país nem viveu isso até a década de 90), que seguindo o tema China, resolveram levar publicacoes consideradas proibidas e indesejadas por Pequim. Sim, a Feira vai contar com a versao "oficial" da China (montada nos escritórios do PC de Pequim) e com a versao "uncensored" contada pelos dissidentes e todos nao-desejados pelo Governo Chines.

Comments:
1 - Por isso que tem horas que eu atóooro a Alemanha: eles sao chatos, organizados, meticulosos. Mas o pessoal daqui tem cojones para defender os seus príncipios, e querer bancar de moderno e desenvolvido para alemao enquanto mantem a populacao debaixo da censura nao rola mesmo. Toma Falun Gong agora, toma Pequim...

2- Nada contra chineses (xíe xíe pelos meus produtos H&M produzidos com mao-de-obra semi-escrava, Beijing!), mas sinceramente, nao compro essa histeria de "China, o país do novo milenio". Para mim é um país repressor, poluído, caminhando a passos largos para um baita desastre economico e ambiental. E cafona bacaraí (vamos combinar: porra, com tanto Norman Forster, Herzog & de Meuron e Zaha Hadid por aí, me constroem aquele erro que Pudong é? Se inspiraram no que para construir aquilo? Na cidade do Megamen?!!! Porra, quer brincar de Nova York pelo menos aprende com Dubai, caramba...).

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Lektion des Tages

Ou melhor: frase da VIAGEM inteira (tirada do site da Neon)!

Erfahrungen macht man immer kurz nachdem man sie gebraucht hätte
(Algo como: Experiencia voce somente adquire LOGO depois de que voce teria precisado dela)

Nem escrevo mais nada depois disso para nao estragar o gran finale do dia. Guten Abend! :)

Scheiße

O que fazer quando voce se descobre muito mais dentro da dita "cena gay" da sua nova cidade (Hamburgo) do que voce já esteve na sua cidade de origem (Rio de Janeiro)?

Acabei de saber por um amigo alemao que o FDP teutonico é amigo de um amigo dele. E até onde parece, esse amigo achava que o cara era o príncipe encantado, com todo o teatro que o FDP teutonico sabe montar para os outros. E para a minha surpresa, essa amigo até sabe do "brasileiro com quem ele estava tendo um caso". Sim, eu, o brasileiro. WFT?

Eu nunca sai com o cara para clubes, ele nao conhecia os meus amigos e eu nao conhecia os amigos dele. Era uma relacao mega íntima entre a gente. O cara se gabava de estar "fora da cena" e de ter a imagem do advogado perfeito, eficiente e exemplar. E agora, isso. O telefone-sem-fio faz todo o caminho de volta, até a minha história chegar no meu ouvido.

Como esquecer um cara sendo que voce mora na cidade DELE, estando longe dos seus amigos, e tudo na cidade lembra ele? E pelo visto, comecar de novo nem rola, porque Hamburgo inteira deve estar sabendo que é o "brasileiro" em questao.

Saco. Saco. Saco.

:/

European diet nightmares: Twix

Frio bombando lá fora, e a máquina daqui do andar sendo reabastecida. O que chega de novo?

Ok, ok... Também temos Twix no Brasil. Mas por acaso temos as inacreditáveis variacoes de Twix...


Twix Chocolate Branco AND...


Twix Marrom? :)

To falando... Ficar na dieta aqui é um milagre... Sorte que todo mundo anda todo encasacado 7 meses por ano, porque se nao fosse isso... :(

(Mas é MUITO bom).

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

European diet nightmares: Kit Kat


Essa porra deve ser o motivo (ok, um doS motivoS) pelo qual eu nao perdi ainda uma grama sequer malhando como um condenado aqui na academia: é bom demais. Se manter magro na Europa é um milagre para quem vem de “chocolate Garoto ou Cacau Show?”: é muita opcao engordativa, e tudo barato. Para piorar, tudo light aqui é caaaaro. Sente só o drama:
Saladinha: 2,30€, um pratinho minúsculo (e um alface que veio de algum buraco láaaaa perto do Mediterraneo).
Pera: 1,50€ cada uma (dura, massuda e sem gosto. Iecati.).
Kit Kat Caramel, dando sopa aqui na máquina bem atrás da minha mesa (Praticamente falando “Me coma, me coma”): 0,50€.
Tá cinza, tá chovendo, tá frio para caralho. To carente, cheio de tarefa para fazer, e nao sei que horas vou terminar tudo (bem, se continuar blogando, nao saio nunca mesmo daqui). Dado tudo isso, eu ainda vou comer pera? Maca? Uvinha? No way.
Foda.

Ser gay em Hamburgo é...

Lange Reihe, a Farme de Amoedo hamburguesa - nao tem praia no final, mas é bonitinha assim mesmo, tá?

Lado bom:
- Liberou geral: voce anda com o seu peguete/namorado de maos dadas na rua e ninguém vira para olhar. Para ter uma nocao, a Farme de Amoedo (Lange Reihe) daqui tem escola infantil, trocentos cafés e bares iranianos/turcos/portugueses e uma mesquita numa das extremidades da rua. Todo mundo convivendo na maior paz. :) E isso se extende para a cidade inteira.

- Night é tudo misturado mesmo: Isso é uma tendencia bem forte do Norte da Europa (mais ainda em Estocolmo e Copenhagen) - as boates gays estao se tornando cada vez mais escassas, e as ainda existentes sao quase sempre mais frequentadas pelo pessoal mais "vivido". Como tudo é tao liberal, a geracao gay mais nova acaba frequentando os mesmos locais e boates que os heteros da mesma idade. (Experiencia própria - em uma boate "hetero" de Hamburgo meu gaydar apontou (errado, claro) para um cara. Cheguei puxando um papo, conversamos durante 5 minutos e soltei "Voce é bem interessante, sabia?". O cara abriu um mega sorriso no rosto, falou "Poxa, mas eu nao sou gay, cara..." e me ABRACOU. Eu fiquei com aquela cara de "WTF?", e ainda continuamos a conversar por uns 10 minutos. Desenvolvimento demais para mim.).

- Medo de sair do armário is so last season: Sabe aquele dilema "conto para o meu amigo hetero que eu sou gay ou nao?". Absolutamente inexistente aqui. Todos alemaes para os quais eu contei que era gay reagiram com um blasé "Mesmo? Nunca tinha sacado isso." (claro: alemao nao tem essa necessidade permanente de SÓ falar sobre mulher-futebol-mulher que latino tem). E continuaram agindo da mesmíssima forma que antes. Nada daquelas perguntas chatérrimas "Mas voce realmente nao gosta de mulher?!!!" que hetero latino faz. E até perguntam se voce está saindo com algum cara no momento...

Lado ruim:
- Ninguém olha mesmo: Paquera? Azaracao? Piriguetismo? Vai esquecendo. Tá todo mundo tao coberto de roupa, o céu tá tao cinza, tá tao frio que ninguém parece ter animo para paquerar. Olhada discreta rola, claro. Mas nada além disso. Alemao é MUITO tímido - ou voce chega, ou nao rola nada.

- Alemao é sistemático: Sexo é sexo, paquera é paquera. Se voces marcam sexo, ele vai perguntar detalhadamente tudo o que voce gosta e nao gosta, quanto tempo vai durar, qual as posicoes preferidas, possíveis fetiches - o que vai tornar o sexo casual tao excitante como uma aula de anatomia comparada (bem, possíveis fetiches uma ova - como um amigo meu diz, todo frances e alemao sempre tem um lado B beeeem dark).

- Lentidao: Rolou paquera? Fudeu: nada de ir esperando um jantar seguido de um beijo daqueles no carro, com uma mega pegada. Se o cara gostou de voce, pode ir se preparando uma sequencia interminável de café, passeio no parque, ida ao cinema, museu - isso tudo para rolar UM beijo (que VOCE terá que roubar). Outra sequencia interminavel de passeio, café, ida ao museu... para QUEM SABE rolar uma pegada mais forte. Somente assim eles acham que é possível conhecer melhor uma pessoa (O lado bom é que na hora que vai, a coisa vai que é uma beleza... hehehe E a gente ainda conta com o "plus a mais" do fetiche de ser latino e brasileiro - óbvio que eu, que odeio qualquer tipo de cliche, me utilizei desse cliche aqui é MUITO... hehehe).

- Paraday gay = Carnaval Solteiro em Salvador? Nein, Nein... : Lembro como se fosse hoje: tinha acabado de terminar com o FDP (filho-da-puta) germanico, e Parada Gay chegando. Nao sou muito fa da pegacao "Solteiro em Salvador" (= pega um, pega dois, pega trinta), mas tava solteiro, carente, e os meus amigos alemaes contando que a Parada Gay era "O" evento de Hamburgo. Fui todo trabalhado no piriguetismo carioca, esperando O evento...
Sabe desfile cívico de Sete de Setembro? I-G-U-A-L. Toda dividida por grupos, com plaquinhas na frente, cartazes e folhetos com as principais reindivicacoes. Além de trios elétricos dos principais partidos, tinha grupo de tudo quanto era tipo: grupo de adolescentes gays, grupo de gays membro da Polícia de Hamburgo, gays islamicos em Hamburgo, gays SM (com direito a pessoas andando com coleiras e tudo). Tinha tudo - menos pessoas se beijando (sério, eu contei dois a parada inteira: alemao é tímido, como eu falei) e ZERO paquera. No final, estava eu, agarrado com a minha garrafa de espumante (bem, o lado legal de morar na Europa é que o espumante é frances e barato), com aquela cara de "Great.", todo colado de stickers dos partidos alemaes distrubuídos na parada.

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Post motivado pelo meu recente "outing" para o estagiário vítima da "exclusao do Mirabel" (nao, ele nao é - sim, tumbs down, eu sei). Como disse acima, o cara foi um fofo e agora conversamos basicamente sobre as nossas experiencias amorosas: ele com as garotas, eu com os garotos, e ele escutando tudo isso com a maior atencao. :) Nada como com os meus amigos portugueses, que sao legais, mais insistem no combo "mas como voce nao pode gostar de mulher?"+ "cara de nojo toda vez que eu comeco a contar como foi quando sai com um cara". Chaaaato...

sábado, 10 de outubro de 2009

O passado continua aqui



Uma das coisas que mais me fascinam na Alemanha é como a história do século XX sai das páginas dos livros e vai para a vida real.
Ontem, fui a casa de um amigo alemão (de uns 30 anos) fazer um pré-night básica antes de sairmos. Vodka vai, vodka vem, Fernando impaciente enquanto o meu amigo ficava naquela conversinha melosa com o novo quase-namorado dele (aquela mesma do tipo "Ai, desliga você primeiro... Ah não, desliga você..." - essa porra realmente é internacional), começo a dar uma folheada em algum dos livros dele. Eu pego um da história da Guerra Fria e começo a folhear mais atentamente. Ele desliga o telefone e pergunta se eu achei o livro interessante. Respondi "Claro" (com vontade de emendar "Honey, eu vou de Vogue a Eric Hobsbawm, tá?") e ele conta "Te contei que eu nasci na Alemanha Oriental, não?".
E o cara me conta a história da família dele: a avó morava em Königsberg, antiga Prússia Oriental. Ao final da Segunda Guerra Mundial, o exército Vermelho começava a avançar em direção ao Oeste, e o pânico tomava conta das populações alemãs na Europa Oriental - depois da matança promovida por Hitler em território soviético, os Vermelhos estavam sedentos por vingança. A avó desse meu amigo participa da operação de evacuação da Prússia Oriental, deixando a pequena vila dela (onde, segundo o meu amigo, nenhum alemão sobreviveu depois da conquista vermelha), e partindo em direção a Alemanha, navegando num mar Báltico cheio de submarinos aliados. Chegando na Alemanha, ela foi para a Turíngia (Alemanha Oriental), o posteriormente vive o drama de viver separada da filha dela, que tinha ido para uma cidade que ficara na Alemanha Ocidental.
E a história do meu amigo em si também não é menos carregada de história: depois de se separar do marido, a mãe dele, que morava também na Turíngia, decidiu tentar escapar para a Alemanha Ocidental. A fronteira húngaro-austríaca tinha sido aberta. Havia uma chance. Sem levar nada a não ser as malas com roupas, sem contar ao ex-marido dos planos - porque, segundo o meu amigo, o pânico da Polícia Secreta alemã era tão grande que era impossível saber em quem se poderia realmente confiar, e caso ela fosse denunciada, ela seria presa - ela decide "passar férias" com os filhos no litoral da Bulgária (para onde eles poderiam viajar sem autorização, por estar dentro do bloco comunista) e de lá pegam um trem para a Romênia e então outro para a Hungria. Já na Hungria, eles pegam um táxi até a fronteira, onde atravessam a pé para a Áustria. E para começar tudo do zero na Alemanha Ocidental.
Por isso que ele fala que toda vez que vê a Queda do Muro em Berlim, ele de alguma forma se emociona e chora. E que sempre quando ele escuta falar sobre refugiados, ele sempre pensa na família dele e como foi difícil começar tudo de novo. Mesmo sendo na mesma Alemanha.
Nessa hora, eu estava com aquela cara de "Como assim?". E depois disso, saímos, bebemos e nos divertimos.
Mas o pensamento de que a Alemanha, mesmo com todas as diferenças culturais, é simplesmente um lugar incrível não saiu da minha cabeça. E de alguma forma, eu relembrei do imenso privilégio que é estar aqui.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Salsichón de hoje

Já que eu ando metendo o pau direto nos alemaes (nao no sentido literal, infelizmente), melhor inaugurar uma seção aqui no blog para dar uma levantada moral deles, né?
Afinal, eles sao chatinhos, certinhos, organizados... mas até que são fofos comigo ("Fernando fazendo charminho" mode on)... ;)

O de hoje é o Marco Sheryl, apresentador do "Deutschland sucht den Superstar" (versão alemã do Ídolos - que aliás, tinha um garoto assumidamente gay que foi até as finais!). Esse cara sorrindo na TV... Mein Gott... :)
(Lecker, lecker, lecker! :) E JA, rolam boatos de que esse chucrute tá mais para sufle... O que o ainda torna mais interessante! hehehe)

Love and other disasters

Para os que acompanham o blog do Tony Goés, esses dias voce puderam ler que o cara completou 19 anos de relacao com o Herbert. 19 anos!!! Nao conheco um, nem conheco o outro - mas posso afirmar que somente lendo sobre a relacao deles fica uma imensa admiracao da minha parte por uma relacao dar tao certo! 19 anos... Realmente impressionante. Principalmente quando se leva em conta o mundo tao individualista em que vivemos hoje... o que nao necessariamente é ruim ou bom, mas simplesmente o mundo que atende as necessidades das nossas vidas modernas...

Sempre quando penso em relacionamentos me vem a cabeca essa parte do primeiro capítulo do livro "Sex and The City" (muito bom, por sinal), que dizia:

"...Welcome to the Age of Un-Innocence. The glittering lights of Manhattan that served as backdrops for Edith Wharton's bodice-heaving trysts are still glowing—but thestage is empty. No one has breakfast at Tiffany's, and no one has affairs to remember—instead, we have breakfast at seven A.M. and affairs we try to forget as quickly as possible. How did we get into this mess?"

Acho que nao existe descricao melhor dos relacionamentos modernos do que esse trecho do livro. Atualmente estamos sob a pressao eterna de trabalho, estudos, apresentar resultados... e parece que qualquer forma de "gostar de alguém" é mais um sinal de vulnerabilidade do que realmente uma... busca do direito de ser feliz. Nos preocupamos (me incluindo nisso também, ok?) tanto com as possibilidades de um relacionamento dar errado (distancia, diferenca de estilos de vida, idade - enfim, tudo é um possível motivo para que uma relacao nao de certo) que eles simplesmente... acabam dando errado... E voilá: mais um "affair to forget". Parece que apostar, dar a cara a tapa atualmente é mais um sinal do que voce é um carente que precisa de terapia do que realmente uma pessoa que busca a mais simples e básica forma de felicidade: a companhia de uma pessoa especial. Afinal, porque todo mundo tem inúmeras histórias de cafajestices e canalhices em relacionamentos para contar... mas fora das telas do cinema e das novelas, quase nunca escutamos uma "história de amor" sem pensar "Sei... Vamos ver quanto tempo isso dura..."?

Enfim, pensando na história do Tony, pensando em amor, relacionamentos e outros disastres relacionados bati olho no artigo acima no site da Neon (uma revista alema algo como uma "Capricho" para os solteiros de 20, 30 anos - com infinitamente mais conteúdo e que eu seriamente recomendo para quem sabe alemao): Sofort verlieben! (Amar agora!). E sinceramente, me peguei sorrindo. :) Como essa idéia de "encontrar o seu amor" ainda atrai tanto a gente ainda, nao é? :) Será que debaixo dessa capa de "Nao estou no momento certo para relacionamentos na minha vida" que boa parte nós, solteiros modernos, nos escondemos, existe mesmo um coracao buscando a felicidade pura e simples de dividir um pote de sorvete vendo um filme com a pessoa que voce curte? Será mesmo?

Bem, depois disso tudo, imediatamente lembrei do meu discurso-convencimento: que eu estou tentando sair de uma história, que eu estarei de volta ao Brasil em 4 meses, que estou aqui para investir na minha carreira, bla, bla, bla - tudo aquilo que voce fala para voce para nao falar a verdade "Estou com um medo do caralho de me sentir tao vulnerável e gostar de alguém de novo".

Mundinho moderno complicado...

P.S.- Lendo as outras matérias da revista da edicao de Outubro, me deparei com isso:
A secao Ausland da revista fala sobre a construcao de muros cercando as favelas no Rio. Enfim, do jeito que está escrito, parece que Israel resolveu exportar o muro que os separa da Palestina, e o Eduardo Paes resolveu contratar a Mossad para lidar com as traficantes. Nao foi a primeira vez que essa construcao de muros cercando as favelas sai na imprensa alema - até onde eu sei, os muros eram uma tentativa de evitar o crescimento das favelas em direcao a mata nativa, mas aqui na Alemanha isso soa como uma tentativa de construir um gueto ainda mais separado da cidade... Alguém sabe melhor do que está acontecendo sobre isso?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Enquanto isso, em um conglomerado alemao de notícias alemao qualquer...

Gente, o Zé Roberto tá seguindo o caminho do Vampeta e se preparando para posar na G Magazine? Que corpo bombado é esse, Deutschland?! (A manchete chama ele de Mr. Universo do Campeonato Alemao. Exagero, né? Ainda tá mais para Barbie da Farme...).

P.S.1- Sim, eu estava no “Bild”. Para quem nao sabe, o Bild é um jornal alemao faz o “Meia Hora” (ou qualquer jornal povao da sua cidade) parecer um livro do Euclides da Cunha. Horrível. (Mico do ano: eu estava saindo com um jornalista aqui, ele perguntou quais os jornais eu lia. Claro, comecei a falar todos os jornais cabeca da Alemanha e no final emendo "Mas o Bild, nossa, que jornal ruim, né?!". Chuta para qual jornal o cara trabalhava? Bild. Foda.).
P.S.2- Interessante o loiro do lado, nao? :) Nessas horas que eu lembro da principal motivacao de ter estudado alemao... Filosofia? Cultura? História. Nao. Nao. Nao. :))))

Amigo hetero

Amigo hetero é um problema… Do tipo, eu adoro os que eu tenho! Acho super legal e digno me misturar com pessoas que (teoricamente) sao fora do nosso mundinho – para mim sociedade é mista e heterogenea, e todo mundo tem que saber lidar com todos os tipos de pessoa. O complicado é quando o amigo hetero é daqueles gostosíssimos: voce fica naquele dilema “se ficar olhando demais posso dar bandeira”, mas também é foda controlar aquele comentário “Porra, tu é gostoso pacas, hein!”. É poder olhar a vontade, mas tocar que é bom, nada... Díficil..

Meus amigos heteros aqui na Alemanha sao quase todos do Erasmus (ou seja, estudantes de intercambio). E nesse grupo, a leva latina é gostosa pra caralho: os portugueses e o mexicano-americano, SEM COMPARACAO... Fui “adotado” por eles agora, entao já viu: é aquela coisa de testosterona no ar, briga em bar, papo sobre as 395 garotas que se estapeiam para sair com eles, brincadeirinhas joselitas do tipo “o meu é maior do que o seu”. Parece que eu estou tendo o meu estágio no mundo hetero que eu nao tive nos meus tempos de ensino Médio, porque eu era o “excluído do Mirabel”. Legal. Mas nossa, tem horas que é demais (numa daquelas brincadeiras bem joselitas de fingir que está brigando – tudo isso acompanhado por mim fazendo cara de “Sim, vai, continua... Isso... Agarra ele!” – um dos portugas meteu o joelho nas bolas do outro, e o outro está a 5 dias sem poder malhar com as bolas inchadas.  Óbvio que me ofereci para cuidar, né? Mas ele nao quis... Scheiße!).

Resultados disso? Um deles resolveu que iria me treinar agora, e estamos malhando na academia na residencia estudantil onde eu moro. O meu amigo já sacou como me estimular, e fica o treino inteiro gritando “Come on Fernando!!! Do you want to keep being this sissy fag?! Or do you want to be a Tom Ford fag?!”. Ok, o meu condicionamento físico tá melhorando muito. Mas o pescoco hoje tá uma maravilha: to parecendo um robo, tendo que girar o corpo inteiro para falar com alguem do meu lado. :)

E a tentacao fisica de ficar admirando essas coisas o dia inteiro... Ah mein Gott...

(Na foto estao o portuga, um americano e o mexicano-americano. Eles estao FEIOS na foto – infelizmente a única que eu consegui arranjar agora.)

Update na história do estagiário - Senti uma vibe mais YMCA hoje no estagiário, na hora que ele foi me ensinar "como alongar o pescoco para previnir disso acontecer"... :) Meu estágio acaba de ganhar um estímulo a mais! hehehe

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Morar na Alemanha é... (Criticar)

Descobrir que aqui, o conceito de crítica construtiva inexiste - vai na lata mesmo. Afinal, 90% certo para eles ainda é 10% errado, o copo meio vazio é copo meio vazio mesmo, e da próxima vez voce que se esforce mais para fazer perfeito. Como diz um amigo, se fode aí...
Aliás, todo o conceito de motivacao aqui se resume a encher a cara depois do trabalho de cerveja (pelo menos a cerveja é boa). Quer motivacao? Vai para a Itália, Espanha. E ai de voce se demonstrar ficar chateado com a crítica - rótulo de latino sensível e borderline para o resto da vida.
Eta povinho perfeccionista... Agora eu super entendo a cara de "cheguei no paraíso" dos gringos quando batem o olho em Ipanema, em todo aquele dolce far niente e os nosso dramas e briguinhas por motivos bobos...
E haja sorrisinho amarelo do Fernando de "Ahh? Nao entendi!" fingindo que nao entendeu.

Estocolmo na folha

Muito fofa a coluna do Clóvis Rossi sobre Estocolmo, na Folha de hoje. Bem o climinha de Estocolmo mesmo - belíssima, gelada, simpática. Ele só faltou falar sobre a beleza dos locais - impressionante.
Ah, saudades de Estocolmo... Saudades de andar pela rua e ficar perdido de tanta cara bonito passando... :)
Aqui segue a coluna.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Questionamento germanico do dia

Será que o estagiário vítima da "exclusao do Mirabel" está sendo somente simpático, ou essa história de vir na minha mesa por trás, pegando no meu ombro, e agora me chamando de "Schatz" (equivalente a um "gato" em alemao) tá meio estranha, hein?
Odeio esse dilema "dou em cima ou nao dou" com amigos "heteros". Nao adianta - o meu gaydar é o worst ever, sempre quando escolhi dar em cima o cara nao era, e tomei a decisao eterna de nunca mais tentar de novo. E aqui na Alemanha, as pessoas agem de forma estranha, sabe? É impossível saber se um alemao está dando em cima de voce com base nos comportamentos brazucas (= nada de cara chegar "chegando" - tudo é super discreto. Lindo para se apaixonar, mas naqueles dias que voce precisa é mesmo de um cara para te jogar na parede, vai esquecendo - acima dos Alpes e ao leste do Reno, NADA disso).
Enfim... mas poxa... o cara joga hóquei todo dia (cada braco... Mein gott...), alto, bem vestido, interessante...
Deus, livrai-me dessa tentacao...

In my head again...

"Everyone wants to be found." - Lost in Translation
No fundo... é a mais pura verdade, nao é? ;)

Dark side mode on



Aproveitando que eu já assumi o meu dark side no post anterior, entao eu vou destilar um pouco do meu veneno agora de novo: tem coisa pior do que ex em relacionamento novo? Ok, sim: ex em relacionamento novo quando voce está fudido e sem perspectiva nenhuma de relacionamento novo. Ok, o cara nem foi um ex (mas foi um peguete super special class), e "terminamos" super bem - afinal, nao dá para lutar contra o fator distancia... Ainda trocamos várias mensagens, fui visita-lo na Dinamarca... Mas sei lá, ex's deveriam ser proibidos de conhecer "pessoas incríveis" até voce estar devidamente desencalhado, em um relacionamento com uma "pessoa incrível". Deviam ficar lá, paradinhos, como um step para emergencias sabe?
Enfim, agora é colocar aquele sorriso amarelo no rosto de "Nossa! Estou tao feliz que vou encontrou um cara legal!". Hmpf...

P.S.- Uma das minhas músicas preferidas da Gwen Stefani: Cool. Lago de Como, figurino íncrivel... E adoro a cara dela, no início do clipe, de "Eu tenho que fazer isso, eu tenho que fazer isso...". Quem nao já nao esteve nessa situacao de ter que fingir que superou, que nao sente mais nada, que já é passado? Em algum momento, aquele sentimento incrivel, aquela extase vai se esvaindo... E pena que quase sempre isso nao acontece com os dois ao mesmo tempo. Um fica no passado, relembrando aqueles momentos, e nao entendendo como tudo aquilo pode simplesmente...terminar... O tempo nao volta... Estranha lei da vida...

sábado, 3 de outubro de 2009

Kharma is a bitch


Porque Leblon é educação, é finesse, é elegância...

Quem é solteiro + gay + carioca entende o drama: é mais fácil ganhar o concurso "Garota da Laje" três anos seguidos do que encontrar um pretendente razoável que faça o requisito no Rio de Janeiro. Parece que rola um chip em todo carioca programado para "babaca, escroto, auto-estima excessivamente acima do normal, avesso a qualquer tipo de compromisso" mode on total. Então, quando eu embarquei com destino a Europa, jurava que todos os meus problemas tinham acabado.
Nada como quebrar a cara para aprender a lição, não é? :)

Enfim, lembram do filho da puta lá do primeiro post? Investi 4 meses na história com um cara que se apresentava como o príncipe encantado, e o cara conseguiu quebrar cada uma das barreiras de segurança que todo carioca esperto e mais rodado constrói para se proteger. Todo esse tempo me garantindo que eu era "O" cara da vida dele. E finalmente, quando eu dei o meu braço a torcer, e decidi investir na história, o cara simplesmente mostra o lado mais canalha. A história é hardcore, e acho melhor não comentar em pormenores. Enfim, passei o pão preto que Hitler amassou para sair dessa história, sozinho, nessa cidade com tempo de geladeira deprimente, sem aqueles amigos para te colocar para cima, mas de alguma forma consegui dar a volta, e tô aqui, vivo, tentando seguir em frente. Claro, ainda dói, e ainda vai doer por algum tempo. Mas pelo menos resgatei parte da motivação de estar aqui e de fazer essa viagem um turning point da minha vida.
Ok, hoje fiquei sabendo que o cara em questão se fudeu muito, em parte por um efeito colateral de uma atitude minha quando terminanos (podem ficar calmos: não foi nada rolando sangue, atropelamento, nada tão "Manoel Carlos" assim). O que eu fiz foi somente abrir o jogo com outras pessoas com relação ao que essa pessoa tinha feito comigo. E uma dessas pessoas, provavelmente ainda mais sacaneada nessa história do que eu, resolveu tomar atitudes. E o cara se fudeu muito mesmo, provavelmente em uma área da vida dele que ele jamais pensou que fosse ser afetada. Ele ainda tá vivo, ainda tá com emprego - mas certamente, com muito mais vergonha e arrependimento de ter feito as merdas que ele fez.
Qual o sentimento agora? Na boa, rolou um pouco de culpa - afinal o cara se fudeu por conseqüência de uma atitude minha. Mas também me deu uma sensação de que o que aqui se faz, aqui se paga. O cara sacaneou muito, muita gente. Não estou feliz pelo cara ter se fudido tanto, mas também... não consigo mais ter pena. Isso é novo para mim, sabe? Sempre fui um cara tão preocupado em ser justo, correto e legal com as outras pessoas... E agora, o sentimento é de que realmente o cara fez por merecer... Estranho isso, pelo menos para mim...

Fernando lidando com o dark side... :)

P.S. - Vídeo para ilustrar, mostrando a "kharma is a bitch" mor da história da televisão brasileira: Íris, Laços de Família. :) Porque a Íris era barra-pesada, mas quero ver quem tinha coragem de sacanear com ela, hein...