quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo de... Budakeszi!


Posts escritos pela metade, muitas impressoes e poucas horas dormidas: basicamente isso é uma roadtrip pelo Leste Europeu. Um dos americanos ficou responsável por reservar o hostel de Budapeste e advinhem o que aconteceu? Estamos em Buda...keszi! Que tecnicamente fica a 15 minutos do Centro de Budapeste, segundo o que a dona (muito estranha) do hostel falou. Em outras palavras: fudido e muito mal pago. E nao em euros, mas em florins, o que significa ainda perder o dinheiro da comissao. :(

(Tá muito ruim, mas tá legal, entao fiquem tranquilos... Fernando sobreviverá! Com muito gramour, bien sur!)

Nao dá para escrever muito agora - todo mundo quase saindo para ir conhecer um pouco da cidade, todo mundo meio quebrado das horas intermináveis de viagens por estradas nao tao "européias" assim (snif... saudades das Autobahns alemas...). E as cidades que eu já conheci? Em poucas palavras: Praga: cidade linda, povinho feladaputa; Budapeste: bonita (mas nao tanto como Praga)... mas com um povo muito simpático. E para as bees interessadas: o povo é bonito sim... mas tudo com cara de campones dos Urais e se vestindo como tal (festival de roupas baratas, maquiagens visivelmente destrastrosas, muita saia curta para as meninas e visual "American suburb" para os meninos. Tentando passar por cima disso para analisar os meninos. Tá dificil...).

O post vai meio unfinished também agora nao é a hora de fazer o balanco do ano que passou: esse balanco provavelmente vai vir nos meus últimos dias de Hamburgo. Como esse blog é uma coisa meio diário de viagem, acho que faz mais sentido mesmo fazer isso ao me despedir da cidade onde eu passei a maior parte do meu 2009. Porque o meu ano de 2009 comecou em fevereiro (quando eu cheguei em Hamburgo), e vai terminar no dia 8 de Janeiro, quando eu estarei em Fühlsbuttel pegando o aviao e me despedindo de todas as aventuras malucas que, em parte, eu compartilhei com voces aqui.

Mas também deixar passar sem mandar uma pequena mensagem nao rola, néam? Aproveitem o sol, aproveitem a praia, pulem as sete ondinhas (porque se eu fizer isso no Danúbio com o frio que faz, é capaz de eu congelar completamente na segunda ondinha), enfim: esperem um excelente ano novo. Todo mundo sabe que tecnicamente todos os anos sao a mesmissima coisa: dias felizes, dias tristes, sucessos e fracassos. Mas esperanca que tempos melhores virao... sempre tem que ter, né? Afinal, isso é o que motiva a gente a seguir em frente. E isso é o mais importante.

Feliz Ano Novo! Boldog Újévet! Frohes neues Jahr!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

European Tour - 25.Dez: Pisa - Florenca - Pisa


Mais uma vez, nao irei respeitar ordem cronológica e postar mais uma viagem de trem antes da minha estadia na cidade propriamente dita. Meu iPod descarregou, eu nao posso escutar Bad Romance para tentar dar uma animada (sim, essa música-praga da Lady Gaga tem efeito internacional – é só tocar o “oooooo... Caught in a Bad Romance...” para as bees enloquecerem aqui – praticamente uma música-teste “Voce é gay” versao anos 2000), o trem ainda é o desenhado pelo Le Corbuisier (trens Regionale rulez!) entao nao tem muito a fazer a nao ser escrever. Entao, andiamo!

13.20h – Ótimo, cheguei na plataforma 12 minutos antes da minha partida. Finalmente aprendendo a organizar o meu tempo – se o meu chefe na minha antiga empresa pudesse acompanhar as minhas viagens aqui na Europa, acho que ele morreria... A plataforma está lotada de turistas japoneses (ótimo , assim me sinto seguro para tirar o meu computador portátil da bolsa. Afinal, máfia italiana pode ser tudo, menos burra. E turista japones é praticamente uma loja de eletro-eletronicos ambulante), o trem ainda nao chegou, e eles parecem nervosos. Tadinhos. Logo serei eu tendo esse tipo de reacao no Brasil.

13.32h – O trem chegou. O maquinista é um gato – cabelo pelos ombros, olhos verdes. Em alguns momentos, dá para faze algum achado interessante aqui na Itália (como eu falei, o meu market share é Norte da Europa – meu  mojo nao funciona para mediterraneos, nem eu os acho taaao interessantes assim).
Sentei na minha cadeira e chuta quem tava do outro lado? Azamigue! :D Do tipo ursinas, falando espanhol. Me deram uma olhada que eu fiquei até impressionado – acostumei com a Alemanha, poxa. Mas será que elas sao realmente azamigue? Vamos ao teste:
- Mais de quarenta anos = cabelos raspados + cavanhaque: sim.
- Sobrancelha feita: sim.
- Roupa preta colada no corpo mesmo quando eles seriamente deveriam repensar essa decisao de moda  + cinto de alguma marca creica (Empório Armani, Dolce & Gabanna e similares): sim, sim.
- Tenis “transado” (= Nike Shox) fora do ambiente de academia:  sim.
- iPhone: sim.
Resultado geral do teste: seguramente sao azamigue mesmo. Ih: um deles mudou de posicao para ficar me olhando diretamente. Meda. Vou fazer carón – sei lá gente, um deles tá com um coturno sinistro, isso daí deve adorar um couro, e acho couro simplesmente horrendo. Meda.

13.43h – A paisagem é toda sempre igual de novo. Casinhas em tons pastéis, hortinhas e campos de futebol. Saco, saco, saco.
13.44h – Ai, uma das azamigue colocou agora um chapéu muito máfia. Será que eu escutei elas falando italiano e pensei que fosse espanhol? Ai meu deus, ai meu deus...
13.45 – Chegou um outro grupo de turistas no vagao. Um gato para caralho, dois barangos e umas outras 2 mocréias. O gato para caralho fez mencao de sentar na cadeira em frente a minha, mas as mocréias chamaram ele para sentar com elas no outro lado do vagao. Os dois barangos sentaram na minha frente. E nao sei nao, to sentindo sotaque brasileiro no ingles de um deles. Brasileiro na Europa é quase sempre taaaaaao chato: papinho tipo “Voce é de onde... O Rio é legal... Pois é...”, aquela conversinha mole que nunca dá em nada. Um saco.
14.00h – Um saco. Só tem hortinha e fazendinha antiga. Seria lindo se tivesse sol, mas com o tempo que está, tá taaaaao chato.
14.20h - Ainda só tem fazendinha. Saco. Dormir.

14.32h - Ui, chegamos. Depois da sequencia de fazendinhas, acabei caindo no sono. Vamos ver como Firenze vai ser...

Firenze – Pisa:

23.30h – Como diria a minha amiga Fernanda, viagem tem que ter perrengue. Estava eu, calmamente comendo o meu sorvetinho Mac Donalds (muito bom! Até o sorvete do Mac Donalds na Itália é melhor do que no resto da Europa!) e caminhando calmamente para a minha plataforma na Estacao Santa Maria de Novella. Dois turistas japoneses pediram ajuda pensando que eu era italiano, e como eu usei muito dos japas para tirar fotos minhas (japas sao os melhores para tirar foto – sacam tudo de tecnologia, enquadramento, flash ou nao, etc. Perfeito!), ajudei. Nisso passaram alguns minutinhos, e o que era uma pequena folga virou “ter que correr”. Chique. Corri, entrei no meu vagao, procurei um lugar em um vagao mais vazio e me sentei.
Nisso, eu percebi que enquanto eu corria, um italiano meio que veio me secando. E quando eu estava calmamente refastelado na minha poltrona, quem aparece subindo o vagao procurando alguma coisa? O italiano. O cara senta exatamente do lado oposto do meu vagao, numa posicao que teria que me olhar de frente. O italiano era feio de doer, eu tiro o meu guia Europe gigante da bolsa e comeco a fazer o meu carón intelectual (cara de conteúdo enquanto leio  alguma coisa). E ai que eu me lembro de um pequeno detalhe muito importante: tinha esquecido de validar a porra do ticket do trem.
Parenteses-Guia-de-Viagem: Enquanto na Deutsche Bahn (Ferrovia Alema) nem existe mais essa história de validar ticket, na Trenitalia essa pratica ainda é a regra. Porque? Enquanto as passagens de trem na Alemanha sao somente válidas para o horário que voce comprou, na Trenitália o ticket pode ser comprado e utilizado dentro de um período de cerca de 2 meses. Portanto, se voce nao valida o ticket, é como viajar sem passagem, e a multa é a mesma.
O italiano-staker olha para a passagem nao validada na minha mao, e faz um gesto meio querendo que dizer que a controladora estava logo na frente, e para ir falar com ela. Eu nao entendi porque o cara estava fazendo gestos, se eu percebi que ele estava entendendo o meu portogliano, mas mesmo assim fiz uma cara de “Ah, BRIGADAH!” e fui atras da controladora.
Itália é Itália, a controladora foi simpaticissima, assinou a passagem e tudo certo, tudo ótimo. Mas na volta, percebi que os vagoes do trem nao estavam muito... “bem frequentados” nao: um só tinha um monte de italiano com cara de Camorra meets “Os mano / As mina” que me fez gelar da espinha até a cabeca. Outro, só com imigrantes africanos – assim que eu abri a porta, 25 puro-negoes se viraram e comecaram a comentar algo entre eles enquanto ficavam olhando para mim (também, pudera: eu no meu trenchcoat, pullover lilas, cachecol displicentemente enrolado em volta do pescoco e bolsinha de turista-fresco praticamente gritava, em néon fosforecente com toques de glitter “V-I-A-D-O”). Encontrei um vagao mais pequeno, onde uma policial italiana ultra bolacha descansava numa posicao altamente “to cocando o saco”, e decidi que lá era o melhor lugar do trem pra ficar.
Quando eu estou finalmente relaxando, quem aparece no vagao? O italiano stalker. O cara faz uma cara de “Ah, encontrei voce!”, eu faco uma cara de “Ah... Oi!”, e o cara pede para sentar do meu lado. Eu fico sem reacao, o cara senta, e comeca a puxar o papo. Mas por gestos. E ai que eu percebo que o italiano-stalker fazia gestos porque nao sabia ingles, mas porque era mudo (!). E eu, que estava sonhando com um pequeno cochilo na viagem para Pisa, tava de frente para um mudo que estava parecendo super afim de manter uma conversa a qualquer custo.
Nessa situacoes, o que eu consigo fazer é colocar um sorriso “Miss Simpatia – Eu acredito na Paz Universal” e só puxar tópicos de assuntos completamente imbecis (do tipo “Tá frio hoje, nao é?”). O cara talvez fosse somente um mudo querendo conversar e ser simpático com um turista. Tentei puxar um assunto qualquer, o cara demorava séculos para se fazer entendido. Meu deus. Aí o cara comeca com uns tópicos mais private: escreve “Uomo” e aponta para mim. Eu faco carinha de inocente “Eu? Ah... Er.... Eu sou um homem sim!”. E o cara insiste, e faz um gesto do tipo passando a mao em um cara. E eu gelo: afinal, nao dava para fingir que nao tinha entendido. E com a maior cara de pau da minha vida, respondo “Eu? Com homens? Naaaaaaaaoooo...”.
Obviamente o stalker-italiano-mudo nao acredita (lembrem-se: eu estava com o meu pullover lilas), e simplesmente deita a cabeca no meu ombro e passa a mao no meu rosto. Ai o meu lado alemao vem a tona: ninguém passa a mao em mim sem autorizacao prévia. Ninguém meeeeesmo. Paquerar vale, todo mundo tem o direito de tentar, mas passou a mao sem autorizacao, leva fora direto. Levantei, falei “Ok: voce ou eu, fora! O que vai ser?”. O cara faz uma carinha de triste, levanta e vai embora.

Valeu deus: eu tinha pedido um deus grego italiano. Nao um stalker-mudo tarado. Grazie mille!

23.45h – Saudades da Alemanha: as estacoes italianas sao pessissamente mal sinalizadas, e todas parecem com todas. E para facilitar, o trem simplemsente nao anuncia em que estacao estamos. Toda estacao, eu tenho que levantar da cadeira, abrir a porta e checar se estamos em Pisa ou nao. E o medo de chegar em Livorno e ter que dormir na estacao como um homeless (porque HÁ que eu tenho dinheiro para pagar um táxi entre cidades na Itália). Para piorar, todos os imigrantes africanos estao descendo, o que significa que logo logo estarao: eu, a policial italiana bolacha e a controladora simpática, junto com trocentos projeto-de-mafioso italiano no trem. Quem voces acham que rodaria nessa? Os viado, CLARO!
23.50h – Caralho. Caralho. Caralho. Os mini-mafiosos nem gatos sao. Nem dá para fantasiar um daqueles filmes tipo “Cazzo Films”, com italianos gatos e lindos te pegando de jeito. É tudo italiano com cara de Mezzogiorno mesmo, bem tipo cafuzzone. Nao adianta: cafucu nao é o meu market share. Nao tenho vocacao para “Uma cabana e um amor”
23.55h – Se bem que eu me lembro que assim que cheguei em Estocolmo, eu vi uns lixeiros tao gatos, mas tao gatos que eu pegava fácil. E também tinham alguns mendigos em Copenhague (sim, existem) que eu também achei nada mal. Deus...
00.10h – Ai, essa porra de trem nao chega...
00.11h – O que eu faco se esse trem chegar em Livorno e eu ter perdido a estacao de Pisa? Peco para a policial bolacha para me ajudar? Mas se ela tentar abusar sexualmente de mim? Gente, nao gosto de coisa muito hard nao... Sou novinho demais para essas coisas...

00.12h – GRACAS A DEUS CHEGAMOS! Valeu Deus, Allah, Buddah, Our Lady Gaga of Vogue: valeu por mais uma graca alcancada! 

domingo, 27 de dezembro de 2009

The translation getting into an end


Eu tenho inúmeros outros posts escritos pela metade; eu precisaria ir dormir cedo hoje porque só tenho amanha para lavar uma pilha de roupa do tamanho do Everest para a minha viagem que comeca na segunda pelo Leste Europeu (sim, os relatos de viagem do Fernando ainda nao acabaram!); eu tenho inúmeras coisas, pessoas e fotos para fazer/encontrar/tirar amanha aqui em Hamburgo... mas assim antes de dormir eu ligo a TV por acidente... e o que está passando? Lost in Translation. :)

Eu já falei da minha relacao com esse filme em algum post anterior nesse blog mas como o blog é meu e eu faco o que quiser. Esse filme foi fundamental em uma fase da minha vida em que eu definia basicamente o que eu queria ser, e quais as coisas que deveria buscar, ter como objetivo. Me fez enxergar que, por mais estranho, nerd e intenso demais que eu pudesse parecer para os outros em alguns momentos... eu nao estava sozinho. :) Eu nao estava sozinho em achar que realmente a vida depende de encontros. E de como esses encontros transformam a nossa percepcao de mundo.

E esse se tornou o tipo de filme que eu assisto quando estou comecando a achar a vida quadrada, previsível e chatinha demais. O filme que me faz ver a importancia de enxergar além do óbvio e trivial, em busca daquela essencia que define realmente o "valer a pena viver". Nao querendo fazer a linha pseudo-intelectual (mas já fazendo) hoje em dias as análises, percepcoes e opinioes quase sempre sao tao superficiais, simplistas e mal fundamentadas... e qualquer tentativa de ser um pouco mais profundo é logo taxada de "querer bancar o intelectual", "ser sensível e chatinho demais" que é difícil manter o animo e nao cair na cadeia do sorriso amarelo + conversinha sobre tema idiota. Esse filme me faz ligar o foda-se para tudo que me rotula dessa forma, e me dá um gás de continuar enxergando o mundo da minha forma. Mesmo que ela seja complexa, complicada e intrincada demais na maioria das vezes. É a minha forma. E assim que eu venho funcionando desde sempre. E porque eu deveria mudar?

E agora, esse filme me toca de uma nova forma, em um novo aspecto. Me lembra de que viajar e morar em outro país é ter que obrigatoriamente enxergar ainda mais além do óbvio, de um forma muito mais profunda e intensa. O óbvio é o cliche, o ponto turístico, a generalizacao (achar que alemaes sao todos frios e calculistas, por exemplo). Enxergar além disso é sair da sua concha e se obrigar a entender porque as pessoas pensam, agem e interagem daquela forma estranha e diferente. Porque isso é fundamental para qualquer um que fica em qualquer lugar por um período de tempo maior do que um turista leva para conhecer aquele roteiro de pontos turísticos.

E ainda bem que eu nunca mudei. Afinal essa capacidade de ser complexo, complicado e de querer enxergar além nas coisas foi exatamente o que me ajudou a conseguir sobreviver 11 meses na complexa e complicada Alemanha. E depois de 24 dias longe daqui, perceber o quanto eu estava com saudade desse mau tempo, de sisudas e taciturnas pessoas vestindo cores neutras falando esse idioma tao complexo e tao diferente, mas que de alguma forma estranha até para mim mesmo eu compreendo.

Fernando, de volta a Hamburgo. Por dois dias, antes da viagem ao Leste Europeu. E feliz de estar zum Haus (em casa). :)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

E o espirito natalino, hein...


Nao adianta: eu sei que o espirito natalino verdadeiro é o de inverno, com muita neve, pessoas encasacadas em frente a lareira tomando um bom vinho quente e celebrando a chegada dessa data capitalista tao amada pelos lojistas trocando presentes caros (e quase sempre inùteis). Mas o espirito natalino para mim, esse ano, simplesmente nao veio. Fui a trocentos mercados de Natal (Hamburgo, Frankfurt, Paris, Madrid, Roma), achei tudo muito bonitinho, muito natalino... mas algo na minha cabeca me diz "Nao, nao é Natal, Fernando!".

Talvez seja a ausencia de familia, dos preparativos natalinos que toda familia grande tem (ah, minhas tias e minhas avos fazem competicao para ver qual a sobremesa me agrada mais... :) Dezenas de netos, primos e sobrinhos... e eu sou o preferido. :D hehehe), daquela coisa de ir ao shopping com os seus pais e extorqui-los  amorosamente e comprar aquela roupa legal sem tirar um centavo da sua conta bancària... Enfim, esse ano dezembro foi um dezembro muito do estranho para mim: viajando desde o dia 2; de semana em semana trocando de pais, idioma e amigos; dormindo em lugares diferentes, comendo comidas diferentes. Eu sei, muito legal, viajei e tenho muita historia para contar. Mas clima de Natal mesmo... nao veio. Comprei uma camisa legal em Madrid, outro pullover bonitinho aqui em Pisa... mas nao tem a mesma emocao de ganhar isso da minha mae, sabe?

Enfim, sobreviverei. :) Vida de quem quer conhecer o mundo é assim mesmo, e pelo menos no futuro, terei uma historia para contar do meu Natal Italiano. E no fundo, sempre a minha familia estara esperando por mim, la no Rio de Janeiro, como se eu nunca tivesse saido nem por um segundo de la.

Feliz Natal para todo mundo. Ate para os que nao acreditam na data. Afinal, o que conta é a intencao, né? E claro, os presentes (economista, queridos... AMO dinheiro... heheeh).

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

European Tour - 22.Dez: Roma - Pisa

Esse blog agora é uma coisa meio italiana: sem linha nem tempo cronologico definido, seguindo muito bem a vontade e o humor do blogueiro aqui que vos fala. Quer ler relato de viagem muito bem escrito, vai ler o Introspective, vai! (Por sinal, muito, muito, muito bem escrito). Comigo é muito Mac Donalds, muita besteira pensada, muita falta de planejamento e alguma diversao. :D E como diria titia Katylene, segura na mao e vem! Roma - Pisa num trem fudido da Trenitalia realtime, agora:

Muito glamour: saravà Vicky, saravà Becks!
20:13h- Horário de partida do meu trem, 20.09h. 20.01h, Fernando ainda no Mac Donalds respondendo emails, quando ele ve o horário e entra em panico. Fernando fechando computador e saindo do Mac Donalds (nao, fiquem tranquilos: eu nao comi Mac Donalds na Itália. Só estava usando a wifi free deles!), e cruzando a Estacao Termini correndo aos berros de „Scusa, Scusa CARALHO!“. Minha plataforma é a 28, e claro, o Mac Donalds era por volta da plataforma 5. Minha vida na Europa é correr : a cena Fernando berrando em portugues „Sai da frente, caralho!“ já se repetiu em Barajas, Charles de Gaulle, Stockholms T-Centralen, Københavns Hovedbanegård, Lübeck e Lisboa. Phyno, para nao dizer uma ótima representacao da educacao e cultura brasileira na Europa. Praticamente um diplomata.

Finalmente chego na plataforma 28 (que para adicionar uma emocao a coisa, é 400m mais ao fundo que as outras plataformas: afinal estamos na Itália, desorganizacao é o temperinho local), e quando dou de cara  trem, a Cher Horowitz de dentro de mim pega no cabelo, vira o pezinho do lado e fala „Nao entro nisso dai nem fudendo.“: trem bem, mais bem chinfrim. Do tipo de dar saudades do RER parisiense (odiei muito esse trem, que destruiu todo o meu momento tentando ser Marie Antoinette indo para Versailles. Alemanha pode ser control freak, chatinha e pedante - mas lá até o trem suburbano de Caralhoburg in Fuckingau é muito do digno, limpinho e funcional. Jawohl?!). Mas enfim, lembrei da realidade negra (e literalmente afro-brasileira) que me espera no Rio de Janeiro, engoli a minha frescura escandinava recém-adquirida (snif, sentirei saudades) e subi no trem.

20.20h- Eu tenho certeza que Le Corbuisier desenhou essa porra de trem - tudo num estofamento com um jeito „Brasília inaugurou, galera! Vamo imigrar!“. E que provavelmente nao foi trocado desde a inauguracao – o azul tá tao, mas tao bege que tá quase nude. Nojinho. Mas enfim, estou no Sul da Europa: parede mofada, fachada descascando e rua de paralelepípedo com crateras gigante é patrimonio histórico, é in. Esse estofamento ainda pode ser reciclado e virar uma linda e caríssima bolsa Freitag, e custará o mesmo preco de uma equivalente Louis Vuitton. Europa é dignidade, é ascencao social. Até de materiais.

20.34h- Devo estar provavelmente no trem mais lento do mundo. Até o momento, paramos em umas quatro estacoes „Roma – Alguma coisa“ desde que saimos de Termini. Péssimo sinal – Pisa é longe, bem longe, e a viagem tem tudo para durar bastante.

O vagao tem um clima todo mordorrento: atrás de mim, um italiano com cerca de 25 anos berra ao telefonino numa voz incrivelmente irritante instrucoes para alguém preencher um texto (estou quase me oferecendo para preencher essa merda logo, só para parar de ouvir a vozinha irritante dele); no outro lado do corredor, duas garotas e um garoto frances meio hippie conversam animadamente sobre uma viagem que eles farao no ano novo (nao, eu nao vou falar com eles: o garoto é feio, as garotas sao mais feias ainda e tem carinha de antipáticas – nao estou afim de gastar o meu parco frances sendo simpático para escutar „Wow, Brésil? Samba? Futebol? 1998, Stade de France?“. Sou brasileiro antipático na Europa mesmo – me visto bem, falo no idioma local e sou arrogante pra caralho. Pah! E nem confianca); mais a frente um funcionário (praticamente a imagem clássica de um italiano – moreno, cerca de 30 anos, cavanhaque) da Trenitalia parece ainda mais entendidado do que eu enquanto le um jornal.

20:45h – Acho que o meu Addidas realmente gostou da Franca. Depois de um dia inteiro de chuva em Roma, andando nonstop pela s ruas da cidade, com direito a enfiada fuderal de pé numa poca de água do tamanho do Mar Adriático em frente ao Foro Coliseo (com berro meu de „Scheiße!“ e turistas alemaes do lado surpreendidos com o turista moreno aqui falando alemao – nao adianta: em matéria de xingamento, Scheiße sempre será o meu top top. Nenhum outro xingamento em qualquer outro idioma é tao impregnado de raiva como essa querida palavra no meu querido idioma alemao), o meu pé ficou o dia inteiro imerso em água. Resultado: bolha em um dos pés, e as minhas meias e sapatos com um leve soft odor de queijo Roquefort. ChIque. O meu lado elegante me aconselha a ser um menino educado e calcar o tenis de volta para que os outros passegeiros nao fiquem incomodados com esse odor que pode ser desagradável para eles. O meu outro lado (sem nome) prefere mutilacao genital a ter que calcar esse tenis úmido e sujo de novo, e principalmente ter que sair da maravilhosa posicao que eu acabei de encontrar para equilibrar esse computador (pezinhos odeour Roquefort na cadeira da frente, bien sur). E também o grupinho do lado é de franceses, povinho que todo mundo sabe que nao é muito chegado num cheirinho de limpeza nao. Acham que é cliche? Voces tinham que ouvir a discussao americanos x franceses sobre asseio, com franceses afirmando seriamente que „desodorante nao era uma coisa nem tao necessária assim“. As suecas com caras de choque, e eu entendendo porque todas vez que eu abracava o Phillipe sentia um cheirinho nao muito agradável nao.

21.11h- Ai, os franceses do lado tem macas. E peras. E pessegos. E eu nao tenho nada. Acho que vou esperar eles irem no banheiro para ver se consigo roubar alguma coisa deles. Sou do terceiro mundo. Estou juntando dinheiro para a minha segunda calca jeans „Cheap Monday“ skinny (ai gentém, a que eu tenho é tao linda… Comprei em Estocolmo, sabe, e essa é uma marca sueca super cool. Cada vendendor sueco tao bonito, tao alternativo na loja… Ah, Estocolmo…).

21.35h- Os franceses tem travisseirinhos de viagem, daqueles de colocar em volta do pescoco. Definitivamente vou estar roubando muito eles na hora em que eles sairem do vagao. A justica italiana entenderia, dado o meu estado atual. É praticamente um dilema do náufrago: é muita injustica nesse mundo.

21.40h – Tédio. Tá escuro do lado de fora e todas as estacoes parecem com estacoes da Supervia no Rio de Janeiro (estou numa agora que é a cara de Marechal Hermes – muita depre, cruzar o Atlantico, estar em Roma e lembrar de Marechal Hermes agora. Voce sai do subúrbio, mas o subúrbio realmente nao sai de voce… Buáaaa!!!). Ninguém com cara de psicopata no vagao para eu grilar e achar que vou acordar com um pano com clorofórmio na cara se eu dormir. E eu nao quero dormir, porque a minha mala só tem as minhas roupas legais que eu comprei na Europa, estamos na Itália, e vai que alguém com mao leve passa e leva tudo? Só esse risco é suficiente para me deixar sem sono. Saco, saco troppo grande.

21.45h- Os franceses abriram um pacote de Twix. Pacote família.

21.47h- Crueldade. Uma das francesas abriu outro pacote de Twix. De chocolate branco.

21.48h- Qual o tempo de condenacao por latrocínio na Itália mesmo, hein?

21.49h- Pensando que o tempo na cadeia nao precisa ser tao ruim assim – poderia utilizar a experiencia para escrever um blog num misto de Oz com Sex and The City: Sex in The Jail! Perfeito! Agora é só achar um objeto perfuro-cortante para amecar os franceses. Ou devia ameacar mesmo com sabonete líquido?

21.50h- Idéia do latrocínio descartada. Nao tem Internet em cadeia. Pelo menos nao em cadeia européia. E nao fico nem a pau (opa!) sem saber quais serao as tendencias do outono-inverno 2010 mostradas na Semana de Moda de Milao. Só se levarem um Blackberry para mim, muito bem escondido em um lugar muito especial. Leitores: alguém se candidata? Mas tem que levar o carregador escondido também (e envolto num plàstico, neam... Nojinho)! :)

22:00h- O italiano chato com voz irritante ainda continua falando no telefone. Por que, meu deus, por que? Porra deus, eu fiz a minha parte: eu fui no Vaticano hoje! Ser católico é foda – benefícios muito, muito escassos. Depois reclamam que o islamismo é a religiao que mais cresce no mundo: golinho de vinho que virou sangue e hóstia como bonus?! Faz um upgrade nesses benefícios aí cara là de cima e me promete um harém de 350 jovens atores bielorussos e ucranianos da Bel-Ami super rodados e todos com doutorado em diplomacia international no paraíso. Em dois tempos o catolicismo volta a bombar, vai ver só!

22.15h- Vou tentar dormir com tudo abracado. Assim acho que nem ninguém vai me roubar. Espero. Os franceses estao bem mais quentinhos, bem equipados e já vi uns 2 iPhones rolando por ali. Muita sacanagem mesmo se resolverem me roubar. Enfim, vou enrolar a alca na perna, e enrolar a bolsa no braco. Carioca descolado. Hà!

23h – Acordei com a garrafinha de água rolando cadeira abaixo. Quando eu fui me levantar para pegar, a perna esquerda (enroscada na mala) ficou presa, e a direita mal segurou o peso porque estava dormente, mas eu escapei de um tombo com manchas e escoriacoes por pouco. Uma das francesas levantou uma das máscaras de dormir (ah, eles também tem isso – mas que se fueda, eu enrolo o cachecol no rosto e consigo o mesmo efeito. E ainda fico com cara de terrorista de Jihad Islamica, o que surge no super útil efeito combo de assustar eventuais larápios. Perfeito.) meio de ladinho, olhou com um dos olhinhos com uma cara meio de nojinho e voltou a dormir. Definitivamente jogo o sabonete líquido neles antes de dormir – e pena que nao tenho um Pinho Sol aqui, porque senao jogaria também! FDPs.

23.15h- PARA TUDO: Deus deu a prova da sua existencia. Sim irmaos, DEUS EXISTE! Tava procurando as chaves da minha mala na minha bolsa quando eu encontrei o inacreditável. O inesperado. O inconcebível. O… que?

(Suspense. Pessoas se mexendo na cadeira. Mistério.)

Eu encontrei… o último pacotinho de Oreo banhado em chocolate, comprado no aeroporto de Barajas dois dias atrás!!!

Obrigado deus. Isso já valeu como presente de Natal. Muito obrigado mesmo. Agora só falta o harém de ucranianos e bielorussos da Bel-Ami – o doutorado em diplomacia internacioinal eu dispenso, só um mestrado já tá de bom tamanho. Ok, tudo bem: graduacao vale, mas que nao seja na Univercidade, hein! Mas todo mundo morando na Ásia Central: beeeeeeeem longe.

23.20h – Crise de auto-estima. Eu nao estou achando os meus produtos La Roche Posay na mala mais mal arrumada da historia da viagem de trem mundial. Eu to mesmo parecendo um terrorista da Jihad Islamica - mesmo sem o cachecol enrolado no pescoco. Eu estou cheirando a queijo Roquefort, estou com fome, sujo, com frio, to todo molhadinho (nao da forma legal), minha pele tá uma merda e os meus outros produtos La Roche Posay ficaram quase todos em Hamburgo. Estou num trem feio e fudido (me acostumei com trens na Alemanha, caralho! Me deixem ter a minha crise diva!), no meio do nada, em alguma estacao perdida na Toscana e nao é como naquele filme com a Diane Lane. Longe de amigos, família, é quase 23 de Dezembro e eu nao tenho a minha mae por perto para poder extorqui-la e ganhar um lindo presente de Natal. Estou tao carente que já ficaria feliz até com conjunto de 3 cuecas de C&A - mesmo aquelas de elastico atochante estariam super legais. O que vale è a intencao (principalmente se o presente for um trench coat Burberry ou milhares de reais na minha conta bancaria - espirito de Natal é isso ai...).

Viagens sao feitas de momento como esses. Antes, quando eu pensava „uma viagem de trem de Roma para a Toscana“ eu imaginava um belo trem europeu confortável, italianos lendo Corriere della Sera, italianas carregando belas bolsas Bottega Veneta gritando „Ma Franceschino, fai un puo de silencio, Madonna putana!“, com uma bela paisagem ensolarada campestre ao fundo. A minha realidade atual? Eu todo do fudido, planejando um latrocínio por causa de chocolate (ok, vai lá: é Twix branco, dá pra rolar um desconto), louco para ir ao banheiro mas com medo de ser assaltado pelos franceses nojentinhos que visivelmente precisam dos meus produtos La Roche Posay, em um trem muito do fudido e feio, dois dias antes do Natal, sozinho e carente, perdido no interior da Itália. E postando tudo isso na Internet, e assinando com o meu nome verdadeiro! (To brincando gente, amo voces, tá? Beijosmecomentem)

Melhor postar essa foto, ou vai que o laptop da um tilt de novo e eu perco tudo...
Eu nao estou triste nao, gente… mas somente ficando meio melancólico. Eu vou ter saudades desse ano em que eu fiquei tantas vezes nessa posicao (sentado, sozinho, esperando o tempo passar, imerso nos meus pensamentos) enquanto viajava para algum lugar nesse continente. Tantas vezes sozinho, tantas vezes imerso em uma montanha de pensamentos do tamanho do Everest. E cá estou eu, 16 dias antes de tudo isso acabar.

Batendo de novo o medo de ter que reiniciar a vida no Brasil, desse novo Fernando ter que voltar para o mundo do velho Fernando e achar um jeito de tocar a vida para frente de novo. Eu mudei tanto nesse ano… As minhas antigas aspiracoes parecem tao ridículas e pequenas com tudo aquilo o que eu quero conseguir agora… Medo de voltar ao Brasil e perder essa vontade de batalhar que voce inevitavelmente tem que criar na hora que mora fora, e me transformar em um conformista „satisfeito com a vida que tem“. Enfim, tá muito tarde para ter esse tipo de crise, e eu to chegando na Toscana, to na Itália, vou viajar no Tiramisú e ter crise filosófica no voo Zurique-Sao Paulo, dia 13 de Janeiro. Sai daí, Schopenhauer-Urubu e vamos baixar em mim, louca da fonte do filme do Fellini. Saravá.

23.25h- Tédio de novo. Mas agora, medo de dormir e passar da estacao. Mas perae: essa porra tem estacao final em Pisa mesmo… Vou fazer a minha máscara de dormir Jihad Islamica de novo e mandar ver. Fui.

0h – Os franceses acordaram. Uma das garotas tá parecendo a Vanessa da Mata. Quando a Vanessa da Mata acorda num bad hair day. Fiquei feliz. Sou mau – gente mais fudida do que eu me mostra que sempre existe e sempre existirá esperanca. :D

0:05h- Acho que vou criar coragem e lancar uma forca-tarefa na minha mala em busca da minha necessaire. Chegar barango em Pisa nao dá. Eu tenho uma imagem a zelar. Uma imagem de perua. Inteligente. Mas mesmo assim, perua.

0.08h – Ha! Os franceses nao tem hostel, e perguntaram para os italianos se eles conheciam algum hostel em Pisa. O que os italianos responderam? „Parla Italiano? Non parlo anglese.“

0.09h – Ih, sobrou pra mim: os italianos sacaram que eu sou gringo, e perguntaram direto se eu falo ingles. Consegui estabelecer um contato entre as duas partes num portogliano-ingles muito do capenga (no italiano, porque o meu ingles é legal, táh! Mamy's me matriculou muito no Ibeu). E prometi ajuda-los a procurar um hostel, perguntando a minha brazilian hostess se ela conhece algum pela cidade. Muito orgulho de mim – praticamente Jesus Cristo com toda a minha generosidade. Me negaram o Twix Chocolate Branco, mas mesmo assim eu perdoei. Amém irmaos. :D

0.10h – O trem ja tá atrasado um minuto. Inaceitável, um absurdo! Ups: Fernando achando que é alemao de novo. Scheiße!

0.13h – Tá chegando! Tá escuro. E nao dá para ver a Torre de Pisa. E acho que o cheiro de Roquefort era dos franceses mesmo, porque eles tem uma sacola de compras gigante (falei que farofismo é in na Europa!). Tá tudo muito escuro. Só eu e os franceses no vagao, e eu continuo escrevendo para que eles pensem que eu sou um cara muito importante e se arrependam de nao terem dividido o Twix da humildade. O que dá mais para falar… Pisa é escura. Muito escura. Luzes de mercúrio, trilhos, muitos trilhos (e a música „… Os trens correm pelos trilhos da Central do Brasil…“ com Jorge Ben vem na minha cabeca. To falando que voce sai do subúrbio mas subúrbio nao sai de voce). Uma plataforma! Cheguei! Mais informacoes mais tarde. Stay tuned! :D

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Troppo Curtissima: Roma


So para deixar registrado: eu tenho o direito de me contradizer nesse blog? Porque sinceramente, chove muito, faz um frio fudido (bem, quase primevera em Hamburgo, mas mesmo assim é um friozinho consideràvel), eu nao consegui ver quase nada direito a luz do dia ainda... mas Roma conseguiu me deixar de queixo absolutamente caido.
Sinceramente, alguma coisa bateu. Muito forte. Arquitetura de vàrios periodos distintos se integrando de uma forma absolutamente inexplicavel, uma atmosfera de historia e civilizacao em cada pedra da cidade, um clima de realmente "aproveitar a vida". Em somente 4 horas na cidade, eu jà tomei o melhor sorvete e comi a melhor pizza da minha vida. E o Pantheon simplesmente me deixou hiponitzado pela energia daquele lugar. Inexplicavel.
Inacreditavel. Fernando, o senhor "Eu amo a Escandinavia \ Eu amo destinos exòticos" completamente de quatro por uma das cidades mais figuroes da Europa. Realmente, Roma me pegou.
(E o comentario gay: Gentem, o que sao os caribinieri?! Eu jà vi uns 15, e dio mio, uns homens fortes, robustos, caras de italiano macho, com aquele uniforme elegante, super fetiche... Eles recrutam esses caras onde? No grupo que nao passa em testes de modelo em Milao, hein?)

Troppo Curtas: Roma


- Eu estou vivo. Ainda.
- 4 horas de atraso, dentro de um aviao low cost (pelo menos foi a EasyJet, porque eles se mancaram e ofereceram free drinks para todo os passageiros depois dessa tortura). Cheguei em Roma quase 5 horas depois do que eu pensei, estou com uma dor de cabeca infernal, parado dentro de um Mac Donalds, mas sem vontade alguma de comer comida americana na Itália (preciso confessar uma coisa: eu comi Mac Donalds na Franca e Espanha. Eu sou viciado em cheeseburguer deles. Podem parar de ler o blog depois desse choque). Porque tudo isso? Nevou em Madrid. :) Muito, muito, muito. Acordei as 4 da manha para sair para o aeroporto, e a cidade que eu tinha toda visto no dia ensolarado que tinha feito ontem, amanheceu hoje completamente branca. O taxi foi a quase 40km/h todo o caminho. E eu, parecendo uma crianca, encantado com tanta neve caindo do céu.
- A primeira vista, Roma foi a cidade que mais me pareceu com o Brasil. Passei por alguns pontos bem próximos ao nosso conceito de favela, e tudo parece bem menos rico do que na Espanha ou até mesmo em Portugal. Mesmo assim, a regiao central já me encantou, pelo que eu vi no shuttle bus do aeroporto para onde eu estou (Estacao Termini). Linda, mas com uma beleza menos opressora do que Paris. E as pessoas, mais desorganizadas, mas também mais abertas (surfando na Internet porque uma garota me deu a senha dela aqui no Mac Donalds).
- Primeiro país que eu domino nao tao bem o idioma nessa parte da minha viagem. E pelo que eu vi, ingles nao é o forte do povo aqui. Portogliano ligado no nível máximo agora (Terra Nostra vai ter valido a pena!!!!).
- Saudades de escrever aqui!!! :) Mas eu escrevo mais depois, porque agora eu tenho um date. Sabe como é, chegando na cidade, turista, povo cai em cima. Nem italiano a criatura é, mas enfim, vamos ver se o Döner Kebap rende ou nao.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Enquanto isso, em Hamburgo...


Melhor hora ever que eu escolhi para sair de lá, hein... Ok, em Madrid nao anda muito quente nao - por volta de 0ªC, mas pelo menos seco. Porque se em Paris, com 2ºC (e a alta umidade de lá) eu já estava implorando para voltar para casa... imagina -10ºC em uma cidade cheia de lagos e um rio enorme (que coloca a umidade nas alturas)! Seria sentar na calcada e chorar imaginando todo mundo na praia - aliás, na calcada nao, afinal, o risco seria morrer com as lágrimas congeladas. :D

(E nesse momento, uma forca superior prepara a maior nevasca da história para Roma e Toscana. Senti isso agora. :)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Curtas de Madrid: Espanhois nao tem sangue nas veias


- Espanhóis nao tem sangue nas veias... esse povo deve ter mesmo algum composto de Red Bull com vodka. Já tinha tido um preview da party addiction deles nas festas do Erasmus (eu, detonado nos clubes de Hamburgo às 4.30h e as espanholas, em saltos altíssimos, berrando "¡Fiesta, fiesta!"). Pero díos, 5.30h de uma quinta-feira e um clube como na foto acima, mega lotado?! Esse povo nao trabalha nao?!

- Espanholas y tacones altos (amo a versao espanhola de sapatos altos!) sao praticamente uma entidade unica. E junta a isso muita, muita sangria (y otras cositas mas - fila para os reservados dos banheiros estava enooorme) e o que eu vi fui uma sequencia de tombos digna de Mundial de Ginástica Olímpica. Mas elas nao perdem o carón: levanta, ajeita o cabelón, toma outro shot de vodka y vamos a bailar. ¡Fiesta! :)

- Y bem, pelo visto, se nostalgia foi o sentimento de Paris... ressaca vai ser o típico sentimento madrileño. Postando com gafas de sol. Mesmo sendo inverno em Madrid (aliás, nevou aqui!), e estando escuro para carajos lá fora. Mierda, mierda, mierda.

- Cheguei no aeroporto de Barajas me cagando de miedo: afinal, especialidade espanhola é paella e deportar brasileiro por qualquer razao. Como esperava, foi super tranquilo: passei por nenhum tipo de controle, afinal, chegava de um voo de Paris. Ufa!

- Primeras impressiones de España (além do meu portuñol mode on total)? Desenvolvimento recente gritando. O sistema de metro de Madrid ainda brilha de tao novo (um alívio depois do sobe-e-desce-liga-o-GPS-para-ver-onde-estou das estacoes de Paris), e o sistema de trens suburbanos completamente subterraneo na maior parte do caminho (que deve ter custado uma fortuna para ser construído - túneis enormes) me deixaram impressionado. Nem na Alemanha eu vi algo parecido com isso. Realmente a Espanha andou lucrando muito com a Uniao Européia.

- Espanhóis? Sentimento engracado: andar por Madrid me provoca um home feeling parecido com que eu tive em Lisboa, mas um pouquinho mais diferente. A forma de se expressar, de falar, de agir lembra muito a nossa, mas os rostos já sao mais diferentes. E a atitude, mais "¡Olé!".

- E nos trens (moderníssimos por sinal, muito melhores que os lixos sobre trilhos chamados RER de Paris), o que eu reencontrei? Vendedores ambulantes, do tipo "Señores pasajeros, perdones por la interrupcion de su viaje..."!!! :) Igualzinho ao Brasil!

- Aliás, por falar em Brasil, momento economista-sério-chato: suplemento do El Pais de hoje é sobre os 100 homens e mulheres iberoamericanos mais importantes do ano. Quem ganhou o posto de o mais entre os mais? Melhor mesmo clicar aqui e ter um pouco de nocao da empolgacao européia com o momento que o nosso país vive (important remark: texto escrito por José Luis Rodriguez Zapatero, presidente do governo espanhol - que cita, inclusive, de forma bem "good loser" o fato de termos ganhado deles na disputa para sediar as olimpíadas de 2016.). Sinceramente, tudo o que eu tenho lido e escutado aqui na Europa sobre o nosso país (falo de matérias e textos sérios, muito além do discurso de gringo embasbacado com Farme de Amoedo e Copa) me fez repensar se nós, brasileiros, nao sofremos mesmo de uma síndrome de auto-flagelacao. Ok, o nosso país tem muito trabalho pela frente. Mas acho que o discurso de "pobre nacao latino-americana", insistindo que "nunca iremos para frente", "que no Brasil tudo é sempre assim mesmo" nao cola mais para a gente nao...

- Alias, por falar em Olimpíadas: Fernando (depois de algumas botellas de sangría y otras cositas más) com o grupo de amigos espanhóis da minha amiga Marta indo pegar um taxi para ir para o clube noturno. Na janelinha do táxi, adesivo "Madrid 2016". O que o very diplomatic Fernando fez? Bateu no vidro com a mao, e em voz alta, no meio da rua, berrou "Madrid 2016?! FAAAAIL. Rio de Janeiro!!!". :D

- P.S.: Saudades de Hamburgo e Estocolmo, hein... Recebendo cada proposta nos meus perfis de criaturas de Madrid e Roma que, meodeus... Preview do que me espera do Rio? Ai...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Na cadeira do CDG com Fernando


O meu voo para Madri sairia as 6.30h do Charles de Gaulle, portanto eu tinha inicialmente pensado que iria passar a noite dormindo em alguma cadeira qualquer do aeroporto, e portanto teria algum tempo para escrever os posts de Paris. Bien, lo que se paso: um frances me chamou para um date "au revoir, Paris" em um lugar, que segundo ele, eu ainda seguramente nao teria conhecido da cidade (um restaurante, tah! Apesar de tudo, eu ainda sou um gay de família: tem que enrolar antes de rolar alguma coisa. Um pouco. Ok, nem tanto assim...). Resultado: "cochilei" por uma hora, me enfiei num onibus Noctilien passando pelos lugares mais cool e in da capital parisiense (maozinha na bolsa sempre, afinal Franca é Europa, mas nao é Alemanha nem Suécia nao, tah) e cheguei aqui no CDG.

No inicio, super bateu uma vontade de sair berrando "...IT´S A BEAAAUTIFUL DAAAAY...". O terminal é realmente lindo, super clean, super stylish, super frances. Sim, super frances: mal sinalizado como a porra, as placas indicando caminhos estranhos (saudades das placas alemas AUSGANG HIER! em amarelo e preto Chernobyl - anti-estético para carajos, mas super funcional) e depois do panico "Fudeu, vou perder o aviao", sair correndo pelos saguoes com a minha mala (berrando, Pardon, Pardon, Pardon e "Can't you fuck get out of my way right now?" para um grupo de japoneses que fingiu nao entender ingles - elegancia alema), finalmente cheguei vivo no check-in da Easyjet, onde tudo deu certo. Alias, mais ou menos, porque eu fui tirar uma foto do meu portao de embarque para Madrid, e um oficial de seguranca frances veio todo "Turn off your camera, now". Mas enfim, estou vivo, agora, sentadinho, esperando o portao abrir para o meu voo para Madri, sem nada para fazer. Nem por um carajo cravejado de diamantes (como diria a saudosa Vani) vou ter neuronios para escrever os posts de Paris agora, entao vai um teaser-enchecion-de-linguiza para os meus queridos leitores. Um apanhado geral de pensamentos mesmo, sem muita ordem definida.

Ce que je pense de France: Paris é linda, magnífica, incrível, belíssima. A cidade mais linda que eu já tive o prazer de ver na vida. Mas, volto nessa cidade somente: 1) em um tempo mais razoavel (o frio úmido de Paris realmente me pegou de surpresa - enquanto em Hamburgo suportava 5ºC feliz e contente, em Paris realmente senti muito frio, como nao senti quando cheguei na Alemanha, no alto inverno de Fevereiro. E nao adianta - animacao, disposicao e coragem para bater perna num frio desses é bem complicado de achar) e 2) com alguma companhia do lado (amigo, namorado, scort boy do lado - qualquer pessoa. Ver tanta beleza e ter que apreciar aquilo tudo calado e guardar para si as impressoes realmente nao é para mim. Nostalgia e momento "Poooorque?!" batem com toda a forca).

Paris or London: Amei Paris, achei uma cidade linda, fantástica (trocentos outros adjetivos bonzinhos). Mas enquanto Paris é uma metrópole francesa, Londres me pareceu realmente uma metrópole mundial. O mundo mora em Paris, fica claro pelos rostos e idiomas falados na cidade... mas em Londres a identidade é menos local e mais global. Acho que isso contribuiu para um sentimento de "Uff, estou em casa" do que eu tive em Paris.

Franceses e a famosa simpatia parisiense: Todos foram absolutamente simpáticos comigo, e sai de lá sem nenhuma história de mal tratamento para contar. Porque? Talvez porque eu falo um frances ruim mas existente, fiz questao de utiliza-lo todas as vezes, e sempre utilizei a abordagem que uso na Alemanha - muito, muito, muito educada. Do metro a restaurantes, passando por lojas, bares e tudo mais, todos foram muito simpáticos, e respondiam em frances quando eu chegava perguntando algo em frances. Simpáticos, seguramente.


E os franceses... (momento Uomini)Entao... digamos que experiencia com franceses foi algo que eu já tive (e muito) já no Rio de Janeiro, portanto nao foi nenhuma grande surpresa o que eu encontrei por aqui nao. :D Bonitos, charmosos, um tanto quanto pretensiosos, mas simpáticos. E com pegada (thanks god! Tinha esquecido o que era isso!). E bem liberais: como um amigo ingles meu diz, sexo com alemaes e franceses sempre é muuuuito mais do que papai e mamae. :D Interessante. Muito interessante. (Suspiros).


O meu CV? Muito bem, obrigado. :) Curiosos os senhores leitores, hein?! Enfim, estou num momento bonzinho (= sono demais), portanto dessa vez vai: tres dates bem interessantes. Primeiro, o frances sobre o qual eu tinha falado aqui no blog, bonito, interessante, legal, me levou para um passeio em Montmatre, tirou foto minha em frente a Sacre Coeur e me levou. Adicionado no Facebook. Next: alemao, de Hamburgo (criatividade total, hein!) que eu conheci em um club, e com o qual eu percebi que aprendi o caminho das pedras com os deutsches: nao dar muito mole, ser muito simpático, jogar MUITO charme e NADA de ir tocando (eles odeiam isso). Por adicionar no Facebook. Next: o último date em terras francesas, farmaceutico que trabalha em uma farmacia propria no 16eme (achei tao fofinho imagina-lo atendendo senhoras francesas paranoico-depressivas numa daquelas farmacias classicas europeias), me levou para um restaurante perto do Canal Saint Martin, jantamos um excelente Boeuf Tartare (amo, amo, amo esse prato. Meu preferido, seguramente), fomos na casa dele ver o horário dos onibus noturnos para o CDG, esperamos o horario do onibus chegar, (...), me levou atè a porta do onibus na Gare de l'Est e falou que era uma pena ter me conhecido somente no último dia da minha estadia em Paris. E balanco bom: também fiquei com pena. Acho que finalmente voltei ter alguns sentimentos nesse tipo de date, coisa que eu nao sentia há algum tempo. Enfim, assunto para outro post.

Agora: Madrid. Na casa de uma amiga do Erasmus em Madrid, em um bairro que deve ser o equivalente do Recreio dos Bandeirantes daqui (paulistanos - google maps it). Mas feliz por ter amigos para conversar, assuntos em comum para colocar em dia, e home feeling latino que definitivamente nao existe fora de Espanha, Portugal, Itália e América Latina. E nevou aqui. Ou seja, to fudido: praga do tempo ruim na viagem do Fernando continua. Mas enfim, coloco um cachecol a mais e vou para luta. ¡A la fiesta, Madrid!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Curtas de Paris: Sal da Bretanha?


- Nota para a posteridade: sal da Bretanha nao vale para afastar mau olhado. Fim de semana trevas em Paris. Porquoi? Senta ai:
1) Meu computador deu um tilt sinistro, e eu perdi as fotos dos 2 primeiros dias de Paris e Frankfurt. Solucao? Formatar o PC e colocar na cabeca o mantra "Nao vou me jogar da Torre Eiffel por perder todas as fotos incríveis que eu fiz". Até agora eu nao acredito, nem quero pensar nas fotos incríveis que eu perdi. Puto, trés puto.
2) Desde Fevereiro na Alemanha e fiquei doente lá somente uma vez. E chuta quando o meu sistema resolveu dar um meltdown de novo? Sábado de noite! Praticamente uma grávida: enjoo, muito enjoo. Enfim, se ainda fosse mulher, ainda rolava o golpe do passaporte da UE... Mas como sou homem, o que rolou mesmo foi um sábado perdido em casa. Um saco.
3) Frio. Muito muito muito frio. Ok, eu sei que é difícil para a maioria dos brasileiros entender como é complicado isso. Até ano passado eu era mais um brasileiro torrando no calor dos trópicos com vizinhos lavando o carro e escutando funk nas alturas ("... Eu tenho a forca, cavaleiro de Jedi..."), imaginando um continente com temperaturas civilizadas, pessoas lendo livros em frente a uma lareira quentinha, e ao fundo, uma janela mostrando toda uma paisagem branca. A Europa é isso até um determinado ponto. Até que as temperaturas comecem a cair abaixo dos 5°C. Abaixo dos 5°C, o combo "casacao+pullover+cachecol" comeca a nao ser mais suficiente. Andar na rua se torna um exercicio de correr para o lugar mais próximo com aquecimento. As maos doem, as orelhas doem, e o ato de falar se torna meio engracado (tem horas que eu me sinto como a Vani falando naquele episódio do Psicopato). Enfim, esse é o frio que faz agora em Paris. Aliás, para quem me perguntou se nevava na Europa em Dezembro: paguei minha língua. Nevou em quase todas as cidades de madrugada, e a minha Hamburgo tem neve acumulada no solo (algo raro para Dezembro). Pode ser que tenhamos inverno branco. Na verdade, eles, porque eu estarei no Natal na Itália.
- Como é ser gay em Paris? Verdade verdadeira? Rio de Janeiro meets Hermés feelings. Elegantes, cool e chiquérrimos? Oui. Esnobes, necessidade permanente de afirmacao social e comportamentos de grupo inexplicavelmente estranhos? La meme chose. So boring... Nao estou falando isso de recalque nao: sai, conheci pessoas, fui com pessoas para outros lugares, tudo certo, tudo ótimo. Mas algo de Rio de Janeiro, algo de caras até que bonitos se achando muito mais do que realmente sao, e um certo "I am so VIP" feeling que eu ainda nao tinha encontrado na Europa do Norte. Chato, chato, muito chato...
- Aliado a isso, ainda tem o famoso tropical dream dos franceses com relacao ao Brasil. Um saco: algo meio "Mito do Bom Selvagem" meets Kristen Bjorn "Carnival in Rio". Quem me conhece pessoalmente sabe que mais longe do perfil "carioca-brother-marrento-rato-de-praia-curtidor-de-um-suco-de-clorofila-natural-no-Bibi-Sucos" impossível, e bem mais próximo de qualquer personagem de qualquer filme do Woody Allen. Aqui, é falar que é brasileiro, e escutar horas daquela mesma conversa "Ah, mas os caras sao tao simpáticos", "Ah, mas os brasileiros sabem aproveitar a vida", "Ah, mas no Brasil o que conta é a pessoa, e nao o que ela tem". Chato, chato, muito chato... e superficial demais. Sempre escuto isso com um cara de "Ah mesmo, que LEGAL" já pensando para que outro assunto vou desviar a conversa. Gostar do Brasil é sempre bem-vindo, mas querer me enfiar no sonho tropical "Porto Seguro" de europeu deprimido com inverno, ah nao...
- Alias: porque brasileiro na Europa tem um comportamento tao esnobe, principalmente as bees? Pode ser um caso pessoal mesmo, mas raras foram as vezes que europeus me apresentaram a outros brasileiros e eu consegui estabelecer uma conversa razoavelmente simpática e interessante. Na maioria das vezes sempre era o mesmo papinho "Ah, de onde voce é do Rio? Da Zona Sul ou da Zona Norte?", a mesma conversa "Porque eu comprei isso na Diesel / Porque vou passar o final de semana em London" que no Brasil soaria ultra chic, mas que aqui na Europa somente soa... pretensiosa e desnecessária. Foi assim com um brasileiro que me foi apresentado num clube aqui de Paris: de Uberlandia, morando em Londres, e que em 5 frases citou 4 grifes de moda - falando em ingles claramente fake british. Fui simpático e ainda falei que achava o sotaque de Uberlandia legal (apesar da acidez e crítica intensa, eu tenho um lado diplomático: para agradar, algumas pequenas mentiras sempre se fazem necessárias!). O garoto de um sorrisinho meio "Tá, eu sei" e simplesmente virou as costas! Depois de alguns meses na Alemanha, fiquei sinceramente supreso com esse comportamento, mas enfim. Deixapralá.
- Pequena felicidade do dia: Panetone! Nao tinha visto ainda Panetone aqui na Europa. Encontrei esse italiano no Monoprix, uma versao parisiense do (superfaturado) Zona Sul. Bem, querem a verdade? Qualquer padaria de subúrbio de Rio faria igual - num tamanho 3 vezes maior, preco 4 vezes menor e bem mais frutinhas cristalizadas (amo cereja fake). E ainda envolto com aquele plástico transparente fofo escrito "Boas Festas e Feliz Ano Novo". Saudades do clima de Natal brasileiro, saudades de famílias e muitos amigos, de ganhar (qualquer) presente nessa época. Estranho passar o Natal sozinho, principalmente quando se vem de uma família tao gigante quanto a minha.
- E o mes final da minha estadia européia comecou. E essa necessidade de "ter que aproveitar porque sao os meus últimos momentos" ainda me deixa mais estressado. Saco.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Curtas de Paris: O dia mais perfeito da minha vida


- O dia mais perfeito da minha vida. Simplesmente e sem dúvida. 10 horas caminhando pelos corredores do Louvre; 10 horas sem sentar, comer, beber ou falar (fato inédito - amigos meus: algum de voces já viu isso?). Eu e o guia multimídia do Louvre (que eu recomendo, mas recomendo muito a partir de hoje). E o  dia mais incrível, belo, recheado de história da minha vida, que me prendeu do início ao fim como raríssimas vezes aconteceu comigo em um museu. Ao final, um guarda teve que me alertar que já passavam das 21:30h (quarta e sextas o museu fica aberto até mais tarde) e eu precisava voltar para a Piramide para entregar o guia multimídia. A minha reacao? "Já?!". Eu estava destruído, e acho que mais uma hora caminhando naquele museu (e carregando sobretudo de inverno e bolsa cheia de guias, que o esperto aqui esqueceu que poderiam ser deixados no porta-volumes do museu) eu ganhava fácil o NCND (Next Corcunda of Notre Dame). Mesmo assim, nao batia vontade de parar. Nao mesmo.

- Eu sei que ainda há tanto para se ver em Paris... mas eu estou pensando seriamente em voltar ao Louvre e fazer os dois tours do guia multimídia (Artes Italianas e Artes Gregas e Romanas) que eu nao consegui fazer hoje. Eu tenho entrada grátis lá, eu tive um dia absolutamente incrível hoje, e aquele lugar é tao... espetacular que vale a pena. Preciso sair de Paris pensando que eu aproveitei esse lugar ao máximo. Preciso disso, agora, na minha vida (afinal, nunca se sabe se na minha próxima viagem a Paris virei com alguma mala de companhia que vai preferir ir a Eurodisney do que se maravilhar no Louvre).

- Pensamento do dia 1: O Louvre é a minha retail therapy, chocolate, you name it: substituto perfeito para sexo. Tudo ótimo, tudo perfeito, astral lá em cima, me sentindo leve como se tivesse saído de uma sessão mega power de terapia. Para que ficar grilado com coisas mundanas quando se tem tanta arte, néam?!

- Pensamento do dia 2: Aliás, homem pra que, quando se tem o Louvre e tanta arte por perto, hein?! Ok, claro, eu confesso: tinham alguns monitores franceses trés gatinhos, e a primeira coisa que eu pensei quando vi o Adriano foi: "Pegava fácil!". Mas foi um dia inteiro quase olhando para as paredes e para o meu guia, com cara de compenetrado, vagando por aquele museu incrível. Eu nao canso de me repetir: o dia perfeito. Perfeito. Perfeito.

- Só para terminar (por enquanto): o dia perfeito. Eu. Amo. O. Louvre.

- Vela da Notre Dame (ou da Römer Kirche, em Frankfurt - ih, agora fudeu. Que igreja eu rezo para agredecer?!) tem PODER, meus caros (Sessao Terapia do Amor da Universal is so last season...). Programacao de amanha? Date + Passeio Turístico com um carinha que eu acabei de conhecer (por ai, sabe... Mentira: site de internet. Ainda to devendo o "International Guide for Pegaytion" daqui do Velho Continente. Vem logo, prometo!), super interessante, super parisiense, super gente boa. E esperando sinceramente outras coisas sejam super também. :D

- (Ai, será que dá azar contar antes da graca ser alcancada?! Olho-gordo também é válido em território frances, ou aqui nao tem roaming para isso nao? Mon dieu: mas eu precisava dividir isso! Enfim, qualquer coisa tomo banho de sal grosso antes de sair de casa. Sal grosso da Bretanha, táh, benhe! :D).

- Continuo amando essa cidade, enlouquecidamente. Pontos negativos? Sinceramente: nenhum. Até nos defeitos (metro, transito, precos altos) Paris é perfeita. Incrível como um lugar pode ser tao fascinante, tao incrível, tao belo, e ao mesmo tempo, tao cosmopolita. Eu amo essa cidade.

- Mas, Louvre: eu te amo ainda mais. :D (Desculpa, nao aguentei....).

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Momento Rá! @ Paris + Curtas de Paris


- Momento Rá!: Como os museus da Franca estao em greve (ou saindo de uma - enfim, Franca é um país latino acima de tudo, e as informacoes nao sao lá muito claras nao...), e amanha é o meu Louvre Day, resolvi entrar no site para procurar informacoes, horários de abertura e etc. O que eu descubro? Ou na verdade, soluciono o mistério da L'Orangerie (onde eu mostrei a minha carteira de estudante alema e entrei sem pagar nada - e gastei todo o dinheiro que seria do ticket em crepes de nutella, o meu novo Pastel de Belém). Eu sou estudante de intercambio na Alemanha, ou seja, eu tenho um visto de um país da Uniao Européia, ou seja... eu sou residente, até o momento, da Uniao Européia. E aqui: residente da Uniao Européia + entre 18-25 anos = entrada grátis em todos os museus. :D Rá!

- Frio em Paris. Muito frio. Resultado desse frio acumulado de Frankfurt e Paris? Resfriei. Sim, uma merda, eu sei. Hoje eu fui a Notre Dame acender uma vela para ver se fico 100% de novo (e também para desencalhar com alguém dessa cidade e nao precisar sair dela nunca mais), e rezei um pouco no oratório da Sao Fernando só por precaucao. Sincretismo é in na Europa: asssiti missa da Igreja Anglicana na Saint Paul Cathedral em Londres, culto na Igreja Alema em Estocolmo e agora um pouquinho de uma missa católica na Notre Dame. Se me animar, quem sabe nao pego um culto na mesquita de Paris, hein? (Afinal, com essa carinha que eu tenho, até Hadji em Mecca eu entro sem maiores complicacoes).

- Deveria acender uma vela também para na próxima encarnacao nascer parisiense, ultra skinny, com aquele cabelinho naturalmente desarrumado e esse jeito "Hmpf!". Que povo com jeito mais cool de ser...

- Franceses foram todos absolutamente simpáticos comigo. Do tipo, bom atendimento mesmo. Mistério. Cade a fama de mal educados deles? Deve ser também resposta ao meu extremo "Bonjour monsieur pourriez-vous s'il vous plait...", sempre tentando falar em frances. E claro, o meu sorriso carioca, néam? :D

- Aliás, Rio é o eterno hype daqui. Incrível como o pessoal paga pau para a nossa cidade. Nao aguento mais fazer carinha de "Ah, pára vai, eu sei que eu sou foda..." (tipo meio jogando e cabelo e quebrando de ladinho) quando eu falo que moro no Rio. Ah, o eterno sonho tropical de Villegaignon...

- Conselho de amigo: por-do-sol na Ile de la Cite com Charles Aznavour no Ipod tocando "Que c'est triste Venise" ("... Les musées, les églises / Ouvrent en vain leurs portes / Inutile beauté / Devant nos yeux déçus...") nao é lá uma idéia muito inteligente, principalmente quando nao se tem um lindo parisiense do seu lado, é quase inverno e a cidade está gritando de tao bela (e se está com um pouco de febre - e eu, quando fico com febre, fico irritantemente sensível e carente. Um saco.). Altas reflexoes de vida - até do tipo se voce deveria ter comprado o tiquete único ou o de 10 passes do metro. Une merde.


- Mas enfim. Ficar nostalgico de vez em quando é bom. Principalmente em Paris. :D

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

European Tour – 05.Dez: Frankfurt-Paris

Acordamos quase 11 horas (mesmo nao tendo saido – inverno é booooom para dormir), e contando com almoco, tempo para arrumar as malas e partir para a Hauptbahnhof, nao sobrou tempo nenhum para passear pela cidade. Tempo para me despedir dos pais da Cecilia – que gracas a deus estavam no meu caminho e saciaram a minha fome de comida brasileira, mas mais importante: sentimento de casa brasileira (porque aquela tia falando “Come mais um pouco ai, vai!” já enfiando mais comida no teu prato nao tem na Europa nao, tah!); de Frankfurt e de cair na real que eu estava indo para Paris! :)

Sim, Paris. Agora escrevo o relato dos últimos dias a bordo do ICE e TGV (os trens da alta velocidade da Alemanha e Franca). E como nao tem nada melhor para fazer (ou seja, nenhum gatinho para paquerar – como velho viaja na Europa, hein! To me sentindo numa daquelas vans de velhinhos, praticamente um sache de Azzaro ambulante, indo para o shopping da Gávea), vai um relato real-time da minha viagem.


16:07h: A organizacao na Alemanha é uma faca de dois-gumes: ela existe para facilitar a sua vida, mas se voce nao segui-la, ha ha ha. Fiquei todo bobo tirando fotos do ICE, e a minha amiga falando “Fernando, tá na hora”. Eu pensando “Ah, to no vagao 15, um trem nao pode ser tao enorme assim.”. E era. Muito. Imagina um brasileiro berrando em portugues, tentando achar o vagao na hora certa. Eu. Achei o meu vagao no momento certo de me despedir das garotas e dizer um “Até Logo” para a Cecília.
16:08h: O ICE é mesmo alemao: todo em cinza. E tons de madeira. Acho que todos os alemaes foram criados somente com os gizes de cera (nossa, pluralzinho FDP esse, hein) cinza e preto. Eta criatividade de cores.
16:30h: Mwah. Último controle de tickets auf Deutsch. Percebi que nao vou para a Inglaterra nem Portugal (onde falo fluentemente o idioma do lugar) nem Suécia (onde eles falam fluentemente o ingles), e agora, é me virar no frances. Saudades temporárias de dizer “Danke, Tschüß” ao final de tudo, com um sorriso no rosto. Alemaes sao malinhas. Mas eu gosto deles.
16:45h: Minha teoria de que somente crianca nao-alema chora na Alemanha mais uma vez comprovada. Um frances deixando um pirralho (fofíssimo – daqui a uns 16 anos vai estar no ponto!) caminhar pelo trem e ficar berrando em frances, incomodando o trem todo. Alemaes já fizeram aquela cara de choque (passou de 40Db, alemaes fazem cara de choque), e já ouvi um comentar “Deveriam dar calmante para criancas em viagens”. Adoro esse senso joselito dos alemaes. :D

17h: Hora de trocar de trem e pegar o TGV em direcao a Paris. Ajudei o frances com o garoto pirralho a tirar a mala, e ainda indiquei a plataforma que ele deveria ir, em frances. Sabia que ainda podia falar alguma coisa além de produto cosmético e sobremesa nesse idioma! Estacao de Karlsruhe nao tem absolutamente NADA para fazer. Fui de um lado, um posto de gasolina. No outro, um ponto de onibus com alguns Straßenbahn (bondes). Acho que fiquei em Hamburgo tempo demais: já me vi fazendo a carinha de nojo deles quando eles descrevem o resto do país. Praticamente os cariocas da Alemanha. Mesmo assim, hmpf, Hamburgo é MUITO melhor! Pah e nem confianca.        

17:10h: O TGV é a coisa mais gay que eu já vi na minha vida. A cadeira é roxa, o chao é roxo, as paredes sao roxas. E anúncios em frances também (claro, alemao é ainda o primeiro idioma, afinal estamos em território inimigo...)! Muito fofo! (Aguentem: quando eu viajo, me emociono até com plaquinha de transito diferente da de casa).
17:45h: Já é a segunda vez que me oferecem vin chaud. Non, merci: prefiro Glühwein.
17:55h: Vin chaud. Mais uma vez. E um sorrisinho do cara pra mim.
18h: Gentém, ser CDF no Colégio valeu a pena: cruzamos um rio e pensei “Grande esse rio, hein... Será que é o Reno?”! Pomme-de-terre: no mesmo segundo recebi uma SMS do meu celular alemao falando que eu tinha cruzado alguma fronteira,e já me encontrava em território da UE. Je suis en France!!! (Ok, QI voltando ao normal agora, prometo).
18.15h: Chegamos em Strasbourg, as placas de sinalizacao de estacao já mudaram!! (QI caiu de novo). :) Meu novo companheiro de viagem chegou: gato e com o kippah na cabeca. Agora parecemos a dupla “Conferencia de Paz na Palestina” (carinha de árabe ici, amenizada com o meu novo corte “Mohammed foi fazer MBA em Nova York”). Acho melhor guardar os meus livros em alemao, just in case... :D Mas ele levantou... e já foi? Damn it!
18:45h: Gente, os controlleurs chegaram e cade o judeu que sumiu daqui?
18:55h: O judeu ainda nao voltou. E literalmente, esse trem é muito louco: ele simplesmente nao faz barulho, nao treme, e tem horas que eu tenho a nítida sensacao que paramos no meio do nada. Mas quando meto a cara contra a janela, vejo tudo passando ultra rápido. Comofas?
19h: Já é a sétima vez que o cara do vin chaud passa aqui e sorri para mim. Nao, ele nao é gato, e parece mais que andou tomando um pouco do produto que vende. Ficando de mau humor: já me adaptando a cultura francesa?
19:15h: Gente, to passado: um casal de velhinhos franceses clássicos (com boininha e Le Monde debaixo do braco dele, ela fazendo trico) sentados na minha frente, quase dormindo ao balanco do trem. De repente, me toca METALLICA, e adivinha de quem era o celular? Do velhinho. Franca nao é mais a mesma. Traumatizei.

19:20h: Mais uma vez, a porra do vin chaud. Eles estao definitivamente tomando o vin chaud. Pensando se talvez eu deveria colocar a perna no caminho, assim quem sabe eles nao voltar. Mas... pera aí: o ajudante do cara mala é trés gatinho. Rá: tirei foto dos dois e até ganhei uma balinha! Meu charme especial com franceses ainda funciona hehehe.
19:47h: Até o papel higienico do banheiro do TGV é rosa. Carícia e Jornal dos Sports feelings. Nojinho.
18h: Oitava vez que passa vin chaud. Nao aguento mais. Será que se eu comprar, eles param de passar?
18.15h: Tédio. Tá chegando? E nao tem nada para ver, porque tá tudo escuro... :(  Eu queria tanto ver os subúrbios parisienses. :( Uma coisa meio marroquinos, caribenhos e antilhanos tocando fogo em carros, dancando Mano Chao e enchendo a cara de Chardonnay, sabe? Jamais saberei (porque RÁ que vou me enfiar no RER e enfiar a mesma carinha cheia de cosméticos naquele lugar. Eu quero é Avenue Montaigne. E depois dar uma de economista social nas aulas da UFRJ. Hehehe).
18:20h: Ai, luzes! !! Ok, o lugar é praticamente “vista da Washington Luiz chegando em Duque de Caxias”, mas pelo menos  já dá para ver alguma coisa. E as pessoas em volta falam em frances. :D Mas... quando que alguém vai ser antipático comigo? EU QUERO SER MAL TRATADO em Paris. História de atendente FDP para contar no Brasil é praticamente equivalente a miniatura da Torre Eiffel no quesito souvenirs. Eu quero a minha. Para pagar de blasé e falar que “Paris nem é tao incrível assim” na hora em que eu voltar para o Brasil.

18.25h: Chegamos! :D E eu entendi o anuncio em frances! E anuncio em alemao e ingles avec accent! :D Deus, me de boa sorte! :D

Trés trés curta: Oui, a Paris


Eu estou sinceramente sem palavras para descrever essa cidade. Sem palavras.
(Foto é do primeiro momento em que eu vi a Torre Eiffel).

European Tour – 04.Dez: Frankfurt


Depois de dormir feliz, por ter comido a minha dose anual de feijao (porque mae acha que a gente vai desenvolver uma anemia ou leucemia braba se nao enfiar feijao na gente diariamente, hein?), acordamos e partimos para mais um dia de sightseeing em Frankfurt. Mais uma vez, programa da estudante de economia CDF: Banco Central Europeu. Ok, nao tinha nada para ver lá, nada me motivou a subir na torre daquele prédio e ver a cidade inteira (believe me: prédio alto, inverno na Alemanha e vento deve ser o que existe de mais próximo a sensacao de “Subi o Evereste e perdi o mapa no caminho – comofas para descer?”. Em Hamburgo subimos uns 530 degraus na Michaeliskirche, e eu praticamente chorei na hora em que eu cheguei la em cima: frio, frio, frio. Mas como brasileiro nao perde a pose, coloquei a pokerface na cara para nao bancar a do “chatinho dos trópicos que nao aguenta frio” e fiquei na minha. Na hora em que os finlandeses comentaram “ta frio demais aqui, né?”, eu quase voei no pescoco deles e falei “É MESMO, NÉ? VAMOS DESCER?!!!”), mas tirar foto em frente ao Banco Central Europeu com o símbolo do euro atrás é legal. Acho digno, acho Keynes.


De lá partimos para aquele passeio clássico em cidade com rio: passear na margem do rio. Mais uma vez, me lembrei das palavras do meu amigo alemao (“Nao está levando a sua luvinha?” com eco ao fundo)), e todo mundo quase congelou. Gastamos cinco minutos para tirar as fotos clássicas de Frankfurt: uma da ponte com vista para uma igreja-velha-mas-bonitinha-que-nao-estou-com-vontade-de-jogar-no-google-e-ver-qual-é, e outra para a Mainhattan. Tirou as fotos, maos nos casaquinhos, e alguém teve a brilhante idéia de se refugiar em algum café enquanto aquele vento da Sibéria nao passava.


Depois do café, passamos mais uma vez pelo Weihnachstmarkt, onde podemos ver a Römer de dia. Barraquinhas vendendo os Leberkuchen com mensagens tipo “Eu te amo” e “Voce é o sol do meu dia” (confesso: é o meu sonho kitsch alemao ganhar um desses por aqui. O mais próximo disso que eu já ganhei foi um livro de adminstracao de tempo que o meu antigo chefe me deu na hora em que eu sai do estágio. Thumbs down.), o presépio já montado e a bela vista da Römer de dia.

Passamos no mercado central de Frankfurt, onde eu fiquei passado com os bilhoes de produtos brasileiros e latino americanos, e onde compramos uma boa farofa para acompanhar o feijao que a mae da Cecilia tinha feito (melhor cara ever: francesa comendo farofa e falando “trés bon, trés bon”), e aí tinhamos que decidir o que faríamos depois. Podíamos ver a exposicao do Boticelli que uma galeria-importante-de-Frankfurt-que-eu-nao-lembro-o-nome estava realizando, ou...

Ir patinar no gelo! CLARO que eu escolhi patinar no gelo: afinal, um dos meus traumas-chantagem de infancia (aqueles que voce usa como coringa para fazer a sua mae se sentir culpada em alguma discussao, qualquer que tenha sido o motivo) foi um dia ter ido até o Barra Shopping com a promessa de patinar no gelo, chegar lá e me deparar com a pista desmontada.


Gente, patinar no gelo é uma arte. A Cecília ficou impressionada que eu consegui patinar todo o tempo (por cerca de uma hora) sem levar nenhum tombo, mas foi humilhante patinar feito um pato enquanto aqueles pirralhos loirinhos faziam piruetas e paravam levantando aquele montinho de gelo do chao. E o medo de cair de frente e quebrar o nariz? (Meses de produtos cosméticos e euros no lixo: imagina chegar em Paris feito o Darth Vader cheio de gazes no rosto?! Naaaao!) Mas enfim, cheguei ao final da minha hora vivo, ainda ensaiei uma andada mais rápida (ao som de “Ai, vou cair, vou cair, SAI DA FRENTE; PORRA!” para um pirralho que foi se exibir e passou a 5cm de mim) e terminei absolutamente morto.

Passamos no Galeria Kaufhof (uma Mesbla alema), onde nos abastecemos do melhor da cervejaria alema (16% de álcool na cerveja ai de cima – encara?), andamos mais por Frankfurt, tiramos algumas outras fotos como vista noturna da cidade (e congelamos) e terminamos a noite em um sarau de musicas natalinas modernas, no qual uma das amigas da Cecilia tocou, em uma loja de instrumentos musicais do centro da cidade.


E fomos para casa, onde comemos mais um jantar genuinamente brasileiro, e dormi mais uma agradavel noite em Frankfurt. :)

domingo, 6 de dezembro de 2009

European Tour – 03.Dez: Frankfurt


Primeira impressao de Frankfurt? “Nossa, quantos prédios altos!”. Cidades alemas em geral sao bem planas – quase todos os prédios da cidade inteira de um mesmo tamanho, uma ou duas torres maiores se destacando no horizonte. A única excecao a isso é Frankfurt – a única cidade do país que possui uma verdadeira skyline, que ironicamente é chamado de Mainhattan (“Frankfurt am Main” = “Frankfurt no (rio) Meno”). Frankfurt nao é uma “metrópole” em termos de tamanho (as cidades que poderiam se classificar nesse termo seriam as big three da Alemanha: Berlim, Hamburgo e Munique) e seria algo como uma Curitiba em padroes nacionais; mas devido ao aeroporto e a concentracao de bancos e empresas  a cidade é uma das vitrines do país para o resto do mundo.

Além disso, ficaram claras a diferenca entre Frankfurt e Hamburgo, e o fato de que nao existe “uma” Alemanha, como poderíamos falar de “uma Inglaterra” ou “uma Franca”. Claro, nenhuma capital ou cidade pode sintetizar um país, mas a Alemanha é como a Itália: formada depois da maioria das grandes nacoes européias, a partir de diversos mini-reinos e principados. Enquanto Hamburgo é basicamente uma cidade báltica (e com toda uma identidade muito mais próxima de Copenhague, Gdansk e Riga), Frankfurt é uma cidade já mais próxima a Alemanha “clássica” (ou seja, Baviera).

Fiquei na casa de uma amiga brasileira que também veio para a Alemanha por intercambio, mas que possui ligacoes bem mais fortes com o país. Cecília é uma das inúmeras teuto-brasileiras que eu conheci pela viagem, toda uma história de família entre Brasil e Alemanha. Ou seja: férias parciais de Alemanha, e um pouco de brasilidade depois de 9 meses por aqui.

O bairro da Cecília (acho que Bonames ou Kalbach) é BEM arquitetura-cliche alema, com casinhas com aquelas fachadas brancas e com madeira, ruelas mais pequenas e aquele clima de Alemanha mais contryside. Acordamos de manha bem tarde, afinal Frankfurt nao é tao grande a ponto de exigir uma rotina rigida de conhecer 350 pontos turísticos em um dia, fui mimado pela mae brasileira dela com o melhor do clima de casa brasileiro, e lá pelas 3 horas da tarde saímos de casa. O que significa, na Alemanha outonal, quase na hora em que o sol se poe.

Primeiro ponto de parada, claro, para um estudante de economia foi a Bolsa de Valores de Frankfurt! :) Fotos com as clássicas estátuas do Touro e do Urso em frente a bolsa (porque estátuas de touro e urso em frente da Bolsa? Keynes, e a teoria dos ursos e touros e comportamento dos investidores – pronto, momento Miriam Leitao over, prometo!). Depois de percebermos que nao temos nenhuma Canon UltraMax 36000 – ou seja, fotos ficando uma MERDA de noite – resolvemos partir para a atividade principal em uma cidade alema em Dezembro: Weihnachstmarkt! (Mercado de Natal).

Os Weihnachtsmarkten da Alemanha sao parte obrigatória do clima de “O Natal vem vindo / Vem vindo o Natal” da Alemanha. Em Hamburgo também existe um (no qual eu fui quando estava fechado – nunca deixe o seu amigo mexicano planejar coisas), mas aqui em Frankfurt, por estar no Römer (imagina uma praca principal de uma cidade alema. Pronto, já imaginou a Römer), foi ainda mais especial. Lojinhas da rua decoradas com luzes e motivos natalinos, vendendo de um tudo, e todos os alemaes passeando com as criancas em extase com a chegada do Natal (e loucas para ganharem o mais novo modelo de Playstation).
É impossível descrever tanto em palavras ou em fotos o clima desses mercados. É lindo demais: a cidade inteira se mobilizando para o mercado de Natal, as pessoas animadas (repito: alemaes animados) nas ruas bebendo e conversando com os amigos, a decoracao natalina que faz voce se sentir em um daqueles filmes clássicos que passam na TV nessa época, as criancas com os olhinhos brilhando de felicidade vendo aquele todo mundo mágico. Realmente é fácil entender porque os alemaes (e europeus em geral) nao conseguem entender como comemoramos o nosso Natal de bermudas e em frente a um ventilador. :D

Os must-have desses mercados: Glühwein (= quentao. Ainda rio quando todo alemao comecava a descrever os mercados de Natal, e falava “Nao, voce precisa tomar essa bebida típica daqui...” e comecava a descrever exatamente como o quentao é. Eu respondia  calmamente “Conheco isso, tomamos em Junho no Brasil” e eles ficavam com aquela cara de “Como assim, no verao?!”), Leberkuchen  (pao-de-mel, thousand, millions, billions of times melhor do o que conhecemos no Brasil) e qualquer coisa doce (nessa categoria: chocolate nas mais variadas formas, amendoins e macadamias também nos mais variados sabores e formas – experimentei até um de wasabi que era bem digno  - e ai pela frente).

Do Weinnachstmarkt (onde estavamos congelando – temperaturas desabando na Alemanha), seguimos para a Dom (que no Norte da Alemanha signfica um parque temático temporário, mas que no Centro-Sul signfica Catedral mesmo), onde passamos rápido (afinal, melhor nao arriscar: vai que eu entro em combustao instantanea pelos meus inúmeros pecados cometidos por aqui? Nunca se sabe...), acendi uma velinha para um pedido especial (Santo Antonio, desencalhez moi ab sofort!) e já fomos cometer mais um pecado. Destino: Sachsenhausen, algo equivalente a uma Lapa meets Blumenau. :) Muito legal, paramos em um bar mais amigável possível, e pedimos a bebida típica de Hessen (estado onde Frankfurt fica): Apfelwein (vinho de maca – franceses gritando “Nooon!” agora, je sais), onde colocamos a conversa em dia (voce sabe, amigos em comuns, update de fofocas brasileiras. E sim Carla, falamos de voce.). E de lá, seguimos para casa, congelando no frio frankfurtes.

Parenteses-jumbo equals parágrafo: voce, turista brasileiro em viagem pela Europa, siga o conselho dos seus amigos alemaes que parecem sentir mais frio do que voce (porque eles sentem: andam todo encasacados mesmo em aquecimento a 20°C) – traga a sua luvinha para a viagem. Lembro exatamente do momento em que eu vi a minha luva enquanto fazia a mala e pensei “Ah, nao vou levar nao! Nunca uso isso daqui, e to indo para o Sul. Impossível estar mais frio do que aqui!” e enchi ainda mais a minha necessaire com trocentos produtos cosméticos que eu comprei por aqui (!!!). Resultado: mao tremendo e congelando na hora de tirar uma foto a 2°C no Meno. Agora me diz: como eu vou usar todos esses produtos maravilhosos (maravilhosos mesmo... Gente, cosmetologia européia é TUDO) se daqui a pouco eu nao vou ter nem mais dedo para passar isso no rosto?! Scheiße.

Para compensar a hipotermia no caminho, nada melhor que chegar em casa e encontrar o verdadeiro clima de casa brasileira. A mae da Cecilia foi absolutamente tudo,e ainda preparou o prato “nocaute” para brasileiro foda do país há algum tempo: feijao e arroz. :) E Fernando dormiu feliz a sua segunda noite em Frankfurt: porque a Europa é muito legal, mas home feeling brasileiro é bom DEMAIS. :D