quinta-feira, 24 de junho de 2010

Grandes detalhes que fazem toda a diferença




Aus The Huffington Post, e a polêmica da Orangina e do Mac'Dô hier

Como assim eu não conhecia os comerciais abaixo? E como assim eu não conhecia o The Huffington Post?
(Merci Lucas!)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Detalhes que fazem toda a diferença

Bottega Veneta - Aus hier...

Italianos. Decadentes desde 1987 (a romana que me recebeu dezembro passado estava puta porque tinha entrado na Fendi tentando comprar uma Sciarpa e o vendedor, um imigrante do Leste Europeu, não entendia a diferença em italiano de Sciarpa e Foulard. Na Fendi. Em Roma.). Economia praticamente falida (e economistas apostando quando vai se dar a sua saída do euro). Politicamente em um buraco que parece sem solução (pior com Berlusconi, pior sem Berlusconi: quem consegue unir aquele cazzo de país?)...

Mas com uma capacidade irritante de mostrar toda a sua personalidade e sofisticação em pequenos detalhes. Uma barra de bermuda dobrada, por exemplo. (Como nao tinha pennsado nisso antes?!) Por que? Porque ninguém desenha melhor moda masculina do que aquelas bees de Milano, capisci?

(Ah, quando a gente vai superar essa necessidade de sumir em um mar de bermudinhas Reserva e camisetas Osklen? Ou pelo menos tolerar as pessoas que decidem não ser assim?)

Fernando. Ainda lutando contra o fim do conformismo e da monocultura na nossa querida cultura brasileira. (E sem ironias nesse trecho, ok?)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Je suis très désolée...


NON! :D Ah, como é bom ver a França se fudendo... Depois de 6 meses escutando do meu amigo francês encher o saco com "Et un! Et deux! Et trois - ze-ró!" e automaticamente relembrando de 1998 (Urgh!: pré adolescência no subúrbio, eu sendo chamado de viadinho todo dia no colégio - RÁ que na minha época bullying era considerado "problema" - e minha irmã e eu economizando tudo o que a gente tinha para comprar revistas e álbuns especiais para a nossa coleção das Spice Girls), dá uma alegria no coração tão grande ver a decadence sans elegance dos Bleus.

E como eu conheço razoavelmente bem a França (afinal, o esporte nacional daquele país não é o football, não é a petanque, mas simplesmente reclamar e ser pessimista sobre tudo) as trocentas matérias no Le Monde sobre a decadência francesa, sobre como a França não sabe administrar seus problemas, sobre como a França necessita de mudanças estruturais sérias começando em un, deux, trois...

:D

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Definitivamente 1994 feelings

Vocês já sabem, eu roubei daqui
Como assim o Calatrava vai construir um museu no Pier Mauá?! Como assim a Prefeitura do Rio tem dinheiro para bancar um arquiteto do porte dele para desenhar uma obra desse porte?! E como assim que eu não sabia que o meu arquiteto preferido tava no Rio, e vai desenhar algo para a minha cidade?!

Olha, eu sei, museu pra quê com o bilhão de problemas na cidade, sistema de transporte praticamente do lado de um completo meltdown... mas Santiago Calatrava não dá pra resistir. Desperta a minha Marie Antoinette interior. Que os favelados continuem comendo "chat brûlée". A gente vai ter um prédio desenhado pelo Calatrava! :D

P.S.- Raros os momentos que vocês me virão declarando tais pérolas sociais, ok? Portanto, peguem leve. Eu também tenho direito a minha cota de alienação social de vez em quando.
P.S.2- Eu sou tão apaixonado pelo Calatrava que eu juro que dava em cima dele. Até que ele é gatinho, vocês não acham? E inteligente...

Tudo por R$1,99 Feelings

Stolen from (and full article) here...


E olha ai o Brasil fazendo bonito mais uma vez - 56% de variação na importação de whisky com relação ao ano passado. Sabe como é (como o proprio artigo explica), os sinhozinho do Nordeste acham tudo que phyno é dar pinta na Praça do Coreto com garrafa de Jacqui Danieus a tiracolo. Ke$ha se sentiria em casa. ;)

Lição de Economia do dia: Economia é que nem moda - um eterno revival de tendencias. Cintura alta? Cores fluor? Tudo chique nos anos 80, mega cafona nos 90-00, absolutamente in hoje em dia. Dolar valorizado? Importação correndo solto, soltinho? Super na moda em 1994. Mas... alguem ae lembra o que aconteceu em 1998?

E dica para as bees: Hora de estocar Aussiebum, La Roche Posay e realizar o sonho da viagem própria para o Primeiro Mundo é agora, queridas! Porque logo logo o maximo que vai dar vai ser Zorba, Natura e Punta del Este em baixa temporada (e olhe la!).  Depois nao digam que eu não avisei, ta?

domingo, 13 de junho de 2010

Je pense que: Impressions sur Sex and The City 2

(Sim, esse post tem spoilers. Alguns spoilers, talvez muitos spoilers... Enfim, quer saber: who cares?! Todo mundo sempre leu no jornal de domingo o que iria acontecer durante a semana na novela, todo mundo tá cansado de saber que a idiota da Julieta se mata achando que o anta do Romeu tá morto, e ninguém deixa de assistir telenovela ou Shakespeare “porque já sabe o que vai acontecer”. Aí só porque os americanos me vieram com essa babaquice de “Cuidado: esse texto contém spoilers!” para proteger as mentes brilhantes da classe média americana do enorme problema social que pode derivar de desconfiar qual será o final possível da sua série favorita, me chega um idiota e inventa que tem que ser assim no Brasil também. Ah porra, quer saber: acho aviso de spoiler a coisa mais paunocu ever. Quer guardar a felicidade de saber tudo somente no último instantinho? Go get a life, quem não mandou ficar lendo Planeta Bizarro no G1 e não me enche o saco! E da próxima vez não aviso que tem spoiler só de sacanagem. E tenho dito!)

O skyline de Manhattan (como pode uma ilha tão pequena definir de forma tão eficiente tudo o que o mundo vai querer vestir/escutar/ler/ver, não é?). A clássica música de abertura (que numa telenovela mexicana cairia tão cafona como aquelas abuelitas usando xale florido, trancinhas e bisonhos nomes de sentimentos tipo “Soledad” ou “Caridad”, mas que para SATC dá aquela pitada certeira de “New Yorker Internationalness”). A voz da SJP (protagonista, produtora executiva + 35 outros cargos, aquela que sempre sai em destaque/a cores/um passo a frente em qualquer material de divulgação da série. Ou seja, a bitch-mor da série. Dá ou não dá pra imaginar ela discutindo aos berros com o fotográfo que a Kim Cattrall saiu com os peitos maiores do que os dela, enquanto as 3 esperam do lado comendo Dunkin' Donuts?). Et voilá: aquela satisfação em saber que mais um “episódio” completamente inédito de SATC vem vindo pela frente.

Na última quinta-feira, depois de algumas semanas de adiamento não-voluntário (faculdade, faculdade!), finalmente consegui assistir ao tão esperado, tão comentado (e tão detonado!) SATC2! :D E como eu adoro SATC – afinal, é com Carrie & Cia que eu me desintoxico das reflexões e questionamentos econômicos gerados por acessíveis autores como Marx e Sraffa – eu tinha que fazer alguns comentários sobre o filme!


Para início de conversa
Sim, o primeiro filme é muito melhor do que o segundo. E a média da série é melhor do que qualquer um dos filmes. Mas também ficou longe de ser o desastre nuclear anunciado por alguns blogs/críticas. Óbvio que o segundo filme ia ser meia-bomba, afinal a série perde um dos leitmotifs quando Carrie finalmente se resolve e consegue arrastar Mr.Big para o altar (RÁ que depois de vestido Vivienne Westwood, Biblioteca Central de Nova-York, ensaio na Vogue, todas as minhas amigas devidamente botocadas e drenadas linfaticamente eu ia aceitar me casar num Fórum com um monte de chicano dando golpe de Greencard como testemunha. Nem morta! Era casamento em castelo na Itália/França + página inteira da cerimônia no Page Six incluindo declaração “Eu fui um idiota por ter largado ela no altar” + colar mais caro da Van Cleef & Arpels ou NADA!). Mas achei digna a história desenvolvida pelo Michael Patrick King. Atinge outro grupo, claro: o “Four New York single woman” fica claramente para trás, e agora quem estão ali são quatro mulheres mais ou menos casadas lidando com o trinômio casa-família-trabalho.


Fashion put it all on me / Don't you wanna see all those clothes on me?
Eu sei, eu já também me questionei: é monetariamente impossível alguém trabalhando conseguir levar um estilo de vida tão monogramado; é impossível que a Carrie tenha tudo tão grifado e não role nem um Croc's, um moletom de universidade americana, ou uma bolsa “Luís Vitão” sequer naquele guarda-roupa! Séculos atrás tinha lido uma matéria na Newsweek (#prontofalei: eu tenho vergonha de ler Newsweek. Aquela revista é tão ruim que parece um folheto perto dos semanários europeus, néam?) que mostrava como era impossível uma colunista, uma advogada e uma RP (Charlotte não conta: ela deu o golpe do baú no escocês brocha e pode se dar ao luxo de ficar fazendo pátina em todos os móveis da casa o dia inteiro) terem o padrão de gastos mostrado na série. Surreal é pouco!

Agora por outro lado, assim como sexo, Fashion sells. Devil wears Prada, blogs de moda bombando mundo afora, um bando de adolescente chata e gorda falando “Ai, meu sonho é ser modelo!”, Fashion Week acontecendo até em Mossoró: moda agora é um produto de massa. E mesmo quem não tem poder aquisitivo para ser considerado consumidor-alvo da maioria dessas marcas (*cof, cof) viu as suas aspirações aumentadas enormemente (= inglesa gorda tudo se estapeando pra comprar top de oncinha do Matthew Williamson na H&M). E as empresas, CLARO, sabem disso. Portanto, surpreso com o desfile de marcas inacessíveis na tela do cinema? Tava esperando o que? Carrie saindo da C&A carregando um monte de bandage dress Dereon Beyoncé e sacundindo um Amarty Sen numa das mãos? Acorda que o documentário iraniano é na sala do lado...


E falando em Oriente Médio
Agora dá pra entender porque Dubai não topou ser retratada no filme, néam? Achei digno de prêmio por serviço de utilidade pública. Na Europa, a imagem que o Golfo criou é de sofisticação, de excentricidade, de “Ocident meets Orient”, de “Oriente Médio Liberal” - praticamente a Suécia com palmeiras, dança do ventre e muito mais pelos. E assim se estabeleceu como destino de inverno do continente. Agora, o que ninguém conta são os trezentos e cinquenta mil poréns desse sonho liberal. Eu confesso: até eu achava tudo muito lindo, tudo muito exótico, tudo muito liberal até sugerir para um amigo alemão em busca de sol no meio do inverno ir para Dubai. Pergunta respondida com: “Eu quero viajar com o meu namorado. Dá para viajar 100% tranquilo para um país onde a homossexualidade é considerada crime?”. Para se pensar...


E falando de preconceito e mulheres
A gente esquece que SATC é feita por americanos para americanos, e que o resto do mundo é mera consequência. E que na desenvolvidas e rica América o feminismo ainda é um assunto importante: apesar de todos os ganhos, a cultura americana é essencialmente machista, as americanas simplesmente não possuem uma licença-maternidade garantida a nível federal e tem que lidar com as pressões de uma cultura que considera normal uma mulher abandonar sua carreira profissional e acadêmica a partir do momento em que se casa e gera filhos (ao contrário das europeias, que recorrem ao vasto sistema de apoio sem a menor culpa).

Por isso, Samantha gritando no souk árabe “EU GOSTO DE SEXO!”, reclamando que tem que colocar véu para cobrir o colo na piscina em Abu Dhabi, Samantha sendo Samantha é simplesmente foda.


E falando em Carrie
Paranoica, masoquista, shopaholic sem limites, algumas vezes cafona, histérica, impulsiva, fumante, carente, adúltera, muitas vezes desesperadamente precisando de um bom tanque de lavar roupa. Tudo isso ao mesmo tempo e mais ainda: nesse segundo filme ela está chata, a maior parte do tempo parecendo procurar por merda. Mas na boa, isso é a essência de ser Carrie: fazer merda. E atire a primeira pedra quem nunca se identificou com nenhuma das trocentas merdas que ela já fez? Carrie é a personificação do que dá pra ser em relacionamentos, nua e crua. Porque na teoria a gente sabe que deveria ser adulto, maduro, pensar antes de dizer, uma coisa bem Helena do Manoel Carlos, sabe? Mas na prática, como a Libanesa diz, o que baixa é a corticeira e cenas como aquela em que a Carrie joga o Big Mac na parede quando o Mr.Big me vem de “Se você for Paris, você irá por você” láaaa na primeira temporada lavam a alma. E nos fazem ser um pouco mais indulgentes com todas as merdas que nós já cometemos em relacionamentos.


E falando em Gays
Como é bom ser representado por dois caras não-sarados, não-bombados, não-deuses gregos. E ultra afeminados. Cansado dessa coisa Ruppert Everett (bonitão, gostosão, vozona grossa, quase um hétero, senão fosse o pequeno detalhe...) que se tornou o ideal do gay em séries e filmes. Sinceramente acho que o contra-clichê se já se tornou o clichê há muito tempo...


The best parts
Flashback para os anos 90 (Miranda de tailleur e tênis branco foi TUDO!). Carrie e o Stanford antes do casamento dele (ah, eu ainda penso assim: o que seria dos gays sem as amigas por perto, hein?!). Samantha dando para o irmão do noivo. As peitcholas da babá irlandesa (e os maridos com o bocão aberto). Smith Jerrod, forever. (o cara envelhece e fica ainda melhor. Defeito imperdoável.) Samantha e Miley Cyrus com o mesmo vestido (aliás, Kim Cattrall sustentou MUITO melhor o look!). Samantha falando “I wanna go somewhere RICH!”. (momentos antes eu comentei com a minha amiga da minha “grande vontade de conhecer o Oriente Médio com uma mochila nas costas e dormindo em hospedaria de beira de estrada”.) Miranda com ataque “Turista Modelo” nos EAU. Carrie e aquele vestido sensacional com fenda ultra-gigante na hora de jantar com Aidan (acho que nós homens nunca vamos saber direito o que é essa coisa de ir vestida pra matar, néam?). Samantha e arquiteto dinamarquês Rikard (ah, Escandinávia!). Samantha gritando “I LIKE SEX!” enquanto mostra as camisinhas para os árabes escandalizados no souk. A bunda do dinamarquês gostosão.


The ? Parts
Tudo bem com o marido, tudo bem com o filho, problema só no “trabalho”?! - cadê Miranda Hobbes pirando nos problemas e mandando 10 comentários sarcásticos por minuto? Kirstin Davis/Charlotte, hora de maneirar no botox: tua arregalada de olhos tá assustadora. Aliás bem feito, Charlotte: queria engravidar, queria ficar gorda, queria ter a “indescritível sensação de ter um alien ser crescendo no seu interior”? Pariu aquele capeta chamado Rose. Menina chata: se tivesse adotado DUAS chinesas, duvido que você tinha dado aqueles pitis. Afinal, a chinesa adotada nunca chorou, é esperta, aprendeu inglês direitinho e fica comportada. E sabe que na primeira hora que encher o saco é Zaijian para Baby Dior e Park Avenue e Ni hao para orfanato em Harbin e Power Ranger cabeçudo inflável. E como a Carrie aceitou mudar da cobertura do primeiro filme?! Por mim, primeiro da lista do pacote citado acima pra aceitar me casar com Mr.Big de novo.


Dica Final
Quer entender Sex and The City mesmo? Leia o livro. Bem mais cruel. Bem mais verdadeiro. Bem mais instrutivo sobre a merda que são relacionamentos no mundo moderno.

Ah, no final ela não acaba com o Mr. Big. (Ups, spoiler!)

terça-feira, 8 de junho de 2010

A Parada

Domingo passado (ou seja, ontem!) aconteceu a Megga, a Ultra, a superlativa Parada Gay de São Paulo. Se eu estive lá? Of course not: quebrado financeiramente, tomando créu velocité 5 na faculdade (todo dia quando chego naquela merda de campus e vejo o pessoal intelectualizado, todo trabalhado no tênis Vans e chapinha “From UK” de Jornalismo discutindo seriamente se Hori é melhor do que Restart no corredor da faculdade eu juro que dá ódio por ter marcado Economia naquela merda de cartão do vestibular e uma felicidade que aquele bando de incompetente vai ficar desempregado mesmo porque qualquer merda pode assinar como jornalista hoje em dia!) e RÁ que eu me mandaria para SP justamente na época de migração em massa da homo bombadius-ipanemensis para o habitat Jardins-Consolação, transformando os meus queridos locais tão paulistanos (Bella Paulista: teu brunch humilha qualquer boulangerie de Paris, qualquer padariazinha organico-vegan-low-fat-low-fun do Leblon. Meus ataques bulímicos são só teus, tsá? :D) em um Farme de Amoedo menos protetor solar/sunga da Aussiebum (como alguém consegue usar aquela coisa cafona, meodeos?) e mais roupa preta. (Afinal, carioca acha que é urbano, é cosmopolita, é São Paulo usar preto. E não dá para usar preto no Rio. Sem parecer uma galinha d'angola morta de despacho derretendo sob o implacável sol de meio-dia de Bangú). E como eu tenho um mundo de fotos atravancando a porra do meu HD, não aguento mais ler-discutir-falar-pensar sobre Economia, porque não falar do meu assunto mais preferido de todos : o meu tempo na Alemanha?! (*leitores fazem “Ah naaaão!!! Ainda esse tema?!”, Fernando vira, toma um golinho do seu Söderblanding Tea, joga o cachecol para trás e digita com o indicador “A porra do blog é meu.”). Vamos tomar o Porsche do tempo e voltar para... a minha experiência na Parada Gay de Hamburgo! :D

Situando no Tempo-Espaço
Era Julho, era verão alemão (ou seja, o povo deficiente na melanina tudo pirando no salsichão, tudo louco pra estocar vitamina E e topando QUALQUER programa ao ar livre para curtir os dias de sol), era o meu quinto mês em território alemão. Tava numa bad mood FUDIDA: trabalhando horrores no grande escritório da grande empresa alemã, tinha acabado de terminar com o deutscher FDP (Rest in Peace, Hurensohn!) e sem amigo nenhum pra encher a cara e chorar as mágoas porque todo o povo do Erasmus tinha voltado pra casa depois do final do semestre (e eu demorei uns 7 meses para entender que até pra enfiar o pé na jaca com alemão tem que marcar com 2 semanas de antecedência e ligar no dia anterior confirmando). Resumindo: tava carente, tava piriguete, tava querendo ser-solteiro-em-Salvador. Em Hamburgo. (*RÁ irônico).

Preparações
Meu melhor amigo alemão me vendeu a Parada como O evento gay da cidade. E até que parecia: primeiro, uma mega campanha de mídia (com atores alemães brincando com a questão de gênero sexual e mostrando o tema da parada, que em 2009 era a queda da definição de gênero sexual que consta na constituição alemã), mega cartazes pela cidade divulgando as palestras temáticas da semana que antecedia o evento (viado alemão é muito intelectual: AMAM um simpósio, uma palestra, um colóquio – tudo sentadinho, com oculozinho de croco , discutindo por duas horas as “idiossincrasias de dar ou não dar pinta no período nazista” muito polidamente, mas tudo louco para sair dali, entrar logo no primeiro clube SM e dar para 30 turcos bem-dotados todo trabalhado numa burca de couro). Na Lange Reihe (a rua da gay de Hamburgo que tem o sugestivo nome de “GRANDE Fila” :D), todas as lojinhas (incluindo inocentes pet-shops, lojinhas de chá e produtos naturais e o restaurante tibetano) devidamente decoradas, e as revistas Schwulissimo (AMO esse nome. Poderia ser traduzido como “Viadíssimo”) e Hinnerk eufóricas listando mil e uma coisas para se fazer no dia da CSD hamburguesa. Portanto, eu criei expectativas. Eu achei que iria ser o máximo. Eu achei que seria uma excelente oportunidade de superar de forma madura e saudável a minha bad mood alemã: pegando um monte de pessoas completamente desconhecidas, com as quais eu não teria absolutamente nada em comum, mas teriam a importante função de me fazer sentir gostoso pra caralho.

Coitado de mim.

A Parada em si
Carros de som tinham aos montes. Bicha muito feia supersiachando também (sabe a melhor maneira de identificar uma legítima bee chucrute-com-ovo? Cabelinho moicano descolorido + bronze “Valentino says Hallo”. Aliás, bronze nein: ALARANJADO. Sério, não sei de onde aquele povo tirou que Oompa-Lumpa é fashion trend a ser seguida). Decoração mega blaster toda trabalhada no arco-íris, natürlich. Bebida por todos os lados? Claro (Alemanha sem álcool não funciona, lieber!). Mas o clima? Completamente diferente de tudo o que eu tinha visto de Parada Gay até então.
Primeiro, é bom explicar que a Parada é um evento dentro todo um calendário de uma semana de atividades montado por uma comissão que passa o ano inteiro focada em só realizar a CSD Hamburg. Claro, a Parada é o ponto alto da semana, quando todo mundo quer ir pra rua paquerar, se divertir, pegar um sol, e para isso é montada uma mega estrutura digna de Carnaval no centrão da cidade (bares, festas acontecendo nos barcos ancorados no lago, cafés com programação especial, restaurantes com bandeiras do arco-íris). E para curtir essa estrutura toda, o dia anterior a Parada e o dia posterior a Parada continuam sendo dias de Straßenfest (Festa de Rua), mas o momento da Parada é absolutamente e essencialmente político. Como assim? Melhor explicar usando a minha experiência na parada.
Assim que eu cheguei, deu para ver que tinham algumas coisas bem semelhantes com o que rolava no Brasil: tinha os trios elétricos (inclusive o trio elétrico da minha boate preferida, a Moondoo, veio com a poderosérrima travadoor brasileira-mas-nao-gosto-de-latinos lá no topo, toda bafônica e trabalhada na atitude “Eu sou muito foda!”), tinha muita bebida por todos os lados (Alemanha sem álcool não é Alemanha: se faltar cerveja em qualquer evento público naquele país é capaz de eles cometerem uma chacina até liberarem um tonel pra cada um), tinha gente toda trabalhada no piriguetismo e no glitter boom típicos do nosso querido mundo gay. Tava animado, tava legal. Mas aos poucos, as diferenças e os choques culturais iam aparecendo. O primeiro? Ver o carro do FDP (Freie Demokratische Partei – Partido Democrático Liberal) e ver que um PARTIDO POLÍTICO tinha metido um carro no meio da Parada. O segundo? Receber de um dos cabos eleitorais que vinham no chão esse simpaticíssimo sticker aí acima (que sim, significa o que vocês entenderam!) e ficar com a cara de “WAS?” enquanto ninguém ligava muito, afinal aquilo tudo era sehr normal para eles (5 minutos depois, quem vem? O carro do CDU – Uniao Democrata-CRISTA – distribuindo adesivos semelhantes, com políticos sorridentes distribuindo folhetos sobre os grupos de defesa dos direitos gays existentes no partido).
E daí pra frente, a surpresa só continuou: os trios elétricos estavam lá, mas eram 10% dentro de um mar de 90% de gente no chão, carregando plaquinha mesmo, cada um defendendo o seu quinhão. De memória, que eu consiga lembrar, tinham coisas como o Grupo de Jovens Gays de Hamburg-Nord (por sinal, eu morava do lado do escritório dessa instituição, e sempre passava pela porta justamente quando todo mundo esperava a sessão semanal de quarta-feira começar. Como bom piriguete carioca, sempre passava trabalhado na Pokerface, sempre levava uns bons olhares e como eu acredito que a gente tem que apoiar a bee do futuro, sempre respondia com um sorriso e seguia em frente :D), Policiais Gays da Polícia de Hamburgo (ninguém muito gostosão, mas todo mundo devidamente fardado), Grupo de Pais e Mães de Gays (momento mais fofo da parada: todo mundo aplaudindo as mães/pais com os seus filhos carregando placas com mensagens anti-homofobia). Ah, tinha o lado spice da Parada: os grupos de defesa dos praticantes de “atividades sexuais heterodoxas” (meaning: SM, Fist Fucking, Role Play, Pet Play, e todo o “etecetera” que na Alemanha se estende por uma longuíssima lista). Confesso: nesse momento o meu lado “latino-conservador-querendo-bancar-o-santinho” abriu a boca e não conseguia fechá-la, e o meu lado mais liberal ficou absolutamente passado com a coragem do pessoal de meter a cara e vir pra rua fantasiado de cavalo, porco, cachorrinho sexy, carregando cartaz “Eu quero ter direito a exercer a minha sexualidade da forma que eu quiser!”.
Enquanto isso, você se pergunta: e na platéia? E no povão? E a pegação? Bem, durante todo o trajeto da Parada, eu só vi dois casais se beijando. DOIS. Todo mundo tava bem alegre, todo mundo curtia horrores os trios, as tendas de música eletrônica, mas todo mundo parava e prestava atenção nos grupinhos mais politizados que passavam, entre goles de espumante e/ou cerveja. E isso durou todo o trajeto da Parada. Nada de gente vomitando, nada de tumulto, nada de gente quase transando em público. Nada. Durante a Parada. A Parada termina no endereço mais nobre da cidade (a Jungfernstieg, tipo a Oscar Freire/Avenue Montaigne do Comércio de Luxo da Alemanha), onde vários mini-bares estão montados, e onde a galera começa a relaxar mais um pouco, tirar a camisa (mas nem tanto: a maioria acha essa hábito The Week meio sem educação por aquelas bandas, mesmo que você tenha o corpo perfeito) e curtir o dia de sol (se estiver sol, é claro). Alguns barcos promovem festas particulares, mas sinceramente, o melhor acaba sendo mesmo ficar na rua, indo de um stand de boate para outro, tomando uma boa cerveja, curtindo o visual, porque todo mundo tá fazendo o mesmo. A paquera? Não rola, afinal alemão é em geral bastante tímido, bastante reservado, responde mal ao approach brasileiro-argentino de “Vemcáputão”, não curte dar show em público (ao menos que eles tenham pago para entrar num clube de pessoas que curtem isso :D), portanto piriguetismo não rola. No meu caso: terminei a parada no maior 0x0, agarrado a minha terceira garrafa de espumante, todo colado de stickers Aktiv/Passiv, conversando civilizadamente com os meus amigos alemães (mas para não dizer que também sai completamente liso acabei me fazendo de difícil e trocando telefones com um dinamarquês que trocava olhares comigo há séculos em vários lugares da cidade que por coincidência calhávamos de estar ao mesmo tempo, tsá?!). Mas sinceramente, completamente fascinado ao pensar que onde cerca de 60 anos atrás bandeiras nazistas tremulavam (e gays eram enviados para campos de concentração) acontecia uma manifestação tao moderna e liberal de expressão da sexualidade humana.

Conclusões
Falando sério, não espero que as Paradas brasileiras se tornem exatamente o que as alemãs são. A cultura, a forma de batalhar por direitos, de se expressar, de conseguir evoluções na sociedade são completamente diferentes, e acho que o nosso natural dom de fazer festa, de animar qualquer ambiente, o nosso joie de vivre é um ponto forte que define quem somos, que não pode ser mudado, não deve ser mudado. Não é algo natural da nossa cultura se reunir em pequenas organizações e a partir daí batalhar por direitos, e ponto final. Mas ao mesmo tempo, acho que a fórmula atual das paradas gays brasileiras (megas festas populares) é muito pouco para as ambições que estão na hora de termos dentro do movimento gay brasileiro. Chega a ser irônico pensar que a maior parada do mundo tem efeitos políticos quase irrisórios - acho que isso explica o esvaziamento quase total dos “gays mais esclarecidos” da parada, que sinceramente não tem saco para ver aquele bando de gente caindo de bêbada enquanto gritam “Eu respeito o amor livre!” e ter alguma esperança que aquilo adianta alguma coisa na defesa dos direitos. Como eu falei acima, é uma questão de ambição: seja talvez a hora de parar de ficar surpreso e estupefato com o espaço que nos foi cedido, com a possibilidade de realizar UMA parada gay e pensar na parada que realmente é melhor para os nossos interesses.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

Um dia

A vida humana é uma grande seqüência de rotinas. Ao redor do mundo, todo dia, todo mundo quase sempre segue a mesma rotina. Acordar, tomar banho, escovar os dentes, tomar café-da-manhã, sair de casa, ir tratar das obrigações diárias que até a mais fútil das vidas tem. Faculdade, trabalho, banco, dentista, comprar uma cafeteira nova para substituir aquela que quebrou, levar o Maltês para a acupuntura, reclamar para o seu analista que a sua vida é uma merda porque você não consegue manter o mesmo lifestyle que tinha no seu ano de intercâmbio na Europa, torrar parte da sua renda na aquisição de um bem qualquer com o nobre objetivo de querer se sentir melhor e mais bonito (jeans premium italiano, tênis creiço da Nike, camisa de seleção de país que você sequer sabe mencionar a capital – whatever, pouco importa. O efeito dessa satisfação de consumo vai durar mesmo só até o momento em que você usar aquele produto e perceber que nenhum modelo ucraniano veio se esfregar em você, que as pessoas não param e se viram quando você passa, que você continua exatamente igual ao que era antes. Publicitários FDP's!), esperar o caminhão da ONU trazer o próximo carregamento de ajuda humanitária, chegar em casa, jantar, assistir TV, dormir. E no dia seguinte, tudo de novo. A vida é uma grande seqüência de rotinas, de ações repetitivas que a gente acaba fazendo quase sempre no automático, com o headphone do iPod no ouvido (eu sei, eu também achei que a minha vida ficaria muito mais über-cool com um produto da Apple. Ledo engano. Acabei comprando um segundo simples e muito menos über-cool Phillips para poder escutar rádio e por não poder mais aturar over-and-over as minhas próprias seleções musicais), sem prestar lá muita atenção no que acontece ao seu redor. Afinal, tanta coisa para resolver, tanta coisa para pensar e time is always money.

E digamos, um dia, você abre a mochila e percebe a merda mor de segunda-feira chuvosa de qualquer morador de metrópole: esqueceu de carregar o seu iPod. Uma longa viagem pela frente, com absoluta e inevitavelmente nada para fazer. Numa viagem, numa cidade estrangeira, quando não se tem nenhuma obrigação chata e sacal da rotina diária pela frente, uma verdadeira delícia: a vontade é de absorver todos os barulhos, ruídos, alertas sonoros, conversas em idioma estrangeiro ao seu redor, pequenas partes do que é a vida cotidiana das pessoas num lugar diferente do seu. Mas na sua cidade, no seu dia-a-dia? O que de novo, de absurdamente interessante e inédito você pode encontrar? Nada, eu sei. A gente acaba tendo que se contentar com a mais normal, mais sacal e mais simples das atividades humanas: observar. E aos poucos, elas acabam ganhando um significado um pouco mais complexo. O cobrador do ônibus exausto, louco pelo fim da jornada de trabalho dele; a criança chata e irritante comendo Fofura e feliz porque está indo visitar os primos; os lindos e isthiluósos modelitos de inverno que proliferam toda vez que a temperatura cai abaixo dos 20C e/ou chove (li isso em algum lugar e repito: quem foi o louco que disse que “no inverno as pessoas se vestem melhor”? Seguramente ele nunca pegou metrô às 5.30h e deu de cara com aquele bando de gente enfiada em moletom, casaco jeans e gorro, praticamente um simulador 3D da FEBEM, néam?). Pessoas. Que até então eram meros obstáculos na calçada, ganham um significado ligeiramente diferente quando a gente tenta imaginar o que elas estão pensando, quem são elas (em outras palavras - Fernando é um louco hiperativo, portanto é melhor nunca deixá-lo sem nada para fazer!).

Sabe aquelas cenas completamente anônimas que você presencia e jamais mais esquece? Um dia eu estava num ônibus na Avenida Rio Branco, aqui no Rio de Janeiro. Também tinha esquecido de recarregar o iPod (ou faz tanto tempo que talvez fosse “comprar pilhas novas para o Discman”). E esperando o ônibus avançar por aquele trânsito caótico, sentado no ônibus, olhando pela janela, o meu olhar para numa mulher. Linda, elegante, absolutamente bem-vestida num trenchcoat, enormes óculos escuros no rosto. Contrastando absurdamente com todo mundo ao redor dela, parecendo buscar algum taxi livre para sair logo dali. E do nada, quando eu menos esperava, uma expressão de dor, uma enorme lágrima desce por uma das maçãs do rosto. Que ela prontamente seca, enquanto concentra todas as suas forças para manter aquela imagem de elegância e formalidade para o resto do mundo.

O ônibus partiu, e eu obviamente jamais saberei o que levou ela àquelas lágrimas. O que ficou foi o sentimento de que a gente não conhece nada sobre o ser humano, sabe? Que a gente projeta uma imagem de nós mesmos, muitas vezes tão trabalhada, tão complexa que... acaba sendo um retrato completamente infiel do que a gente realmente é. Do que a gente realmente sente. E assim, ninguém ao redor percebe o que está acontecendo, as coisas vão seguindo em frente, e uma hora quem sabe elas se resolvam...

Ontem o pai de uma amiga decidiu que a vida dele tinha tido segundas-feiras demais. E resolveu parar de seguir em frente.

O que dizer? Desculpem-me pelo texto meio sem nexo, meio sem encadeamento lógico. Mas é que eu precisava escrever, sabe? Assim que o Fernando funciona quando acontece algo que faz ele pensar muito. Fica irrequieto, e não sossega enquanto transformar isso em comunicação, expressão, de alguma forma. Não quero levantar debate sobre o suicídio, sobre o que leva uma pessoa a cometer um ato extremo desses. Fraqueza, desespero, depressão? Pode ser, quem sabe, mas... não muda nada. Acaba sendo como uma amiga me disse hoje: “Não sei se é um ato de coragem ou covardia extrema. Coragem, por chegar na última conseqüência e chegar a tirar a sua própria vida; covardia por não pensar na devastação que vai ser causada na vida de todo mundo que é importante pra ele”. De qualquer forma, é irreversível. Não pode ser mudado.

Qual a lição que fica? De que as pessoas são muito mais do que aquela superfície projetada para o exterior, do que a gente julga que elas são? De que no fundo, todo mundo é um oceano de sentimentos, e que a gente acaba enxergando quase sempre só a superfície?

Talvez de que a vida é importante de ser vivida. De que a vida feliz é importante de ser vivida.

E de como tem sorte quem sabe disso.