terça-feira, 13 de abril de 2010

K-kinda busy

But I'm NOT out in the club and I'm sipping that bub' (raiva: tinha finalmente conseguido passar incólume ao lancamento de qualquer merda de Madame Gaga. ATÉ entrar na Colette mês passado. Auto-falantes estourando com o "Cause I'll be dancing / Causing I'll be DAN-CING!", vendedores e clientes übercools tamborilando dedinhos e mexendo discretamente o quadril. Fudeu: Lady Gaga + Beyoncé + Colette + Eu de skinny jeans = Too much gay factor together. Quase uma explosao de glitter.).

O blog nao acabou. Fernando nao morreu afogado nas enchentes no Rio de Janeiro da semana passada. Fernando nao desistiu de ser um economista e resolveu lavar pratos ad infinitum pelos 'estrangeiro' (nossa, tive um mega insight agora: bem que podiam inventar uma barbie economista, néam? Tipo, para colocar na sala do lado da HP-12C e daquela foto de graduacao inevitavelmente horrenda).

Só tá... PHODA. Pourquoi?

1) Universidade: depois de n! semestres (nem eu sei mais direito em que semestre eu estou. Só sei que sao muitos. MUITOS) na faculdade, chegou a hora de fingir oficialmente que eu aprendi alguma coisa e colocar todo o poder do enrolation para funcionar: chegou a hora de pensar na minha monografia. Ok, por um lado, uma coisa boa: a hora de pegar o diploma, nunca mais pisar nesse campus maldito, nunca mais ter aula às 7.30h, etc etc... Mas por outro lado, um saco: definir tema? (Impactos da The Week na economia bee fluminense e catarinense? Jontex ou Blausiegel: uma abordagem comparativa?) Oi? Eu nao faco idéia do que eu quero abordar. E tenho que definir essa droga até o final do mês. Além de, é claro, definir professor orientador (= fazer cara de gatinho, vozinha de machinho, dedinho na boca e "Profê, me orienta, vai?". Foda. Até que alguns professores da casa devem até ter sido gatos. Mas seguramente nao antes de 1968.). Merda.

2) 'When it rain and rain and rain and rains': O que foi a semaninha passada, hein? Rio de Janeiro meets Bombay in monsoon? Em bom paulistanês, puta MERDA meu!. Gracas a um mega insight na segunda-feira de noite ("Oi, olha o metrô ali?!"), passei incólume ao inferno (molhado) que a cidade virou na semana passada. Onde eu moro, everything just fine. O foda foi ficar a semana inteira em casa, estudando (equals: lendo tudo o que eu NAO deveria ler, menos estudar), olhando para o teto e de vez em quando vendo TV. O melhor momento? Globocop mostrando um MEGA deslizamento em um morro da Zona Norte, somente uns 2m de terra restando entre uma casa gigante e um cânion absurdo, um bando de pirralhos e gente sem nocao em cima dessa terrinha, dando tchauzinho para o helicóptero (vários celulares, e certeza de vários diálogos tipo "Creuzinete, POE NA GLOBO QUE EU TO NA TV, MULÉ!!!"), e Renato Machado me vira, em rede nacional, e manda "Olha: pessoas estao pedindo socorro ao Globocop!"! (Sério, quem tiver um vídeo desse momento, manda para o Celso Dossi. Isso TEM ficar gravado num post.). O saco do momento? Cobertura da Globo da tragédia do Morro do Bumba. Sim, eu sei que sao favelados que nao tinham outro lugar para morar, que a prefeitura errou ao nao dar um alerta e aviso de evacuacao aos moradores, bla bla bla. Mas essa overdose de "responsabilidade social" global, aliado a postura "Ficaremos aqui até que o último caquinho de tijolo seja retirado" tem enchido o saco. Além de claramente a Globo querer colocar para Judas o prefeito de Niteroí por 'negligência' ao 'deixar' a construcao de casas em cima de um lixao num país onde nunca se discutiu habitacao popular de forma séria. Realidade chamando, néam? Niteroí nao é Lausanne, prefeituras tem uma coisa chamada orcamento para respeitar (questionaram inclusive numa reportagem o repasse do Ministério do Turismo de cerca de R$19 milhoes para o Caminho Niemayer, mencionando que R$15mi seriam necessários para realocar as pessoas em áreas de risco. Ok, lindo argumento, se o Ministério do Turismo fosse, por um acaso divino, realmente responsável por custear obras de infra-estrutura nas cidades), e sinceramente... o problema habitacional em qualquer cidade brasileira é grande demais para ser discutido dessa forma Poliana. Globo, como sempre, ajudando a formacao do pensamento medio-classista do Brasil.

3) Entrevista de emprego: Lembra do processo seletivo que eu reclamei, muitos posts atrás? Entao, ainda estou nele: semana passada foi a entrevista. Primeiro, tive a biggest confirmacao ever de que as coisas no Brasil funcionam diferente: me ligaram na sexta às 18h marcando uma entrevista às 9h no dia seguinte (alguém lembra dos trânsitos maravilhosos que a cidade enfrentou semana passada?). Segundo, aquele saco clássico de sentar numa mesa, olhar para o entrevistador e ficar respondendo a perguntas superclaras tipo "Falaí sobre você, cara!". Aliás, uma pergunta: o que as bee leitoras respondem nesses processos seletivos quando aparece aquela maldita tarefa "Monte a linha do tempo da sua vida"? No meu caso, estava numa sala com 8 candidatos, toda a crème de la crème da juventude playboy-hetero-carioca (7 viajaram pela primeira vez para a Disney aos 13-15 anos, 6 estudam na Ibmec ou PUC e 5 fizeram o Work as a Slave Experience verao passado), e respostas tipo "Eu quero estar casado, com 3 filhos e ser diretor da empresa aos 30 anos" pipocaram pela sala. Na minha vez, eu pensei que seria cara de pau demais repetir esse discurso (gente, eu combinava cachecol com a minha T-Shirt na Alemanha! Pagar de hetero nao dá, néam?), passei batido pelo lado pessoal da minha vida, foquei no profissional e coloquei uma viagem de volta ao mundo aos 40 para nao ficar workaholic demais. Claro, um dos gestores veio todo "Ah, mas porque você nao falou da sua vida pessoal? Nao pensa em construir uma família?". Pensei em responder que odiava criancas e que achava Medéia um exemplo a ser seguido. Respondi que vida pessoal é a última coisa que funciona sob planejamento (quem dera que se pudesse marcar "Quando e com quem desencalharei"). E que ter vinte e poucos anos em 2010 e pensar como... uma pessoa de vinte e poucos anos da década de 50, achando que tenho que resolver toda a minha vida antes dos 30 nao era a minha. Olhares de ódio dos proto-playboys para mim, sorriso da psicóloga e do gestor. E voilá, next phase. Agora é penar, esperando até o telefone com alguma notícia definitiva.

Update: " Infelizmente informamos que para a vaga para a qual você se candidatou o retorno é negativo. Mas a empresa X e a empresa de RH Z desejam que você ainda obtenha muitas conquistas, e vitórias, pois demonstrou ser uma pessoa que tem interesse em assumir novos desafios... "

#1- Por que as empresas insistem nesses e-mails corporativo-"Siga em frente!", hein? Já fiz processo seletivo demais na vida para achar que isso foi uma grande afronta as minhas qualificacoes (na entrevista já tinham questionado o fato de eu ter um perfil "criativo" demais para um vaga mais técnica como era que a eles ofereciam), muitas vezes a questao do perfil realmente é o que rola, mas... essa conversa "psicólogo-sendo-bonzinho" nao ajuda nada a digerir o resultado nessas horas, néam?

#2- Saudades da minha vida de estudante na Europa. :( O meu low middle class lifestyle lá era bem mais legal do que o atual marasmo da minha vidinha por aqui. Hmpf...

15 comentários:

Daniel disse...

Por que eu nunca penso nessas respostas nessas horas?

Fernando disse...

Eu também nao pensava nos 359 outros processos seletivos que já fiz na minha vida.

O que voce responde, hein Daniel? ("Meu sonho é ter uma casa na Serra Gaúcha, chimarrao para os meus piás...) :D

Introspective disse...

Isso porque vc estava sem tempo para escrever... ;)

Fernando disse...

@Intro: Post pequeno no meu blog nao rola, desisti disso faz MUITO tempo. :D

Síndrome Introspective de postagem? :D

Will Moritz disse...

Resposta genial! Orgulho de ser seu amigo!

Lucas T. disse...

Adoreei esse Post. Hahahahaha tb sinto saudades da minha vida low middle class na Europa. Tenho duas entrevistas marcadas aqui (Brasil) e tô meio tenso.

Anônimo disse...

Engraçado, no Rio de Janeiro pelo que observo, economista é profissão de playboy.
Em Salvador tem um perfil de estudante mais nerd(E lógico, a imaginação voa em pensar onde uma pessoa formada nessa área, atuaria em Salvador).
Achei o final do post meio tristinho, pode parar com isso mocinho! Você retornou tem pouquíssimo tempo, néam? Tenha calma.

Anônimo disse...

Querido, adoro seu blog e sua maneira de escrever com "pitadas" de senso de humor!!!
Adorei os de Budapeste, estou indo para lá agora em junho, suas dicas foram muito validas pra mim, mas me decepcionei sobre a "frequencia" das famosas termas e piscinas!!! não rola NADA mesmo??? posso perder as esperanças sobre alguma pegação???(santo UOMINI que me proteja...rsrsrs) Valeu, forte abraço.Márcio G.

tommie disse...

Adorei a questão do email "Siga em frente!" Imagina um email da empresa falando: "Fofis, vc e a empresa são como água e azeite, não se misturam. Aliás, pelo que vimos, vc vai ter um longo caminho de frustradas tentativas por um emprego, logo, fica uma dica: tente ser cabeleireiro, as madames adoram esse mix de Glee com Paulo Coelho."
O dia em que as empresas forem honestas o suficiente para dizer o que pensaram sobre os candidatos, talvez a gente seja honesto tbm pra falar nas entrevistas o que pensamos delas.

Fernando disse...

Will: Aprendi essas coisas com você, lieber (#rasgacao de seda feelings)

Lucas: Rs Querido, quem fez entrevista de emprego em outro idioma, pode enfrentar QUALQUER coisa! Forca na peruca! :D

Anonimo1: Bem, na verdade os outros nem economistas eram. Eram 2 engenheiros de producao (na boa, eu tenho um pequeno ÓDIO desse curso: fazem oitocentos cálculos, um monte de eletivas e acham que sao mais capacitados de que economistas e administradores para atuar em tudo!) e um administrador. Aqui no Rio, o nível de playboyzice varia com a faculdade que você cursa, etc e tal.

E Salvador ter mercado sim! Vocês tem o maior parque industrial do Nordeste (ou seria Recife? Ups...).

Anonimo2: Muita inveja (branca, relax)! Budapeste é cheia de parques, e visitar aquela cidade no verao deve ser simplesmente maravilhoso. Junho é uma época ótima - quente, mas nao verao (FUJAM da Europa Central no verao - as temperaturas vao nos extremos naquela regiao, e vários amigos falam que foi uma experiência para nunca mais se repetir). Com relacao as perguntas, alguns pontos:

- Os budapestinos realmente encaram as termas como um espaco público de lazer, a ser frequentado pela família inteira. O prédio é realmente um complexo, algo próximo do que seria um spa para nós.

- Sobre pegacoes, fica dificil assegurar alguma coisa, já que a minha viagem foi num esquema diferente (com amigos heteros, etc e tal). O que eu posso dizer: nas termas que EU fui, nao rola nada. E pelos blogs alemaes que eu li, nas outras também nao rola nada.

- Sobre a questao cultural, vale a pena reforcar dois pontos: primeiro, em muitos países europeus a nudez é encarada de uma forma muito mais "dessexualizada" do que na nossa cultura, portanto ficar pelado na frente de estranhos nao é uma situacao erótica per se para eles. Segundo, os países do Europa Oriental estao BEM atrás dos países da Europa Ocidental no que diz respeito a direitos gays: sao culturas tradicionais e conservadoras, o comunismo nao tolerava a homossexualidade e os "avancos" nos últimos anos foram BEM limitados. Quase a totalidade dos gays tem realmente uma vida bem 'in the closet', caindo na vida gay somente quando frequentam os grandes centros como Londres ou Paris. Portanto, vida gay em Budapeste nao é nada out, e o clima é bem propício a "coiós", entao por favor, cuidado!

- Mas claro que você nao precisa perder as esperancas de pegación, queridon. Dica: www.planetromeo.com, monta um bom perfil como foto de rosto, etc e tal (deixando claro que você é do Brasil, natürlich! Sempre usando os clichês ao seu favor! ;) e corre para o abraco. Olha... satisfacao GARANTIDA! :D

@tommie: Cara, a questao é que eu acho esses emails bem "atendente americana de Mc Donalds com sorriso artificial e discursinho preparado". Funciona na teoria, na prática fica artificial.

Sobre cabeleireiro, melhor nao, para a seguranca do mundo. Primeiro, no curso "How to be a gay", eu zerei em quase todas as áreas ligadas a habilidades manuais (QUASE todas, tá? :D). Segundo, os meus amigos sabem o pequeno desastre ambulante que eu sou. Melhor nao. ;)

E eu conheco um amigo que numa entrevista, já de primeira, mandou um "O que VOCÊS tem para me oferecer?" para os entrevistadores. E foi aprovado.

Tiago disse...

Para mim o melhor na cobertura da Grobo das chuvas no Rio foi a Fátima Bernardes ao vivo do Morro do Bumba, com uma capa de chuva Burberry... super combinou.

Anônimo disse...

Querido, muito obrigado pela sua gentileza e simpatia em me orientar sobre Budapeste.Agora, pelo menos, sei onde estou pisando!!!, muito obrigado, um grande abraço e depois te escrevo contando se rendeu algo!!!rsrsrs , Marcio G.

Leonardo disse...

"Impactos da The Week na economia bee fluminense e catarinense? Jontex ou Blausiegel: uma abordagem comparativa"

hahhahahahhahahahah ótimos temas!(mas COMASSIM esqueceu da The Week aqui de São Paulo? o que aconteceu com o blog "São Paulo Friendly", hein?) já leu "como se faz uma tese" de Umbertinho Eco? Acho que na realidade mais complica que te encaminha em algo, mas não sei se isso foi apenas comigo (MUITO provavelmente).

Meu, como to rindo aqui... sério. Devíamos te obrigar a escrever todo dia!

Fernando no lugar da Miriam Leitão JÁ!!!! Assistir Bom Dia Brasil vai ficar tão melhor e mais prazeiroso de repente...

Fernando disse...

Tiago: Cara, eu SUPER vi isso também! Mas a idéia de você, âncora do principal jornal de notícias do país, no terceiro mundo, usar uma capa de chuva Burberry para cobrir uma tragédia desse tamanho foi tao impossível de conceber que eu preferi acreditar que era uma capa de chuva qualquer com o padraozinho da grife inglesa. Será, hein?

Marcio G: De nada! Espero que você curta muito Budapeste, como eu curti. Ah, dica de última hora: o prédio do Parlamento é simplesmente fantástico (tipo, absurdamente fantástico Europa-wide. Foda mesmo.), e você pode marcar uma visita (grátis) para conhece-lo por dentro. Vá, porque de fora parece ser inacreditável.

Leonardo: Rs Entao, uma monografia tem a vantagem de nao precisar ser tao inovadora como uma tese. Na verdade, um professor me indicou "play safe": ir para um tema com muita bibliografia, bem discutido, para poder escrever fácil sobre o tema, ir para o abraco e that is it.

E as tag's agora serao "Non-Carioca friendly". ;) Nada contra SP, mas como ficam os leitores dos outros estados?! :D

Don Diego De La Vega disse...

Hum.
Curta e grossamente:
Vc acha q a empresa formal/careta/conservadora teve preconceito pq vc é gay?

Eu acho q na hora q o cara puxou a questão do "vc não vai falar nada da vida pessoal" acho q ele quis mais era saber como vc lidava com o fato de vc ser gay...se era assumido ou não, bem resolvido ou não....

Isso te passou pela cabeça?

Acho q tua resposta foi ótima, mas vc (pra mim) é bem resolvido demais pra não deixar isso bem claro pra quem quer q seja.

Se eu não te conhecesse e fosse um dos avaliadores do processo, poderia achar pela sua relutância em abordar o óbvio que vc não é tranquilo com isso...o que conta pontos negativos...a meu ver...

Think about it.