terça-feira, 10 de agosto de 2010

Economics for Gays: Dilma Rousseff e Jornal Nacional - Parte 1

Não, o blogueiro que vos fala não foi passar as férias de inverno esquiando em Bariloche, cercado de brasileiros por todos os lados berrando “AmÔRRR, bate uma foto d’eu!” e enfiados em camisas da seleção brasileira de futebol (porque brasileiro no exterior TEM que usar qualquer coisa verde-e-amarelo e que tenha BRASIL escrito em letras garrafais. A razão lógica dessas pessoas tirarem um passaporte, pagarem uma passagem internacional, desembarcarem numa nova cultura e... se vestirem exatamente como se estivessem assistindo um jogo de Copa no Alzirão sempre me escapou. Duvida do que eu to falando? Na volta de sua próxima viagem internacional, dá uma olhada e conta quantos britânicos, franceses e alemães voltando para casa estão usando camisas de seleção, e compara com os guichês brasileiros. CERTEZA de pelo menos um daqueles horrendos gorrinhos azul-marinho com a bandeira do Brasil na testa dando sopa pela fila do check in). O blogueiro está no Rio (onde sinceramente “Inverno” deixou de existir e foi substituído pelo conceito de “Soft Summer”), se dividindo entre ralar no estágio/emprego temporário/godknowswhat , ficar preso no maravilhoso trânsito da capital carioca (e não, eu não pego engarrafamento com vista para o mar, mas na bem mais cinza e nada “Atlântica” Avenida Brasil) e entregar o primeiro capítulo da sua monografia (que desde já eu posso dizer que ODEIO com todas as minhas forças). Ou seja, conciliar Fernando profissional, estudante e blogueiro tá PHODA. Portanto, sejam pacientes: blog em regime de Soft Posting. :D
E a entrevista da Dilma ontem no JN, hein?

Sobre a Dilma? Acho que erraram SERIAMENTE a mão no Extreme Makeover dela, e o que era para ficar “esteticamente agradável” virou Perua do Lago Paranoá meets Ivo Pitanguy (e ela precisa URGENTEMENTE de aulas de oratória – Lula pode ter seus conflitos com a gramática portuguesa, mas Lula sabe falar). Sobre a Fátima? Picolé de chuchu com cobertura da calda de inhame. E sobre William? Ainda não me consegui decidir entre achar que o cara teve culhões e inteligência para ser ousado e crítico numa entrevista de candidatos a presidência no JN, simplesmente mal-educado (o que foi a Fátima cortando o marido e mudando o assunto? Fácil se ela não fosse mulher dele ela já estaria fora do JN e apresentando Roraima TV – Primeira Edição) ou a Globo resolveu mais uma vez se posicionar politicamente ainda usando a imagem da “neutralidade e imparcialidade” que ela finge que tem, e nós fingimos que acreditamos.

Mas o que o William falou faz mesmo sentido? E por que a Dilma engasgou e se enrolou toda na hora de responder? E a Rússia (e Venezuela?!) cresceram mais do que a gente nos últimos anos? E o meu Réveillon em Buenos Aires corre risco de virar final de semana prolongado em Cabo Frio?

Mais uma missão para Economics For Gays. ;)

E a aula de hoje será uma rápida análise de alguns gráficos que eu montei. Bem rápida, porque afinal ainda estou no estágio e tenho que terminar esse post antes do meu horário de almoço acabar (postar emagrece, RÁ :D). Fonte dos dados? Base de dados do Banco Mundial (porque os favoritos do meu computador são mais do que Katylene.com e BelAmi, honey :D). Por que gráficos? Porque são de fácil compreensão para todos aqueles que não são economistas e não tem saco para escutar as nossas gigantes análises e explicações sobre os fenômenos do mundo. E por que eu estou falando disso? Porque eu quero que os meus queridos leitores sejam lindos, magros e inteligentes economicamente. E saiam do grupo de leigos em um assunto tão importante.

Gráfico 1: Crescimento Percentual Anual do PIB, Grupo de Países por Renda
Significa?: O quanto os países cresceram percentualmente por ano, com os países separados por grupos de renda (países ricos, países classe média, países POBRES), de 2000 a 2008.

E daí?: E daí que países com renda média e baixa crescem em geral bem mais do que países com renda alta, no período analisado.

E daí? + Continuo não entendendo PORRA nenhuma: Não dá para comparar países lindos, loiros e japoneses (God, e não é que a piadinha realmente faz lógica no mundo real?! hahahaha Morryh!) com países sem H&M + Ikea + Apple Store e/ou monetariamente desfavorecidos (= pobres). O nível é outro, benhê: eles já são RYKHOS. Portanto, nada de ficar surpreso ao descobrir que a gente cresce MÓITO mais do que a Escandinávia inteira junta: já sabemos disso. (P.S.- Esse tipo de análise só é útil quando se quer ver relações de dependência entre economias, tipo “quando a economia americana cresce mais rapidamente, a mexicana também segue essa tendência?”).

Aprendi que: não ficarei enchendo o saco dos amigos economistas com comentários tipo "Noooossa, a gente cresce mais do que os EUA, néam?!".

Gráfico 2: Crescimento % Anual do PIB, BRIC + Argentina, 2002-2008

Significa?: O quanto os países do BRIC (onde intencionalmente eu exclui South Africa – o país é mais incluído por uma questão de cota africana do que realmente se assemelhar ao resto do grupo) y Argentina cresceram percentualmente de 2002 a 2008 (período Governo Lula I e II – O Retorno dos Quatro Dedos).

E daí?: Dentre os BRIC, o Brasil é o que menos cresce. BEM MENOS (apesar de que a série de dados vai somente até 2008, antes da crise financeira). Menos até do que ARGENTINA.

E daí? + Continuo não entendendo PORRA nenhuma: Em bom carioquês? GERAL foi no bonde do crescimento, só o Brasil que ficou de bobeira e se ferrô, mermão. Até a Argentina, que foi nel fondo del pueço em 2001, se recuperou e manteve taxas de crescimento bem acima as da brasileira. Toma Brasil: queria ver o que o povo daqui faria se a Quilmes tivesse mandado latinhas que depois de abertas ficassem “Subdesarollado!!!Subdesarollado!!!Subdesarollado!!!”. E detalhe: o bonde do crescimento econômico é que tem o 592 – Leme x São Conrado: perdeu, é “se ferrô playboy” e mofar no ponto esperando passar ele de novo. O que pode ser em 5, 10, 15 anos...

Aprendi que: eu ainda tô ganhando esse merreca, ainda tô nessa pindaíba por culpa desse FDP desse quatro-dedos!

E as conclusões parciais? Sim, realmente titio Bonner esta certo, o crescimento econômico do Brasil durante o Governo Lula foi RIDÍCULO em comparação aos BRIC e países da América Latina em geral.

Mas aí que vem o pulo do gato-economista (ui!): será que somente durante o governo Lula?

Será? Será? SERÁ?
(To be continued...)

13 comentários:

Daniel disse...

Adoro seus posts economics for gays. :D

dudufs disse...

Fernando, sobre o último gráfico, o seguinte.
2002 - foi o ano da eleição do molusco, ou seja, último ano de FHC. Sendo bonzinho e excluindo os dois primeiros anos do governo Lula (pq não lembro economicamente o que aconteceu naqueles anos).

De 2005 a 2008 o Brasil foi o que oscilou menos para baixo, enquanto que até a China teve queda. Isso não poderia indicar que de 2005 pra cá a gte vem tendo um crescimento "mosdesto, porém constante"?

E... Adoro seus posts economics for gays. :D [2]

Fernando disse...

@Dudufs:

#1 Os dados do período FHC são exatamente os dados do próximo gráfico. Mwah-Mwah-Mwahahahaah (= gargalhada fatal do Monstro do Castelo Ra-tim-bum, lembram?!) :D

#2 Dudufs, observa os diferentes patamares de crescimento durante o período. A China tá fácil durante todo o período uns 5% acima do nível brasileiro (o que é muito: 5% deve ser o crescimento da Zona do Euro inteira. Junta.). Até Argentina, que saiu de uma crise fudida + moratória em 2001-02, saiu do fundo do poço e sustentou um crescimento acima do nosso por 5 anos.

A conclusão que dá para tirar desse gráfico é: o mundo em desenvolvimento cresceu horrores desse período, e ESCOLHEMOS crescer mais devagar e perder a chance de acompanhar esse crescimento.

Por que? Tema dos próximos capítulos! :)

Mike disse...

Nada como gráficos!
Bem legal o teu trabalho cara!
A comparação com os Brics, se parece óbvia, em princípio, não se sustenta após alguma análise.
Vejamos: a China e a India têm em seu favor uma população sem comparação e vêm se utilizando muito disso não só como mercado de consumo. mas também como mão de obra baratíssima.
Sobra a Rússia para comparar, mas eu me pergunto: qual é o peso do petróleo no pib russo? A Russia é o maior produtor mundial e o petroleo estava em níveis estratosfericos durante o período de expansão desta década.
Acho que mais do que observar expansão pura e simples do pib, devemos observar a efeito disso na população. A fórmula "crescer primeiro para dividir depois" eu não compro.
Acho que esse grafico da FGV ilustra bem o que quero dizer:
http://www.fgv.br/cps/Pesquisas/miseria_queda_grafico_clicavel/FLASH/
Ele mostra a redução da miséria desde meados da decada de 90, com uma redução grande na época de implantação do real, mas estavel até o começo desta década.
Bem, desculpe o post gigantesco...
Grande abraço

Introspective disse...

Hahahaha, adorei também! nem vou citar as tiradas pq vc sabe bem quais foram elas ;D

E quem dera meu soft posting fosse esse biscoito fino que é o teu...

Fernando disse...

Mike,

Primeiro, nada de reclamar de comentário gigante! Quanto maior a resposta, mais eu percebo que eu o que escrevo tá sendo lido e pensado, e isso é ÓTIMO.

Vamos as suas respostas:

- Realmente, os BRICS foram uma invenção de uma empresa que publica ratings (notas que empresas dão para avaliar o risco de um país) para conseguir juntar num só grupo as economias com "maior potencial" do grupo dos emergentes. Já li em alguns lugares economistas se referindo a China e Índia como "economias baleias", pelo tamanho descomunal das suas populações, mesmo em comparação a países com populações consideráveis, como é o caso do Brasil. Mesmo assim, a análise via BRIC não é de todo mal se pensarmos que são os países "talk of the town", e que boa parte dos investidores está de olho.

- Rússia é realmente petróleo, energia e não tem como negar. Tirando que eles tem uma sorte FUDIDA de terem a Europa ali do lado enlouquecida atrás do fornecimento de gás deles.

- Mas somando um detalhe a sua análise dos BRIC: o Brasil tem como pontos fortes as commodities e exportações de produtos industrializados para os países da região. A primeira sofreu uma MEGA alta durante o período, gerando superávits na balança comercial históricos durante o período. Mas a segunda...

- O PIB sozinho realmente é um péssimo instrumento para analisar desenvolvimento de um país, super concordo (mas você tem que concordar que para a minha missão de comparar as economias, esse era o dado que eu podia trabalhar, certo?). Sobre o gráfico que você me enviou, inegável que o Real representou um turning point na redução de miséria na sociedade brasileira (até mesmo na forma como o governo resolveu conduzir as políticas sociais). Mas, em economia, muitas vezes mais importante do que o número é a forma como é calculada o número: alguns estudiosos no setor de Economia da Pobreza criticam a forma como o governo calcula atualmente a PNAD, defendendo que o critério de "miserável" dessa pesquisa exclui muita gente que vive em condições de perigo social (afinal, o que seria de esperar é que o conceito de miserável no interior da Paraíba fosse bem mais baixo do que miserável que mora na favela de Acari, onde o custo de vida seguramente vai ser mais alto).

Eu vou dar uma pesquisada e tentar fazer um post só no debate indicadores sociais, ok?

Alex Bez disse...

aplausos para o sr.Fernando!!!
caralho, demais esse post, super divertido e informativo.
pq vc insiste com este assunto de que não gosta de economia? pare de negar o óbvio, rs, vc escreve com fluidez quando o assunto é economia, H&M, ikea e viagens.
Talvez o emprego ideal para vc seja: diretor financeiro da H&M, responsavel pela implantação das novas lojas (US, europa, asia).
O QUE VC ME DIZ?
abs,

Diego disse...

A sua última pergunta, "será que só durante o governo Lula", é oportuna e espero pela sua resposta.

E quanto à Dilma no JN: não vou falar de conteúdo mas de performance. Acho que, para quem não tem carreira política, ela até que foi muito bem. O Bonner espremeu ela! Ela poderia ter se irritado e gaguejado muito mais. Imagina? Você almeja à Presidência (ou seja, tem uma pressão interna) e está diante de milhões de pessoas (pressão externa)? Acho que ela foi razoável.

Bonner espremeu tanto assim os outros entrevistados?

Don Diego De La Vega disse...

Adorei a explicação em carioquês, a metáfora do ônibus e o será, será, SERÁ? ;)

Mas...uma dica jornalística: o conteúdo é sem dúvida ótimo...mas procure colocar períodos mais curtos. Use mais o ponto final e novos parágrafos. Vai ficar mais fácil aproveitar tudo sem ter q reler pra lembrar de onde a idéia começava.

Lucas T. disse...

Curti muito o post, divertido (as usual) e informativo. ^^

Will Moritz disse...

O único problema dos economistas e das análises políticas em geral é justamente atrelarem tudo aos números da economia, como se tudo o que um governo faz pudesse ser medido em cifras. Desculpe, querido amigo, mas, pelo menos na concepção de Estado que considera mais adequada, existem muitos outros aspectos e políticas de um governo que não têm por objetivo melhorar os números da economia do país, mas sim resolver problemas importantes que cedo ou tarde vão gerar mais desigualdade. Um Estado não é uma empresa e seus objetivos não são somente os lucros. Às vezes é preciso crescer mais devagar para crescer bem. Provalemente os números da economia de países africanos produtores de diamantes são ótimos, o resto eu não preciso comentar porque todos aqui já sabemos. O que eu posso repreender do governo Lula, mas que é um problema que sempre existiu no Brasil, é o peso das cargas tributárias no salário do trabalhador e o custo do empregado para a empresa, que termina gerando esses salários miseráveis e a exploração dos estagiários e trabalhadores jovens.

beto disse...

oi, achei bem interessante seu gayconomics rsrssr...

longe de mim acreditar na coisa do "nunca-antes-nesse-país...", mas a comparação com a Argentina não é muito válida. Primeiro porque é muito mais fácil (por simples aritmética) vc ter índices de crescimento elevados depois que se sai de uma crise. Imagina que o PIB era US$100... aí cai 10%, vira US$90. No ano seguinte, cresce 10% (o que parece ótimo, dá manchetes lindas!), mas 10% de 90 é 9, ou seja, vc está com um PIB de US$99. Ainda menor que antes...
E, outra coisa, o casal Kirchner ACABOU com a independência do IBGE argentino. Então, todos os dados (PIB, inflação etc) estão muito manipulados (PIB pra cima da realidade e inflação pra baixo da real) e perderam credibilidade. Uma coisa meio Delfim Netto anos 70 no Brasil.

Sem querer ser chato, mas só pra corrigir. Quem inventou o termo BRICs não foi uma agência de ratings, mas o economista-chefe (seu colega!) do banco de investimento Goldman Sachs e a coisa pegou mesmo.

Fernando disse...

@Alex Bez: Você acabou de criar o meu novo emprego perfeito! A vida inteira viajando pelo mundo, e sempre voltando para Estocolmo? E trabalhando com moda e economia? O que mais eu quero, hein?! :D

@Diego: Preciso ver as entrevistas no Youtube. A minha semana foi um inferno.

@Will: Querido, primeiro, economia é uma ciência, portanto a gente precisa ter números, modelos para que a gente possa analisar o que queremos analisar e chegar a alguma conclusão mais ou menos lógica. Segunda, LONGE de achar que crescimento do PIB mostra grau de desenvolvimento econômico (se você perceber bem, quando eu falo de PIB subindo, eu falo de crescimento, e nunca de desenvolvimento, que envolve uma série de outros fatores). A nossa análise aqui era das declarações do William Bonner no JN, que falou sobre o PIB, e o meu objetivo era dar uma visão a mais nesse tema, ok?

E sobre números, todo economista bom precisa deles. Só que os inteligentes sabem escolher quais. ;)

@Beto: Muita gente fala desse efeito pós-crise, mas ele valeria se fosse um crescimento de 2, 3 anos. Desde 2003 o crescimento deles está acima do nosso. Tipo, efeito pós-crise já deu, néam?

Sobre os dados argentinos, isso realmente é verdade. Dizem que os dados da inflação argentina não refletem a realidade. Enfim, até agora, o que temos é isso.

E sobre o BRICs, realmente faz sentido, apesar do povo de banco de investimentos usar a classificação para ratings, certo?