terça-feira, 24 de novembro de 2009

Lisboa: Dia Quatro, Sábado

Como a noite na Lux foi ótima, acabei acordando no sábado somente as 11h (minha filosofia de férias: conhecer a cidade é importante, mas dormir bem é mister!), portanto os meus planos para conhecer Sintra... ficaram para uma próxima viagem a Portugal. Resolvi entao ir somente ao Parque das Nacoes, a regiao de Lisboa que foi reconstruída para a Expo 1998 (Cais do Porto do Rio - watch and learn!).

No metro para a Estacao Oriente
A regiao do Parque das Nacoes era até os 1990 uma regiao predominantemente industrial da regiao oriental de Lisboa, e como eu disse acima, foi totalmente reconstruída para a Expo de 1998. O resultado é simplesmente fenomenal - como eu também disse num post anterior, eu sou um grande fa de arquitetura moderna, mas sei que vários projetos excelentes acabam se tornando elefantes brancos por nao levarem em conta como eles serao integrados ao que já existe e as necessidades reais da cidade. O exemplo do Parque das Nacoes é um exemplo a ser seguido: a regiao - somente com excelentes prédios de arquitetura contemporanea - faz um contraponto perfeito a tradicao arquitetonica da regiao central de Lisboa. Extensas áreas verdes a margem do rio Tejo, prédios espacosos, modernos e funcionais, e ao fundo de tudo isso, a linda Ponte Vasco da Gama. Tudo isso sendo efetivamente utilizado pelos lisboetas. Definitvamente um exemplo para seguirmos na hora de reconstruirmos a regiao do cais do porto do Rio.

O tempo nao estava dos melhores (na verdade, um céu de nuvens bem escuras), mas mesmo assim resolvi desafiar o meu famoso medo de altura e entrei no teleférico. Um passeio bem digno, por um preco bem razoável, que provavelmente num dia de sol deve ser ainda mais fantástico.

E o teleférico tremia...
Depois do teleférico, andei um pouco pelos jardins do Parque, e quando resolveu chover de vez, resolvi entrar no shopping Vasco da Gama e fazer um pouco de terapia capitalista (compras). Na verdade, acabei nem comprando nada - uma das maiores surpresas foi constatar que os precos das lojas de Lisboa nao eram nem tao menores assim em comparacao com os precos de Hamburgo (uma cidade com fama de cara para os padroes alemaes - Berlim sim seria uma cidade bem mais barata). Alemanha barata demais mesmo, ou os efeitos do euro se deram com toda a forca em Portugal? Nao sei responder, mas acabei decidindo nem levar os livros que tanto pensei em levar - títulos que na Alemanha saem por 5€ estavam sendo vendidos em Lisboa por quase 15€.

Depois do shopping, resolvi voltar e conhecer melhor a Estacao Oriente. Eu amo arquitetura moderna, mas eu amo mais Santiago Calatrava. A imaginacao desse cara parece nao ter limites - ele e Zaha Hadid parecem ter um estoque sem fim de solucoes e idéias para provocar uma reacao de "Nooooossa" das pessoas que utilizam os prédios construídos por eles. Acima é o hall de entrada da estacao para quem ver do shopping Vasco da Gama, e abaixo, a cobertura das plataformas de embarque e desembarque dos trens. Uma das impressoes mais marcantes para mim em Lisboa é que os portugueses sabem construir prédios modernos e de bom gosto - nada de Barra da Tijuca, mas construcoes que realmente se integram a cidade e que ficam claro que sao atemporais.

Eu tinha que ir da Estacao Oriente para o Centro, e assim que vi o Alfa Pendular (o TGV da terrinha) chegando na estacao em direcao a Estacao Apolonia... resolvi que valia o risco (afinal, quem vai me fiscalizar num trem vindo do Porto, nos cinco minutos finais de uma viagem?!) e fui ver como o trem era. Me pareceu bastante justo, chegou aos 150km/h no pequeno trecho entre as duas estacoes, e pronto: posso falar que andei de Alfa Pendular. :D

Voltei a cidade para tentar tirar algumas últimas fotos, dos lugares que eu mais gostei, e também andar um pouco para me despedir da cidade a luz do dia. Foto do café A Brasileira e da estátua do Fernando Pessoa (acredita que eu nao sentei na cadeirinha e pedi para alguem tirar a foto para mim? Ia ser a foto perfeita: Fernando e Fernando!), um pouco da praca Luís de Camoes...

Policiais tugas: me prende, vai... :D
De lá desci para o Chiado mais uma vez, as ruas cheias (europeu adora um retail therapy aos sábados), encontrei a famosa livraria Bertrand (todo mundo que estudou em federal já teve ou terá alguma bibliografia dessa famosa livraria - na verdade, nada demais, uma loja parecida com uma Siciliano ou Saraiva qualquer -e mais uma vez, precos nao muito convidativos).

Livraria Bertrand: origem de todos aqueles textos que temos que ler 3 vezes para entender

Fernando Pessoa meets The Godfather? :)
Tinha andado tanto, mas tanto... que na hora que eu vi a fila quilométrica para subir em um dos famosos elevadores, eu desisti na hora - nao queria ficar naquela fila gigante para escutar brasileiro falar "AmoRRR, olha: igual ao elevador Lacerda, né?!". E ai pensei com os meus botoes: o que é viajar? É conhecer novos lugares, e se apaixonar por eles. E se eu já tinha me apaixonado por uma coisa e um lugar especial, porque nao cruzar a cidade inteira e ir fazer algo para me lembrar para sempre?

Pastéis de Belém em Belém...
Sim, eu voltei a Belém, e terminei o dia com mais pastéis de Belém. :) E voilá: mais um dia perfeito. :)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lisboa: Dia Tres, Sexta-feira

(E os posts da viagem para Lisboa continuam: sorry, Novembro tem sido um mes mega complicado!)

Na quinta fiz uma night/balada mais light, pois queria aproveitar bem Lisboa na sexta e tentar conhecer o máximo da cidade. Acordei cedo na sexta, e seguindo a sugestao do Bernardo, tomei a barca de Belém para Trafeira com ele, fazendo um passeio muito interessante pelo Tejo.

O problema? Lisboa resolveu me sacenear e virar Hamburgo.

Enfim, quem mandou vir a Lisboa em novembro...

Mas enfim, quem enfrentou passeio de barco no Rio Elba em Fevereiro, com 0°C e vento, uma semana depois de ter chegado na Alemanha (ich!), aguenta qualquer parada. E já estava super feliz com a possibilidade de poder sair de casa sem o combo casacao+cachecol+pullover, portanto já estava super no lucro.

Entramos na barca na estacao de Belém (perto do Padrao dos Descobrimentos). Primeira coisa que eu dou de cara na barca?

Hamburgo stalking me

Depois do momento "Até aqui essa cidade me persegue!!!", tentei aproveitar o passeio de barco pelo Tejo. Obviamente, na primavera e verao esse passeio deve ser espetacular, mas ele também tem o seu charme no outono lisboeta.

O paciente Bernardo, que aturou os meus acessos hiperativos durante 4 dias :)


Eu, de novo, em uma das minhas 350 auto-fotos

Bernardo desceu na primeira parada, e me deu a sugestao de ir até Trafaria, de onde eu pegaria um onibus para ir até a praia de Caparica (diretamente no Atlantico). Trafaria parece uma comunidade um tanto quanto decadente de pescadores, mas achei interessante ver um lado B de Lisboa (afinal, Rio de Janeiro nao é Ipanema, nem Sao Paulo é Jardins, certo?). Caparica me pareceu ser uma daquelas cidades somente de veraneio - grande estruturas, mas ruas bem vazias e aquele clima de "esperando o próximo verao chegar".

Trafaria, e do outro lado do Tejo, Belém

Caparica parece nao bombar muito no outono...

Confesso: eu tinha pensado "Pra que ver o Atlantico?! Eu quero é comer pastel de Belém!" na hora em que foi me sugerido o passeio. Mas foi uma experiencia incrível poder ver o Atlantico mais uma vez. Na adianta: eu sou carioca, eu adoro o mar, e um dos meus programas preferidos é pegar um coco gelado, sentar na areia e curtir o por-do-sol escutando aquele barulhinho de ondas batendo na areia (de preferencia escutando "Alone in Kyoto", do Air). Aqui em Hamburgo até eu tenho um programa semelhante a esse: sentar na Jungfernstieg e ficar olhando as luzes dos prédios refletirem no Alster. Mas nao tem onda, tem vento demais, e quase sempre chove (novidade em Hamburgo, hein?). Portanto, foi um momento "Back to my old self" sentar naquela areia da praia e ficar durante uns 5 minutos sosessagado (uma eternidade - amigos meus, qual foi o máximo de tempo que voces ja me viram ficar calado + quietinho?), somente curtindo o paisagem.

Surfistas tugas: Porreira... :)
O tempo nao se decidia entre ficar bom e ficar ruim, mas como quem enfrenta Báltico e Norte da Europa acha que chuva só incomoda na hora em que uma camada de gelo comeca a se formar no seu nariz, estava yo no lucro. O Bernardo me ligou, e fomos almocar em um dos restaurantes-clube localizados na praia.

Com vista para o Atlantico e sol!
Depois do nosso almoco, voltamos em direcao a Belém, onde Bernardo (depois de duas horas de trabalho já estava cansado - eeeee tradicao portuguesa de trabalhar muito, hein? :) Brincadeira!!!) me abandonaria para fazer o tour de atracoes histórias em Belém.

Pelo Tejo...
O Padrao dos Descobrimentos foi o meu primeiro alvo, e sinceramente o meu preferido da regiao. Sou um grande entusiasta da arquitetura dos anos 60-70 e acho interessante como foi levado a cabo esse desafio de construir coisas belas sem insistir na batida fórmula coluna grega + alto relevo + estátua sem braco no jardim da frente. O monumento é simplesmente magnífico... e claro, bate um orgulho de estar representado nele.


Mosteiro dos Jeronimos: o prédio mais incrível... que eu nao entrei na minha vida
Depois do Padrao dos Descobrimentos, segui para o destino mais óbvio que é a Torre de Belém para tirar somente algumas fotos, pois já eram quase 17h e entrar na torre em si já nao era mais possível. No mapa, o bairro de Belém nem parece tao grande assim, mas depois de ter andado Lisboa inteira no dia anterior (sobe-desce-sobe-desce-anda-na-rua-de-paralelepipedo), eu cheguei ao Mosteiro dos Jeronimos sem forca alguma para entrar dentro do Mosteiro (que já estava fechado) e ficar mais outra hora observando a arquitetura incrível do local. E na verdade, eu resolvi ser sincero comigo mesmo: eu vim para Belém, na verdade, eu vim para Lisboa por um motivo muito claro, e tava enrolando até entao. Qual o motivo?

Os Pastéis de Belém!
Os pastéis de Belém realmente merecem toda a fama que eles tem. No dia anterior eu tinha comido dois pastéis de nata na Confeitaria Nacional (a antiga confeitaria que abastecia a família real portuguesa, entao nao era qualquer confeitaria!) que tinha considerado muito bons (claro, meu parametro de comparacao eram os pastéis de nata do Habib's e daqueles quiosques "Delicias Portuguesas" nos Sendas do Rio). Mas na hora que eu coloquei esses pastéis de Belém na boca, eu me xinguei por cada centavo de euro gasto em qualquer outro pastel de nata. E olha que os pastéis de nata nem sao caros - somente 0,90€, um preco bastante acessível em se tratando de Europa. Eu poderia comer dezenas, centenas, milhares desses pastéis de Belém sem enjoar. Sim, eu adoro doces (para mim a parte salgada do almoco/jantar é meramente uma desculpa para a sobremesa), e esse pastel é simplesmente magnífico: o doce da nata, a crocancia da base em mil folhas se despedacando na sua boca... Para complementar, o garcom ainda me alertou "Tem guaraná aqui, tá?!". Meus olhos brilharam. Eu só lembrava daquele comercial do "Pipoca e Guaraná / Que fome que dá...", aquele barulhinho de guaraná fazendo tshhhhh... Eu nao aguentei, e pedi um. Sim, eu consegui comer 4 pastéis de Belém e um Guaraná (que em Portugal é bem mais doce do que no Brasil... Nao sei porque) e sair da Antiga Confeitaria de Belém sem uma diabete. Acho que o meu pancreas deveria seriamente ser enviado para estudos.

Bernardo no Pavilhao Chines
Depois da orgia da glicose em Belém, voltei para casa, me arrumei e eu e o Bernardo partimos para o Chiado. Jantamos num restaurante chamado Sacramento, onde eu comi o melhor prato que eu já pude comer na minha vida: steak tartare. Eu já havia lido sobre o prato, várias recomendacoes de restaurantes para comer o delicioso e um tanto quanto exótico prato (afinal, é ainda carne crua, néam?), e quando li o prato no menu, resolvi tentar. Nao me arrependi: foi o melhor complemento aos meus pastéis de Belém que eu poderia ter no mundo. E quando olho para o lado, vejo a frase do Fernando Pessoa que inspirou um dos meus posts in Lisboa. De lá partimos para o Pavilhao Chines, um bar member of the family com uma decoracao absolutamente incrível, onde eu e o Bernardo bebemos até ficarmos bastante sorridentes... E de lá, segui sozinho em direcao a famosa boate Lux, perto da Estacao de Santa Apolonia, do outro lado da cidade (outro detalhe: taxis em Lisboa sao MUITO baratos em comparacao com o resto da Europa. E eu diria, em comparacao com as cidades brasileiras também).

Mais fotos nao foram permitidas pelo meu estado de equilibrio depois de 3 tacas de um excelente vinho branco e um seguranca incrivelmente lindo (sabe aquele tipao modelo Hugo Boss? Alto, cara de sério, usando um terno... O único clube que eu já entrei onde os segurancas conseguiam ser mais bonitos do que a clientela já bonita). Mas o clube vale toda a hype que tem: estrutura excelente, música excelente, gente bonita e zero de carao. Sai da melhor boate de Lisboa me perguntando: porque insistimos tanto no carao em algumas nights do Rio (00, The Week)? Afinal, se os lisboetas bem nascidos e bonitos estao afim somente de curtir e viver a vida.... porque nós nao seguimos esse exemplo? Enfim...

domingo, 22 de novembro de 2009

Locomia?

Definitvamente, o melhor de conviver com gente do mundo todo é poder ter acesso a coisas extremamente malucas e especificas de um país. Afinal, se eu nao conhecesse o espanhol estudante-de-filosofia-com-a-bunda-peluda, quando eu iria conhecer essa MARAVILHA chamada Locomia?

Sin palabras. Tem que assistir para entender. Completamente trendsetters. :D






Questionamento: Porque toda música em espanhol sempre tem "caliente", "besame" e/ou um "baila" com vozinha sussurando?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Curta: Fernando's European Bitch Tour 2009

4 horas de passagens, uma porrada de sites e planilhas de Excel (economista: vejo o mundo por uma planilha de Excel) montadas tentando achar o roteiro perfeito, mas que ao mesmo tempo me permitisse ter pelo menos uma refeicao diária (sem precisar me prostituir ou vender algum orgao sobressalente meu pelo caminho). Porque sim, os meus excessos consumistas em terras alemas agora sem vingaram de mim, mas eu finalmente consegui montar o meu roteiro de viagem para dezembro!

E as escolhidas sao:

2 de Dezembro - 5 de Dezembro: Frankfurt am Main, Alemanha


5 de Dezembro - 14 de Dezembro: Paris, Franca


14 de Dezembro - 21 de Dezembro: Madrid, Espanha


21 de Dezembro - ? (se conseguir algum lugar para dormir por lá, alguns dias, senao é só mesmo um passeio diurno que terá que ser rápido...): Roma, Itália

24 de Dezembro - 26 de Dezembro: Pisa, Itália (e claro, também um passeio a Florenca).


26 de Dezembro: Hamburgo, noch einmal.

(E ainda terá o tour pelo Leste da Europa durante o Ano Novo!!!! Definitivamente, 2009 será um ano que eu lembrarei para sempre. E o gerente do meu banco também. :D).

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Curtas: O tempo em Hamburgo está acabando...


- Muito, mas muito atolado com o final do estágio aqui na grande empresa alema (mais genérico, impossível) em que eu trabalho - por isso os post mais curtos (logo isso mudará, e os meus posts gigantes voltarao hehehe). A vida é injusta: quando eu cheguei aqui na empresa, achei os estagiários todos um bando de nerds chatos. Agora, depois de quase 6 meses, fico triste só em pensar que nao vou encontrá-los mais todo dia, nem escutar as piadinhas que eles fazem sobre o meu sotaque em alemao. :(

- Esse sentimento também se espalhando com a minha relacao com a cidade: quase ontem estava chegando de Lisboa e odiando ter que voltar para Hamburgo. Ontem comecei a planejar as minhas viagens finais aqui na Europa (em dezembro), e percebi que tenho somente mais duas semanas em Hamburgo, depois o curto período entre Natal e Ano Novo, depois mais alguns dias em 2010... e logo depois embarco para Zurique, de onde volto para o Brasil - somando tudo, dá menos de 30 dias aqui. Meus amigos hamburgueses já me ligam pedindo para fazer mais coisas com eles, porque eles também já perceberam que o meu tempo está acabando aqui. E eu percebi somente isso... ontem. Depois de quase 1 ano aqui, eu vou ter que me acostumar sem a vida que eu me acostumei a levar em Hamburgo. E nao sei como eu vou fazer isso. :(

- Medinho de voltar ao Rio. Medinho de ter que retomar a vida que eu deixei ai em fevereiro de 2009. Medinho de as coisas terem mudado demais desde que eu vim para a Europa e eu nao reconhecer quase nada. Medinho de os meus amigos encherem o saco de mim durante o período de adaptacao, que eu sei que será bem dificil, e dos meus discursos (que serao inevitáveis) "porque na Europa eu fiz isso". Medinho de ter que me readptar mais uma vez a uma realidade completamente diferente. :(

- Mas saudades do Rio. Saudades do cheiro de mar. Saudades de suco natural feito na hora. Saudades da sensacao boa de pele bronzeada. Saudades do por-do-sol em Ipanema. Saudades de sair com os meus amigos num chopp para o Odorico. Saudades de ver o Pao de Acucar nas janelas do IE (Instituto de Economia - UFRJ). Saudades de falar portugues o dia inteiro, de utilizar vocubulário complexo.

(Ok, chega de momento nostálgico-depre: vamos aproveitar o tempo que ainda resta, que dá para causar muito em Hamburgo ainda!)

 - Viagens em dezembro? Até agora, destinos definidos: Frankfurt e Paris. Depois, na dúvida entre Itália... ou Estocolmo mais uma vez. Itália é um lugar novo, é Itália, Itália é tutto, I know, I know... Mas estou num orcamento mega apertado (tipo, somente um pouco acima da linha de prostituicao forcada), portanto nao daria para fazer as loucuras turísticas que uma viagem na Itália merece. Ficaria em Pisa, iria a Florenca, e talvez um bate-e-volta em Roma. Entao porque Estocolmo? Porque lá eu sou feliz sempre, porque lá eu tenho uma das amizades mais fortes que eu fiz aqui na Europa, porque lá tem pessoas que gostam muito de mim e me fazem sentir em casa. E porque eu nao quero sair da Europa sem ve-las e dar um último adeus, sem saber quando as verei mais uma vez. Motivo meio bobo, né? Mas é assim que eu sou: um daqueles que acha que tudo muda quando se tem pessoas que se gosta por perto. Enfim, veremos.


- Felicidade bobinha do momento: irei de Frankfurt para Paris em um TGV! :) Somente 39€, mais barato até do que de onibus. Amo trens: nunca entendi a fixacao dos garotos por Autorama, porque achava o Ferrorama infinitamente mais legal. Ah, e desconsiderem o meu conselho de nao ver passagens de trem pelo site da Deutsche Bahn: o preco estava infinatamente menor no site alemao. O problema? Somente na versao em alemao do site alemao (mas se os meus leitores forem bonzinhos comigo, eu até aceito prestar consultoria na busca de passagens, de grátis. Ou melhor, de grátis nada: por um pacote de Haribo, importado daqui. :D).

- E como sempre o final fica para o melhor, tive que tomar a minha decisao de como passaria o meu final de ano. Plano 1: com o meu melhor amigo alemao, no apartamento mega ultra fodástico dele, jantando com vista para o Alster com a porcelana Versace (odiava essa porcelana: ela nao pode ser lavada na máquina de lavar-louca, portanto, é jantar e depois partir direto para a pia. Conceito de luxo e sofisticacao torto para mim), tomando um Dom Perignon enquanto vejo os fogos da cidade refletindo no lago. Plano 2: 7 dias de viagem, 6 cidades em um carro alugado de 9 lugares pelo Leste Europeu com 9 amigos héteros (mas gostosos), tomando vinho e vodka barata e dormindo no carro. Roteiro: Praga, Bratislava, Budapeste, Cracovia, Wroclaw e Berlim. Qual voces acham mesmo que eu escolhi? :D

P.S.- Caso nao tenha ficado meio claro a minha escolha no último ponto, claro que eu escolhi o plano 2. Vista bonita, Dom Perignon e Porcelana Versace dá para encontrar em qualquer lugar. Experiencias malucas, viagem com amigos e um final de ano inesquecível... certamente nao. :D (Isso para alguns amigos que acham que eu sou "... extremely materialistic and snob...". Vafanculo, carissimo amico! :D).

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Meda: O que está acontecendo com Hamburgo?


Na sexta, fazendo um happy hour com amigos alemaes num bar gay friendly daqui, sou abordado por uma criatura que tinha me visto há milenios em um clube de Hamburgo com a seguinte pergunta "Posso fazer uma oferta e um pedido? Sai comigo para jantar, na segunda?". Na L-A-T-A, assim mesmo. Fernando com cara de choque. Fui pego tao de surpresa, mas tao de surpresa que a única reacao que eu consegui esbocar foi um "WIE BITTE?" (= Como assim?).

Mais tarde no Moondoo, parecia que Afrodite tinha baixado na concha de Boticelli por lá, girado o cabelo num drag queen move, e falado "Rodada de pocao do amor para todo mundo ae! Vamos beijar, galeeeeera!!!" - todo mundo suuuuuuuper animado. Lá pelo meio da noite, só sinto alguém pegando no meu braco, e falando no meu ouvido "I zhink you are SOO pretty!" e preparando "aquele abraco" para cima de mim - olho para trás, era um one night stand dos meus primórdios de Alemanha (quando eu ainda estava na fase primeira "I love Germany" - que foi seguida das fases "I hate Germany", "I hate Germany - The English didn't bomb here enough" e finalmente "I can stand Germany, because buses come on time there").

Ontem, estou voltando para casa feliz e contente ("Pela estrada afora eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha..."), e enquanto passava em frente ao café gay que existe do lado da minha residencia estudantil, só escuto um sonoro "WOW... Lecker!" ("Uau, gostoso!").

E hoje, enquanto descia para a cantina daqui do escritório em busca do meu café sagrado de todos os dias, uma outra respeitável criatura lá embaixo acompanha a minha descida dando uma olhada, mas uma daquelas olhadas que eu quase que me desconcentro e desco o resto do caminho rolando escada abaixo - (gente, afinal é ambiente de trabalho, e vocacao para estagiário-piranha eu nao tenho nao... Bem... na verdade, depende do chefe, néam?).

O que tá acontecendo com essa cidade, meodeus? Tamos em Hamburgo: simpatia, clima de paquera e azaracao defintivamente nao é forte dos locais - afinal, eles nao devem ter nem vitamina E suficiente para se motivar a fazer isso! Isso nunca tinha acontecido antes nao... Andaram fazendo currywurst com base naquela receita do amor da Elvira e distrubuiram para a alemaozada toda?

(Bem, se continuar assim, nao sei se quero voltar para o Brasil nao... :D).

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lisboa: Dia Dois, Quinta-feira

(Achtung! Post longo, muito longo, eu sei. Nao adiantou: eu tentei resumir o que eu tinha escrito, diminuir o número de fotos... mas ao mesmo tempo nao queria perder os detalhes, o espírito da viagem para Lisboa. Entao ficou do jeito que está: para quem aguentar ler apesar do tamanho, obrigado... e para quem reclamar, clica ali no canto direito e vai ler Twitter, tá? :D)
Finalmente, Lisboa de dia! :) O dia amanhece com um tempo nao muito bom para quem vem dos trópicos, mas perfeito para quem vem de regioes “mais desfavorecidas de vitamina E natural” (nada como morar na Europa do Norte para mudar completamente as suas percepcoes de tempo ruim / tempo bom). O apartamento onde estou fica incrivelmente bem localizado, com uma vista mais bela ainda durante o dia para o Tejo. Essa minha viagem para a Europa tem me deixado muito mal acostumado: RÁ que eu podia tomar meu pequeno-almoco com uma vista dessas no Rio.

A primeira surpresa com Lisboa durante o dia é com relacao as formas. Enquanto tudo em Hamburgo é ordenado, planejado, correto, uniforme, plano... Lisboa é uma explosao de cores, telhados, ruas inclinadas e texturas. E isso se aplica em tudo, inclusive nas pessoas, com as mais diversas origens e tons de pele. Sempre tive uma grande paixao por tudo de diferente, exótico e novo, e em alguns momentos me questionei “Será que deveria ir para Lisboa mesmo?” (afinal destinos exóticos na Europa nao faltam...) mas confesso que fiquei feliz de me “sentir em casa” de novo. Precisava desse “home sweet home” por alguns dias e Lisboa cheira, parece, vibra como casa, como o Rio de Janeiro.

Enfim, chega de crise do “eu-sinto-saudade-do-feijao” e vamos para o turismo puro e simples! Como eu falei no post sobre viagens, eu sou especialmente ruim para criar planos de viagem inovadores e totalmente originais. Aquela coisa de “eu nao compro guia de viagens, mas simplesmente me deixo levar pela cidade” nao funciona de forma alguma comigo: o máximo que eu chego assim é no Mac Donalds da esquina. Portanto, seguindo o meu guia de viagem, vamos a atividade mais turística possível de Lisboa: O Eléctrico 28! :)

O Eléctrico 28 é perfeito: parte do sistema de transportes de Lisboa, passa pela maior parte dos pontos turísticos e históricos da cidade – portanto, voce entra em um daqueles horrendos bondes turísticos (com turistas americanos vestidos como se estivessem indo para um safári) só se voce realmente quiser. Como Lisboa é uma cidade bem inclinada (do tipo de fazer Salvador parecer Brasília), é uma ótima pedida para todos aqueles com um espírito meio Garfield, e também para olhar brevemente os pontos turísticos principais e depois ir decidindo onde se quer parar. Além disso, o próprio bonde em si é lindo: os lisboetas tiveram a sacada de deixar os bondes mais antigos para os trechos mais históricos, e somente nos percusos mais urbanos os bondes mais modernos tomaram o lugar.

Quero casar A-Q-U-I
O meu objetivo era ir ao Castelo de Sao Jorge, mas claro, peguei o bonde na direcao errada, e fui para o lado contrário do que eu queria. Sem problemas, estamos de férias, Lisboa é linda, e fui aproveitando a vista da cidade – tanto do lado de dentro, como do lado de fora. Os lisboetas, principalmente os mais idosos, sao uns fofos: todos com aquele jeitinho de vovo Manuel, elegantemente bem vestidos e cheios de atitude. Chego no ponto final, e como tenho que esperar o bonde voltar, decido dar uma volta. Uns turistas interessantes se encaminham para uma igreja, e como eu tenho que esperar ainda também, sigo atrás. Afinal, virtude e pecado sao o meu sobrenome (hehehe).

Velinhas para promessa de LED: Amei o Capitalism meets Religion meets Eco-Sustaintability
Depois do momento “menino católico bonzinho”, sigo em direcao ao Castelo de Sao Jorge, parando antes no Largo Portal do Sol. Enfim, quando o guia descreve, voce acha que só um lugar com vista bonitinha, nada de muito importante. Mas quando voce chega, voce se depara com isso:

Fiquei um cinco minutos com o queixo caído, e a única coisa que eu conseguia pensar era "U-A-U!". Nenhuma foto que eu tirei conseguiu captar de forma exata a vista que esse lugar tem: uma infinidade de telhados, torres de igreja, prédios com essas paredes em tom pastel, enfim: Lisboa inteira descendo em direcao ao Tejo. Eu adorei todas as cidades que eu vi até agora na Europa, mas esse tipo de vista panoramica... até hoje eu só tinha encontrado no Rio de Janeiro.

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graca...
E enquanto eu tentava sair daquele estado de extase com uma das vistas mais lindas que eu já pude ver na minha vida, esse senhor aí da foto consegue tornar tudo ainda mais perfeito. No momento em que eu me convencia que tinha que seguir em frente, ele comeca a tocar "Garota de Ipanema". Aí já foi impossível para o carioca nostálgico e fa de bossa nova aqui manter o coracao frio: eu parei, escutei ate o final, e deixei os meus 2€ para o senhor que certamente me deu uma memória inesquecível.

Depois de me desvencilhar de uns 3 (irritantes) vendedores angolanos de bugingangas turísticas (todos falando comigo em italiano - merda de nariz proeminente!), fui seguindo em direcao ao Castelo de Sao Jorge. Ruas calmas, castanheiras fazendo sombra em pequenos largos, e mesmo com o intenso fluxo de turistas, as pessoas seguindo a vida normalmente como se estivessemos num bairro residencial.

Cenas lisboetas: esse senhor, discutindo seriamente (inclusive, batendo com a bengala) com... esse limoeiro. Motivo? Nao faco a mínima idéia...
O Castelo em si é um forte que tem suas origens na época da dominacao árabe da Pensínsula Ibérica (Fernando meeting family?) e tem uma exposicao permanente de achados arqueológicos que conseguiu atrair a minha atencao por mais de 15 minutos ( acho arqueologia super válido... mas sinceramente: caquinho de prato de ceramica, agulha de cobre enferrujada e panela velha de barro? Meio chato, néam?). Mesmo assim, claro que o principal fato de se visitar o forte é a vista – no topo de Lisboa, a vista do forte é simplesmente fenomenal e vale cada centavo de euro gasto na entrada. Duvida?

Uau, uau, uau...
Devo ter tirado uns 30 fotos, todas dessa mesma vista de Lisboa, todas absolutamente fantásticas. A cidade inteira aos meus pés, e todos os turistas completamente sem palavras com a belíssima vista de Lisboa. Algo parecido talvez com a reacao que se tem quando se visita o Corcovado ou o Pao de Acucar no Rio.


A pessoa que vos fala :)
Depois de ver a cidade inteira de cima do Forte, surge a vontade de descer e ir conhecer Lisboa realmente das ruas... e junto com isso a fome aperta. Em Lisboa, como um lisboeta: preciso comer algo da culinária portuguesa, penso eu. O problema: eu sou alérgico a tudo o que vem do mar (afinal, até o meu sistema imunológico tem HORROR a "bacalhau".. :D), portanto metade da culinária portuguesa está vetada a mim. Bem, ainda tem a outra metade, néam?

Pastéis de Nata... valendo!
Confeitaria Nacional, um ótimo capuccino, pastéis de nata e croquete de carne (comprado somente para servir de desculpa psicológica que eu tinha feito uma refeicao, e que os pastéis de nata eram meras “sobremesas”), e algum tempo sentado vendo a vida e Lisboa passar na minha frente. Depois do momento de relax, mais um ponto turístico – a belíssima rua Augusta, que concentra as tradicionais lojas lisboetas e vendedores de castanhas portuguesas assadas, em direcao a Praca do Comércio (que infelizmente estava em obras! A tradicional foto desse ponto turístico fica para uma próxima viagem para Lisboa entao).

You say yes.... I say no...
Depois de mais um momento "uau" resolvi que eu já merecia um pequeno descanso do intensivo dia de turismo (afinal, nada melhor que um bom dolce far niente - preguica é definitivamente o meu pecado preferido :D), voltei para a Praca do Rossio e segui a dica do meu guia de viagem - a famosa ginjinha lisboeta, por somente 1€. Engracado nao conhecermos essa tradicional bebida de Lisboa: um brandy de cerejas, com um gosto muito bom e muito apreciado pelos locais. Enquanto bebia aproveitei para me sentar num pequeno largo, enquanto via os imigrantes africanos conversarem em alguma idioma incompreensível e olharem para mim com aquela cara "O que esse italiano está fazendo aqui?".

Ginjinha... Hmmm...
Com o dia caindo, eu pensei que seria uma boa idéia terminar o dia de turismo com alguma bela vista, portanto claro, nada melhor do que ir para perto do rio Tejo. A escolha nao podia ter sido melhor - o dia nublado se tornara ligeiramente mais ensolarado, permitindo algumas fotos incríveis, o sol se punha e as pessoas tentavam fazer uma pequena pausa para aproveitar o espetáculo de final de tarde. Novembro, e vida ao ar livre: saudades das possibilidades oferecidas por um tempo melhor. E o dia ideal em Lisboa termina da melhor forma possível. :)

Podia ser melhor? :)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Freitag, Freitag, Freitag


Friday and Saturday, all the ways lead to Reeperbahn
Sinceramente acredito que Einstein elaborou a maior parte da teoria da relatividade dele numa sexta-feira de tarde, durante uma chatíssima aula de Física XII. Porra, que horário da semana mais difícil de passar, carajos!

Anyway, em exatamente 12 horas estarei eu na Reeperbahn, enfiado dentro de um casacao de inverno tentando nao congelar nesse outono agradabilissimo (para Iakutsk), com um copo de alguma coisa + vodka de altíssima qualidade (e duvidosa origem) na mao, fazendo o meu tour de whore pelos clubes da famosa Reeperbahn. Todo final de semana, a mesmíssima coisa, mas... para que mudar, néam? Sempre é divertido para caralho! :)

Roteiro básico de uma noite de estudante de Erasmus:

Parte I - Festa por algum motivo absolutamente aleatório

Mae, mas eu estudei TAAANTO na Europa...
Vale qualquer motivo: aniversário de alguém do grupo, aniversário da nossa chegada em Hamburgo, comemoracao do dia da independencia da Finlandia... mas sexta-feira tem que ter jantar com comida exótica + festa regada a muita Gorbatschow (versao local da famosa vodka Natasha, amicíssima dos estudantes de federais cariocas) + povo dancando como um maluco em alguma das residencias estudantis!

E o bom de ter amigos americanos (apesar das pérolas tipo "Onde fica a Finlandia?" e "Eu pensei que Bangladesh era uma cidade na Índia") é que eles sao world champion nesse quesito: eles sabem organizar house parties como ninguém no mundo. Que porra estamos fazendo na foto acima? Jogando o famoso beer pong. O que é isso? Descricao no link do wikipedia que eu coloquei aí. Os efeitos disso? Bem, prefiro nao comentar...

Parte II - Reeperbahn

Rua Augusta de Hamburgo: cheio de menina virtuosa...
Lá para uma e meia da manha, quando o apartamento do anfritiao já está parcialmente destruído, envolto em uma neblina espessa de fumaca de cigarro, e todos os sofás absolutamente encharcados de drinks derramados (liga nao: os móveis de residencia estudantil aqui na Alemanha parecem ter sido feitos a prova de estudante muito louco. Passa um Veja que amanha tá tudo bem), alguém solta o "E ae, vamos para a Reeper?!". E pronto: uma cambada de estudantes pegando os casacoes pesados (a gente é solidário: quem nao consegue se vestir, a gente ajuda - solidariedade sempre, né?) e partindo para o U-Bahn mais próximo.

No caminho, claro que os meus amigos heteros sempre zoam com os alemaes AINDA mais bebados (imagina um visigodo de 2m de altura, encharcado de cerveja de má qualidade, berrando rouco em alemao? Esse é o pessoal com quem a gente cruza no metro). E todos esses gambás totalmente encachacados confluem para a Reeperbahn, o distrito dos clubes noturnos de Hamburgo!

Reeperbahn tem uma loooonga história de prostituicao, bebida e muita diversao: é a antiga zona de diversao do porto de Hamburgo, onde os marinheirinhos iam se satisfazer depois de meses no mar. Aliás, foi aqui que os Beatles ficaram na primeira saída como grupo deles de Liverpool! Hoje em dia, quem invade lá mesmo sao os turistas e estudantes de Hamburgo, em busca dos mais variados tipos de diversao. É o lugar mais eclético da cidade mauricinha, onde o povo mais working class se junta com os playboys motoristas de Mercedes/BMW para se divertir, enquanto as prostitutas agarram voce pela gola oferecendo programa (sim, isso acontece, e nao adianta falar que voce é gay, porque elas respondem "Ok, PROVE IT!"). Melhor vibe ever!

(E o melhor, suuuuper gay friendly. Alemao reage ultra bem a cantadas - mesmo sendo ele hetero, gay, bi ou nao muito seguro do que ele quer... hehehe).

E na Reeperbahn existe um mundo de bares e boates legais, todas com uma ótima selecao de música e bebidas. Nomes?

Moondoo/136° : a minha favorita de Hamburgo (a da doorwoman/man brasileira). No andar de cima, a Moondoo - boate dos descolados e in de Hamburgo, maior juncao de gente bonita da cidade afim de bater cabelo e badalar até cair. No andar de baixo, a 136°, um clube gay bem legal no qual as bees da cidade sempre acabam a noite. Ou seja: na hora que encher o saco das bees, dá para escapar para cima e ir badalar com as bees que tiveram a mesma idéia que voce! heheeh Ah, e segundo o site, um dos DJ's que tocam na casa todo sábado, chamado Micky Friedmann, é também residente da The Week de Sao Paulo.

Halo: club hetero mais fodástico da Größe Freiheit (a rua das ruas da Reeperbahn, que está na foto do início dessa parte do post). Benny Benassi, Fedde le Grand e outros everbody knows tocam sempre na casa. Muito legal com um bom grupo de amigos, mas sinto uma vibe de Baronetti demais.

Thomas Read: um grande bar com boate com temática irlandesa. Parece meio cópia de trocentos Shenanigan's e Lord Jim's da vida, nao é? Pois bem, é bem melhor. Cerveja irlandesa da melhor qualidade, com uma música muito maneira e um pessoal menos play do que na Halo, mas menos carao do que na Moondoo.

E para terminar, tinha que postar os hits locais das nights alemas (porque "I gotta a feeling" e "Sexy Chick" deve tocar até em cerimonia de circuncisao feminina em Timbuktu). Afinal, essas serao as músicas que eu nao vou escutar de novo quando voltar ao Brasil... e que sempre vai bater uma mega saudade daqui:

- Deichkind - Krawall und Remmidemmi

Deichkind é de Hamburgo (como TODO hamburgues me fala com muitíssimo orgulhoso, algo na vibe "Viu só? Nao é só Berlim que tem música legal!"), e Krawall und Remmidemmi é hit absoluto nas festinhas daqui. Nunca entendi a letra direito (to sem saco de procurar também... heheeh), mas o refrao cola na cabeca que nem chiclete, e nem precisa falar alemao para berrar isso no nightclub.

- Frauenarzt und Manny Marc - Das Geht Ab

Nao consigo contar as vezes que lá no meio da madrugada (cheio de Gorbatschow na veia) me peguei berrando o refrao " HEY! Das geht ab, wir feiern auf die ganze Nacht..." em qualquer uma das boates citadas acima. Melhor vibe, impossível: os caras sao de Berlim, sao muytcho locos, e criaram a party song perfeita. O vídeo é hilário, apesar do remix ser o mais tocado nos clubes daqui.

(Bom finde para todo mundo aeeeeee!)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Meda: Schweinegrippe


Jantar do Erasmus hoje. O que significa, vários grupos de estudantes dos quatro confins do mundo (quatro mesmo - tem uma garota do Bangladesh total adepta do thammygretchismo). Pessoal viajou horrores nos últimos tempos. Chegou outra penca de pessoal no grupo. Resultado: uma grega maluca e um turco já foram diagnosticados com gripe suína. Eventos cancelados, festinhas canceladas, porrada de coisa cancelada.

Duas amigas fazem aniversário, e decidimos que uma gripe suína nao vai parar a gente. Afinal, semestre de intercambio é só um, e a gente tem que aproveitar. Mas o medo de pegar esse troco e ficar 1 semana de molho em casa, sem papai e mamae para cuidar, ter que ir no médico e falar em alemao os sintomas? Phoda que sempre sobra pra mim, o que fala alemao mais razoavelmente no grupo, a tarefa disso. E o medo de cair doente na reta final do meu estágio?

E merda que nao rola nenhum gay friendly no grupo para rolar um home care básico. :( (hehehehe) Bem, até rola, mas é um espanhol alternativo demais (out of Prada world demais para mim). E tem bunda peluda, como ele fez questao de mostrar numa das fotos que ele fez com uma outra estudante de moda. Nojinho. Ou melhor, nojón.

Melhor ir tomar um Apracur, tomar um banhinho de sal grosso, me encher de espumante da Macedonia vagabundo e ir para lá...

Curtíssimas: Valeu Sankt Peter!!!!

- Meus batuques, oracoes e mandingas foram atendidas: o tempo melhorou ligeiramente aqui em Hamburgo!!! Sao Pedro, valeu, Iemanjá teu despacho esse ano vai ser com espumante Mümm, tulipinha holandesa e conjunto de espelhinho e pente Sephora!!! Os objetos no meu quarto tinham sombra da luz do sol (!!!) quando eu acordei hoje de manha! Enfim, resolvi tirar uma foto para registrar esse momento histórico e raro de outono hamburgues:

Janela do meu quarto, hoje de manha (percebam o leve tom de azul bebe misturado com branco no céu. Isso é tempo bom. Ah, e by the way, com as folhas das árvores caindo, estou descobrindo várias coisas que eram vizinhas a mim, mas eu nao tinha idéia que existiam porque ficavam escondidas pelas folhas das árvores!)

Para comparar, foto do dia em que eu fui para Portugal, quarta-feira passada. Sim, eu também achava isso lindo quando cheguei na Alemanha fevereiro passado, mas agora...

Enfim, sao 10h aqui, e AGORA o sol tem aquele brilho de que realmente ja está no céu. E ainda tem o inverno pela frente... Danke Gott, Januar: Praia, aí vou eu!!! (e depois chorarei lágrimas salgadas lembrando de tudo daqui da Europa: mierda, a vida sempre é estar insatisfeito!).

- 3 semanas para acabar o estágio, e depois, férias!!! Mal posso esperar: dezembro inteiro viajando pela Europa, conhecendo finalmente os lugares que eu quero conhecer. Sou um tipo de turista que curte mais sentir a vibe de uma cidade do que bater cartao em 19 cidades européias em 2 semanas (nada contra, mas planejamento nao é o meu forte e DDAH é o meu sobrenome) portanto Paris vai ter no mínimo 9 dias e encaixarei duas outras cidades que ainda escolherei nesse programa. Ah, Paris... Eu nao saio da Europa nem fudendo sem conhecer Paris: tenho vários sonhos-cliches-romanticos para realizar em Paris (tomar café no Café Flore lendo o Le Monde - de boininha e fumando; picnic com champagne e queijo frances fedido nos jardins perto da Torre Eiffel - de boininha e fumando; passear pela Avenue Montaigne escutando "La vie en rose" no meu iPod - de boininha e fumando). Pena que estou indo no alto outono, mas enfim: é Paris, e Paris vale a pena em qualquer época do ano.

- Mas bate um medinho: todo mundo tem uma cidade européia que O-D-E-I-A. Até agora, eu achei Berlin válida, Copenhagen fofíssima na primevera, Londres o lugar-dos-meus-sonhos, Estocolmo incrível, incrível, incrível e Lisboa a minha casa dos sonhos na Europa. Será que eu sofro da síndrome de Poliana versao viagens na Europa (acho tudo liiiiiiiiiiiindo)?! E se essa maldicao for verdadeira mesmo?! E se Paris for a cidade que eu vou odiar?! Ah, NAO: eu nao tenho estrutura emocional para odiar Paris. Tenho muito cliche romantico ligado a essa cidade, e vai ser uma merda mudar de lugar romantico-ideal a essa altura da vida.

- Mas amigos do trabalho parecem realmente chateados com o fato de que eu sairei no final do mes. Hoje eu comentei com um amigo que felizmente eles poderao dividir o trabalho de forma mais igual, afinal o próximo estagiário deve falar alemao melhor do que eu. Sabe o que eles responderam? "Mas com certeza o próximo estagiário nao será tao simpático e legal como voce". :) Pode isso? ;)

- A árvore de natal do Weihnachstmarkt (Mercado de Natal) na praca da prefeitura de Hamburgo já comecou a ser montada! :) O mercado abre no dia 23 - exato um mes antes para o Natal (watch and learn, decoradores de Natal do Brasil: nada de Rio Sul decorado para Natal já no final de Outubro!), e logo logo estarei lá engordando para a reta final da minha estadia na Europa. Natal no inverno!!! Para ser perfeito, só podia nevar no dia (o que é raríssimo por aqui), mas enfim, vai ser fofo de qualquer jeito. Matava por farofa, peru e as trocentas sobremesas de Natal da minha família, mas vai ser bom ter um Natal mais diferente para poder lembrar depois. :D Logo logo Hamburgo ficará assim:

Photoshop é uma maravilha, néam? :) Brincadeira: definitivamente esse é o prédio mais lindo de Hamburgo. Toda vez que passo em frente a ele, fico babando uns 5 minutos antes de seguir o meu caminho. E sim, ele ficou bem destruído na Segunda Guerra Mundial e foi reconstruído na sua maior parte.

Ah, eu quase MORRI quando eu soube existe parada de caminhoes da Coca-Cola aqui na Alemanha também!!! Eu AMO propagandas da Coca-Cola no Natal, e para mim o Natal só está chegando quando comeca aquela musiquinha "O Natal vem vindo, vem vindo o Natal... O Natal vem vindo, vem vindo o Natal..."!!! Isso em alemao deve soar trevas total, mas enfim, dá para dublar ao menos e fingir que estou um pouco em casa.

- PS: Esqueci de comentar a notícia mais fofa do dia: Lost in Translation entrou para a lista dos 100 melhores filmes da década do The Times. Eu nao tenho palavras para descrever como amo esse filme (afinal, o título do blog é uma referencia direta a ele), e como eu me encontro profundamente nele. Eu aprendia japones quando eu vi esse filme, tava numa fase que ainda estava encontrando quem eu era e o quem eu queria ser... e esse filme foi uma mensagem de "voce nao é o único no mundo, vai em frente". Para mim, a cena final é a representacao mais grandiosa do que é cinema, e nunca nenhum outro filme arrancou de mim um sorriso tao grande quanto ela - mas infelizmente, essa cena nao existe no YouTube. Portanto, posto o "Just like honey", que talvez combine mais com o dia "ensolarado" de hoje: Bob indo embora de Tokyo, os prédios, a paisagem da metrópole e aquele clima de que tudo na vida é possível...