segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lisboa: Dia Tres, Sexta-feira

(E os posts da viagem para Lisboa continuam: sorry, Novembro tem sido um mes mega complicado!)

Na quinta fiz uma night/balada mais light, pois queria aproveitar bem Lisboa na sexta e tentar conhecer o máximo da cidade. Acordei cedo na sexta, e seguindo a sugestao do Bernardo, tomei a barca de Belém para Trafeira com ele, fazendo um passeio muito interessante pelo Tejo.

O problema? Lisboa resolveu me sacenear e virar Hamburgo.

Enfim, quem mandou vir a Lisboa em novembro...

Mas enfim, quem enfrentou passeio de barco no Rio Elba em Fevereiro, com 0°C e vento, uma semana depois de ter chegado na Alemanha (ich!), aguenta qualquer parada. E já estava super feliz com a possibilidade de poder sair de casa sem o combo casacao+cachecol+pullover, portanto já estava super no lucro.

Entramos na barca na estacao de Belém (perto do Padrao dos Descobrimentos). Primeira coisa que eu dou de cara na barca?

Hamburgo stalking me

Depois do momento "Até aqui essa cidade me persegue!!!", tentei aproveitar o passeio de barco pelo Tejo. Obviamente, na primavera e verao esse passeio deve ser espetacular, mas ele também tem o seu charme no outono lisboeta.

O paciente Bernardo, que aturou os meus acessos hiperativos durante 4 dias :)


Eu, de novo, em uma das minhas 350 auto-fotos

Bernardo desceu na primeira parada, e me deu a sugestao de ir até Trafaria, de onde eu pegaria um onibus para ir até a praia de Caparica (diretamente no Atlantico). Trafaria parece uma comunidade um tanto quanto decadente de pescadores, mas achei interessante ver um lado B de Lisboa (afinal, Rio de Janeiro nao é Ipanema, nem Sao Paulo é Jardins, certo?). Caparica me pareceu ser uma daquelas cidades somente de veraneio - grande estruturas, mas ruas bem vazias e aquele clima de "esperando o próximo verao chegar".

Trafaria, e do outro lado do Tejo, Belém

Caparica parece nao bombar muito no outono...

Confesso: eu tinha pensado "Pra que ver o Atlantico?! Eu quero é comer pastel de Belém!" na hora em que foi me sugerido o passeio. Mas foi uma experiencia incrível poder ver o Atlantico mais uma vez. Na adianta: eu sou carioca, eu adoro o mar, e um dos meus programas preferidos é pegar um coco gelado, sentar na areia e curtir o por-do-sol escutando aquele barulhinho de ondas batendo na areia (de preferencia escutando "Alone in Kyoto", do Air). Aqui em Hamburgo até eu tenho um programa semelhante a esse: sentar na Jungfernstieg e ficar olhando as luzes dos prédios refletirem no Alster. Mas nao tem onda, tem vento demais, e quase sempre chove (novidade em Hamburgo, hein?). Portanto, foi um momento "Back to my old self" sentar naquela areia da praia e ficar durante uns 5 minutos sosessagado (uma eternidade - amigos meus, qual foi o máximo de tempo que voces ja me viram ficar calado + quietinho?), somente curtindo o paisagem.

Surfistas tugas: Porreira... :)
O tempo nao se decidia entre ficar bom e ficar ruim, mas como quem enfrenta Báltico e Norte da Europa acha que chuva só incomoda na hora em que uma camada de gelo comeca a se formar no seu nariz, estava yo no lucro. O Bernardo me ligou, e fomos almocar em um dos restaurantes-clube localizados na praia.

Com vista para o Atlantico e sol!
Depois do nosso almoco, voltamos em direcao a Belém, onde Bernardo (depois de duas horas de trabalho já estava cansado - eeeee tradicao portuguesa de trabalhar muito, hein? :) Brincadeira!!!) me abandonaria para fazer o tour de atracoes histórias em Belém.

Pelo Tejo...
O Padrao dos Descobrimentos foi o meu primeiro alvo, e sinceramente o meu preferido da regiao. Sou um grande entusiasta da arquitetura dos anos 60-70 e acho interessante como foi levado a cabo esse desafio de construir coisas belas sem insistir na batida fórmula coluna grega + alto relevo + estátua sem braco no jardim da frente. O monumento é simplesmente magnífico... e claro, bate um orgulho de estar representado nele.


Mosteiro dos Jeronimos: o prédio mais incrível... que eu nao entrei na minha vida
Depois do Padrao dos Descobrimentos, segui para o destino mais óbvio que é a Torre de Belém para tirar somente algumas fotos, pois já eram quase 17h e entrar na torre em si já nao era mais possível. No mapa, o bairro de Belém nem parece tao grande assim, mas depois de ter andado Lisboa inteira no dia anterior (sobe-desce-sobe-desce-anda-na-rua-de-paralelepipedo), eu cheguei ao Mosteiro dos Jeronimos sem forca alguma para entrar dentro do Mosteiro (que já estava fechado) e ficar mais outra hora observando a arquitetura incrível do local. E na verdade, eu resolvi ser sincero comigo mesmo: eu vim para Belém, na verdade, eu vim para Lisboa por um motivo muito claro, e tava enrolando até entao. Qual o motivo?

Os Pastéis de Belém!
Os pastéis de Belém realmente merecem toda a fama que eles tem. No dia anterior eu tinha comido dois pastéis de nata na Confeitaria Nacional (a antiga confeitaria que abastecia a família real portuguesa, entao nao era qualquer confeitaria!) que tinha considerado muito bons (claro, meu parametro de comparacao eram os pastéis de nata do Habib's e daqueles quiosques "Delicias Portuguesas" nos Sendas do Rio). Mas na hora que eu coloquei esses pastéis de Belém na boca, eu me xinguei por cada centavo de euro gasto em qualquer outro pastel de nata. E olha que os pastéis de nata nem sao caros - somente 0,90€, um preco bastante acessível em se tratando de Europa. Eu poderia comer dezenas, centenas, milhares desses pastéis de Belém sem enjoar. Sim, eu adoro doces (para mim a parte salgada do almoco/jantar é meramente uma desculpa para a sobremesa), e esse pastel é simplesmente magnífico: o doce da nata, a crocancia da base em mil folhas se despedacando na sua boca... Para complementar, o garcom ainda me alertou "Tem guaraná aqui, tá?!". Meus olhos brilharam. Eu só lembrava daquele comercial do "Pipoca e Guaraná / Que fome que dá...", aquele barulhinho de guaraná fazendo tshhhhh... Eu nao aguentei, e pedi um. Sim, eu consegui comer 4 pastéis de Belém e um Guaraná (que em Portugal é bem mais doce do que no Brasil... Nao sei porque) e sair da Antiga Confeitaria de Belém sem uma diabete. Acho que o meu pancreas deveria seriamente ser enviado para estudos.

Bernardo no Pavilhao Chines
Depois da orgia da glicose em Belém, voltei para casa, me arrumei e eu e o Bernardo partimos para o Chiado. Jantamos num restaurante chamado Sacramento, onde eu comi o melhor prato que eu já pude comer na minha vida: steak tartare. Eu já havia lido sobre o prato, várias recomendacoes de restaurantes para comer o delicioso e um tanto quanto exótico prato (afinal, é ainda carne crua, néam?), e quando li o prato no menu, resolvi tentar. Nao me arrependi: foi o melhor complemento aos meus pastéis de Belém que eu poderia ter no mundo. E quando olho para o lado, vejo a frase do Fernando Pessoa que inspirou um dos meus posts in Lisboa. De lá partimos para o Pavilhao Chines, um bar member of the family com uma decoracao absolutamente incrível, onde eu e o Bernardo bebemos até ficarmos bastante sorridentes... E de lá, segui sozinho em direcao a famosa boate Lux, perto da Estacao de Santa Apolonia, do outro lado da cidade (outro detalhe: taxis em Lisboa sao MUITO baratos em comparacao com o resto da Europa. E eu diria, em comparacao com as cidades brasileiras também).

Mais fotos nao foram permitidas pelo meu estado de equilibrio depois de 3 tacas de um excelente vinho branco e um seguranca incrivelmente lindo (sabe aquele tipao modelo Hugo Boss? Alto, cara de sério, usando um terno... O único clube que eu já entrei onde os segurancas conseguiam ser mais bonitos do que a clientela já bonita). Mas o clube vale toda a hype que tem: estrutura excelente, música excelente, gente bonita e zero de carao. Sai da melhor boate de Lisboa me perguntando: porque insistimos tanto no carao em algumas nights do Rio (00, The Week)? Afinal, se os lisboetas bem nascidos e bonitos estao afim somente de curtir e viver a vida.... porque nós nao seguimos esse exemplo? Enfim...

5 comentários:

Anônimo disse...

LINNNNNNNNNNNDOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Daniel disse...

Tá sabendo que QUASE que a prefeitura daqui proibiu de venderem coco na areia da praia, né? a polêmica foi tão grande que voltaram atrás e liberaram.

Daniel disse...

Ah, e também sou viciado em pastelzinho de Belém, mas tenho que me virar com os do Habiba's. :(

Fernando disse...

@Daniel: Bem, uma solucao interessante seria obrigar os quiosques a abrirem o coco na frente do cliente, e deixar eles levarem somente o conteúdo em copos plástico. Eu sei, perde metade do charme de tomar água de coco, mas aquele bando de bolas de boliche espalhadas pela praia no final da tarde é realmente péssimo.

Aqui em Hamburgo aconteceu algo semelhante na Reeperbahn - a polícia simplesmente proibiu as pessoas de circularem por aquela regiao com garrafas de vidro (porque já pelas 2h as ruas ficavam completamente cheias de cacos de vidro - horrível, e perigoso). Agora, na saída do metro, nas noites de sexta a domingo, os policiais montam uma barreira, e quem está com garrafa de vidro é obrigado a beber tudo, colocar num copo plástico ou jogar no lixo na frente deles. As lojas também foram obrigadas a venderem qualquer bebida e coloca-las imediatamente em copos plásticos, e quem, mesmo depois disso tudo, andar por lá com garrafa de vidro, leva uma leve multa de 40€. E eu já vi gente levando essa multa, hein...

E Daniel, o pastel de Belém realmente é único. Agora eu entendo porque os tugas insistem tanto que pastel de Belém, só o da Antiga Confeitaria. MUITO bom.

Daniel disse...

Os quiosques na calçada ainda estariam autorizados a vender. São os vendedores da areia é que seriam proibidos. Mas enfim, a medida repercutiu tão mal que nem vai entrar em vigor. Pode respirar tranquilo que essa parte do Rio ainda vai estar aqui quando você voltar.