segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lisboa: Dia Dois, Quinta-feira

(Achtung! Post longo, muito longo, eu sei. Nao adiantou: eu tentei resumir o que eu tinha escrito, diminuir o número de fotos... mas ao mesmo tempo nao queria perder os detalhes, o espírito da viagem para Lisboa. Entao ficou do jeito que está: para quem aguentar ler apesar do tamanho, obrigado... e para quem reclamar, clica ali no canto direito e vai ler Twitter, tá? :D)
Finalmente, Lisboa de dia! :) O dia amanhece com um tempo nao muito bom para quem vem dos trópicos, mas perfeito para quem vem de regioes “mais desfavorecidas de vitamina E natural” (nada como morar na Europa do Norte para mudar completamente as suas percepcoes de tempo ruim / tempo bom). O apartamento onde estou fica incrivelmente bem localizado, com uma vista mais bela ainda durante o dia para o Tejo. Essa minha viagem para a Europa tem me deixado muito mal acostumado: RÁ que eu podia tomar meu pequeno-almoco com uma vista dessas no Rio.

A primeira surpresa com Lisboa durante o dia é com relacao as formas. Enquanto tudo em Hamburgo é ordenado, planejado, correto, uniforme, plano... Lisboa é uma explosao de cores, telhados, ruas inclinadas e texturas. E isso se aplica em tudo, inclusive nas pessoas, com as mais diversas origens e tons de pele. Sempre tive uma grande paixao por tudo de diferente, exótico e novo, e em alguns momentos me questionei “Será que deveria ir para Lisboa mesmo?” (afinal destinos exóticos na Europa nao faltam...) mas confesso que fiquei feliz de me “sentir em casa” de novo. Precisava desse “home sweet home” por alguns dias e Lisboa cheira, parece, vibra como casa, como o Rio de Janeiro.

Enfim, chega de crise do “eu-sinto-saudade-do-feijao” e vamos para o turismo puro e simples! Como eu falei no post sobre viagens, eu sou especialmente ruim para criar planos de viagem inovadores e totalmente originais. Aquela coisa de “eu nao compro guia de viagens, mas simplesmente me deixo levar pela cidade” nao funciona de forma alguma comigo: o máximo que eu chego assim é no Mac Donalds da esquina. Portanto, seguindo o meu guia de viagem, vamos a atividade mais turística possível de Lisboa: O Eléctrico 28! :)

O Eléctrico 28 é perfeito: parte do sistema de transportes de Lisboa, passa pela maior parte dos pontos turísticos e históricos da cidade – portanto, voce entra em um daqueles horrendos bondes turísticos (com turistas americanos vestidos como se estivessem indo para um safári) só se voce realmente quiser. Como Lisboa é uma cidade bem inclinada (do tipo de fazer Salvador parecer Brasília), é uma ótima pedida para todos aqueles com um espírito meio Garfield, e também para olhar brevemente os pontos turísticos principais e depois ir decidindo onde se quer parar. Além disso, o próprio bonde em si é lindo: os lisboetas tiveram a sacada de deixar os bondes mais antigos para os trechos mais históricos, e somente nos percusos mais urbanos os bondes mais modernos tomaram o lugar.

Quero casar A-Q-U-I
O meu objetivo era ir ao Castelo de Sao Jorge, mas claro, peguei o bonde na direcao errada, e fui para o lado contrário do que eu queria. Sem problemas, estamos de férias, Lisboa é linda, e fui aproveitando a vista da cidade – tanto do lado de dentro, como do lado de fora. Os lisboetas, principalmente os mais idosos, sao uns fofos: todos com aquele jeitinho de vovo Manuel, elegantemente bem vestidos e cheios de atitude. Chego no ponto final, e como tenho que esperar o bonde voltar, decido dar uma volta. Uns turistas interessantes se encaminham para uma igreja, e como eu tenho que esperar ainda também, sigo atrás. Afinal, virtude e pecado sao o meu sobrenome (hehehe).

Velinhas para promessa de LED: Amei o Capitalism meets Religion meets Eco-Sustaintability
Depois do momento “menino católico bonzinho”, sigo em direcao ao Castelo de Sao Jorge, parando antes no Largo Portal do Sol. Enfim, quando o guia descreve, voce acha que só um lugar com vista bonitinha, nada de muito importante. Mas quando voce chega, voce se depara com isso:

Fiquei um cinco minutos com o queixo caído, e a única coisa que eu conseguia pensar era "U-A-U!". Nenhuma foto que eu tirei conseguiu captar de forma exata a vista que esse lugar tem: uma infinidade de telhados, torres de igreja, prédios com essas paredes em tom pastel, enfim: Lisboa inteira descendo em direcao ao Tejo. Eu adorei todas as cidades que eu vi até agora na Europa, mas esse tipo de vista panoramica... até hoje eu só tinha encontrado no Rio de Janeiro.

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graca...
E enquanto eu tentava sair daquele estado de extase com uma das vistas mais lindas que eu já pude ver na minha vida, esse senhor aí da foto consegue tornar tudo ainda mais perfeito. No momento em que eu me convencia que tinha que seguir em frente, ele comeca a tocar "Garota de Ipanema". Aí já foi impossível para o carioca nostálgico e fa de bossa nova aqui manter o coracao frio: eu parei, escutei ate o final, e deixei os meus 2€ para o senhor que certamente me deu uma memória inesquecível.

Depois de me desvencilhar de uns 3 (irritantes) vendedores angolanos de bugingangas turísticas (todos falando comigo em italiano - merda de nariz proeminente!), fui seguindo em direcao ao Castelo de Sao Jorge. Ruas calmas, castanheiras fazendo sombra em pequenos largos, e mesmo com o intenso fluxo de turistas, as pessoas seguindo a vida normalmente como se estivessemos num bairro residencial.

Cenas lisboetas: esse senhor, discutindo seriamente (inclusive, batendo com a bengala) com... esse limoeiro. Motivo? Nao faco a mínima idéia...
O Castelo em si é um forte que tem suas origens na época da dominacao árabe da Pensínsula Ibérica (Fernando meeting family?) e tem uma exposicao permanente de achados arqueológicos que conseguiu atrair a minha atencao por mais de 15 minutos ( acho arqueologia super válido... mas sinceramente: caquinho de prato de ceramica, agulha de cobre enferrujada e panela velha de barro? Meio chato, néam?). Mesmo assim, claro que o principal fato de se visitar o forte é a vista – no topo de Lisboa, a vista do forte é simplesmente fenomenal e vale cada centavo de euro gasto na entrada. Duvida?

Uau, uau, uau...
Devo ter tirado uns 30 fotos, todas dessa mesma vista de Lisboa, todas absolutamente fantásticas. A cidade inteira aos meus pés, e todos os turistas completamente sem palavras com a belíssima vista de Lisboa. Algo parecido talvez com a reacao que se tem quando se visita o Corcovado ou o Pao de Acucar no Rio.


A pessoa que vos fala :)
Depois de ver a cidade inteira de cima do Forte, surge a vontade de descer e ir conhecer Lisboa realmente das ruas... e junto com isso a fome aperta. Em Lisboa, como um lisboeta: preciso comer algo da culinária portuguesa, penso eu. O problema: eu sou alérgico a tudo o que vem do mar (afinal, até o meu sistema imunológico tem HORROR a "bacalhau".. :D), portanto metade da culinária portuguesa está vetada a mim. Bem, ainda tem a outra metade, néam?

Pastéis de Nata... valendo!
Confeitaria Nacional, um ótimo capuccino, pastéis de nata e croquete de carne (comprado somente para servir de desculpa psicológica que eu tinha feito uma refeicao, e que os pastéis de nata eram meras “sobremesas”), e algum tempo sentado vendo a vida e Lisboa passar na minha frente. Depois do momento de relax, mais um ponto turístico – a belíssima rua Augusta, que concentra as tradicionais lojas lisboetas e vendedores de castanhas portuguesas assadas, em direcao a Praca do Comércio (que infelizmente estava em obras! A tradicional foto desse ponto turístico fica para uma próxima viagem para Lisboa entao).

You say yes.... I say no...
Depois de mais um momento "uau" resolvi que eu já merecia um pequeno descanso do intensivo dia de turismo (afinal, nada melhor que um bom dolce far niente - preguica é definitivamente o meu pecado preferido :D), voltei para a Praca do Rossio e segui a dica do meu guia de viagem - a famosa ginjinha lisboeta, por somente 1€. Engracado nao conhecermos essa tradicional bebida de Lisboa: um brandy de cerejas, com um gosto muito bom e muito apreciado pelos locais. Enquanto bebia aproveitei para me sentar num pequeno largo, enquanto via os imigrantes africanos conversarem em alguma idioma incompreensível e olharem para mim com aquela cara "O que esse italiano está fazendo aqui?".

Ginjinha... Hmmm...
Com o dia caindo, eu pensei que seria uma boa idéia terminar o dia de turismo com alguma bela vista, portanto claro, nada melhor do que ir para perto do rio Tejo. A escolha nao podia ter sido melhor - o dia nublado se tornara ligeiramente mais ensolarado, permitindo algumas fotos incríveis, o sol se punha e as pessoas tentavam fazer uma pequena pausa para aproveitar o espetáculo de final de tarde. Novembro, e vida ao ar livre: saudades das possibilidades oferecidas por um tempo melhor. E o dia ideal em Lisboa termina da melhor forma possível. :)

Podia ser melhor? :)

9 comentários:

Anônimo disse...

GATHO

GATO

GATISSIMO

GATÉRRIMO

Lelle disse...

Sudadações Fernando. Honrado com sua visita e encantado com seu texto por aqui...virou leitura obrigatória :) Lelle

Fernando disse...

Obrigado cara! :) Eu tive em Estocolmo no final de setembro, e até hoje fiquei de fazer um resumo da minha viagem por aí que uma hora vem... :) Dezembro eu devo passar por ai de novo, para me despedir de amigos suecos antes de voltar para a distante e longínqua América do Sul. Vai estar por ai?

Daniel disse...

Não rolou vontade de falar com s'taqu' p'rt'gu's em nenhum momento da viagem? Eu meio que me contagio com o sotaque das pessoas ao meu redor e acabo imitando. Parece zoação, mas não é.

Fernando disse...

@Daniel: Super rolou! No final da viagem estava falando autocarro, comboio e eléctrico como se fosse a coisa mais normal do mundo! E a melhor expressao de todas deles: "Ai é?" :) Taaao fofa...

Eles realmente sao uns fofos. E os lisboetas em si sao elegantes, modernos e super divertidos. Nao sei de onde essa débil mental da Maite tirou esses cliches. Nao encontrei nada que pudesse reclamar, somente simpatia e pessoas perguntando sobre o Rio de Janeiro e se eu estava gostando de Lisboa.

carla_curty disse...

um dia perfeito
(btw, ameeeei esta última foto!)

Fernanda disse...

Que delícia, Fernando!
Um dia perfeito!

beijos

Anônimo disse...

Lisboa é uma bela cidade. E os lisboetas, tb são lindos? Quer dizer que o mocinho conhece Salvador, hem?

Fernando disse...

@Anonimo: Sim, fui a cidade a num congresso onde, acredite se quiser, eu FUI as palestras! Inacreditável, nao? :D