domingo, 28 de fevereiro de 2010

Curtas: It's fun to stay at Felicitá!

Num primeiro instante, achei óonn: primeiro condomínio fechado da casas populares GLS em Suzano (Mas nao teria mais mercado em Campinas, hein?). Aí, a reflexão: árvores de amora e ameixa em frente a cada casa, why?! Mais gay do que isso só plantando... lichia e pitaya! Acharia digno! Depois, a revolta: porra, 48,50m²?! Sacanagy com as bees: onde vai ter espaco para os boxes com as temporadas completas que todo viado tem que ter (you know, the essentials: Sex and the City para os momentos buaaaaá-eu-vi-ele-beijando-aquela-bicha-uó-no-cantinho-da-buati, Queers as Folk para se inspirar no Brian antes de cair no perigón, Will&Grace para assistir junto com a amiga fag hag...)?! E os poodles? (apesar de que poodle is so 1998: golden retriever parece ser o new gay dog, néam? Acho escroto: poodle É gay por essencia - afinal dá para imaginar o conceito de poodle macho? Golden retriever é simplesmente hetero demais... Poodle é Priscilla The Queen of Desert. O máximo que um golden retriever consegue ser... é Brokeback Mountain, e olhe lá!). E por último, invejinha business: no dia em que puder assinar profissionalmente o meu nome no estilao que Douglas Drumond  fez (com direito a fundo com fotinho tipo business bitch), cheguei no topo.

Acho o conceito do produto válido. Afinal todo mundo sempre fala de mercado gay, pink money... mas alguém já tinha visto mesmo uma aplicacao prática desse conceito? Quase sempre fica naqueles produtos voltados para o ideal do Viado Personnalité (you know: viado tipo Anderson Cooper, advogado/publicitário/analista, 30-40 anos, morador dos Jardins em SP/ Ipanema-Leblon no Rio, viaja ao exterior 3 ou 4 vezes por ano, com ao menos uma camisa Abercombrie&Fitch no guarda-roupa, tem/teve/ja pensou em ter um Fiat Stilo na garagem...), o que assume proporcoes ainda mais surreais e fora-da-realidade em uma sociedade desigual e em desenvolvimento como a nossa. Qual a porcentagem de gays que efetivamente podem ser considerados como público-alvo de produtos como "cruzeiro gay" ou "cartao-VIP-de-loja-de-grife-que-todas-as-bees-adoram"? E o pessoal que fica de fora dessa classificacao: é ou nao é um mercado pedindo para ser explorado?


But at the same time... condomínio fechado GLS? É isso que a gente quer mesmo?

Complicado...

15 comentários:

Introspective disse...

Fiat Stilo?! Ai corror! Vc tá muito por fora do conceito de viado personallité, shirley. No mínimo, pra começar por baixo, elas querem ter um Honda Fit!

Ítalo disse...

Fer, sou muito fã do seu blog!

P.S: Anderson Cooper é gay?? nem sabia... rsrs ;-)

Fernando disse...

@Introspective:

#1 Senti que atingi você ao definir o conceito de Viado Personnalité, hein Thi! :D Liga nao: visualizei o meu futuro nisso também!

#2 (Fer fazendo a European deslumbrada) Nao entendo mais a lógica automobilística dos brasileiros, darling! Quando me vivi na residencia estudantil (in Deutschland), fui numa Mercedona conversível (tipo IGUAL a Legalmente Loira) e voltei numa outra Mercedona. Ahhh... saudades das Autobahns...

:D

Fernando disse...

@Ítalo: Brigado!

E COMOASSIM voce nao sabia que Anderson Cooper é gay? Ele é uma das MELHORES aquisicoes do pink world! Amo: uma das razoes de eu assistir CNN mais do que BBC ainda. Quer se deprimir? Joga no Google Images "Ben Maisani Anderson Cooper" e ve o clima de romance, testosterona e homem gostoso no ar. Dá ódio.

whateveeer disse...

hahahaahahah morri com o post.
Achei digna a ideia do condominio. E pior que Fiat Stilo soh Fiat Stilo Schummcher amarelao. Uoh.

Honda Fit eh carro de mulher, dai a razao pras gays se jogarem tanto.

whateveeer disse...

*schumacher

Diego disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Diego disse...

Mas, assim: isso de condomínio gay não perpetua o gueto? Por que gays têm que morar separadamente? Acho que, quando se fala de pink money, mercado gay, não é de forma a exclui-lo do mercado como um todo, mas justamente de inclui-lo, não? De aproveitar melhor esse pink money? Não? Ou eu errei?

Me ajuda.

Diego disse...

Ai, gente. Acho que a pergunta ficou medonha, péssima de entender. Ficou, não ficou?

É que, assim, ó: o que eu tenho lido sobre pink money sempre vai na direção de dar treinamento para os funcionários para que eles não discriminem gays de outros clientes. Certo? Ou seja: um comportamento inclusivo. Afinal, em tese, EM TESE, gays são mais propensos a gastar, é preciso incluir essa bufunfa na roda capitalista. Agora: fazer um condomínio só para gays não é uma inclusão por via da exclusão? Ou seja: o caminho contrário?

É isso.

Hugo B. disse...

48,50 metros quadrados com 2 QUARTOS?!?!?!!?

Só se for para dormir em pé, né? E provavelmente a lavanderia é conjugada a uma cozinha americana, só pode!

Com 7,850m quadrados de área poderiam ter feito coisa bem melhor!

Fernando disse...

@Diego: O conceito de pink money (pelo menos for me) envolve a criacao de uma série de produtos e servicos voltados para o público gay. É dividir um público maior em um subgrupo e procurar atingi-lo de uma forma mais eficiente.

Agora... a idéia de condomínio gay cai sempre na questao do gueto, né? Por um lado o gueto exclui e isola... mas por outro lado, protege. Ai vai analisar o que é melhor em cada caso, penso yo.

Fernando disse...

@Hugo B: Po, e o arquiteto podia ter sido um pouco menos feladaputa e ter liberado um "Beauty Space" (adoro o nome que eles dao agora para esses "espacos" nos condomínios) para as bees poderem se cuidar, néam?!

Diego disse...

"Ai vai analisar o que é melhor em cada caso, penso yo."

Eis uma boa ponderação. Acho que uma generalização sempre empobrece. De todo modo, vou ler mais sobre o tal pink money. Suspeito que não alcancei a complexidade do assunto.

Ítalo disse...

kkk, de fato, Fer! EU nem sabia!

Às vezes meu radar me deixa na mão. Outras vezes me ajuda deveras.

Eu mesmo quase caí da cadeira quando o cantor Emmanuel Moire se assumiu gay na revista Têtu. NUNCA desconfiei dele! rsrs Vivendo e aprendendo.

http://blog.boitaclous.com/wp-content/uploads/2007/10/moire.jpg

Leonardo disse...

Concordo com o Diego. Acho que esse tipo de empreendimento vai criar guetos e seguimentar a porra toda. Justamente o contrário que nós sempre desejamos, que é a inclusão na sociedade, e principalmente sem muitos rótulos generalistas.

E as vezes eu fico pensando: tem tanto "viado personnalité" assim por aí? Pelo menos é essa a minha impressão, já que tô de fora desse mundo "Jardins/Leblon/Ipanema/Copacabana".