sábado, 22 de maio de 2010

Economics for Gays: Introdução

Primeiro, vamos tirando o Louboutin da chuva porque eu não vou dar conselho tipo “Invista R$500 em renda fixa todo mês e fique milionário!” não! Não faz o meu estilo, honey. Não tenho vocação para ficar no Fantástico falando “Faça xixi durante o banho e economize na conta de água!” e pérolas semelhantes para dona-de-casa paranóica que quer comprar conjunto de móveis para sala das Casas Bahia (conjunto estofado Bartira MAIS mesinha de centro MAIS rrrrrack, tudo em mogno, por apenas 33 prestações de somente R$9,99 por mês!) com o décimo terceiro e ainda me chamar de *economista* para isso! E também uma pessoa que torrou euros e mais euros em viagens de final de semana (Londres... Estocolmo... Paris.... Lisboa... Berlim...), roupas (ah, meu trenchcoat, meu skinny jeans, meus cachecóis: tão incompreendidos, tão inúteis nesse clima tropical!), festas (sempre nas melhores áreas VIP, claro! Como? Carón de “Sou uma personalidade MÓITO importante no meu longínquo país na América do Sul” + mais atitude tipo “Querida, tira essa merda de corda do meu caminho A-G-O-R-A?”), bebidas (Skol Beats e Smirnoff my ass: Beck's e Absolut eram praticamente commodities!), todo mês, durante um ano... e agora não tem dinheiro nem para um feriado prolongado em dormitório de beira de estrada em Iguaba Grande teria condições de dar conselhos de como economizar para alguém?!

(Pausa dramática. Draminha. Fernando pensa “Gente, decadência DEFINE!”. Fernando pensa qual foi o motivo imbecil que motivou ele a fazer essa besteira de voltar para o Brasil! Fernando mini deprime. Mas aí Fernando lembra que nunca foi nada tao über-gostoso assim, portanto virar simplesmente modelo/casar com milionário russo não é uma alternativa muito possível não. Fernando faz então a Marie Claire: Chique é ser inteligente. E Fernando conclui que faculdade pode ser importante portanto ele TEM que terminar o curso. Fim da pausa dramática.).

Só achei importante criar uma forma aqui no blog para falar de Economia. Sabe, todo mundo odeia economista: somos a parte que todo mundo pula no jornal (ou alguém mentalmente saudávell, em sã consciência, que não tenha ações na bolsa e que seja bem-comido regularmente chega na mesa de café da manhã e abre feliz o jornal no caderno de Economia?!), aqueles que sempre inventam uma solução mágica para todos os problemas e acabam fudendo todo mundo (afinal, qual a graça de estudar Economia na... Suécia?! PIB per capita altíssimo? Justiça Social? Governo provendo tudo? Que saco! Legal é Brasil: morátória, hiperinflação, plano maluco de congelamento de preços, desigualdade social... De tudo um pouco! Economista no Brasil tem quase... liberdade artística, entende? Faz o que quiser, vamos ver no que vai dar...). Uma carreira ingrata, para falar no mínimo. Afinal, além de chegar à conclusão que estudar Economia embaranga (duvida? Clica aqui, aqui, aqui e aqui e me responde se você chamaria um deles pra um approach), ninguém tem tesão em economista (todo mundo brinca de médico, tem um tesaozinho saudável em advogado... Agora, fala sério: dá pra imaginar alguém batendo punheta e assistindo Bloomberg?!)! Isso deprime qualquer um que resolveu seguir essa carreira, poxa!

Falando um pouco mais sério, assusta perceber que algo tão importante e que influencia tanto na vida das pessoas como a Economia... é algo tão desconhecido do público geral. De uma decisão tomada por um engravatado portando uma HP-12C, numa sala com ar-condicionado surgem conseqüências que podem afetar se você vai ou não conseguir crédito para financiar seu apartamento dos sonhos, se você vai conseguir juntar grana suficiente para piriguetear num cruzeiro da CVC pelas Ilhas Gregas em Agosto ou até mesmo se vai ter prato de comida na sua mesa pelos próximos meses. Eu sei, os economistas não colaboram: depois de anos aprendendo conceitos, termos e modelos, quando viramos e abrimos a boca na TV fica difícil entender metade do que a gente fala (o que facilita muito quando a gente quer que vocês NÃO entendam o que a gente fala). Mas também simplesmente rotular o assunto de chato, fazer a Paris Hilton e ignorá-lo não é a melhor saída. Primeiro, porque chique é ser inteligente (AMO essa frase, ODEIO a Marie Claire: já perceberam que toda edição tem aquela clássica reportagem *séria*, tipo mutilação genital na Somália ou prostituição infantil em Bombaim, MEGA deprê, que VAI ser citada por alguma perua no seu momento “Uso Carmen Steffens mas penso, táãm?!”. E claro, na próxima seção, os must-have da estação: LINDAS pulseiras de inspiração indiana - fabricadas pelas prostitutas mirins de Bombaim nos horários de folga dos bordéis). Segundo, porque moramos no Brasil, onde ignorar a realidade econômica perversa em que vivemos e ser no mínimo idiota. Terceiro, nunca na história desse país (!) vivemos um período tão longo de democracia (e até arriscaria dizer de determinada estabilidade econômica, quando falamos de inflação controlada), e com eleições chegando não se trata somente de escolher entre o Nosferatu ou a Generala-Dominatrix, mas também de escolher entre concepções diferentes sobre o que se deve ser feito na Economia (o que VAI afetar a sua vida). E finalmente, desenvolvimento equals glamour, néam gentém?! Pensa em todos os pedreiros, peões de obra, operários, deuses gregos encarcerados dentro da cafonice de Citycol's e Grippon's dos subúrbios brasileiros que floresceriam usando um bom jeans “vem-que-sou-putão”/Dolce&Gabbana/Diesel, uma boa pasta de dentes e um bom perfume francês? Tem forma melhor de expressar felicidade sobre um sistema de justiça social do que esse?! :D

Enfim, criei o tag Economics for Gays... porque esse é um blog gay. Falamos a sua linguagem, leitor: a gente pode discutir a crise mundial num instante, comentar sobre a violenta desigualdade social vigente no país noutro e... parar falar na bunda incrível daquele loirinho ali na frente... Voltando: sou como você! (Bem...não como você! Quer dizer, claro, depende de quantos anos você tem, onde você mora...).

P.S.- Sumida causada por motivos de saúde (desde que eu saí da Alemanha a minha rinite e asma voltaram com força total. A interpretação das causas fica por conta de vocês, tsá?) e por compromissos no meu projeto "Preciso-terminar-a-porra-da-faculdade". Tentarei voltar a programação normal, juro. :)

18 comentários:

Alex Bez disse...

adoro estes posts recheados de criticas pessoais e comentários ácidos, rsrs.
pois então, não fui para Hamburg, ficamos em Berlin, e foi ótimo!
o tempo estava péssimo, um frio desproporcional para a primavera...conhecemos um casal de berlinenses na viagem barcelona/berlin e dai eles nos mostraram uma Berlin q só os locais conhecem.
abs,
take care buddy

Daniel disse...

Olha, você está começando a me fazer olhar pra economia com outros olhos.

Não, eu não pulo a seção de economia do jornal, mas confesso que folheio bem rapidinho.

Alexandre Lucas disse...

Nossa, texto longo e cheio de links! O Nosferatu entrega o que promete na economia e na ideologia. Já a gangue da Dominatrix prometeu A e entregou B. Chamaram um incubus da estirpe do Nosferatu para presidente do BC, se não me falha a memória.

Fernando disse...

Alex: Como você OUSA ir na Alemanha e não ir pra Hamburgo?!

Brincadeira! Super sei que com companhia ideal, até Iguaba Grande se torna interessante. Uma das melhores coisas de viajar são esses encontros inesperados que acabam rendendo em visões completamente novas de locais conhecidos.

E realmente, um amigo me ligou e contou que o frio está forte demais para essa época do ano. Ano passado, em Maio, já estava fazendo picnic com os amigos do Erasmus no Alster e andando de bermuda+havaianas (=cara de choque dos hamburgueses) pela cidade.

Daniel: Fico feliz por isso, darling. :D Economia também pode ser legal! (se alguém descobrir como, me avisa?)

E a parte de Economia do Globo é uma merda, portanto é compreensível que não seja muito interessante mesmo. Dica: leia as colunas. Ali que está a essência do que é realmente importante na Economia.

Alexandre: Meu querido tucano (TINHA que devolver o "esquerdista", TSÁ! :D), sabe que ontem mesmo tava discutindo com uma amiga economista sobre isso? Você tá completamente certo sobre a história do PT e da Dominatrix. O problema é que o Nosferatu andou por alguns jornais (=Folha) defendendo independência do BC, o que é ortodoxia 100% na veia, entende? BC independente não dá, não dá MESMO...

Alexandre Lucas disse...

Fernando: há um post no meu blog em que admito - apesar de o voto ser secreto - que votei no Lula no primeiro governo. Mas senti-me ludibriado, enganado. Se é para ser de centro, pelo menos o Nosferatu bebe menos, hehehe.

Fernando disse...

Alexandre: Ale, entendo MUITO quem vota no Serra nessa eleição por decepção com o que o PT no governo representou. Uma das minhas melhores amigos tem um pai economista heterodoxão, ex-aluno do Serra (e que discorda de VÁRIAS coisas que o cara defende) que nessas eleições vem pensando seriamente em largar o voto pela ideologia (=esquerda) e votar no Serra por acreditar que a corrupção pode ser um pouco menor no governo dele. Aliás, escutei muitos paulistas elogiando a administração do Serra no Estado, etc e tal. Tipo, foi isso mesmo, qual foi a tua opinião? (Momento Intercâmbio Cultural Rio-SP)

Alexandre Lucas disse...

http://rhdoinferno.blogspot.com/2008/10/resultado-do-primeiro-turno.html

"Em tempo: nunca votei no Maluf. Já votei na Marta, no Lula e no Genoíno. Errar é humano. Agora, INSISTIR no erro é burice!"

Visão disse...

Velho, adorei isso aqui. E que venha mais post relacionado.
Bjs

carla_curty disse...

só alguns comentários para não assustar os não economistas (rs):
1) muito bom o texto!!!
2) sobre a sua dica para o daniel aqui nestes comentários: a parte de economia do globo é realmente deplorável e as colunas são o que há de menos pior...mas é preciso ter muita cautela ao lê-las, afinal mesmo abordando temáticas que são mais relevantes, elas têm viés totalmente ortodoxo e de mainstream e que muitas vezez não chega a essência dos debates...

... mas pode deixar que eu não irei fazer aqui um tratado crítico rs

e muito obrigada por difundir visões um pouco menos óbvias da economia... (mas nem todo economista é feio hauahauahua)

bjs

Fernando disse...

Alexandre: Relaxa, eu já votei no César Maia (o nosso querido prefeito maluquinho - até hoje nao entendi o conceito daquele Obelisco de Ipanema). Todo nós temos motivos políticos para nos envergonhar. :D

Visao: Claro que vem, mas vem aos poucos, diluído com os outros temas. Afinal, néam, Economia é trabalho pra mim, e falar toda hora de trabalho é um saco.

Carla: Sobre as colunas, quis dizer colunas de mídia impressa em geral (que em sua grande maioria, claro, sao ortodoxas). Caderno de economia tá sempre cheio de merda, cheio de "Vale vendeu 5% de acoes para o Rio Tinto", informacao micro demais para quem nao tem interesse direto naquilo. Importante entender tudo de uma forma macro, e nisso as colunas ajudam um pouco, néam?

Introspective disse...

"Pensa em todos os pedreiros, peões de obra, operários, deuses gregos encarcerados dentro da cafonice de Citycol's e Grippon's dos subúrbios brasileiros que floresceriam usando um bom jeans “vem-que-sou-putão”/Dolce&Gabbana/Diesel, uma boa pasta de dentes e um bom perfume francês? Tem forma melhor de expressar felicidade sobre um sistema de justiça social do que esse?! :D" - rialto, é a fashionização dos cafuçus!!! comofas???

fico só pensando o que teus pais entenderiam se lessem este blog. uns 20%, né? risos

beijos!

Fernando L disse...

HUAHuh, adorei o texto e nem gostava tanto do seu blog antes dele, hehe.

Ainda mais pela parte de estudante falido que estoura todo o dinheiro com vodka importada (minha coleção de absoluts e stolichnayas está aumentando !)

Não leio jornais mas acompanho a parte de economia no boca-a-boca, pois na minha área um dos maiores provedores de $$$ é o estado através de editais das secretarias de cultura(Faço faculdade de dança, e me assustei como o texto que você escreveu poderia ser facilmente adaptado pra área [exceto pela parte do tesão afinal, aberturas de 180º, malhas apertadas, isso quando elas existem e muito fôlego])

Enfim, é isso =]

Edu disse...

Legal - já estou seguindo! Quem sabe eu aprendo alguma coisa?

P.S.: pelo menos o Ben Bernanke é muuuuito pegável!

tommie carioca disse...

Falando em introdução, vc já viu o filme "Zeitgeist"?

tommie carioca disse...

Corrigindo: o filme "Zeitgeist: Addendum"

Fernando disse...

Introspective: Papai morreu, mamãe certamente não entenderia uma linha sequer, assim como muitos dos meus queridos amigos heteros (que acham que Diesel é só o combustível e que calça da Taco veste bem).

Fernando L: Lieber, coleção de vodka importada PRA QUE? Abre esse troço e vai ser feliz! :D O valor real de uma bebida reside no potencial de "causalidade" e merdas que você pode cometer sob o efeito dela. Sendo assim, Natasha com uma boa companhia pode sair muito melhor do que muita Grey Goose por aí... :)

Edu: Ben Bernanke... Ben Bernanke?! Onde que ele é pegável?!

tommie carioca: Cara, sabe que não?! Mas eu já escutei tanto sobre esse filme que assim que rolar um tempo vou caçar para assisti-lo na Internet. O que você achou do filme?

Fernando L disse...

Lógico que estou consumindo minhas stolis e absoluts da vida, mas não vou colocá-las por enquanto no lugar do meu filtro de água

E se fosse pra ficar bebado bebia natasha mesmo, a coleção e pra momentos mais "pertinentes" hehe

P.S.: Comprei uma stoli de canela hoje, é mara !

tommie disse...

Fernando, eu ainda não assisti o primeiro, só o segundo - Addendum - que foca em explicar como (segundo eles) funciona a economia e denuncia a grande mentira que é o sistema financeiro blá blá blá. Lógico que, como eles mesmo dizem no filme, sempre fica um gostinho de teoria da conspiração naquilo tudo, mas como eu sou adepto convicto das premissas sobre as quais eles se apoiam (leia-se, de que somos ensinados a acreditar na escassez, pois assim nos tornamos inimigos e competidores e manipulados), então aquilo tudo pra mim é colírio para os olhos. Tô começando a participar do movimento zeitgeist no Brasil pra conhecer melhor a proposta deles e criar algum senso crítico, em vez de virar xiita de algo só por ser anti-establishment.