domingo, 6 de dezembro de 2009

European Tour – 03.Dez: Frankfurt


Primeira impressao de Frankfurt? “Nossa, quantos prédios altos!”. Cidades alemas em geral sao bem planas – quase todos os prédios da cidade inteira de um mesmo tamanho, uma ou duas torres maiores se destacando no horizonte. A única excecao a isso é Frankfurt – a única cidade do país que possui uma verdadeira skyline, que ironicamente é chamado de Mainhattan (“Frankfurt am Main” = “Frankfurt no (rio) Meno”). Frankfurt nao é uma “metrópole” em termos de tamanho (as cidades que poderiam se classificar nesse termo seriam as big three da Alemanha: Berlim, Hamburgo e Munique) e seria algo como uma Curitiba em padroes nacionais; mas devido ao aeroporto e a concentracao de bancos e empresas  a cidade é uma das vitrines do país para o resto do mundo.

Além disso, ficaram claras a diferenca entre Frankfurt e Hamburgo, e o fato de que nao existe “uma” Alemanha, como poderíamos falar de “uma Inglaterra” ou “uma Franca”. Claro, nenhuma capital ou cidade pode sintetizar um país, mas a Alemanha é como a Itália: formada depois da maioria das grandes nacoes européias, a partir de diversos mini-reinos e principados. Enquanto Hamburgo é basicamente uma cidade báltica (e com toda uma identidade muito mais próxima de Copenhague, Gdansk e Riga), Frankfurt é uma cidade já mais próxima a Alemanha “clássica” (ou seja, Baviera).

Fiquei na casa de uma amiga brasileira que também veio para a Alemanha por intercambio, mas que possui ligacoes bem mais fortes com o país. Cecília é uma das inúmeras teuto-brasileiras que eu conheci pela viagem, toda uma história de família entre Brasil e Alemanha. Ou seja: férias parciais de Alemanha, e um pouco de brasilidade depois de 9 meses por aqui.

O bairro da Cecília (acho que Bonames ou Kalbach) é BEM arquitetura-cliche alema, com casinhas com aquelas fachadas brancas e com madeira, ruelas mais pequenas e aquele clima de Alemanha mais contryside. Acordamos de manha bem tarde, afinal Frankfurt nao é tao grande a ponto de exigir uma rotina rigida de conhecer 350 pontos turísticos em um dia, fui mimado pela mae brasileira dela com o melhor do clima de casa brasileiro, e lá pelas 3 horas da tarde saímos de casa. O que significa, na Alemanha outonal, quase na hora em que o sol se poe.

Primeiro ponto de parada, claro, para um estudante de economia foi a Bolsa de Valores de Frankfurt! :) Fotos com as clássicas estátuas do Touro e do Urso em frente a bolsa (porque estátuas de touro e urso em frente da Bolsa? Keynes, e a teoria dos ursos e touros e comportamento dos investidores – pronto, momento Miriam Leitao over, prometo!). Depois de percebermos que nao temos nenhuma Canon UltraMax 36000 – ou seja, fotos ficando uma MERDA de noite – resolvemos partir para a atividade principal em uma cidade alema em Dezembro: Weihnachstmarkt! (Mercado de Natal).

Os Weihnachtsmarkten da Alemanha sao parte obrigatória do clima de “O Natal vem vindo / Vem vindo o Natal” da Alemanha. Em Hamburgo também existe um (no qual eu fui quando estava fechado – nunca deixe o seu amigo mexicano planejar coisas), mas aqui em Frankfurt, por estar no Römer (imagina uma praca principal de uma cidade alema. Pronto, já imaginou a Römer), foi ainda mais especial. Lojinhas da rua decoradas com luzes e motivos natalinos, vendendo de um tudo, e todos os alemaes passeando com as criancas em extase com a chegada do Natal (e loucas para ganharem o mais novo modelo de Playstation).
É impossível descrever tanto em palavras ou em fotos o clima desses mercados. É lindo demais: a cidade inteira se mobilizando para o mercado de Natal, as pessoas animadas (repito: alemaes animados) nas ruas bebendo e conversando com os amigos, a decoracao natalina que faz voce se sentir em um daqueles filmes clássicos que passam na TV nessa época, as criancas com os olhinhos brilhando de felicidade vendo aquele todo mundo mágico. Realmente é fácil entender porque os alemaes (e europeus em geral) nao conseguem entender como comemoramos o nosso Natal de bermudas e em frente a um ventilador. :D

Os must-have desses mercados: Glühwein (= quentao. Ainda rio quando todo alemao comecava a descrever os mercados de Natal, e falava “Nao, voce precisa tomar essa bebida típica daqui...” e comecava a descrever exatamente como o quentao é. Eu respondia  calmamente “Conheco isso, tomamos em Junho no Brasil” e eles ficavam com aquela cara de “Como assim, no verao?!”), Leberkuchen  (pao-de-mel, thousand, millions, billions of times melhor do o que conhecemos no Brasil) e qualquer coisa doce (nessa categoria: chocolate nas mais variadas formas, amendoins e macadamias também nos mais variados sabores e formas – experimentei até um de wasabi que era bem digno  - e ai pela frente).

Do Weinnachstmarkt (onde estavamos congelando – temperaturas desabando na Alemanha), seguimos para a Dom (que no Norte da Alemanha signfica um parque temático temporário, mas que no Centro-Sul signfica Catedral mesmo), onde passamos rápido (afinal, melhor nao arriscar: vai que eu entro em combustao instantanea pelos meus inúmeros pecados cometidos por aqui? Nunca se sabe...), acendi uma velinha para um pedido especial (Santo Antonio, desencalhez moi ab sofort!) e já fomos cometer mais um pecado. Destino: Sachsenhausen, algo equivalente a uma Lapa meets Blumenau. :) Muito legal, paramos em um bar mais amigável possível, e pedimos a bebida típica de Hessen (estado onde Frankfurt fica): Apfelwein (vinho de maca – franceses gritando “Nooon!” agora, je sais), onde colocamos a conversa em dia (voce sabe, amigos em comuns, update de fofocas brasileiras. E sim Carla, falamos de voce.). E de lá, seguimos para casa, congelando no frio frankfurtes.

Parenteses-jumbo equals parágrafo: voce, turista brasileiro em viagem pela Europa, siga o conselho dos seus amigos alemaes que parecem sentir mais frio do que voce (porque eles sentem: andam todo encasacados mesmo em aquecimento a 20°C) – traga a sua luvinha para a viagem. Lembro exatamente do momento em que eu vi a minha luva enquanto fazia a mala e pensei “Ah, nao vou levar nao! Nunca uso isso daqui, e to indo para o Sul. Impossível estar mais frio do que aqui!” e enchi ainda mais a minha necessaire com trocentos produtos cosméticos que eu comprei por aqui (!!!). Resultado: mao tremendo e congelando na hora de tirar uma foto a 2°C no Meno. Agora me diz: como eu vou usar todos esses produtos maravilhosos (maravilhosos mesmo... Gente, cosmetologia européia é TUDO) se daqui a pouco eu nao vou ter nem mais dedo para passar isso no rosto?! Scheiße.

Para compensar a hipotermia no caminho, nada melhor que chegar em casa e encontrar o verdadeiro clima de casa brasileira. A mae da Cecilia foi absolutamente tudo,e ainda preparou o prato “nocaute” para brasileiro foda do país há algum tempo: feijao e arroz. :) E Fernando dormiu feliz a sua segunda noite em Frankfurt: porque a Europa é muito legal, mas home feeling brasileiro é bom DEMAIS. :D

4 comentários:

Daniel disse...

eu fico passado como o povo do hemisfério norte se esquece que as estações aqui são trocadas, ou como diria Homer Simpson "It's oppositeland!"

Leonardo disse...

Ah, que demais! Queria muito passar um natal "de verdade" no hemisfério norte com muita neve (aí em Frankfurt neva?). Nada de se contentar com essas decorações fakes de ruas de Moema ou Jardins! QUERO UM NATAL TR00! hhhhahaha..

E esse lance do feijão, já tive amigos e amigos de amigos que viajaram pro exterior e quando voltaram pra casa a primeira coisa que fizeram foi comer feijão. PURO.

Realmente deve ser uma abstinência brava ficar sem feijão por muito tempo...

Fernando disse...

@Daniel: Mas também, eu entendo eles. Daqui, dá uma impressao de que o Hemisfério Sul é:

- América do Sul: aquele lugar onde sempre faz sol e as pessoas ficam dancando nas ruas ao som de maracas o dia inteiro. Com o apendice de fazendas e jogadores de pólo (Argentina e Chile).

- África: também sol o ano inteiro, muita pobreza e subdesenvolvimento. Lugar onde mochileiro europeu vai para ser sequestrado, trocado por um resgate milionario e movimentar a economia local.

- Austrália: O lugar mais exótico que existe. Vamos falar sério: coala? Canguru? Ornitorrinco? Esse país é insano demais.

Fernando disse...

@Leonardo: Neve? Natal? Europa? Pode ir esquecendo, dear... Isso nao existe aqui mais nao! Global warming times!

Neve se tornou algo BEM raro nas grandes cidades européias, e um Natal branco (com neve) é algo raríssimo, fora das regioes montanhosas. Portanto, talvez até tenha neve naquelas vilas austríacas fofinhas de cartao postal. Mas Hamburgo, Paris, Londres, Frankfurt... nada.

Cara, feijao dá saudade, mas eu fiquei com mais saudade ainda de arroz. O conceito de arroz como comida na Europa é muito diferente - praticamente só naqueles restaurantes tailandeses malucos.