terça-feira, 29 de dezembro de 2009

European Tour - 25.Dez: Pisa - Florenca - Pisa


Mais uma vez, nao irei respeitar ordem cronológica e postar mais uma viagem de trem antes da minha estadia na cidade propriamente dita. Meu iPod descarregou, eu nao posso escutar Bad Romance para tentar dar uma animada (sim, essa música-praga da Lady Gaga tem efeito internacional – é só tocar o “oooooo... Caught in a Bad Romance...” para as bees enloquecerem aqui – praticamente uma música-teste “Voce é gay” versao anos 2000), o trem ainda é o desenhado pelo Le Corbuisier (trens Regionale rulez!) entao nao tem muito a fazer a nao ser escrever. Entao, andiamo!

13.20h – Ótimo, cheguei na plataforma 12 minutos antes da minha partida. Finalmente aprendendo a organizar o meu tempo – se o meu chefe na minha antiga empresa pudesse acompanhar as minhas viagens aqui na Europa, acho que ele morreria... A plataforma está lotada de turistas japoneses (ótimo , assim me sinto seguro para tirar o meu computador portátil da bolsa. Afinal, máfia italiana pode ser tudo, menos burra. E turista japones é praticamente uma loja de eletro-eletronicos ambulante), o trem ainda nao chegou, e eles parecem nervosos. Tadinhos. Logo serei eu tendo esse tipo de reacao no Brasil.

13.32h – O trem chegou. O maquinista é um gato – cabelo pelos ombros, olhos verdes. Em alguns momentos, dá para faze algum achado interessante aqui na Itália (como eu falei, o meu market share é Norte da Europa – meu  mojo nao funciona para mediterraneos, nem eu os acho taaao interessantes assim).
Sentei na minha cadeira e chuta quem tava do outro lado? Azamigue! :D Do tipo ursinas, falando espanhol. Me deram uma olhada que eu fiquei até impressionado – acostumei com a Alemanha, poxa. Mas será que elas sao realmente azamigue? Vamos ao teste:
- Mais de quarenta anos = cabelos raspados + cavanhaque: sim.
- Sobrancelha feita: sim.
- Roupa preta colada no corpo mesmo quando eles seriamente deveriam repensar essa decisao de moda  + cinto de alguma marca creica (Empório Armani, Dolce & Gabanna e similares): sim, sim.
- Tenis “transado” (= Nike Shox) fora do ambiente de academia:  sim.
- iPhone: sim.
Resultado geral do teste: seguramente sao azamigue mesmo. Ih: um deles mudou de posicao para ficar me olhando diretamente. Meda. Vou fazer carón – sei lá gente, um deles tá com um coturno sinistro, isso daí deve adorar um couro, e acho couro simplesmente horrendo. Meda.

13.43h – A paisagem é toda sempre igual de novo. Casinhas em tons pastéis, hortinhas e campos de futebol. Saco, saco, saco.
13.44h – Ai, uma das azamigue colocou agora um chapéu muito máfia. Será que eu escutei elas falando italiano e pensei que fosse espanhol? Ai meu deus, ai meu deus...
13.45 – Chegou um outro grupo de turistas no vagao. Um gato para caralho, dois barangos e umas outras 2 mocréias. O gato para caralho fez mencao de sentar na cadeira em frente a minha, mas as mocréias chamaram ele para sentar com elas no outro lado do vagao. Os dois barangos sentaram na minha frente. E nao sei nao, to sentindo sotaque brasileiro no ingles de um deles. Brasileiro na Europa é quase sempre taaaaaao chato: papinho tipo “Voce é de onde... O Rio é legal... Pois é...”, aquela conversinha mole que nunca dá em nada. Um saco.
14.00h – Um saco. Só tem hortinha e fazendinha antiga. Seria lindo se tivesse sol, mas com o tempo que está, tá taaaaao chato.
14.20h - Ainda só tem fazendinha. Saco. Dormir.

14.32h - Ui, chegamos. Depois da sequencia de fazendinhas, acabei caindo no sono. Vamos ver como Firenze vai ser...

Firenze – Pisa:

23.30h – Como diria a minha amiga Fernanda, viagem tem que ter perrengue. Estava eu, calmamente comendo o meu sorvetinho Mac Donalds (muito bom! Até o sorvete do Mac Donalds na Itália é melhor do que no resto da Europa!) e caminhando calmamente para a minha plataforma na Estacao Santa Maria de Novella. Dois turistas japoneses pediram ajuda pensando que eu era italiano, e como eu usei muito dos japas para tirar fotos minhas (japas sao os melhores para tirar foto – sacam tudo de tecnologia, enquadramento, flash ou nao, etc. Perfeito!), ajudei. Nisso passaram alguns minutinhos, e o que era uma pequena folga virou “ter que correr”. Chique. Corri, entrei no meu vagao, procurei um lugar em um vagao mais vazio e me sentei.
Nisso, eu percebi que enquanto eu corria, um italiano meio que veio me secando. E quando eu estava calmamente refastelado na minha poltrona, quem aparece subindo o vagao procurando alguma coisa? O italiano. O cara senta exatamente do lado oposto do meu vagao, numa posicao que teria que me olhar de frente. O italiano era feio de doer, eu tiro o meu guia Europe gigante da bolsa e comeco a fazer o meu carón intelectual (cara de conteúdo enquanto leio  alguma coisa). E ai que eu me lembro de um pequeno detalhe muito importante: tinha esquecido de validar a porra do ticket do trem.
Parenteses-Guia-de-Viagem: Enquanto na Deutsche Bahn (Ferrovia Alema) nem existe mais essa história de validar ticket, na Trenitalia essa pratica ainda é a regra. Porque? Enquanto as passagens de trem na Alemanha sao somente válidas para o horário que voce comprou, na Trenitália o ticket pode ser comprado e utilizado dentro de um período de cerca de 2 meses. Portanto, se voce nao valida o ticket, é como viajar sem passagem, e a multa é a mesma.
O italiano-staker olha para a passagem nao validada na minha mao, e faz um gesto meio querendo que dizer que a controladora estava logo na frente, e para ir falar com ela. Eu nao entendi porque o cara estava fazendo gestos, se eu percebi que ele estava entendendo o meu portogliano, mas mesmo assim fiz uma cara de “Ah, BRIGADAH!” e fui atras da controladora.
Itália é Itália, a controladora foi simpaticissima, assinou a passagem e tudo certo, tudo ótimo. Mas na volta, percebi que os vagoes do trem nao estavam muito... “bem frequentados” nao: um só tinha um monte de italiano com cara de Camorra meets “Os mano / As mina” que me fez gelar da espinha até a cabeca. Outro, só com imigrantes africanos – assim que eu abri a porta, 25 puro-negoes se viraram e comecaram a comentar algo entre eles enquanto ficavam olhando para mim (também, pudera: eu no meu trenchcoat, pullover lilas, cachecol displicentemente enrolado em volta do pescoco e bolsinha de turista-fresco praticamente gritava, em néon fosforecente com toques de glitter “V-I-A-D-O”). Encontrei um vagao mais pequeno, onde uma policial italiana ultra bolacha descansava numa posicao altamente “to cocando o saco”, e decidi que lá era o melhor lugar do trem pra ficar.
Quando eu estou finalmente relaxando, quem aparece no vagao? O italiano stalker. O cara faz uma cara de “Ah, encontrei voce!”, eu faco uma cara de “Ah... Oi!”, e o cara pede para sentar do meu lado. Eu fico sem reacao, o cara senta, e comeca a puxar o papo. Mas por gestos. E ai que eu percebo que o italiano-stalker fazia gestos porque nao sabia ingles, mas porque era mudo (!). E eu, que estava sonhando com um pequeno cochilo na viagem para Pisa, tava de frente para um mudo que estava parecendo super afim de manter uma conversa a qualquer custo.
Nessa situacoes, o que eu consigo fazer é colocar um sorriso “Miss Simpatia – Eu acredito na Paz Universal” e só puxar tópicos de assuntos completamente imbecis (do tipo “Tá frio hoje, nao é?”). O cara talvez fosse somente um mudo querendo conversar e ser simpático com um turista. Tentei puxar um assunto qualquer, o cara demorava séculos para se fazer entendido. Meu deus. Aí o cara comeca com uns tópicos mais private: escreve “Uomo” e aponta para mim. Eu faco carinha de inocente “Eu? Ah... Er.... Eu sou um homem sim!”. E o cara insiste, e faz um gesto do tipo passando a mao em um cara. E eu gelo: afinal, nao dava para fingir que nao tinha entendido. E com a maior cara de pau da minha vida, respondo “Eu? Com homens? Naaaaaaaaoooo...”.
Obviamente o stalker-italiano-mudo nao acredita (lembrem-se: eu estava com o meu pullover lilas), e simplesmente deita a cabeca no meu ombro e passa a mao no meu rosto. Ai o meu lado alemao vem a tona: ninguém passa a mao em mim sem autorizacao prévia. Ninguém meeeeesmo. Paquerar vale, todo mundo tem o direito de tentar, mas passou a mao sem autorizacao, leva fora direto. Levantei, falei “Ok: voce ou eu, fora! O que vai ser?”. O cara faz uma carinha de triste, levanta e vai embora.

Valeu deus: eu tinha pedido um deus grego italiano. Nao um stalker-mudo tarado. Grazie mille!

23.45h – Saudades da Alemanha: as estacoes italianas sao pessissamente mal sinalizadas, e todas parecem com todas. E para facilitar, o trem simplemsente nao anuncia em que estacao estamos. Toda estacao, eu tenho que levantar da cadeira, abrir a porta e checar se estamos em Pisa ou nao. E o medo de chegar em Livorno e ter que dormir na estacao como um homeless (porque HÁ que eu tenho dinheiro para pagar um táxi entre cidades na Itália). Para piorar, todos os imigrantes africanos estao descendo, o que significa que logo logo estarao: eu, a policial italiana bolacha e a controladora simpática, junto com trocentos projeto-de-mafioso italiano no trem. Quem voces acham que rodaria nessa? Os viado, CLARO!
23.50h – Caralho. Caralho. Caralho. Os mini-mafiosos nem gatos sao. Nem dá para fantasiar um daqueles filmes tipo “Cazzo Films”, com italianos gatos e lindos te pegando de jeito. É tudo italiano com cara de Mezzogiorno mesmo, bem tipo cafuzzone. Nao adianta: cafucu nao é o meu market share. Nao tenho vocacao para “Uma cabana e um amor”
23.55h – Se bem que eu me lembro que assim que cheguei em Estocolmo, eu vi uns lixeiros tao gatos, mas tao gatos que eu pegava fácil. E também tinham alguns mendigos em Copenhague (sim, existem) que eu também achei nada mal. Deus...
00.10h – Ai, essa porra de trem nao chega...
00.11h – O que eu faco se esse trem chegar em Livorno e eu ter perdido a estacao de Pisa? Peco para a policial bolacha para me ajudar? Mas se ela tentar abusar sexualmente de mim? Gente, nao gosto de coisa muito hard nao... Sou novinho demais para essas coisas...

00.12h – GRACAS A DEUS CHEGAMOS! Valeu Deus, Allah, Buddah, Our Lady Gaga of Vogue: valeu por mais uma graca alcancada! 

5 comentários:

Daniel disse...

HAHAHAHA. rindo muito aqui com o stalker special needs.

Anônimo disse...

Você não é um blogueiro, você é um humorista. Mesmo você curtindo só os escandinavos, não tinha um negão que valesse a pena? Numa linha Tyson Beckford.

Fernando disse...

@Daniel: Gente, e nao é que o cara ainda era casado e tinha um filho pequeno? Choquei com isso...

@Anonimo: Hahaha Thanks. Cara, eu fiquei tao chocado com os negoes falando naquele idioma africano obscuro que eu só coloquei a cara para baixo e segui em frente. :D

Leonardo disse...

Hhahahahhahaha um dos posts mais engraçado desse blog, disparado.. to miacabando aqui!

Mas como você ficou sabendo que o mudinho era casado e tinha filha? Não vai me dizer que elas estavam junto com ele... estavam?

Fernando disse...

@Leo: Ele fez os sinais dizendo que tinha filho e mulher. Sério, eu tava num momento muito bom humor e paciencia de sobra para entender o cara...