segunda-feira, 29 de março de 2010

Segunda-feira, numa universidade pública qualquer...

Segunda-feira, por volta de 8:15h, temperatura já batendo fácil os 30°C (eu super juro que estou tentando ser super ultra tolerante nessa minha volta ao Brasil HA: ok, consideremos entao um "hipoteticamente falando" no início dessa frase, mas essa temperatura tá phoda! Nao importa quantos banhos se tome por dia: se você nao fica o tempo todo no ar-condicionado, parece que você passou Cola Pritt como hidratante corporal). No meu estado semi-zumbiótico habitual nessa hora do dia, adentro a faculdade, sento na minha classe e inicio mais um dia de interessantíssimo aprendizado acadêmico. Depois de alguns minutos lutando para: a) resistir ao processo hipinótico-sonífero provocado pela voz, entonacao e didática do meu querido professor; b) nao desviar a minha atencao do quadro e ficar horas focando nas pernas, bracos e cofrinhos ma-ra-vi-lho-sos dos meus queridos colegas de classe (estilo garotao é a especialidade do meu instituto), finalmente consigo focar no processo de desenvolvimento econômico dos países europeus continentais (zzzzz) quando... um batuque ressoa pelo campus. Todo mundo se entreolha com cara de "Passarinho? Que som é esse? Quem sabe o nome dele?". Logo vem a cantoria:

" Nao deixe o samba MOOOOORREEER / Nao deixe o samba ACABAAAAAR..."

A professora olha para a janela por uns dois segundos, incrédula, mas resolve continuar a aula. Por alguns minutos, a cena surreal de um debate econômico com trilha sonora de um sambao se passa na nossa frente. Nao aguento, e desvio a atencao para a incrível tatuagem que o meu brother de classe fez durante as férias, até que... ufa! o batuque acaba. Todo mundo respira aliviado. Até que...

" Ai que o barraco desabou... BUM BUM... Nessa que o meu barco se peeerdeeeu..."

A professora manda um "Ah gente, assim nao dá!" vai lá embaixo e conversa com o improvável grupo de batuqueiros cadeirantes. Cinco minutos se passam, inspetor-da-Economia-chama-inspetor-da-Servico-Social, o batuque se encerra. Dez minutos antes do final da aula. ;)
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Cat-Chaise (detalhe: o povo come em cima dessa mesinha)
Meia hora depois, tentando acordar com um delicioso chá de café (NOT!). Mesa ao lado: duas cult-bacaninhas (os pseudo-intelectuais que se multiplicam nas faculdades públicas federais, principalmente nos cursos de ciências sociais. Bem do tipinho que tem mochilinha do Greenpeace, discurso "Temos que combater a desigualdade social!", barzinhos descolados-e-maneirex-que-só-eles-conhecem de Santa Tereza e da Lapa... mas que sempre acaba a night nas Baronetti's da vida e morreria de fome caso se visse algum dia sem empregada doméstica) discutindo assuntos do cotidiano:

Cult-bacaninha A: "Ah, você viu o Fantástico de ontem? Que absurdo aquela reportagem da Luciana!"
Cult-bacaninha B: "
Ah, amiga... Por que?!"
Cult-bacaninha A: "
Ah, amiga... aquela menina é podre de rica
(Acho super vintage essa coisa "personagem de ficcao x vida real".), com motorista e me vai para ponto de ônibus pegar busao?!"
Cult-bacaninha B: "
Ah, amiga... Ela é rica, mas também tem direito, néam?"
Cult-bacaninha A: "
Ah, amiga, mas o pessoal que tá atrasado no ônibus, poxa? Tem que ficar esperando deficiente subir em elevadorzinho?! Gente pobre, sabe, que mora em favela!"


Eu poderia falar sobre essa incrível nocao dos brasileiros de que algo só é um problema se o dinheiro que você tem infelizmente nao resolve isso. Eu poderia falar sobre essa maravilhosa lógica de que "se o problema nao é meu, porque eu tenho que ser prejudicado?!" temos. Eu poderia questionar o fato de que essas brilhantes mentes estao sendo educadas com dinheiro de todos os contribuintes brasileiros (inclusive flagelados da seca, favelados & cia).


Eu prefiro ir sentar do outro lado onde tem ar-condicionado, e colocar o meu iPod. É, acho que já estou me readaptando ao Brasil. 

7 comentários:

Daniel disse...

Isso porque vc não estudou no Direito. Lá tinha gente que ia de boina e queria reescrever a constituição para abolir a propriedade privada.
Outro dia eu vi essa mesmo cidadão no centro... ainda de camisa xadrez.

Lucas T. disse...

Daniel, pior que os de Direito sao os alunos de Historia, Sociologia e Filosofia de QUALQUER faculdade brasileira - publica ou privada.
Eu, que adoro as materias citadas, ainda me choco.

Fernando disse...

@Daniel e Lucas: Talvez por estudar Economia eu tenha uma perspectiva diferente da de vocês, mas eu sinceramente acho pior do que tudo os alunos que vao a faculdade, questionam nada do que é ensina, como se aquilo tudo fosse dado.

Talvez em direito ou história isso nao seja nem tao problemático assim. O problema é quando o povo de Economia - que deveria estar estudando com o objetivo de apresentar alternativas - concorda com tudo. Por isso, por mais que nao concorde com o marxismo (importante também separar a teoria marxista da experiência soviética), acho ainda bem melhor do que concordar com tudo que é feito de politica economica nos dias atuais.

Lucas T. disse...

Fernando, agora entendi seu ponto de vista.
Nao conheco ninguem que estude economia (!), nao sabia desse lado conformista nao. Chega a ser perigoso mesmo.

Alex Bez disse...

e aê Fernando, td bem?
vc foi em alguma baladinha em Paris desta última vez na Europa?
vc disse q faria um posto sobre Paris e até agora nada, rsrsrs
É que eu estive lá em 2008, e voltarei agora no final do mês, gostaria de saber das novidades e o que está bombando na cidade-luz.
bjs

Fernando disse...

@Alex: Fiz algumas baladinhas em Paris, mas na verdade, dessa última vez rolou muito mais restaurante, programinha mela-cueca, etc... Mas mesmo assim, vou lançar um post sobre Paris nessa semana, ok? Já tá na Zoropa, darling?

Diego disse...

Gente, onde é isso? parece o campus da Praia Vermelha.