terça-feira, 23 de março de 2010

Souvenirs videographiques de Paris

" In Paris, everybody wants to be an actor; nobody is content to be an spectator. "
Jean Cocteau, autor e cineasta francês

Como os parisienses conseguem viver numa cidade onde tudo parece diretamente saído de uma tela de cinema, todo o tempo, todos os lugares?! - foi o que eu me perguntei freqüentemente durante essa minha última viagem a Paris. Segunda viagem, a mesma reação, o mesmo deslumbramento ao ver a beleza arquitetônica na sua forma suprema, a mesma fascinação com a cidade onde tudo parece meticulosamente planejado para encantar, fascinar e principalmente... inspirar. Insuportável para todos aqueles que desejam serem meros espectadores ou somente esquecer. E o melhor palco do mundo para todos aqueles que querem protoganizar, sempre à dois, e criar momentos. Para jamais esquecer.

Je sais, je sais: tá PHODA. Paris realmente me pegou de jeito dessa vez, estou mais romântico do mocinha de novela de época rural das seis e tá difícil MERMO de sair dessa vibe "Ai-fui-tao-feliz-em-Paris!". Em minha defesa: homem bonito & inteligente & romântico (e sendo francês, precisa mesmo mencionar bem vestido?) + programinhas nada românticos (passeio de bateau mouche num dia de sol pelo Sena, vinho a dois no bar do Hotel Costes, jantar à dois num indiano maravilleuse no 10éme) + frases mega melosas, ultra clichês (para os outros, porque para quem escuta sempre é incrivelmente bom, néam? :D) suspiradas com leve sotaque francês + PARIS. Muito fator clichê junto, impossível resistir, gente! Se continuasse me sentindo 'indiferente' a tudo isso, era sair correndo porque Hitler ou Stalin teriam reencarnado em uma pessoa só: eu! 

A viagem foi ótima (merci, merci!), e definitivamente qualquer cidade se torna muito mais fácil e interessante com um local do lado. Adeus restaurantes "pêga-gringô-donnez-moi-seus-eurôs", salut restaurantes incríveis que jamais descobriria sem a ajuda de um parisiense: fui a lugares incríveis, conheci partes de Paris que tinha passado batido na minha última viagem e bien sûr estou preparando um post com todas essas informacoezinhas que podem ser úteis nas suas próximas viagens a Paris. E sim, para a felicidade dos meus leitores, teve perrengue que será contado nesse post também. :) Agora? Um micro-pequeno apanhado de memórias soltas de Paris, coisas legais que vi por lá. Nada muito formal, bem randômico mesmo.

Rick&Steve - The happienst gay couple in all the world!
Rick Brocka e Steve Ball sao o casal gay mais feliz do mundo, ou pelo menos de West Lahunga Beach. Tirando a idéia super original (como nunca pensei em fazer isso com os meus playmobils antes?), por que mesmo vale a pena ver o fofo seriado canadense? Por que os dilemas e historinhas estao longe de Desperate Housewives (que inclusive tem o equivalente "Skanky Housewives" no próprio seriado) e muito para o nosso dia-a-dia (sexo, sexo, sexo, amigas lésbicas, sexo) - tudo contado da forma mais politicamente incorreta possível, claro. A idéia é realmente zoar tudo aquilo que no fundo a gente sabe que é verdade... mas que nem sob tortura confessamos quando tem algum hetero por perto. :) Destaques? Dana, a hilária lésbica-caminhoneira-machona (presta atencao na música que toca no carro dela toda vez que ela dirige!) e o gatinho de estimacao de Rick e Steve, Pussy (adoro quando ele se comunica com os outros gatos!). E afinal, onde assistir? Fernando tá num dia de bom humor, portanto os vídeos das duas temporadas da série vai aqui!

Beautiful People & Crises "(Re)Pensamento do dia"*
uma referência, claro, aos posts-crise "Estou ficando velho!!!" do Chatonoar ;)
Quando já chegou naquela fase que os filmes e séries fazem flashback-para-a-infância para a época em que você também era criança, fudeu: hora de juntar o dinheirinho para o Renew e Botox porque tu tá ficando velho! :) E com uma pequena nostalgia dessa época onde tudo o que eu queria era crescer logo (e supresa ao perceber que já se passaram mais de dez anos do final da década de 90!) foi que eu encontrei Beautiful People, uma série da BBC. Inspirado nas memórias do diretor criativo da Barneys, Simon Doonan, a história é basicamente uma constante volta-ao-passado do agora elegante, nova-iorquino e cosmopolita Simon à sua adolescência na mordorrenta, chata e nada glamurosa Reading de 1997. Pra mim, é uma verdadeira terapia de regressao: o garoto era o viadinho-saco-de-pancada do colégio (lembram do meu trauma do Mirabel?), morador de um subúrbio qualquer na já suburbana Reading (quer saber, eu confesso: sou suburbano, nao nasci na Zona Sul, já peguei muito trem e o que eu mais sentia falta em Hamburgo era de um bom pastel com caldo-de-cana!) mas com uma cabecinha cheia de sonhos que pareciam completamente inalcançáveis naquela época (chuta desde quando eu planejava a minha viagem para a Europa?). Os personagens sao fofíssimos: o melhor amigo Kyle (que se apelida Kylie - em homenagem a Minogue - e é completamente fanático pela Princesa Diana. Aquele tipo de viado que desde do bercário já chupava a chupeta de uma forma meio entendida e tá nem ai para o que os outros pensam, sabe? rs) e os pais do Simon, Debbie e Andy (os pais-tolerantes-de-gays mais críveis que eu já vi até hoje na dramaturgia, que mesmo nao entendendo porque aquele garoto que insistia-em-ser-meio-diferente buscavam dar o maior apoio que um gay adolescente poderia querer no mundo) sao os meus preferidos. As trilhas sonoras sao incríveis: muito Five (!), Westlife (!!), Spice Girls (!!!!! - um dos episódios se chama "How I got my Posh" - quem nao lembra das bonecas das Spice Girls, auge do Girl Power?! Eu sempre AMEI a Posh Spice e juro que uma das primeiras coisas que pensei quando vi o Albert Hall foi no show do final de Spiceworld) e o melhor do Pop chiclete-grudento típico da época. Acho legal pela sessao "de-volta-no-túnel-do-tempo" (perceber que já deu para realizar tanta coisa que eu jamais achei que ia realizar!), pela historinha de um viado com carteirinha de senior membership no nosso clube (sempre desconfiei que a minha vocação pra fazer bandage dress usando meia nas Barbies da minha irma nao era só "parte de uma fase que ia passar"...) e para relembrar de uma época que definou o pessoal de vinte-e-poucos (nem tantos, néam?) de hoje! :) (Onde ver os episódios? Google > "Beautiful People BBC videos" > Buscar e se viraê, playboy!).

Yesterday dans Paris

Caminhando sozinho por alguma rua do 6éme, céu lentamente escurecendo com o final de tarde, vento frio de início de primavera batendo no meu rosto, vestido no meu 'uniforme' (vocês sabem: skinny, trench, cachecol - eu nao me canso, eu sei, eu sei...), parisienses ao meu redor apressados seguindo para casa. E em frente a uma brasserie, uma elegante senhora sentada perto da janela, com uma taca de vinho tinto a sua frente. Eu escuto "Yesterday" do Charles Aznavour tocando no bar. E o meu olhar cruza com o dela; eu sorrio, ela sorri de volta. E eu continuo seguindo em frente, em direção ao metrô. Pensando na grande responsabilidade que é ser jovem. Um dia serei eu, sentado numa janela de brasserie daquelas, olhando jovens passarem apressados em direção ao metrô; o ciclo natural da vida seguindo seu curso (ainda bem que inevitável!). E para mim, sabe o que realmente vai contar nessa hora? Muitas, muitas memórias para relembrar. E poder dar um sorriso ao relembrar de todas as coisas irracionais, insanas, loucas que fiz quando jovem e que exatamente me proporcionaram todos esses momentos dos quais estarei me lembrando. E antes do gole final na taca à minha frente, poder pensar na vida como o ato de beber um bom vinho: uma experiência complexa, muitas vezes difícil de ser apreciada da forma que tem que ser, mas quase sempre... fantástica.

10 comentários:

Daniel disse...

Tá... agora conta os detalhes uominiescos da viagem!!!

Fernando disse...

@Daniel: Que detalhes uominescos da viagem, criatura? :) Só se forem esses: sexo monogâmico da mais alta qualidade, alta regularidade e obrigado deus pela cabeca aberta dos franceses! :D

Anônimo disse...

bicha chata! ainda bem que foi embora daqui! ilegal!

Fernando disse...

@Anonimo: Pois é, né querido? Paris
é bom, mas não dá para ser para sempre - pelo menos agora. Deve rolar outra semana em Paris até o final do ano, juro que divido tudo aqui com você. ;)

Mas conta aí: como vai a vida em Londres? Lavando muito prato e pagando de bicha fina européia para os amigos no Brasil?

Lucas T. disse...

Soh estive em Paris uma vez, gostei bastante, tava com a familia e tal.

Baixei a 1a temporada de Rick & Steve. Assisti soh o primeiro ep. ate agora, achei ok, vamos ver como sao os proximos.

E medo dessa gente anonima. Tem que ser mto otario mesmo.

Ítalo disse...

Hum, que bom que sua viagem a Paris foi merveilleuse, Fer! Il arrivera un jour où je profiterai beaucoup comme toi ce voyage! rsrs

Ah, fiquei aqui pensando no que vc escreveu, sobre o pensamento aberto dos franceses... Ultimamente, têm-se denunciado muitos casos de homofobia na França, jovens que mesmo morando em centros urbanos são vítimas de preconceito, isso até nas universidades. Até o prefeito de Paris, que é gay (não sei se é o atual ou o anterior) tb chegou a reclamar disso.... Espero que isso mude logo. Até a França, querendo ficar homófoba?

Fernando disse...

@Lucas T.: Cuidado com Rick&Steve. Essa porra é viciante. E os FDP's dos produtores só produziram até a segunda temporada, e me fizeram de deixar um MEGA mistério no ar. :D

Fernando disse...

@Ítalo: Primeiro, Paris foi exatamente como nos meus sonhos e clichês mais bobos. :) Vale MUITO a pena mesmo ir.

Sobre homofobia, na Europa inteira tem-se notado um conservadorismo voltando. Eu vi muitos italianos reclamando disso (aliás, a decadência desse incrível paîs caminha a passos largos, coitados), na Alemanha esporadicamente acontecem alguns casos... Muita gente tem questionado se isso nao é efeito da imigracao em massa que a Europa recebeu nas últimas décadas. Em Paris fica clara como uma parte da populacao vive numa bolha dentro da sociedade francesa, nao necessariamente compartilhando os valores democráticos do pessoal do mainstream. E isso dá uma assustada.

Mike disse...

Ola Fernando! Vou para Paris em setembro. Por favor ajude-me a evitar os "pêga-gringô-donnez-moi-seus-eurôs"!
Compartilhe as tuas dicas, vai!
Abração

Fernando disse...

@Mike: Vou lançar um post sobre Paris nos próximos dias, mas desde já falo que você escolheu uma época ÓTIMA para ir para Paris. Fuja de Agosto, ok?