O último talk of the town - ou melhor, the country - aqui na Alemanha é sobre a morte do goleiro da selacao alema Robert Enke. Ontem de noite, as 18:15h, o carro onde estava o goleiro se chocou contra um trem expresso perto de Hannover, nao muito longe daqui de Hamburgo. Tudo indica para a tese de suicídio, porque o carro teria sido atingido quando estava sobre a linha férrea, mas distante de qualquer ponto de cruzamento: ele teria dirigido sobre os trilhos dos trem até o ponto onde o trem se chocou contra ele.
Suicídio sempre é um tema bem complicado, e aqui na Alemanha as pessoas estao um bem afetadas por se tratar de uma figura importante, heroí nacional do esporte. O goleiro teve alguns problemas recentes na carreira esportiva dele, e também na vida pessoal: em 2006, ele e a mulher dele perderam uma filha de dois anos, vítima de uma doenca do coracao; mas tudo parecia resolvido para a família, e inclusive eles adotaram em Maio uma crianca com atualmente 8 meses de idade. Enfim, os alamaes estao surpresos, e discutem os motivos para esse ato desperado de um cara com uma carreira de sucesso.
Algumas discussoes sobre o tema aqui também seguem inevitavelmente para a questao do tempo: o outono chegou com forca total aqui. A Alemanha como um todo é um país de transicao do clima temperado oceanico para o temperado continental: o Sul tende a ser mais frio mas também mais seco (=mais sol) enquanto no Norte chove praticamente o ano inteiro. O resultado disso é que o Norte - especialmente Hamburgo, a grande cidade do Norte do país - ficam imersos num combo chuva+frio+falta de sol que acaba por deixar o humor das pessoas sempre um pouco mais negro, senao mais soturno. Sim, pelo o que eu sei, faz um calor senegales atualmente no Rio e voces devem estar morrendo de inveja, mas confesso que estou comecando a sentir os efeitos do frio e falta de sol prolongado, e isso ficou claro para mim quando voltei de Portugal: mesmo com tempo mais para chuvoso em Lisboa, foi um pequeno choque voltar para Hamburgo e encontrar as árvores já quase que completamente desfolhadas, e o tempo ainda mais frio e escuro. Cheguei na Alemanha em fevereiro passado, no auge do inverno, mas talvez nao tenha sentido nada pela mudanca extrema do verao tropical para o inverno europeu; mas dessa vez, confesso que o tempo comeca me me incomodar gradualmente.
Parcialmente "felizmente" eu volto para o Brasil em Janeiro, mas os coitados dos alemaes tem que lidar com esse tempo até Marco ou Abril. E ainda o pior está por vir: os meses de Janeiro e Fevereiro, ainda mais chuvosos, escuros e frios, exatamente quando os meus amigos alemaes reclamam que já estao exaustos desse tempo que nao muda. Compreensível porque a indústria de turismo na Alemanha é tao forte: nesse época, os voos para os poucos lugares ainda com clima mais aceitável dentro do continente europeu (dentre eles, principalmente as ilhas atlanticas dos Acores e Madeira) se multiplicam, com vários alemaes em busca de um pouco de sol e vitamina E.
É amiguinhos: esse post é para mostrar para os meus caros amigos brasileiros que acham que ficamos sentados aqui na Europa dentro de um café, tomando um capuccino quentinho, decidindo se vamos esquiar nos Alpes Austríacos ou passar um final de semana em Milao... :) (Ou seja: estou matando por um final de semana em Ipanema, praia, sol, mar...)
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Le Podrón Bleu - A grande culinária das ruas
(Podrón: substantivo originário do carioques "podrao"; = todos aqueles lanchinhos preparados carinhosamente pelos tios com barraquinhas nas ruas, alguns com um poder laxativo de 350 Activias concentrados em uma pequena refeicao. :) Maravilha! )
Europa é elegancia, Europa é estilo, Europa é culinária refinada. Ok, é isso que pensamos da Europa no Brasil. O fluxo de imigrantes cruzando fronteiras em direcao ao Velho Continente acabou por trazer por aqui uma das melhores coisas do Terceiro Mundo: tiozinhos que vendem aquelas comidinhas eXpertas em barraquinhas de rua. Afinal, sejamos sinceros: um bom restaurante frances e italiano dá para encontrar em qualquer cidade, mas aquela comida fast trash maravilhosa... nao é taaao fácil assim. ;)
E também, ninguém vai ao Fasano depois de voltar da night/balada, portanto, isso será parte fundamental da sua viagem por aqui!
Entao, vamos aos meus achados:
Estocolmo - French Hot Dog
Sim, eu também acho: super sexual, meio fálico. E segundo meus amigos franceses, essa coisa nem existe na Franca (saudade dos meus amigos franceses/esnobes/nojentinhos! Eles eram tao fofos!). Mas é assim que os suecos chamam esse cachorro-quente. O esquema é o seguinte: um pao tipo mini-baguete, assado com um buraco no meio. Tio Hassam/Kaleb/Mohammad pergunta quais os molhos que voce quer (tem maionese, molho de alho, ketchup - nem faco idéia de como se fala isso em sueco, mas é só perguntar em ingles que eles respondem - até imigrante na Suécia é poliglota. Acho digno), se voce quer dar uma tostada nele de leve. E poe a salsicha, e nhac! Muito bom. Perfeito, porque o molho fica dentro do pao, portanto os suecos phynos nem sujam a camisa Comme des Garcons ou a bolsa Prada deles. E tudo isso por justíssimos 35SKr (= €3,5, com coroa sueca é só multiplicar por 0,01 que voce acha o valor em euro) - ou seja, a única coisa barata que voce vai comer nesse país. Elegancia tem preco, honey. E na Suécia, esse preco é MUITO alto. Amo!
Hamburgo (e na Alemanha em geral) - Currywurst e Döner Kebap
Currywurst: Sim, eu também pensei "Que porra de curry? Curry é da Índia, né?!". Enfim, mistérios a parte, é o salsichón mais popular da Salsicholandia. A salsicha tem um pouco de curry, mas esse pozinho laranja é colocado em cima de tudo para dar um spice up na coisa. E esquece essa coisa de que comida na Europa nao é apimentada: restaurante tailandes já chegou por aqui, e todos estao acostumados a bastante tempero nas coisas - até um pouco demais se voce nao é de Salvador ou do México. O molhinho vermelho é ketchup, e voce também pode pedir "Schranke" (= com ketchup e mostarda) - se voce tiver carinha de árabe e ainda mandar essa, vai entrar no gueto dos manos de Istambul fácil e quem sabe pode rolar até um desconto.
Döner: Ainda mais popular que salsichao por aqui, vendido exclusivamente pelos turcos apesar de ter sido inventado em... Berlim (globalization meets podrón). Na verdade, o Döner Kebap é o da esquerda da foto (comido tipo um taco mexicano), mas eu pessoalmente prefiro o da direita, o Döner Dürum, enrolado e mais prático de comer (sou do mundinho de Prada, nao tenho camisa Comme des Garcons, mas nem fudendo quero sujar as minhas recentes aquisicoes H&M. C&A e Renner: Mein Arschloch!) Tio Cemal/Neylan/Nazim pergunta se voce quer de carne de galinha ou carneiro, pergunta se voce o que voce quer de salada, e oferece um infinidade de molhos (todos com aquela carinha especial de "Come-me e perca peso"). Infelizmente aqui os imigrantes nao falam ingles, o alemao tem um leve soft sotaque de Izmir (se voce entender de primeira, ganha uma passagem para Turquia na hora), entao voce vai ter que se virar para entender e escolher o que voce quer auf Deutsch. Ou vai na sorte mesmo ("Alles!"). Mas o povo do terceiro mundo é unido: os tios turcos nao falam alemao, mas se voce for simpático com eles, eles até te oferecem uma xícara de excelente chá preto kostenlos (= free) para acompanhar. E segundo um amigo cipriota, turcos never say non, entao quem sabe, néam... ;)
Copenhague - Danish Hot Dog
Sim, o povo da Albinolandia nao tem nenhuma criatividade para podroes locais, e átóooran uma comida americana (vide os onipresentes 7/11 - melhor loja ever, praticamente um Mac Donalds meets Loja de Conveniencia). Contei para os meus amigos danes que tinha ido comer Smørrebrød (segundo o meu guia, A comida dinamarquesa) me achando THE mega ultra insider e eles me devolveram um "Whaaat?". Mistério: nunca sabarei certamente se foi pela minha pronúncia em dinamarques, porque eu nao imitei o fonema de vomitar direito (veja esse post) mas acho mesmo que eles nem se dao ao trabalho de comer essas comidas típicas. Afinal, desafio quase impossível ensinar aos imigrantes como se faz isso em dinamarques, e RÁ RÁ RÁ que eles vao enfiar a barriguinha branca, escandinava, rykah e desenvolvida deles no fogao para cozinhar. Nej way! Voltando a co fria: voce recebe somente o pao com uma salsicha magriiiiinha, e coloca o quanto quiser de picles, mostarda e alho frito. Melhor colocar a mostarda primeiro, senao a estrutura nao tem "sustancia" nem consistencia, e vai desmoronar enquanto voce comer. E pode pedir em ingles mesmo - já tá do outro lado do Estreito de Öresund, mas eles ainda sao escandinavos, rykos e desenvolvidos (amo demais essa expressao. :) Os albinos ficam todos bobos quando eu mando essa - parte da minha técnica "latino/sou-do-terceiro-mundo/me-pega-casa-comigo-e-me-dá-asilo-político").
Londres - ?
Gente, to passado: nao me lembro de nenhum podrao especificamente londrino! Nao, eu nao comi fish n' chips porque eu sou alérgico a peixe. E nao me lembro de nada mais que possa entrar para Le Grande école de la cuisine podrónnaise - bem, tinha imigrante do mundo inteiro, praticamente Nova Délhi, Karachi e Dacca inteiras por lá... mas nada realmente onipresente nas ruas (além de muito brasileiro, claro). Pessoalmente eu me acabava nos Tescos e Mark&Spencer da vida (muita promocao Sanduíche + Suquinho + Barrinha de Cereal ou Sorvete por 1,20£), tomava litros de Cherry Coke (AMO sabores estranhos de Coca: o meu preferido aqui na Alemanha é o Vanilla Coke), mas nada de realmente presente em todas as ruas londrinas. Enfim, aberto a sugestoes.
Lisboa - Castanhas Portuguesas Assadas
Ok, eu confesso: eu nao comi essa coisa. Primeiro, eu odeio castanhas, sementes e comidas de passarinho em geral. Segundo, eu tinha que reservar as minhas capacidades calórico-estomacais para os pastéis de Belém (post sobre Portugal vindo, juro!), portanto nao me apeteceu muito comer esse bando de semente torrada - terminei a viagem com o score de 12 pastéis de Belém comidos, e se desse mole comia ainda mais. Os pastéis de Belém? H-U-M-I-L-H-A-M o do Habiba, e nao tem comparacao com nenhum outro. As castanhas portuguesas? Tinham um cheiro muito bom. Mas nao senti confianca, nao senti vontade. Eu gosto de bomba calórica, eu gosto de pico de glicose. Castanha assada é Mundo Verde demais para mim.
E claro, a pesquisa ainda prossegue. Paris, Pisa/Florenca e Barcelona ainda pela frente, e muita culinária refinada to see. ;)
Ahhhh, mas o podrao carioca... :D
Europa é elegancia, Europa é estilo, Europa é culinária refinada. Ok, é isso que pensamos da Europa no Brasil. O fluxo de imigrantes cruzando fronteiras em direcao ao Velho Continente acabou por trazer por aqui uma das melhores coisas do Terceiro Mundo: tiozinhos que vendem aquelas comidinhas eXpertas em barraquinhas de rua. Afinal, sejamos sinceros: um bom restaurante frances e italiano dá para encontrar em qualquer cidade, mas aquela comida fast trash maravilhosa... nao é taaao fácil assim. ;)
E também, ninguém vai ao Fasano depois de voltar da night/balada, portanto, isso será parte fundamental da sua viagem por aqui!
Entao, vamos aos meus achados:
Estocolmo - French Hot Dog
Sim, eu também acho: super sexual, meio fálico. E segundo meus amigos franceses, essa coisa nem existe na Franca (saudade dos meus amigos franceses/esnobes/nojentinhos! Eles eram tao fofos!). Mas é assim que os suecos chamam esse cachorro-quente. O esquema é o seguinte: um pao tipo mini-baguete, assado com um buraco no meio. Tio Hassam/Kaleb/Mohammad pergunta quais os molhos que voce quer (tem maionese, molho de alho, ketchup - nem faco idéia de como se fala isso em sueco, mas é só perguntar em ingles que eles respondem - até imigrante na Suécia é poliglota. Acho digno), se voce quer dar uma tostada nele de leve. E poe a salsicha, e nhac! Muito bom. Perfeito, porque o molho fica dentro do pao, portanto os suecos phynos nem sujam a camisa Comme des Garcons ou a bolsa Prada deles. E tudo isso por justíssimos 35SKr (= €3,5, com coroa sueca é só multiplicar por 0,01 que voce acha o valor em euro) - ou seja, a única coisa barata que voce vai comer nesse país. Elegancia tem preco, honey. E na Suécia, esse preco é MUITO alto. Amo!
Hamburgo (e na Alemanha em geral) - Currywurst e Döner Kebap
Currywurst: Sim, eu também pensei "Que porra de curry? Curry é da Índia, né?!". Enfim, mistérios a parte, é o salsichón mais popular da Salsicholandia. A salsicha tem um pouco de curry, mas esse pozinho laranja é colocado em cima de tudo para dar um spice up na coisa. E esquece essa coisa de que comida na Europa nao é apimentada: restaurante tailandes já chegou por aqui, e todos estao acostumados a bastante tempero nas coisas - até um pouco demais se voce nao é de Salvador ou do México. O molhinho vermelho é ketchup, e voce também pode pedir "Schranke" (= com ketchup e mostarda) - se voce tiver carinha de árabe e ainda mandar essa, vai entrar no gueto dos manos de Istambul fácil e quem sabe pode rolar até um desconto.
Döner: Ainda mais popular que salsichao por aqui, vendido exclusivamente pelos turcos apesar de ter sido inventado em... Berlim (globalization meets podrón). Na verdade, o Döner Kebap é o da esquerda da foto (comido tipo um taco mexicano), mas eu pessoalmente prefiro o da direita, o Döner Dürum, enrolado e mais prático de comer (sou do mundinho de Prada, nao tenho camisa Comme des Garcons, mas nem fudendo quero sujar as minhas recentes aquisicoes H&M. C&A e Renner: Mein Arschloch!) Tio Cemal/Neylan/Nazim pergunta se voce quer de carne de galinha ou carneiro, pergunta se voce o que voce quer de salada, e oferece um infinidade de molhos (todos com aquela carinha especial de "Come-me e perca peso"). Infelizmente aqui os imigrantes nao falam ingles, o alemao tem um leve soft sotaque de Izmir (se voce entender de primeira, ganha uma passagem para Turquia na hora), entao voce vai ter que se virar para entender e escolher o que voce quer auf Deutsch. Ou vai na sorte mesmo ("Alles!"). Mas o povo do terceiro mundo é unido: os tios turcos nao falam alemao, mas se voce for simpático com eles, eles até te oferecem uma xícara de excelente chá preto kostenlos (= free) para acompanhar. E segundo um amigo cipriota, turcos never say non, entao quem sabe, néam... ;)
Copenhague - Danish Hot Dog
Sim, o povo da Albinolandia nao tem nenhuma criatividade para podroes locais, e átóooran uma comida americana (vide os onipresentes 7/11 - melhor loja ever, praticamente um Mac Donalds meets Loja de Conveniencia). Contei para os meus amigos danes que tinha ido comer Smørrebrød (segundo o meu guia, A comida dinamarquesa) me achando THE mega ultra insider e eles me devolveram um "Whaaat?". Mistério: nunca sabarei certamente se foi pela minha pronúncia em dinamarques, porque eu nao imitei o fonema de vomitar direito (veja esse post) mas acho mesmo que eles nem se dao ao trabalho de comer essas comidas típicas. Afinal, desafio quase impossível ensinar aos imigrantes como se faz isso em dinamarques, e RÁ RÁ RÁ que eles vao enfiar a barriguinha branca, escandinava, rykah e desenvolvida deles no fogao para cozinhar. Nej way! Voltando a co fria: voce recebe somente o pao com uma salsicha magriiiiinha, e coloca o quanto quiser de picles, mostarda e alho frito. Melhor colocar a mostarda primeiro, senao a estrutura nao tem "sustancia" nem consistencia, e vai desmoronar enquanto voce comer. E pode pedir em ingles mesmo - já tá do outro lado do Estreito de Öresund, mas eles ainda sao escandinavos, rykos e desenvolvidos (amo demais essa expressao. :) Os albinos ficam todos bobos quando eu mando essa - parte da minha técnica "latino/sou-do-terceiro-mundo/me-pega-casa-comigo-e-me-dá-asilo-político").
Londres - ?
Gente, to passado: nao me lembro de nenhum podrao especificamente londrino! Nao, eu nao comi fish n' chips porque eu sou alérgico a peixe. E nao me lembro de nada mais que possa entrar para Le Grande école de la cuisine podrónnaise - bem, tinha imigrante do mundo inteiro, praticamente Nova Délhi, Karachi e Dacca inteiras por lá... mas nada realmente onipresente nas ruas (além de muito brasileiro, claro). Pessoalmente eu me acabava nos Tescos e Mark&Spencer da vida (muita promocao Sanduíche + Suquinho + Barrinha de Cereal ou Sorvete por 1,20£), tomava litros de Cherry Coke (AMO sabores estranhos de Coca: o meu preferido aqui na Alemanha é o Vanilla Coke), mas nada de realmente presente em todas as ruas londrinas. Enfim, aberto a sugestoes.
Lisboa - Castanhas Portuguesas Assadas
Ok, eu confesso: eu nao comi essa coisa. Primeiro, eu odeio castanhas, sementes e comidas de passarinho em geral. Segundo, eu tinha que reservar as minhas capacidades calórico-estomacais para os pastéis de Belém (post sobre Portugal vindo, juro!), portanto nao me apeteceu muito comer esse bando de semente torrada - terminei a viagem com o score de 12 pastéis de Belém comidos, e se desse mole comia ainda mais. Os pastéis de Belém? H-U-M-I-L-H-A-M o do Habiba, e nao tem comparacao com nenhum outro. As castanhas portuguesas? Tinham um cheiro muito bom. Mas nao senti confianca, nao senti vontade. Eu gosto de bomba calórica, eu gosto de pico de glicose. Castanha assada é Mundo Verde demais para mim.
E claro, a pesquisa ainda prossegue. Paris, Pisa/Florenca e Barcelona ainda pela frente, e muita culinária refinada to see. ;)
Ahhhh, mas o podrao carioca... :D
Marcadores:
Comida,
Deutschland,
Europa,
Portugal,
Skandinavien,
United Kingdom,
Viagem
Ainda sobre a Queda do Muro de Berlim...
Devido a pedidos de alguns amigos, aqui vao alguns vídeos em ingles para os nao versados no idioma de Goethe:
1) Moments in History - The fall of the Berlin Wall2) The Opening of the Wall at Berlin Bornholmer Straße 1989
Agora, em alemao, outro achado: uma reportagem em oito partes do canal ZDF sobre Schabowski e a famosa página que derrubou o Muro. Schabo ainda vive, é um velhinho simpático e passou por momentos complicados assim que o muro caiu: foi condenado a 3 anos de prisao por traicao ao regime comunista, mas ficou preso somente um e foi liberado por perdao do prefeito de Berlim.
E para terminar, uma reportagem que eu li ontem na capa do jornal Hamburger Morgenpost (versao hamburguesa do Meia Hora ou qualquer tablóide popular que existe nas grandes cidades) enquanto voltava para casa no UBahn: Os ossis que, naquela noite, dirigiram para Hamburgo e foram direto para o Kiez (Kiez é o Red Light District de Hamburgo, onde a maior parte das casas de prostituicao, boates e sex-shops ficam localizadas).
Segundo a reportagem, os ossis entraram em extase com os produtos dos sex shops (completamente estranhos para eles) e deixaram as prateleiras completamente vazias; iam as prostitutas para ver somente "como elas eram" e confrontados com "Como explicar os filhos o que era aquele mundo cheio de brilho?" (afinal, todos levaram tudo o que tinha, com medo de que a fronteira fosse fechada novamente) diziam para as criancas que "aquelas meninas só faziam um desfile de moda na rua". :) Inclusive fotos com os famosos policiais da Reeperbahn (os melhores policiais do MUNDO: controlar alemao de 2m de altura, bebado, se debatendo, falando "Por favor, entre no carro" enquanto imobiliza o cara nao é para qualquer polícia do mundo nao) todos queriam.
Ah Alemanha... Quando eu penso que eu já vi o suficiente de voce, enchi o saco daqui e sonho com viagens para outros lugares, voce me mostra como é um privilégio estar aqui. :)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
E um dia Berlim já foi duas...
O novo século se mostra ingrato e cruel com Berlim. Duas guerras mundiais resumem a cidade a ruínas, e a outrora esclarecida, educada e humanista Alemanha ressurge da Segunda Grande Guerra humilhada pelas crueldades e atrocidades cometidas pelo regime nazista. Berlim ocupada, Berlim dividida, Berlim murada.
Durante 28 anos os berlinenses foram impedidos de circular livremente pela sua cidade. Todos nós estudamos isso nos livros de história, mas acho que somente em Berlim mesmo dá para ter uma dimensao exata da irracionalidade disso. Seria como por 28 anos os cariocas de Botafogo fossem impedidos de irem a praia em Ipanema, ou os paulistanos da Consolacao de irem tomar um chopp no Paraíso. Fora as inúmeras histórias de casais, famílias e amigos separados pela construcao do muro. Espacos de convivencia pública, como a Potsdamer Platz, que foram divididos e marcados como um terreno militar, tabuleiro de duas potencias mundiais. Acho que o efeito prático disso na vida dos berlinenses só pode ser visto mesmo dando uma olhada nos mapas históricos das redes de metro (U-Bahn) e trens urbanos (S-Bahn):
Berlim Ocidental, 1974 (As estacoes marcadas com X sao parte das linhas que passagem por dentro de Berlim Oriental e onde os trens ocidentais nao paravam - as chamadas Estacoes Fantasma)
Berlim Oriental, 1988: As linhas de trens "envolvem" Berlim Ocidental no lado esquerdo da figura, mostrando o isolamento da "ilha capitalista"
Quando fui a Berlim, em Maio de 2009, confesso que inicialmente odiei a cidade. Berlim, como eu falei acima, é suja, desorganizada, grande e feia: tudo o que Hamburgo nao é. A cidade é um choque de realidade quando se vem do lado Ocidental da Alemanha, mostrando que a integracao alema ainda tem muito a fazer pelos antigos Ossi's. Fiquei num hostel em Berlim Oriental com amigos do Erasmus (lembro da cara de choque da minha amiga sueca, e dava para ler na cara dela "E a Alemanha é mesmo um país desenvolvido?"), e apesar de ser um estudante de economia bem pé no chao, saber dos inúmeros problemas de habitacao que temos no Rio de Janeiro e Brasil... deu para perceber a scheiße que Berlim Oriental herdara dos soviéticos: é impossível se sentir bem num ambiente que trata as pessoas como números em um sistema. A arquitetura de Berlim Oriental é um erro que os próprios alemaes nao sabem como lidar: conviver com aquilo provoca desconforto e depressao, destruir significa gerar ainda mais custos para um país com economia cambaleante e apagar um passado que de alguma forma... faz parte da história da cidade.
No último dia na cidade, depois de inúmeras deventuras (a serem contadas num post futuro), tivemos um tour que mudou completamente a minha percepcao da cidade. Um guia ingles, estudante de história (lindo: amo cara de ingles esnobe + sotaque de listening exercise da Cultura Inglesa) levou a gente a um tour interminável pela cidade, e em cada 100m, parava para comentar algo que tinha acontecido naquela cidade.
E aquele tour me fez pensar... Pensamentos que eu só consegui consolidar na hora que eu voltei para Hamburgo, e vi essa cidade onde a maior parte dos prédios foi cuidadosamente reconstruída e onde a vida seguiu em frente depois da Segunda Grande Guerra.
A conclusao que eu cheguei foi a que, por mais complicados, paranóicos por controle, certinhos que os alemaes sejam... a capacidade desse povo de superacao é surpreendente. E que Berlim é a prova viva em forma de cidade disso. Berlim foi várias cidades durante o século XX, e ao mesmo tempo somente uma. E que se algo de positivo pode ser extraído desse século traumático para a cidade e para o país é que atualmente a Alemanha é essencialmente um país tolerante, democrático e livre. Os alemaes sabem o valor e a importancia disso - e por isso quase chegam ao extremismo na hora de controlar qualquer sentimento mais patriótico: alemaes nao falam que tem "orgulho" da Alemanha, e bandeiras sao bem menos encontradas do que em outras nacoes européias.
Mesmo assim, o clima hoje aqui é semelhante ao clima de dia da Independencia que temos no Brasil (na verdade esse clima comecou em Outubro, com o aniversário da Unificacao Alema, feriado por aqui). Há 20 anos atrás, os alemaes voltaram a ser um único povo: os comedores de salsicha, engenheiros que fabricam os melhores carros do mundo e obcecados por pontualidade. :) E de alguma forma, a queda do Muro permitiu aos alemaes fecharem definitivamente o capítulo da Segunda Guerra e seguirem em frente. Rumo a um país moderno, mas ainda sob as bases históricas de tudo que aconteceu aqui.
Termino o post meio nostálgico/meio aula de história com o vídeo recomendado pelo guia, em que o assessor de imprensa Schabowski comete a histórica confusao de anunciar (erroneamente) a abertura das fronteiras da RDA, provacando a histeria e o movimento de massa dos alemaes orientais em direcao aos pontos de controle entre os dois países.
Como eu brinco com os meus amigos alemaes, ironico pensar que o destino da controlada Alemanha foi definido... por um erro por falta de planejamento e cuidado. :)
---
P.S.- De forma alguma eu quero desmerecer Berlim como destino de viagem nesse post, ok?! É só uma questao de preferencia pessoal: adoro organizacao, criancinhas loiras desenvolvidas correndo felizes pela relva de um parque bem cuidado e potinho de flores na janela (afinal, o meu lado virginiano tem que se manifestar em alguma coisa). Berlim é a cidade resultado da história européia do século XX., e se voce procura Europa Clássica (castelo, galeria histórica e restaurante com vista para o lago), melhor voltar para a CVC e pegar um daqueles pacotes "Europa Clássica - Madri, Paris, Roma e Veneza em 5 noites". Berlim é dura, suja e sem acabamento - mas é definitivamente uma cidade que vale a pena ser visitada. Ironicamente, a cidade assume mais uma vez o papel de capital da nova Europa que está surgindo. E a oportunidade de ver isso acontecendo é seguramente imperdível. :)
sábado, 7 de novembro de 2009
In my head: Fernando Pessoa
"Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um."
Fernando Pessoa
Ler isso estampado na parede de um restaurante do Chiado me faz entender o sentido real de viajar. Algo no ato de se conhecer o desconhecido acaba resultando se em encontrar partes suas outrora esquecidas ou até mesmo desconhecidas. Partes suas que talvez sempre já estivessem ali, mas nunca afloraram. E que durante o ato de se conhecer um lugar novo, pessoas novas, sensações novas... simplesmente surgem.
Porque em certos momentos, se precisa ir até o outro lado do mundo para se encontrar.
Encontrar-se no desconhecido... engraçada ironia da vida...
Obrigado Fernando Pessoa por tornar a viagem para Lisboa certamente ainda mais inesquecível.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Lisboa: Dia Um, Quarta-feira
Embarque
Finalmente um embarque sem desastres (bem, na verdade… eu preciso acessar a internet assim que chegar em Portugal, porque esqueci de anotar o telefone e endereco do meu anfitriao… Mas enfim, absolutamente contornável!). Vir ao aeroporto de Hamburgo me traz uma sensacao boa: me lembro do Fernando que aqui chegou 8 meses atrás, congelando de frio, sem casaco de inverno, sem saber o que me aguardava fora dos portoes daqueles portoes de desembarque. Como eu sempre viajo via Ryanair (ou seja, embarque no longínquo aeroporto de Lübeck – 1,5 de distancia de Hamburgo), esperei 8 meses para retornar a Fuhlsbüttel e perceber o quanto eu mudei.
Voo
Pequenas felicidades: jornais portugueses na entrada, comissárias de bordo falando portugues, piloto nos saudando em portugues (e falando „descolagem“: AMEI descolagem! Rs). Felicidade de escutar o nosso idioma de novo, de me sentir 200% confortável com um idioma. Comissárias de bordo simpáticas - ao contrário do que eu já escutei sobre TAP. Nesse momento, sobrevoando o Atlantico (acabamos de sair da costa francesa), o mar tem um tom de azul que há muito tempo eu nao via (o Báltico é meio cinza...), um sorriso bobo se abre no meu rosto junto com um pensamento de „Estou um bocadinho mais perto de casa“. Ah, um portugues LINDO (moreno, alto, forte na medida certa) voa na fileira de poltronas exatamente a frente da minha. Acho que eu conheco o cara (apresentado por um amigo alemao), mas o cara nao fez nenhuma cara de me reconhecer, entao… :( Mas por Manoel, Joaquim e Maria: como o cara é lindo: já examinei tudo o que poderia ser examinado no cara – o cabelo, a pele, até as sobrancelhas dele sao absolutamente perfeitas. Genética (e recalque) é phoda…
Desembarque
Lisboa vista de cima é belíssima. A luz do sol muda no Sul da Europa – algo mais próxima a luz que temos nos trópicos, e isso desperta em mim uma felicidade quase que infantil. Olhando o portugues gostoso com mais cuidado, lembro que já fomos apresentados em Hamburgo por um amigo alemao em comum, e vou falar com ele. Recepcao amistosíssima, e vamos conversando até o momento de pegar as malas sobre as nossas desventuras amorosas em terras germanicas (sim, deus existe: ele também é gay). Vasco (amo nomes tradicionais portugueses) me dá o telefone hamburgues dele e pede para que eu ligue para sairmos ou conversarmos quando eu voltar em Hamburgo. Obrigado Lisboa. :)
O aeroporto de Lisboa é decente... mas depois de 8 meses vivendo na perfeicao, organizacao e precisao norte-européias, o choque cultural comeca a aparecer: o terminal de internet do aeroporto simplesmente come 2€ meus, eu tento reclamar com algum dos funcionários mas todos dao a clássica resposta “Ah, é mesmo? Que pena...”. Eu resolvo desencanar, afinal estamos de férias, e eu quero aproveitar Lisboa. Pego o autocarro para o centro de Lisboa, onde procuro um internet café para poder achar o telefone do meu anfitriao aqui na cidade. Faco a viagem em extase de reconhecer tantas coisas semelhantes com o Brasil: as expressoes e feicoes das pessoas, a arquitetura de Lisboa, as calcadas cobertas com as nada práticas mas belíssimas pedras portuguesas. Sotaques dos diversos países de lingua portuguesa se misturam, e percebe-se que Portugal realmente reúne essa comunidade inteira hoje. Desco no centro histórico e nao consigo conter o sorriso no rosto e a sensacao de estar em um lugar tao parecido com a minha casa. Bom, muito bom.
Noite
O apartamento onde fico é numa das tradicionais ruas de Lisboa, com vista para o Tejo. Melhor impossível. Janto com o Bernardo rapidamente em casa, e depois encontramos um amigo dele que cantaria nessa noite num clube de fado do centro histórico de Lisboa. Lugar incrível, pessoas simpáticas perguntando sobre o Brasil. Todos conhecem muito sobre o Brasil, e a maioria viaja frequentemente para lá. Como um medalhao de carne bovina a portuguesa que é melhor do qu muita carne sul-americana que eu já comi na vida. Isso tudo com o amigo do Bernardo vindo frequentemente a mesa perguntando se tudo está perfeito. Comecam os fados. E eu me emociono. O sotaque, a tristeza e melancolia das cancoes, a expressao da voz dos cantores, o som da guitarra portuguesa. Tudo me envolve, pensamentos surgem sobre as saudades e decepcoes amorosas, sobre as vontades de que as coisas tivessem se passado de uma forma diferente. Sinto-me bem, pois pensar no passado e no que eu queria que tivesse acontecido de forma diferente nao é errado aqui. É simplesmente dar espaco as emocoes, a alma portuguesa. Melancolica, feliz, receptiva. Feliz por estar em Lisboa. :)
Em Lisboa: micro-curtíssima
- A Internet na casa do meu amigo está com problemas (nao está se entendendo com o meu laptop - parece que ele é fa da Maite Proenca), por isso a falta de atualizacoes ontem. :/
- Amo, amo, amo, amo Lisboa. Depois de 8 meses em Hamburgo, com certeza essa foi a viagem perfeita. Quase uma redescoberta de ser brasileiro em terras lusitanas.
- Portugueses foram absolutamente super simpáticos até o momento.
- Portugueses sao bonitos (e olha que a minha predilecao por baixa melanina é famosa!)... Realmente mais morenos, lembram muito as feicoes que encontramos no Brasil... mas um gosto de moda realmente apurado.
- Aliás, relacioando ao tema: todo mundo aqui pensa que eu eu sou italiano, e a primeira frase sempre bem com um "Scusi!". Depois do 15º tuga a me mandar essa, resolvi pergunta o porque. Resposta? "Fácil: voce se veste bem. Brasileiros nunca sabem se vestir bem.". Fiquei com aquela cara de bunda: elogio tóxico, néam?!
- Pastéis de Nata até o momento: 4.
- Ginjinha rules. É foooorte. Mas rules. :)
- Fernando: Muito feliz. E nao querendo ir embora de Lisboa nem a pau.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Em Lisboa: curtíssimas
A postagem em si será minúscula, porque eu preciso urgentemente sair do café onde eu estou para encontrar para um amigo. Mas eu precisava deixar registrada essa impressao inicial dessa cidade.
Escutar pessoas conversando em portugues em grupos, com os mais diversos sotaques das antigas colonias, incluindo o nosso. Placas em portugues. Desorganizacao (a merda da máquina da internet do aeroporto comeu 2€. Deve ter sido fabricada na mesma fábrica dos telefones públicos da Deutsche Telekom). Pessoas atravessando a rua no sinal vermelho, em grupo. Cheiro de pao frances quentinho das padarias. Homens morenos que parecem com aquele tio ou vizinho que todos temos no Brasil. As expressoes, a forma de falar, a forma de sorrir. A arquitectura. Os nomes das lojas. As pessoas.
Eu sei que pode soar idiota... mas depois de 8 meses dentro de um mundo completamente diferente do seu, como é a Europa do Norte, no meu caso, vir a Portugal me emocionou. Me senti em casa. :) E é tao bom...
E ver o Atlantico de novo... Tao azul...
Estou aqui somente há 2 horas. E Portugal já me pegou de vez. :)
Escutar pessoas conversando em portugues em grupos, com os mais diversos sotaques das antigas colonias, incluindo o nosso. Placas em portugues. Desorganizacao (a merda da máquina da internet do aeroporto comeu 2€. Deve ter sido fabricada na mesma fábrica dos telefones públicos da Deutsche Telekom). Pessoas atravessando a rua no sinal vermelho, em grupo. Cheiro de pao frances quentinho das padarias. Homens morenos que parecem com aquele tio ou vizinho que todos temos no Brasil. As expressoes, a forma de falar, a forma de sorrir. A arquitectura. Os nomes das lojas. As pessoas.
Eu sei que pode soar idiota... mas depois de 8 meses dentro de um mundo completamente diferente do seu, como é a Europa do Norte, no meu caso, vir a Portugal me emocionou. Me senti em casa. :) E é tao bom...
Estou aqui somente há 2 horas. E Portugal já me pegou de vez. :)
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Curtíssimas: Pré-Portugal
- Porque o seu dia de trabalho/estágio exatamente anterior ao início das suas férias SEMPRE é um inferno? Hoje o estagiário-trambolho resolveu dar uma de chefe para cima de mim numa tarefa que tínhamos que executar em conjunto. Uma das nossas chefes (uma alema chata, mal amada e estressada) passa justamente para mim a tarefa "Hitler te sacaneia" de todas: ligar para algumas empresas, pedir informacoes sobre um determinado servico e montar uma detalhada apresentacao em powerpoint. Meu alemao é fluente, mas a tarefa exigia detalhes técnicos bem específicos que até para um alemao poderia ser complicado. Eu consegui fazer 99% da tarefa de forma bem satisfatória, apresentei o resultado para o estagiário-trambolho...e ele comeca a falar comigo num tom de "Como assim voce nao soube fazer ISSO?", como se fosse o meu chefe.
Me senti uma merda - porra, estou aqui há 9 meses, todo dia escutando essa merda de idioma que demora séculos para se aprender e evoluir, alemaes nunca dao elogios e criticam tudo o tempo todo (ok, é a cultura deles, mas eles nao entendem que um elogio motiva e faz voce seguir em frente) e o cara fala comigo como se eu fosse um imbecil. Engoli o sapo, como muitos outros aqui na Alemanha. Meus amigos alemaes me chamaram para o lado, e falaram que eu TINHA que conversar com o cara sobre a atitude dele (lado bom da Alemanha: nunca guarde as coisas. Sinceridade é válida para ambos os lados...). A conversa com o cara foi boa, e consegui ser claro e direto ao ponto (ao contrário desse parágrafo): com um bom alemao. Ele concordou, e tecnicamente está tudo bem. Mas até ai, já se foi embora o bom humor, e a adrenalina está no corpo. Odeio discussoes no trabalho.
- Hoje confirmei uma teoria pessoal que eu já desenvolvendo há algum tempo. Funciona mais ou menos assim: eu saio com fulano. Assim que fulano e eu atingimos um estágio maior de conhecimento mútuo (assistir filme um na casa do outro, jantares, ir para eventos sociais acompanhados), invariavelmente acontece alguma merda aleatória que faz com que a história acabe dando para trás. Fulano e eu tentamos a amizade, como bons seres civilizados e educados (tipo Manoel Carlos, “...bebemos, discutimos e lemos poesia..”). Nesse exato momento fulano conhece um cara incrível e maravilhoso: o Mr. Right dele. Como somos “amigos”, sou convidado para inúmeros eventos onde preciso presenciar a linda história que se inicia entre eles dois – e tudo com aquela cara de Miss Simpatia (vamos combinar: Miss Simpatia é um premio filho-da-puta do caramba. Do tipo “Voce é baranga, mas é simpática, entao vai um premio de consolacao, tá?”), e invariavelmente escuto o fatídico “Fernando, voce é um cara incrível. O cara que ficar com voce será um cara de muita sorte”. E eu dou aquele sorrisinho amarelo de “Ah, obrigado!”.
E nao é que eu acabei de comprovar que essa teoria também é válida em território alemao?! Maravilha, néam? Sim, eu sei que é recalque, é pré-síndrome de tia velha solteirona... Mas porra, tá foda... Se essa teoria de que “todas-as-histórias-ruins-pelas-quais-voce-passou-se-mostrarao-válidas-quando-voce-encontrar-o-cara-certo” for verdade mesmo, o meu crédito cármico tá tao alto, mas TAO ALTO que deve estar vindo por aí um cruzamento de Hugh Jackman com Príncipe William com Eric Hobsbawm com Francois Sagat.
- Mal posso esperar por Portugal. 4 dias falando portugues. 4 dias podendo atravessar a rua no sinal vermelho. 4 dias em um lugar que se parece com o Brasil, mas com todas as facilidades européias (=H&M, Zara por precos justos..). E pastel de Belém. E portugueses. Hmmm...
Me senti uma merda - porra, estou aqui há 9 meses, todo dia escutando essa merda de idioma que demora séculos para se aprender e evoluir, alemaes nunca dao elogios e criticam tudo o tempo todo (ok, é a cultura deles, mas eles nao entendem que um elogio motiva e faz voce seguir em frente) e o cara fala comigo como se eu fosse um imbecil. Engoli o sapo, como muitos outros aqui na Alemanha. Meus amigos alemaes me chamaram para o lado, e falaram que eu TINHA que conversar com o cara sobre a atitude dele (lado bom da Alemanha: nunca guarde as coisas. Sinceridade é válida para ambos os lados...). A conversa com o cara foi boa, e consegui ser claro e direto ao ponto (ao contrário desse parágrafo): com um bom alemao. Ele concordou, e tecnicamente está tudo bem. Mas até ai, já se foi embora o bom humor, e a adrenalina está no corpo. Odeio discussoes no trabalho.
- Hoje confirmei uma teoria pessoal que eu já desenvolvendo há algum tempo. Funciona mais ou menos assim: eu saio com fulano. Assim que fulano e eu atingimos um estágio maior de conhecimento mútuo (assistir filme um na casa do outro, jantares, ir para eventos sociais acompanhados), invariavelmente acontece alguma merda aleatória que faz com que a história acabe dando para trás. Fulano e eu tentamos a amizade, como bons seres civilizados e educados (tipo Manoel Carlos, “...bebemos, discutimos e lemos poesia..”). Nesse exato momento fulano conhece um cara incrível e maravilhoso: o Mr. Right dele. Como somos “amigos”, sou convidado para inúmeros eventos onde preciso presenciar a linda história que se inicia entre eles dois – e tudo com aquela cara de Miss Simpatia (vamos combinar: Miss Simpatia é um premio filho-da-puta do caramba. Do tipo “Voce é baranga, mas é simpática, entao vai um premio de consolacao, tá?”), e invariavelmente escuto o fatídico “Fernando, voce é um cara incrível. O cara que ficar com voce será um cara de muita sorte”. E eu dou aquele sorrisinho amarelo de “Ah, obrigado!”.
E nao é que eu acabei de comprovar que essa teoria também é válida em território alemao?! Maravilha, néam? Sim, eu sei que é recalque, é pré-síndrome de tia velha solteirona... Mas porra, tá foda... Se essa teoria de que “todas-as-histórias-ruins-pelas-quais-voce-passou-se-mostrarao-válidas-quando-voce-encontrar-o-cara-certo” for verdade mesmo, o meu crédito cármico tá tao alto, mas TAO ALTO que deve estar vindo por aí um cruzamento de Hugh Jackman com Príncipe William com Eric Hobsbawm com Francois Sagat.
- Mal posso esperar por Portugal. 4 dias falando portugues. 4 dias podendo atravessar a rua no sinal vermelho. 4 dias em um lugar que se parece com o Brasil, mas com todas as facilidades européias (=H&M, Zara por precos justos..). E pastel de Belém. E portugueses. Hmmm...
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
A arte de viajar por... mim mesmo - Parte 2
3) Museus e a Síndrome "Preppy in Europe"
Cena: voce, elegantemente bem vestido, entrando em alguma sala de algum grande museu europeu, observando algum quadro de algum grande mestre (recorde de mais "alguns" em uma frase batido - Guiness!!!). Som de piano ao fundo, um belo rapaz do seu lado (ou se voce foi o único hetero a ler esse blog, mulher), voce vira para ele e diz "Meu amor, onde iremos esta noite? Na Ópera ou naquela Vernissage para qual fomos convidados?".
Ok, mundo real chamando: voce, no grande museu citado acima, tentando ver alguma parte de alguma grande obra, rodeado de um grupo de 30 turistas chineses/taiwaneses/japoneses em frenesi tirando 9523 fotos daquela obra que voce quer tanto ver, olhando para o relógio e pensando "Será que vai dar tempo de passar na Zara quando eu sair daqui?". Depois de duas horas dentro desse grande museu, sua cabeca parece se tornar imune a tanta arte e cultura (Arte Russa: bando de samovar velho; Arte Chinesa: bando de vaso de porcelana velho: Arte Islamica: bando de tapete velho), voce nao aguenta mais e vai para um bar ficar vendo os gatos passarem enquanto se culpa por nao estar desfrutando da riquissima oferta cultural que a Europa disponibiliza para os seus visitantes.
A questao dos museus é um ponto que me irrita em especial: guias e reportagens de viagem adoram enfatizar esse ponto e acabando dando a impressao que se voce nao frequenta ao menos 4 ou 5 importantes museus de uma grande capital européia, voce é simplesmente um ignorante que nao se interessa por cultura (e voce acaba se sentindo como uma daquelas suas tias, para as quais turismo se resume a ir a feirinha de artesanato em alguma cidade do Nordeste para comprar coisas exatamente iguais - e absolutamente inúteis - as que elas poderiam comprar em qualquer outra feirinha exatamente igual em qualquer bairro do Rio ou SP).
Eu me interesso por cultura - e muito! Mas depois de algumas viagens aqui na Europa, eu cheguei a uma conclusao: a verdadeira alma de uma cidade nao se encontra dentro de um museu. Museus sao incríveis sim, e a oferta de coisas interessantíssimas para se ver aqui na Europa é algo fantástico. Mas como turista brasileiro, se voce nao é parte do 0,1% da nossa populacao que vem a Europa regularmente, voce provavelmente busca criar uma impressao das cidades daqui e nao tem muito tempo para isso. E sinceramente, eu acho um crime gastar um tempo precioso da sua viagem trancafiado dentro de um museu enquanto voce perde a vida "real" que acontece la fora, sabe? A essencia de Estocolmo nao é o Nordiska Museet, mas sim suecos casualmente vestidos fazendo um picnic aproveitando um sol (ou algo parecido com um sol) de primavera no Djurgården. O Tate Modern é fantástico, mas a memória que sempre levarei de Londres é dos executivos do City Londrino almocando nas margens do Tamisa ou de ingleses enchendo a cara dentro de algum pub.
Portanto, a minha estratégia atualmente é: capitais européias, no máximo 2 museus - e caso seja uma das top top (Paris, Londres, Berlim, Roma e Madrid) esse número sobe para 3. Toda capital européia sempre tem uma "Galeria Nacional" que quase sempre é ENORME, e cobre satisfatoriamente tudo o que voce precisa saber sobre as artes e principais artistas do país em questao - caso voce tenha sorte, essa Galeria poderá ainda ser de graca (reclama-se tanto que Londres é cara... mas British Museum e os Tate's sao de graca e excelentes). Mais do que 2 ou 3 museus... e parece que o meu olhar se torna imune a grandiosidade da arte, e um Monet acaba se tornando muitissimo parecido com um daqueles quadros pintados a dedo em azulejos por artistas de rua (super comuns nas grandes avenidas do RJ, pelo menos). Entao, melhor respeitar os grandes mestres, deixar para aproveitar outras grandes obras numa próxima viagem e ir para algum bar fazer algo de produtivo (= paquerar).
(Só para ressaltar: eu gostaria de deixar bem claro o meu rancor por turistas asiáticos. Eles andam em bandos enormes. Eles tem cameras com 3 vezes mais mega pixels do que a sua e com um flash que praticamente pode cegar. Eles falam aqueles idiomas incompreensíveis aos berros - bem, nesse caso chineses e taiwaneses, porque japas sao elegantes, chiques e educados - e se comportam como se fossem donos do museu. Eles tem o poder maldito de transformar qualquer grande obra - Monalisa, Busto de Cleopatra, Afrodite - em um simples ícone turístico com tanto conteúdo como o telefone público gigante de Itu. Saco.).
4) Le Gran Cuisine ... Européene?!
لا يكون على يقين من ذلك, Kadar emin olmayın, क्या इतना यकीन नहीं हो, Не уверен...
O ponto culinária é bem próximo ao ponto "museus": a Europa é mundialmente conhecida pela gastronomia ríquissima e sofisticadérrima. Ok, tá bom, nem todos os países europeus: o que Franca e Itália possuem de fantástico e criativo, Inglaterra e Alemanha possuem de monótono (culinária inglesa: carne assada com batatas + carne assada sem batatas + fish n' chips; culinária alema: holocausto suíno + repolho + pure de batatas). Mesmo assim, vir para Europa é automaticamente pensar em voce degustando uma boa massa na Itália ou aquele steak tartare num bistro de uma pequena cidade francesa...
Claro, a culinária européia DEVE ser degustada com todo o prazer. Mas nao cometa o erro de se restringir a somente a culinária européia - devido aos imigrantes de todas as partes do mundo, atualmente qualquer cidade européia possui uma oferta de restaurantes de fazer inveja ao Barra World Mall (brinks!), e um excelente restaurante etíope, turco ou bengali é tao fácil de encontrar como um representante competente da culinária local. E tem coisa mais fantástica do que poder fazer duas viagens em uma só? ;) Portanto, vale muito a pena arriscar e ir comer uma culinária completamente desconhecida... e quem sabe conhecer aquele prato ou culinária dos seus sonhos? (No meu caso, a bebida favorita: lassi, em um restaurante indiano de Londres. Acho que por um hectolitro de lassi deixaria o Hugh Jackman esperando por mim na cama, gritando "Veeeem!"... É bom demais!).
E também uma dica/mea culpa: quer comer comida barata e rápida? Nao vá de Mac Donalds, mas de algum equivalente local disponível. TODO turista brasileiro sempre se promete "Jamais irei comer Mac Donalds na Europa!" , mas depois de algum tempo sem aqueles bifoes de carne bovina sagrentos que mamae faz para a gente (nham, nham, nham... Acho que por um bifao trocava o hectolitro de lassi e o Hugh Jackman... Ok, nem tanto: ficaria com o bifao E o hectolitro de lassi.) parece que o guepardo que existe dentro de cada sul-americano se liberta e só se consegue pensar em "carne bovina, carne bovina". Isso, somado aos precos baixos do Mac Donalds (aqui na Alemanha os sanduíches sozinhos sao bem baratos, mas os Mac Menüs completos sao nada günstig - cuidado!) e a praticidade e previsibilidade tornam o Mac Donalds praticamente uma armadilha impossível de resistir - e que vai te deixar com culpa calórica depois (afinal, qual a parcela de seres humanos normais que vao ao Mac Donalds e realmente pedem aquele infame menu "Agua de Coco + Grilled Chicken Wrap + Tirinhas de Cenoura + Maca"? Eu falei normais: excluam meninas feinhas anoréxicas que acham que algum dia serao modelos, e patricinhas de Ipanema que tem orgasmos ao comer rúcula com coca-light). Sempre existe alguma versao barata e local fast-food (aqui na Alemanha, os döner kebaps reinam em conjunto com as currywursts) e que como eu falei... sao muito mais dignos e interessantes que o Mac. Afinal, viajar é conhecer o desconhecido mesmo, néam? E vai que aquele atendente turco/libanes/croata interessante resolve te mostrar mais sobre a cultura e os costumes dele... ;) Nunca se sabe....
E para provar que o blogueiro que vos fala é sincero, é pessoa, é gente-como-a-gente, vai a foto da minha primeiríssima refeicao na Europa. 13h de voo, mais de 10.000km voados, primeira vez no exterior e a minha refeicao escolhida foi...
Ok, em minha defesa: 1) tinha que trocar dinheiro para conseguir moedas para poder ligar para o meu amigo alemao e avisar que eu tinha chegado vivo em Frankfurt (ódio dos telefones da Deutsche Telekom - eles COMEM dinheiro. Perdi 10€ tentando ligar até entender que tem que se discar um 0 antes dos números aqui e se voce coloca o telefone de volta no gancho, ele come a sua moeda. Esses telefones foram planejados onde? Israel?!); e 2) tive um ataque de panico quando desci em Frankfurt e simplesmente achei que nao ia conseguir falar nada em alemao (claro Fernando: aeroporto de Frankfurt, zona de desembarque internacional e os atendentes NAO falam ingles. Muito inteligente.). Tava com fome, e a única coisa que eu consegui pensar para pedir em alemao foi... Mac Donalds (mim-Tarzan para o atendente "Bitte... Ein... Mac Menü... Small!", e o atendente com cara de saco cheio "Yes, Coke or Fanta?"). E assim, minha primeira refeicao fora do Brasil... foi exatamente o que eu poderia pedir em qualquer Mac Donalds furreca de beira de estrada. :D
(Mas na boa, eu jamais vou esquecer o gostinho daquele Big Mac, comido vendo os avioes no aeroporto do Frankfurt chegando de todos os lugares do mundo, escutando as pessoas falarem alemao e ingles e pensando "Caralho, to fora do Brasil!!!". Muito bom...).
Cena: voce, elegantemente bem vestido, entrando em alguma sala de algum grande museu europeu, observando algum quadro de algum grande mestre (recorde de mais "alguns" em uma frase batido - Guiness!!!). Som de piano ao fundo, um belo rapaz do seu lado (ou se voce foi o único hetero a ler esse blog, mulher), voce vira para ele e diz "Meu amor, onde iremos esta noite? Na Ópera ou naquela Vernissage para qual fomos convidados?".
Ok, mundo real chamando: voce, no grande museu citado acima, tentando ver alguma parte de alguma grande obra, rodeado de um grupo de 30 turistas chineses/taiwaneses/japoneses em frenesi tirando 9523 fotos daquela obra que voce quer tanto ver, olhando para o relógio e pensando "Será que vai dar tempo de passar na Zara quando eu sair daqui?". Depois de duas horas dentro desse grande museu, sua cabeca parece se tornar imune a tanta arte e cultura (Arte Russa: bando de samovar velho; Arte Chinesa: bando de vaso de porcelana velho: Arte Islamica: bando de tapete velho), voce nao aguenta mais e vai para um bar ficar vendo os gatos passarem enquanto se culpa por nao estar desfrutando da riquissima oferta cultural que a Europa disponibiliza para os seus visitantes.
A questao dos museus é um ponto que me irrita em especial: guias e reportagens de viagem adoram enfatizar esse ponto e acabando dando a impressao que se voce nao frequenta ao menos 4 ou 5 importantes museus de uma grande capital européia, voce é simplesmente um ignorante que nao se interessa por cultura (e voce acaba se sentindo como uma daquelas suas tias, para as quais turismo se resume a ir a feirinha de artesanato em alguma cidade do Nordeste para comprar coisas exatamente iguais - e absolutamente inúteis - as que elas poderiam comprar em qualquer outra feirinha exatamente igual em qualquer bairro do Rio ou SP).
Eu me interesso por cultura - e muito! Mas depois de algumas viagens aqui na Europa, eu cheguei a uma conclusao: a verdadeira alma de uma cidade nao se encontra dentro de um museu. Museus sao incríveis sim, e a oferta de coisas interessantíssimas para se ver aqui na Europa é algo fantástico. Mas como turista brasileiro, se voce nao é parte do 0,1% da nossa populacao que vem a Europa regularmente, voce provavelmente busca criar uma impressao das cidades daqui e nao tem muito tempo para isso. E sinceramente, eu acho um crime gastar um tempo precioso da sua viagem trancafiado dentro de um museu enquanto voce perde a vida "real" que acontece la fora, sabe? A essencia de Estocolmo nao é o Nordiska Museet, mas sim suecos casualmente vestidos fazendo um picnic aproveitando um sol (ou algo parecido com um sol) de primavera no Djurgården. O Tate Modern é fantástico, mas a memória que sempre levarei de Londres é dos executivos do City Londrino almocando nas margens do Tamisa ou de ingleses enchendo a cara dentro de algum pub.
Portanto, a minha estratégia atualmente é: capitais européias, no máximo 2 museus - e caso seja uma das top top (Paris, Londres, Berlim, Roma e Madrid) esse número sobe para 3. Toda capital européia sempre tem uma "Galeria Nacional" que quase sempre é ENORME, e cobre satisfatoriamente tudo o que voce precisa saber sobre as artes e principais artistas do país em questao - caso voce tenha sorte, essa Galeria poderá ainda ser de graca (reclama-se tanto que Londres é cara... mas British Museum e os Tate's sao de graca e excelentes). Mais do que 2 ou 3 museus... e parece que o meu olhar se torna imune a grandiosidade da arte, e um Monet acaba se tornando muitissimo parecido com um daqueles quadros pintados a dedo em azulejos por artistas de rua (super comuns nas grandes avenidas do RJ, pelo menos). Entao, melhor respeitar os grandes mestres, deixar para aproveitar outras grandes obras numa próxima viagem e ir para algum bar fazer algo de produtivo (= paquerar).
(Só para ressaltar: eu gostaria de deixar bem claro o meu rancor por turistas asiáticos. Eles andam em bandos enormes. Eles tem cameras com 3 vezes mais mega pixels do que a sua e com um flash que praticamente pode cegar. Eles falam aqueles idiomas incompreensíveis aos berros - bem, nesse caso chineses e taiwaneses, porque japas sao elegantes, chiques e educados - e se comportam como se fossem donos do museu. Eles tem o poder maldito de transformar qualquer grande obra - Monalisa, Busto de Cleopatra, Afrodite - em um simples ícone turístico com tanto conteúdo como o telefone público gigante de Itu. Saco.).
4) Le Gran Cuisine ... Européene?!
لا يكون على يقين من ذلك, Kadar emin olmayın, क्या इतना यकीन नहीं हो, Не уверен...
O ponto culinária é bem próximo ao ponto "museus": a Europa é mundialmente conhecida pela gastronomia ríquissima e sofisticadérrima. Ok, tá bom, nem todos os países europeus: o que Franca e Itália possuem de fantástico e criativo, Inglaterra e Alemanha possuem de monótono (culinária inglesa: carne assada com batatas + carne assada sem batatas + fish n' chips; culinária alema: holocausto suíno + repolho + pure de batatas). Mesmo assim, vir para Europa é automaticamente pensar em voce degustando uma boa massa na Itália ou aquele steak tartare num bistro de uma pequena cidade francesa...
Claro, a culinária européia DEVE ser degustada com todo o prazer. Mas nao cometa o erro de se restringir a somente a culinária européia - devido aos imigrantes de todas as partes do mundo, atualmente qualquer cidade européia possui uma oferta de restaurantes de fazer inveja ao Barra World Mall (brinks!), e um excelente restaurante etíope, turco ou bengali é tao fácil de encontrar como um representante competente da culinária local. E tem coisa mais fantástica do que poder fazer duas viagens em uma só? ;) Portanto, vale muito a pena arriscar e ir comer uma culinária completamente desconhecida... e quem sabe conhecer aquele prato ou culinária dos seus sonhos? (No meu caso, a bebida favorita: lassi, em um restaurante indiano de Londres. Acho que por um hectolitro de lassi deixaria o Hugh Jackman esperando por mim na cama, gritando "Veeeem!"... É bom demais!).
E também uma dica/mea culpa: quer comer comida barata e rápida? Nao vá de Mac Donalds, mas de algum equivalente local disponível. TODO turista brasileiro sempre se promete "Jamais irei comer Mac Donalds na Europa!" , mas depois de algum tempo sem aqueles bifoes de carne bovina sagrentos que mamae faz para a gente (nham, nham, nham... Acho que por um bifao trocava o hectolitro de lassi e o Hugh Jackman... Ok, nem tanto: ficaria com o bifao E o hectolitro de lassi.) parece que o guepardo que existe dentro de cada sul-americano se liberta e só se consegue pensar em "carne bovina, carne bovina". Isso, somado aos precos baixos do Mac Donalds (aqui na Alemanha os sanduíches sozinhos sao bem baratos, mas os Mac Menüs completos sao nada günstig - cuidado!) e a praticidade e previsibilidade tornam o Mac Donalds praticamente uma armadilha impossível de resistir - e que vai te deixar com culpa calórica depois (afinal, qual a parcela de seres humanos normais que vao ao Mac Donalds e realmente pedem aquele infame menu "Agua de Coco + Grilled Chicken Wrap + Tirinhas de Cenoura + Maca"? Eu falei normais: excluam meninas feinhas anoréxicas que acham que algum dia serao modelos, e patricinhas de Ipanema que tem orgasmos ao comer rúcula com coca-light). Sempre existe alguma versao barata e local fast-food (aqui na Alemanha, os döner kebaps reinam em conjunto com as currywursts) e que como eu falei... sao muito mais dignos e interessantes que o Mac. Afinal, viajar é conhecer o desconhecido mesmo, néam? E vai que aquele atendente turco/libanes/croata interessante resolve te mostrar mais sobre a cultura e os costumes dele... ;) Nunca se sabe....
E para provar que o blogueiro que vos fala é sincero, é pessoa, é gente-como-a-gente, vai a foto da minha primeiríssima refeicao na Europa. 13h de voo, mais de 10.000km voados, primeira vez no exterior e a minha refeicao escolhida foi...
Big Mac, Mac Donalds. :)
Ok, em minha defesa: 1) tinha que trocar dinheiro para conseguir moedas para poder ligar para o meu amigo alemao e avisar que eu tinha chegado vivo em Frankfurt (ódio dos telefones da Deutsche Telekom - eles COMEM dinheiro. Perdi 10€ tentando ligar até entender que tem que se discar um 0 antes dos números aqui e se voce coloca o telefone de volta no gancho, ele come a sua moeda. Esses telefones foram planejados onde? Israel?!); e 2) tive um ataque de panico quando desci em Frankfurt e simplesmente achei que nao ia conseguir falar nada em alemao (claro Fernando: aeroporto de Frankfurt, zona de desembarque internacional e os atendentes NAO falam ingles. Muito inteligente.). Tava com fome, e a única coisa que eu consegui pensar para pedir em alemao foi... Mac Donalds (mim-Tarzan para o atendente "Bitte... Ein... Mac Menü... Small!", e o atendente com cara de saco cheio "Yes, Coke or Fanta?"). E assim, minha primeira refeicao fora do Brasil... foi exatamente o que eu poderia pedir em qualquer Mac Donalds furreca de beira de estrada. :D
(Mas na boa, eu jamais vou esquecer o gostinho daquele Big Mac, comido vendo os avioes no aeroporto do Frankfurt chegando de todos os lugares do mundo, escutando as pessoas falarem alemao e ingles e pensando "Caralho, to fora do Brasil!!!". Muito bom...).
Assinar:
Postagens (Atom)
















.jpg)


