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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A crise dos 25

Certos cientistas defendem a teoria que o ser humano chega ao seu ápice vital por volta dos 25 anos. Um pouco mais, um pouco menos, mas quase sempre por volta dos 25 anos. Seria quando as capacidades sexual, física e intelectual atingem o seu nível máximo. E a partir de quando o organismo começa efetivamente a... envelhecer.

Pessoalmente eu tenho achado essa fase um saco. Primeiro, quando eu penso que com bem menos da minha idade Rimbaud já tinha escrito a maior parte da sua obra essencial, Toulouse-Lautrec já estava pintando fantasticamente e Neymar já tinha dinheiro suficiente para esbanjar com jóias idiotas de grama para jornalistas chatas, eu fico deprimido. Segundo, quando chega aquele pessoal de 40 e muitos mandando um “Ah, tão novinho! Tem tanta coisa pela frente ainda! Você ainda não viveu nada da vida!” bate um pânico meio “Porra, o que aconteceu até agora foi só um teaser?!”. E terceiro, ninguém lembra que essa fase coincide exatamente com a fase de tomar as decisões “que irão determinar o seu futuro por um longo prazo”. O que sinceramente me deprime para caralho. E aí é esquecer a dieta, comprar o Twix, o pacotão de 1kg de Doritos e uma garrafa giga de Fanta Uva (meu gosto para refrigerantes não evoluiu dos 5 anos - quanto mais corante e com mais gosto artificial, melhor) e ficar no sofá obcecado pensando “O que eu faço? O que eu faço?!”

Primeiro foi o intercâmbio – decisão de abandonar estágio onde eu estava, mudar de país por tempo indeterminado, na obrigação de ter que arranjar um emprego, viagem auto-sustentada, “e se der errado?”, “e se eu odiar a Europa?”, ter que voltar ao Brasil, ter que aturar a minha mãe me sustentado por tempo indeterminado – que acabou acontecendo, legal, aprendi para caralho, voltei, me readaptei à bagunça e a fingir que adoro sambinha na Lapa e “jamais consegui viver direito na Europa sem feijão”, conseguir estágio de novo no Brail, voltar para a Zona Sul. Ponto. Parágrafo.

Mas claro, as questões voltam. Os pontos de interrogação se colocam na sua frente. E você se sente como num daqueles programas de auditório, nos quais você tem um tempo determinado para responder uma pergunta. E aí? E aí?

Uma das facetas desse dilema veio bem forte nos últimos dias na parte pessoal. Amizade sempre foi uma das maiores prioridades na minha vida, e sempre me gabei de ter amigos simplesmente foda. Mas desde que eu voltei do meu intercâmbio na Europa parecia que algo tinha se modificado na minha relação com alguns amigos. Eu não sentia mais aquela conexão intensa que outros tempos, que me fazia querer procurar essas pessoas. Parecia que o papo tinha se tornado chato, não havia mais aquela transmissão de idéias e pensamentos que caracteriza uma boa amizade. Eles reclamavam que tudo o que eu sabia fazer era reclamar. E eu tinha vergonha de pensar que eu os achava chatos. MUITO chatos. E limitados. E cabeça fechada para a vidinha de estudante universitário de federal de classe média do Rio. E que tinha muitas saudades dos meus amigos dos tempos de Erasmus.

Enfim, a fase inicial de readaptação passou (na verdade, com alguns desses amigos nem essa fase existiu), mas com alguns amigos esse sentimento incômodo prosseguiu. E eu não soube lidar com isso, fiz algumas merdas (confesso), e com uma grande amiga em especial a amizade entrou em estado de “on hold”. E mesmo depois de “termos resolvido as coisas”, continuou a sensação de incômodo, de “formalidade informal” que sinceramente não sei se foi ocasionada pela merda que eu fiz ou por algo pior: a grande verdade de que não temos mais nada muito em comum. Nem interesses, nem idéias sobre grandes temas da vida, nem sobre como conduzir a vida. E uma frase da Danuza fica martelando na minha cabeça “Amigos são que nem banco – periodicamente necessitam passar por um recadastramento”. Mas aí então eu relembro dos grandes momentos que vivemos, das viagens e do mega carinho que ela já teve por mim e vem questões de lealdade e de “tentar pelo menos”. Que logo depois são sobrepostas pela pergunta “Quero realmente tentar? Quero continuar insistindo uma amizade verdadeira com amigos que não me entendem?”. Enfim...

E sobre o lado profissional, vieram as famosas escolhas. Passei 6 meses pensando em entrevistas de emprego chatérrimas para finalmente conseguir o sonho dourado de todo estudante de Economia do país: cargo de estagiário (com chances de efetivação!) numa verdadeira multinacional brasileira em um dos setores mais promissores que a Você S/A poderia imaginar. Salário digno (com alguns benefícios), rotina de trabalho motivante, equipe de trabalho legal pra caralho e com o plus do gerente da área simplesmente ir com a minha cara já na primeira semana. E quando sento na minha mesinha, ligo o meu computador com o meu papel de parede já escolhido (muito pode-se dizer sobre a personalidade de uma pessoa com relação no papel de parede que ela escolhe para o seu desktop – o meu era uma foto da estação central de Hamburgo que já usei num post, e do meu colega de trabalho mais próximo era de um carro americano que ele queria terzzzzzzzzzzzzzz) e penso “Tudo indo bem!”, toca o telefone e surprise: uma outra empresa oferece uma vaga de emprego. E-M-P-R-E-G-O. Multinacional européia com escritório no Rio. Dobro do salário, benefícios que me fazem imaginar fazendo a Scarlett O'Hara. Chance de carreira realmente internacional. (A volta dos meus posts de viagem!!!) Usar o alemão no meu dia-a-dia profissional (Atóro quando eu recebo elogios “O seu alemão é tão bom!”, e eu faço aquela carinha de “Ai, pára... Fala mais, vai!”). Flexiblidade de horários do escritório para me permitir terminar a (maldita) faculdade de Economia.

E o que escolher? Qual dos dois caminhos tomar? O que realmente vai me fazer chegar aos 40, olhar para trás e pensar “Eu fiz certo: era isso que eu queria!”? Ou será que momento de reflexão aos 40 é uma das maiores besteiras do mundo, afinal 40 representa quase ainda metade de uma vida inteira pela frente? (Sempre lembro das velhinhas alemãs em estações de trem, com suas malas de viagem, camisetas pólo e aquele ar saudável de quem viajava muito de férias em contraste aos alemães engravatados de 30 e poucos anos, estressados e permanentemente culpados pelo excesso de trabalho e falta de tempo para aproveitar a vida)

Definitivamente a resposta universal aos 20 e alguns anos é: “Não sei.”.

Mas a gente tem outra opção, a não ser continuar tentando?

(Mas lembrando-se: caindo sim - mas carão forever.)

P.S.- Provas, provas, muitas provas.
P.S.2 – Não se preocupem, as escolhas já foram tomadas. :D
P.S.3 – Boring, parte 2. :D

domingo, 10 de outubro de 2010

Sobre o Brazilian Style

Se “Brasil” fosse uma marca comercial, facilmente seria uma das mais valiosas do mercado atual. Por quê? Vamos fazer um exercício mental: você é uma criatura loira, branca (e com grande probabilidade de ser gordinha - vocês não entendem o dilema que é ir no mercado decidido a comprar maçãs e outras frutinhas sem graça e super faturadas e semelhantes, olhar para a gôndola das maças por €5,00/quilo e olhar para a gôndola dos sorvetes maravilhosos por €1,30... também o quilo, pensar "Tá frio pra caralho mesmo, tô cheio de roupa, ninguém vai notar se eu estiver um pouco mais gordinho.", e mandar pra dentro do carrinho os sorvetes), mora num país onde o início da primavera já significa temperaturas caindo abaixo dos 15°C e quer se matar quando lembra que verão mesmo só dali a 6 meses. Then você abre uma revista, olha para a foto acima e lê sobre o estilo de vida de um povo feliz-bronzeado-sarado-e-botocado (sim, Angela Bismarchi é super conhecida ao redor do mundo, e deve já ter dado entrevista até para a Nepal TV falando sobre a sua cirurgia de reconstituição do hímen) que flana por praias paradisíacas e praticamente sem fim, partying all the time e com o plus de terem a fama de serem ótimos na cama. E esse povo vive num país onde as oportunidades parecem multiplicar a cada momento (em enorme contraste com onde você mora, onde os anos dourados já se foram há muito tempo e "decadência" é a palavra mais usada para descrever a sua sociedade), com uma economia entre as que mais crescem no mundo, mas que ao mesmo tempo mantém um certo grau de civilização (relembrando: pode ser mesmo considerado democrático entre Rússia, Índia e China, hein? Thanks god que pelo menos Tiririca pode ser eleito!).

Impossível conter a euforia e a expectativa, não é? ;)

A questão que me preocupa é até onde nós, brasileiros, acreditamos e entramos nessa imagem que o Brasil anda projetando para o mundo.

O diretor da revista Monocle e colunista do FT, Tyler Brûlé (#1: Sim, o nome é escrito dessa maneira bicha; #2: Sim, ele é bee e é um Pokemón mistura de estoniano e franco-canadense; #3: Morry quando li na Wikipedia que parece que ele “inventou” esses acentos no sobrenome dele), considerado um dos maiores trendhunters (aka. gente que tem como rotina de trabalho viajar de um lado para o outro do mundo comendo, bebendo, vestindo o que ha de bom e de melhor para depois nos dizer o que nós deveriamos consumir) da imprensa internacional atual dedicou toda sua coluna no jornal inglês da semana passada a questão de como “Brazil is good to go”. A primeira vista? Fantástico! Elogios sempre são tão bem vindos e impossível não se sentir um pouco "Ai, pára, vai... Continua elogiando!" quando uma pessoa de fora cita tanta coisa boa sobre o Brasil.

Mas num segundo momento, depois topar acidentalmente com o post da Alexandra Forbes no blog “Boa Vida”, comecei a repensar o artigo. “Sou totalmente da torcida ao favor e fico super feliz quando leio elogios ao Brasil, mas desta vez fiquei meio incomodada... Sei lá, ando enjoada de ler mil e uma matérias estrangeiras puxando o saco da mesma gente, enchendo a bola dos mesmos lugares.” Red Alert: se um blog de estilo de vida já reage "Fasano? Trancoso? Atala? Ainda isso?", hora de o (futuro) economista-chato de plantão sair da bolha dourada e colocar a cabeça para pensar.

Muito se fala sobre o choque de se voltar de um país desenvolvido para o Brasil, mas poucas vezes eu li sobre aquilo que se sente ao se chegar lá fora. Como brasileiro, eu posso falar sem sombra de dúvida que o meu maior choque ao chegar em Hamburgo foi aprender a viver numa sociedade classe media. Ao mesmo tempo entender que muito estava agora ali, ao meu alcance financeiro, mas que ao mesmo tempo toda a gama de serviços e facilidades e privilégios que estamos mega acostumados não existe mais. (Meu melhor amigo alemão sempre se impressionava no Brasil com a quantidade enorme de caixas e atendentes em qualquer lojinha e restaurante, com pessoas empacotando suas compras e recolhendo suas bandejas nas praças de alimentação de shoppings, com os inúmeros serviços de delivery - isso inexiste na Alemanha) Adaptar-se a uma cultura "Trabalho humano é importante e caro demais para ser desperdiçado em tarefas tão imbecis / So do it yourself!", ter que pensar numa solução além da "Dá pra contratar alguém para fazer isso?" (juro, que por mais consciente socialmente, mais proto-intelectual economista da UFRJ que eu fosse, eu soltei uma cara de "WHAT?!" a la Marie-Antoinette-sendo-conduzida-para-a-prisão-pré-guilhotina quando a administradora da residência estudantil me deu um balde de tinta branca, pincéis e falou "Você tem dois dias para pintar todo o seu quarto.". Portanto, quatro dias antes de Fernando estar dando pinta no ICE/TGV a caminho da Paris, estava eu numa loja de produtos químicos em Hamburgo tentando transmutar a palavra "aguarrás" para o alemão e com uma mancha de tinta branca nos meus cabelos cacheados que não saía de jeito nenhum.), entender que não adianta se você tem grana para pagar duas, três ou vinte vezes o preço da entrada do clube: você vai ter que esperar na fila e passar pelo door control (que vai avaliar como você se vestiu e não quantos monogramas você expõe - escutar uma hostess falando para a minha amiga em sueco que não aguentava mais negar a entrada de turistas americanos que "achavam que camiseta Christian Audigier, jeans D&G e tênis Nike eram roupas adequadas para uma boate" enquanto nos deixava entrar - eu vestido de C&A brasileira + brechó Hamburgo + sapato, esse sim muito bom - me ensinou que sempre vale a pena tentar se vestir bem) pode ser bem mais difícil do que se parece.

Mas, um dos efeitos de se viver numa sociedade tão classe média (principalmente na Alemanha, onde o esporte nacional favorito - depois de falar mal dos holandeses - é criticar) é voltar chato, extremamente chato. Reclamando da comida, dos preços, das roupas, dos estilos oferecidos. De absolutamente tudo. A famosa síndrome (que o Alex Bez - que aliás, sumiu dos comentários - me alertou) da bicha "Fui-pra-Europa-e-voltei-chata-pra-caralho. 

Em minha defesa: criticar é fácil, o difícil é tentar entender. E como eu adoro escrever muito, esse blog nunca foi muito preocupado com a quantidade de linhas de um post e esse assunto me incomoda, vamos analisar a questão. 

Quando eu trabalhava na Alemanha com trendforecasting uma das questões mais discutidas no escritório (e que as grandes empresas mais buscavam saber) era a formação dos novos padrões de consumo das chamadas nações emergentes. Explicando: os padrões de consumo de uma nação (principalmente ligados aos serviços denominados de "premium") são relacionados com a maturidade da classe média que esse país conseguiu formar. Em linhas gerais, os mercados europeus são considerados "alta maturidade", onde não somente o produto, mas todos os seus "efeitos" são de relevância para o consumidor no processo de decisão de compra (questões relacionadas desde ao consumo verde, consumo consciente até a questão de como esses produtos são produzidos - Nike e a marca alemã Sprit sofreram sérios danos de imagem quando foi divulgado pela imprensa que seus produtos eram produzidos sob condições consideradas desumanas em países de terceiro mundo) e os mercados norte-americanos/japoneses de "média maturidade" (onde, por razões culturais, existe uma grande pressão cultural pelo consumo, um grande "fetiche" pelo produto em si muito mais do que a preocupação com a qualidade e como ele é produzidos - mas onde também as questões relacionadas a um consumo consciente já estão inseridas e ganhando espaço). 

E os países emergentes? Países emergentes são basicamente países com classe média em formação, que saíram de um estado inicial de relativa desigualdade social (no caso brasileiro, relativa é um eufemismo dos mais extremos) e que atualmente vivenciam um período de "ascensão social". E que se reflete nos padrões de consumo: a tentativa ainda é de copiar os padrões de consumo dos países desenvolvidos, com grande fetiche pelo produto em si, e sem nenhuma grande reflexão sobre ele - o que é importa é o status que ele irá me trazer ("Estou usando um esmalte Chanel / Estou vestindo uma calça Diesel - sou parte de uma elite"), muito mais do que questões relacionadas ao custo e qualidade dessa mercadoria ofertada.

Retornando ao que eu quero falar: quando se muda de sociedade por uma quantidade considerável de tempo, impossível não "pegar" certas características da sociedade nova e internaliza-las. Sendo uma dessas características o "padrão de consumo", sair de uma sociedade onde o consumidor enxerga o produto ofertado de forma absurdamente crítica (uma das maiores influências na hora da compra para os alemães são as revistas especializadas em comparar produtos e classificá-los por desempenho, qualidade, necessidade e preço - nenhum alemão sai para uma compra maior do que 100€ sem ler pelo menos um artigo na internet de uma dessas revistas sobre o produto que quer e todos os vendedores sempre sabem exatamente listar todas as características do produto que estão vendendo) e voltar para uma sociedade onde o produto é enxergado pelo consumidor como uma chave para aceitação e felicidade dentro de um exclusivo e seleto grupo de escolhidos é no mínimo enlouquecedor, para não dizer frustrante.

E sinceramente, isso me incomoda. A falta de questionamento com o que se consume aqui no Brasil é absurda, principalmente no que diz respeito ao preço. Formação de preços é um tema mega complexo, envolve uma série de outras questões (como, por exemplo, a questão dos impostos), mas o meu objetivo aqui é questionar o ponto de como aceitamos serviços ruins por preços altos. De desde uma Zara (que encaminha o que o Primeiro Mundo não quis consumir - produtos essencialmente de baixíssima qualidade - cobrando preços exorbitantes para ser vendido numa loja onde os vendedores ignoram você e se sentem como parte da elite do "consumer retail" só porque trabalham vestidos de ternos fabricados na Tunísia) até restaurantes (que no Rio de Janeiro, sinceramente, são uma calamidade: uma viagem até SP deixa claro como o atendimento no Rio é nada menos que péssimo, pratos ruins e caros - tudo isso pago com o ar cool tipicamente carioca de quem considera mal educado reclamar de que o serviço foi ruim e decide não pagar os 10%). Consumo, claro, parcelado em 10x no cartão, com taxas igualmente absurdas, mas que no final das contas damos um jeito de pagar e tudo continua exatamente do jeito que está.

Enfim, a leitura do artigo do Tyler Brûlé me faz pensar em que tipo de brasileiros ciceronearam esse cara por aqui, e que tipo de brasileiro ciceronearam vários europeus que eu encontrava pelas capitais européias e que vinham com esse discurso "Brazil is just wonderful / Ipanema is simply THE paradise!", permeados por The Weeks, Reservas, Osklens e Spots da vida. De como realmente, cada vez mais, nos aproximamos daquela imagem do empresário chinês/russo com sua mulher a tiracolo que entra na Louis Vuitton em Paris e pede para descer a bolsa com o monograma mais exposto, mais berrante possível. E como, cada vez mais, eu vejo pessoas ao meu redor pagando preços absurdos e olhando para a minha cara, quando eu reclamo do preço desses produtos, com um certo olhar de "Ou ele é muito judeu, ou isso é síndrome de quem não pode pagar e fica reclamando".

Temos muito mais de Vera Loyola, de nouveau riche do que queremos imaginar. E sinceramente, não quero me conformar com um Brasil onde os serviços, restaurantes e lojas são absolutamente maravilhosos pagando três vezes do que eles custam realmente.

Enfim, tudo se resume a questão de se queremos continuar acreditando que vivemos no lugar mais cool do mundo (e continuar tendo que parcelar absolutamente tudo no cartão, continuar tendo que ir para o exterior para "comer num lugar decente" ou "comprar roupas por preços decentes") ou realmente colocar um pouco dos pés no chão, criar um pouco mais de consciência crítica e quem sabe começar a demandar um pouco mais daquilo que nós é oferecido. (Exemplos? Os infames 10% cobrados por restaurantes e casas noturnas. Gratificação extra é a remuneração por um serviço muito bom - porque o básico necessário, sorry to say, é mais do que a obrigação. Não se sentiu tocado pelo serviço e simpatia do garçom, o prato demorou, o pedido veio errado? Sem 10%, sorriso na cara, obrigado - porque ser educado é fundamental - e ponto final.)

(Enfim, é isso. Opiniões dos leitores, por favor.)

P.S.- Fundamental para a execução desse post também foi a leitura do excelente blog "De Chanel na Laje", principalmente dos posts 1, 2 e 3. Super recomendo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

The Bitch is back

Como eu escutei uma vez: once in the Oil Industry, always in the Oil Industry. ;)

Porque somente contribuir como consumidor para o capitalismo is not enough – tem que trabalhar na pior indústria dele! :D

Um shot do Black Gold para vocês! E viva o aquecimento global! Êee!

P.S.- Very happy, tinha que compartilhar isso com vocês!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Economics for Gays: Dilma Rousseff e Jornal Nacional - Parte 2

Gráfico 3: Crescimento % Anual do PIB, BRIC + Argentina, 1994-2008
Significa?: O quanto os países do BRIC e Argentina cresceram, mas desta vez analisando desde 1994(entonces, analisando desde o período FHC).

E daí?: #1: (Olhinhos sádicos de economista brilhando) TÃO mais legal e emocionante ser economista no Terceiro Mundo, néam?: *suspiros #2: Entenderam porque ao menor sinal de crise em qualquer país em desenvolvimento, não importando se for Tailândia ou Trinidad & Tobago, os investidores ingleses e americanos (aka. velhinhos sovinas que resolveram não comprar casa de praia na Cornualha/Flórida, não tem nada de mais interessante na vida para fazer a não ser acompanhar diariamente seus investimentos em países "de alto risco") saem retirando o dinheiro do mundo em desenvolvimento e voilá: crise!

E daí? + Continuo não entendendo PORRA nenhuma: Ok, o gráfico tá uma bosta, mas é isso que a gente tem e é nisso que a gente vai seguir. Clica no gráfico, bee. Então, tá vendo o Brasil? No período inteiro a gente não teve retração econômica (ir abaixo do zero), o que é bom. Mas também, no período do FHC (1994-2002) o nosso crescimento foi ridículo em comparação ao resto do grupo. Lembram da crise russa de 1998 (quando a Barbie ficou mais cara que a Susy, lojinhas de R$1,99 desapareceram e todo mundo parou de viajar Orlando Fly&Drive)? Brasil por bem pouquinho não entrou em retração... mas nos 45 minutos do segundo tempo conseguiu se salvar. A Rússia, a trava FDP que causou toda essa comoção na economia mundial, levou um tombaço do salto 15cm na escada de entrada da boate em 1998. Mas em 1999 já tinha levantado, sacudido a poeira, batido o cabelo ao som de tribal, arranjado um gringo gato & odara que a pediu em casamento, viajado para Itália na Primeira Classe e tava causando horrores na Via Tortona em Milano, toda trabalhada na Prada e Salvatore Ferragamo em 2000. Enquanto isso, a economia brasileira? Resolveu continuar pegando o Roteiro Rodoviário Águas Quentes, acreditando que crescer devagar e sempre é o mais importante.

Mas por que a economia brasileira seguiu por esse caminho? Quem falou que deveríamos seguir "devagar e sempre"? Quem falou que crescer devagar garantiria que a gente iria crescer sempre? Quem foi que tomou essa decisão? E a pergunta mais importante para um economista: quem se beneficia dessa decisão?

A partir desse momento entramos nos duelos de titãs que é os embates entre as diferentes escolas de teoria econômica. Não, ao contrário do que parece, Economia não é uma ciência exata. Nem economistas recorrem à um manual de verdades absolutas, onde tudo é óbvio, claro e totalmente definido.

Sobre esse tema, uma introdução ao mundo da Economia virá no próximo post da nossa série. Sobre o tema que discutimos? O que eu posso falar que, na opinião de Fernando: a) estudante de economia da UFRJ; b) economista heterodoxo (relaxem, explico isso no próximo post, gentém!), um dos motivos centrais desse desempenho maravilhoso da Economia brasileira nas últimas décadas foi:

Gráfico 4: Taxa de Juros Real, BRIC + Argentina, 1997-2008
Explicando em linhas gerais: você tem R$100.000 (e não pode gastá-lo na The Week), você é um investidor rico, poderoso e todo trabalhado no Ermengildo Zegna (e não paga R$ 5.000,00 em terno Ricardo Almeida porque não cai nessa insanidade tupiniquim de pagar fortunas por coisas que NÃO valem fortunas). Você tem duas opções: 1) investe numa poderosa fábrica, vira industrial, contrata vários operários cafuçus para ver almoçar aquela argamassa composta feijão + ensopadinho de carne + 1kg de farinha (Introspective, você não tem a imparcialidade suficiente para fazer uma escolha racional nesse caso); ou 2) investe num título que rende conforme uma determinada taxa de juros, fica linda, loira e financeira deitada no seu ofurô no Morumbi só acompanhando as notícias por alto e deixa lá rendendo. Quanto maior a taxa de juros, mais interessante investir em títulos, certo? Logo, também menos investimentos em indústria (afinal pegar o seu Volvo, dirigir até a fábrica, se misturar naquele povão suado, se estressar motivando trabalhador chato e desmotivado não é algo legal nem tão fácil assim). O que resulta em... menor crescimento do PIB (= PRODUTO Interno Bruto).

Deu pra entender ou precisa desenhar? Ou precisa atentar para o fato de que a taxa de juros argentina, mesmo no pico da crise de 2001, não chegou nem perto da base da nossa curva da taxa de juros durante todo o período tratado? Ou para o fato de que a série acima nem inclui o período de 1993-1994, quando a taxa de juros atingiu a estratosfera?

Ah, claro: esse pequeno gráfico é a razão de que você paga as taxas astronômicas no cartão de crédito e porque financiar sua próxima viagem para Ibiza sempre sai tão caro, tsá bee?

Considerações Finais

PIB não é (nem de longe) o melhor indicador para se avaliar a qualidade de vida e desenvolvimento de um país (quem se interessar pelo assunto, dá uma lida sobre o Butão e o seu projeto do conceito de Felicidade Interna Bruta), mas foi usado aqui para aprofundar um pouco mais os assuntos discutidos na entrevista da Dilma no JN. Um economista competente não monta uma análise tão complexa quanto à do desenvolvimento somente em um dado, mas ao mesmo tempo dados são necessários porque Economia se propõe com uma ciência (e achismos não cabem numa ciência).

A questão é: crescemos devagar, muito devagar nas últimas décadas. Isso foi uma escolha, que como tudo em Economia é bem mais complexa do que o simplório “Queremos crescer devagar e sempre”. Por que países que entraram em uma crise tão grave (Argentina em 2001, Rússia em 1998) sofreram seus efeitos, mas logo se recuperaram e cresceram bem? Por que se estamos fazendo “tudo certo” ficamos tanto presos num crescimento tão módico? Um país com os problemas sociais tão graves como o Brasil pode se dar realmente ao luxo de crescer mais devagar?

Muitas questões, poucas respostas, I know. Mas quem disse que o preço do conhecimento era baixo? ;)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Economics for Gays: Dilma Rousseff e Jornal Nacional - Parte 1

Não, o blogueiro que vos fala não foi passar as férias de inverno esquiando em Bariloche, cercado de brasileiros por todos os lados berrando “AmÔRRR, bate uma foto d’eu!” e enfiados em camisas da seleção brasileira de futebol (porque brasileiro no exterior TEM que usar qualquer coisa verde-e-amarelo e que tenha BRASIL escrito em letras garrafais. A razão lógica dessas pessoas tirarem um passaporte, pagarem uma passagem internacional, desembarcarem numa nova cultura e... se vestirem exatamente como se estivessem assistindo um jogo de Copa no Alzirão sempre me escapou. Duvida do que eu to falando? Na volta de sua próxima viagem internacional, dá uma olhada e conta quantos britânicos, franceses e alemães voltando para casa estão usando camisas de seleção, e compara com os guichês brasileiros. CERTEZA de pelo menos um daqueles horrendos gorrinhos azul-marinho com a bandeira do Brasil na testa dando sopa pela fila do check in). O blogueiro está no Rio (onde sinceramente “Inverno” deixou de existir e foi substituído pelo conceito de “Soft Summer”), se dividindo entre ralar no estágio/emprego temporário/godknowswhat , ficar preso no maravilhoso trânsito da capital carioca (e não, eu não pego engarrafamento com vista para o mar, mas na bem mais cinza e nada “Atlântica” Avenida Brasil) e entregar o primeiro capítulo da sua monografia (que desde já eu posso dizer que ODEIO com todas as minhas forças). Ou seja, conciliar Fernando profissional, estudante e blogueiro tá PHODA. Portanto, sejam pacientes: blog em regime de Soft Posting. :D
E a entrevista da Dilma ontem no JN, hein?

Sobre a Dilma? Acho que erraram SERIAMENTE a mão no Extreme Makeover dela, e o que era para ficar “esteticamente agradável” virou Perua do Lago Paranoá meets Ivo Pitanguy (e ela precisa URGENTEMENTE de aulas de oratória – Lula pode ter seus conflitos com a gramática portuguesa, mas Lula sabe falar). Sobre a Fátima? Picolé de chuchu com cobertura da calda de inhame. E sobre William? Ainda não me consegui decidir entre achar que o cara teve culhões e inteligência para ser ousado e crítico numa entrevista de candidatos a presidência no JN, simplesmente mal-educado (o que foi a Fátima cortando o marido e mudando o assunto? Fácil se ela não fosse mulher dele ela já estaria fora do JN e apresentando Roraima TV – Primeira Edição) ou a Globo resolveu mais uma vez se posicionar politicamente ainda usando a imagem da “neutralidade e imparcialidade” que ela finge que tem, e nós fingimos que acreditamos.

Mas o que o William falou faz mesmo sentido? E por que a Dilma engasgou e se enrolou toda na hora de responder? E a Rússia (e Venezuela?!) cresceram mais do que a gente nos últimos anos? E o meu Réveillon em Buenos Aires corre risco de virar final de semana prolongado em Cabo Frio?

Mais uma missão para Economics For Gays. ;)

E a aula de hoje será uma rápida análise de alguns gráficos que eu montei. Bem rápida, porque afinal ainda estou no estágio e tenho que terminar esse post antes do meu horário de almoço acabar (postar emagrece, RÁ :D). Fonte dos dados? Base de dados do Banco Mundial (porque os favoritos do meu computador são mais do que Katylene.com e BelAmi, honey :D). Por que gráficos? Porque são de fácil compreensão para todos aqueles que não são economistas e não tem saco para escutar as nossas gigantes análises e explicações sobre os fenômenos do mundo. E por que eu estou falando disso? Porque eu quero que os meus queridos leitores sejam lindos, magros e inteligentes economicamente. E saiam do grupo de leigos em um assunto tão importante.

Gráfico 1: Crescimento Percentual Anual do PIB, Grupo de Países por Renda
Significa?: O quanto os países cresceram percentualmente por ano, com os países separados por grupos de renda (países ricos, países classe média, países POBRES), de 2000 a 2008.

E daí?: E daí que países com renda média e baixa crescem em geral bem mais do que países com renda alta, no período analisado.

E daí? + Continuo não entendendo PORRA nenhuma: Não dá para comparar países lindos, loiros e japoneses (God, e não é que a piadinha realmente faz lógica no mundo real?! hahahaha Morryh!) com países sem H&M + Ikea + Apple Store e/ou monetariamente desfavorecidos (= pobres). O nível é outro, benhê: eles já são RYKHOS. Portanto, nada de ficar surpreso ao descobrir que a gente cresce MÓITO mais do que a Escandinávia inteira junta: já sabemos disso. (P.S.- Esse tipo de análise só é útil quando se quer ver relações de dependência entre economias, tipo “quando a economia americana cresce mais rapidamente, a mexicana também segue essa tendência?”).

Aprendi que: não ficarei enchendo o saco dos amigos economistas com comentários tipo "Noooossa, a gente cresce mais do que os EUA, néam?!".

Gráfico 2: Crescimento % Anual do PIB, BRIC + Argentina, 2002-2008

Significa?: O quanto os países do BRIC (onde intencionalmente eu exclui South Africa – o país é mais incluído por uma questão de cota africana do que realmente se assemelhar ao resto do grupo) y Argentina cresceram percentualmente de 2002 a 2008 (período Governo Lula I e II – O Retorno dos Quatro Dedos).

E daí?: Dentre os BRIC, o Brasil é o que menos cresce. BEM MENOS (apesar de que a série de dados vai somente até 2008, antes da crise financeira). Menos até do que ARGENTINA.

E daí? + Continuo não entendendo PORRA nenhuma: Em bom carioquês? GERAL foi no bonde do crescimento, só o Brasil que ficou de bobeira e se ferrô, mermão. Até a Argentina, que foi nel fondo del pueço em 2001, se recuperou e manteve taxas de crescimento bem acima as da brasileira. Toma Brasil: queria ver o que o povo daqui faria se a Quilmes tivesse mandado latinhas que depois de abertas ficassem “Subdesarollado!!!Subdesarollado!!!Subdesarollado!!!”. E detalhe: o bonde do crescimento econômico é que tem o 592 – Leme x São Conrado: perdeu, é “se ferrô playboy” e mofar no ponto esperando passar ele de novo. O que pode ser em 5, 10, 15 anos...

Aprendi que: eu ainda tô ganhando esse merreca, ainda tô nessa pindaíba por culpa desse FDP desse quatro-dedos!

E as conclusões parciais? Sim, realmente titio Bonner esta certo, o crescimento econômico do Brasil durante o Governo Lula foi RIDÍCULO em comparação aos BRIC e países da América Latina em geral.

Mas aí que vem o pulo do gato-economista (ui!): será que somente durante o governo Lula?

Será? Será? SERÁ?
(To be continued...)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

SIGA-me os bons!

Todo semestre os alunos da minha querida Universidade federal fazem a mesma coisa: passam a madrugada inteira criando tabelas no Excel (bem, pelo menos nós, economistas, néam?), desenhando inúmeras tabelas e rascunhos, se descabelando e xingando o sistema de inscrição em disciplinas online, o reitor, o coordenador do curso... tudo para finalmente descobrir que: 1) a matéria que você precisa fazer só tem no horário que vai fuder com a tua vida, 2) a matéria que você gostaria da fazer vai bater horário com a matéria que você precisa fazer, ou 3) se você pode fazer e curte a matéria, inevitavelmente você vai acabar sendo expulso dela.

E para dar um goshtinho da escolha de Sofia que eu tive que realizar, vai aí a listinha das eletivas da minha adorada faculdade. :D E lanço uma promoção: quem adivinhar duas das três eletivas que eu escolhi ganha um pacote para duas pessoas com tudo pago para Hamburgo, via Varig e Soletur! :D
P.S.- Não adianta: uma vez Federal, SEMPRE Federal... :D

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tudo por R$1,99 Feelings

Stolen from (and full article) here...


E olha ai o Brasil fazendo bonito mais uma vez - 56% de variação na importação de whisky com relação ao ano passado. Sabe como é (como o proprio artigo explica), os sinhozinho do Nordeste acham tudo que phyno é dar pinta na Praça do Coreto com garrafa de Jacqui Danieus a tiracolo. Ke$ha se sentiria em casa. ;)

Lição de Economia do dia: Economia é que nem moda - um eterno revival de tendencias. Cintura alta? Cores fluor? Tudo chique nos anos 80, mega cafona nos 90-00, absolutamente in hoje em dia. Dolar valorizado? Importação correndo solto, soltinho? Super na moda em 1994. Mas... alguem ae lembra o que aconteceu em 1998?

E dica para as bees: Hora de estocar Aussiebum, La Roche Posay e realizar o sonho da viagem própria para o Primeiro Mundo é agora, queridas! Porque logo logo o maximo que vai dar vai ser Zorba, Natura e Punta del Este em baixa temporada (e olhe la!).  Depois nao digam que eu não avisei, ta?

sábado, 22 de maio de 2010

Economics for Gays: Introdução

Primeiro, vamos tirando o Louboutin da chuva porque eu não vou dar conselho tipo “Invista R$500 em renda fixa todo mês e fique milionário!” não! Não faz o meu estilo, honey. Não tenho vocação para ficar no Fantástico falando “Faça xixi durante o banho e economize na conta de água!” e pérolas semelhantes para dona-de-casa paranóica que quer comprar conjunto de móveis para sala das Casas Bahia (conjunto estofado Bartira MAIS mesinha de centro MAIS rrrrrack, tudo em mogno, por apenas 33 prestações de somente R$9,99 por mês!) com o décimo terceiro e ainda me chamar de *economista* para isso! E também uma pessoa que torrou euros e mais euros em viagens de final de semana (Londres... Estocolmo... Paris.... Lisboa... Berlim...), roupas (ah, meu trenchcoat, meu skinny jeans, meus cachecóis: tão incompreendidos, tão inúteis nesse clima tropical!), festas (sempre nas melhores áreas VIP, claro! Como? Carón de “Sou uma personalidade MÓITO importante no meu longínquo país na América do Sul” + mais atitude tipo “Querida, tira essa merda de corda do meu caminho A-G-O-R-A?”), bebidas (Skol Beats e Smirnoff my ass: Beck's e Absolut eram praticamente commodities!), todo mês, durante um ano... e agora não tem dinheiro nem para um feriado prolongado em dormitório de beira de estrada em Iguaba Grande teria condições de dar conselhos de como economizar para alguém?!

(Pausa dramática. Draminha. Fernando pensa “Gente, decadência DEFINE!”. Fernando pensa qual foi o motivo imbecil que motivou ele a fazer essa besteira de voltar para o Brasil! Fernando mini deprime. Mas aí Fernando lembra que nunca foi nada tao über-gostoso assim, portanto virar simplesmente modelo/casar com milionário russo não é uma alternativa muito possível não. Fernando faz então a Marie Claire: Chique é ser inteligente. E Fernando conclui que faculdade pode ser importante portanto ele TEM que terminar o curso. Fim da pausa dramática.).

Só achei importante criar uma forma aqui no blog para falar de Economia. Sabe, todo mundo odeia economista: somos a parte que todo mundo pula no jornal (ou alguém mentalmente saudávell, em sã consciência, que não tenha ações na bolsa e que seja bem-comido regularmente chega na mesa de café da manhã e abre feliz o jornal no caderno de Economia?!), aqueles que sempre inventam uma solução mágica para todos os problemas e acabam fudendo todo mundo (afinal, qual a graça de estudar Economia na... Suécia?! PIB per capita altíssimo? Justiça Social? Governo provendo tudo? Que saco! Legal é Brasil: morátória, hiperinflação, plano maluco de congelamento de preços, desigualdade social... De tudo um pouco! Economista no Brasil tem quase... liberdade artística, entende? Faz o que quiser, vamos ver no que vai dar...). Uma carreira ingrata, para falar no mínimo. Afinal, além de chegar à conclusão que estudar Economia embaranga (duvida? Clica aqui, aqui, aqui e aqui e me responde se você chamaria um deles pra um approach), ninguém tem tesão em economista (todo mundo brinca de médico, tem um tesaozinho saudável em advogado... Agora, fala sério: dá pra imaginar alguém batendo punheta e assistindo Bloomberg?!)! Isso deprime qualquer um que resolveu seguir essa carreira, poxa!

Falando um pouco mais sério, assusta perceber que algo tão importante e que influencia tanto na vida das pessoas como a Economia... é algo tão desconhecido do público geral. De uma decisão tomada por um engravatado portando uma HP-12C, numa sala com ar-condicionado surgem conseqüências que podem afetar se você vai ou não conseguir crédito para financiar seu apartamento dos sonhos, se você vai conseguir juntar grana suficiente para piriguetear num cruzeiro da CVC pelas Ilhas Gregas em Agosto ou até mesmo se vai ter prato de comida na sua mesa pelos próximos meses. Eu sei, os economistas não colaboram: depois de anos aprendendo conceitos, termos e modelos, quando viramos e abrimos a boca na TV fica difícil entender metade do que a gente fala (o que facilita muito quando a gente quer que vocês NÃO entendam o que a gente fala). Mas também simplesmente rotular o assunto de chato, fazer a Paris Hilton e ignorá-lo não é a melhor saída. Primeiro, porque chique é ser inteligente (AMO essa frase, ODEIO a Marie Claire: já perceberam que toda edição tem aquela clássica reportagem *séria*, tipo mutilação genital na Somália ou prostituição infantil em Bombaim, MEGA deprê, que VAI ser citada por alguma perua no seu momento “Uso Carmen Steffens mas penso, táãm?!”. E claro, na próxima seção, os must-have da estação: LINDAS pulseiras de inspiração indiana - fabricadas pelas prostitutas mirins de Bombaim nos horários de folga dos bordéis). Segundo, porque moramos no Brasil, onde ignorar a realidade econômica perversa em que vivemos e ser no mínimo idiota. Terceiro, nunca na história desse país (!) vivemos um período tão longo de democracia (e até arriscaria dizer de determinada estabilidade econômica, quando falamos de inflação controlada), e com eleições chegando não se trata somente de escolher entre o Nosferatu ou a Generala-Dominatrix, mas também de escolher entre concepções diferentes sobre o que se deve ser feito na Economia (o que VAI afetar a sua vida). E finalmente, desenvolvimento equals glamour, néam gentém?! Pensa em todos os pedreiros, peões de obra, operários, deuses gregos encarcerados dentro da cafonice de Citycol's e Grippon's dos subúrbios brasileiros que floresceriam usando um bom jeans “vem-que-sou-putão”/Dolce&Gabbana/Diesel, uma boa pasta de dentes e um bom perfume francês? Tem forma melhor de expressar felicidade sobre um sistema de justiça social do que esse?! :D

Enfim, criei o tag Economics for Gays... porque esse é um blog gay. Falamos a sua linguagem, leitor: a gente pode discutir a crise mundial num instante, comentar sobre a violenta desigualdade social vigente no país noutro e... parar falar na bunda incrível daquele loirinho ali na frente... Voltando: sou como você! (Bem...não como você! Quer dizer, claro, depende de quantos anos você tem, onde você mora...).

P.S.- Sumida causada por motivos de saúde (desde que eu saí da Alemanha a minha rinite e asma voltaram com força total. A interpretação das causas fica por conta de vocês, tsá?) e por compromissos no meu projeto "Preciso-terminar-a-porra-da-faculdade". Tentarei voltar a programação normal, juro. :)

sábado, 8 de maio de 2010

Explicando o conceito: Être estagiário dans Brasil

Quando eu morava na Europa (*snif, peraí, deixa eu secar a pequena lágrima que escorreu pelo rosto), tive a maravilhosa oportunidade de estagiar em 2 (duas, two, zwei, deux, dos) empresas diferentes. Um era num pequeno escritório de tendências (o estágio mais gay ever que eu já estive, trabalho incrível, mas pagava maaaaal), o outro numa tradicionalissíma empresa alema (onde o trabalho era meio sacal, mas contava horrores no currículo porque os alemaes se estapeavam para estagiar lá e porque tinha uma loja especial para os trabalhadores com mercadorias tipo calcas Diesel, tênis Adidas e todos os produtos da linha Apple com 50% de desconto). Ah gente, foi TAO legal: trabalhar em um idioma estrangeiro, aprender uma nova rotina de trabalho, todo mundo te perguntando o tempo todo "Mas como é isso no Brasil...?", eu fazendo os meus colegas de trabalho se sentirem culpados toda vez que eles mandavam eu fazer uma tarefa mais slave (" Mas só porque eu sou do... Terceiro Mundo?"). E o melhor: no final do mês, o salário era em €UROS! Muitos €UROS!

Bem, depois de torrar cada centavo desses salários nas viagens pela Europa, voltar do "Meu Ano de Princesa" e cair na minha glamurosa realidade toda "A Grande Família" de ser, hora de procurar um estágio por terras brasileiras! Ok: disso vocês já sabiam. O que vocês nao sabiam é que ontem eu fiz uma entrevista numa empresa de Rh (empresa de Rh me deprime: todo mundo com aquela cara de "Tenho que ser bonzinho preciso desse emprego, as criancas já tao sem leite Ninho!". Ontem a FDP de uma secretária já virou toda "Ih, você mora NESSE lugar? Nao sei se a empresa vai querer pagar tanto VT assim nao, hein..." para um cara se candidatando para uma vaga de auxiliar administrativo... Foda, néam?), ontem já ligaram marcando uma entrevista, e segunda vai ser a hora do "Vamuver". Pensei em nao contar, afinal da última vez que eu contei aqui no blog sobre uma vaga, Iemanjá (aka. sereia de regioes desfavorecidas financeiramente POBRES! do globo) resolveu me sacanear, perdi a vaga no último instante e continuei fazendo figuracao na "A Grande Família". Mas eu tive que contar agora! Por que?

Email de um querido amigo europeu:
"Cool the company called u back.
And if they want u soon that's cool.
You know if the money issue is an issue for you, why not trying to negociate it? Well I mean if you feel like they need someone very soon and that you're profile is perfect for them and only if they don't have many candidates....(that's just a thought)..."

*Suspiros.... Sintam a inocência, a pureza de mente de um habitante de um país de welfare state. Nada de "Queridóam, SEM benefícios: é só VT, dois busoes por dia e olhe LÁ!". Nada de "O QUÊ? Esticar o feriadao? Problema é seu se você já tá há dois anos sem tirar férias! Tu é estagiário, MERMAO!". Ah... Dá até pena explicar para ele que ser estagiário no Brasil define conceito de alienacao do trabalho... ;(

#Momentinho Economics for bees: Ah, você-nao-economista nao sabe o conceito de alienacao do trabalho? Liga nao: metade dos economistas chega ao final da faculdade sem ter idéia a outra fica vendo os músculos, pernas e bracos maravilhosamente esculpidos dos estudantes do primeiro grupo. Tem duas formas de entender isso: dá para ir na teoria (aqui) ou... entender isso de uma forma BEM prática, aqui. ;)

P.S.1- #1 Isso nao foi a discussao econômica, e #2 Já que vocês apoiam, prosseguirei com os meus planos de subtituir Míriam Leitao no Bom Dia Brésil e dominar o mundo... :D

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Momento “Moi Economiste?": Carissimo Pierangelo Garegnani

Caríssimo Pierangelo Garegnani,


Sou um grande fã do senhor desde pequenininho (li “Histórias Marxistas de Ninar” e “Alice no Fantástico País dos Sovietes” quando tinha somente 7 anos!). Neste momento estou lendo espontaneamente mentira, a professora da faculdade nos obrigou sob a ameaça de nos enviar para um gulag o seu maravilhoso livro onde você resume TODA a História do Pensamento Econômico em UM único livro. Achei primoroso. Entretanto, poderia ter a ousadia de sugerir duas coisas?


#1 Sabe aquela história de Início-Meio-Fim? Usa, PORRA! Ler uma linha e desentender três definitivamente é não é um sinal legal.


#2 Nota de rodapé com gráfico de cú é ROLA.


Muito obrigado pela atenção e va fanculo por tornar as minhas tarde tao interessantes.


Atenciosamente,
Fernando.