Eu sei que metade da blogaysfera vai me matar, mas se o Daniel falou que não gosta de SATC (e o Thiago ousou mencionar que nunca tinha visto um episódio na vida), eu me senti no direito de poder também questionar uma unanimidade.
Eu achei Glee uma bosta. Grande bosta. Enorme bosta.
Por quê?
Agudinhos a la “American Idol”: Eu já assisti “Ídolos” (primeira edição, quando foi ganho por um ex-coleguinha de escola meu – daquela
droga de escola do Mirabel), eu já assisti “American Idol” e até acompanhei por alguns episódios o “Deutschland sucht den Superstar” (que tinha o equivalente germânico do Serginho – depois de MUITO bronzeamento artificial, como é de praxe das bees pão-preto-com-ovo -,
Benny Kieckhäben e apresentado pelo gostosón mor da televisão germânica
Marco Schreyl). E sinceramente? Glee soa exatamente igual. Uma bosta só: agudinhos limpos e claros, caretinhas e mãozinhas Whitney/Mariah na hora de cantar, vozes bonitinhas-mas-que-tão-limpinhas-dão-sonozzzzzzzzz. Tipo Yakult: pausterizado demais, sabe?
Historinhas moloídes: Pode ser que eu esteja numa diferente fase da minha vida, pode ser que eu tenha vivido tempo demais em território europeu e me acostumado à pegada cínica e nada inocente das produções de lá, mas... os excluídos que se unem e conquistam um pouco de glória através da música? Garotinha nerd-e-com-beleza-não-óbvia (sempre uma atriz bonita pra caralho disfarçada por um cabelo horrendo + óculos errado) apaixonada pelo gostosão que joga Lacrosse/Futebol Americano? Em 2010? Ainda? Super acreditamos que os principais problemas da juventude americana ainda sejam esses, néam? Imagina se fosse uma produção européia: teria
Christiane F. em pessoa dando aula de química (e ensinando aos alunos a melhor forma de sintetizar ecstasy), professora transando com os alunos (gente, num Corujão da vida de tempos atrás eu vi um filme inglês chamado “
The History Boys” que tem uma cena entre aluno e professor que entrou fácil para cena mais erótica que eu já vi em filmes na minha vida.), ao mesmo um viado polêmico (cota de viados em filmes regulada pelo governo francês: todo e qualquer filme francês tem que ter ao menos um viado e um casal questionando os valores do casamento e trepando com todos os personagens do filme), estudantes fumando maconha no campo de futebol, árabes planejando explodir o colégio e garotas trocando dicas sobre como fazer abortos. Ah, a juventude européia... :D
Modelinho de série moloíde: Eu, crianças do Cazaquistão, Stalin e Platão devemos todos ter tido traumas no High School (ai da criança que deve ter negado dividir Mirabel com o Stalin: fato que ele deve ter prendido, torturado e feito goulash dos coleguinhas burgueses dos tempos de escola na Geórgia). Mas por que diabos americanos têm essa necessidade de voltar ao tema “High School” todo o tempo? Get over it, caramba! Essa coisa mítica de “Prom Party”, “Spring Ball” e afins chega a dar sono de tão chata que é. Pior é o “efeito Malhação” da coisa: atores de 20 e muitos anos, currículo de piriguetagem maior do que a minha lista corrida de ficantes em Hamburgo, fazendo carinha de santinho e dileminhas “Is he really the special one?”. Saco, saco, saco.
Interpretações musicais dignas de “Jogral Educativo do Educandário Santa Neusinha de Luzilândia”: Sinceramentchy? O antológico
momento de vergolha alheia “
Barbie Girl” by ‘Love for Johnny’ e ‘Dani for Love’ tá ali, ombrinho com ombrinho com o que eu vi em Glee. Os figurinos e caracterizações realmente são interessantes, mas se lembrarmos que até Zorra Total não faz nem tão feio assim nesse quesito, não dá para dizer “Oh, Puxa! Que maravilha!”. O que foi o episódio da Lady Gaga?! Vocês acreditam que aquele povo teve o topete de suprimir o “
I’m a free bitch, baby” de Bad Romance, provavelmente porque algum produtor paunocu pensou o que as adolescentes do Meio-Oeste, fãs de Taylor
Salsichas Swift e leitoras de Seventeen, não agüentariam o choque cultural de escutar um palavrão na TV?!