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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Rio de Janeiro


Engraçado como a sua perspectiva acaba mudando quando você sabe que são seus últimos momentos em um lugar. Tudo aquilo que era parte de uma irritante rotina acaba tomando uma cara de “Ah, é a última vez que eu...” (sim, eu continuo o mesmo dramático de sempre). Tudo o que faz a vida em uma determinada cidade completamente ordinária depois de um tempo que você mora nela começa a te provocar um sentimento de nostalgia antecipado.

Todo mundo que acompanha o blog há algum tempo meio que sabe: em 2009-10 eu tive o meu ano de intercâmbio na Alemanha. Ah, que incrível ano! Tantas coisas vividas, tantas novas experiências, tantos homem gato que eu pegu... tantos museus incríveis que eu conheci! :D
E que inferno foi voltar ao Brasil. Eu lembro como se fosse exatamente agora: meu voo era Zurique-São Paulo. Eu fui o último a sair do avião da Swiss, com o espírito mais “Neeeeeeeeeeeein, lass mir bleiben!” possível. Disse o meu último “Auf Wiedersehen” para a comissária com o sorriso sou-um­-brasileiro-simpático-e-sorrio-sem-motivos-mas-sei-que-você-acha-meu-sotaque-fofinho e, cabisbaixo, saí do avião. Meras 13 horas antes fazia 2°C em Zurique. Fazia 32°C naquela hora em Guarulhos. Eu olhava para aquela decoração bosta da Infraero e pensava “Não pode ser: eu estou de volta!”. (Parênteses: Por que a fixação do pessoal da Infraero que define os projetos de decoração dos aeroportos com vidro fumê, aço escovado e granito, hein? Caralho, os aeroportos brasileiros tem o mesmo clima amistoso e receptivo de um consultório de dentista da década de 80.) Saí do setor internacional e levei o baque duplo do calor (mesmo com o “ar condicionado” de Guarulhos – sim, eu fui irônico porque acho que o “ar condicionado” de Guarulhos sempre está desligado quando eu estou por lá.) e das pessoas ao meu redor falando português brasileiro. Entrei na fila de embarque da TAM para pegar o meu voo para o Rio, uma criancinha em direção ao Nordeste olhou para o meu bronzeado hamburguês e tocou no meu sobretudo de lã pesada com a cara mais “WTF is that?” possível. Vinha com um sobrepeso absurdo de viagem internacional, mas para o meu choque a funcionária da TAM mandou um “Relaxa, coloca tudo aí, o voo tá vazio...” e eu viajei com mais do que o dobro do limite de bagagem para um voo da Ponte Aérea sem pagar um centavo a mais. Quase dei uma sambadinha para agradecer.

De quando eu vi o Rio pela primeira vez, eu também lembro. Tinha uma argentina sentada do meu lado, indo conhecer a cidade pela primeira vez. Troquei uma ideia com ela sobre os locais que achava que ela deveria conhecer, as dicas para fugir dos golpes cariocas com turistas. E me virei pro lado e vi a Restinga da Marambaia aparecendo pela janela. Liguei o iPod no “Samba do Avião” (ainda não consigo decidir se é um clássico ou uma cafonalha escutar isso quando se volta ao Rio, mas acabo sempre o fazendo), apoiei a cabeça na janela e fui tentando adivinhar quais partes da cidade que eu via. Toda volta de viagem sempre provoca uma nostalgia (na verdade uma PUTA deprê, néam?) mas voltar pro Rio sempre tem algo de especial. É meio que um consolo olhar para Ipanema, para as montanhas, para os prédios históricos do Centro. Meio que um carinho na sua cabeça falando “Darling, tem gente que volta para Detroit! Olha para que lugar incrível você está voltando!”.

Escrevi tudo isso para dizer como é surreal estar deixando o Rio de Janeiro, em definitivo. Os motivos? Sinceramente falando? Estou indo morar com o meu namorado francês em Paris. Simples e direto assim. Para os outros, eu confesso que sempre floreava com um “Mas também estou com um projeto mega definido de fazer mestrado em Estratégias Matemáticas Avançadas!”. Na verdade foi um projeto puramente passional mesmo. Ok, não sai correndo de uma hora pra outra, larguei tudo e gritei para o meu namorado por telefone “Meet you in Paris!”. Planejamos isso por quase 2 anos – dois longos anos em que nos víamos sempre que dava um tempo na agenda. E como bom virginiano, me assegurei de todas as formas possíveis do que poderia dar errado. E claro que coisas que eu esperava que não fossem dar errado deram errado. Mas enfim, assunto para outro post.

O foco aqui é mesmo o Rio de Janeiro. A estranheza que me causa quando eu olho para essa palavra e penso que ela não mais significará “casa” para mim. A ironia de quando eu penso em como eu odiei essa cidade quando voltei da Alemanha em cada uma das suas características – falta de pontualidade, falta de compromisso, falta de organização, calor infernal, provincianismo. E como nesses últimos dias eu sabia que cada uma dessas coisas iria me fazer falta. De como voltar da Alemanha foi essencial para que eu reavaliasse muito do que o Rio de Janeiro era, do muito do que eu tinha do Rio de Janeiro e de que eu finalmente compreendesse que não existem lugares perfeitos no mundo - só alguns que combinam mais com os seus valores e desejos. Como eu fiquei puto em voltar ao Rio de Janeiro daquela vez! E como hoje eu entendo perfeitamente que eu TINHA que passar por esse processo de readaptação que me fez seguramente ficar muito mais forte e maduro. E que me fez me reconectar com uma cidade que eu sabia que não seria a minha cidade para todo o sempre, mas que tinha definido a minha personalidade. Algumas vezes precisamos ir ao outro lado do mundo para entender o que está bem ali, na nossa frente.

Saudades do Rio de Janeiro. Eis a sina de todo carioca que escolhe sair dessa cidade em algum ponto da sua vida. :)

P.S.- Sobre os amigos... melhor nem começar a falar. Principalmente porque eu já passei um RevitaLift no rosto, o avião já começou a descida para Lisboa e as comissárias portuguesas tem cara que tiram o buço na pinça de tão macho que são, portanto nem rola chorar para depois ter que reaplicar o produto. Mas te falo: doí. Pra caralho.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Weekly Report: Novembro, Semana 48

(Uma tentativa... de manter o contato com vocês. E de falar algumas besteiras, bien sûr. :D)


Crise do Euro, Irlanda, Portugal, Grécia (e todos os outros países-peludos) se ferrando
Primeiro: estava óbvio que legal não tava... mas também ninguém não queria muito acordar para a realidade, não. Dublin infelizemente eu não conheci, mas Portugal e Espanha pareciam way wealthier do que eu jamais imaginei – isso depois de eu ter conhecido a Escandinávia e ter morado na Alemanha (ou seja, nada de choque “subdesenvolvido goes to Europe”). Em Portugal discutiam seriamente um projeto de reconstrução da linha de comboios rápidos Alfa Pendular que custaria uma fortuna absurda em euros e que reduziria o tempo de viagem entre Lisboa e o Porto em enormes... 20 minutos. Já na Espanha, ainda hoje comento do aspecto palaciano do sistema de trens urbanos de Madrid – estações e túneis gigantes quase que inteiramente subterrâneos, trens que faziam seus equivalentes dos serviços urbanos de Paris e Berlim parecerem ter sido doados pela Supervia/CPTM – e de como aquilo devia doer um pouquinho no espírito de alemães e franceses quando pensavam que aquilo estava tudo sendo financiado com dinheiro da UE.

Segundo: Sinceramente, não faço a mínima ideia se Portugal escapa dessa vez. Difícil mesmo prever uma coisa que vai acontecer. Mas uma coisa é certa: entrando Portugal e Itália declarando que não vai muito bem das pernas, F-U-D-E-U. Se eu consigo imaginar a Europa sem o euro e voltando às suas moedas nacionais? Não. Economicamente, por mais que a Alemanha reclame de ter que pagar a conta da má administração de meio continente, o euro foi uma das melhores coisas que aconteceu para a combalida economia alemã. E politicamente... a parceria França-Alemanha já chegou num nível sem volta, e tanto Berlim quanto Paris sabem que enfrentar EUA e China uma sem a outra definitivamente vai ser muito pior.

E terceiro: eu juro que super imagino Betinha deitada num confortável sofá com seu MacAir no colo, num live chat com as amigas Silvinha, Margô e Soninha enquanto assiste Frau Merkel tentando explicar para os eleitores alemães porque eles deveriam financiar a dívida dos “povos do sul” (“Liebe Volk, eu sei que eles são bagunceiros, gastadores, incompetentes, só querem saber de festa e desconhecem qualquer conceito de ordem e disciplina... mas se eles quebrarem tamos com o salsichón no Kuh! E já que a gente não pode invadir, então só resta ajudar financeiramente, néam?”). Betinha digita no computador “And they thought we needed them, didn't they, girls?” e seu riso ecoa pelo Mar do Norte. :D

Homofobia não
Absolutamente me decepciona o que aconteceu tanto na Paulista como no Arpoador (e eu quero é mais ver cada um dos culpados pelos dois casos dentro da cadeia, servindo de mulherzinha pra geral).

Mas sinceramente? A indignação, a mobilização geral, o “Temos que fazer alguma coisa” acontece somente quando os casos acontecem dentro da bolha de Ipanema e Jardins? Eu sei: é onde a imprensa está, é onde a imprensa cobre, bla bla bla. Mas minha “experiência de subúrbio” (A-ham) lembra que viadinho e travesti morto são fatos absolutamente comuns, assim como Polícia e Exército fazendo suas merdas eventualmente sem que ninguém falasse de nada.

Afinal, não custa lembrar que o Brasil é o país onde mais se matam homossexuais fora do mundo islâmico, não é?

Parada do Rio
Não fui. Porque sinceramente... #1 odeio multidões, #2 odeio música alta + multidões, #3 odeio música alta + multidões + vinho barato que pode manchar qualquer uma das minhas roupas, #4 porque meu amigo não topou participar do programa de índio e me convenceu ficar vendo “Esquadrão da Moda” no Discovery Home & Health. Mas lá pelas 21h fomos tomar um chopp por Ipanema, demos uma passada na praia e fizemos a Celina-e-Odete (“Mon dieu Celina, mas o que é isso?!”) com a cena da praia na altura da Farme tomada por Pokemóns adolescentes vestidos de Restart e falando o mais autêntico Katylenês – calças jeans skinny em tons berrantes em profusão (eu sempre defendi a Skinny, mas porra: amarelo ovo? Roxo? Verde-limão?! Não dá, néam!) e muito “Ai bee, tô locaám, me passa esse Ice aquieám!”. Mas passado o choque inicial (de ver tantos projetos-travecos juntos – gente, na minha época não era liberado assim não e viadinho tomava coió no colégio!), sabe que eu fiquei até um pouco feliz? Para muitos dali era uma das raras oportunidades de darem pinta, serem o máximo de viados que pudessem ser, de se sentirem incluídos dentro da categoria “Sou Gay”. E dessa galera nova, mega afetada e mega BEEESHA! é que nós precisamos.

E a reflexão Pós-After-da-Parada...
Quando as bees cariocas vão entender que barra de cueca Calvin Klein não é chique, muito menos cool e longe de ser estilo, hein? (Porque sinceramente, a visão permamente-de-todo-e-em-qualquer-lugar daquela camisa pólo com aquele pica-pau absurdamente gigante já considerei como dada para o próximo verão carioca).

Palavrinha Nova
Pensa num 'Bear'. (Não bee, tô falando num homem gordinho e peludo mesmo, não num Urso Polar.) Tira a gordura mas mantém os pêlos. Um Wolf, certo? Ok, agora tira ainda um pouco mais de gordura. Skinneou, certo? Sabecomoéonomedisso? Squirrel. :D

Cena da Semana
Última quinta-feira de noite, amigo chama para um chopp no “Tô nem Aí” (eu sei: é tipowz aquele programa que você sabe que vai ser furado, mas que você vai... porque no fundo acha legalzinho. Total tensão no ar tipo “Gringo seeks a local / Local seeks a gringo”). Abro o guarda-roupa, boto uma camiseta social-but-casual (Oi?), bermuda, Converse cano longo vermelho e olho para os meus cachecóis europeus. Como tava um vento estranho no ar (e no Rio toda vez em que você quer fazer a linha “Puta-não-sente-frio” você acaba batendo queixo com um vento gelado vindo do mar), resolvi arramatar o look com um dos meus preferidos – um laranja – praticamente um companheiro de viagem. Me olhei no espelho, aprovei o look depois da auto-pergunta “Eu me pegava?” e saí feliz e contente de casa.

Um chopp se tornou dois chopps que se tornaram cinco chopps, toca Pitbull no ambiente, “Ai, eu quero dançar... Vamos pro Galeria?!” (sim, uma alma reagattonera existe debaixo dessa imagem eu-amo-Europa), e voilá Galeria. Small performance ao som de “In my arms” (“How do you describe a feeling?... I've only dreamt of this... WOW!”). Voltando para o bar para encontrar o meu amigo (o que no Galeria significa... 20 cm de distância ocupados por 15 cacuras e pessoas estranhas) quando uma coisa me para. Gordinho, usando uma camiseta preta justinha no corpo (quando as pessoas vão entender que “camisa justinha” só funciona quando você tem a quase impossível combinação de corpo magro/longilíneo mas sem NADA gordura, porra?) com uma clássica idiota mensagem em glitter, segurando um drink coloridinho com uma das mãos (odeio drink “coloridinho”: drink tem que ser transparente, opaco e no máximo a intervenção de uma grenadine. Mais do que isso, pra quê?). Ele para, pega no meu cachocol. E numa voz proto-diva me solta “Too much.”. E saí.

Durante 1 segundo (hiperativo: a gente pensa rápido demais mesmo), minha cabeça processa a informação. Um cara deselegante, gordinho, usando “camisa justinha” tentando passar lição de “How to get dressed” para mim? No Rio de Janeiro, uma das cidades mais legais do mundo? Rá. Rá Rá. Rá Rá Rá.

Eu viro de lado. Faço a minha melhor cara “Blair Waldorf's Über-Bitch Face”. Sorrio o mais tender dos meus sorrisos. E mando:“ 'Too much of fat' you meant, darling?”

A criatura faz aquela cara atônita de “Oi?”. Eu viro as costas. E jogo o cachecol pelo ombro da forma mais nonchalant possível que eu sei que consigo fazer – com a certeza de a ponta foi na cara dele. E continuo conversando com o meu amigo.

E decidido: o visual do verão? Qualquer coisa com cachecol. Eles já passaram 9 meses dentro do guarda-roupa, precisam de uma diversão, coitadinhos. E se todo mundo (meaning TODO MUNDO MESMO) pode sair exatamente igual de pólo da Reserva, porque eu não posso fazer a linha “Verão na Costa Amalfi”? :D

E a última
Contei para vocês que estou morando em Ipanema?

(É, eu sei: um passo crucial para a transformação numa “bicha phyna” foi dado. Agora só falta comprar a minha coleção de livros de mesinha de centro Taschen e fazer minha filiação no PSDB*. :D)

*Prometo ficar sem alfinetadas políticas por um bom tempo, tsá? :D

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

The Bitch is back

Como eu escutei uma vez: once in the Oil Industry, always in the Oil Industry. ;)

Porque somente contribuir como consumidor para o capitalismo is not enough – tem que trabalhar na pior indústria dele! :D

Um shot do Black Gold para vocês! E viva o aquecimento global! Êee!

P.S.- Very happy, tinha que compartilhar isso com vocês!

domingo, 19 de setembro de 2010

I am the master of my fate / The capitain of my soul

Provavelmente se eu estivesse no Brasil em Novembro/Dezembro e tivesse comprado o Horoscopão João Bidu 2010 (aquele com um astrólogo bibíssima na capa, que sua prima/irmã/tia comprava nas viagens de ônibus do final de ano, lia as previsões para o signo dela e encostava logo, porque não tinha nenhuma outra utilidade para ela) teria lido que a definição desse ano para virgem seria “Mudanças”. Porque PATAQUEPARÉU, Fernando empacotando todas suas coisinhas (vocês também sofrem da crise “Sem os meus livros eu não vou para lugar nenhum!” em mudanças? Eu já li aquelas porras, não tem utilidade nenhuma atualmente para mim, mas ver os meus guias de viagem enfileirados na estante onde quer que eu vá me faz sentir um pouco mais tranquilo) já se tornou uma constante nesse ano.

Explaining: mamãe resolveu vender a notre maison dans Grand Champ em busca de mais qualidade de vida, cansada da vida “in the Valley” (a Zona Oeste do Rio é na verdade um grande vale entre os maciços que seguem o litoral da cidade e Serra de Madureira. Já deu pra concluir que quando faz calor, o ar quente simplesmente fica PARADO nesse vale, e por isso Bangú é conhecido pelo seu clima temperado e refrescante nos dias de verão... :D) e ir viver na Costa Verde (aquela região que significa muito verde, muita praia e SEMPRE muita chuva). O problema é que ela decidiu isso em menos de um mês (vende a casa antiga/compra a casa nova/muda para a casa nova), com a mudança justamente acontecendo enquanto le français estava no Rio (Quelle Surprise!). Resultado: Fernando empacota todas as coisas para as duas semanas com o francês em Copa, Fernando re-empacota todas as coisas e vai para a casa da tia em Realengo, Fernando encontra um quarto no Humaitá (quarto de empregada my ass - só se empregada for japonesa e anã! Lembram dos micro-cubículos de Beijing? O meu era ligeriamente maior, com um banheirinho daqueles “Eu tomo banho / O vaso e a pia e tudo no banheiro também”), Fernando descobre que o apartment lord é um freak total, Fernando e o apartment lord discutem (com direito a “Você sabe quem é meu pai?!” do cara, eu com a maior cara de “Who cares?” respondendo “Que bom...” - #1: Querido, depois de rodar tanto o mundo, descobrir que aquela “coisinha” que eu peguei numa boate em Hamburgo era editor-chefe de uma revistona alemã, minha melhor amiga sueca era filha do presidente das Províncias Suecas e coisas semelhantes, você realmente acha que eu ainda me impressiono com... currículo?, #2: se eu desaparecer e meu corpo não for encontrado na primeira semana, PLEASE Polícia e passeatas nas ruas com grandes faixas com “O que aconteceu com Fer?!”, hein!), Fernando percebe que é “melhor sair dali”, Fernando asilado politicamente na casa de um amigo inglês no Leblon por uns dias até encontrar um outro quarto para chamar de seu no Rio de Janeiro.

Enfim, tem horas que eu penso como eu consigo ter saco para aguentar tantas mudanças. Tem horas em que eu olho para amigos e primos que ainda moram com os pais, com lençóis limpos e lavados sozinhos e roupas passadas automaticamente por personal escravas (aka. empregadas e mães) e refeições já prontas assim que eles chegam em casa e ENORMES quartos com mesas e estantes e guarda-roupas combinando-e-bonitinhos e... bate uma enorme inveja. Gigante, do-tamanho-do-mundo inveja, dessas pessoas com lençóis cheirando a Comfort e vidas planejadas e estáveis.

Mas aí eu penso que play safe para mim significaria ter vivido NADA do que eu vivi e ter uma vida absolutamente chata. De que o High-Low que a minha vida tem sido até hoje, pra bem ou pra mal, serviu para me obrigar a “pensar fora da caixa”, sair da zona de conforto da qual eu poderia ter me escondido e viver novas coisas, novas experiências. E de que o efeito disso é que cada vez eu vou simplificando o que eu realmente preciso para me sentir confortável, para chamar um lugar de casa: minhas roupas, meu computador, meus cremes (um dos benefícios de namorar um farmacêutico francês: 30 amostras grátis dos melhores produtos da cosmetologia mundial que custariam a minha bolsa de e nstágio se comprados juntos!), meu iPod, meus livros, meus livros de viagem enfileirados em uma estante ou mesa. O resto a gente compra numa Casa&Video/Ikea mais próxima, ou se adapta, ou se acostuma a viver sem.

E tentando criar uma filosofia fernandiana, se há chá (preto, com um pouco de leite – algumas heranças de ter vivido no nebuloso mar do Norte tinham que ficar!), vinho, Nutella e conexão de Internet, então há esperanças, há vida. :D

P.S.- Sim, eu assisti Invictus. E chorei. E torci. E fiquei genuinamente feliz em saber que a África do Sul realmente conseguiu ganhar aquele campeonato de Rúgbi. E me questionei se conseguiria ter o grau de maturidade espiritual para sair de uma prisão de 30 anos pronto para lutar por perdão e reconciliação com aqueles que me oprimiram. E relembrei que motivação é tudo o que realmente importa para o ser humano – independente se venha de um poema, do sexo ou dos meus livros de viagem enfileirados na minha estante.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu sou da Capital do Melhor e do Pior do País

Eu sei que Política é chato pra caralho. Eu sei que provavelmente você, assim como eu, no exato momento em que Will Bonner anuncia que o JN será interrompido pelo horário político, desliga a TV e vai fazer algo de muito mais útil da sua vida (aka mandar aquela máscara facial de argila na fuça, aparar os pelinhos que essa porra de gene português insiste em continuar mandar crescer, passar aquele La Roche Posay Active C na rostinho não mais under 25). Afinal, pra que assistir aquela porra e ver que maravilhas como Romário e Wagner Montes estão disputando sua atenção e o seu voto pra se reelegerem e fazerem porra nenhuma?

Mas como Democracia é que nem Creme Hidratante Avon (é uma bosta, mas na falta de algo melhor, melhor ir com ela mesmo), desenvolvimento não chega sozinho nem de uma hora pra outra (meaning: a cosmetologia francesa vai continuar cara pra caralho por um bom tempo) e muito menos ninguém vai lutar pelos seus direitos além de você, a única alternativa é se informar e tentar minimizar as merdas na hora de apertar o “Sim” naquela merda de urna eletrônica (eu sei, eu também não aguento mais aquela ladainha dos comerciais do TRE vangloriando as maravilhas da nossa moderníssima “máquina da democracia”.- Aquela porra parece com um PenseBem, my ass se a gente pode saber quem foi eleito para governar Roraima em 2h e 50 min e eu ODEIO aquele barulhinho de voto computado e ponto final!).

Porque cá entre nós, cariocas: a nossa cidade é incrível, as nossas praias fodas, o nosso lifestyle amazing... mas tá foda de sustentar o carón “Sou do Rio de Janeiro meRmo” quando a gente pensa nas maravilhas que escolhemos para nos representar pelos cargos políticos afora.

Portanto, dá uma olhada ae na lista (thanks Tony!) e veja em quem não votar. Porque eu ainda acredito nessa porra de cidade, nessa porra de estado e em toda a enorme herança de inteligência e vanguarda intelectual que essa cidade sempre representou.

E porque tá mais do que na hora de mostrar que mais do que um rostinho bonito, o Rio tem conteúdo pra caralho. ;)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Eu sou suburbano

O meu Rio de Janeiro não tem muito glamour não. Não tem praia perto, não tem calçadão nem ciclovia para dar pinta e muito menos vista para o Pão-de-Açúcar. Na verdade, o Cristo está literalmente de costas para o meu Rio de Janeiro.

O meu Rio de Janeiro ficava longe, bem longe da linha 1 do metrô (aliás, metrô com ar condicionado funcional é um conceito desconhecido por aquelas bandas). O meu Rio de Janeiro ficava longe, muito longe e se chega de trem – de preferência com um pacote de Torcida e uma lata de Skol na mão para “ajudar o tempo a passar”. Leblon? Gávea? São Conrado? - com certeza Acre e Marte ficam mais perto.

O meu Rio de Janeiro era o de tomar banho de mangueira na rua (falta de pudor rules, néam?), ralar joelho andando de carrinho de rolimã e pular o quintal do muro do vizinho para pegar manga. Playground? Get a life, playboy!: nada como uma tarde de sábado inteira jogando bandeirinha com todas as crianças da tri-state area e chegar em casa praticamente afro-americano, bater aquele pratão de bife, arroz, feijão e batata-frita e cair na cama. O meu Rio de Janeiro era o do dia mais esperado do ano ser 27 de Setembro, dia de São Cosme e São Damião, quando a gente acordava mais cedo do que nunca e já pelas 8h tava na rua com sacolas plásticas gigantes (Casa&Video!) checando onde já estavam distribuindo doces, e no final do dia a gente chegava em casa, despejava toneladas de marias-moles, pes-de-moleque e gamadinhos em bacias gigantes e ficava a semana inteira comendo aqui (#1: Cara, imagina pegar doce em dia de São Cosme e São Damião com twitter?! #2: Depois de um tempo, sempre a maria-mole ficava com gosto de doce de abóbora, que ficava com gosto de cocada, que ficava com gosto de bananada...). O meu Rio de Janeiro era o que a gente sabia quando o Carnaval estava chegando não pelo fluxo de turistas gringos nem pelos ensaios do Monobloco, mas pelas hordas de bate-bolas que invadiam as ruas (os mais capitalizados com fantasias lindas e coloridissimas, os mais “financeiramente desfavorecidos” colando tiras de jornal ou sacos plásticos em calças e camisas, criando um efeito plástico ainda sim fantástico).

O meu Rio de Janeiro era o de que o máximo da elegância era ir a Barra da Tijuca (!) e fazer compras no Barra Shopping (!!) . Aliás, o meu Rio de Janeiro era o de onde na época do Natal toda família ía sempre ver aquele maldito Castelo da Cinderela! :D O meu Rio de Janeiro era o de lugar de comprar roupa “social” era na “A Impecável Roupas” (onde eles seguramente não tinham calças skinny!). O meu Rio de Janeiro era o das Óticas do Povo (Morou? :D) e da maldita “Linha Jovem” que assombrou metade das crianças que tinham que usar oculos nos anos 90. O meu Rio de Janeiro era o do máximo da excitação era a Madureira fazer compras de material escolar para o ano escolar que se aproximava (lembram de um estojo escolar meio multiretratil que era tipo um tijolinho fino, com uns botoes que voce apertava e ploft! saia o apontador, a parte de colocar os lapis e canetas, e nos mais sofisticados ate um mini- termômetro?!). O meu Rio de Janeiro era o de qualquer pesquisa escolar, maldito trabalho de artes ou qualquer coisa ligada a papel e impressao sempre dava pra resolver na Silbene (e que no verão ainda tinha uma raspadinha de groselha e um sorvete de casquinha MARA!).

Falando em comidas, o meu Rio de Janeiro era o do melhor caldo-de-cana e pastel de queijo (na verdade, somente um teaser de queijo, neam?) sempre se encontrava na estação de trem mais proxima. O meu Rio de Janeiro era o que me acostumou com grandes custos-beneficios alimentencios, e que ate hoje me gera um quê de revolta na hora em que eu paro em algumas lanchonetes mais phynos do eixo Copa-Leblon e vejo aqueles salgados tao pequenos, tao caros! O meu Rio de Janeiro era o do Angu a Baiana vendido na barraquinha da pracinha, cuscus (que no Rio é branco e tem côco) sendo vendido pelo invariavel velhinho que vinha apertando uma buzina e dos cachorro-quentes e X-Tudão que vinham com absolutamente tudo o que possa ser pensado. O meu Rio de Janeiro era o das “festinhas de aniversário” fodásticas e de chamar a rua inteira (porque classe C gosta de compartilhar com a galera e muita fatura, honey! :D), as mais chiques e importantes sempre servindo estrogonofe de frango com batata-palha em pratinhos de plástico. O meu Rio de Janeiro era o de onde as tias empurravam mais um prato porque elas sabiam que voce tinha gostado e estava com vergonha de pedir. O meu Rio de Janeiro era o dos cajuzinhos... :)

Talvez a maioria dos leitores desse post não entenda muito bem o Rio que eu acabei de descrever acima. Como eu falei, ele fica longe, bem longe de Ipanema, Copacabana e qualquer lugar da Zona Sul. “A Grande Familia” tenta imitar, mas sempre soa meio fake e clichê como se todo paulistano trabalhasse no mercado financeiro e morasse na Paulista ou todo catarinense fosse invariavelmente gostoso-e-surfista. Esse Rio fica longe, coisa de mais de uma hora de viagem do Centro, realmente na PUTA-QUE-PARIU. Bem, eu falei que era o meu Rio, não é? :)

Depois de 24 anos como morador da Campo Grande (entremeados por alguns periodos morando perto da faculdade na Zona Sul e claro, pelo louco ano na Europa), finalmente chegou a hora de olhar para aquilo tudo e dizer simplesmente “Adeus”. A casa onde eu cresci a vida inteira foi vendida, minha mãe partiu para a Costa Verde em busca de um pouco mais de qualidade de vida e eu acabei voltando para a Zona Sul. Se disesse que não queria que isso tivesse acontecido estaria mentido pra caralho: thanks god, no more viagens de mais de uma hora para ir ou voltar, vizinhos escutando funk nas alturas e ter que me deslocar mais de 20km para encontrar livraria/café decente/cinema passado um não-blockbuster.

Mas foi estranho olhar para a minha casa, olhar para aquele bairro e perceber que eu não posso falar mais que “moro” em Campo Grande. Por que? Não consigo explicar. Da mesma forma que não consigo explicar porque quando estava em um parque em Estocolmo, um pouco mais de um ano atras, sentado com suecos lindos-loiros-elegantes-e-desenvolvidos (juro gente, o cabelo deles brilhava ao sol. Muito odio, muita inveja!), só conseguia lembrar dos pagodões na laje promovidos por alguns vizinhos (e por alguns membros da minha familia SIM, tenho que confessar!). Da mesma forma que quando passeava pelas vitrines das elegantes lojas de ternos bespoke da Savile Row lembrava da “A Impecável Roupas”. Da mesma forma que quando comecei a vislumbrar a Torre Eiffel da Quai d’Orsay eu cafona-e-ridiculamente chorei, porque lembrei das longas viagens de onibus em que eu passei estudando frances ou lendo revistas de viagem e imaginado como seria conhecer outros paises e outras culturas, enquanto olhava pela janela e via a realidade que era tao banal e comum para mim.

Acho que no fundo aquela historia de “Voce pode tirar o cara do subúrbio, mas não pode tirar o subúrbio do cara” pode ser verdade.

E de boa? Que bom que seja assim. :)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Où est Fernando?

Indo ao Pão-de-Açúcar, passeando pelas ruas do Centro (e explicando porque diabos os engraxates-mala do Centro insistem em engraxar o tênis dele), indo de ferry-boat para as terras de Araribóia (“Icaraí is a cleaner Copacabana, without whores and tacky clothes shops”), indo à praia e explicando o sofisticado sistema de castas e tribos reinante nelas (Leblon: Brazilian Celebrities + Anorexic Girls; Ipanema: Trendy-Cool People + Trendy-Cool Wannabe People + Steroids, Steroids, Steroids, Aussiebum & “Du iou uant to gou to The Week ánd peí evirifingui for mi?"; Copacabana: Families + Italian/Portuguese Mid 40/50’s Fat men + Whores seeking/scorting Italian/Portuguese Mid 40/50’s Fat men; Leme: Nobody), traduzindo para o inglês/francês todo o menu exótico da cozinha popular brasileira (Tapioca: Something like Crêpe, without the Crêpe, Mandioca: Something you don’t know, Farinha de Mandioca: Something you don’t know’s Powder, Jabuticaba: Strange Berry, Açaí: Strange Berry, Guaraná: Strange Berry that looks like an eye, Geléia de Mocotó: Eat it and I tell you later what it is, Mamão: Natural Activia), comendo em botecos de esquina (porque os olhinhos dele brilham com a simples sofisticação de poder almoçar ao ar livre durante o “inverno”), traduzindo as notícias atuais dos jornais nas bancas (“What means ‘Tiroteio at Intercontinental’? ‘Tiroteio’ is only just another word for Party in Portuguese… Look: there is a French Vogue here!”), levando ele para passear de trem pelos subúrbios do Rio (“Fernando, que signifie ‘Dez paçocas por um real’?” + “Is this REALLY still Rio?!”), explicando as capas do “Meia-Hora”, me entupindo por tabela de todas as coisas tipicamente cariocas (Biscoito Globo, Bananada, Mate de Galão na Praia, Queijadinha, Cajuzinho...), indo até Jurujuba (?) para satisfazer o desejo dele de comer peixe frito na brasa (enquanto eu como... frango frito, já que sou alérgicos a frutos-do-mar)...

Em outras palavras? Sendo feliz pra caralho.

(Postagens voltando ao normal semana que vem, ok? :D)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

De volta ao batente


Depois de quase 6 meses de buscas, currículos enviados, entrevistas, provas de inglês ("Please, choose the correct alternative: a) Am I an idiot? b) Are you an idiot? c) Are we all idiots? d) Even my American friends would fail in this fucking test e) What am I doing here?"), provas de lógica ("Marque a opção incorreta nas alternativas abaixo: a) Toda empresa explora estagiário b) Nem toda empresa explora estagiário c) Toda empresa que não explora estagiário paga mal pra caralho d) Estagiários ficam deprimidos quando assistem ao Profissão Repórter e descobrem que michês ganham num programa quase o seu futuro salário mensal, e nem precisam de graduação em faculdade de linha e experiência internacional para isso") e finalmente... o que aparece de concreto é uma vaga de temporário num projeto de escritório de consultoria. Great: foi pensando nisso que eu fiz intercâmbio, experiência de estágio no exterior, etc&tal. Enfim, projeto é até interessante, o contrato atual um teste de desempenho, o salário revoltante de tão baixo que é (sério, eu suspeito que as faxineiras do escritório ganham mais do que eu, e por muito pouco eu não estou pagando para trabalhar. Em horário integral nas férias, bien sûr!), mas como qualquer coisa é melhor do que ficar em casa assistindo 'Cabocla' enquanto me entupo de Doritos, aceitei o desafio. Afinal, "Arbeit macht Frei"* define perfeitamente o que é trabalhar, não é?

Claro, a oportunidade atual não é a única em vista: não posso deixar de lembrar a empresa de Rh que simplesmente perdeu o meu currículo na hora de me encaminhar para uma entrevista numa empresa (claro que quando eu liguei, a vaga já tinha sido ocupada), a multinacional na qual eu estou no meio daquele processo interminável de entrevistas e dinâmicas (todas sempre com variações da clássica "Vocês são um time de astronautas indo à uma missão em Marte / Escolham que porra vocês levariam e o que vocês deixariam", todas você sempre caindo no grupo que tem um imbecil prepotente que não deixa ninguém falar e quer comandar tudo e você sempre no dilema "Faço o babaca se por no seu lugar e mostro liderança, ou faço a phyna educada e mostro diplomacia?"), a outra multinacional que simplesmente responde que ficou extremamente interessada no meu currículo, mas que eu sou overqualified para a vaga em questão e que preferem guardar o meu currículo para uma vaga para um cargo mais elevado - que eles não fazem idéia de quando irá aparecere (#1: tipow... fico feliz ou fico triste? #2 Já faço uma Macumba Online para afastar os maus olhados do meu currículo nos setores que RH de empresas brasileiras que fazem com que ele simplesmente suma das mesas?). Ah, e amanhã ainda tem uma entrevista. As 8h da manhã (e a porra meu Eau Thermale - que normalmente me salvaria do visual Panda meets Ressaca em eventos que comecem antes das 10h - acabou de acabar, olha que legal!). Na Barra (cariocas entenderam o drama, não-cariocas que não conhecem o Rio: Barra é o equivalente daquele lugar muito longe que seguramente existe na sua cidade, no qual um dia uma construtora inventou que era "Premium" morar, membros da classe média compraram a idéia e foram realizar sonho da mansão-cafona-com-coluna-grega própria ou de morar num condomínio de troncentos e noventa e dois apartamentos pretensamente "de alto nível" porque conta com duas piscinas, algumas palmeiras e uma churrasqueira coletiva apelidada de "Espaço Gourmet" e onde o urbanista filho-da-puta que assinou o plano diretor para a região se esqueceu de que ruas precisam de conceitos básicos como "calçada" ou "sinal de trânsito" para serem minimamente utilizáveis).

De qualquer forma, o interessante hoje foi relembrar que... a última vez em que eu efetivamente trabalhei foi em Hamburgo, em alemão (ou seja: mesmo com o salário rídiculo, pelo menos eu trabalho em português agora. Ou acham que foi fácil chegar no seu primeiro dia de trabalho numa reunião onde você teria que teoricamente escrever uma ata e depois de duas horas ter que confessar para o seu chefe que você não entendeu absolutamente NADA do que foi dito porque nas fitas cassete do Goethe Institut as pessoas falavam bem mais pausadamente?). E perceber as pequenas-grandes diferenças do estilo de trabalho dos países, e como de alguma forma eu ainda fiquei programado no estilo de trabalho alemão. Exemplo? Por que as pessoas se beijam ao se cumprimentarem num ambiente de trabalho? (Juro que eu não consegui conter o sentimento de invasão-do-meu-espaço quando a minha chefe foi me apresentar para as pessoas do time, e as mulheres vieram me beijar!) Por que os chefes não falam que precisam de tal coisa no início da tarefa, mas somente no final - quando você vai ter que refazer tudo? Como as pessoas não sabem onde encontrar cada simples coisinha dentro de escritório? Como não existe um guia de 3 mil páginas para apresentar a empresa para os novos contratados, explicando chata e minuciosamente todos os detalhes inúteis da empresa? E o mais chocante: por que as pessoas ficam surpresas quando marcam uma reunião às 15h... e eu chego às 15h?!

Enfim, eu sei: processo natural de readaptação à minha cultura. Vai ser assim, tudo de novo no dia em que eu trabalhar em outro país (que Deus-Pai-Todo-Poderoso me dê a graça de pular a etapa São Paulo, e me permita realizar o sonho da bicha de negócios internacional o mais cedo possível!), etc&tal. Mas difícil de não relembrar de tudo o que eu passei por terras germânicas quando a primeira tarefa do seu dia é fazer um briefing de uma empresa que você descobre ficar... duas estações de metrô de distância da sua antiga casa, 7 do seu antigo local de trabalho. ;)

* Para os não versados no idioma germânico, bem... essa não é uma frase para se repetir para um alemão ou judeu, e definitivamente uma frase que tem uma aplicação um pouco além do que você irá encontrar no Google Translator. Warum?  Melhor clicar aqui para entender.

P.S.- E pensar que eu perdi uma exposíção do Hopper em Hamburgo por simples saco de enfrentar fila no Bucerius Museum... :/

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Definitivamente 1994 feelings

Vocês já sabem, eu roubei daqui
Como assim o Calatrava vai construir um museu no Pier Mauá?! Como assim a Prefeitura do Rio tem dinheiro para bancar um arquiteto do porte dele para desenhar uma obra desse porte?! E como assim que eu não sabia que o meu arquiteto preferido tava no Rio, e vai desenhar algo para a minha cidade?!

Olha, eu sei, museu pra quê com o bilhão de problemas na cidade, sistema de transporte praticamente do lado de um completo meltdown... mas Santiago Calatrava não dá pra resistir. Desperta a minha Marie Antoinette interior. Que os favelados continuem comendo "chat brûlée". A gente vai ter um prédio desenhado pelo Calatrava! :D

P.S.- Raros os momentos que vocês me virão declarando tais pérolas sociais, ok? Portanto, peguem leve. Eu também tenho direito a minha cota de alienação social de vez em quando.
P.S.2- Eu sou tão apaixonado pelo Calatrava que eu juro que dava em cima dele. Até que ele é gatinho, vocês não acham? E inteligente...

terça-feira, 13 de abril de 2010

K-kinda busy

But I'm NOT out in the club and I'm sipping that bub' (raiva: tinha finalmente conseguido passar incólume ao lancamento de qualquer merda de Madame Gaga. ATÉ entrar na Colette mês passado. Auto-falantes estourando com o "Cause I'll be dancing / Causing I'll be DAN-CING!", vendedores e clientes übercools tamborilando dedinhos e mexendo discretamente o quadril. Fudeu: Lady Gaga + Beyoncé + Colette + Eu de skinny jeans = Too much gay factor together. Quase uma explosao de glitter.).

O blog nao acabou. Fernando nao morreu afogado nas enchentes no Rio de Janeiro da semana passada. Fernando nao desistiu de ser um economista e resolveu lavar pratos ad infinitum pelos 'estrangeiro' (nossa, tive um mega insight agora: bem que podiam inventar uma barbie economista, néam? Tipo, para colocar na sala do lado da HP-12C e daquela foto de graduacao inevitavelmente horrenda).

Só tá... PHODA. Pourquoi?

1) Universidade: depois de n! semestres (nem eu sei mais direito em que semestre eu estou. Só sei que sao muitos. MUITOS) na faculdade, chegou a hora de fingir oficialmente que eu aprendi alguma coisa e colocar todo o poder do enrolation para funcionar: chegou a hora de pensar na minha monografia. Ok, por um lado, uma coisa boa: a hora de pegar o diploma, nunca mais pisar nesse campus maldito, nunca mais ter aula às 7.30h, etc etc... Mas por outro lado, um saco: definir tema? (Impactos da The Week na economia bee fluminense e catarinense? Jontex ou Blausiegel: uma abordagem comparativa?) Oi? Eu nao faco idéia do que eu quero abordar. E tenho que definir essa droga até o final do mês. Além de, é claro, definir professor orientador (= fazer cara de gatinho, vozinha de machinho, dedinho na boca e "Profê, me orienta, vai?". Foda. Até que alguns professores da casa devem até ter sido gatos. Mas seguramente nao antes de 1968.). Merda.

2) 'When it rain and rain and rain and rains': O que foi a semaninha passada, hein? Rio de Janeiro meets Bombay in monsoon? Em bom paulistanês, puta MERDA meu!. Gracas a um mega insight na segunda-feira de noite ("Oi, olha o metrô ali?!"), passei incólume ao inferno (molhado) que a cidade virou na semana passada. Onde eu moro, everything just fine. O foda foi ficar a semana inteira em casa, estudando (equals: lendo tudo o que eu NAO deveria ler, menos estudar), olhando para o teto e de vez em quando vendo TV. O melhor momento? Globocop mostrando um MEGA deslizamento em um morro da Zona Norte, somente uns 2m de terra restando entre uma casa gigante e um cânion absurdo, um bando de pirralhos e gente sem nocao em cima dessa terrinha, dando tchauzinho para o helicóptero (vários celulares, e certeza de vários diálogos tipo "Creuzinete, POE NA GLOBO QUE EU TO NA TV, MULÉ!!!"), e Renato Machado me vira, em rede nacional, e manda "Olha: pessoas estao pedindo socorro ao Globocop!"! (Sério, quem tiver um vídeo desse momento, manda para o Celso Dossi. Isso TEM ficar gravado num post.). O saco do momento? Cobertura da Globo da tragédia do Morro do Bumba. Sim, eu sei que sao favelados que nao tinham outro lugar para morar, que a prefeitura errou ao nao dar um alerta e aviso de evacuacao aos moradores, bla bla bla. Mas essa overdose de "responsabilidade social" global, aliado a postura "Ficaremos aqui até que o último caquinho de tijolo seja retirado" tem enchido o saco. Além de claramente a Globo querer colocar para Judas o prefeito de Niteroí por 'negligência' ao 'deixar' a construcao de casas em cima de um lixao num país onde nunca se discutiu habitacao popular de forma séria. Realidade chamando, néam? Niteroí nao é Lausanne, prefeituras tem uma coisa chamada orcamento para respeitar (questionaram inclusive numa reportagem o repasse do Ministério do Turismo de cerca de R$19 milhoes para o Caminho Niemayer, mencionando que R$15mi seriam necessários para realocar as pessoas em áreas de risco. Ok, lindo argumento, se o Ministério do Turismo fosse, por um acaso divino, realmente responsável por custear obras de infra-estrutura nas cidades), e sinceramente... o problema habitacional em qualquer cidade brasileira é grande demais para ser discutido dessa forma Poliana. Globo, como sempre, ajudando a formacao do pensamento medio-classista do Brasil.

3) Entrevista de emprego: Lembra do processo seletivo que eu reclamei, muitos posts atrás? Entao, ainda estou nele: semana passada foi a entrevista. Primeiro, tive a biggest confirmacao ever de que as coisas no Brasil funcionam diferente: me ligaram na sexta às 18h marcando uma entrevista às 9h no dia seguinte (alguém lembra dos trânsitos maravilhosos que a cidade enfrentou semana passada?). Segundo, aquele saco clássico de sentar numa mesa, olhar para o entrevistador e ficar respondendo a perguntas superclaras tipo "Falaí sobre você, cara!". Aliás, uma pergunta: o que as bee leitoras respondem nesses processos seletivos quando aparece aquela maldita tarefa "Monte a linha do tempo da sua vida"? No meu caso, estava numa sala com 8 candidatos, toda a crème de la crème da juventude playboy-hetero-carioca (7 viajaram pela primeira vez para a Disney aos 13-15 anos, 6 estudam na Ibmec ou PUC e 5 fizeram o Work as a Slave Experience verao passado), e respostas tipo "Eu quero estar casado, com 3 filhos e ser diretor da empresa aos 30 anos" pipocaram pela sala. Na minha vez, eu pensei que seria cara de pau demais repetir esse discurso (gente, eu combinava cachecol com a minha T-Shirt na Alemanha! Pagar de hetero nao dá, néam?), passei batido pelo lado pessoal da minha vida, foquei no profissional e coloquei uma viagem de volta ao mundo aos 40 para nao ficar workaholic demais. Claro, um dos gestores veio todo "Ah, mas porque você nao falou da sua vida pessoal? Nao pensa em construir uma família?". Pensei em responder que odiava criancas e que achava Medéia um exemplo a ser seguido. Respondi que vida pessoal é a última coisa que funciona sob planejamento (quem dera que se pudesse marcar "Quando e com quem desencalharei"). E que ter vinte e poucos anos em 2010 e pensar como... uma pessoa de vinte e poucos anos da década de 50, achando que tenho que resolver toda a minha vida antes dos 30 nao era a minha. Olhares de ódio dos proto-playboys para mim, sorriso da psicóloga e do gestor. E voilá, next phase. Agora é penar, esperando até o telefone com alguma notícia definitiva.

Update: " Infelizmente informamos que para a vaga para a qual você se candidatou o retorno é negativo. Mas a empresa X e a empresa de RH Z desejam que você ainda obtenha muitas conquistas, e vitórias, pois demonstrou ser uma pessoa que tem interesse em assumir novos desafios... "

#1- Por que as empresas insistem nesses e-mails corporativo-"Siga em frente!", hein? Já fiz processo seletivo demais na vida para achar que isso foi uma grande afronta as minhas qualificacoes (na entrevista já tinham questionado o fato de eu ter um perfil "criativo" demais para um vaga mais técnica como era que a eles ofereciam), muitas vezes a questao do perfil realmente é o que rola, mas... essa conversa "psicólogo-sendo-bonzinho" nao ajuda nada a digerir o resultado nessas horas, néam?

#2- Saudades da minha vida de estudante na Europa. :( O meu low middle class lifestyle lá era bem mais legal do que o atual marasmo da minha vidinha por aqui. Hmpf...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sábado de sol. No Rio.

Sábado: o dia mais feliz da semana. As loucuras da noite de sexta-feira acabaram de passar, ainda há tempo para fazer a parte dois e depois de tudo isso ainda tem o domingo para se preparar psicologicamente para o marasmo e a rotina da segunda-feira. Mas o que se faz num sábado depende diretamente... de onde você mora!

Em Hamburgo? Sabadão era o dia de colocar toda a vida em ordem (supermercado, Ikea, compras na Spitalerstraße, peguete #1, peguete #2) e se o tempo colaborasse, uma atividade ao ar livre (ou seja, chance de um em um mihao de acontecer. Afinal, saudades de Hamburgo eu tenho muitas, mas convenhamos: o clima daquela cidade era uma Scheiße.). E vai diminuindo expectativa: "atividade ao ar livre" era um piquenique num gramadinho, uma volta no lago e nada mais.

E no Rio de Janeiro? Bem, o meu "balneário decadente" pode ter trilhões de problemas, mas sejamos sinceros: carioca sabe como curtir um sábado. Junta a isso um tempo perfeito + bons amigos + bom papo e voilá: a receita perfeita para um sábado perfeito.
E no último sábado aconteceu a reuniao do trio fantástico dos blogayros cariocas (Chato no Ar, Don Diego et moi). E com a virtual presenca de Herr Introspective/Thiago (Thi: cafuçus da linha Grand Champ - Downtown mandaram saudações!). Daniel já escreveu, Diego já escreveu, entao finalmente aqui vai a minha versao do dia.

Sábado bem carioca, com os clássicos da cidade, sabe? Dia de sol com calor senegalês meets microwave (Rio 40° Graus is so last season... A moda do verão é sensação térmica de 50C!). Almocinho no Frontera (ah, os self-services da Zona Sul que saem pelo triplo do preço daquele chicken biryani num indiano qualquer em Londres. Mas fazendo justiça: o arroz à piamontese e o steak estavam deliciosos.). Praia de Ipanema @ Posto 8,75 (zona de transição entre a galera trendy-hype-cool-"Queridaum, tamos em Ipanema, táam?" e as bomb-bees da Farm of Amoedo). Povo esbanjando u-m-a s-a-ú-d-e, que pelo amor de Our Lady of Gaga! (aliás, pra constar: saúde em Ipanema atende pelo nome de NX37883. Ou era StrongPowerFlex? E muito spinning - só spinning, porque spinning seca, tá?). Discussões sobre as questões existenciais da vida bee moderna: Floripa ou Rio no Carnaval? O loirinho com cara de gringo ou moreninho equipado com função tanque de lavar-roupas?
E depois da praia uma esticada no Läffä, o mais novo representante da kebab-wave que vem vindo nesse verao carioca. Um post-crítico mais detalhado ficou a cargo de Herr Daniel, mas dá para adiantar algumas coisas. #1: A experiência foi digna do nosso beloved Programa Furado (momento "Esse é um blog SP friendly" + comentário interno carioca: última seção do suplemento de final de semana do diário carioca "O Globo", que todo carioca esperto tem o mórbido prazer de ler primeiro assim que recebe o jornal na sexta-feira). #2: Kebab israeli, com laffa ao invés de pao árabe? Não curti não, ficou estraaanho... #3: R$12,90+ mais de meia-hora de espera pelos sanduíches, e quase fica mais fácil e barato pedir para enviarem uns kebabs lá da Turquia via FedEx. E finalmente: #4: taxa de 10% é uma gratificação por um atendimento muito bom (porque bom atendimento é mais que a obrigacao). Acabaram de abrir e ainda estao testando tudo? Que peninha: boa sorte, que aprendam rápido... e não cobrem os 10% enquanto não puderem considerar os serviços dos senhores como minimamente aceitáveis. Fácil assim. Damit einverstanden? (Fernando morou na Alemanha/Fernando ficou mau).

Balanço final do dia: sábado de Hamburgo era bom. Mas sábado de sol no Rio, com Ipanema, o Atlântico e um grupo desses... é ainda melhor! :D

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

It's so Brazil: Mundo (virtual) gay


Eu ainda nao saí para nights/baladas (esse é um blog carioca SP friendly. Paulistas, paulistanos, whatever: nao entenderam uma expressao, perguntem!), eu ainda nao fui dar pinta na bolsa de bofes e muitas vezes de valores também chamada Farme de Amoedo (ah, vamos combinar: dia de semana, só dá gringo e carioca-querendo-pegar-gringo na Farme. Depois de um ano na Europa, o que eu menos quero por perto é gringo deslumbrado com Rio de Janeiro falando "I loooooove Rio, I wish I could live here!" no meu ouvido. Argh!). Mas nao é que já deu para ficar nude ao relembrar alguns comportamentos bem típicos do mundinho member (of the family) daqui?! Quais por exemplo?

MSN: Sério, qual é o porquê da obsessão brasileira com MSN? Primeiro, é aquela conversa sem fim de "Ah, o que voce faz da vida? / Legal.../ E quantos anos voce tem mesmo?" que me dá um tédio mortal. Depois, aquela lista gigante de contatos que voce nao faz idéia de quem seja (pior sao aquelas mensagens de criaturas "Estou limpando o meu MSN: eu conheco voce?"). Meses que eu nao abria o meu MSN num horário mais compatível com o fuso horário local, ai voce já viu: foi chegar aqui, abrir o MSN e vir aquela chuva de "Nossa, quanto tempo voce nao aparece por aqui! Lembra de mim?". O que falar?!  Resposta sincera: "Nao, nao lembro. Ainda nao consegui terminar o meu estágio tipo CSI para identificação de potenciais terroristas. Afinal, esse vai ser o único jeito de reconhecer uma foto com uma pessoa com boné, óculos escuros e distante 30m da camera."? Nao, estou no Brasil: as pessoas sao sensíveis. (Scheiße!). 

"Me passa o teu MSN?": O ataque sempre segue a mesma estratégia: mensagem em site de relacionamentos, sempre de perfil tipo mula-sem-cabeça (sem foto de rosto) ou Frankenstein (fotos de pedacos do corpo: abdômen, braco, bunda... Que podem ser dele mesmo, ou do Hugh Jackman - afinal, nao dá pra ver nada mesmo...) falando "Adorei voce / Sou um cara mega especial + citação tipo Filtro Solar meets O Segredo  / Tenho fotos de rosto no meu MSN / Vamos tc lá?" (aliás, "tc" é fueda...). Qual o problema de entender a dificílima equação "Site de perfil = perfis com fotos de rosto"? 

"To em busca do que rolar. E vc?": O mundo germânico é binário: sim ou nao. Coca-cola ou Pepsi. iPhone ou Blackberry. E isso também vale para o mundo gay: "foda-ultra-steamy/obrigado por ter vindo/até a próxima" ou "andar-de-maos-dadas-pelo-parque-vendo-as-folhas-cairem". Simples assim. A criatura vem falar comigo, e fica naquele papinho mole "E ai, qual é a boa de hoje?" e eu que vou ter que ficar decifrando mensagem codificada do que ele realmente quer? Ah, vai fazer uma terapia, caramba... Povo complicado demais...

(E finalmente, para mim o melhor, o ultra top, a frase praticamente "Welcome back to Brazil!!!") 
"Vc é afeminado?": Hmmm, vamos ver (Fernando pegando o meu bloco de papel roxo com as bordas douradas que eu ganhei no primeiro estágio que eu fiz na Alemanha):


A minha última aquisição na Europa foi uma calca skinny verde escuro na H&M (que raiva: corri os últimos meses atrás de uma skinny vermelho-vermelhao, última moda entre os hypes de Estocolmo, e finalmente achei uma na H&M de Zurique, minha última parada na Europa. Chuta o que aconteceu? Nao tinha o meu número. Sacanagy...): confere. 


Voltei da Europa com uma colecao de 9 cachecóis, incluindo um bem na fronteira do laranja-com-rosa que eu super vou usar aqui no Brasil (gentém, tao lindo ele!):  confere. 

Assisti um episódio inteiro de "Sex and the City" enquanto aguardava para embarcar no aeroporto de Zurique numa televisao sem som sem me importar, afinal eu sei todas as falas de todos os episódios de todas as temporadas + filme: confere. 

Com 3457 diferentes filmes para escolher no servico de entretenimento de bordo da Swissair eu escolhi a sequencia super macho "The September Issue" + "Devil wears Prada" (alias, eu já tinha lido o livro do último. Antes que ele virasse filme.): confere.

Ai gentém, será?!!!! :( 
(Essa fala funciona melhor se voce me imaginar falando isso colocando a mao no queixo e virando o pezinho de lado).

Ok gente, agora sério: que porra de comportamento é esse? Em um ano na Europa, eu tc (ups... teclei) com praticamente metade do continente, sai com todos os países da Uniao Européia (incluindo os novos integrantes do bloco) e nunca escutei essa pergunta. Aliás, minto: escutei sim. De um brasileiro que morava na Alemanha, também com um perfil sem foto de rosto e do tipo "tenho panico de que me encontrem por aqui". De europeus: jamais, never, nie (e olha... europeu consegue ser bem fierce na hora da boiolagem, queridoes... Como eu falei, aquele mundo de cosméticos baratos, H&M e La Roche Posay deixa qualquer um uma diva em 2 tempos!).

Concordo que ninguém é obrigado a sair com um perfil de cara que nao preencha as suas expectativas e interesses (tem gente que gosta de loiro, árabe, negao, asiático...). Mas porra, eu já escutei "Eu odeio afeminado!".Como assim? Por que essa paranóia de dar ou nao dar pinta?! Eu nao consigo acreditar mesmo que exista tanto surfista, lutador de jiu-jitsu e "brother macho que curta uma parada na encolha" no mundo. Sinceramente, a minha experiencia foi a seguinte: as bees mais reprimidas e as mais pintosas sempre sao as latinas. Porque norte-europeu é tao low profile, tao na dele que quase sempre é uma surpresa descobrir que fulano de tal é gay ou nao: isso simplesmente nao é um assunto.

(Ok, eu sei que essa é uma indignação "Porque as coisas nao sao como na Europa!" completamente inócua e que nao vai resolver absolutamente nada. Mas também... tem coisas que se ninguém reclamar, fica por isso mesmo. E uma coisa eu aprendi com os alemaes: sem gente chata reclamando, nada evolui. Nada mesmo. Portanto, eu reaprendo a chegar atrasado em compromissos, pego uma praia para tirar esse branco ACE que atualmente a minha pele se encontra e posso até repensar o meu ódio mortal a pagode/samba e congêneres. Mas dar uma de "Ah, as coisas sao assim mesmo no Brasil..." mais uma vez? No, thanks...). 

P.S,- Última mensagem de mula-sem-cabeça do MSN? "Vc cantava junto com o grupo swing baratinha?". Sem comentários (morar no Brasil é legal, morar no Brasil é legal, morar no Brasil é legal...).

Curtas: Minha alma canta


E como prometido, o blog nao acabou! :) O pequeno recesso acabou sendo necessário: rever família, amigos, distribuir os chocolates e Absoluts comprados pelos duty frees mundo afora, contar para a sua família a versao oficial da sua estadia na Europa ("Mamae, tinha cada museu legal em Paris!"), contar para os seus amigos a versao real da sua estadia na Europa ("Gentém, quase completei o tabuleiro de War na Europa: só ficou faltando Vaticano e Liechtenstein, acreditam?!"). E ao mesmo tempo, ter que processar que eu estou de volta ao Rio de Janeiro. '

E a sensacao do momento? Old life, new me. Complicado? Eu sei, até para mim tá sendo também...

Choque em estar de volta? Sinceramente, nem tanto. Eu tenho a surreal impressao de que eu nao saí daqui por nem um dia: tudo exatamente igual do jeito que eu deixei quando fui embora. Tudo exatamente igual ao que eu me lembrava. Bem, na verdade, nao: o Pao de Açúcar é ainda mais lindo do que eu conseguia lembrar.

Mas ao mesmo tempo, algo mudou. Aqui em mim. Além das minhas roupas H&M e da minha pele excessivamente pálida para padrões cariocas (já escutei 350 vezes a expressao de choque "Como voce está pálido!". Caralho: morei no Norte da Europa por um ano. O que eles esperavam? Marquinha de sungao?!), eu me pego observando coisas que antigamente eu sequer pensava ou enxergava no meu dia-a-dia. Ir ao shopping, andar pela rua é um exercício de observacao, de ficar surpreso com as coisas que eu já conhecia, mas que de alguma forma tinha esquecido. De comparacao com a Europa, mas nao num sentido de "Na Europa isso era melhor", mas no simples "Na Europa era tao diferente daqui...".

Bem, mais primeiras impressoes de Brasil virao num post um pouco mais completo, abordando somente esse assunto. Fiquem tranquilos: veneno e críticas bem ácidas ainda tem bastante por aqui. :D

E o blog? Tentei dar uma leve repaginada, tirar um pouco da essencia européia (ah, como doeu tirar a foto de Hamburgo do template do blog! Fiz printscreen para guardar de recordacao...), colocar um pouco de alma carioca na coisa. Os posts de viagem continuam (afinal, se eu nao deixar tudo por escrito, as histórias e memórias se perdem...), mas acompanhados de posts sobre as impressoes de estar de volta a Cidade Maravilhosa e falando do meu dia-a-dia de carioca, estudante universitário, futuro economista. Linha que irei seguir, temas que serao abordados? Nao sei meeeeesmo. Afinal, os outros blogayros (Chato no ar, Tony Goes, Don Diego, Introspective) escrevem tao bem que fica difícil pensar numa forma nova de abordar os assuntos que estao por aí... Mas pensando bem, o blog é um exercício de tentar colocar em palavras uma visao de mundo. E como esse é um momento de readaptacao, de intenso aprendizado, acho importante deixar registrado tudo o que eu penso, tudo o que eu sinto. Quem sabe no futuro isso acaba me ajudando para alguma coisa, nao é?

Portanto, fiquem tranquilos: a partir de agora, o blog voltou de vez. :)