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quarta-feira, 6 de abril de 2011

It closet


Em idos de 2001, quando eu era apenas um pequeno rapaz campo-grandense (Campo Grande being subúrbio Far-Far-Far Away do Rio, não a capital sul-mato-grossense) do subúrbio do Rio de Janeiro, estudando de um tradicional colégio federal do Rio de Janeiro (meu uniforme era tão 'Baby one more time' feelings :D), provavelmente muito empolgado por estar no meu primeiro relacionamento sério com uma 'pessoa' (adoro quando aquelas caras obviamente gays vão dar entrevistas para Fantástico/Globo Repórter e ficam falando “Mas por que eu gosto de uma 'pessoa'...), provavelmente por estar cansado e triste de repetidamente estar dando balão na minha mãe (“Mas mãe, o pessoal do alemão resolveu marcar um grupo de estudos justamente para sexta-feira às 21h, acredita?!”), provavelmente louco de achar que minha mãe aceitaria 'a verdade' tão facilmente assim, eu resolvi fazer o meu coming-out. Isso mesmo: 16 anos de idade. Enquanto (nessa idade) muitos dos meus amigos gays ainda levavam fé nos seus amassos de matinê com menininhas na Prelude/El Turff, eu já tinha sacado o que eu realmente curtia, já tinha contado tu-di-nho para mamãe (e sofrendo como um condenado por isso – ainda conto a história completa desse acontecimento) e era um leitor costumaz das matérias estilo “10 dicas de como fazer seu homem enlouquecer na cama” das Nova Cosmopolitan e Marie Claire da vida. :D

Talvez por ter feito o coming out tão cedo, talvez por ter pago tão caro e ter que lidar com a frustração potência dois mil de uma mãe paranoica e obsessiva que não media esforços para tentar me colocar no 'caminho certo' (e que provavelmente deveria oferecer treinamento para a CIA e Mossad sobre técnicas de coerção e investigação estilo “O-que-eu-fiz-quando-falei-que-fui-para-tal-lugar”), talvez por ter passado boa parte da adolescência tendo que lidar com o fato de que a minha mãe jamais iria aprovar qualquer coisa de bom que eu fizesse (porque sempre existia a sombra de 'uma certa verdade' que fazia ela dizer que gostaria que eu fosse qualquer um dos rapazes da meu bairro, mas não eu), eu tive que compensar na valorização do fato de que foi bom eu ter sido sincero e ter contado a verdade. Nos piores momentos, onde tudo parecia incrivelmente difícil e eu começava a me culpar por ter sido tão idiota de acreditar que tinha valido a pena ter sido tão sincero tão cedo, eu jogava uma água fria na cara e repetia para mim mesmo que o preço de ter sido verdadeiro era imensurável. Eu não precisaria lidar com essa verdade mais tarde, e logo, quando eu fosse uma pessoa independente e autossuficiente em termos financeiros, minha mãe acabaria entendendo e me aceitando. (P.S.- Ai, esse parágrafo ficou uma coisa tão "Can't take that away"... Foi malz, hein...)

Sendo assim, eu confesso que tenho certo bloqueio de entender porque as outras pessoas não fizeram o mesmo. Entender porque pessoas, já autosuficientes, esclarecidas, seguras do que realmente são, não conseguem se assumir e falar “Eu gosto de moda, eu não uso bermuda cargo, eu sou viado”. Ok: eu entendo que cada um é um universo particular de condições, realidades e histórias, blablabla... Mas confesso que a história de alguns amigos desafia a minha compreensão e exigem certa dose de “sorriso amarelo”+“claro que eu te entendo!”, como a história de dois amigos que eu conto aqui abaixo.

O primeiro é um grande e queridíssimo amigo (que espero que não seja leitor do blog! :D). Advogado, bonito, um dos únicos homens cariocas realmente bem vestidos que eu conheço. Mora atualmente no Leblon, foi criado dentro da Jeunesse Dorée de Niteroí (para quem não é do Rio: Niteroí é um cruzamento de New Jersey com Hamptons, cidade da região metropolitana do Rio poder aquisitivo médio mais alto do que a média da cidade do Rio, mas que por um motivo obscuro... tem uma vida noturna e cultural próxima do zero, o que obriga a maioria da sua galera jovem a ter que partir para o Rio em busca de entretenimento nos finais de semana), atualmente completamente independente em termos financeiros dos pais. Enfim: he is got the looks, the brain, the personality. E apesar de “descoberta tardia”, já tem constando no seu currículo alguns bons relacionamentos de médio prazo, histórias realmente sérias (do tipo namorado fixo, que vai a cinema no final de semana, viaja para destininhos românticos em feriadões, etc&tal). Garotas? Segundo as contas dele, a última ficou para uma noite meio embaçada pela vodca no final de 2009, provavelmente em alguma night “Hetero moderninha”, provavelmente com alguma 'Fag Hag' mais atiradinha e entendiada pela viadice dominada pelo lugar. Mas, mesmo assim... a pessoa ainda se define como... “bi”. E simplesmente não consegue vislumbrar a menor possibilidade de, no médio prazo, se assumir realmente como é para família e amigos, e fica naquele estilo de vida estranho de ser uma coisa no Rio, outra coisa completamente diferente em Niteroí.

Desafio maior à compreensão é o segundo caso. O cara é aquele clássico tipão de intercambista que veio da Alemanha para o Rio de Janeiro, ficou deslumbrado pela beleza da cidade, simpatia das pessoas (oi?!) e abertura em termos sexuais e sociais do carioca médio (hein?!) e criou uma relação especial com a cidade (e para quem eu, escutando ele listar todas as 3053 razões pelas quais ele acha que o Rio é muito melhor do que Berlim, somente sorrio pensando “Deixa ele morar aqui 1 ano para ver como ela vai amar tudo isso” e olho para o meu amigo inglês que está pensando a mesma coisa do que eu). Devido ao seu tipão “Sou-loiro-sou-alto-sou-fortinho-Sou-o-que-Hitler-sonhou-pro-mundo” provavelmente passou o rodo em um número considerável de meninas cariocas (que levam a merecida fama das brasileiras mais jogo-duro, mais “não vou dar assim fácil não!” entre os heteros - mas que abrem as pernas para os gringos, afinal... receber bem o turista é uma obrigação de cada carioca, néam? :D) até o inesperado acontecer: ele topar com um menino brasileiro e ploft!: rolar uma atração inexplicável (o “ploft!” fica à cargo da imaginação fértil de vocês). Curto demais o garoto (mas preciso mesmo bancar o Fernando “bonzinho, coelhinho-na-floresta, amo-o-mundo-só-vejo-o-lado-positivo-das-coisas?” com vocês? Não, néam...), mas preciso confessar que sinto demais aquela coisa de “Clássico caso de 'Porque alemães amam brasileiros'”: do alto dos seus 19 aninhos, morenão com corpão, inteligência definitivamente não é o forte (o que me faz suspeitar de... enormes qualidades não aparentes do ambiente de um restaurante ou sala de estar... :D), recém-saído do armário e com aquela idealização do mundo dos relacionamentos tão típica de quem acabou de sair dos 'teen years', tão típica de quem ainda assiste Bridget Jones e outros clássicos ingleses de comédia romântica e super acredita que dá para transportar isso para fora das telas e viverá uma história igualzinha no mundo gay contemporâneo. Os dois juntos chegam a ser uma coisa “Felícia-in-love”, uma coisa “Labrador-pulando-em-cima-do-dono” de tão Te-amo-te-quero-quero-ficar-todo-o-tempinho juntinho-e-coladinho-em-cima-de-você. Eu fico meio mal perto do garoto, porque sinceramente enxergo nele o inocente-romântico-e-cheio-de-ideais Fernando de alguns anos atrás (mentira: eu sempre fui consideravelmente cínico e cético – esses dias encontrei um dos meus antigos diários de adolescência e fiquei cho-ca-do como eu já era mau: eu metia pau nos meus amiguinhos de classe que me zoavam, nos professores, nos meus familiares e até em alguns dos meus amiguinhos menos próximos! Gente, por que eu sempre fui assim? #Criseinternafeelings) e tenho que me controlar ao máximo para não deixar o meu instinto “WAKE UP, SWEETHEART!” vir à tona e chocar o garoto com o fato de que os filmes para adolescentes da Disney e Malhação não  te preparam para o mundo dos relacionamentos gays no Rio de Janeiro contemporâneo (o máximo do meu autocontrole foi quando estávamos num get together, e ele disse para gente que curtia estar em relacionamentos porque relacionamentos são “um tipo especial de conexão com outra pessoa, essa coisa meio 'um fazendo a barba do outro, juntos de manhã depois de uma noite de amor dormindo juntinhos” - eu respirei fundo, segurei a minha cara de “WTF?” da melhor forma que pude, virei a taça de vinho na minha mão goela abaixo e fui acender um cigarro). Enfim, voltando ao caso inicial: o alemão parece ter se apaixonado de verdade pelo cara, os dois decidiram enfrentar um relacionamento a distância monogâmico, o alemão pega a Lufthansa de volta para o Brasil na primeira oportunidade que encontra pela frente, quando os dois juntos é aquela coisa linda, aquela coisa “Born to make you happy”, etc&tal. Por que diabos estou contando essa história? Por que somente esses dias, quando proferi um discurso “Por que nós, gays...” na frente do Deutscher, eu fui saber ficar com caras é uma coisa meio tipo “Ao Sul do Equador não existe pecado” por parte do alemão: o cara é gay no Brasil e hetero na Alemanha. (!!!) Hein?

A minha capacidade rápida de pré-julgar as pessoas definiria esses dois casos como falta de coragem e culhões. A minha proximidade com eles me faz passar a mão na cabeça, e apesar das minhas pontuais tentativas de tentar mostrar que o mundo “Somewhere Over the Rainbow” tem uma riqueza e uma paz de espírito incomparáveis com o mundo dentro do armário, de tentar compreender os motivos e razões de caras tão... prontos para saírem do armário não o conseguirem fazer.

Mas enfim... o que fazer, néam?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Weekly Report: Novembro, Semana 48

(Uma tentativa... de manter o contato com vocês. E de falar algumas besteiras, bien sûr. :D)


Crise do Euro, Irlanda, Portugal, Grécia (e todos os outros países-peludos) se ferrando
Primeiro: estava óbvio que legal não tava... mas também ninguém não queria muito acordar para a realidade, não. Dublin infelizemente eu não conheci, mas Portugal e Espanha pareciam way wealthier do que eu jamais imaginei – isso depois de eu ter conhecido a Escandinávia e ter morado na Alemanha (ou seja, nada de choque “subdesenvolvido goes to Europe”). Em Portugal discutiam seriamente um projeto de reconstrução da linha de comboios rápidos Alfa Pendular que custaria uma fortuna absurda em euros e que reduziria o tempo de viagem entre Lisboa e o Porto em enormes... 20 minutos. Já na Espanha, ainda hoje comento do aspecto palaciano do sistema de trens urbanos de Madrid – estações e túneis gigantes quase que inteiramente subterrâneos, trens que faziam seus equivalentes dos serviços urbanos de Paris e Berlim parecerem ter sido doados pela Supervia/CPTM – e de como aquilo devia doer um pouquinho no espírito de alemães e franceses quando pensavam que aquilo estava tudo sendo financiado com dinheiro da UE.

Segundo: Sinceramente, não faço a mínima ideia se Portugal escapa dessa vez. Difícil mesmo prever uma coisa que vai acontecer. Mas uma coisa é certa: entrando Portugal e Itália declarando que não vai muito bem das pernas, F-U-D-E-U. Se eu consigo imaginar a Europa sem o euro e voltando às suas moedas nacionais? Não. Economicamente, por mais que a Alemanha reclame de ter que pagar a conta da má administração de meio continente, o euro foi uma das melhores coisas que aconteceu para a combalida economia alemã. E politicamente... a parceria França-Alemanha já chegou num nível sem volta, e tanto Berlim quanto Paris sabem que enfrentar EUA e China uma sem a outra definitivamente vai ser muito pior.

E terceiro: eu juro que super imagino Betinha deitada num confortável sofá com seu MacAir no colo, num live chat com as amigas Silvinha, Margô e Soninha enquanto assiste Frau Merkel tentando explicar para os eleitores alemães porque eles deveriam financiar a dívida dos “povos do sul” (“Liebe Volk, eu sei que eles são bagunceiros, gastadores, incompetentes, só querem saber de festa e desconhecem qualquer conceito de ordem e disciplina... mas se eles quebrarem tamos com o salsichón no Kuh! E já que a gente não pode invadir, então só resta ajudar financeiramente, néam?”). Betinha digita no computador “And they thought we needed them, didn't they, girls?” e seu riso ecoa pelo Mar do Norte. :D

Homofobia não
Absolutamente me decepciona o que aconteceu tanto na Paulista como no Arpoador (e eu quero é mais ver cada um dos culpados pelos dois casos dentro da cadeia, servindo de mulherzinha pra geral).

Mas sinceramente? A indignação, a mobilização geral, o “Temos que fazer alguma coisa” acontece somente quando os casos acontecem dentro da bolha de Ipanema e Jardins? Eu sei: é onde a imprensa está, é onde a imprensa cobre, bla bla bla. Mas minha “experiência de subúrbio” (A-ham) lembra que viadinho e travesti morto são fatos absolutamente comuns, assim como Polícia e Exército fazendo suas merdas eventualmente sem que ninguém falasse de nada.

Afinal, não custa lembrar que o Brasil é o país onde mais se matam homossexuais fora do mundo islâmico, não é?

Parada do Rio
Não fui. Porque sinceramente... #1 odeio multidões, #2 odeio música alta + multidões, #3 odeio música alta + multidões + vinho barato que pode manchar qualquer uma das minhas roupas, #4 porque meu amigo não topou participar do programa de índio e me convenceu ficar vendo “Esquadrão da Moda” no Discovery Home & Health. Mas lá pelas 21h fomos tomar um chopp por Ipanema, demos uma passada na praia e fizemos a Celina-e-Odete (“Mon dieu Celina, mas o que é isso?!”) com a cena da praia na altura da Farme tomada por Pokemóns adolescentes vestidos de Restart e falando o mais autêntico Katylenês – calças jeans skinny em tons berrantes em profusão (eu sempre defendi a Skinny, mas porra: amarelo ovo? Roxo? Verde-limão?! Não dá, néam!) e muito “Ai bee, tô locaám, me passa esse Ice aquieám!”. Mas passado o choque inicial (de ver tantos projetos-travecos juntos – gente, na minha época não era liberado assim não e viadinho tomava coió no colégio!), sabe que eu fiquei até um pouco feliz? Para muitos dali era uma das raras oportunidades de darem pinta, serem o máximo de viados que pudessem ser, de se sentirem incluídos dentro da categoria “Sou Gay”. E dessa galera nova, mega afetada e mega BEEESHA! é que nós precisamos.

E a reflexão Pós-After-da-Parada...
Quando as bees cariocas vão entender que barra de cueca Calvin Klein não é chique, muito menos cool e longe de ser estilo, hein? (Porque sinceramente, a visão permamente-de-todo-e-em-qualquer-lugar daquela camisa pólo com aquele pica-pau absurdamente gigante já considerei como dada para o próximo verão carioca).

Palavrinha Nova
Pensa num 'Bear'. (Não bee, tô falando num homem gordinho e peludo mesmo, não num Urso Polar.) Tira a gordura mas mantém os pêlos. Um Wolf, certo? Ok, agora tira ainda um pouco mais de gordura. Skinneou, certo? Sabecomoéonomedisso? Squirrel. :D

Cena da Semana
Última quinta-feira de noite, amigo chama para um chopp no “Tô nem Aí” (eu sei: é tipowz aquele programa que você sabe que vai ser furado, mas que você vai... porque no fundo acha legalzinho. Total tensão no ar tipo “Gringo seeks a local / Local seeks a gringo”). Abro o guarda-roupa, boto uma camiseta social-but-casual (Oi?), bermuda, Converse cano longo vermelho e olho para os meus cachecóis europeus. Como tava um vento estranho no ar (e no Rio toda vez em que você quer fazer a linha “Puta-não-sente-frio” você acaba batendo queixo com um vento gelado vindo do mar), resolvi arramatar o look com um dos meus preferidos – um laranja – praticamente um companheiro de viagem. Me olhei no espelho, aprovei o look depois da auto-pergunta “Eu me pegava?” e saí feliz e contente de casa.

Um chopp se tornou dois chopps que se tornaram cinco chopps, toca Pitbull no ambiente, “Ai, eu quero dançar... Vamos pro Galeria?!” (sim, uma alma reagattonera existe debaixo dessa imagem eu-amo-Europa), e voilá Galeria. Small performance ao som de “In my arms” (“How do you describe a feeling?... I've only dreamt of this... WOW!”). Voltando para o bar para encontrar o meu amigo (o que no Galeria significa... 20 cm de distância ocupados por 15 cacuras e pessoas estranhas) quando uma coisa me para. Gordinho, usando uma camiseta preta justinha no corpo (quando as pessoas vão entender que “camisa justinha” só funciona quando você tem a quase impossível combinação de corpo magro/longilíneo mas sem NADA gordura, porra?) com uma clássica idiota mensagem em glitter, segurando um drink coloridinho com uma das mãos (odeio drink “coloridinho”: drink tem que ser transparente, opaco e no máximo a intervenção de uma grenadine. Mais do que isso, pra quê?). Ele para, pega no meu cachocol. E numa voz proto-diva me solta “Too much.”. E saí.

Durante 1 segundo (hiperativo: a gente pensa rápido demais mesmo), minha cabeça processa a informação. Um cara deselegante, gordinho, usando “camisa justinha” tentando passar lição de “How to get dressed” para mim? No Rio de Janeiro, uma das cidades mais legais do mundo? Rá. Rá Rá. Rá Rá Rá.

Eu viro de lado. Faço a minha melhor cara “Blair Waldorf's Über-Bitch Face”. Sorrio o mais tender dos meus sorrisos. E mando:“ 'Too much of fat' you meant, darling?”

A criatura faz aquela cara atônita de “Oi?”. Eu viro as costas. E jogo o cachecol pelo ombro da forma mais nonchalant possível que eu sei que consigo fazer – com a certeza de a ponta foi na cara dele. E continuo conversando com o meu amigo.

E decidido: o visual do verão? Qualquer coisa com cachecol. Eles já passaram 9 meses dentro do guarda-roupa, precisam de uma diversão, coitadinhos. E se todo mundo (meaning TODO MUNDO MESMO) pode sair exatamente igual de pólo da Reserva, porque eu não posso fazer a linha “Verão na Costa Amalfi”? :D

E a última
Contei para vocês que estou morando em Ipanema?

(É, eu sei: um passo crucial para a transformação numa “bicha phyna” foi dado. Agora só falta comprar a minha coleção de livros de mesinha de centro Taschen e fazer minha filiação no PSDB*. :D)

*Prometo ficar sem alfinetadas políticas por um bom tempo, tsá? :D

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Eleições e "O que queremos?"

“Contradição” é realmente uma palavra que define a sociedade brasileira. O conservadorismo de uma classe média “orgulhosamente branca e católica” sempre conviveu sem maiores problemas com a devassidão e loucura que imperam durante festas como o Carnaval no país. A mesma nação que forma o maior grupo de católicos é a que apresentou uma das maiores taxas de aceitação das pílulas anticoncepcionais no mundo. E assim a sociedade brasileira sempre continuou seguindo em frente: hipócrita e santa-do-pau-oco por fora, mas sempre devassa por dentro e por isso, com algum grau de tolerância às modernidades e evoluções que aconteciam ao redor do mundo.

Isso mudou. O debate para o segundo turno nessas eleições deixou bem claro que, não obstante o “crescimento econômico do país” e “expansão da classe média”, estamos caminhando para o conservadorismo. A passos largos. Os dois estados mais importantes, cosmopolitas, educados, desenvolvidos e modernos do país (Rio de Janeiro e a world city de São Paulo) tiveram suas campanhas para senadores dominadas diretamente pela questão religiosa. De novo: não estamos falando de regiões rurais, conservadoras e tradicionais por natureza – estamos falando das duas metrópoles nacionais, declarando o que pensam.

Obviamente como economista não dá para ignorar o fato de que a exclusão social gera o horrível fenômeno de dentro dessas duas cidades existirem mundos tão distintos, que pensem de forma tão absurdamente discrepante sobre temas tão “so last decade”. E nas parcas ocasiões onde temos que pensar “conjuntamente” sobre determinado tema, não é nada inesperado pensar que o Rio e SP, em sua maioria, sejam muito mais conservadores do que Ipanema e os Jardins deixam transparecer.

Acho que essas eleições deixaram bem claro que nós, gays brasileiros informados e emancipados, falhamos enormemente na busca pelos nossos direitos. Falhamos enormemente em realmente acreditar que conseguiríamos visibilidade sem associação à movimentos políticos, realmente acreditando nessa besteira imbecil de apoliticidade e apartidarismo que o neoliberalismo e o pós-modernismo tão intelectualmente pregou nas últimas décadas. Falhamos enormemente em nos isolar nos nossos clusters de desenvolvimento e tolerância, e nos gabar com títulos imbecis como “Principal destino gay do mundo” sem pensar no que estávamos efetivamente fazendo para mudar a mentalidade da população brasileira.

Hora de acordar. A sociedade está mudando e não estamos fazendo nada. Absolutamente nada.

Adendo: E como esse blog tem (ainda) uma temática essencialmente germânica, impossível não mencionar o exemplo de Berlim em 1920 e relembrar que uma simples década foi o tempo que para que o “inofensivo movimento nacional-socialista” levou para esvaziar a capital cultural e liberal da Europa moderna e civilizada para enfileirar boa parte dos seus integrantes em Buchenwald e Neuengamme. Uma década.

O tempo passa e sociedades mudam muito mais rápido do que podemos imaginar. E com certeza muitos dos integrantes da primeira foto pagaram caro por não entenderem isso.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Enquanto isso, em Hamburgo...

"Do Começo ao Fim" representando o Brasil no Foco Internacional (olha a moral!) do Festival de Cinema Gay e Lésbico 2010 que sempre antecede a CSD de Hamburgo. ;)

MERDA. Qualquer mostra de cinema na Alemanha sempre tem um debate no final onde o povo very academicamente discute o filme, as impressões, etc&tal. Perdi a melhor oportunidade EVER de levantar o meu dedinho numa dessas discussões, soltar em perfeito alemão um "Porque eu sou e moro no Rio de Janeiro..." e ter imediatamente 45 pares de olhinhos azuis virando para mim e brilhando ao perceber que eu sou minimamente pegável & tenho cabelos cacheados & tenho olhos castanhos & tenho uma pele com algum resquício de melanina. :)

Ah, meus tempos na Europa...*suspiros

P.S.- Fiz mal de descrever o filme para meus amigos alemães como "Telenovela meets Brokeback Mountain in The Fantastic World of Apple"?
P.S.2- Ah, falei que tinha nú frontal do morenão gostosão pra compensar.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Well...


Melhor vocês lerem por vocês mesmos... Aqui.

#Tenso.

P.S.1- Provas acabando... QUASE acabando!
P.S.2- Leitores que queiram em entrar em contato, fazer perguntas ou tirar dúvidas podem escrever para o lostundfoundintranslation@googlemail.com que assim que der eu respondo, certo?

domingo, 18 de julho de 2010

Assumiu?


Trecho da entrevista de Miguel Falabella para a Ilustrada da Folha (disponível aqui):

Você faria uma série como "Weeds" [em que uma dona de casa fica viúva e passa a vender maconha para sobreviver]?
FALABELLA - Se eu fizesse "Weeds" aqui eu tava preso. Já tô quase apanhando por causa da "Vida Alheia"... E a nossa cultura ainda tem um ranço da esquerda radical, que acha que ser bem sucedido é ser uma pessoa escrota e de direita.

Mas houve uma época em que os pobres eram de esquerda e os ricos de direita. Hoje não tem mais isso. Tem até um blog chamado Gays de Direita...
FALABELLA - Mentiiiiiiiiraaaaa!!!! Eu quero ler isso!

MARINHO - Nada mais lamentável...

FALABELLA - Genial!!!

MARINHO - Eu sei de gente que deve estar lá...

Eles dizem que a maioria dos crimes contra gays são cometidas por outros gays. É um cara católico. E ele usa uma frase sua...
FALABELLA - Eu processo essa bicha! O que ela diz?

Quando você falou que achava cafona isso de se interessar pela vida sexual dos outros. Ele usou isso para justificar o direito de estar no armário. Para sempre...
FALABELLA - Ah, mas aí é outra enfermaria, né? Tô nem aí pra isso.

Oi? :D

P.S.- Depois de um tempo percebi que o jornalista que escreveu esse "Mentiiiira!" também é Member of the Family. QUE hétero teria esse feeling para reproduzir essa expressão de maneira tão fiel? Chico Buarque não vale...
P.S.2- Sobrevivendo às provas...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Grandes detalhes que fazem toda a diferença




Aus The Huffington Post, e a polêmica da Orangina e do Mac'Dô hier

Como assim eu não conhecia os comerciais abaixo? E como assim eu não conhecia o The Huffington Post?
(Merci Lucas!)

terça-feira, 8 de junho de 2010

A Parada

Domingo passado (ou seja, ontem!) aconteceu a Megga, a Ultra, a superlativa Parada Gay de São Paulo. Se eu estive lá? Of course not: quebrado financeiramente, tomando créu velocité 5 na faculdade (todo dia quando chego naquela merda de campus e vejo o pessoal intelectualizado, todo trabalhado no tênis Vans e chapinha “From UK” de Jornalismo discutindo seriamente se Hori é melhor do que Restart no corredor da faculdade eu juro que dá ódio por ter marcado Economia naquela merda de cartão do vestibular e uma felicidade que aquele bando de incompetente vai ficar desempregado mesmo porque qualquer merda pode assinar como jornalista hoje em dia!) e RÁ que eu me mandaria para SP justamente na época de migração em massa da homo bombadius-ipanemensis para o habitat Jardins-Consolação, transformando os meus queridos locais tão paulistanos (Bella Paulista: teu brunch humilha qualquer boulangerie de Paris, qualquer padariazinha organico-vegan-low-fat-low-fun do Leblon. Meus ataques bulímicos são só teus, tsá? :D) em um Farme de Amoedo menos protetor solar/sunga da Aussiebum (como alguém consegue usar aquela coisa cafona, meodeos?) e mais roupa preta. (Afinal, carioca acha que é urbano, é cosmopolita, é São Paulo usar preto. E não dá para usar preto no Rio. Sem parecer uma galinha d'angola morta de despacho derretendo sob o implacável sol de meio-dia de Bangú). E como eu tenho um mundo de fotos atravancando a porra do meu HD, não aguento mais ler-discutir-falar-pensar sobre Economia, porque não falar do meu assunto mais preferido de todos : o meu tempo na Alemanha?! (*leitores fazem “Ah naaaão!!! Ainda esse tema?!”, Fernando vira, toma um golinho do seu Söderblanding Tea, joga o cachecol para trás e digita com o indicador “A porra do blog é meu.”). Vamos tomar o Porsche do tempo e voltar para... a minha experiência na Parada Gay de Hamburgo! :D

Situando no Tempo-Espaço
Era Julho, era verão alemão (ou seja, o povo deficiente na melanina tudo pirando no salsichão, tudo louco pra estocar vitamina E e topando QUALQUER programa ao ar livre para curtir os dias de sol), era o meu quinto mês em território alemão. Tava numa bad mood FUDIDA: trabalhando horrores no grande escritório da grande empresa alemã, tinha acabado de terminar com o deutscher FDP (Rest in Peace, Hurensohn!) e sem amigo nenhum pra encher a cara e chorar as mágoas porque todo o povo do Erasmus tinha voltado pra casa depois do final do semestre (e eu demorei uns 7 meses para entender que até pra enfiar o pé na jaca com alemão tem que marcar com 2 semanas de antecedência e ligar no dia anterior confirmando). Resumindo: tava carente, tava piriguete, tava querendo ser-solteiro-em-Salvador. Em Hamburgo. (*RÁ irônico).

Preparações
Meu melhor amigo alemão me vendeu a Parada como O evento gay da cidade. E até que parecia: primeiro, uma mega campanha de mídia (com atores alemães brincando com a questão de gênero sexual e mostrando o tema da parada, que em 2009 era a queda da definição de gênero sexual que consta na constituição alemã), mega cartazes pela cidade divulgando as palestras temáticas da semana que antecedia o evento (viado alemão é muito intelectual: AMAM um simpósio, uma palestra, um colóquio – tudo sentadinho, com oculozinho de croco , discutindo por duas horas as “idiossincrasias de dar ou não dar pinta no período nazista” muito polidamente, mas tudo louco para sair dali, entrar logo no primeiro clube SM e dar para 30 turcos bem-dotados todo trabalhado numa burca de couro). Na Lange Reihe (a rua da gay de Hamburgo que tem o sugestivo nome de “GRANDE Fila” :D), todas as lojinhas (incluindo inocentes pet-shops, lojinhas de chá e produtos naturais e o restaurante tibetano) devidamente decoradas, e as revistas Schwulissimo (AMO esse nome. Poderia ser traduzido como “Viadíssimo”) e Hinnerk eufóricas listando mil e uma coisas para se fazer no dia da CSD hamburguesa. Portanto, eu criei expectativas. Eu achei que iria ser o máximo. Eu achei que seria uma excelente oportunidade de superar de forma madura e saudável a minha bad mood alemã: pegando um monte de pessoas completamente desconhecidas, com as quais eu não teria absolutamente nada em comum, mas teriam a importante função de me fazer sentir gostoso pra caralho.

Coitado de mim.

A Parada em si
Carros de som tinham aos montes. Bicha muito feia supersiachando também (sabe a melhor maneira de identificar uma legítima bee chucrute-com-ovo? Cabelinho moicano descolorido + bronze “Valentino says Hallo”. Aliás, bronze nein: ALARANJADO. Sério, não sei de onde aquele povo tirou que Oompa-Lumpa é fashion trend a ser seguida). Decoração mega blaster toda trabalhada no arco-íris, natürlich. Bebida por todos os lados? Claro (Alemanha sem álcool não funciona, lieber!). Mas o clima? Completamente diferente de tudo o que eu tinha visto de Parada Gay até então.
Primeiro, é bom explicar que a Parada é um evento dentro todo um calendário de uma semana de atividades montado por uma comissão que passa o ano inteiro focada em só realizar a CSD Hamburg. Claro, a Parada é o ponto alto da semana, quando todo mundo quer ir pra rua paquerar, se divertir, pegar um sol, e para isso é montada uma mega estrutura digna de Carnaval no centrão da cidade (bares, festas acontecendo nos barcos ancorados no lago, cafés com programação especial, restaurantes com bandeiras do arco-íris). E para curtir essa estrutura toda, o dia anterior a Parada e o dia posterior a Parada continuam sendo dias de Straßenfest (Festa de Rua), mas o momento da Parada é absolutamente e essencialmente político. Como assim? Melhor explicar usando a minha experiência na parada.
Assim que eu cheguei, deu para ver que tinham algumas coisas bem semelhantes com o que rolava no Brasil: tinha os trios elétricos (inclusive o trio elétrico da minha boate preferida, a Moondoo, veio com a poderosérrima travadoor brasileira-mas-nao-gosto-de-latinos lá no topo, toda bafônica e trabalhada na atitude “Eu sou muito foda!”), tinha muita bebida por todos os lados (Alemanha sem álcool não é Alemanha: se faltar cerveja em qualquer evento público naquele país é capaz de eles cometerem uma chacina até liberarem um tonel pra cada um), tinha gente toda trabalhada no piriguetismo e no glitter boom típicos do nosso querido mundo gay. Tava animado, tava legal. Mas aos poucos, as diferenças e os choques culturais iam aparecendo. O primeiro? Ver o carro do FDP (Freie Demokratische Partei – Partido Democrático Liberal) e ver que um PARTIDO POLÍTICO tinha metido um carro no meio da Parada. O segundo? Receber de um dos cabos eleitorais que vinham no chão esse simpaticíssimo sticker aí acima (que sim, significa o que vocês entenderam!) e ficar com a cara de “WAS?” enquanto ninguém ligava muito, afinal aquilo tudo era sehr normal para eles (5 minutos depois, quem vem? O carro do CDU – Uniao Democrata-CRISTA – distribuindo adesivos semelhantes, com políticos sorridentes distribuindo folhetos sobre os grupos de defesa dos direitos gays existentes no partido).
E daí pra frente, a surpresa só continuou: os trios elétricos estavam lá, mas eram 10% dentro de um mar de 90% de gente no chão, carregando plaquinha mesmo, cada um defendendo o seu quinhão. De memória, que eu consiga lembrar, tinham coisas como o Grupo de Jovens Gays de Hamburg-Nord (por sinal, eu morava do lado do escritório dessa instituição, e sempre passava pela porta justamente quando todo mundo esperava a sessão semanal de quarta-feira começar. Como bom piriguete carioca, sempre passava trabalhado na Pokerface, sempre levava uns bons olhares e como eu acredito que a gente tem que apoiar a bee do futuro, sempre respondia com um sorriso e seguia em frente :D), Policiais Gays da Polícia de Hamburgo (ninguém muito gostosão, mas todo mundo devidamente fardado), Grupo de Pais e Mães de Gays (momento mais fofo da parada: todo mundo aplaudindo as mães/pais com os seus filhos carregando placas com mensagens anti-homofobia). Ah, tinha o lado spice da Parada: os grupos de defesa dos praticantes de “atividades sexuais heterodoxas” (meaning: SM, Fist Fucking, Role Play, Pet Play, e todo o “etecetera” que na Alemanha se estende por uma longuíssima lista). Confesso: nesse momento o meu lado “latino-conservador-querendo-bancar-o-santinho” abriu a boca e não conseguia fechá-la, e o meu lado mais liberal ficou absolutamente passado com a coragem do pessoal de meter a cara e vir pra rua fantasiado de cavalo, porco, cachorrinho sexy, carregando cartaz “Eu quero ter direito a exercer a minha sexualidade da forma que eu quiser!”.
Enquanto isso, você se pergunta: e na platéia? E no povão? E a pegação? Bem, durante todo o trajeto da Parada, eu só vi dois casais se beijando. DOIS. Todo mundo tava bem alegre, todo mundo curtia horrores os trios, as tendas de música eletrônica, mas todo mundo parava e prestava atenção nos grupinhos mais politizados que passavam, entre goles de espumante e/ou cerveja. E isso durou todo o trajeto da Parada. Nada de gente vomitando, nada de tumulto, nada de gente quase transando em público. Nada. Durante a Parada. A Parada termina no endereço mais nobre da cidade (a Jungfernstieg, tipo a Oscar Freire/Avenue Montaigne do Comércio de Luxo da Alemanha), onde vários mini-bares estão montados, e onde a galera começa a relaxar mais um pouco, tirar a camisa (mas nem tanto: a maioria acha essa hábito The Week meio sem educação por aquelas bandas, mesmo que você tenha o corpo perfeito) e curtir o dia de sol (se estiver sol, é claro). Alguns barcos promovem festas particulares, mas sinceramente, o melhor acaba sendo mesmo ficar na rua, indo de um stand de boate para outro, tomando uma boa cerveja, curtindo o visual, porque todo mundo tá fazendo o mesmo. A paquera? Não rola, afinal alemão é em geral bastante tímido, bastante reservado, responde mal ao approach brasileiro-argentino de “Vemcáputão”, não curte dar show em público (ao menos que eles tenham pago para entrar num clube de pessoas que curtem isso :D), portanto piriguetismo não rola. No meu caso: terminei a parada no maior 0x0, agarrado a minha terceira garrafa de espumante, todo colado de stickers Aktiv/Passiv, conversando civilizadamente com os meus amigos alemães (mas para não dizer que também sai completamente liso acabei me fazendo de difícil e trocando telefones com um dinamarquês que trocava olhares comigo há séculos em vários lugares da cidade que por coincidência calhávamos de estar ao mesmo tempo, tsá?!). Mas sinceramente, completamente fascinado ao pensar que onde cerca de 60 anos atrás bandeiras nazistas tremulavam (e gays eram enviados para campos de concentração) acontecia uma manifestação tao moderna e liberal de expressão da sexualidade humana.

Conclusões
Falando sério, não espero que as Paradas brasileiras se tornem exatamente o que as alemãs são. A cultura, a forma de batalhar por direitos, de se expressar, de conseguir evoluções na sociedade são completamente diferentes, e acho que o nosso natural dom de fazer festa, de animar qualquer ambiente, o nosso joie de vivre é um ponto forte que define quem somos, que não pode ser mudado, não deve ser mudado. Não é algo natural da nossa cultura se reunir em pequenas organizações e a partir daí batalhar por direitos, e ponto final. Mas ao mesmo tempo, acho que a fórmula atual das paradas gays brasileiras (megas festas populares) é muito pouco para as ambições que estão na hora de termos dentro do movimento gay brasileiro. Chega a ser irônico pensar que a maior parada do mundo tem efeitos políticos quase irrisórios - acho que isso explica o esvaziamento quase total dos “gays mais esclarecidos” da parada, que sinceramente não tem saco para ver aquele bando de gente caindo de bêbada enquanto gritam “Eu respeito o amor livre!” e ter alguma esperança que aquilo adianta alguma coisa na defesa dos direitos. Como eu falei acima, é uma questão de ambição: seja talvez a hora de parar de ficar surpreso e estupefato com o espaço que nos foi cedido, com a possibilidade de realizar UMA parada gay e pensar na parada que realmente é melhor para os nossos interesses.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Curtas: It's fun to stay at Felicitá!

Num primeiro instante, achei óonn: primeiro condomínio fechado da casas populares GLS em Suzano (Mas nao teria mais mercado em Campinas, hein?). Aí, a reflexão: árvores de amora e ameixa em frente a cada casa, why?! Mais gay do que isso só plantando... lichia e pitaya! Acharia digno! Depois, a revolta: porra, 48,50m²?! Sacanagy com as bees: onde vai ter espaco para os boxes com as temporadas completas que todo viado tem que ter (you know, the essentials: Sex and the City para os momentos buaaaaá-eu-vi-ele-beijando-aquela-bicha-uó-no-cantinho-da-buati, Queers as Folk para se inspirar no Brian antes de cair no perigón, Will&Grace para assistir junto com a amiga fag hag...)?! E os poodles? (apesar de que poodle is so 1998: golden retriever parece ser o new gay dog, néam? Acho escroto: poodle É gay por essencia - afinal dá para imaginar o conceito de poodle macho? Golden retriever é simplesmente hetero demais... Poodle é Priscilla The Queen of Desert. O máximo que um golden retriever consegue ser... é Brokeback Mountain, e olhe lá!). E por último, invejinha business: no dia em que puder assinar profissionalmente o meu nome no estilao que Douglas Drumond  fez (com direito a fundo com fotinho tipo business bitch), cheguei no topo.

Acho o conceito do produto válido. Afinal todo mundo sempre fala de mercado gay, pink money... mas alguém já tinha visto mesmo uma aplicacao prática desse conceito? Quase sempre fica naqueles produtos voltados para o ideal do Viado Personnalité (you know: viado tipo Anderson Cooper, advogado/publicitário/analista, 30-40 anos, morador dos Jardins em SP/ Ipanema-Leblon no Rio, viaja ao exterior 3 ou 4 vezes por ano, com ao menos uma camisa Abercombrie&Fitch no guarda-roupa, tem/teve/ja pensou em ter um Fiat Stilo na garagem...), o que assume proporcoes ainda mais surreais e fora-da-realidade em uma sociedade desigual e em desenvolvimento como a nossa. Qual a porcentagem de gays que efetivamente podem ser considerados como público-alvo de produtos como "cruzeiro gay" ou "cartao-VIP-de-loja-de-grife-que-todas-as-bees-adoram"? E o pessoal que fica de fora dessa classificacao: é ou nao é um mercado pedindo para ser explorado?


But at the same time... condomínio fechado GLS? É isso que a gente quer mesmo?

Complicado...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

It's so Brazil: Mundo (virtual) gay


Eu ainda nao saí para nights/baladas (esse é um blog carioca SP friendly. Paulistas, paulistanos, whatever: nao entenderam uma expressao, perguntem!), eu ainda nao fui dar pinta na bolsa de bofes e muitas vezes de valores também chamada Farme de Amoedo (ah, vamos combinar: dia de semana, só dá gringo e carioca-querendo-pegar-gringo na Farme. Depois de um ano na Europa, o que eu menos quero por perto é gringo deslumbrado com Rio de Janeiro falando "I loooooove Rio, I wish I could live here!" no meu ouvido. Argh!). Mas nao é que já deu para ficar nude ao relembrar alguns comportamentos bem típicos do mundinho member (of the family) daqui?! Quais por exemplo?

MSN: Sério, qual é o porquê da obsessão brasileira com MSN? Primeiro, é aquela conversa sem fim de "Ah, o que voce faz da vida? / Legal.../ E quantos anos voce tem mesmo?" que me dá um tédio mortal. Depois, aquela lista gigante de contatos que voce nao faz idéia de quem seja (pior sao aquelas mensagens de criaturas "Estou limpando o meu MSN: eu conheco voce?"). Meses que eu nao abria o meu MSN num horário mais compatível com o fuso horário local, ai voce já viu: foi chegar aqui, abrir o MSN e vir aquela chuva de "Nossa, quanto tempo voce nao aparece por aqui! Lembra de mim?". O que falar?!  Resposta sincera: "Nao, nao lembro. Ainda nao consegui terminar o meu estágio tipo CSI para identificação de potenciais terroristas. Afinal, esse vai ser o único jeito de reconhecer uma foto com uma pessoa com boné, óculos escuros e distante 30m da camera."? Nao, estou no Brasil: as pessoas sao sensíveis. (Scheiße!). 

"Me passa o teu MSN?": O ataque sempre segue a mesma estratégia: mensagem em site de relacionamentos, sempre de perfil tipo mula-sem-cabeça (sem foto de rosto) ou Frankenstein (fotos de pedacos do corpo: abdômen, braco, bunda... Que podem ser dele mesmo, ou do Hugh Jackman - afinal, nao dá pra ver nada mesmo...) falando "Adorei voce / Sou um cara mega especial + citação tipo Filtro Solar meets O Segredo  / Tenho fotos de rosto no meu MSN / Vamos tc lá?" (aliás, "tc" é fueda...). Qual o problema de entender a dificílima equação "Site de perfil = perfis com fotos de rosto"? 

"To em busca do que rolar. E vc?": O mundo germânico é binário: sim ou nao. Coca-cola ou Pepsi. iPhone ou Blackberry. E isso também vale para o mundo gay: "foda-ultra-steamy/obrigado por ter vindo/até a próxima" ou "andar-de-maos-dadas-pelo-parque-vendo-as-folhas-cairem". Simples assim. A criatura vem falar comigo, e fica naquele papinho mole "E ai, qual é a boa de hoje?" e eu que vou ter que ficar decifrando mensagem codificada do que ele realmente quer? Ah, vai fazer uma terapia, caramba... Povo complicado demais...

(E finalmente, para mim o melhor, o ultra top, a frase praticamente "Welcome back to Brazil!!!") 
"Vc é afeminado?": Hmmm, vamos ver (Fernando pegando o meu bloco de papel roxo com as bordas douradas que eu ganhei no primeiro estágio que eu fiz na Alemanha):


A minha última aquisição na Europa foi uma calca skinny verde escuro na H&M (que raiva: corri os últimos meses atrás de uma skinny vermelho-vermelhao, última moda entre os hypes de Estocolmo, e finalmente achei uma na H&M de Zurique, minha última parada na Europa. Chuta o que aconteceu? Nao tinha o meu número. Sacanagy...): confere. 


Voltei da Europa com uma colecao de 9 cachecóis, incluindo um bem na fronteira do laranja-com-rosa que eu super vou usar aqui no Brasil (gentém, tao lindo ele!):  confere. 

Assisti um episódio inteiro de "Sex and the City" enquanto aguardava para embarcar no aeroporto de Zurique numa televisao sem som sem me importar, afinal eu sei todas as falas de todos os episódios de todas as temporadas + filme: confere. 

Com 3457 diferentes filmes para escolher no servico de entretenimento de bordo da Swissair eu escolhi a sequencia super macho "The September Issue" + "Devil wears Prada" (alias, eu já tinha lido o livro do último. Antes que ele virasse filme.): confere.

Ai gentém, será?!!!! :( 
(Essa fala funciona melhor se voce me imaginar falando isso colocando a mao no queixo e virando o pezinho de lado).

Ok gente, agora sério: que porra de comportamento é esse? Em um ano na Europa, eu tc (ups... teclei) com praticamente metade do continente, sai com todos os países da Uniao Européia (incluindo os novos integrantes do bloco) e nunca escutei essa pergunta. Aliás, minto: escutei sim. De um brasileiro que morava na Alemanha, também com um perfil sem foto de rosto e do tipo "tenho panico de que me encontrem por aqui". De europeus: jamais, never, nie (e olha... europeu consegue ser bem fierce na hora da boiolagem, queridoes... Como eu falei, aquele mundo de cosméticos baratos, H&M e La Roche Posay deixa qualquer um uma diva em 2 tempos!).

Concordo que ninguém é obrigado a sair com um perfil de cara que nao preencha as suas expectativas e interesses (tem gente que gosta de loiro, árabe, negao, asiático...). Mas porra, eu já escutei "Eu odeio afeminado!".Como assim? Por que essa paranóia de dar ou nao dar pinta?! Eu nao consigo acreditar mesmo que exista tanto surfista, lutador de jiu-jitsu e "brother macho que curta uma parada na encolha" no mundo. Sinceramente, a minha experiencia foi a seguinte: as bees mais reprimidas e as mais pintosas sempre sao as latinas. Porque norte-europeu é tao low profile, tao na dele que quase sempre é uma surpresa descobrir que fulano de tal é gay ou nao: isso simplesmente nao é um assunto.

(Ok, eu sei que essa é uma indignação "Porque as coisas nao sao como na Europa!" completamente inócua e que nao vai resolver absolutamente nada. Mas também... tem coisas que se ninguém reclamar, fica por isso mesmo. E uma coisa eu aprendi com os alemaes: sem gente chata reclamando, nada evolui. Nada mesmo. Portanto, eu reaprendo a chegar atrasado em compromissos, pego uma praia para tirar esse branco ACE que atualmente a minha pele se encontra e posso até repensar o meu ódio mortal a pagode/samba e congêneres. Mas dar uma de "Ah, as coisas sao assim mesmo no Brasil..." mais uma vez? No, thanks...). 

P.S,- Última mensagem de mula-sem-cabeça do MSN? "Vc cantava junto com o grupo swing baratinha?". Sem comentários (morar no Brasil é legal, morar no Brasil é legal, morar no Brasil é legal...).

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Meda: O que está acontecendo com Hamburgo?


Na sexta, fazendo um happy hour com amigos alemaes num bar gay friendly daqui, sou abordado por uma criatura que tinha me visto há milenios em um clube de Hamburgo com a seguinte pergunta "Posso fazer uma oferta e um pedido? Sai comigo para jantar, na segunda?". Na L-A-T-A, assim mesmo. Fernando com cara de choque. Fui pego tao de surpresa, mas tao de surpresa que a única reacao que eu consegui esbocar foi um "WIE BITTE?" (= Como assim?).

Mais tarde no Moondoo, parecia que Afrodite tinha baixado na concha de Boticelli por lá, girado o cabelo num drag queen move, e falado "Rodada de pocao do amor para todo mundo ae! Vamos beijar, galeeeeera!!!" - todo mundo suuuuuuuper animado. Lá pelo meio da noite, só sinto alguém pegando no meu braco, e falando no meu ouvido "I zhink you are SOO pretty!" e preparando "aquele abraco" para cima de mim - olho para trás, era um one night stand dos meus primórdios de Alemanha (quando eu ainda estava na fase primeira "I love Germany" - que foi seguida das fases "I hate Germany", "I hate Germany - The English didn't bomb here enough" e finalmente "I can stand Germany, because buses come on time there").

Ontem, estou voltando para casa feliz e contente ("Pela estrada afora eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha..."), e enquanto passava em frente ao café gay que existe do lado da minha residencia estudantil, só escuto um sonoro "WOW... Lecker!" ("Uau, gostoso!").

E hoje, enquanto descia para a cantina daqui do escritório em busca do meu café sagrado de todos os dias, uma outra respeitável criatura lá embaixo acompanha a minha descida dando uma olhada, mas uma daquelas olhadas que eu quase que me desconcentro e desco o resto do caminho rolando escada abaixo - (gente, afinal é ambiente de trabalho, e vocacao para estagiário-piranha eu nao tenho nao... Bem... na verdade, depende do chefe, néam?).

O que tá acontecendo com essa cidade, meodeus? Tamos em Hamburgo: simpatia, clima de paquera e azaracao defintivamente nao é forte dos locais - afinal, eles nao devem ter nem vitamina E suficiente para se motivar a fazer isso! Isso nunca tinha acontecido antes nao... Andaram fazendo currywurst com base naquela receita do amor da Elvira e distrubuiram para a alemaozada toda?

(Bem, se continuar assim, nao sei se quero voltar para o Brasil nao... :D).

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Porque tem coisas que ultrapassam a barreira do idioma e da cultura...


Amigo alemao, enquanto eu lia o blog da Katylene: "Noooossa... Essa daí é member*, hein? Pessoal naquela The Week que voce tanto me fala é tudo assim?"

É... realmente Miro, é internacional o seu "ima"...

member* = member of the family. Sim, daquela family. :)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Scheiße

O que fazer quando voce se descobre muito mais dentro da dita "cena gay" da sua nova cidade (Hamburgo) do que voce já esteve na sua cidade de origem (Rio de Janeiro)?

Acabei de saber por um amigo alemao que o FDP teutonico é amigo de um amigo dele. E até onde parece, esse amigo achava que o cara era o príncipe encantado, com todo o teatro que o FDP teutonico sabe montar para os outros. E para a minha surpresa, essa amigo até sabe do "brasileiro com quem ele estava tendo um caso". Sim, eu, o brasileiro. WFT?

Eu nunca sai com o cara para clubes, ele nao conhecia os meus amigos e eu nao conhecia os amigos dele. Era uma relacao mega íntima entre a gente. O cara se gabava de estar "fora da cena" e de ter a imagem do advogado perfeito, eficiente e exemplar. E agora, isso. O telefone-sem-fio faz todo o caminho de volta, até a minha história chegar no meu ouvido.

Como esquecer um cara sendo que voce mora na cidade DELE, estando longe dos seus amigos, e tudo na cidade lembra ele? E pelo visto, comecar de novo nem rola, porque Hamburgo inteira deve estar sabendo que é o "brasileiro" em questao.

Saco. Saco. Saco.

:/

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ser gay em Hamburgo é...

Lange Reihe, a Farme de Amoedo hamburguesa - nao tem praia no final, mas é bonitinha assim mesmo, tá?

Lado bom:
- Liberou geral: voce anda com o seu peguete/namorado de maos dadas na rua e ninguém vira para olhar. Para ter uma nocao, a Farme de Amoedo (Lange Reihe) daqui tem escola infantil, trocentos cafés e bares iranianos/turcos/portugueses e uma mesquita numa das extremidades da rua. Todo mundo convivendo na maior paz. :) E isso se extende para a cidade inteira.

- Night é tudo misturado mesmo: Isso é uma tendencia bem forte do Norte da Europa (mais ainda em Estocolmo e Copenhagen) - as boates gays estao se tornando cada vez mais escassas, e as ainda existentes sao quase sempre mais frequentadas pelo pessoal mais "vivido". Como tudo é tao liberal, a geracao gay mais nova acaba frequentando os mesmos locais e boates que os heteros da mesma idade. (Experiencia própria - em uma boate "hetero" de Hamburgo meu gaydar apontou (errado, claro) para um cara. Cheguei puxando um papo, conversamos durante 5 minutos e soltei "Voce é bem interessante, sabia?". O cara abriu um mega sorriso no rosto, falou "Poxa, mas eu nao sou gay, cara..." e me ABRACOU. Eu fiquei com aquela cara de "WTF?", e ainda continuamos a conversar por uns 10 minutos. Desenvolvimento demais para mim.).

- Medo de sair do armário is so last season: Sabe aquele dilema "conto para o meu amigo hetero que eu sou gay ou nao?". Absolutamente inexistente aqui. Todos alemaes para os quais eu contei que era gay reagiram com um blasé "Mesmo? Nunca tinha sacado isso." (claro: alemao nao tem essa necessidade permanente de SÓ falar sobre mulher-futebol-mulher que latino tem). E continuaram agindo da mesmíssima forma que antes. Nada daquelas perguntas chatérrimas "Mas voce realmente nao gosta de mulher?!!!" que hetero latino faz. E até perguntam se voce está saindo com algum cara no momento...

Lado ruim:
- Ninguém olha mesmo: Paquera? Azaracao? Piriguetismo? Vai esquecendo. Tá todo mundo tao coberto de roupa, o céu tá tao cinza, tá tao frio que ninguém parece ter animo para paquerar. Olhada discreta rola, claro. Mas nada além disso. Alemao é MUITO tímido - ou voce chega, ou nao rola nada.

- Alemao é sistemático: Sexo é sexo, paquera é paquera. Se voces marcam sexo, ele vai perguntar detalhadamente tudo o que voce gosta e nao gosta, quanto tempo vai durar, qual as posicoes preferidas, possíveis fetiches - o que vai tornar o sexo casual tao excitante como uma aula de anatomia comparada (bem, possíveis fetiches uma ova - como um amigo meu diz, todo frances e alemao sempre tem um lado B beeeem dark).

- Lentidao: Rolou paquera? Fudeu: nada de ir esperando um jantar seguido de um beijo daqueles no carro, com uma mega pegada. Se o cara gostou de voce, pode ir se preparando uma sequencia interminável de café, passeio no parque, ida ao cinema, museu - isso tudo para rolar UM beijo (que VOCE terá que roubar). Outra sequencia interminavel de passeio, café, ida ao museu... para QUEM SABE rolar uma pegada mais forte. Somente assim eles acham que é possível conhecer melhor uma pessoa (O lado bom é que na hora que vai, a coisa vai que é uma beleza... hehehe E a gente ainda conta com o "plus a mais" do fetiche de ser latino e brasileiro - óbvio que eu, que odeio qualquer tipo de cliche, me utilizei desse cliche aqui é MUITO... hehehe).

- Paraday gay = Carnaval Solteiro em Salvador? Nein, Nein... : Lembro como se fosse hoje: tinha acabado de terminar com o FDP (filho-da-puta) germanico, e Parada Gay chegando. Nao sou muito fa da pegacao "Solteiro em Salvador" (= pega um, pega dois, pega trinta), mas tava solteiro, carente, e os meus amigos alemaes contando que a Parada Gay era "O" evento de Hamburgo. Fui todo trabalhado no piriguetismo carioca, esperando O evento...
Sabe desfile cívico de Sete de Setembro? I-G-U-A-L. Toda dividida por grupos, com plaquinhas na frente, cartazes e folhetos com as principais reindivicacoes. Além de trios elétricos dos principais partidos, tinha grupo de tudo quanto era tipo: grupo de adolescentes gays, grupo de gays membro da Polícia de Hamburgo, gays islamicos em Hamburgo, gays SM (com direito a pessoas andando com coleiras e tudo). Tinha tudo - menos pessoas se beijando (sério, eu contei dois a parada inteira: alemao é tímido, como eu falei) e ZERO paquera. No final, estava eu, agarrado com a minha garrafa de espumante (bem, o lado legal de morar na Europa é que o espumante é frances e barato), com aquela cara de "Great.", todo colado de stickers dos partidos alemaes distrubuídos na parada.

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Post motivado pelo meu recente "outing" para o estagiário vítima da "exclusao do Mirabel" (nao, ele nao é - sim, tumbs down, eu sei). Como disse acima, o cara foi um fofo e agora conversamos basicamente sobre as nossas experiencias amorosas: ele com as garotas, eu com os garotos, e ele escutando tudo isso com a maior atencao. :) Nada como com os meus amigos portugueses, que sao legais, mais insistem no combo "mas como voce nao pode gostar de mulher?"+ "cara de nojo toda vez que eu comeco a contar como foi quando sai com um cara". Chaaaato...