Eu sou economista. Ou melhor dizendo, sou um soon-to-be economista – estou nas minhas semanais finais de faculdade. Eu gosto da minha faculdade, eu gosto do meu trabalho. Eu gosto de estudar Economia - é bem menos matemático do que as pessoas pensam e é uma faculdade que obriga você a pensar sob perspectivas diferentes (se você teve a chance de estudar na faculdade que ensina Economia e não Finanças). Eu gosto do meu trabalho – acho interessante a adrenalina que os negócios desperta, o exercício de ter que ser mais sucinto (algo que eu necessito bastante... e que definitivamente não sou nesse blog. :D).
Mas alguns dias parece que eu sou tomado por um sentimento de apatia. Não que eu esteja triste ou insatisfeito com algum aspecto da minha vida. É só um sentimento de 'boredom' com a previsibilidade do mundo ao meu redor. Algo momentâneo, algo que tende a acontecer muito especificamente em segundas e terças-feiras. Você olha para as pessoas ao redor, as conversas e atitudes parecem previsíveis e funcionais demais. Independe do lugar: pode acontecer num deslumbrante dia de outono no Rio de Janeiro, um domingo de verão em Hamburgo ou uma quinta-feira em Paris de férias. São dias em que o meu indomável humor me permite somente fazer o estritamente necessário: compromissos, tarefas do trabalho, estar presencialmente numa aula da faculdade. Estritamente o necessário, porque todas aquelas coisas necessárias e rotineiras que deveríamos fazer no tempo 'livre' se tornam mortalmente entediantes. E eu sei que eu não adianta sentar e 'pelo menos tentar'. Eu preciso de algum estímulo externo, de algum momento em que a minha atenção esteja totalmente focada em algo que me faça parar de pensar no 'o que eu deveria fazer' e me 'transporte' para algum outro lugar.
São nesses dias em que eu vou ao cinema.
Hoje, após sair do trabalho (e depois de cumprir a minha nobre parte enquanto membro do sistema capitalista de produção :D), comprei meu Doritos e minha Fanta Uva (gastronomicamente abominável, gastronomicamente delicioso :D), fui ao Espaço Unibanco e comprei meu ticket para 'Meia Noite em Paris'. Sentei numa cadeira entre dois casais, um tanto quanto ridículo no meu terno e na minha cara de entediado e esperei as luzes se apagarem. E simplesmente viajei.
O filme começa com uma 'cruel' combinação de jazz com cenas de Paris que conseguiram derrubar a minha apatia no primeiro instante. Não sei se foi o jazz ou Paris, mas a combinação dois dois conseguiu derrubar ridículas e incontroláveis lágrimas dos meus olhos. De novo, não por uma tristeza específica. Mas só pela beleza sensível que os filmes do Woody Allen tem a característica de começar. Talvez pela lembrança de estar naqueles locais que agora já me são familiares, de lembrar de mim incrivelmente triste na primeira vez, incrivelmente feliz na segunda e terceira. De pensar na pessoa que me espera lá, de como eu inconscientemente sinto mais falta dela do que conscientemente percebo e de como relacionamentos a distância são incrivelmente cruéis, mas incrivelmente fantásticos quando acontece de você estar junto da pessoa, mesmo que seja por alguns dias.
Uma das minhas maiores implicâncias com atores de Hollywood seguramente é com o Mr. Owen Wilson – o acho canastrão, piegas, o estereótipo do ator americano sem muito conteúdo dramático e profundidade. Precisou de Woody Allen para que ele (Wilson) conseguisse me transmitir alguma empatia com algum personagem que ele interpretasse. A história do escritor americano fascinado por Paris cercado de práticos americanos que logo se tornarão sua família é muito mais cativante do que uma resenha de jornal/blog pode transmitir. Woody Allen conseguiu capturar uma nuance de Paris incrivelmente específica, incrivelmente tênue e que infelizmente demora algum tempo para que se possa captar. Paris é uma cidade dolorosamente nostálgica (em oposição a Londres, onde tudo parece estar se transformando em algo excitante, algo mais moderno, algo mais cool). Tudo parece remeter a uma época, um estilo de vida, um Zeitgeist que não existe mais. Tentando explicar em termos mais práticos, a sensação é a de estar entrando em um salão de festas onde aconteceu uma festa notoriamente fantástica, mas na qual você não esteve. As pessoas, sorriem, as pessoas fumam, as pessoas conversam, enquanto você, turista solitário com tendências melancólicas que toda viagem sozinho sempre acaba despertando, inevitavelmente se pergunta como seria se você conhecesse aquelas pessoas, se você estivesse naquele lugar, se você tivesse estado ali naquele instante. Ao seu redor, a horda de turistas japoneses e americanos, tirando desesperadamente fotos e correndo de um ponto turístico para o outro. E você se achando um louco por não estar fazendo exatamente a mesma coisa, com tantos lugares 'que você tem que conhecer!' naquela cidade – mas o número infinito de páginas de possibilidades do guia desestimulam cada neurônio do seu cérebro, e você decide ficar andando e andando por aquelas ruas invariavelmente bonitas.
A mensagem do filme pode ser mesmo que tendemos irracionalmente mesmo a achar que seríamos mais incrivelmente em algum outro momento: da história, das nossas vidas (se elas tivessem seguido um rumo diferente). Na minha opinião? De que todo mundo precisa de um pouco de ficção, de um pouco de surrealidade para mudar a perspectiva do presente, do racional, do agora. (Ah, Adrien Brody de Salvador Dali, com o seu perfeitamente enorme e fantástico nariz que me fazem esquecer qualquer vontade que eu teria de um dia de mexer no meu...).
E eu saí do cinema, caminhei para o ponto de ônibus na Praia de Botafogo, olhando para a vista fantástica que essa cidade sempre acaba proporcionando. Com o meu olhar ajustado, com o meu humor ajustado, com jazz ressoando na minha cabeça. E pensando em como um bom filme sempre acaba colocando qualquer mente inquieta de volta ao lugar, reequilibrando as doses necessárias de nostalgia, poesia e de ficção que precisamos tanto para levar nossas sérias vidas a frente. No Rio de Janeiro. Ou em Paris.
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
19h40 no Rio de Janeiro
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
Elegance is about the way you cross your legs, not the label or the newest clothes from the latest collection
Raríssimas as vezes eu postei aqui um artigo ou entrevista na íntegra (aka. 'nome elegante e jornalisticamente sofisticado para o processo de ctrl v + ctrl c'). Mais raro ainda (ou inédito no blog?) um post sobre moda, um assunto que sinceramente me interessa bem mais do que eu deixo expressar pelos meus textos aqui no blog.
Mas algumas matérias necessitam ser divulgadas, necessitam ser espalhadas, necessitam ser lidas. Por que então eu acho que a entrevista de Carine Roitfeld para a Spiegel Online International merece isso?
#1: C'est Carine Roitfeld, chérie: Como?! Não sabe quem é ela? (Primeira reação choque + Pensamento 'Em que planeta você mora, dear? Planet Girls?!', Segunda reação: Respira fundo, ajeita a camisa social e vai) Sabe o 'Diabo veste Prada'? Sabe Miranda Priestly (meu sonho é virar um chefe e despachar os meus subalternos+estagiários com um seco 'That's all."), o papel da Meryl Streep? Então, ele foi inspirado em Anna Wintour, a toda-poderosa editora-chefe da Vogue Norte-Americana - uma excelente profissional, com um poder absurdo na mão, que catapultou as vendas da Vogue America para a estratosfera, bla bla bla. Mas que vamos combinar: ainda é a Vogue America - onde que americano é um povo conhecido pelo estilo de se vestir?! (Afinal, EUA é o país disso, disso e disso.) Carine Roitfeld é simplesmente a equivalente de Anna Wintour na Vogue Paris, petit. P-A-R-I-S. Primeiro, ocupou o cargo da principal revista de jornalismo de moda na capital de moda mundial (Paris, dã?!). Segundo, ela conseguiu catapultar as vendas da Vogue francesas em um momento de recessão das grandes editoras e ao mesmo tempo estabelecer a Vogue francesa como a publicação internacional quando se trata de inovação e originalidade em termos de jornalismo de moda. (Impossível comparar a o climinha "Quem Acontece meets Bloomingdale's" da Vogue America com os absurdos promovidos por Mme. Roitfeld na Vogue Paris.). Terceiro, ela é inteligente, ousada, fala merda e literalmente rocks. (Preciso realmente afirmar o quanto eu acho ela foda?). E quarto: assez.
#2: Sentir a essência do que é a moda da perspectiva de uma francesa: Primeiro que 'moda' é uma palavra que não faz sentido para um francês - eles preferem definitivamente usar o conceito de 'estilo'. Segundo, c'est bien: você pode argumentar que franceses não curtem um banho (falando francamente, até hoje eu ainda não encontrei um francês fedidinho - agora, meu querido, dá uma passada no trem ramal Japeri no horário de rush do final da tarde...), que já viu vários turistas de France absurdamente mal-vestidos dando pinta por Ipanema/Copacabana e até que Christian Audigier é francês. (Agora eu fico feliz se você não sabe quem é Christian Audigier: ele é o Cocô Chanel do creyçon fashion style no Primeiro Mundo, sua marca Ed Hardy é absolutamente idolatrada por todas as celebs Z-List Europa e EUA afora e suas roupas tem o maravilhoso pode de te deixar instantaneamente tão elegante quanto um integrante de gang de rua de subúrbio de San Diego. Resumindo: na hora em que chegar a primeira camisa no Brasil, será sucesso de vendas instantâneo.) Mas é inegável que a 'moda' é uma característica fundamental da cultura francesa. E indispensável da cultura urbana parisiense - eu não diria exatamente que os parisienses são os mais bem-vestidos (dentre as cidades que eu conheci na Europa, esse título segue fácil para Estocolmo - os escandinavos em geral tem um senso estético muito apurado para tudo o que envolve 'design', mas os suecos facilmente são os que mais aplicam isso em termos de 'estilo de se vestir': não é somente um 'usar roupas caras', mas um senso de saber escolher, saber combinar itens a primeira vista comuns e construir com o conjunto um visual essencialmente moderno e trendsetter), mas existe algo no jeito de vestir do parisiense em geral que atrai o olhar de qualquer um que visita a cidade. É um estilo clássico, simples, focado em peças básicas com acessórios de impacto, que quase sempre resulta num estilo que poderia ser classificado como 'casual sofisticado'. Descrevendo assim parece algo 'uniforme', eu sei, mas andando por Paris é incrível como você consegue ver isso em estilos/tribos tão absurdamente diversos, do bohemian ao gótico. Tudo relacionado à um equilíbrio: not too much (italiano demais) a ponto de transmitir informação demais sobre você, not way too less (americano por essência) a ponto de o que você vestir não passar impressão/imagem/idéia nenhuma sobre quem você é. Resumindoo paragráfo gigante que eu acabei de escrever: de forma geral, o francês tem uma noção de que moda é uma das formas mais efetivas de passar uma mensagem pessoal para o mundo - e eles pensam sobre isso.
#3: Para relembrar que jornalismo de qualidade consegue transformar um tema que tão facilmente desbanca para a futilidade tipo 'o-novo-preto-da-estação-é-o-oncinha'/'oh-como-somos-fúteis!' em algo realmente intelectualmente interessante de ser lido: Sendo muito sincero, desconheço qualquer meio de comunicação escrito no Brasil que teria a capacidade/coragem de fazer uma pergunta como 'Can anyone who has spent 20 years in the fashion industry still be normal?' e acho que temos que reconhecer: mídia escrita de grande circulação, no Brasil, com qualidade para ser lida deixou de exisitr há muito tempo. Depois que a Folha passou a 'Crise Árabe' inteira ridiculamente traduzindo textos das grandes agências internacionais de notícias e destacou um time de jornalistas/escritores para discutir o BBB, acho que ficou mais do que sublinhado o fim da Folha como um jornal efetivamente com conteúdo. Em fúcsia. E itálico.
#4 Deswegen habe ich fucking Deutsch gelernt: Dois anos indo estudar alemão no CLAC (toda segunda e quarta, as 7h30!) na ilha do Fundão (@For-não-cariocas: Uma ilha longe longe, muito longe, muito muito longe, praticamente com microclima próprio, impossível de se chegar nos horários de rush, onde ficam a maior parte dos cursos ds UFRJ) + 5 anos de Goethe Institut (#1: Para dar uma dimensão da coisa, quando eu comecei a estudar no Goethe a moeda alemã ainda era o marco; #2 Cinco anos aturando os alunos insuportáveis de Germanística, que ficavam competindo quem decorava a declinação de mais prepsições; #3 O curso inteiro dura 10 anos. D-E-Z-A-N-O-S. Deprimente pensar que em 10 anos quem aprendeu inglês consegue praticamente escrever uma tese de doutorado - quem aprendeu espanhol, uma tese de doutorado em estudos comparados da antropologia do século XVII - e quem aprendeu alemão... consegue falar bem alemão.) + 1 ano de Alemanha (Onde primeiro eu me deprimi ao perceber que 7 anos de alemão me ensinaram a basicamente gaguejar em alemão, depois comecei a decifrar razoavelmente o que a maioria das pessoas falavam - já participou de uma reunião de duas horas onde você tinha que escrever uma ata e basicamente conseguiu entender somente o "Bom dia, estamos aqui..."? Eu já. No meu primeiro dia do estágio novo. - e ao final eu conseguia... me comunicar em alemão... mas tinha finalmente entendidoque Hitler não ganhou a Guerra porque alguma força superior existe e não deixou o alemão se tornar a língua franca mundial que falar aquela Scheiße de idioma fluentemente somente nascendo na Alemanha.) = Determinado conhecimento do idioma alemão. Por que? Eu também não sei explicar. Mas, sendo muito sincero, ter acesso à imprensa alemã justifica muito desse esforço: a qualidade e a profundidade das matérias dos semanários alemães é impressionante. São páginas e mais páginas (a Spiegel média quase sempre fica pelas 400 páginas) de matérias que vão a fundo em temas relevantes, colunas com especialistas que realmente entendem do tema dando opinões fundamentadas (alemão adora um "Argumentos a favor" e "Argumentos contra" para qualquer assunto) e entrevistas onde os jornalistas não se intimidam nem por um segundo em fazer as perguntas desconfortáveis que todo mundo quer saber as respostas. Obviamente também existe publicação no estilo 'Meia-Hora' na Alemanha (Bild, for sure) e o que todos os elogios escritos acima são para a chamada tríade-de-ouro da mídia impressa alemã (Die Zeit, Der Spiegel e Frankfurter Allgemeine - os dois primeiros publicados em Hamburgo :D). Mas mesmo entre os equivalentes nos outros países europeus (com a exceção do excelente The Guardian - onde eu li e fiquei sabendo dessa matéria através da coluna de Life & Style chamada Fashion Statement), os jornais alemães são insuperáveis. Assim como os automóveis. E a obsessão por pontualidade e eficiência. :D
E agora, chega de introdução e voilá a entrevista com Mme. Roitfeld (muita emoção, muita emoção):
SPIEGEL: Ms. Roitfeld, you were editor in chief of the French edition of Vogue, the fashion and lifestyle magazine, for 10 years. Before that, you worked for 10 years at Gucci alongside then-creative director Tom Ford. Can anyone who has spent 20 years in the fashion industry still be normal?
Carine Roitfeld: My only drug is a small glass of vodka in the evening, if that's what you're asking. But I was fortunate because -- in addition to the very special world of fashion -- I also had a family, which is something probably rare in this business. I have also been married to the same man, the father of my two children, for more than 30 years. And that has helped me remain relatively normal.
SPIEGEL: For a former Vogue editor in chief, you also look remarkably normal.
Roitfeld: That's part of my newfound freedom. I always wore a tight skirt at Vogue; it was like a uniform.
SPIEGEL: Can you tell us what you're wearing today?
Roitfeld: A no-name T-shirt from Los Angeles, corduroy jeans by Current Elliot and satin shoes I had custom-made in violet. So the glamour's limited to my feet.
SPIEGEL: Does this world of vanity, in which fortunes are spent on trivial things, corrupt people?
Roitfeld: The fashion industry certainly has its obscene sides. The cost of a coat can be obscene. So can the cost of a photo shoot if you're working with a really good photographer. But when I see how good the photos have turned out or even how well the coat was made or how many people worked on it, it's not quite so obscene anymore. Of course, it's not like we're working in a hospital; we don't save lives every month. We just make decisions about skirt lengths, about an inch more or an inch less. That's all.
SPIEGEL: Did that ever seem pointless to you?
Roitfeld: For 10 years, it was a hell of a lot of fun. But, toward the end, it unfortunately got less and less fun. You used to be able to be more playful, but now it's all about money, results and big business. The prêt-à-porter shows have become terribly serious. The atmosphere isn't as electric as it once was, and they now have about as much charm as a medical conference. But it takes just one good fashion show to get things exciting again.
SPIEGEL: If fashion can tell us anything about the age it's created in, what do you think current fashions tell us?
Roitfeld: Today's fashions don't let people dream as much as they used to. Twenty years ago, fashion was a promise -- something that was part of your life and perhaps enriched it, something that reflected a particular era. If you look at advertisements these days, all you see are handbags. They aren't about dreams anymore; customers are buying objects now, not dreams.
SPIEGEL: Is that why you left Vogue in January?
Roitfeld: Ten years is a long time -- and especially 10 years in a gilded cage. They were wonderful years; but, sooner or later, birds want their freedom again.
SPIEGEL: Your French publisher said the time for being provocative and trashy was over.
Roitfeld: I'd put it this way: Fashion needs glamour, provocation and broken taboos.
SPIEGEL: Was it your decision to go?
Roitfeld: Absolutely. And at the perfect moment. The French edition of Vogue had never been more successful, had never had more readers or advertisers. And it had never made as much money. For 10 years, my American publisher, Jonathan Newhouse, let me do what I wanted, even when he thought it might be crazy. But it couldn't have gone on for much longer.
SPIEGEL: Is this the end of era?
Roitfeld: Creativity needs space and a willingness to take risks, but businessmen don't like risk. What's more, designers are coming under more and more pressure. Today, a dress can't just please the women in Paris; it also has to please those in Beijing, Tokyo, Moscow and New York.
SPIEGEL: Is globalization making fashion more boring?
Roitfeld: At the very least, it's leading to a lot of compromise. But globalization is only one factor. Today's designers no longer have to create two collections a year; they have to create four: spring, summer, fall and winter. And some fashion houses also add haute couture twice a year. Who can possibly manage all that? Good designers are artists; they're fragile people.
SPIEGEL: Two of the biggest stars in the Paris fashion world, Britons Alexander McQueen and John Galliano, both left this stage in a very dramatic way. McQueen committed suicide a year ago. And Galliano, the Dior designer, made his exit a few weeks ago after publicly professing his love for Adolf Hitler.
Roitfeld: McQueen's artistic creations always had a very dark side, but his death still came as a shock. After all, it's not like he was alone. He had a big team surrounding him, but it unfortunately wasn't able to protect him.
SPIEGEL: And Galliano?
Roitfeld: I had no idea how unhappy John Galliano must have been. You have to be very unhappy and lonely to praise Hitler in public while completely drunk. The House of Dior has always addressed a range of topics, for example, by having haute couture shows on homelessness where all the models look like people living on the street. But drunkenly shouting "I love Hitler" and calling people in a bar a "dirty Jew-face" is unacceptable. I don't think he really believes what he said; they were simply the actions of a drunk.
SPIEGEL: Are drugs an everyday part of life in the fashion industry?
Roitfeld: No more and no less than they are in other artistic circles. Yves Saint Laurent was the first person to openly admit to being a drug addict. Since I never touched drugs myself, I find it hard to tell whether people are taking them. But, of course, some people do. The industry has become faster and faster. People are constantly fighting jet lag and working through the night.
SPIEGEL: Now that Galliano and McQueen are gone, is German designer Karl Lagerfeld the only one left?
Roitfeld: Yes. Good old Karl. Superhuman Lagerfeld. I don't think he experiences this pressure in the same way. That's why he can put up with it.
SPIEGEL: And no one else can?
Roitfeld: He's not the only one. There's also Nicolas Ghesquière at Balenciaga, Riccardo Tisci at Givenchy, Miuccia Prada and, of course, Tom Ford. And then there are the up-and-coming talents. But they still need time. In a way, we've already seen everything. What else could they hope to invent?
SPIEGEL: And, in any case, copies of their designs soon turn up in Zara and H&M shops.
Roitfeld: Yes. At fashion shows, bloggers sit in the front rows and transmit new looks around the globe. It's all become terribly rapid. You're sitting in Paris, and people in Beijing already know what's going on. It's pretty crazy. But designers are probably really flattered that their looks are being copied.
SPIEGEL: But don't you think that this copying is still a problem?
Roitfeld: I don't see it that way. Fashion stopped being a matter of money a long time ago; it's a matter of taste. These days, even women with less money can dress well. I was always saddened by the idea that elegance was only something for a minority. It's about style. Karl was the first one to understand that. It was very smart of him to design this H&M collection, and very smart of Chanel to allow him to do so.
SPIEGEL: Today, it's mostly wealthy Russian and Chinese women who are buying expensive fashions. People working at many boutiques in Berlin speak Russian.
Roitfeld: That's right. This obsession with particular designers is somewhat strange. I think it's the safest way for these customers to find their feet when they first discover the world of fashion. You can't learn how to be elegant; you can only learn how to avoid mistakes. The rest is instinct. Elegance is about the way you cross your legs, not the label or the newest clothes from the latest collection.
SPIEGEL: Now you're undermining all the sales arguments your own industry makes.
Roitfeld: It's often the case that what a women reads makes her more attractive and more elegant than what she wears.
SPIEGEL: Do French women read more than German women?
Roitfeld: From a very early age, French women learn not to exaggerate. Yves Saint Laurent once said that the purpose of clothes is to make women more beautiful but that a coat must never attract more attention than the woman wearing it.
SPIEGEL: In France, you have a reputation for being the woman who invented "porn chic." Your photos were criticized because they showed young Lolita-type girls, pregnant women smoking and smooching seniors.
Roitfeld: Yes, of course. Fashion has to be given free rein and only a small number of restrictions. I never used any photos that my children shouldn't see; that was my benchmark. The little girls wearing makeup were never naked; it said "No Smoking" under the pregnant woman; and why shouldn't old people kiss? You must be allowed to play. Anything else is terribly boring. I've also painted white models black and later red, which (the French anti-racist NGO) SOS Racisme complained about.
SPIEGEL: Did you find that silly?
Roitfeld: It's absurd to accuse me of being racist. I dedicated an entire issue of Vogue to the black model Liya Kebede. I'm always looking for connections to real life. I once had a series of photos about fur; but, in these politically correct times, you can't even go out on the street in New York or London without getting a pie thrown in your face. The photos showed extras holding up posters of animal rights activists. It was meant to be ironic, but unfortunately not everyone got it. Why can't we wear the animals we also eat, such as sheep and rabbits?
SPIEGEL: You're 56 years old. How difficult is it for a woman to age in the fashion industry?
Roitfeld: Well, during photo shoots, you come across these beautiful 16- or 18-year-old women who have perfect bodies and not a single wrinkle -- but their pictures are retouched. Under these conditions, when you look in the mirror, you have to be happy with yourself, remain young at heart and keep that rock 'n' roll attitude. Otherwise, you won't be able to deal with it.
SPIEGEL: What will you do with your new life?
Roitfeld: I have numerous projects in the works: a book with Karl Lagerfeld, another about my own work, an ad campaign for Chanel and some consulting work for Barneys, the designer fashion store in New York. Who knows? Perhaps I'll become a muse for designers again.
SPIEGEL: So you won't take the place of your former colleague Anna Wintour at the head of the American edition of Vogue?
Roitfeld: That was never seriously under discussion. I like to provoke. I'm very French. In America, they're not even allowed to show a hint of nipple in photos. Anna Wintour is the most powerful woman in the global fashion industry, the first lady of fashion. She's a politician; I'm a stylist. They are two very different jobs. Incidentally, despite all the rumors, she is actually very nice.
SPIEGEL: Do you have any fashion principles?
Roitfeld: I don't change my handbag every season. I believe in the Yves Saint Laurent woman who either has her hands in the pockets of her pantsuit or is holding her lover's hand. She doesn't need a bag.
SPIEGEL: You also always wear high heels.
Roitfeld: Yes, they give you power. You move differently, sit differently and even speak differently.
SPIEGEL: So you never wear flat-soled shoes? Not even when going for a walk?
Roitfeld: I don't go for a walk very often. I wear flat-soled shoes on vacation, but I also travel in high heels, which is why I'm regularly stopped by customs officials at the airport. Wearing high heels in an airplane is suspicious. Nobody else does that.
SPIEGEL: Do you have any fashion tips for us?
Roitfeld: If you don't want to make any mistakes, buy black clothes. That's always good. And from age 50 on, you can slowly start adding a little beige. That's softer. Every five years, you should take a critical look at your own wardrobe and, if necessary, eventually swap your bikini for a one-piece swimsuit.
SPIEGEL: And, if necessary, eventually stop going swimming altogether?
Roitfeld: There comes a time in your life when you even have to consider that. You should always be one of the best, whatever your age group. That may mean staying away from the beach.
SPIEGEL: Ms. Roitfeld, we thank you for this interview.
Interview conducted by Claudia Voigt and Britta Sandberg
Fonte: Spiegel Online International > Zeitgeist
Mas algumas matérias necessitam ser divulgadas, necessitam ser espalhadas, necessitam ser lidas. Por que então eu acho que a entrevista de Carine Roitfeld para a Spiegel Online International merece isso?
#1: C'est Carine Roitfeld, chérie: Como?! Não sabe quem é ela? (Primeira reação choque + Pensamento 'Em que planeta você mora, dear? Planet Girls?!', Segunda reação: Respira fundo, ajeita a camisa social e vai) Sabe o 'Diabo veste Prada'? Sabe Miranda Priestly (meu sonho é virar um chefe e despachar os meus subalternos+estagiários com um seco 'That's all."), o papel da Meryl Streep? Então, ele foi inspirado em Anna Wintour, a toda-poderosa editora-chefe da Vogue Norte-Americana - uma excelente profissional, com um poder absurdo na mão, que catapultou as vendas da Vogue America para a estratosfera, bla bla bla. Mas que vamos combinar: ainda é a Vogue America - onde que americano é um povo conhecido pelo estilo de se vestir?! (Afinal, EUA é o país disso, disso e disso.) Carine Roitfeld é simplesmente a equivalente de Anna Wintour na Vogue Paris, petit. P-A-R-I-S. Primeiro, ocupou o cargo da principal revista de jornalismo de moda na capital de moda mundial (Paris, dã?!). Segundo, ela conseguiu catapultar as vendas da Vogue francesas em um momento de recessão das grandes editoras e ao mesmo tempo estabelecer a Vogue francesa como a publicação internacional quando se trata de inovação e originalidade em termos de jornalismo de moda. (Impossível comparar a o climinha "Quem Acontece meets Bloomingdale's" da Vogue America com os absurdos promovidos por Mme. Roitfeld na Vogue Paris.). Terceiro, ela é inteligente, ousada, fala merda e literalmente rocks. (Preciso realmente afirmar o quanto eu acho ela foda?). E quarto: assez.
#2: Sentir a essência do que é a moda da perspectiva de uma francesa: Primeiro que 'moda' é uma palavra que não faz sentido para um francês - eles preferem definitivamente usar o conceito de 'estilo'. Segundo, c'est bien: você pode argumentar que franceses não curtem um banho (falando francamente, até hoje eu ainda não encontrei um francês fedidinho - agora, meu querido, dá uma passada no trem ramal Japeri no horário de rush do final da tarde...), que já viu vários turistas de France absurdamente mal-vestidos dando pinta por Ipanema/Copacabana e até que Christian Audigier é francês. (Agora eu fico feliz se você não sabe quem é Christian Audigier: ele é o Cocô Chanel do creyçon fashion style no Primeiro Mundo, sua marca Ed Hardy é absolutamente idolatrada por todas as celebs Z-List Europa e EUA afora e suas roupas tem o maravilhoso pode de te deixar instantaneamente tão elegante quanto um integrante de gang de rua de subúrbio de San Diego. Resumindo: na hora em que chegar a primeira camisa no Brasil, será sucesso de vendas instantâneo.) Mas é inegável que a 'moda' é uma característica fundamental da cultura francesa. E indispensável da cultura urbana parisiense - eu não diria exatamente que os parisienses são os mais bem-vestidos (dentre as cidades que eu conheci na Europa, esse título segue fácil para Estocolmo - os escandinavos em geral tem um senso estético muito apurado para tudo o que envolve 'design', mas os suecos facilmente são os que mais aplicam isso em termos de 'estilo de se vestir': não é somente um 'usar roupas caras', mas um senso de saber escolher, saber combinar itens a primeira vista comuns e construir com o conjunto um visual essencialmente moderno e trendsetter), mas existe algo no jeito de vestir do parisiense em geral que atrai o olhar de qualquer um que visita a cidade. É um estilo clássico, simples, focado em peças básicas com acessórios de impacto, que quase sempre resulta num estilo que poderia ser classificado como 'casual sofisticado'. Descrevendo assim parece algo 'uniforme', eu sei, mas andando por Paris é incrível como você consegue ver isso em estilos/tribos tão absurdamente diversos, do bohemian ao gótico. Tudo relacionado à um equilíbrio: not too much (italiano demais) a ponto de transmitir informação demais sobre você, not way too less (americano por essência) a ponto de o que você vestir não passar impressão/imagem/idéia nenhuma sobre quem você é. Resumindo
#3: Para relembrar que jornalismo de qualidade consegue transformar um tema que tão facilmente desbanca para a futilidade tipo 'o-novo-preto-da-estação-é-o-oncinha'/'oh-como-somos-fúteis!' em algo realmente intelectualmente interessante de ser lido: Sendo muito sincero, desconheço qualquer meio de comunicação escrito no Brasil que teria a capacidade/coragem de fazer uma pergunta como 'Can anyone who has spent 20 years in the fashion industry still be normal?' e acho que temos que reconhecer: mídia escrita de grande circulação, no Brasil, com qualidade para ser lida deixou de exisitr há muito tempo. Depois que a Folha passou a 'Crise Árabe' inteira ridiculamente traduzindo textos das grandes agências internacionais de notícias e destacou um time de jornalistas/escritores para discutir o BBB, acho que ficou mais do que sublinhado o fim da Folha como um jornal efetivamente com conteúdo. Em fúcsia. E itálico.
#4 Deswegen habe ich fucking Deutsch gelernt: Dois anos indo estudar alemão no CLAC (toda segunda e quarta, as 7h30!) na ilha do Fundão (@For-não-cariocas: Uma ilha longe longe, muito longe, muito muito longe, praticamente com microclima próprio, impossível de se chegar nos horários de rush, onde ficam a maior parte dos cursos ds UFRJ) + 5 anos de Goethe Institut (#1: Para dar uma dimensão da coisa, quando eu comecei a estudar no Goethe a moeda alemã ainda era o marco; #2 Cinco anos aturando os alunos insuportáveis de Germanística, que ficavam competindo quem decorava a declinação de mais prepsições; #3 O curso inteiro dura 10 anos. D-E-Z-A-N-O-S. Deprimente pensar que em 10 anos quem aprendeu inglês consegue praticamente escrever uma tese de doutorado - quem aprendeu espanhol, uma tese de doutorado em estudos comparados da antropologia do século XVII - e quem aprendeu alemão... consegue falar bem alemão.) + 1 ano de Alemanha (Onde primeiro eu me deprimi ao perceber que 7 anos de alemão me ensinaram a basicamente gaguejar em alemão, depois comecei a decifrar razoavelmente o que a maioria das pessoas falavam - já participou de uma reunião de duas horas onde você tinha que escrever uma ata e basicamente conseguiu entender somente o "Bom dia, estamos aqui..."? Eu já. No meu primeiro dia do estágio novo. - e ao final eu conseguia... me comunicar em alemão... mas tinha finalmente entendido
E agora, chega de introdução e voilá a entrevista com Mme. Roitfeld (muita emoção, muita emoção):
SPIEGEL: Ms. Roitfeld, you were editor in chief of the French edition of Vogue, the fashion and lifestyle magazine, for 10 years. Before that, you worked for 10 years at Gucci alongside then-creative director Tom Ford. Can anyone who has spent 20 years in the fashion industry still be normal?
Carine Roitfeld: My only drug is a small glass of vodka in the evening, if that's what you're asking. But I was fortunate because -- in addition to the very special world of fashion -- I also had a family, which is something probably rare in this business. I have also been married to the same man, the father of my two children, for more than 30 years. And that has helped me remain relatively normal.
SPIEGEL: For a former Vogue editor in chief, you also look remarkably normal.
Roitfeld: That's part of my newfound freedom. I always wore a tight skirt at Vogue; it was like a uniform.
SPIEGEL: Can you tell us what you're wearing today?
Roitfeld: A no-name T-shirt from Los Angeles, corduroy jeans by Current Elliot and satin shoes I had custom-made in violet. So the glamour's limited to my feet.
SPIEGEL: Does this world of vanity, in which fortunes are spent on trivial things, corrupt people?
Roitfeld: The fashion industry certainly has its obscene sides. The cost of a coat can be obscene. So can the cost of a photo shoot if you're working with a really good photographer. But when I see how good the photos have turned out or even how well the coat was made or how many people worked on it, it's not quite so obscene anymore. Of course, it's not like we're working in a hospital; we don't save lives every month. We just make decisions about skirt lengths, about an inch more or an inch less. That's all.
SPIEGEL: Did that ever seem pointless to you?
Roitfeld: For 10 years, it was a hell of a lot of fun. But, toward the end, it unfortunately got less and less fun. You used to be able to be more playful, but now it's all about money, results and big business. The prêt-à-porter shows have become terribly serious. The atmosphere isn't as electric as it once was, and they now have about as much charm as a medical conference. But it takes just one good fashion show to get things exciting again.
SPIEGEL: If fashion can tell us anything about the age it's created in, what do you think current fashions tell us?
Roitfeld: Today's fashions don't let people dream as much as they used to. Twenty years ago, fashion was a promise -- something that was part of your life and perhaps enriched it, something that reflected a particular era. If you look at advertisements these days, all you see are handbags. They aren't about dreams anymore; customers are buying objects now, not dreams.
SPIEGEL: Is that why you left Vogue in January?
Roitfeld: Ten years is a long time -- and especially 10 years in a gilded cage. They were wonderful years; but, sooner or later, birds want their freedom again.
SPIEGEL: Your French publisher said the time for being provocative and trashy was over.
Roitfeld: I'd put it this way: Fashion needs glamour, provocation and broken taboos.
SPIEGEL: Was it your decision to go?
Roitfeld: Absolutely. And at the perfect moment. The French edition of Vogue had never been more successful, had never had more readers or advertisers. And it had never made as much money. For 10 years, my American publisher, Jonathan Newhouse, let me do what I wanted, even when he thought it might be crazy. But it couldn't have gone on for much longer.
SPIEGEL: Is this the end of era?
Roitfeld: Creativity needs space and a willingness to take risks, but businessmen don't like risk. What's more, designers are coming under more and more pressure. Today, a dress can't just please the women in Paris; it also has to please those in Beijing, Tokyo, Moscow and New York.
SPIEGEL: Is globalization making fashion more boring?
Roitfeld: At the very least, it's leading to a lot of compromise. But globalization is only one factor. Today's designers no longer have to create two collections a year; they have to create four: spring, summer, fall and winter. And some fashion houses also add haute couture twice a year. Who can possibly manage all that? Good designers are artists; they're fragile people.
SPIEGEL: Two of the biggest stars in the Paris fashion world, Britons Alexander McQueen and John Galliano, both left this stage in a very dramatic way. McQueen committed suicide a year ago. And Galliano, the Dior designer, made his exit a few weeks ago after publicly professing his love for Adolf Hitler.
Roitfeld: McQueen's artistic creations always had a very dark side, but his death still came as a shock. After all, it's not like he was alone. He had a big team surrounding him, but it unfortunately wasn't able to protect him.
SPIEGEL: And Galliano?
Roitfeld: I had no idea how unhappy John Galliano must have been. You have to be very unhappy and lonely to praise Hitler in public while completely drunk. The House of Dior has always addressed a range of topics, for example, by having haute couture shows on homelessness where all the models look like people living on the street. But drunkenly shouting "I love Hitler" and calling people in a bar a "dirty Jew-face" is unacceptable. I don't think he really believes what he said; they were simply the actions of a drunk.
SPIEGEL: Are drugs an everyday part of life in the fashion industry?
Roitfeld: No more and no less than they are in other artistic circles. Yves Saint Laurent was the first person to openly admit to being a drug addict. Since I never touched drugs myself, I find it hard to tell whether people are taking them. But, of course, some people do. The industry has become faster and faster. People are constantly fighting jet lag and working through the night.
SPIEGEL: Now that Galliano and McQueen are gone, is German designer Karl Lagerfeld the only one left?
Roitfeld: Yes. Good old Karl. Superhuman Lagerfeld. I don't think he experiences this pressure in the same way. That's why he can put up with it.
SPIEGEL: And no one else can?
Roitfeld: He's not the only one. There's also Nicolas Ghesquière at Balenciaga, Riccardo Tisci at Givenchy, Miuccia Prada and, of course, Tom Ford. And then there are the up-and-coming talents. But they still need time. In a way, we've already seen everything. What else could they hope to invent?
SPIEGEL: And, in any case, copies of their designs soon turn up in Zara and H&M shops.
Roitfeld: Yes. At fashion shows, bloggers sit in the front rows and transmit new looks around the globe. It's all become terribly rapid. You're sitting in Paris, and people in Beijing already know what's going on. It's pretty crazy. But designers are probably really flattered that their looks are being copied.
SPIEGEL: But don't you think that this copying is still a problem?
Roitfeld: I don't see it that way. Fashion stopped being a matter of money a long time ago; it's a matter of taste. These days, even women with less money can dress well. I was always saddened by the idea that elegance was only something for a minority. It's about style. Karl was the first one to understand that. It was very smart of him to design this H&M collection, and very smart of Chanel to allow him to do so.
SPIEGEL: Today, it's mostly wealthy Russian and Chinese women who are buying expensive fashions. People working at many boutiques in Berlin speak Russian.
Roitfeld: That's right. This obsession with particular designers is somewhat strange. I think it's the safest way for these customers to find their feet when they first discover the world of fashion. You can't learn how to be elegant; you can only learn how to avoid mistakes. The rest is instinct. Elegance is about the way you cross your legs, not the label or the newest clothes from the latest collection.
SPIEGEL: Now you're undermining all the sales arguments your own industry makes.
Roitfeld: It's often the case that what a women reads makes her more attractive and more elegant than what she wears.
SPIEGEL: Do French women read more than German women?
Roitfeld: From a very early age, French women learn not to exaggerate. Yves Saint Laurent once said that the purpose of clothes is to make women more beautiful but that a coat must never attract more attention than the woman wearing it.
SPIEGEL: In France, you have a reputation for being the woman who invented "porn chic." Your photos were criticized because they showed young Lolita-type girls, pregnant women smoking and smooching seniors.
Roitfeld: Yes, of course. Fashion has to be given free rein and only a small number of restrictions. I never used any photos that my children shouldn't see; that was my benchmark. The little girls wearing makeup were never naked; it said "No Smoking" under the pregnant woman; and why shouldn't old people kiss? You must be allowed to play. Anything else is terribly boring. I've also painted white models black and later red, which (the French anti-racist NGO) SOS Racisme complained about.
SPIEGEL: Did you find that silly?
Roitfeld: It's absurd to accuse me of being racist. I dedicated an entire issue of Vogue to the black model Liya Kebede. I'm always looking for connections to real life. I once had a series of photos about fur; but, in these politically correct times, you can't even go out on the street in New York or London without getting a pie thrown in your face. The photos showed extras holding up posters of animal rights activists. It was meant to be ironic, but unfortunately not everyone got it. Why can't we wear the animals we also eat, such as sheep and rabbits?
SPIEGEL: You're 56 years old. How difficult is it for a woman to age in the fashion industry?
Roitfeld: Well, during photo shoots, you come across these beautiful 16- or 18-year-old women who have perfect bodies and not a single wrinkle -- but their pictures are retouched. Under these conditions, when you look in the mirror, you have to be happy with yourself, remain young at heart and keep that rock 'n' roll attitude. Otherwise, you won't be able to deal with it.
SPIEGEL: What will you do with your new life?
Roitfeld: I have numerous projects in the works: a book with Karl Lagerfeld, another about my own work, an ad campaign for Chanel and some consulting work for Barneys, the designer fashion store in New York. Who knows? Perhaps I'll become a muse for designers again.
SPIEGEL: So you won't take the place of your former colleague Anna Wintour at the head of the American edition of Vogue?
Roitfeld: That was never seriously under discussion. I like to provoke. I'm very French. In America, they're not even allowed to show a hint of nipple in photos. Anna Wintour is the most powerful woman in the global fashion industry, the first lady of fashion. She's a politician; I'm a stylist. They are two very different jobs. Incidentally, despite all the rumors, she is actually very nice.
SPIEGEL: Do you have any fashion principles?
Roitfeld: I don't change my handbag every season. I believe in the Yves Saint Laurent woman who either has her hands in the pockets of her pantsuit or is holding her lover's hand. She doesn't need a bag.
SPIEGEL: You also always wear high heels.
Roitfeld: Yes, they give you power. You move differently, sit differently and even speak differently.
SPIEGEL: So you never wear flat-soled shoes? Not even when going for a walk?
Roitfeld: I don't go for a walk very often. I wear flat-soled shoes on vacation, but I also travel in high heels, which is why I'm regularly stopped by customs officials at the airport. Wearing high heels in an airplane is suspicious. Nobody else does that.
SPIEGEL: Do you have any fashion tips for us?
Roitfeld: If you don't want to make any mistakes, buy black clothes. That's always good. And from age 50 on, you can slowly start adding a little beige. That's softer. Every five years, you should take a critical look at your own wardrobe and, if necessary, eventually swap your bikini for a one-piece swimsuit.
SPIEGEL: And, if necessary, eventually stop going swimming altogether?
Roitfeld: There comes a time in your life when you even have to consider that. You should always be one of the best, whatever your age group. That may mean staying away from the beach.
SPIEGEL: Ms. Roitfeld, we thank you for this interview.
Interview conducted by Claudia Voigt and Britta Sandberg
Fonte: Spiegel Online International > Zeitgeist
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sábado, 9 de outubro de 2010
A Europa vista a partir da....
Nessa era de paz mundial, todos os países se amando, "Eu amo o mundo, eu sou um cidadão global!" o discurso oficial (válido em todos os países do mundo, menos na França, onde eles abertamente pensam que o resto do mundo se encontra num patamar inferior ao deles - e os que estão economicamente acima se vestem e comem mal, portanto são irrelevantes) é de paz e amor global, de que as nações se amam, blablabla.
Mas nada como um pouquinho de álcool e criatividade para o nacionalismo emergir realmente e apimentar as coisas, néam? :)
O estúdio londrino de design gráfico Alfagraphic fez um mapa estilizado da União Européia para o jornal alemão Süddeutsche Zeitung em Junho de 2009, em meio a crise energética do continente, negociações tensas sobre o gás com os russos e tudo mais. O mapa original (o primeiro dessa série) ficou tão bom, mas tão bom que o pessoal do escritório resolveu fazer uma série mais extensa, com a visão do continente sob a perspectiva de alguns países europeus. O resultado? Confiram aí abaixo:
A União Européia vista pelos próprios europeus
(Destaque para Mar Báltico = Meh Sea, Golfo de Bótnia = Gulf of Abba)
A Europa vista pelos americanos
Mas nada como um pouquinho de álcool e criatividade para o nacionalismo emergir realmente e apimentar as coisas, néam? :)
O estúdio londrino de design gráfico Alfagraphic fez um mapa estilizado da União Européia para o jornal alemão Süddeutsche Zeitung em Junho de 2009, em meio a crise energética do continente, negociações tensas sobre o gás com os russos e tudo mais. O mapa original (o primeiro dessa série) ficou tão bom, mas tão bom que o pessoal do escritório resolveu fazer uma série mais extensa, com a visão do continente sob a perspectiva de alguns países europeus. O resultado? Confiram aí abaixo:
A União Européia vista pelos próprios europeus
(Destaque para Mar Báltico = Meh Sea, Golfo de Bótnia = Gulf of Abba)
A Europa vista pelos americanos
A Europa vista pelos britânicos
A Europa vista pelos franceses
(Destaque para: Bélgica = Semi-France, Suíça = Semi-France, Hungria = Sarko's Land)
A Europa vista pelos alemães
(Destaque para: Ilhas Baleares = Balearic Germany + Ajudinha para os não familiarizados com o deutsch: Sparkasse = Caixa de Poupança, Proletariat = Proletariado, Schokolade = Chocolate, Schinitzelreich = Reino do Porco empanado, prato típico austríaco que na Alemanha eles acham que veio de Viena e nós de Milão, Eiffelreich = Reino de Eiffel, Schnaps = Álcool extraído de batata e semelhantes).
A Europa vista pelos italianos
(Destaque para: Croácia = Dalmatia, Bulgária = Babysitters, Romênia = Thieves)
A Itália vista pelos italianos
Acabou? Claro que não! No site da para ver as interessantes "A Europa vista..." pelos russos, búlgaros e poloneses. Aliás, ainda tem duas que acho que vale super a pena mostrar. Quais?
A Europa vista pelos gays
(Destaque para: Barcelona = Dancelona, Paris = Mall, Londres = XXL, Berlin = Pobre mas sexy)
E... a América do Sul vista pelos americanos(!)
P.S.- Se alguém der uma gargalhada nível 5 ao ver isso, diz aí, porque é ou não é hilário?! (Ou realmente eu sou tão nerd assim?) :D
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Où est Fernando?
Indo ao Pão-de-Açúcar, passeando pelas ruas do Centro (e explicando porque diabos os engraxates-mala do Centro insistem em engraxar o tênis dele), indo de ferry-boat para as terras de Araribóia (“Icaraí is a cleaner Copacabana, without whores and tacky clothes shops”), indo à praia e explicando o sofisticado sistema de castas e tribos reinante nelas (Leblon: Brazilian Celebrities + Anorexic Girls; Ipanema: Trendy-Cool People + Trendy-Cool Wannabe People + Steroids, Steroids, Steroids, Aussiebum & “Du iou uant to gou to The Week ánd peí evirifingui for mi?"; Copacabana: Families + Italian/Portuguese Mid 40/50’s Fat men + Whores seeking/scorting Italian/Portuguese Mid 40/50’s Fat men; Leme: Nobody), traduzindo para o inglês/francês todo o menu exótico da cozinha popular brasileira (Tapioca: Something like Crêpe, without the Crêpe, Mandioca: Something you don’t know, Farinha de Mandioca: Something you don’t know’s Powder, Jabuticaba: Strange Berry, Açaí: Strange Berry, Guaraná: Strange Berry that looks like an eye, Geléia de Mocotó: Eat it and I tell you later what it is, Mamão: Natural Activia), comendo em botecos de esquina (porque os olhinhos dele brilham com a simples sofisticação de poder almoçar ao ar livre durante o “inverno”), traduzindo as notícias atuais dos jornais nas bancas (“What means ‘Tiroteio at Intercontinental’? ‘Tiroteio’ is only just another word for Party in Portuguese… Look: there is a French Vogue here!”), levando ele para passear de trem pelos subúrbios do Rio (“Fernando, que signifie ‘Dez paçocas por um real’?” + “Is this REALLY still Rio?!”), explicando as capas do “Meia-Hora”, me entupindo por tabela de todas as coisas tipicamente cariocas (Biscoito Globo, Bananada, Mate de Galão na Praia, Queijadinha, Cajuzinho...), indo até Jurujuba (?) para satisfazer o desejo dele de comer peixe frito na brasa (enquanto eu como... frango frito, já que sou alérgicos a frutos-do-mar)...
Em outras palavras? Sendo feliz pra caralho.
(Postagens voltando ao normal semana que vem, ok? :D)
Em outras palavras? Sendo feliz pra caralho.
(Postagens voltando ao normal semana que vem, ok? :D)
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
Grandes detalhes que fazem toda a diferença
Como assim eu não conhecia os comerciais abaixo? E como assim eu não conhecia o The Huffington Post?
(Merci Lucas!)
terça-feira, 22 de junho de 2010
Je suis très désolée...
NON! :D Ah, como é bom ver a França se fudendo... Depois de 6 meses escutando do meu amigo francês encher o saco com "Et un! Et deux! Et trois - ze-ró!" e automaticamente relembrando de 1998 (Urgh!: pré adolescência no subúrbio, eu sendo chamado de viadinho todo dia no colégio - RÁ que na minha época bullying era considerado "problema" - e minha irmã e eu economizando tudo o que a gente tinha para comprar revistas e álbuns especiais para a nossa coleção das Spice Girls), dá uma alegria no coração tão grande ver a decadence sans elegance dos Bleus.
E como eu conheço razoavelmente bem a França (afinal, o esporte nacional daquele país não é o football, não é a petanque, mas simplesmente reclamar e ser pessimista sobre tudo) as trocentas matérias no Le Monde sobre a decadência francesa, sobre como a França não sabe administrar seus problemas, sobre como a França necessita de mudanças estruturais sérias começando em un, deux, trois...
:D
segunda-feira, 29 de março de 2010
Weltschmerz
Durante a minha varredura semanal de colunas e textos um pouco mais sérios (afinal, se os meus caríssimos professores de Economia me vissem lendo Sartorialist, Katylene ou Te dou um dado provavelmente me tacariam o "O Capital" na cabeca assim que entrasse pela porta da faculdade), ao entrar na página dos textos do Clóvis Rossi no site da Folha, me deparei com o excelente texto do dia 23/03 sobre a história dos judeus de Paris sob a ocupacao nazista. Lembrei na hora dessa foto que fiz em Paris, semana retrasada. Era um belíssimo dia de sol, eu estava em Paris, feliz e contente, caminhando para ir almocar em algum restaurante, quando me deparei com essa placa em frente a uma escola. Foi como um soco no estômago: uma coisa é ver filme de Hollywood sobre o tema, outra completamente diferente é ver um prédio e saber que ali estudaram criancas que foram deportadas e enviadas para a morte em campos de concentracao do outro lado da Europa.
Sensacao parecida eu sentia na Alemanha, quando passava por uma Stolpersteine. Lembro do meu primeiro dia de turismo em Hamburgo, todo feliz por finalmente estar na Europa depois de anos planejando, lindo dia de sol (frio do caralho), guia turístico numa mao, câmera fotográfica na outra. Perto da minha casa, vi uma dessas, e todo "Oh, que supresa! O que será isso?" parei para ler (imaginando ser qualquer intervencao artística de um alemao maluco). Eram as pedras indicando que toda uma família judia morava naquele edifício; a menor integrante sendo uma menininha de 4 anos. Todos presos, deportados e assassinados em Auschwitz, isso meses antes do final da Guerra.
A pergunta que fica na cabeca? Exatamente com a qual o Clóvis termina a sua coluna: Já nao houve horror demais, guetos demais, extermínio demais?
Sensacao parecida eu sentia na Alemanha, quando passava por uma Stolpersteine. Lembro do meu primeiro dia de turismo em Hamburgo, todo feliz por finalmente estar na Europa depois de anos planejando, lindo dia de sol (frio do caralho), guia turístico numa mao, câmera fotográfica na outra. Perto da minha casa, vi uma dessas, e todo "Oh, que supresa! O que será isso?" parei para ler (imaginando ser qualquer intervencao artística de um alemao maluco). Eram as pedras indicando que toda uma família judia morava naquele edifício; a menor integrante sendo uma menininha de 4 anos. Todos presos, deportados e assassinados em Auschwitz, isso meses antes do final da Guerra.
A pergunta que fica na cabeca? Exatamente com a qual o Clóvis termina a sua coluna: Já nao houve horror demais, guetos demais, extermínio demais?
terça-feira, 23 de março de 2010
Souvenirs videographiques de Paris
" In Paris, everybody wants to be an actor; nobody is content to be an spectator. "
Jean Cocteau, autor e cineasta francês
Como os parisienses conseguem viver numa cidade onde tudo parece diretamente saído de uma tela de cinema, todo o tempo, todos os lugares?! - foi o que eu me perguntei freqüentemente durante essa minha última viagem a Paris. Segunda viagem, a mesma reação, o mesmo deslumbramento ao ver a beleza arquitetônica na sua forma suprema, a mesma fascinação com a cidade onde tudo parece meticulosamente planejado para encantar, fascinar e principalmente... inspirar. Insuportável para todos aqueles que desejam serem meros espectadores ou somente esquecer. E o melhor palco do mundo para todos aqueles que querem protoganizar, sempre à dois, e criar momentos. Para jamais esquecer.
Je sais, je sais: tá PHODA. Paris realmente me pegou de jeito dessa vez, estou mais romântico do mocinha de novela de época rural das seis e tá difícil MERMO de sair dessa vibe "Ai-fui-tao-feliz-em-Paris!". Em minha defesa: homem bonito & inteligente & romântico (e sendo francês, precisa mesmo mencionar bem vestido?) + programinhas nada românticos (passeio de bateau mouche num dia de sol pelo Sena, vinho a dois no bar do Hotel Costes, jantar à dois num indiano maravilleuse no 10éme) + frases mega melosas, ultra clichês (para os outros, porque para quem escuta sempre é incrivelmente bom, néam? :D) suspiradas com leve sotaque francês + PARIS. Muito fator clichê junto, impossível resistir, gente! Se continuasse me sentindo 'indiferente' a tudo isso, era sair correndo porque Hitler ou Stalin teriam reencarnado em uma pessoa só: eu!
A viagem foi ótima (merci, merci!), e definitivamente qualquer cidade se torna muito mais fácil e interessante com um local do lado. Adeus restaurantes "pêga-gringô-donnez-moi-seus-eurôs", salut restaurantes incríveis que jamais descobriria sem a ajuda de um parisiense: fui a lugares incríveis, conheci partes de Paris que tinha passado batido na minha última viagem e bien sûr estou preparando um post com todas essas informacoezinhas que podem ser úteis nas suas próximas viagens a Paris. E sim, para a felicidade dos meus leitores, teve perrengue que será contado nesse post também. :) Agora? Um micro-pequeno apanhado de memórias soltas de Paris, coisas legais que vi por lá. Nada muito formal, bem randômico mesmo.
Rick&Steve - The happienst gay couple in all the world!
Rick Brocka e Steve Ball sao o casal gay mais feliz do mundo, ou pelo menos de West Lahunga Beach. Tirando a idéia super original (como nunca pensei em fazer isso com os meus playmobils antes?), por que mesmo vale a pena ver o fofo seriado canadense? Por que os dilemas e historinhas estao longe de Desperate Housewives (que inclusive tem o equivalente "Skanky Housewives" no próprio seriado) e muito para o nosso dia-a-dia (sexo, sexo, sexo, amigas lésbicas, sexo) - tudo contado da forma mais politicamente incorreta possível, claro. A idéia é realmente zoar tudo aquilo que no fundo a gente sabe que é verdade... mas que nem sob tortura confessamos quando tem algum hetero por perto. :) Destaques? Dana, a hilária lésbica-caminhoneira-machona (presta atencao na música que toca no carro dela toda vez que ela dirige!) e o gatinho de estimacao de Rick e Steve, Pussy (adoro quando ele se comunica com os outros gatos!). E afinal, onde assistir? Fernando tá num dia de bom humor, portanto os vídeos das duas temporadas da série vai aqui!
Beautiful People & Crises "(Re)Pensamento do dia"*
uma referência, claro, aos posts-crise "Estou ficando velho!!!" do Chatonoar ;)
Quando já chegou naquela fase que os filmes e séries fazem flashback-para-a-infância para a época em que você também era criança, fudeu: hora de juntar o dinheirinho para o Renew e Botox porque tu tá ficando velho! :) E com uma pequena nostalgia dessa época onde tudo o que eu queria era crescer logo (e supresa ao perceber que já se passaram mais de dez anos do final da década de 90!) foi que eu encontrei Beautiful People, uma série da BBC. Inspirado nas memórias do diretor criativo da Barneys, Simon Doonan, a história é basicamente uma constante volta-ao-passado do agora elegante, nova-iorquino e cosmopolita Simon à sua adolescência na mordorrenta, chata e nada glamurosa Reading de 1997. Pra mim, é uma verdadeira terapia de regressao: o garoto era o viadinho-saco-de-pancada do colégio (lembram do meu trauma do Mirabel?), morador de um subúrbio qualquer na já suburbana Reading (quer saber, eu confesso: sou suburbano, nao nasci na Zona Sul, já peguei muito trem e o que eu mais sentia falta em Hamburgo era de um bom pastel com caldo-de-cana!) mas com uma cabecinha cheia de sonhos que pareciam completamente inalcançáveis naquela época (chuta desde quando eu planejava a minha viagem para a Europa?). Os personagens sao fofíssimos: o melhor amigo Kyle (que se apelida Kylie - em homenagem a Minogue - e é completamente fanático pela Princesa Diana. Aquele tipo de viado que desde do bercário já chupava a chupeta de uma forma meio entendida e tá nem ai para o que os outros pensam, sabe? rs) e os pais do Simon, Debbie e Andy (os pais-tolerantes-de-gays mais críveis que eu já vi até hoje na dramaturgia, que mesmo nao entendendo porque aquele garoto que insistia-em-ser-meio-diferente buscavam dar o maior apoio que um gay adolescente poderia querer no mundo) sao os meus preferidos. As trilhas sonoras sao incríveis: muito Five (!), Westlife (!!), Spice Girls (!!!!! - um dos episódios se chama "How I got my Posh" - quem nao lembra das bonecas das Spice Girls, auge do Girl Power?! Eu sempre AMEI a Posh Spice e juro que uma das primeiras coisas que pensei quando vi o Albert Hall foi no show do final de Spiceworld) e o melhor do Pop chiclete-grudento típico da época. Acho legal pela sessao "de-volta-no-túnel-do-tempo" (perceber que já deu para realizar tanta coisa que eu jamais achei que ia realizar!), pela historinha de um viado com carteirinha de senior membership no nosso clube (sempre desconfiei que a minha vocação pra fazer bandage dress usando meia nas Barbies da minha irma nao era só "parte de uma fase que ia passar"...) e para relembrar de uma época que definou o pessoal de vinte-e-poucos (nem tantos, néam?) de hoje! :) (Onde ver os episódios? Google > "Beautiful People BBC videos" > Buscar e se viraê, playboy!).
Yesterday dans Paris
Caminhando sozinho por alguma rua do 6éme, céu lentamente escurecendo com o final de tarde, vento frio de início de primavera batendo no meu rosto, vestido no meu 'uniforme' (vocês sabem: skinny, trench, cachecol - eu nao me canso, eu sei, eu sei...), parisienses ao meu redor apressados seguindo para casa. E em frente a uma brasserie, uma elegante senhora sentada perto da janela, com uma taca de vinho tinto a sua frente. Eu escuto "Yesterday" do Charles Aznavour tocando no bar. E o meu olhar cruza com o dela; eu sorrio, ela sorri de volta. E eu continuo seguindo em frente, em direção ao metrô. Pensando na grande responsabilidade que é ser jovem. Um dia serei eu, sentado numa janela de brasserie daquelas, olhando jovens passarem apressados em direção ao metrô; o ciclo natural da vida seguindo seu curso (ainda bem que inevitável!). E para mim, sabe o que realmente vai contar nessa hora? Muitas, muitas memórias para relembrar. E poder dar um sorriso ao relembrar de todas as coisas irracionais, insanas, loucas que fiz quando jovem e que exatamente me proporcionaram todos esses momentos dos quais estarei me lembrando. E antes do gole final na taca à minha frente, poder pensar na vida como o ato de beber um bom vinho: uma experiência complexa, muitas vezes difícil de ser apreciada da forma que tem que ser, mas quase sempre... fantástica.
domingo, 21 de março de 2010
Au revoir, Paris
Tentando me convencer que voltar para o Rio é super uma boa. Minha faculdade reinicia agorinha mesmo na segunda (diliça: reta final do curso, matérias que eu adoro para cursar, aquele povo simpatico e gente boa do meu instituto para reencontrar). O calorzinho gostoso da cidade (somente uns 40°C? 45°C?). Organizacao por todos os lados (sera que o pessoal do MetroRio ja conseguiu aprender a lidar com o dificilimo desafio de trabalhar com duas linhas de metro integradas?!).
Brincadeira. Sempre é bom voltar ao Rio. So quem mora naquela cidade sabe como é incrivel rever as praias do aviao, as montanhas tomando a forma que conhecemos, ter o "Samba do Aviao" como trilha sonoro para esse momento exato.
E quando eu estava quase me convencendo de que voltar para casa seria algo bom, olho pela janela e vejo o sol aparecendo entre as nuvens. A primevera européia começou. Eu sei, os europeus sabem, nao precisa ninguém dizer: a luz do sol diz tudo. E logo o continente vai se transformar mais uma vez.
E eu penso por que eu estou indo embora de Paris... E começa tudo de novo...
Merde. Mais um momento-local para sentir eternamente saudades.
Brincadeira. Sempre é bom voltar ao Rio. So quem mora naquela cidade sabe como é incrivel rever as praias do aviao, as montanhas tomando a forma que conhecemos, ter o "Samba do Aviao" como trilha sonoro para esse momento exato.
E quando eu estava quase me convencendo de que voltar para casa seria algo bom, olho pela janela e vejo o sol aparecendo entre as nuvens. A primevera européia começou. Eu sei, os europeus sabem, nao precisa ninguém dizer: a luz do sol diz tudo. E logo o continente vai se transformar mais uma vez.
E eu penso por que eu estou indo embora de Paris... E começa tudo de novo...
Merde. Mais um momento-local para sentir eternamente saudades.
sábado, 13 de março de 2010
Chez Mac Do' dans CDG
Na boa... alguém lá em cima gosta de me sacanear bonito. Tava tudo redondo demais para essa viagem. Tinha que acontecer uma merda. Por que? Cara... o pacote Murphy-te-sacaneia foi tao completo dessa vez que ele merece um post completo contando toda a saga que eu percorri para chegar até aqui. Agora só direi que paguei a minha língua total, e que a partir de hoje eu simplesmente AMO a TAM, e prometo nunca mais zoar as práticas corporativas de bom gosto duvidoso dessa adorável companhia pelo menos até esquecer tudo o que o staff incrível dessa empresa fez por mim e ser vencido pela minha necessidade permanente de reclamar e falar mal das coisas.
Agora só conto que a porra da minha mala atrasou e tá vindo num vôo mais tarde de Londres (#1 FUCK British Airways #2 gente, MEDA quando anunciaram o meu nome + meus trinta e sete sobrenomes - eu tenho um nome meio grandinho - nos altofalantes. Poxa, eu to com barba por fazer + cabelo completamente desgrenhado da viagem + cara junkie total. Se eu tivesse vindo de um vôo do Oriente Médio, tava FUDIDO!). Tô praticamente um zumbi de sono (vôo do continente americano para a Europa é sempre uma maravilha: quatro horas do seu dia simplesmente SOMEM, você chega no seu destino sempre parecendo um zumbi e fica por semanas sentindo essa merda de jetlag), e cambaleando fui procurar algo de interessante para fazer e matar essa merda de 1.30h de espera. Praticamente um panda de olheiras rastejando pelo saguao quando eu enxergo... os dois arcos amarelos (!!!). E ai, a maldicao 'Ronald McDonald do Fernando-na-Europa' mais uma vez se realiza: hamburger por 1€ + wifi grátis + cadeirinha confortável e com vista legal = Fernando McFeliz. Foda, eu sei. Mais de 10.000km viajados, no lugar mais cool e chic do mundo... e eu sou praticamente um americano obeso do interior do Kentucky (aliás, tem um casal de americanos na minha frente bem assim. Por que americano consegue sempre ser especialmente MUITO gordo, hein?). Mas tudo bem: eu estou com o meu trenchcoat, estou com o meu pullover lilás, estou com a minha skinny E... com o meu cachecol, portanto... algum glamour ainda me resta. ;)
Brincadeiras a parte, muito estranho estar de volta à Europa. Eu sei que vai soar mega 'brasileiro-viado-chato-dando-uma-de-europeu" (e juro que nao é isso), mas a sensacao é de "Welcome back home", sabe? O céu cinzento, as pessoas vestidas para o inverno que ainda nao acabou, tudo organizado, tudo funcionando, eu me virando nos idiomas para poder me comunicar. Muito diferente da sensacao que bateu quando eu cheguei na Europa pela primeira vez (a primeira viagem internacional sempre é inesquecível, né? Lembro do cheiro das coisas, e do panico que senti quando desembarquei em Frankfurt). Dessa vez parece tudo muito... normal. Como se eu estivesse me reconectando com o Fernando que eu deixei em Zurique. Louco, muito louco.
Ih, merda! A minha mala já chegou! Até +!
Agora só conto que a porra da minha mala atrasou e tá vindo num vôo mais tarde de Londres (#1 FUCK British Airways #2 gente, MEDA quando anunciaram o meu nome + meus trinta e sete sobrenomes - eu tenho um nome meio grandinho - nos altofalantes. Poxa, eu to com barba por fazer + cabelo completamente desgrenhado da viagem + cara junkie total. Se eu tivesse vindo de um vôo do Oriente Médio, tava FUDIDO!). Tô praticamente um zumbi de sono (vôo do continente americano para a Europa é sempre uma maravilha: quatro horas do seu dia simplesmente SOMEM, você chega no seu destino sempre parecendo um zumbi e fica por semanas sentindo essa merda de jetlag), e cambaleando fui procurar algo de interessante para fazer e matar essa merda de 1.30h de espera. Praticamente um panda de olheiras rastejando pelo saguao quando eu enxergo... os dois arcos amarelos (!!!). E ai, a maldicao 'Ronald McDonald do Fernando-na-Europa' mais uma vez se realiza: hamburger por 1€ + wifi grátis + cadeirinha confortável e com vista legal = Fernando McFeliz. Foda, eu sei. Mais de 10.000km viajados, no lugar mais cool e chic do mundo... e eu sou praticamente um americano obeso do interior do Kentucky (aliás, tem um casal de americanos na minha frente bem assim. Por que americano consegue sempre ser especialmente MUITO gordo, hein?). Mas tudo bem: eu estou com o meu trenchcoat, estou com o meu pullover lilás, estou com a minha skinny E... com o meu cachecol, portanto... algum glamour ainda me resta. ;)
Brincadeiras a parte, muito estranho estar de volta à Europa. Eu sei que vai soar mega 'brasileiro-viado-chato-dando-uma-de-europeu" (e juro que nao é isso), mas a sensacao é de "Welcome back home", sabe? O céu cinzento, as pessoas vestidas para o inverno que ainda nao acabou, tudo organizado, tudo funcionando, eu me virando nos idiomas para poder me comunicar. Muito diferente da sensacao que bateu quando eu cheguei na Europa pela primeira vez (a primeira viagem internacional sempre é inesquecível, né? Lembro do cheiro das coisas, e do panico que senti quando desembarquei em Frankfurt). Dessa vez parece tudo muito... normal. Como se eu estivesse me reconectando com o Fernando que eu deixei em Zurique. Louco, muito louco.
Ih, merda! A minha mala já chegou! Até +!
sexta-feira, 12 de março de 2010
Fernando dit
You know your french well
Didn't take any decision so far
Hit me like a freight train
Please consider my request
You do expect a Messih
You want to be European
I would be your Bonaparte
Don't ever care 'bout what Napoleon says
Hit me like a freight train
Please consider my request
You do expect a Messih
You want to be European
I would be your Bonaparte
Don't ever care 'bout what Napoleon says
(Napoleon says - It's never been like that - Phoenix)
---
Et vive la France! Vive Paris, le tour Eiffel, o mau-humor dos parisienses e a beleza incomparável da Île de la Cité durante as noites de inverno (quando quase todos os turistas já se foram e você tem todas as ruas somente para o seu próprio deleite solitário). Ah, Paris...
Depois de quase dois meses de volta ao Brasil, não é que tá na hora de botar o pé no Airbus/Boeing de novo? Ok, a companhia aérea agora é TAM (reflexão: #1 upgrade em relação a Ryanair/EasyJet ou tá tudo no mesmo nível, afinal agora são 13h de viagem + aplauso quando o avião pousar no CDG? #2 Damn it que não é junho! Será que eles viajam também nas rotas internacionais usando aquele traje de festa junina
Então é isso: pelos próximos dias é adeus Rio 50°C (e pele suada 24h/dia. E cabelo indomável porque a umidade dessa cidade é foda.), adeus gente me gongando porque eu ainda insisto em andar com os meus cachecóis (*snif: que são de algodão, coitados... Difícil entender entender que aquela porra não esquenta, caramba?) e adeus essa vista maravilhosa da praia de Botafogo para o Pão-de-Açúcar que me faz automaticamente esquecer de todos os problemas que o Rio tem e querer ficar aqui para todo o sempre... E salut para La vie en Rose, macarons, franceses falando inglês com aquele sotaque ao mesmo tempo horrendo e fofíssimo que só eles tem... e tudo aquilo que faz Paris ser a cidade única que é!
À bientôt, Paris! (E claro tudo com cobertura para o Perdu und Trouvé en Traduction! ;P).
P.S.- Enquanto escrevia o post, zapeei pelos canais e chuta onde deixei sem perceber? Discovery Turbo - Concorde: Radiografia de um desastre. Relaxante, hein?
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Curtas de Paris: Sal da Bretanha?
- Nota para a posteridade: sal da Bretanha nao vale para afastar mau olhado. Fim de semana trevas em Paris. Porquoi? Senta ai:
1) Meu computador deu um tilt sinistro, e eu perdi as fotos dos 2 primeiros dias de Paris e Frankfurt. Solucao? Formatar o PC e colocar na cabeca o mantra "Nao vou me jogar da Torre Eiffel por perder todas as fotos incríveis que eu fiz". Até agora eu nao acredito, nem quero pensar nas fotos incríveis que eu perdi. Puto, trés puto.
2) Desde Fevereiro na Alemanha e fiquei doente lá somente uma vez. E chuta quando o meu sistema resolveu dar um meltdown de novo? Sábado de noite! Praticamente uma grávida: enjoo, muito enjoo. Enfim, se ainda fosse mulher, ainda rolava o golpe do passaporte da UE... Mas como sou homem, o que rolou mesmo foi um sábado perdido em casa. Um saco.
3) Frio. Muito muito muito frio. Ok, eu sei que é difícil para a maioria dos brasileiros entender como é complicado isso. Até ano passado eu era mais um brasileiro torrando no calor dos trópicos com vizinhos lavando o carro e escutando funk nas alturas ("... Eu tenho a forca, cavaleiro de Jedi..."), imaginando um continente com temperaturas civilizadas, pessoas lendo livros em frente a uma lareira quentinha, e ao fundo, uma janela mostrando toda uma paisagem branca. A Europa é isso até um determinado ponto. Até que as temperaturas comecem a cair abaixo dos 5°C. Abaixo dos 5°C, o combo "casacao+pullover+cachecol" comeca a nao ser mais suficiente. Andar na rua se torna um exercicio de correr para o lugar mais próximo com aquecimento. As maos doem, as orelhas doem, e o ato de falar se torna meio engracado (tem horas que eu me sinto como a Vani falando naquele episódio do Psicopato). Enfim, esse é o frio que faz agora em Paris. Aliás, para quem me perguntou se nevava na Europa em Dezembro: paguei minha língua. Nevou em quase todas as cidades de madrugada, e a minha Hamburgo tem neve acumulada no solo (algo raro para Dezembro). Pode ser que tenhamos inverno branco. Na verdade, eles, porque eu estarei no Natal na Itália.
- Como é ser gay em Paris? Verdade verdadeira? Rio de Janeiro meets Hermés feelings. Elegantes, cool e chiquérrimos? Oui. Esnobes, necessidade permanente de afirmacao social e comportamentos de grupo inexplicavelmente estranhos? La meme chose. So boring... Nao estou falando isso de recalque nao: sai, conheci pessoas, fui com pessoas para outros lugares, tudo certo, tudo ótimo. Mas algo de Rio de Janeiro, algo de caras até que bonitos se achando muito mais do que realmente sao, e um certo "I am so VIP" feeling que eu ainda nao tinha encontrado na Europa do Norte. Chato, chato, muito chato...
- Aliado a isso, ainda tem o famoso tropical dream dos franceses com relacao ao Brasil. Um saco: algo meio "Mito do Bom Selvagem" meets Kristen Bjorn "Carnival in Rio". Quem me conhece pessoalmente sabe que mais longe do perfil "carioca-brother-marrento-rato-de-praia-curtidor-de-um-suco-de-clorofila-natural-no-Bibi-Sucos" impossível, e bem mais próximo de qualquer personagem de qualquer filme do Woody Allen. Aqui, é falar que é brasileiro, e escutar horas daquela mesma conversa "Ah, mas os caras sao tao simpáticos", "Ah, mas os brasileiros sabem aproveitar a vida", "Ah, mas no Brasil o que conta é a pessoa, e nao o que ela tem". Chato, chato, muito chato... e superficial demais. Sempre escuto isso com um cara de "Ah mesmo, que LEGAL" já pensando para que outro assunto vou desviar a conversa. Gostar do Brasil é sempre bem-vindo, mas querer me enfiar no sonho tropical "Porto Seguro" de europeu deprimido com inverno, ah nao...
- Alias: porque brasileiro na Europa tem um comportamento tao esnobe, principalmente as bees? Pode ser um caso pessoal mesmo, mas raras foram as vezes que europeus me apresentaram a outros brasileiros e eu consegui estabelecer uma conversa razoavelmente simpática e interessante. Na maioria das vezes sempre era o mesmo papinho "Ah, de onde voce é do Rio? Da Zona Sul ou da Zona Norte?", a mesma conversa "Porque eu comprei isso na Diesel / Porque vou passar o final de semana em London" que no Brasil soaria ultra chic, mas que aqui na Europa somente soa... pretensiosa e desnecessária. Foi assim com um brasileiro que me foi apresentado num clube aqui de Paris: de Uberlandia, morando em Londres, e que em 5 frases citou 4 grifes de moda - falando em ingles claramente fake british. Fui simpático e ainda falei que achava o sotaque de Uberlandia legal (apesar da acidez e crítica intensa, eu tenho um lado diplomático: para agradar, algumas pequenas mentiras sempre se fazem necessárias!). O garoto de um sorrisinho meio "Tá, eu sei" e simplesmente virou as costas! Depois de alguns meses na Alemanha, fiquei sinceramente supreso com esse comportamento, mas enfim. Deixapralá.
- Pequena felicidade do dia: Panetone! Nao tinha visto ainda Panetone aqui na Europa. Encontrei esse italiano no Monoprix, uma versao parisiense do (superfaturado) Zona Sul. Bem, querem a verdade? Qualquer padaria de subúrbio de Rio faria igual - num tamanho 3 vezes maior, preco 4 vezes menor e bem mais frutinhas cristalizadas (amo cereja fake). E ainda envolto com aquele plástico transparente fofo escrito "Boas Festas e Feliz Ano Novo". Saudades do clima de Natal brasileiro, saudades de famílias e muitos amigos, de ganhar (qualquer) presente nessa época. Estranho passar o Natal sozinho, principalmente quando se vem de uma família tao gigante quanto a minha.
- E o mes final da minha estadia européia comecou. E essa necessidade de "ter que aproveitar porque sao os meus últimos momentos" ainda me deixa mais estressado. Saco.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Curtas de Paris: O dia mais perfeito da minha vida
- O dia mais perfeito da minha vida. Simplesmente e sem dúvida. 10 horas caminhando pelos corredores do Louvre; 10 horas sem sentar, comer, beber ou falar (fato inédito - amigos meus: algum de voces já viu isso?). Eu e o guia multimídia do Louvre (que eu recomendo, mas recomendo muito a partir de hoje). E o dia mais incrível, belo, recheado de história da minha vida, que me prendeu do início ao fim como raríssimas vezes aconteceu comigo em um museu. Ao final, um guarda teve que me alertar que já passavam das 21:30h (quarta e sextas o museu fica aberto até mais tarde) e eu precisava voltar para a Piramide para entregar o guia multimídia. A minha reacao? "Já?!". Eu estava destruído, e acho que mais uma hora caminhando naquele museu (e carregando sobretudo de inverno e bolsa cheia de guias, que o esperto aqui esqueceu que poderiam ser deixados no porta-volumes do museu) eu ganhava fácil o NCND (Next Corcunda of Notre Dame). Mesmo assim, nao batia vontade de parar. Nao mesmo.
- Eu sei que ainda há tanto para se ver em Paris... mas eu estou pensando seriamente em voltar ao Louvre e fazer os dois tours do guia multimídia (Artes Italianas e Artes Gregas e Romanas) que eu nao consegui fazer hoje. Eu tenho entrada grátis lá, eu tive um dia absolutamente incrível hoje, e aquele lugar é tao... espetacular que vale a pena. Preciso sair de Paris pensando que eu aproveitei esse lugar ao máximo. Preciso disso, agora, na minha vida (afinal, nunca se sabe se na minha próxima viagem a Paris virei com alguma mala de companhia que vai preferir ir a Eurodisney do que se maravilhar no Louvre).
- Pensamento do dia 1: O Louvre é a minha retail therapy, chocolate, you name it: substituto perfeito para sexo. Tudo ótimo, tudo perfeito, astral lá em cima, me sentindo leve como se tivesse saído de uma sessão mega power de terapia. Para que ficar grilado com coisas mundanas quando se tem tanta arte, néam?!
- Pensamento do dia 2: Aliás, homem pra que, quando se tem o Louvre e tanta arte por perto, hein?! Ok, claro, eu confesso: tinham alguns monitores franceses trés gatinhos, e a primeira coisa que eu pensei quando vi o Adriano foi: "Pegava fácil!". Mas foi um dia inteiro quase olhando para as paredes e para o meu guia, com cara de compenetrado, vagando por aquele museu incrível. Eu nao canso de me repetir: o dia perfeito. Perfeito. Perfeito.
- Só para terminar (por enquanto): o dia perfeito. Eu. Amo. O. Louvre.
- Vela da Notre Dame (ou da Römer Kirche, em Frankfurt - ih, agora fudeu. Que igreja eu rezo para agredecer?!) tem PODER, meus caros (Sessao Terapia do Amor da Universal is so last season...). Programacao de amanha? Date + Passeio Turístico com um carinha que eu acabei de conhecer (por ai, sabe... Mentira: site de internet. Ainda to devendo o "International Guide for Pegaytion" daqui do Velho Continente. Vem logo, prometo!), super interessante, super parisiense, super gente boa. E esperando sinceramente outras coisas sejam super também. :D
- (Ai, será que dá azar contar antes da graca ser alcancada?! Olho-gordo também é válido em território frances, ou aqui nao tem roaming para isso nao? Mon dieu: mas eu precisava dividir isso! Enfim, qualquer coisa tomo banho de sal grosso antes de sair de casa. Sal grosso da Bretanha, táh, benhe! :D).
- Continuo amando essa cidade, enlouquecidamente. Pontos negativos? Sinceramente: nenhum. Até nos defeitos (metro, transito, precos altos) Paris é perfeita. Incrível como um lugar pode ser tao fascinante, tao incrível, tao belo, e ao mesmo tempo, tao cosmopolita. Eu amo essa cidade.
- Mas, Louvre: eu te amo ainda mais. :D (Desculpa, nao aguentei....).
- Eu sei que ainda há tanto para se ver em Paris... mas eu estou pensando seriamente em voltar ao Louvre e fazer os dois tours do guia multimídia (Artes Italianas e Artes Gregas e Romanas) que eu nao consegui fazer hoje. Eu tenho entrada grátis lá, eu tive um dia absolutamente incrível hoje, e aquele lugar é tao... espetacular que vale a pena. Preciso sair de Paris pensando que eu aproveitei esse lugar ao máximo. Preciso disso, agora, na minha vida (afinal, nunca se sabe se na minha próxima viagem a Paris virei com alguma mala de companhia que vai preferir ir a Eurodisney do que se maravilhar no Louvre).
- Pensamento do dia 1: O Louvre é a minha retail therapy, chocolate, you name it: substituto perfeito para sexo. Tudo ótimo, tudo perfeito, astral lá em cima, me sentindo leve como se tivesse saído de uma sessão mega power de terapia. Para que ficar grilado com coisas mundanas quando se tem tanta arte, néam?!
- Pensamento do dia 2: Aliás, homem pra que, quando se tem o Louvre e tanta arte por perto, hein?! Ok, claro, eu confesso: tinham alguns monitores franceses trés gatinhos, e a primeira coisa que eu pensei quando vi o Adriano foi: "Pegava fácil!". Mas foi um dia inteiro quase olhando para as paredes e para o meu guia, com cara de compenetrado, vagando por aquele museu incrível. Eu nao canso de me repetir: o dia perfeito. Perfeito. Perfeito.
- Só para terminar (por enquanto): o dia perfeito. Eu. Amo. O. Louvre.
- Vela da Notre Dame (ou da Römer Kirche, em Frankfurt - ih, agora fudeu. Que igreja eu rezo para agredecer?!) tem PODER, meus caros (Sessao Terapia do Amor da Universal is so last season...). Programacao de amanha? Date + Passeio Turístico com um carinha que eu acabei de conhecer (por ai, sabe... Mentira: site de internet. Ainda to devendo o "International Guide for Pegaytion" daqui do Velho Continente. Vem logo, prometo!), super interessante, super parisiense, super gente boa. E esperando sinceramente outras coisas sejam super também. :D
- (Ai, será que dá azar contar antes da graca ser alcancada?! Olho-gordo também é válido em território frances, ou aqui nao tem roaming para isso nao? Mon dieu: mas eu precisava dividir isso! Enfim, qualquer coisa tomo banho de sal grosso antes de sair de casa. Sal grosso da Bretanha, táh, benhe! :D).
- Continuo amando essa cidade, enlouquecidamente. Pontos negativos? Sinceramente: nenhum. Até nos defeitos (metro, transito, precos altos) Paris é perfeita. Incrível como um lugar pode ser tao fascinante, tao incrível, tao belo, e ao mesmo tempo, tao cosmopolita. Eu amo essa cidade.
- Mas, Louvre: eu te amo ainda mais. :D (Desculpa, nao aguentei....).
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Momento Rá! @ Paris + Curtas de Paris
- Momento Rá!: Como os museus da Franca estao em greve (ou saindo de uma - enfim, Franca é um país latino acima de tudo, e as informacoes nao sao lá muito claras nao...), e amanha é o meu Louvre Day, resolvi entrar no site para procurar informacoes, horários de abertura e etc. O que eu descubro? Ou na verdade, soluciono o mistério da L'Orangerie (onde eu mostrei a minha carteira de estudante alema e entrei sem pagar nada - e gastei todo o dinheiro que seria do ticket em crepes de nutella, o meu novo Pastel de Belém). Eu sou estudante de intercambio na Alemanha, ou seja, eu tenho um visto de um país da Uniao Européia, ou seja... eu sou residente, até o momento, da Uniao Européia. E aqui: residente da Uniao Européia + entre 18-25 anos = entrada grátis em todos os museus. :D Rá!
- Frio em Paris. Muito frio. Resultado desse frio acumulado de Frankfurt e Paris? Resfriei. Sim, uma merda, eu sei. Hoje eu fui a Notre Dame acender uma vela para ver se fico 100% de novo (e também para desencalhar com alguém dessa cidade e nao precisar sair dela nunca mais), e rezei um pouco no oratório da Sao Fernando só por precaucao. Sincretismo é in na Europa: asssiti missa da Igreja Anglicana na Saint Paul Cathedral em Londres, culto na Igreja Alema em Estocolmo e agora um pouquinho de uma missa católica na Notre Dame. Se me animar, quem sabe nao pego um culto na mesquita de Paris, hein? (Afinal, com essa carinha que eu tenho, até Hadji em Mecca eu entro sem maiores complicacoes).
- Deveria acender uma vela também para na próxima encarnacao nascer parisiense, ultra skinny, com aquele cabelinho naturalmente desarrumado e esse jeito "Hmpf!". Que povo com jeito mais cool de ser...
- Franceses foram todos absolutamente simpáticos comigo. Do tipo, bom atendimento mesmo. Mistério. Cade a fama de mal educados deles? Deve ser também resposta ao meu extremo "Bonjour monsieur pourriez-vous s'il vous plait...", sempre tentando falar em frances. E claro, o meu sorriso carioca, néam? :D
- Aliás, Rio é o eterno hype daqui. Incrível como o pessoal paga pau para a nossa cidade. Nao aguento mais fazer carinha de "Ah, pára vai, eu sei que eu sou foda..." (tipo meio jogando e cabelo e quebrando de ladinho) quando eu falo que moro no Rio. Ah, o eterno sonho tropical de Villegaignon...
- Conselho de amigo: por-do-sol na Ile de la Cite com Charles Aznavour no Ipod tocando "Que c'est triste Venise" ("... Les musées, les églises / Ouvrent en vain leurs portes / Inutile beauté / Devant nos yeux déçus...") nao é lá uma idéia muito inteligente, principalmente quando nao se tem um lindo parisiense do seu lado, é quase inverno e a cidade está gritando de tao bela (e se está com um pouco de febre - e eu, quando fico com febre, fico irritantemente sensível e carente. Um saco.). Altas reflexoes de vida - até do tipo se voce deveria ter comprado o tiquete único ou o de 10 passes do metro. Une merde.
- Mas enfim. Ficar nostalgico de vez em quando é bom. Principalmente em Paris. :D
- Frio em Paris. Muito frio. Resultado desse frio acumulado de Frankfurt e Paris? Resfriei. Sim, uma merda, eu sei. Hoje eu fui a Notre Dame acender uma vela para ver se fico 100% de novo (e também para desencalhar com alguém dessa cidade e nao precisar sair dela nunca mais), e rezei um pouco no oratório da Sao Fernando só por precaucao. Sincretismo é in na Europa: asssiti missa da Igreja Anglicana na Saint Paul Cathedral em Londres, culto na Igreja Alema em Estocolmo e agora um pouquinho de uma missa católica na Notre Dame. Se me animar, quem sabe nao pego um culto na mesquita de Paris, hein? (Afinal, com essa carinha que eu tenho, até Hadji em Mecca eu entro sem maiores complicacoes).
- Deveria acender uma vela também para na próxima encarnacao nascer parisiense, ultra skinny, com aquele cabelinho naturalmente desarrumado e esse jeito "Hmpf!". Que povo com jeito mais cool de ser...
- Franceses foram todos absolutamente simpáticos comigo. Do tipo, bom atendimento mesmo. Mistério. Cade a fama de mal educados deles? Deve ser também resposta ao meu extremo "Bonjour monsieur pourriez-vous s'il vous plait...", sempre tentando falar em frances. E claro, o meu sorriso carioca, néam? :D
- Aliás, Rio é o eterno hype daqui. Incrível como o pessoal paga pau para a nossa cidade. Nao aguento mais fazer carinha de "Ah, pára vai, eu sei que eu sou foda..." (tipo meio jogando e cabelo e quebrando de ladinho) quando eu falo que moro no Rio. Ah, o eterno sonho tropical de Villegaignon...
- Conselho de amigo: por-do-sol na Ile de la Cite com Charles Aznavour no Ipod tocando "Que c'est triste Venise" ("... Les musées, les églises / Ouvrent en vain leurs portes / Inutile beauté / Devant nos yeux déçus...") nao é lá uma idéia muito inteligente, principalmente quando nao se tem um lindo parisiense do seu lado, é quase inverno e a cidade está gritando de tao bela (e se está com um pouco de febre - e eu, quando fico com febre, fico irritantemente sensível e carente. Um saco.). Altas reflexoes de vida - até do tipo se voce deveria ter comprado o tiquete único ou o de 10 passes do metro. Une merde.
- Mas enfim. Ficar nostalgico de vez em quando é bom. Principalmente em Paris. :D
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
European Tour – 05.Dez: Frankfurt-Paris
Acordamos quase 11 horas (mesmo nao tendo saido – inverno é booooom para dormir), e contando com almoco, tempo para arrumar as malas e partir para a Hauptbahnhof, nao sobrou tempo nenhum para passear pela cidade. Tempo para me despedir dos pais da Cecilia – que gracas a deus estavam no meu caminho e saciaram a minha fome de comida brasileira, mas mais importante: sentimento de casa brasileira (porque aquela tia falando “Come mais um pouco ai, vai!” já enfiando mais comida no teu prato nao tem na Europa nao, tah!); de Frankfurt e de cair na real que eu estava indo para Paris! :)
Sim, Paris. Agora escrevo o relato dos últimos dias a bordo do ICE e TGV (os trens da alta velocidade da Alemanha e Franca). E como nao tem nada melhor para fazer (ou seja, nenhum gatinho para paquerar – como velho viaja na Europa, hein! To me sentindo numa daquelas vans de velhinhos, praticamente um sache de Azzaro ambulante, indo para o shopping da Gávea), vai um relato real-time da minha viagem.
16:07h: A organizacao na Alemanha é uma faca de dois-gumes: ela existe para facilitar a sua vida, mas se voce nao segui-la, ha ha ha. Fiquei todo bobo tirando fotos do ICE, e a minha amiga falando “Fernando, tá na hora”. Eu pensando “Ah, to no vagao 15, um trem nao pode ser tao enorme assim.”. E era. Muito. Imagina um brasileiro berrando em portugues, tentando achar o vagao na hora certa. Eu. Achei o meu vagao no momento certo de me despedir das garotas e dizer um “Até Logo” para a Cecília.
16:08h: O ICE é mesmo alemao: todo em cinza. E tons de madeira. Acho que todos os alemaes foram criados somente com os gizes de cera (nossa, pluralzinho FDP esse, hein) cinza e preto. Eta criatividade de cores.
16:30h: Mwah. Último controle de tickets auf Deutsch. Percebi que nao vou para a Inglaterra nem Portugal (onde falo fluentemente o idioma do lugar) nem Suécia (onde eles falam fluentemente o ingles), e agora, é me virar no frances. Saudades temporárias de dizer “Danke, Tschüß” ao final de tudo, com um sorriso no rosto. Alemaes sao malinhas. Mas eu gosto deles.
16:45h: Minha teoria de que somente crianca nao-alema chora na Alemanha mais uma vez comprovada. Um frances deixando um pirralho (fofíssimo – daqui a uns 16 anos vai estar no ponto!) caminhar pelo trem e ficar berrando em frances, incomodando o trem todo. Alemaes já fizeram aquela cara de choque (passou de 40Db, alemaes fazem cara de choque), e já ouvi um comentar “Deveriam dar calmante para criancas em viagens”. Adoro esse senso joselito dos alemaes. :D
17h: Hora de trocar de trem e pegar o TGV em direcao a Paris. Ajudei o frances com o garoto pirralho a tirar a mala, e ainda indiquei a plataforma que ele deveria ir, em frances. Sabia que ainda podia falar alguma coisa além de produto cosmético e sobremesa nesse idioma! Estacao de Karlsruhe nao tem absolutamente NADA para fazer. Fui de um lado, um posto de gasolina. No outro, um ponto de onibus com alguns Straßenbahn (bondes). Acho que fiquei em Hamburgo tempo demais: já me vi fazendo a carinha de nojo deles quando eles descrevem o resto do país. Praticamente os cariocas da Alemanha. Mesmo assim, hmpf, Hamburgo é MUITO melhor! Pah e nem confianca.
17:10h: O TGV é a coisa mais gay que eu já vi na minha vida. A cadeira é roxa, o chao é roxo, as paredes sao roxas. E anúncios em frances também (claro, alemao é ainda o primeiro idioma, afinal estamos em território inimigo...)! Muito fofo! (Aguentem: quando eu viajo, me emociono até com plaquinha de transito diferente da de casa).
17:45h: Já é a segunda vez que me oferecem vin chaud. Non, merci: prefiro Glühwein.
17:55h: Vin chaud. Mais uma vez. E um sorrisinho do cara pra mim.
18h: Gentém, ser CDF no Colégio valeu a pena: cruzamos um rio e pensei “Grande esse rio, hein... Será que é o Reno?”! Pomme-de-terre: no mesmo segundo recebi uma SMS do meu celular alemao falando que eu tinha cruzado alguma fronteira,e já me encontrava em território da UE. Je suis en France!!! (Ok, QI voltando ao normal agora, prometo).
18.15h: Chegamos em Strasbourg, as placas de sinalizacao de estacao já mudaram!! (QI caiu de novo). :) Meu novo companheiro de viagem chegou: gato e com o kippah na cabeca. Agora parecemos a dupla “Conferencia de Paz na Palestina” (carinha de árabe ici, amenizada com o meu novo corte “Mohammed foi fazer MBA em Nova York”). Acho melhor guardar os meus livros em alemao, just in case... :D Mas ele levantou... e já foi? Damn it!
18:45h: Gente, os controlleurs chegaram e cade o judeu que sumiu daqui?
18:55h: O judeu ainda nao voltou. E literalmente, esse trem é muito louco: ele simplesmente nao faz barulho, nao treme, e tem horas que eu tenho a nítida sensacao que paramos no meio do nada. Mas quando meto a cara contra a janela, vejo tudo passando ultra rápido. Comofas?
19h: Já é a sétima vez que o cara do vin chaud passa aqui e sorri para mim. Nao, ele nao é gato, e parece mais que andou tomando um pouco do produto que vende. Ficando de mau humor: já me adaptando a cultura francesa?
19:15h: Gente, to passado: um casal de velhinhos franceses clássicos (com boininha e Le Monde debaixo do braco dele, ela fazendo trico) sentados na minha frente, quase dormindo ao balanco do trem. De repente, me toca METALLICA, e adivinha de quem era o celular? Do velhinho. Franca nao é mais a mesma. Traumatizei.
19:20h: Mais uma vez, a porra do vin chaud. Eles estao definitivamente tomando o vin chaud. Pensando se talvez eu deveria colocar a perna no caminho, assim quem sabe eles nao voltar. Mas... pera aí: o ajudante do cara mala é trés gatinho. Rá: tirei foto dos dois e até ganhei uma balinha! Meu charme especial com franceses ainda funciona hehehe.
19:47h: Até o papel higienico do banheiro do TGV é rosa. Carícia e Jornal dos Sports feelings. Nojinho.
18h: Oitava vez que passa vin chaud. Nao aguento mais. Será que se eu comprar, eles param de passar?
18.15h: Tédio. Tá chegando? E nao tem nada para ver, porque tá tudo escuro... :( Eu queria tanto ver os subúrbios parisienses. :( Uma coisa meio marroquinos, caribenhos e antilhanos tocando fogo em carros, dancando Mano Chao e enchendo a cara de Chardonnay, sabe? Jamais saberei (porque RÁ que vou me enfiar no RER e enfiar a mesma carinha cheia de cosméticos naquele lugar. Eu quero é Avenue Montaigne. E depois dar uma de economista social nas aulas da UFRJ. Hehehe).
18:20h: Ai, luzes! !! Ok, o lugar é praticamente “vista da Washington Luiz chegando em Duque de Caxias”, mas pelo menos já dá para ver alguma coisa. E as pessoas em volta falam em frances. :D Mas... quando que alguém vai ser antipático comigo? EU QUERO SER MAL TRATADO em Paris. História de atendente FDP para contar no Brasil é praticamente equivalente a miniatura da Torre Eiffel no quesito souvenirs. Eu quero a minha. Para pagar de blasé e falar que “Paris nem é tao incrível assim” na hora em que eu voltar para o Brasil.
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