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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Elegance is about the way you cross your legs, not the label or the newest clothes from the latest collection

Raríssimas as vezes eu postei aqui um artigo ou entrevista na íntegra (aka. 'nome elegante e jornalisticamente sofisticado para o processo de ctrl v + ctrl c'). Mais raro ainda (ou inédito no blog?) um post sobre moda, um assunto que sinceramente me interessa bem mais do que eu deixo expressar pelos meus textos aqui no blog.

Mas algumas matérias necessitam ser divulgadas, necessitam ser espalhadas, necessitam ser lidas. Por que então eu acho que a entrevista de Carine Roitfeld para a Spiegel Online International merece isso?

#1: C'est Carine Roitfeld, chérie: Como?! Não sabe quem é ela? (Primeira reação choque + Pensamento 'Em que planeta você mora, dear? Planet Girls?!', Segunda reação: Respira fundo, ajeita a camisa social e vai) Sabe o 'Diabo veste Prada'? Sabe Miranda Priestly (meu sonho é virar um chefe e despachar os meus subalternos+estagiários com um seco 'That's all."), o papel da Meryl Streep? Então, ele foi inspirado em Anna Wintour, a toda-poderosa editora-chefe da Vogue Norte-Americana - uma excelente profissional, com um poder absurdo na mão, que catapultou as vendas da Vogue America para a estratosfera, bla bla bla. Mas que vamos combinar: ainda é a Vogue America - onde que americano é um povo conhecido pelo estilo de se vestir?! (Afinal, EUA é o país disso, disso e disso.) Carine Roitfeld é simplesmente a equivalente de Anna Wintour na Vogue Paris, petit. P-A-R-I-S. Primeiro, ocupou o cargo da principal revista de jornalismo de moda na capital de moda mundial (Paris, dã?!). Segundo, ela conseguiu catapultar as vendas da Vogue francesas em um momento de recessão das grandes editoras e ao mesmo tempo estabelecer a Vogue francesa como a publicação internacional quando se trata de inovação e originalidade em termos de jornalismo de moda. (Impossível comparar a o climinha "Quem Acontece meets Bloomingdale's" da Vogue America com os absurdos promovidos por Mme. Roitfeld na Vogue Paris.). Terceiro, ela é inteligente, ousada, fala merda e literalmente rocks. (Preciso realmente afirmar o quanto eu acho ela foda?). E quarto: assez.

#2: Sentir a essência do que é a moda da perspectiva de uma francesa: Primeiro que 'moda' é uma palavra que não faz sentido para um francês - eles preferem definitivamente usar o conceito de 'estilo'. Segundo, c'est bien: você pode argumentar que franceses não curtem um banho (falando francamente, até hoje eu ainda não encontrei um francês fedidinho - agora, meu querido, dá uma passada no trem ramal Japeri no horário de rush do final da tarde...), que já viu vários turistas de France absurdamente mal-vestidos dando pinta por Ipanema/Copacabana e até que Christian Audigier é francês. (Agora eu fico feliz se você não sabe quem é Christian Audigier: ele é o Cocô Chanel do creyçon fashion style no Primeiro Mundo, sua marca Ed Hardy é absolutamente idolatrada por todas as celebs Z-List Europa e EUA afora e suas roupas tem o maravilhoso pode de te deixar instantaneamente tão elegante quanto um integrante de gang de rua de subúrbio de San Diego. Resumindo: na hora em que chegar a primeira camisa no Brasil, será sucesso de vendas instantâneo.) Mas é inegável que a 'moda' é uma característica fundamental da cultura francesa. E indispensável da cultura urbana parisiense - eu não diria exatamente que os parisienses são os mais bem-vestidos (dentre as cidades que eu conheci na Europa, esse título segue fácil para Estocolmo - os escandinavos em geral tem um senso estético muito apurado para tudo o que envolve 'design', mas os suecos facilmente são os que mais aplicam isso em termos de 'estilo de se vestir': não é somente um 'usar roupas caras', mas um senso de saber escolher, saber combinar itens a primeira vista comuns e construir com o conjunto um visual essencialmente moderno e trendsetter), mas existe algo no jeito de vestir do parisiense em geral que atrai o olhar de qualquer um que visita a cidade. É um estilo clássico, simples, focado em peças básicas com acessórios de impacto, que quase sempre resulta num estilo que poderia ser classificado como 'casual sofisticado'. Descrevendo assim parece algo 'uniforme', eu sei, mas andando por Paris é incrível como você consegue ver isso em estilos/tribos tão absurdamente diversos, do bohemian ao gótico. Tudo relacionado à um equilíbrio: not too much (italiano demais) a ponto de transmitir informação demais sobre você, not way too less (americano por essência) a ponto de o que você vestir não passar impressão/imagem/idéia nenhuma sobre quem você é. Resumindo o paragráfo gigante que eu acabei de escrever: de forma geral, o francês tem uma noção de que moda é uma das formas mais efetivas de passar uma mensagem pessoal para o mundo - e eles pensam sobre isso.

#3: Para relembrar que jornalismo de qualidade consegue transformar um tema que tão facilmente desbanca para a futilidade tipo 'o-novo-preto-da-estação-é-o-oncinha'/'oh-como-somos-fúteis!' em algo realmente intelectualmente interessante de ser lido: Sendo muito sincero, desconheço qualquer meio de comunicação escrito no Brasil que teria a capacidade/coragem de fazer uma pergunta como 'Can anyone who has spent 20 years in the fashion industry still be normal?' e acho que temos que reconhecer: mídia escrita de grande circulação, no Brasil, com qualidade para ser lida deixou de exisitr há muito tempo. Depois que a Folha passou a 'Crise Árabe' inteira ridiculamente traduzindo textos das grandes agências internacionais de notícias e destacou um time de jornalistas/escritores para discutir o BBB, acho que ficou mais do que sublinhado o fim da Folha como um jornal efetivamente com conteúdo. Em fúcsia. E itálico.

#4 Deswegen habe ich fucking Deutsch gelernt: Dois anos indo estudar alemão no CLAC (toda segunda e quarta, as 7h30!) na ilha do Fundão (@For-não-cariocas: Uma ilha longe longe, muito longe, muito muito longe, praticamente com microclima próprio, impossível de se chegar nos horários de rush, onde ficam a maior parte dos cursos ds UFRJ) + 5 anos de Goethe Institut (#1: Para dar uma dimensão da coisa, quando eu comecei a estudar no Goethe a moeda alemã ainda era o marco; #2 Cinco anos aturando os alunos insuportáveis de Germanística, que ficavam competindo quem decorava a declinação de mais prepsições; #3 O curso inteiro dura 10 anos. D-E-Z-A-N-O-S. Deprimente pensar que em 10 anos quem aprendeu inglês consegue praticamente escrever uma tese de doutorado - quem aprendeu espanhol, uma tese de doutorado em estudos comparados da antropologia do século XVII - e quem aprendeu alemão... consegue falar bem alemão.) + 1 ano de Alemanha (Onde primeiro eu me deprimi ao perceber que 7 anos de alemão me ensinaram a basicamente gaguejar em alemão, depois comecei a decifrar razoavelmente o que a maioria das pessoas falavam - já participou de uma reunião de duas horas onde você tinha que escrever uma ata e basicamente conseguiu entender somente o "Bom dia, estamos aqui..."? Eu já. No meu primeiro dia do estágio novo. - e ao final eu conseguia... me comunicar em alemão... mas tinha finalmente entendido que Hitler não ganhou a Guerra porque alguma força superior existe e não deixou o alemão se tornar a língua franca mundial que falar aquela Scheiße de idioma fluentemente somente nascendo na Alemanha.) = Determinado conhecimento do idioma alemão. Por que? Eu também não sei explicar. Mas, sendo muito sincero, ter acesso à imprensa alemã justifica muito desse esforço: a qualidade e a profundidade das matérias dos semanários alemães é impressionante. São páginas e mais páginas (a Spiegel média quase sempre fica pelas 400 páginas) de matérias que vão a fundo em temas relevantes, colunas com especialistas que realmente entendem do tema dando opinões fundamentadas (alemão adora um "Argumentos a favor" e "Argumentos contra" para qualquer assunto) e entrevistas onde os jornalistas não se intimidam nem por um segundo em fazer as perguntas desconfortáveis que todo mundo quer saber as respostas. Obviamente também existe publicação no estilo 'Meia-Hora' na Alemanha (Bild, for sure) e o que todos os elogios escritos acima são para a chamada tríade-de-ouro da mídia impressa alemã (Die Zeit, Der Spiegel e Frankfurter Allgemeine - os dois primeiros publicados em Hamburgo :D). Mas mesmo entre os equivalentes nos outros países europeus (com a exceção do excelente The Guardian - onde eu li e fiquei sabendo dessa matéria através da coluna de Life & Style chamada Fashion Statement), os jornais alemães são insuperáveis. Assim como os automóveis. E a obsessão por pontualidade e eficiência. :D

E agora, chega de introdução e voilá a entrevista com Mme. Roitfeld (muita emoção, muita emoção):

SPIEGEL: Ms. Roitfeld, you were editor in chief of the French edition of Vogue, the fashion and lifestyle magazine, for 10 years. Before that, you worked for 10 years at Gucci alongside then-creative director Tom Ford. Can anyone who has spent 20 years in the fashion industry still be normal?

Carine Roitfeld: My only drug is a small glass of vodka in the evening, if that's what you're asking. But I was fortunate because -- in addition to the very special world of fashion -- I also had a family, which is something probably rare in this business. I have also been married to the same man, the father of my two children, for more than 30 years. And that has helped me remain relatively normal.

SPIEGEL: For a former Vogue editor in chief, you also look remarkably normal.

Roitfeld: That's part of my newfound freedom. I always wore a tight skirt at Vogue; it was like a uniform.

SPIEGEL: Can you tell us what you're wearing today?

Roitfeld: A no-name T-shirt from Los Angeles, corduroy jeans by Current Elliot and satin shoes I had custom-made in violet. So the glamour's limited to my feet.

SPIEGEL: Does this world of vanity, in which fortunes are spent on trivial things, corrupt people?

Roitfeld: The fashion industry certainly has its obscene sides. The cost of a coat can be obscene. So can the cost of a photo shoot if you're working with a really good photographer. But when I see how good the photos have turned out or even how well the coat was made or how many people worked on it, it's not quite so obscene anymore. Of course, it's not like we're working in a hospital; we don't save lives every month. We just make decisions about skirt lengths, about an inch more or an inch less. That's all.

SPIEGEL: Did that ever seem pointless to you?

Roitfeld: For 10 years, it was a hell of a lot of fun. But, toward the end, it unfortunately got less and less fun. You used to be able to be more playful, but now it's all about money, results and big business. The prêt-à-porter shows have become terribly serious. The atmosphere isn't as electric as it once was, and they now have about as much charm as a medical conference. But it takes just one good fashion show to get things exciting again.

SPIEGEL: If fashion can tell us anything about the age it's created in, what do you think current fashions tell us?

Roitfeld: Today's fashions don't let people dream as much as they used to. Twenty years ago, fashion was a promise -- something that was part of your life and perhaps enriched it, something that reflected a particular era. If you look at advertisements these days, all you see are handbags. They aren't about dreams anymore; customers are buying objects now, not dreams.

SPIEGEL: Is that why you left Vogue in January?

Roitfeld: Ten years is a long time -- and especially 10 years in a gilded cage. They were wonderful years; but, sooner or later, birds want their freedom again.

SPIEGEL: Your French publisher said the time for being provocative and trashy was over.

Roitfeld: I'd put it this way: Fashion needs glamour, provocation and broken taboos.

SPIEGEL: Was it your decision to go?

Roitfeld: Absolutely. And at the perfect moment. The French edition of Vogue had never been more successful, had never had more readers or advertisers. And it had never made as much money. For 10 years, my American publisher, Jonathan Newhouse, let me do what I wanted, even when he thought it might be crazy. But it couldn't have gone on for much longer.

SPIEGEL: Is this the end of era?

Roitfeld: Creativity needs space and a willingness to take risks, but businessmen don't like risk. What's more, designers are coming under more and more pressure. Today, a dress can't just please the women in Paris; it also has to please those in Beijing, Tokyo, Moscow and New York.

SPIEGEL: Is globalization making fashion more boring?

Roitfeld: At the very least, it's leading to a lot of compromise. But globalization is only one factor. Today's designers no longer have to create two collections a year; they have to create four: spring, summer, fall and winter. And some fashion houses also add haute couture twice a year. Who can possibly manage all that? Good designers are artists; they're fragile people.

SPIEGEL: Two of the biggest stars in the Paris fashion world, Britons Alexander McQueen and John Galliano, both left this stage in a very dramatic way. McQueen committed suicide a year ago. And Galliano, the Dior designer, made his exit a few weeks ago after publicly professing his love for Adolf Hitler.

Roitfeld: McQueen's artistic creations always had a very dark side, but his death still came as a shock. After all, it's not like he was alone. He had a big team surrounding him, but it unfortunately wasn't able to protect him.

SPIEGEL: And Galliano?

Roitfeld: I had no idea how unhappy John Galliano must have been. You have to be very unhappy and lonely to praise Hitler in public while completely drunk. The House of Dior has always addressed a range of topics, for example, by having haute couture shows on homelessness where all the models look like people living on the street. But drunkenly shouting "I love Hitler" and calling people in a bar a "dirty Jew-face" is unacceptable. I don't think he really believes what he said; they were simply the actions of a drunk.

SPIEGEL: Are drugs an everyday part of life in the fashion industry?

Roitfeld: No more and no less than they are in other artistic circles. Yves Saint Laurent was the first person to openly admit to being a drug addict. Since I never touched drugs myself, I find it hard to tell whether people are taking them. But, of course, some people do. The industry has become faster and faster. People are constantly fighting jet lag and working through the night.

SPIEGEL: Now that Galliano and McQueen are gone, is German designer Karl Lagerfeld the only one left?

Roitfeld: Yes. Good old Karl. Superhuman Lagerfeld. I don't think he experiences this pressure in the same way. That's why he can put up with it.

SPIEGEL: And no one else can?

Roitfeld: He's not the only one. There's also Nicolas Ghesquière at Balenciaga, Riccardo Tisci at Givenchy, Miuccia Prada and, of course, Tom Ford. And then there are the up-and-coming talents. But they still need time. In a way, we've already seen everything. What else could they hope to invent?

SPIEGEL: And, in any case, copies of their designs soon turn up in Zara and H&M shops.

Roitfeld: Yes. At fashion shows, bloggers sit in the front rows and transmit new looks around the globe. It's all become terribly rapid. You're sitting in Paris, and people in Beijing already know what's going on. It's pretty crazy. But designers are probably really flattered that their looks are being copied.

SPIEGEL: But don't you think that this copying is still a problem?

Roitfeld: I don't see it that way. Fashion stopped being a matter of money a long time ago; it's a matter of taste. These days, even women with less money can dress well. I was always saddened by the idea that elegance was only something for a minority. It's about style. Karl was the first one to understand that. It was very smart of him to design this H&M collection, and very smart of Chanel to allow him to do so.

SPIEGEL: Today, it's mostly wealthy Russian and Chinese women who are buying expensive fashions. People working at many boutiques in Berlin speak Russian.

Roitfeld: That's right. This obsession with particular designers is somewhat strange. I think it's the safest way for these customers to find their feet when they first discover the world of fashion. You can't learn how to be elegant; you can only learn how to avoid mistakes. The rest is instinct. Elegance is about the way you cross your legs, not the label or the newest clothes from the latest collection.

SPIEGEL: Now you're undermining all the sales arguments your own industry makes.

Roitfeld: It's often the case that what a women reads makes her more attractive and more elegant than what she wears.

SPIEGEL: Do French women read more than German women?

Roitfeld: From a very early age, French women learn not to exaggerate. Yves Saint Laurent once said that the purpose of clothes is to make women more beautiful but that a coat must never attract more attention than the woman wearing it.

SPIEGEL: In France, you have a reputation for being the woman who invented "porn chic." Your photos were criticized because they showed young Lolita-type girls, pregnant women smoking and smooching seniors.

Roitfeld: Yes, of course. Fashion has to be given free rein and only a small number of restrictions. I never used any photos that my children shouldn't see; that was my benchmark. The little girls wearing makeup were never naked; it said "No Smoking" under the pregnant woman; and why shouldn't old people kiss? You must be allowed to play. Anything else is terribly boring. I've also painted white models black and later red, which (the French anti-racist NGO) SOS Racisme complained about.

SPIEGEL: Did you find that silly?

Roitfeld: It's absurd to accuse me of being racist. I dedicated an entire issue of Vogue to the black model Liya Kebede. I'm always looking for connections to real life. I once had a series of photos about fur; but, in these politically correct times, you can't even go out on the street in New York or London without getting a pie thrown in your face. The photos showed extras holding up posters of animal rights activists. It was meant to be ironic, but unfortunately not everyone got it. Why can't we wear the animals we also eat, such as sheep and rabbits?

SPIEGEL: You're 56 years old. How difficult is it for a woman to age in the fashion industry?

Roitfeld: Well, during photo shoots, you come across these beautiful 16- or 18-year-old women who have perfect bodies and not a single wrinkle -- but their pictures are retouched. Under these conditions, when you look in the mirror, you have to be happy with yourself, remain young at heart and keep that rock 'n' roll attitude. Otherwise, you won't be able to deal with it.

SPIEGEL: What will you do with your new life?

Roitfeld: I have numerous projects in the works: a book with Karl Lagerfeld, another about my own work, an ad campaign for Chanel and some consulting work for Barneys, the designer fashion store in New York. Who knows? Perhaps I'll become a muse for designers again.

SPIEGEL: So you won't take the place of your former colleague Anna Wintour at the head of the American edition of Vogue?

Roitfeld: That was never seriously under discussion. I like to provoke. I'm very French. In America, they're not even allowed to show a hint of nipple in photos. Anna Wintour is the most powerful woman in the global fashion industry, the first lady of fashion. She's a politician; I'm a stylist. They are two very different jobs. Incidentally, despite all the rumors, she is actually very nice.

SPIEGEL: Do you have any fashion principles?

Roitfeld: I don't change my handbag every season. I believe in the Yves Saint Laurent woman who either has her hands in the pockets of her pantsuit or is holding her lover's hand. She doesn't need a bag.

SPIEGEL: You also always wear high heels.

Roitfeld: Yes, they give you power. You move differently, sit differently and even speak differently.

SPIEGEL: So you never wear flat-soled shoes? Not even when going for a walk?

Roitfeld: I don't go for a walk very often. I wear flat-soled shoes on vacation, but I also travel in high heels, which is why I'm regularly stopped by customs officials at the airport. Wearing high heels in an airplane is suspicious. Nobody else does that.

SPIEGEL: Do you have any fashion tips for us?

Roitfeld: If you don't want to make any mistakes, buy black clothes. That's always good. And from age 50 on, you can slowly start adding a little beige. That's softer. Every five years, you should take a critical look at your own wardrobe and, if necessary, eventually swap your bikini for a one-piece swimsuit.

SPIEGEL: And, if necessary, eventually stop going swimming altogether?

Roitfeld: There comes a time in your life when you even have to consider that. You should always be one of the best, whatever your age group. That may mean staying away from the beach.

SPIEGEL: Ms. Roitfeld, we thank you for this interview.

Interview conducted by Claudia Voigt and Britta Sandberg

Fonte: Spiegel Online International > Zeitgeist

sábado, 9 de outubro de 2010

A Europa vista a partir da....

Nessa era de paz mundial, todos os países se amando, "Eu amo o mundo, eu sou um cidadão global!" o discurso oficial (válido em todos os países do mundo, menos na França, onde eles abertamente pensam que o resto do mundo se encontra num patamar inferior ao deles - e os que estão economicamente acima se vestem e comem mal, portanto são irrelevantes) é de paz e amor global, de que as nações se amam, blablabla.

Mas nada como um pouquinho de álcool e criatividade para o nacionalismo emergir realmente e apimentar as coisas, néam? :)

O estúdio londrino de design gráfico Alfagraphic fez um mapa estilizado da União Européia para o jornal alemão Süddeutsche Zeitung em Junho de 2009, em meio a crise energética do continente, negociações tensas sobre o gás com os russos e tudo mais. O mapa original (o primeiro dessa série) ficou tão bom, mas tão bom que o pessoal do escritório resolveu fazer uma série mais extensa, com a visão do continente sob a perspectiva de alguns países europeus. O resultado? Confiram aí abaixo:

A União Européia vista pelos próprios europeus
(Destaque para Mar Báltico = Meh Sea, Golfo de Bótnia = Gulf of Abba)

A Europa vista pelos americanos

A Europa vista pelos britânicos

A Europa vista pelos franceses
(Destaque para: Bélgica = Semi-France, Suíça = Semi-France, Hungria = Sarko's Land)

A Europa vista pelos alemães
(Destaque para: Ilhas Baleares = Balearic Germany + Ajudinha para os não familiarizados com o deutsch: Sparkasse = Caixa de Poupança, Proletariat = Proletariado, Schokolade = Chocolate, Schinitzelreich = Reino do Porco empanado, prato típico austríaco que na Alemanha eles acham que veio de Viena e nós de Milão, Eiffelreich = Reino de Eiffel, Schnaps = Álcool extraído de batata e semelhantes).

A Europa vista pelos italianos
(Destaque para: Croácia = Dalmatia, Bulgária = Babysitters, Romênia = Thieves)

A Itália vista pelos italianos
Acabou? Claro que não! No site da para ver as interessantes "A Europa vista..." pelos russos, búlgaros e poloneses. Aliás, ainda tem duas que acho que vale super a pena mostrar. Quais?

A Europa vista pelos gays
(Destaque para: Barcelona = Dancelona, Paris = Mall, Londres = XXL, Berlin = Pobre mas sexy)

E... a América do Sul vista pelos americanos(!)
P.S.- Se alguém der uma gargalhada nível 5 ao ver isso, diz aí, porque é ou não é hilário?! (Ou realmente eu sou tão nerd assim?) :D

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Le Podrón Bleu - A grande culinária das ruas

(Podrón: substantivo originário do carioques "podrao"; = todos aqueles lanchinhos preparados carinhosamente pelos tios com barraquinhas nas ruas, alguns com um poder laxativo de 350 Activias concentrados em uma pequena refeicao. :) Maravilha! )

Europa é elegancia, Europa é estilo, Europa é culinária refinada. Ok, é isso que pensamos da Europa no Brasil. O fluxo de imigrantes cruzando fronteiras em direcao ao Velho Continente acabou por trazer por aqui uma das melhores coisas do Terceiro Mundo: tiozinhos que vendem aquelas comidinhas eXpertas em barraquinhas de rua. Afinal, sejamos sinceros: um bom restaurante frances e italiano dá para encontrar em qualquer cidade, mas aquela comida fast trash maravilhosa... nao é taaao fácil assim. ;)

E também, ninguém vai ao Fasano depois de voltar da night/balada, portanto, isso será parte fundamental da sua viagem por aqui!

Entao, vamos aos meus achados:

Estocolmo - French Hot Dog

Sim, eu também acho: super sexual, meio fálico. E segundo meus amigos franceses, essa coisa nem existe na Franca (saudade dos meus amigos franceses/esnobes/nojentinhos! Eles eram tao fofos!). Mas é assim que os suecos chamam esse cachorro-quente. O esquema é o seguinte: um pao tipo mini-baguete, assado com um buraco no meio. Tio Hassam/Kaleb/Mohammad pergunta quais os molhos que voce quer (tem maionese, molho de alho, ketchup - nem faco idéia de como se fala isso em sueco, mas é só perguntar em ingles que eles respondem - até imigrante na Suécia é poliglota. Acho digno), se voce quer dar uma tostada nele de leve. E poe a salsicha, e nhac! Muito bom. Perfeito, porque o molho fica dentro do pao, portanto os suecos phynos nem sujam a camisa Comme des Garcons ou a bolsa Prada deles. E tudo isso por justíssimos 35SKr (= €3,5, com coroa sueca é só multiplicar por 0,01 que voce acha o valor em euro) - ou seja, a única coisa barata que voce vai comer nesse país. Elegancia tem preco, honey. E na Suécia, esse preco é MUITO alto. Amo!

Hamburgo (e na Alemanha em geral) - Currywurst e Döner Kebap


Currywurst: Sim, eu também pensei "Que porra de curry? Curry é da Índia, né?!". Enfim, mistérios a parte, é o salsichón mais popular da Salsicholandia. A salsicha tem um pouco de curry, mas esse pozinho laranja é colocado em cima de tudo para dar um spice up na coisa. E esquece essa coisa de que comida na Europa nao é apimentada: restaurante tailandes já chegou por aqui, e todos estao acostumados a bastante tempero nas coisas - até um pouco demais se voce nao é de Salvador ou do México. O molhinho vermelho é ketchup, e voce também pode pedir "Schranke" (= com ketchup e mostarda) - se voce tiver carinha de árabe e ainda mandar essa, vai entrar no gueto dos manos de Istambul fácil e quem sabe pode rolar até um desconto.

Döner: Ainda mais popular que salsichao por aqui, vendido exclusivamente pelos turcos apesar de ter sido inventado em... Berlim (globalization meets podrón). Na verdade, o Döner Kebap é o da esquerda da foto (comido tipo um taco mexicano), mas eu pessoalmente prefiro o da direita, o Döner Dürum, enrolado e mais prático de comer (sou do mundinho de Prada, nao tenho camisa Comme des Garcons, mas nem fudendo quero sujar as minhas recentes aquisicoes H&M. C&A e Renner: Mein Arschloch!) Tio Cemal/Neylan/Nazim pergunta se voce quer de carne de galinha ou carneiro, pergunta se voce o que voce quer de salada, e oferece um infinidade de molhos (todos com aquela carinha especial de "Come-me e perca peso"). Infelizmente aqui os imigrantes nao falam ingles, o alemao tem um leve soft sotaque de Izmir (se voce entender de primeira, ganha uma passagem para Turquia na hora), entao voce vai ter que se virar para entender e escolher o que voce quer auf Deutsch. Ou vai na sorte mesmo ("Alles!"). Mas o povo do terceiro mundo é unido: os tios turcos nao falam alemao, mas se voce for simpático com eles, eles até te oferecem uma xícara de excelente chá preto kostenlos (= free) para acompanhar. E segundo um amigo cipriota, turcos never say non, entao quem sabe, néam... ;)

Copenhague - Danish Hot Dog

Sim, o povo da Albinolandia nao tem nenhuma criatividade para podroes locais, e átóooran uma comida americana (vide os onipresentes 7/11 - melhor loja ever, praticamente um Mac Donalds meets Loja de Conveniencia). Contei para os meus amigos danes que tinha ido comer Smørrebrød (segundo o meu guia, A comida dinamarquesa) me achando THE mega ultra insider e eles me devolveram um "Whaaat?". Mistério: nunca sabarei certamente se foi pela minha pronúncia em dinamarques, porque eu nao imitei o fonema de vomitar direito (veja esse post) mas acho mesmo que eles nem se dao ao trabalho de comer essas comidas típicas. Afinal, desafio quase impossível ensinar aos imigrantes como se faz isso em dinamarques, e RÁ RÁ RÁ que eles vao enfiar a barriguinha branca, escandinava, rykah e desenvolvida deles no fogao para cozinhar. Nej way! Voltando a co fria: voce recebe somente o pao com uma salsicha magriiiiinha, e coloca o quanto quiser de picles, mostarda e alho frito. Melhor colocar a mostarda primeiro, senao a estrutura nao tem "sustancia" nem consistencia, e vai desmoronar enquanto voce comer. E pode pedir em ingles mesmo - já tá do outro lado do Estreito de Öresund, mas eles ainda sao escandinavos, rykos e desenvolvidos (amo demais essa expressao. :) Os albinos ficam todos bobos quando eu mando essa - parte da minha técnica "latino/sou-do-terceiro-mundo/me-pega-casa-comigo-e-me-dá-asilo-político").

Londres - ?




Gente, to passado: nao me lembro de nenhum podrao especificamente londrino! Nao, eu nao comi fish n' chips porque eu sou alérgico a peixe. E nao me lembro de nada mais que possa entrar para Le Grande école de la cuisine podrónnaise - bem, tinha imigrante do mundo inteiro, praticamente Nova Délhi, Karachi e Dacca inteiras por lá... mas nada realmente onipresente nas ruas (além de muito brasileiro, claro). Pessoalmente eu me acabava nos Tescos e Mark&Spencer da vida (muita promocao Sanduíche + Suquinho + Barrinha de Cereal ou Sorvete por 1,20£), tomava litros de Cherry Coke (AMO sabores estranhos de Coca: o meu preferido aqui na Alemanha é o Vanilla Coke), mas nada de realmente presente em todas as ruas londrinas. Enfim, aberto a sugestoes.

Lisboa - Castanhas Portuguesas Assadas


Ok, eu confesso: eu nao comi essa coisa. Primeiro, eu odeio castanhas, sementes e comidas de passarinho em geral. Segundo, eu tinha que reservar as minhas capacidades calórico-estomacais para os pastéis de Belém (post sobre Portugal vindo, juro!), portanto nao me apeteceu muito comer esse bando de semente torrada - terminei a viagem com o score de 12 pastéis de Belém comidos, e se desse mole comia ainda mais. Os pastéis de Belém? H-U-M-I-L-H-A-M o do Habiba, e nao tem comparacao com nenhum outro. As castanhas portuguesas? Tinham um cheiro muito bom. Mas nao senti confianca, nao senti vontade. Eu gosto de bomba calórica, eu gosto de pico de glicose. Castanha assada é Mundo Verde demais para mim.

E claro, a pesquisa ainda prossegue. Paris, Pisa/Florenca e Barcelona ainda pela frente, e muita culinária refinada to see. ;)

Ahhhh, mas o podrao carioca... :D

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Estocolmo na folha

Muito fofa a coluna do Clóvis Rossi sobre Estocolmo, na Folha de hoje. Bem o climinha de Estocolmo mesmo - belíssima, gelada, simpática. Ele só faltou falar sobre a beleza dos locais - impressionante.
Ah, saudades de Estocolmo... Saudades de andar pela rua e ficar perdido de tanta cara bonito passando... :)
Aqui segue a coluna.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Teaser: Sverige

Mamãe é metade brasileira e papai é o Rei da Suécia. Tá afim de um rolê no meu cavalo branco?

Bem, o post definitivo da Suécia vai atrasar um pouquinho porque rolou um convite de uma festa de aniversário de um americano e todo o grupo do Erasmus vai estar lá (grupo de intercambistas europeus - haverá post futuro explicando). Como eu ainda estou na pista para negócio, e nunca se sabe se papai do céu decidiu ser bonzinho comigo e enviou algum francês/sueco/americano gostosão + gay (porque de amigos gostosões eu estou achei aqui - gostosões E heteros. Vai um portuga hoje nessa festa que noooossa...), melhor dar uma conferida no potencial do novo grupo... ;)

Como eu achei que a foto do post anterior ficou "hetero" demais, resolvi dar uma contrabalançada - aí para vocês Carl Philip, príncipe da Suécia. Gostoso, rico, inteligente, filho de brasileira (rs Dizem que o sueco da Rainha Sílvia é sofrível, btw) e príncipe da Suécia. E solteiro. Pegava FÁCIL. E vocês? :)

Update: Minha saga de simpatia mútua com escandinavos continua - as dinamarquesas me adoraram (mas elas não sabem que eu acho a Suécia MUUUITO melhor... hehehe). Os americanos são todos da Califórnia e com aquele jeitinho "without notion" de ser. E sim, tem um outro garoto gay, da Espanha! Bem, não é nenhum Enrique Iglesias, mas quem não tem perro caça com gato, vale? ;)