domingo, 6 de dezembro de 2009

European Tour – 03.Dez: Frankfurt


Primeira impressao de Frankfurt? “Nossa, quantos prédios altos!”. Cidades alemas em geral sao bem planas – quase todos os prédios da cidade inteira de um mesmo tamanho, uma ou duas torres maiores se destacando no horizonte. A única excecao a isso é Frankfurt – a única cidade do país que possui uma verdadeira skyline, que ironicamente é chamado de Mainhattan (“Frankfurt am Main” = “Frankfurt no (rio) Meno”). Frankfurt nao é uma “metrópole” em termos de tamanho (as cidades que poderiam se classificar nesse termo seriam as big three da Alemanha: Berlim, Hamburgo e Munique) e seria algo como uma Curitiba em padroes nacionais; mas devido ao aeroporto e a concentracao de bancos e empresas  a cidade é uma das vitrines do país para o resto do mundo.

Além disso, ficaram claras a diferenca entre Frankfurt e Hamburgo, e o fato de que nao existe “uma” Alemanha, como poderíamos falar de “uma Inglaterra” ou “uma Franca”. Claro, nenhuma capital ou cidade pode sintetizar um país, mas a Alemanha é como a Itália: formada depois da maioria das grandes nacoes européias, a partir de diversos mini-reinos e principados. Enquanto Hamburgo é basicamente uma cidade báltica (e com toda uma identidade muito mais próxima de Copenhague, Gdansk e Riga), Frankfurt é uma cidade já mais próxima a Alemanha “clássica” (ou seja, Baviera).

Fiquei na casa de uma amiga brasileira que também veio para a Alemanha por intercambio, mas que possui ligacoes bem mais fortes com o país. Cecília é uma das inúmeras teuto-brasileiras que eu conheci pela viagem, toda uma história de família entre Brasil e Alemanha. Ou seja: férias parciais de Alemanha, e um pouco de brasilidade depois de 9 meses por aqui.

O bairro da Cecília (acho que Bonames ou Kalbach) é BEM arquitetura-cliche alema, com casinhas com aquelas fachadas brancas e com madeira, ruelas mais pequenas e aquele clima de Alemanha mais contryside. Acordamos de manha bem tarde, afinal Frankfurt nao é tao grande a ponto de exigir uma rotina rigida de conhecer 350 pontos turísticos em um dia, fui mimado pela mae brasileira dela com o melhor do clima de casa brasileiro, e lá pelas 3 horas da tarde saímos de casa. O que significa, na Alemanha outonal, quase na hora em que o sol se poe.

Primeiro ponto de parada, claro, para um estudante de economia foi a Bolsa de Valores de Frankfurt! :) Fotos com as clássicas estátuas do Touro e do Urso em frente a bolsa (porque estátuas de touro e urso em frente da Bolsa? Keynes, e a teoria dos ursos e touros e comportamento dos investidores – pronto, momento Miriam Leitao over, prometo!). Depois de percebermos que nao temos nenhuma Canon UltraMax 36000 – ou seja, fotos ficando uma MERDA de noite – resolvemos partir para a atividade principal em uma cidade alema em Dezembro: Weihnachstmarkt! (Mercado de Natal).

Os Weihnachtsmarkten da Alemanha sao parte obrigatória do clima de “O Natal vem vindo / Vem vindo o Natal” da Alemanha. Em Hamburgo também existe um (no qual eu fui quando estava fechado – nunca deixe o seu amigo mexicano planejar coisas), mas aqui em Frankfurt, por estar no Römer (imagina uma praca principal de uma cidade alema. Pronto, já imaginou a Römer), foi ainda mais especial. Lojinhas da rua decoradas com luzes e motivos natalinos, vendendo de um tudo, e todos os alemaes passeando com as criancas em extase com a chegada do Natal (e loucas para ganharem o mais novo modelo de Playstation).
É impossível descrever tanto em palavras ou em fotos o clima desses mercados. É lindo demais: a cidade inteira se mobilizando para o mercado de Natal, as pessoas animadas (repito: alemaes animados) nas ruas bebendo e conversando com os amigos, a decoracao natalina que faz voce se sentir em um daqueles filmes clássicos que passam na TV nessa época, as criancas com os olhinhos brilhando de felicidade vendo aquele todo mundo mágico. Realmente é fácil entender porque os alemaes (e europeus em geral) nao conseguem entender como comemoramos o nosso Natal de bermudas e em frente a um ventilador. :D

Os must-have desses mercados: Glühwein (= quentao. Ainda rio quando todo alemao comecava a descrever os mercados de Natal, e falava “Nao, voce precisa tomar essa bebida típica daqui...” e comecava a descrever exatamente como o quentao é. Eu respondia  calmamente “Conheco isso, tomamos em Junho no Brasil” e eles ficavam com aquela cara de “Como assim, no verao?!”), Leberkuchen  (pao-de-mel, thousand, millions, billions of times melhor do o que conhecemos no Brasil) e qualquer coisa doce (nessa categoria: chocolate nas mais variadas formas, amendoins e macadamias também nos mais variados sabores e formas – experimentei até um de wasabi que era bem digno  - e ai pela frente).

Do Weinnachstmarkt (onde estavamos congelando – temperaturas desabando na Alemanha), seguimos para a Dom (que no Norte da Alemanha signfica um parque temático temporário, mas que no Centro-Sul signfica Catedral mesmo), onde passamos rápido (afinal, melhor nao arriscar: vai que eu entro em combustao instantanea pelos meus inúmeros pecados cometidos por aqui? Nunca se sabe...), acendi uma velinha para um pedido especial (Santo Antonio, desencalhez moi ab sofort!) e já fomos cometer mais um pecado. Destino: Sachsenhausen, algo equivalente a uma Lapa meets Blumenau. :) Muito legal, paramos em um bar mais amigável possível, e pedimos a bebida típica de Hessen (estado onde Frankfurt fica): Apfelwein (vinho de maca – franceses gritando “Nooon!” agora, je sais), onde colocamos a conversa em dia (voce sabe, amigos em comuns, update de fofocas brasileiras. E sim Carla, falamos de voce.). E de lá, seguimos para casa, congelando no frio frankfurtes.

Parenteses-jumbo equals parágrafo: voce, turista brasileiro em viagem pela Europa, siga o conselho dos seus amigos alemaes que parecem sentir mais frio do que voce (porque eles sentem: andam todo encasacados mesmo em aquecimento a 20°C) – traga a sua luvinha para a viagem. Lembro exatamente do momento em que eu vi a minha luva enquanto fazia a mala e pensei “Ah, nao vou levar nao! Nunca uso isso daqui, e to indo para o Sul. Impossível estar mais frio do que aqui!” e enchi ainda mais a minha necessaire com trocentos produtos cosméticos que eu comprei por aqui (!!!). Resultado: mao tremendo e congelando na hora de tirar uma foto a 2°C no Meno. Agora me diz: como eu vou usar todos esses produtos maravilhosos (maravilhosos mesmo... Gente, cosmetologia européia é TUDO) se daqui a pouco eu nao vou ter nem mais dedo para passar isso no rosto?! Scheiße.

Para compensar a hipotermia no caminho, nada melhor que chegar em casa e encontrar o verdadeiro clima de casa brasileira. A mae da Cecilia foi absolutamente tudo,e ainda preparou o prato “nocaute” para brasileiro foda do país há algum tempo: feijao e arroz. :) E Fernando dormiu feliz a sua segunda noite em Frankfurt: porque a Europa é muito legal, mas home feeling brasileiro é bom DEMAIS. :D

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

European Tour - Dia 1, Frankfurt

European Tour – 02.Dez. Hamburgo para Frankfurt

Para tornar a minha despedida ainda mais dificil de Hamburgo, o dia amanheceu com um lindo ceu azul e sol (hallow, estou falando de Hamburgo: tempo ruim é a especialidade daquela cidade!). E se um dia lindo até alguns dias atrás significava uma simples vista para o jardim simpático da residência estudantil l onde eu morava, hoje foi A vista oficial de Hamburgo: direto para o lago Alster, da casa do meu amigo. Bom, muito bom. :D

Manha inteira gasta no dilema malas: é impossível ser estudante-fudido-voando-low-cost e viado perua que nem eu ao mesmo tempo. Quais cachecóis levar? E eu vou ter que deixar o meu trench coat e levar somente UM casaco? E levo aquele livrinho de frances da Assimil que eu sempre prometi que iria seguir durante “15 minutos diários”, mas nunca passei da licao 30?

Consegui fechar a mala em um peso ideal (15kg de limite via Easyjet, pretendo deixar algo com a minha  amiga espanhola em Madrid, que encontra comigo para o ano novo , caso ela nao tenha uma briga com o namorado mexicano-americano dela e resolva fazer castanholas dos cojones dele), tomei um banho, me despedidi do meu amigo alemao M (enfim , ele é budista, entao nao rolou nenhum drama de nao estar com ele no Natal anyway) e fui encontrar a minha amiga sueca que tinha acabado de chegar em  Hamburgo, e queria me ver antes da minha viagem.

O encontro foi lindo. Na verdade,surpreendente – eu cheguei 5 minutos antes do tempo, ela 30 min atrasada. :) Mas quem vem da pontualidade brazuca aceita qualquer coisa, levei na esportiva, encontrei a amiga e até ganhei presentinho da Suécia e tudo (uma bolsa que na verdade era para ser algo do principe da Suécia, Carl Phillip, que é o man of my dreams  - lindo, rico, inteligente e SUECO). Conversamos muito sobre como era estranho nos reencontrar de novo: há 4 meses estávamos todos juntos em Hamburgo, saindo várias noites por semana, sem muito compromisso de vida (na verdade eles, porque eu sempre estagiei, tah) e agora todo mundo estava de volta as suas casas, de volta a vidinha normal que se tem quando nao se é um estudante de intercambio. E parei para pensar: como vai ser voltar a Alemanha e Hamburgo no futuro, e ver toda essa cidade de novo? Nunca tinha pensado direito nisso...

Bem, e chegou finalmente a hora de botar o Laboutin na estrada: Frankfurt. O que se tem para ver em Frankfurt? Prédios altos, economistas engravatados, uma pracinha histórica alema e acho que nao muito mais. Ah, e claro, um amiga brazuca-alema. :) O que já faz a viagem valer super a pena, e também explica o meu layover antes de seguir para Paris (ahhh, Paris....).

Agora eu escrevo do carro da carona que eu arranjei no Mitfahrgelegenheit. Sim, estou viajando de noite; sim, está um breu do caralho lá fora; e sim, a noite está simplesmente congelante na Alemanha (hoje amanheceu com uma camada de gelo no jardim, tudo meio branco – sinal que a temperatura caiu abaixo de zero durante a noite). O carro é um confortável Honda Sedan (sim, cara de choque: um carro japones na Alemanha), dirigido a 160km/h pelo menos por um simpático jovem gordinho que para de hora em hora nos Burger Kings e Mac Donalds pelo caminho. Ah, ele também tem um CD absurdamente creepy de algo tipo Seu Jorge cantado em vietnamita ou tailandes (uma daquelas linguas tonais linda que fazem qualquer parecer estar falando como um gato com soluco). O outro “caronista” é um estudante de doutorado em engenharia (eh honey, vida na Alemanha nao é facil nao: trem na Alemanha é tao caro que o unico jeito de viajar é apelando para a carona mesmo) que já foi ao Brasil duas vezes, amou o Rio de Janeiro (e odiou SP hehehe) e sabe muita coisa de música brasileira. Sim, gatcheenho, mas estou numa auto-estrada alema, deve estar abaixo de zero lá fora e acho que nao vai ser legal se eles me largarem pelo meu do caminho por ter dado em cima de um deles. :D

Tédio. Como eu falei em um dos posts anteriores, auto-estrada na Alemanha é só breu. Nada para ver. Esse laptop é brand new, também nao tem nada para ver (planejamento nao é o meu forte); meu guia tijolao Europe recem-adquirido também nao pode me distrair porque estamos de noite e todo motorista tem essa coisa de nao conseguir dirigir com a luz do carro acesa. Entao as unicas atividades sao dormir, acordar, ver se tem mensagem no celular, fingir que eu sou simpático para os outros caras e voltar a dormir. Saco.

Pensamentos:
-  Ih, ainda nao postei o final da minha viagem para Lisboa. Acho que vou usar o tempo livre para escrever o post.

- Praga de alemao pega: resolvi viajar light e levar o trench coat ao inves do meu pullover meio bonequinho Michelin, contra o conselho do meu amigo alemao e me fudI – tá um frio do caralho, e  bateu o medinho de congelar em Paris. Mas porra, alemao é cafona demais: eu prefiro passar FRIO do que ficar barango em Paris. Beleza também é sofrimento, oras!

- Enquanto deveria estar planejando a minha viagem, feliz pela possibilidade de usar internet em uma velocidade humanamente digna (ao contrário da internet da minha residencia estudantil), assisti todos os capitulos da Viver a Vida desde o acidente da Luciana enquanto empacotava tudo. Eu amo Manoel Carlos, e me ajuda a digerir o fato de que eu voltarei a morar no Rio (mas infelizmente, nao no Leblon). Mas essa porra teve um efeito colateral: e o medo agora de que essa porra de carro japones bata? Ah nao... minha familia nao tem grana para me enviar de aviao de volta para casa nao. Capaz de falarem “Fica aí que Natal do ano que vem a gente te visita, tá!”.Melhor enrolar o cachecol em volta do pescoco e apertar mais o cinto.

- E se um dos ocupantes do carro for um piscopata, para onde eu corro... ops, eu já tive esse pensamento antes. Tempo livre demais é foda...

Ai, to vendo os prédios altos de Frankfurt chegando! Amanha eu escrevo mais! :)  

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Micro-micro-curtas

- Feedback final no estágio foi ótimo. Meu chefe falou que foi um prazer trabalhar comigo, e uma outra chefe falou que admirou demais a minha coragem de vir do Brasil e trabalhar em alemao numa empresa alema. Ok, no Brasil isso seriam como elogios rasga-seda, mas estamos na Alemanha, onde sempre se é 200% sincero sobre tudo. Ou seja, eles realmente ficaram satisfeitos com o meu trabalho. :D

- Depois de me pintar praticamente todo - no final, tinha tinta até no meu cabelo - consegui terminar  a pintura do quarto razoavelmente bem. Claro, o povo daquela residencia estudantil é um bando de malas, e o zelador no último minuto do segundo tempo encrencou com a prateleira da geladeira que tinha uma embalagem de azeite. Mas no final deu tudo certo, e consegui enfrentar a administradora-schlampe com bastante dignidade.

- No último dia de trabalho na Alemanha, advinha o que voce tem que fazer? Sim, levar bolo que voce fez em casa para os seus amiguinhos. Claro, eu trouxe pao-de-queijo e... guaraná (garrafa de 1,5l por 3,5€. No comments), comprei ainda alguns chocolates e fiz algo até muito bem organizado. Fotos mais tarde.

domingo, 29 de novembro de 2009

Das Beginnen des Endes


Falta de posts devido a programacao intensa do final de semana. Fazendo toda a mudanca de volta para a casa do meu amigo alemao, me despedindo dos meus amigos hamburgueses antes do meu tour pela Europa, saindo com os amigos pela cidade, e aproveitando a cidade enquanto posso.

E agora, olhando para o meu quarto semi-vazio (que parece ter sido atingido por um furacão F5), eu compreendi de forma clara o que está acontecendo. A minha viagem está terminando. :( Sim, eu sei que eu tenho muito da Europa pela frente... mas me restam somente 8 dias de Hamburgo pela frente, entre idas e chegadas de viagens. 8 dias. 8 dias para me despedir dessa cidade cinza, fria e escura que eu aprendi a amar, que eu conheci tao bem, na qual eu fui tao incrivelmente feliz, e tao incrivelmente triste. O primeiro lugar do mundo fora do Brasil que eu conheci. E eu que pensava que teria ainda muito tempo pela frente para conhecer ainda mais. E agora, só 8 dias em Hamburgo, e depois, casa de novo.

Quando eu cheguei nesse quarto, em Agosto, eu lembro que a primeira coisa que eu fiz assim que entrei foi deitar na cama, olhar para o teto e pensar "Que porra eu estou fazendo aqui?". Eu tinha acabado de chegar de Londres, todo o furacao que me desvastou ao final da história com o FDP germanico tinha acabado de passar, todos os meus amigos do Erasmus do semestre de verao tinham ido embora para as suas casas, e eu estava sozinho. Sem amigos, num apartamento completamente novo e estranho, completamente fudido emocionalmente e sem nenhum amigo por perto para pedir ajuda. E eu nunca odiei tanto estar em Hamburgo.

Mas aí eu conheci novos amigos. E comecei a jogar volleyball toda quarta e conheci novas pessoas. E os meus amigos alemaes comecaram a se tornar ainda mais próximos. E os amigos do trabalho comecaram a me chamar para almocar junto, e para ir fazer churrasco na beira do Alster aos domingos (eu odeio churrasco). E eu fui. Puxei papo com pessoas que nao conhecia. Sorri muitas vezes quando nao queria sorrir - mas tinha que ser simpático. Fui a muitos programas de índio. Mas com o tempo, os sorrisos começaram a ser mais sinceros. E vontade de estar com essas pessoas ainda mais genuína. Até o ponto que eu percebi que tinha feito novos amigos. E que Hamburgo tinha se tornado mais uma vez a minha casa.

E eu, de alguma forma boba, achei que eu teria para sempre essa cidade, essa vida. Os metros e onibus chegando pontualmente na hora marcada na tabela de horários. Os parques e o lago Alster. Jungfernstieg, as lojas de departamento e vista mais linda da cidade (foto que está no papel de parede desse blog). As noites na Reeperbahn. E os amigos. Os amigos...

Enfim, as malas esperam por mim, o quarto ainda precisa ser limpo e pintado (merda, merda, merda). The show must go on. Amanha ainda tenho o último dia do estágio, arrumar malas para o European Tour, comecar a empacotar o que eu nao levarei nas malas para o Brasil.

E eu nao quero terminar esse post com um sentimento triste. Apesar de ser dificil para caralho, a gente nao tem que chorar pelo que passou, mas festejar a vida que está por vir. Saudades... eu já estou sentindo. :D Sangue tuga é uma merda (nostalgia e pelos demais, senso prático e racionalidade de menos hehehe). Mas, vamos dando um jeito. E seguindo em frente.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Capitalist Guilty Pleasures: Guias de Viagem

Acabai de gastar uma grana boa com guias de viagem, e claro, bateu aquela culpa financeira. Afinal, guia de viagem é aquela coisa - se voce nao compra, voce fica perdido que nem um alce on pills na cidade, nao sabe o que ve, e ao final da viagem fica com aquela sensacao que nao viu nada (= yo em Berlim); se voce compra, pensa "Eu poderia ter planejado tudo isso no Wikitravel" e economizado uma boa grana. Afinal, eu sou estudante do terceiro mundo business class, mamae contribui desde que eu cheguei aqui com 0,00€ e euro é caro - e a H&M acaba sempre levando os poucos que eu ainda tenho.

Bem, quais os guias que eu comprei? Porque?

Paris Encounter, Lonely Planet

Por que Paris?
Porque essa cidade representa os meus maiores cliches, aspiracoes e desejos com relacao ao continente europeu. Porque eu estudei frances no Pedro II (adoraaaava as aulas de frances: enquanto os alunos previsíveis que escolheram espanhol e ingles ficavam nas aulas chatérrimas de gramática, a gente ficava numa sala separada vendo muito filme frances, muita música francesa - ahhhhh, Charles Aznavour... - e muita revista de moda francesa. Resultado? Turma de 14 pessoas, 7 garotos. Chuta quantos desses passaram para o lado de cá do arco-íris mágico do Pequeno Ponei? 6.). E porque Paris é Paris, e Paris vale a pena conhecer muito a fundo (O, e como... rs).

Por que "Encounter - Lonely Planet"?
Porque esse guia vai realmente a fundo na cidade, com atracoes separadas por bairros e interesses, e ainda conta com um muito útil mapa destacável. Porque os itinerários sugeridos sao maravilhosos, e economizam neuronios naquele momento-crise "O que eu deveria visitar agora?". E porque as dicas dadas pelo guia sao realmente incríveis (quando eu saberia que existe em Paris um servico chamado Paris Greeter, onde guias parasienses caminham com um grupo de 6 pessoas por um bairro ou regiao especifica que essa pessoa conhece a fundo, de graca?!).

Quanto?

Europe Eyewitness Travel Guide, DK
Por que Europa?
Porque eu ainda tenho Frankfurt, Madrid, Roma, Pisa, Florenca, Viena, Praga, Budapeste, Cracóvia, Breslau e Zurique (ufa!) para visitar antes de voltar ao Brasil, e se eu for comprar um guia específico para cada uma dessas cidades eu terei que repensar a minha carreira profissional (=Brazilian job in Europe).

Por que "Eyewitness Travel Guide"?
Porque eu nao tenho grana para comprar um guia Encounters para cada uma dessas cidades (solucao: ir a livraria, papel e caneta na mao e escrever cada um dos itinerários que eles sugerem) e ao mesmo tempo nao quero ficar sem guia para essas cidades. Sim, eu conheco o Europe on a Shoestring da Lonely Planet, mas acho qualquer guia regional da Lonely Planet muito, muito ruim (textos demais, detalhes demais, informacoes boas de menos e eu nao quero saber agora o que se tem para fazer na Bielorússia e Macedonia). E porque eu acho que o Eyewitness Travel Guide vai ficar lindo na minha prateleira quando eu voltar ao Brasil (e quando eu nao tiver dinheiro para ir nem a Petropolis no final de semana poderei abri-lo e ver de novo todos os lugares que eu já conheci).

Quanto?
€18.90, Amazon.de

European Diet Nightmares: Tender


Tempo continua no combo chuva+vento+frio? Bateu saudade do FDP - que nao merece um segundo da sua atencao, mas que mesmo assim voce ainda nao esqueceu? Tá puto e estressado com o trabalho?

Hora de enfiar a cara no chocolate! E a minha escolha do dia: Tender. Tipo um enroladinho de bolo molhadinho, envolto em uma camada de chocolate ao leite. Tem nos sabores leite e tiramisú. Em dias normais como um só - afinal, isso deve ter zilhoes de calorias. Mas em dias como hoje, enfio dois na boca de uma vez e saio feliz. Pelo menos uma vantagem em ter um metabolismo rápido. :)

P.S.- Mein Arschloch que eu vou ficar triste pelo FDP teutonico! Agora? Non, non, non! To indo para Paris em uma semana, realizarei o sonho da minha vida (Fernando voltando a infancia: Enquanto todas as criancas diziam que queriam ir a Disney, eu sempre afirmava que queria ir a Eurodisney. Por ser em Paris, bien sur! E adoooorava um mapa de Paris que tinha das Galleries Lafayette. Sempre tive mesmo um pé no rosa... rs), tenho dois amigos franceses increibles me esperando lá. Tudo dando super certo na minha vida. E vou ficar triste agora? Triste a gente fica de vez em quando, claro. Mas dessa vez será em Paris. Pah! e nem confianca.

P.S.2- MERCI BEAUCOUP pelas dicas nos comentários! Tudo super anotado (querendo mandar mais, mandem!), e com certeza os seguirei (terei quase 10 dias em Paris, portanto, MUITO tempo).

Foda

6 meses eu tomo o mesmo onibus do trabalho para casa. 6 meses eu faco esse trajeto todo dia.

Hoje, minha última sexta-feira no estágio, decidi ir mais informal: jeans, tenis, camisa polo, casacao. Nao é o meu melhor look, mas é casual friday, e a última sexta aqui, entao nao achava que teria tanto problema.

Entro no onibus com o meu novo guia de Paris, sento numa das cadeiras (tipo aquelas do metro, com uma fileira de frente para a outra). E levanto o olhar. Quem está do outro lado? Marco. Mais conhecido como melhor (e único) amigo do FDP germanico, ex-namorado dele, e maior "suporte" do cara. Ele me reconheceu, eu tenho certeza disso, principalmente depois que um amigo portugues me ligou e falei em portugues no telefone.

O cara fingiu nao me reconhecer no trajeto, mas eu sei que ele me reconheceu.

Sai do onibus em frente a empresa, pensei em dizer "Saudacoes a X", mas a minha chefe estava no onibus também.

Pronto. Sexta-feira ficou ainda mais cinza. :/

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Puto II - O retorno

Depois de 3 estudantes me ligarem querendo pegar o quarto, eu percebi o absurdo que seria eu (estudante brasileiro fudido e mal-pago) pagar 40€ pelo erro da administradora da residencia e para uma pessoa morar no meu quarto enquanto eu estaria viajando pela Europa - ainda mais fudido de grana. 40€ é grana braracaí - é o preco de uma passagem de ida-e-volta entre Madrid e Barcelona, 40 cheeseburgueres no Mac Donalds, ou a próxima refeicao que eu jamais vou esquecer em Paris. E mesmo se fossem 4€: carajos, eu ralo para conseguir essa grana! Muito, e auf Deutsch! Trabalhei até em bar aqui (nada contra, mas aturar alemao reclamando que o colarinho da cerveja estava 0,05cm abaixo do ideal mantenando o sorriso no rosto foi PHODA), batalhei pelo estágio onde estou agora, e ralo 8h por dia em um idioma que é uma incógnita para a maioria dos habitantes do planeta. Mein Arschloch!

Liguei para o meu melhor amigo americano, perfeito nessas horas. Tudo para americano é "I will fucking sue you, bastard!", e ele abriu os meus olhos: a gente já é fudido, vem do terceiro mundo (ele tem origem mexicana, papi cruzou o deserto nas canelitas) e se mantem aqui com o suor do nosso trabalho. Tudo isso para passar mais aperto ainda na minha viagem pela Europa e levar o rótulo de latino desorganizado?! Mein Arschloch.

Liguei para o antigo-futuro locatário (estudante de direito, que tinha visitado o meu quarto e decidido ficar com ele quando eu pensava que ele sairia por somente 210€) perguntando educadamente se ele tinha algum outro quarto em vista. Resposta fofinha do alemao?


" Claro que nao! Nós temos um contrato verbal, e nao fui eu que fiz o erro com relacao ao valor. Portanto, se foi voce ou a Frau Dakn que cometeram o erro, eu nao vou pagar por isso." (em tom escrotinho)
 


No primeiro instante: puto, muito puto. No mesmo dia, dois rótulos "latino desorganizado" na testa, enquanto eu tentava ser justo e legal. Meus genes arabe-judaico-barraqueiros gritaram "Sangue!".

Mas aí eu pensei: "Fernando, do que adiantou esse 1 ano na Alemanha se voce reage impulsivamente a tudo? Titio Goethe nao te ensinou nada?". E pensei: sim, eu sou uma nova pessoa! Meus genes agoram falam alemao fluentemente, esperam o sinal ficar verde mesmo que nao tenha nenhum carro vindo, e compram o ticket de metro mesmo sabendo que ninguém vai te fiscalizar. Meus genes sao sim, parte alemaes agora.

Desliguei o telefone. Teutonicamente liguei para o primeiro estudante da lista, ele ainda queria o apartamento, me agradeceu muito por ter ligado para ele, desliguei o telefone. Liguei para o estudante-de-direito-mala:

"Querido, to ligando para avisar que já dei o quarto para outro. Vi uma bolsa na Zara MARAVILHOSA, e custava exatamente 40€. Boa sorte da próxima, e tenta ser mais educado que quem sabe voce consegue. Beijos!". 

Pronto. Fernando completamente integrado a cultura alema. Agora eu planejo os meus impulsos. :D

Puto

Novela do momento: dois dias atrás, a administracao da residencia estudantil de onde eu moro me avisou que eu teria que pagar o mes de dezembro (ou seja, 210€) ou entao procurar alguma outra pessoa para assumir o meu quarto. Ou seja, em 1 semana, eu teria que que encontrar alguém para sublocar o lugar onde eu moro.

Gott sei Danke, o mercado imobiliário de Hamburgo é super disputado, e eu consegui oferecer o quarto em alguns sites, e em 2 horas 3 pessoas já haviam me ligado. Perfeito, uma das pessoas foi conhecer o quarto (ou seja, eu tive que transformar o meu quarto em visitável em menos de 1 hora) e decidiu ficar com a vaga.

Stress 1: um empregado da administracao foi visitar o meu quarto, e encheu o saco com uma pequena marca da minha mala de mao na parede. Marca realmente bem leve, que com um pano úmido sairia. Mas estamos na Alemanha, onde tudo tem que ser feito do jeito alemao: o cara pediu para eu pintar todo o quarto para que eu pudesse passar ao novo locatário. Tinta é o de menos: eles oferecem isso e o material para do-it-yourself. O foda: eu sou mortalmente alérgico a qualquer produto de construcao. Pagar alguém para fazer isso tá fora de cogitacao. O jeito vai ser enfiar um Polaramine na veia e pintar sozinho mesmo.

Resultado: Fernando puto, MUITO puto.

Stress 2: Agora, eu fiquei sabendo que o valor para sublocao para nao-estudantes é maior, de 310€. E a administradora nao tinha me informado disso, mesmo depois de eu ter perguntado especificamente por informacoes. A minha escolha de Sofia? Procuro outro locatário que seja estudante ou que aceite pagar os 310€ (e corro o risco de nao conseguir ninguém e ter que pagar 210€ do meu bolso para ter um quarto vazio em Hamburgo enquanto viajo pela Europa), ou pago o excedente para alguém morar no quarto que deveria ser meu. Felizmente o novo locatário aceitou dividir o valor, mas mesmo assim, estou muito puto de ter que pagar 40€.

Resultado: Fernando puto a enésima potencia. E Fernando ligando para a administradora, a administradora sendo escrota até o ultimo decibel, falando "que na Alemanha as coisas possuem regras". Eu odeio gente escrota, mas eu odeio mais gente que duvida da minha inteligencia e vem com esse papo "que latinos nao entendem regras". E Fernando simplesmente falando "Ok, nos vemos amanha as 9h" e desligando o telefone na cara da megera. Sim, corro o risco de ela ser ainda mais escrota. Mas pelo menos evito uma úlcera no meu estomago de raiva contida por uma idiota dessas.

Blöde Kuh!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Wake up call!


Voce é daqueles que acham que a Europa é "nooossa, um lugar tao civilizado, tao tolerante..."? Fica encantado com os todos os direitos que as bess daqui usufruem: casamento, poder adotar criancas, poderem até se casar na mais tradicional das igrejas (como na Suécia)?

Pois entao amigo: eles batalharam (e muito) por tudo isso. Afinal, enquanto estavamos tomando sol nas praias de Copacabana, há 60 anos atrás os gays de Hamburgo estavam sendo deportados para campos de concentracao e exterminados pelos nazistas. Isso no mesmíssimo local onde hoje gays andam de maos dadas enquanto casais turcos passeiam pela rua, criancas vao a escola, e senhores mais idosos vao as compras.

Direito nao se conquista, direito se batalha. Portanto, se movimenta ae, entra aqui no site no Senado Federal e vota na enquete sobre a lei que criminaliza a homofobia no Brasil. É um sim pelo nosso direito de sermos respeitados como cidadaos que somos.

Porque a Europa é fantástica sim (e os europeus, nossa, wunderbar...). Mas nada vai me dar mais prazer do que poder fazer tudo aquilo que eu faco aqui aí em casa, na minha terra, no meu país. Somos conhecidos por sermos um povo liberal e tolerante, nao é? Chegou a hora de cobrarmos isso!

P.S.1- Para os que ainda nao se convenceram do absurdo que essa enquete vive, dá uma passada no site do Celso Dossi. Se mesmo depois disso voce ainda for contra essa lei... honey, entra no site da Universal e AVOA daqui!

P.S.2- E para voce, bee phyna que acha que essa lei nao vai afetar em nada a sua vida... melhor lembrar que viado nao é um fenomeno surgido em conjunto com patricinhas, que só dá em condomínio de classe média nao, honey... Get out of the bubble, darling: afinal, dar pinta na Farme de Amoedo ou na Frei Caneca naquela sua Diesel skinny nova é muito fácil, mas vai ser assumido e causar em Santarém ou Campina Grande. Bem menos cool, néam?

P.S.3- Saiu do Brasil por mais de 1 mes, e a língua portuguesa anda dando um meltdown na sua cabeca e misturando com o seu espanhol/italiano/frances? Corretor ortográfico always. Conselho do amigo daqui... ;)