domingo, 19 de setembro de 2010

I am the master of my fate / The capitain of my soul

Provavelmente se eu estivesse no Brasil em Novembro/Dezembro e tivesse comprado o Horoscopão João Bidu 2010 (aquele com um astrólogo bibíssima na capa, que sua prima/irmã/tia comprava nas viagens de ônibus do final de ano, lia as previsões para o signo dela e encostava logo, porque não tinha nenhuma outra utilidade para ela) teria lido que a definição desse ano para virgem seria “Mudanças”. Porque PATAQUEPARÉU, Fernando empacotando todas suas coisinhas (vocês também sofrem da crise “Sem os meus livros eu não vou para lugar nenhum!” em mudanças? Eu já li aquelas porras, não tem utilidade nenhuma atualmente para mim, mas ver os meus guias de viagem enfileirados na estante onde quer que eu vá me faz sentir um pouco mais tranquilo) já se tornou uma constante nesse ano.

Explaining: mamãe resolveu vender a notre maison dans Grand Champ em busca de mais qualidade de vida, cansada da vida “in the Valley” (a Zona Oeste do Rio é na verdade um grande vale entre os maciços que seguem o litoral da cidade e Serra de Madureira. Já deu pra concluir que quando faz calor, o ar quente simplesmente fica PARADO nesse vale, e por isso Bangú é conhecido pelo seu clima temperado e refrescante nos dias de verão... :D) e ir viver na Costa Verde (aquela região que significa muito verde, muita praia e SEMPRE muita chuva). O problema é que ela decidiu isso em menos de um mês (vende a casa antiga/compra a casa nova/muda para a casa nova), com a mudança justamente acontecendo enquanto le français estava no Rio (Quelle Surprise!). Resultado: Fernando empacota todas as coisas para as duas semanas com o francês em Copa, Fernando re-empacota todas as coisas e vai para a casa da tia em Realengo, Fernando encontra um quarto no Humaitá (quarto de empregada my ass - só se empregada for japonesa e anã! Lembram dos micro-cubículos de Beijing? O meu era ligeriamente maior, com um banheirinho daqueles “Eu tomo banho / O vaso e a pia e tudo no banheiro também”), Fernando descobre que o apartment lord é um freak total, Fernando e o apartment lord discutem (com direito a “Você sabe quem é meu pai?!” do cara, eu com a maior cara de “Who cares?” respondendo “Que bom...” - #1: Querido, depois de rodar tanto o mundo, descobrir que aquela “coisinha” que eu peguei numa boate em Hamburgo era editor-chefe de uma revistona alemã, minha melhor amiga sueca era filha do presidente das Províncias Suecas e coisas semelhantes, você realmente acha que eu ainda me impressiono com... currículo?, #2: se eu desaparecer e meu corpo não for encontrado na primeira semana, PLEASE Polícia e passeatas nas ruas com grandes faixas com “O que aconteceu com Fer?!”, hein!), Fernando percebe que é “melhor sair dali”, Fernando asilado politicamente na casa de um amigo inglês no Leblon por uns dias até encontrar um outro quarto para chamar de seu no Rio de Janeiro.

Enfim, tem horas que eu penso como eu consigo ter saco para aguentar tantas mudanças. Tem horas em que eu olho para amigos e primos que ainda moram com os pais, com lençóis limpos e lavados sozinhos e roupas passadas automaticamente por personal escravas (aka. empregadas e mães) e refeições já prontas assim que eles chegam em casa e ENORMES quartos com mesas e estantes e guarda-roupas combinando-e-bonitinhos e... bate uma enorme inveja. Gigante, do-tamanho-do-mundo inveja, dessas pessoas com lençóis cheirando a Comfort e vidas planejadas e estáveis.

Mas aí eu penso que play safe para mim significaria ter vivido NADA do que eu vivi e ter uma vida absolutamente chata. De que o High-Low que a minha vida tem sido até hoje, pra bem ou pra mal, serviu para me obrigar a “pensar fora da caixa”, sair da zona de conforto da qual eu poderia ter me escondido e viver novas coisas, novas experiências. E de que o efeito disso é que cada vez eu vou simplificando o que eu realmente preciso para me sentir confortável, para chamar um lugar de casa: minhas roupas, meu computador, meus cremes (um dos benefícios de namorar um farmacêutico francês: 30 amostras grátis dos melhores produtos da cosmetologia mundial que custariam a minha bolsa de e nstágio se comprados juntos!), meu iPod, meus livros, meus livros de viagem enfileirados em uma estante ou mesa. O resto a gente compra numa Casa&Video/Ikea mais próxima, ou se adapta, ou se acostuma a viver sem.

E tentando criar uma filosofia fernandiana, se há chá (preto, com um pouco de leite – algumas heranças de ter vivido no nebuloso mar do Norte tinham que ficar!), vinho, Nutella e conexão de Internet, então há esperanças, há vida. :D

P.S.- Sim, eu assisti Invictus. E chorei. E torci. E fiquei genuinamente feliz em saber que a África do Sul realmente conseguiu ganhar aquele campeonato de Rúgbi. E me questionei se conseguiria ter o grau de maturidade espiritual para sair de uma prisão de 30 anos pronto para lutar por perdão e reconciliação com aqueles que me oprimiram. E relembrei que motivação é tudo o que realmente importa para o ser humano – independente se venha de um poema, do sexo ou dos meus livros de viagem enfileirados na minha estante.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu sou da Capital do Melhor e do Pior do País

Eu sei que Política é chato pra caralho. Eu sei que provavelmente você, assim como eu, no exato momento em que Will Bonner anuncia que o JN será interrompido pelo horário político, desliga a TV e vai fazer algo de muito mais útil da sua vida (aka mandar aquela máscara facial de argila na fuça, aparar os pelinhos que essa porra de gene português insiste em continuar mandar crescer, passar aquele La Roche Posay Active C na rostinho não mais under 25). Afinal, pra que assistir aquela porra e ver que maravilhas como Romário e Wagner Montes estão disputando sua atenção e o seu voto pra se reelegerem e fazerem porra nenhuma?

Mas como Democracia é que nem Creme Hidratante Avon (é uma bosta, mas na falta de algo melhor, melhor ir com ela mesmo), desenvolvimento não chega sozinho nem de uma hora pra outra (meaning: a cosmetologia francesa vai continuar cara pra caralho por um bom tempo) e muito menos ninguém vai lutar pelos seus direitos além de você, a única alternativa é se informar e tentar minimizar as merdas na hora de apertar o “Sim” naquela merda de urna eletrônica (eu sei, eu também não aguento mais aquela ladainha dos comerciais do TRE vangloriando as maravilhas da nossa moderníssima “máquina da democracia”.- Aquela porra parece com um PenseBem, my ass se a gente pode saber quem foi eleito para governar Roraima em 2h e 50 min e eu ODEIO aquele barulhinho de voto computado e ponto final!).

Porque cá entre nós, cariocas: a nossa cidade é incrível, as nossas praias fodas, o nosso lifestyle amazing... mas tá foda de sustentar o carón “Sou do Rio de Janeiro meRmo” quando a gente pensa nas maravilhas que escolhemos para nos representar pelos cargos políticos afora.

Portanto, dá uma olhada ae na lista (thanks Tony!) e veja em quem não votar. Porque eu ainda acredito nessa porra de cidade, nessa porra de estado e em toda a enorme herança de inteligência e vanguarda intelectual que essa cidade sempre representou.

E porque tá mais do que na hora de mostrar que mais do que um rostinho bonito, o Rio tem conteúdo pra caralho. ;)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Eu sou suburbano

O meu Rio de Janeiro não tem muito glamour não. Não tem praia perto, não tem calçadão nem ciclovia para dar pinta e muito menos vista para o Pão-de-Açúcar. Na verdade, o Cristo está literalmente de costas para o meu Rio de Janeiro.

O meu Rio de Janeiro ficava longe, bem longe da linha 1 do metrô (aliás, metrô com ar condicionado funcional é um conceito desconhecido por aquelas bandas). O meu Rio de Janeiro ficava longe, muito longe e se chega de trem – de preferência com um pacote de Torcida e uma lata de Skol na mão para “ajudar o tempo a passar”. Leblon? Gávea? São Conrado? - com certeza Acre e Marte ficam mais perto.

O meu Rio de Janeiro era o de tomar banho de mangueira na rua (falta de pudor rules, néam?), ralar joelho andando de carrinho de rolimã e pular o quintal do muro do vizinho para pegar manga. Playground? Get a life, playboy!: nada como uma tarde de sábado inteira jogando bandeirinha com todas as crianças da tri-state area e chegar em casa praticamente afro-americano, bater aquele pratão de bife, arroz, feijão e batata-frita e cair na cama. O meu Rio de Janeiro era o do dia mais esperado do ano ser 27 de Setembro, dia de São Cosme e São Damião, quando a gente acordava mais cedo do que nunca e já pelas 8h tava na rua com sacolas plásticas gigantes (Casa&Video!) checando onde já estavam distribuindo doces, e no final do dia a gente chegava em casa, despejava toneladas de marias-moles, pes-de-moleque e gamadinhos em bacias gigantes e ficava a semana inteira comendo aqui (#1: Cara, imagina pegar doce em dia de São Cosme e São Damião com twitter?! #2: Depois de um tempo, sempre a maria-mole ficava com gosto de doce de abóbora, que ficava com gosto de cocada, que ficava com gosto de bananada...). O meu Rio de Janeiro era o que a gente sabia quando o Carnaval estava chegando não pelo fluxo de turistas gringos nem pelos ensaios do Monobloco, mas pelas hordas de bate-bolas que invadiam as ruas (os mais capitalizados com fantasias lindas e coloridissimas, os mais “financeiramente desfavorecidos” colando tiras de jornal ou sacos plásticos em calças e camisas, criando um efeito plástico ainda sim fantástico).

O meu Rio de Janeiro era o de que o máximo da elegância era ir a Barra da Tijuca (!) e fazer compras no Barra Shopping (!!) . Aliás, o meu Rio de Janeiro era o de onde na época do Natal toda família ía sempre ver aquele maldito Castelo da Cinderela! :D O meu Rio de Janeiro era o de lugar de comprar roupa “social” era na “A Impecável Roupas” (onde eles seguramente não tinham calças skinny!). O meu Rio de Janeiro era o das Óticas do Povo (Morou? :D) e da maldita “Linha Jovem” que assombrou metade das crianças que tinham que usar oculos nos anos 90. O meu Rio de Janeiro era o do máximo da excitação era a Madureira fazer compras de material escolar para o ano escolar que se aproximava (lembram de um estojo escolar meio multiretratil que era tipo um tijolinho fino, com uns botoes que voce apertava e ploft! saia o apontador, a parte de colocar os lapis e canetas, e nos mais sofisticados ate um mini- termômetro?!). O meu Rio de Janeiro era o de qualquer pesquisa escolar, maldito trabalho de artes ou qualquer coisa ligada a papel e impressao sempre dava pra resolver na Silbene (e que no verão ainda tinha uma raspadinha de groselha e um sorvete de casquinha MARA!).

Falando em comidas, o meu Rio de Janeiro era o do melhor caldo-de-cana e pastel de queijo (na verdade, somente um teaser de queijo, neam?) sempre se encontrava na estação de trem mais proxima. O meu Rio de Janeiro era o que me acostumou com grandes custos-beneficios alimentencios, e que ate hoje me gera um quê de revolta na hora em que eu paro em algumas lanchonetes mais phynos do eixo Copa-Leblon e vejo aqueles salgados tao pequenos, tao caros! O meu Rio de Janeiro era o do Angu a Baiana vendido na barraquinha da pracinha, cuscus (que no Rio é branco e tem côco) sendo vendido pelo invariavel velhinho que vinha apertando uma buzina e dos cachorro-quentes e X-Tudão que vinham com absolutamente tudo o que possa ser pensado. O meu Rio de Janeiro era o das “festinhas de aniversário” fodásticas e de chamar a rua inteira (porque classe C gosta de compartilhar com a galera e muita fatura, honey! :D), as mais chiques e importantes sempre servindo estrogonofe de frango com batata-palha em pratinhos de plástico. O meu Rio de Janeiro era o de onde as tias empurravam mais um prato porque elas sabiam que voce tinha gostado e estava com vergonha de pedir. O meu Rio de Janeiro era o dos cajuzinhos... :)

Talvez a maioria dos leitores desse post não entenda muito bem o Rio que eu acabei de descrever acima. Como eu falei, ele fica longe, bem longe de Ipanema, Copacabana e qualquer lugar da Zona Sul. “A Grande Familia” tenta imitar, mas sempre soa meio fake e clichê como se todo paulistano trabalhasse no mercado financeiro e morasse na Paulista ou todo catarinense fosse invariavelmente gostoso-e-surfista. Esse Rio fica longe, coisa de mais de uma hora de viagem do Centro, realmente na PUTA-QUE-PARIU. Bem, eu falei que era o meu Rio, não é? :)

Depois de 24 anos como morador da Campo Grande (entremeados por alguns periodos morando perto da faculdade na Zona Sul e claro, pelo louco ano na Europa), finalmente chegou a hora de olhar para aquilo tudo e dizer simplesmente “Adeus”. A casa onde eu cresci a vida inteira foi vendida, minha mãe partiu para a Costa Verde em busca de um pouco mais de qualidade de vida e eu acabei voltando para a Zona Sul. Se disesse que não queria que isso tivesse acontecido estaria mentido pra caralho: thanks god, no more viagens de mais de uma hora para ir ou voltar, vizinhos escutando funk nas alturas e ter que me deslocar mais de 20km para encontrar livraria/café decente/cinema passado um não-blockbuster.

Mas foi estranho olhar para a minha casa, olhar para aquele bairro e perceber que eu não posso falar mais que “moro” em Campo Grande. Por que? Não consigo explicar. Da mesma forma que não consigo explicar porque quando estava em um parque em Estocolmo, um pouco mais de um ano atras, sentado com suecos lindos-loiros-elegantes-e-desenvolvidos (juro gente, o cabelo deles brilhava ao sol. Muito odio, muita inveja!), só conseguia lembrar dos pagodões na laje promovidos por alguns vizinhos (e por alguns membros da minha familia SIM, tenho que confessar!). Da mesma forma que quando passeava pelas vitrines das elegantes lojas de ternos bespoke da Savile Row lembrava da “A Impecável Roupas”. Da mesma forma que quando comecei a vislumbrar a Torre Eiffel da Quai d’Orsay eu cafona-e-ridiculamente chorei, porque lembrei das longas viagens de onibus em que eu passei estudando frances ou lendo revistas de viagem e imaginado como seria conhecer outros paises e outras culturas, enquanto olhava pela janela e via a realidade que era tao banal e comum para mim.

Acho que no fundo aquela historia de “Voce pode tirar o cara do subúrbio, mas não pode tirar o subúrbio do cara” pode ser verdade.

E de boa? Que bom que seja assim. :)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Où est Fernando?

Indo ao Pão-de-Açúcar, passeando pelas ruas do Centro (e explicando porque diabos os engraxates-mala do Centro insistem em engraxar o tênis dele), indo de ferry-boat para as terras de Araribóia (“Icaraí is a cleaner Copacabana, without whores and tacky clothes shops”), indo à praia e explicando o sofisticado sistema de castas e tribos reinante nelas (Leblon: Brazilian Celebrities + Anorexic Girls; Ipanema: Trendy-Cool People + Trendy-Cool Wannabe People + Steroids, Steroids, Steroids, Aussiebum & “Du iou uant to gou to The Week ánd peí evirifingui for mi?"; Copacabana: Families + Italian/Portuguese Mid 40/50’s Fat men + Whores seeking/scorting Italian/Portuguese Mid 40/50’s Fat men; Leme: Nobody), traduzindo para o inglês/francês todo o menu exótico da cozinha popular brasileira (Tapioca: Something like Crêpe, without the Crêpe, Mandioca: Something you don’t know, Farinha de Mandioca: Something you don’t know’s Powder, Jabuticaba: Strange Berry, Açaí: Strange Berry, Guaraná: Strange Berry that looks like an eye, Geléia de Mocotó: Eat it and I tell you later what it is, Mamão: Natural Activia), comendo em botecos de esquina (porque os olhinhos dele brilham com a simples sofisticação de poder almoçar ao ar livre durante o “inverno”), traduzindo as notícias atuais dos jornais nas bancas (“What means ‘Tiroteio at Intercontinental’? ‘Tiroteio’ is only just another word for Party in Portuguese… Look: there is a French Vogue here!”), levando ele para passear de trem pelos subúrbios do Rio (“Fernando, que signifie ‘Dez paçocas por um real’?” + “Is this REALLY still Rio?!”), explicando as capas do “Meia-Hora”, me entupindo por tabela de todas as coisas tipicamente cariocas (Biscoito Globo, Bananada, Mate de Galão na Praia, Queijadinha, Cajuzinho...), indo até Jurujuba (?) para satisfazer o desejo dele de comer peixe frito na brasa (enquanto eu como... frango frito, já que sou alérgicos a frutos-do-mar)...

Em outras palavras? Sendo feliz pra caralho.

(Postagens voltando ao normal semana que vem, ok? :D)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Economics for Gays: Dilma Rousseff e Jornal Nacional - Parte 2

Gráfico 3: Crescimento % Anual do PIB, BRIC + Argentina, 1994-2008
Significa?: O quanto os países do BRIC e Argentina cresceram, mas desta vez analisando desde 1994(entonces, analisando desde o período FHC).

E daí?: #1: (Olhinhos sádicos de economista brilhando) TÃO mais legal e emocionante ser economista no Terceiro Mundo, néam?: *suspiros #2: Entenderam porque ao menor sinal de crise em qualquer país em desenvolvimento, não importando se for Tailândia ou Trinidad & Tobago, os investidores ingleses e americanos (aka. velhinhos sovinas que resolveram não comprar casa de praia na Cornualha/Flórida, não tem nada de mais interessante na vida para fazer a não ser acompanhar diariamente seus investimentos em países "de alto risco") saem retirando o dinheiro do mundo em desenvolvimento e voilá: crise!

E daí? + Continuo não entendendo PORRA nenhuma: Ok, o gráfico tá uma bosta, mas é isso que a gente tem e é nisso que a gente vai seguir. Clica no gráfico, bee. Então, tá vendo o Brasil? No período inteiro a gente não teve retração econômica (ir abaixo do zero), o que é bom. Mas também, no período do FHC (1994-2002) o nosso crescimento foi ridículo em comparação ao resto do grupo. Lembram da crise russa de 1998 (quando a Barbie ficou mais cara que a Susy, lojinhas de R$1,99 desapareceram e todo mundo parou de viajar Orlando Fly&Drive)? Brasil por bem pouquinho não entrou em retração... mas nos 45 minutos do segundo tempo conseguiu se salvar. A Rússia, a trava FDP que causou toda essa comoção na economia mundial, levou um tombaço do salto 15cm na escada de entrada da boate em 1998. Mas em 1999 já tinha levantado, sacudido a poeira, batido o cabelo ao som de tribal, arranjado um gringo gato & odara que a pediu em casamento, viajado para Itália na Primeira Classe e tava causando horrores na Via Tortona em Milano, toda trabalhada na Prada e Salvatore Ferragamo em 2000. Enquanto isso, a economia brasileira? Resolveu continuar pegando o Roteiro Rodoviário Águas Quentes, acreditando que crescer devagar e sempre é o mais importante.

Mas por que a economia brasileira seguiu por esse caminho? Quem falou que deveríamos seguir "devagar e sempre"? Quem falou que crescer devagar garantiria que a gente iria crescer sempre? Quem foi que tomou essa decisão? E a pergunta mais importante para um economista: quem se beneficia dessa decisão?

A partir desse momento entramos nos duelos de titãs que é os embates entre as diferentes escolas de teoria econômica. Não, ao contrário do que parece, Economia não é uma ciência exata. Nem economistas recorrem à um manual de verdades absolutas, onde tudo é óbvio, claro e totalmente definido.

Sobre esse tema, uma introdução ao mundo da Economia virá no próximo post da nossa série. Sobre o tema que discutimos? O que eu posso falar que, na opinião de Fernando: a) estudante de economia da UFRJ; b) economista heterodoxo (relaxem, explico isso no próximo post, gentém!), um dos motivos centrais desse desempenho maravilhoso da Economia brasileira nas últimas décadas foi:

Gráfico 4: Taxa de Juros Real, BRIC + Argentina, 1997-2008
Explicando em linhas gerais: você tem R$100.000 (e não pode gastá-lo na The Week), você é um investidor rico, poderoso e todo trabalhado no Ermengildo Zegna (e não paga R$ 5.000,00 em terno Ricardo Almeida porque não cai nessa insanidade tupiniquim de pagar fortunas por coisas que NÃO valem fortunas). Você tem duas opções: 1) investe numa poderosa fábrica, vira industrial, contrata vários operários cafuçus para ver almoçar aquela argamassa composta feijão + ensopadinho de carne + 1kg de farinha (Introspective, você não tem a imparcialidade suficiente para fazer uma escolha racional nesse caso); ou 2) investe num título que rende conforme uma determinada taxa de juros, fica linda, loira e financeira deitada no seu ofurô no Morumbi só acompanhando as notícias por alto e deixa lá rendendo. Quanto maior a taxa de juros, mais interessante investir em títulos, certo? Logo, também menos investimentos em indústria (afinal pegar o seu Volvo, dirigir até a fábrica, se misturar naquele povão suado, se estressar motivando trabalhador chato e desmotivado não é algo legal nem tão fácil assim). O que resulta em... menor crescimento do PIB (= PRODUTO Interno Bruto).

Deu pra entender ou precisa desenhar? Ou precisa atentar para o fato de que a taxa de juros argentina, mesmo no pico da crise de 2001, não chegou nem perto da base da nossa curva da taxa de juros durante todo o período tratado? Ou para o fato de que a série acima nem inclui o período de 1993-1994, quando a taxa de juros atingiu a estratosfera?

Ah, claro: esse pequeno gráfico é a razão de que você paga as taxas astronômicas no cartão de crédito e porque financiar sua próxima viagem para Ibiza sempre sai tão caro, tsá bee?

Considerações Finais

PIB não é (nem de longe) o melhor indicador para se avaliar a qualidade de vida e desenvolvimento de um país (quem se interessar pelo assunto, dá uma lida sobre o Butão e o seu projeto do conceito de Felicidade Interna Bruta), mas foi usado aqui para aprofundar um pouco mais os assuntos discutidos na entrevista da Dilma no JN. Um economista competente não monta uma análise tão complexa quanto à do desenvolvimento somente em um dado, mas ao mesmo tempo dados são necessários porque Economia se propõe com uma ciência (e achismos não cabem numa ciência).

A questão é: crescemos devagar, muito devagar nas últimas décadas. Isso foi uma escolha, que como tudo em Economia é bem mais complexa do que o simplório “Queremos crescer devagar e sempre”. Por que países que entraram em uma crise tão grave (Argentina em 2001, Rússia em 1998) sofreram seus efeitos, mas logo se recuperaram e cresceram bem? Por que se estamos fazendo “tudo certo” ficamos tanto presos num crescimento tão módico? Um país com os problemas sociais tão graves como o Brasil pode se dar realmente ao luxo de crescer mais devagar?

Muitas questões, poucas respostas, I know. Mas quem disse que o preço do conhecimento era baixo? ;)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Enquanto isso, em Hamburgo...

"Do Começo ao Fim" representando o Brasil no Foco Internacional (olha a moral!) do Festival de Cinema Gay e Lésbico 2010 que sempre antecede a CSD de Hamburgo. ;)

MERDA. Qualquer mostra de cinema na Alemanha sempre tem um debate no final onde o povo very academicamente discute o filme, as impressões, etc&tal. Perdi a melhor oportunidade EVER de levantar o meu dedinho numa dessas discussões, soltar em perfeito alemão um "Porque eu sou e moro no Rio de Janeiro..." e ter imediatamente 45 pares de olhinhos azuis virando para mim e brilhando ao perceber que eu sou minimamente pegável & tenho cabelos cacheados & tenho olhos castanhos & tenho uma pele com algum resquício de melanina. :)

Ah, meus tempos na Europa...*suspiros

P.S.- Fiz mal de descrever o filme para meus amigos alemães como "Telenovela meets Brokeback Mountain in The Fantastic World of Apple"?
P.S.2- Ah, falei que tinha nú frontal do morenão gostosão pra compensar.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Networking is everything

Lassen Sie mich Ihnen vorstellen (Tenham o prazer se serem apresentados), Herr FDP Germânico. Jawohl: ele, o responsável por metade dos posts "estou-deprimido-quero-voltar-para-casa" in Deutschland do início desse blog. O primeiro cara pelo qual eu realmente posso falar "estive apaixonado". E que claro, no melhor estilo "o destino te ferra", me aprontou uma das maiores decepções que eu já vivi na minha vida. Exatamente no momento mais difícil e complicado da minha estadia na Alemanha. :/

O título do post? Foto tirada por um amigo que por acaso esbarrou por ele no metrô de Hamburgo.

E os pensamentos? Na boa?

De que Hamburgo, assim tudo o que eu vivi naquela cidade, parecem pertencer a uma outra encarnação. De que eu quase posso escutar o alerta sonoro de "Zurückbleiben, Bitte" do metrô de Hamburgo, e o calor infernal que faz lá dentro quando chega o verão e a temperatura sobe acima dos 23ºC. De que eu consigo saber em que linha eles estavam só olhando para os bancos e design do trem do metrô que eles estão.

E de que é incompreensível como pessoas que foram tão importantes, com as quais você viveu momentos tão importantes e que você vai levar fácil para o resto da sua vida... se tornaram completos desconhecidos. Por uma mera incapacidade... de saber terminar as coisas.

Como isso acontece, néam? Alguém com quem você é tão feliz, tão realizado em um momento... e no outro "That's it, it's over", cada um pro seu lado e acabou. Nada.

Mas enfim... tem horas que olhar para o passado ajuda a entender e valorizar ainda mais o presente. Principalmente quando o presente é alguém que chega daqui a cinco dias da França, e cruzou o Atlântico somente pela vontade de te ver.

E você percebe que enquanto perde algumas coisas, você (quase sempre) acaba ganhando muitas outras.

(E claro, elogios aos Herr FDP Germânico estão terminantemente proibidos - sob pena de deportação e encarceramento dentro um ônibus "Brasileiros pelo mundo" da CVC em viagem pelo Meio-Oeste americano e eu iniciar a escrever postagens nesse blog no dialeto "Miguxo"/"Tiamuuuuamiguuuu!". Assim como elogios "You're so much better, Fer!" serão bem-vindos, claro :D)

P.S.- "I just feel like being in your arms. Quiet. Hope you will get this message, petit Je t'aime. Beijos, Ton S" . #1 8 meses de mensagens, atitudes e comportamento flawless. #2 Francês é TÃO mais romântico. heeheh :D

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Economics for Gays: Dilma Rousseff e Jornal Nacional - Parte 1

Não, o blogueiro que vos fala não foi passar as férias de inverno esquiando em Bariloche, cercado de brasileiros por todos os lados berrando “AmÔRRR, bate uma foto d’eu!” e enfiados em camisas da seleção brasileira de futebol (porque brasileiro no exterior TEM que usar qualquer coisa verde-e-amarelo e que tenha BRASIL escrito em letras garrafais. A razão lógica dessas pessoas tirarem um passaporte, pagarem uma passagem internacional, desembarcarem numa nova cultura e... se vestirem exatamente como se estivessem assistindo um jogo de Copa no Alzirão sempre me escapou. Duvida do que eu to falando? Na volta de sua próxima viagem internacional, dá uma olhada e conta quantos britânicos, franceses e alemães voltando para casa estão usando camisas de seleção, e compara com os guichês brasileiros. CERTEZA de pelo menos um daqueles horrendos gorrinhos azul-marinho com a bandeira do Brasil na testa dando sopa pela fila do check in). O blogueiro está no Rio (onde sinceramente “Inverno” deixou de existir e foi substituído pelo conceito de “Soft Summer”), se dividindo entre ralar no estágio/emprego temporário/godknowswhat , ficar preso no maravilhoso trânsito da capital carioca (e não, eu não pego engarrafamento com vista para o mar, mas na bem mais cinza e nada “Atlântica” Avenida Brasil) e entregar o primeiro capítulo da sua monografia (que desde já eu posso dizer que ODEIO com todas as minhas forças). Ou seja, conciliar Fernando profissional, estudante e blogueiro tá PHODA. Portanto, sejam pacientes: blog em regime de Soft Posting. :D
E a entrevista da Dilma ontem no JN, hein?

Sobre a Dilma? Acho que erraram SERIAMENTE a mão no Extreme Makeover dela, e o que era para ficar “esteticamente agradável” virou Perua do Lago Paranoá meets Ivo Pitanguy (e ela precisa URGENTEMENTE de aulas de oratória – Lula pode ter seus conflitos com a gramática portuguesa, mas Lula sabe falar). Sobre a Fátima? Picolé de chuchu com cobertura da calda de inhame. E sobre William? Ainda não me consegui decidir entre achar que o cara teve culhões e inteligência para ser ousado e crítico numa entrevista de candidatos a presidência no JN, simplesmente mal-educado (o que foi a Fátima cortando o marido e mudando o assunto? Fácil se ela não fosse mulher dele ela já estaria fora do JN e apresentando Roraima TV – Primeira Edição) ou a Globo resolveu mais uma vez se posicionar politicamente ainda usando a imagem da “neutralidade e imparcialidade” que ela finge que tem, e nós fingimos que acreditamos.

Mas o que o William falou faz mesmo sentido? E por que a Dilma engasgou e se enrolou toda na hora de responder? E a Rússia (e Venezuela?!) cresceram mais do que a gente nos últimos anos? E o meu Réveillon em Buenos Aires corre risco de virar final de semana prolongado em Cabo Frio?

Mais uma missão para Economics For Gays. ;)

E a aula de hoje será uma rápida análise de alguns gráficos que eu montei. Bem rápida, porque afinal ainda estou no estágio e tenho que terminar esse post antes do meu horário de almoço acabar (postar emagrece, RÁ :D). Fonte dos dados? Base de dados do Banco Mundial (porque os favoritos do meu computador são mais do que Katylene.com e BelAmi, honey :D). Por que gráficos? Porque são de fácil compreensão para todos aqueles que não são economistas e não tem saco para escutar as nossas gigantes análises e explicações sobre os fenômenos do mundo. E por que eu estou falando disso? Porque eu quero que os meus queridos leitores sejam lindos, magros e inteligentes economicamente. E saiam do grupo de leigos em um assunto tão importante.

Gráfico 1: Crescimento Percentual Anual do PIB, Grupo de Países por Renda
Significa?: O quanto os países cresceram percentualmente por ano, com os países separados por grupos de renda (países ricos, países classe média, países POBRES), de 2000 a 2008.

E daí?: E daí que países com renda média e baixa crescem em geral bem mais do que países com renda alta, no período analisado.

E daí? + Continuo não entendendo PORRA nenhuma: Não dá para comparar países lindos, loiros e japoneses (God, e não é que a piadinha realmente faz lógica no mundo real?! hahahaha Morryh!) com países sem H&M + Ikea + Apple Store e/ou monetariamente desfavorecidos (= pobres). O nível é outro, benhê: eles já são RYKHOS. Portanto, nada de ficar surpreso ao descobrir que a gente cresce MÓITO mais do que a Escandinávia inteira junta: já sabemos disso. (P.S.- Esse tipo de análise só é útil quando se quer ver relações de dependência entre economias, tipo “quando a economia americana cresce mais rapidamente, a mexicana também segue essa tendência?”).

Aprendi que: não ficarei enchendo o saco dos amigos economistas com comentários tipo "Noooossa, a gente cresce mais do que os EUA, néam?!".

Gráfico 2: Crescimento % Anual do PIB, BRIC + Argentina, 2002-2008

Significa?: O quanto os países do BRIC (onde intencionalmente eu exclui South Africa – o país é mais incluído por uma questão de cota africana do que realmente se assemelhar ao resto do grupo) y Argentina cresceram percentualmente de 2002 a 2008 (período Governo Lula I e II – O Retorno dos Quatro Dedos).

E daí?: Dentre os BRIC, o Brasil é o que menos cresce. BEM MENOS (apesar de que a série de dados vai somente até 2008, antes da crise financeira). Menos até do que ARGENTINA.

E daí? + Continuo não entendendo PORRA nenhuma: Em bom carioquês? GERAL foi no bonde do crescimento, só o Brasil que ficou de bobeira e se ferrô, mermão. Até a Argentina, que foi nel fondo del pueço em 2001, se recuperou e manteve taxas de crescimento bem acima as da brasileira. Toma Brasil: queria ver o que o povo daqui faria se a Quilmes tivesse mandado latinhas que depois de abertas ficassem “Subdesarollado!!!Subdesarollado!!!Subdesarollado!!!”. E detalhe: o bonde do crescimento econômico é que tem o 592 – Leme x São Conrado: perdeu, é “se ferrô playboy” e mofar no ponto esperando passar ele de novo. O que pode ser em 5, 10, 15 anos...

Aprendi que: eu ainda tô ganhando esse merreca, ainda tô nessa pindaíba por culpa desse FDP desse quatro-dedos!

E as conclusões parciais? Sim, realmente titio Bonner esta certo, o crescimento econômico do Brasil durante o Governo Lula foi RIDÍCULO em comparação aos BRIC e países da América Latina em geral.

Mas aí que vem o pulo do gato-economista (ui!): será que somente durante o governo Lula?

Será? Será? SERÁ?
(To be continued...)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

SIGA-me os bons!

Todo semestre os alunos da minha querida Universidade federal fazem a mesma coisa: passam a madrugada inteira criando tabelas no Excel (bem, pelo menos nós, economistas, néam?), desenhando inúmeras tabelas e rascunhos, se descabelando e xingando o sistema de inscrição em disciplinas online, o reitor, o coordenador do curso... tudo para finalmente descobrir que: 1) a matéria que você precisa fazer só tem no horário que vai fuder com a tua vida, 2) a matéria que você gostaria da fazer vai bater horário com a matéria que você precisa fazer, ou 3) se você pode fazer e curte a matéria, inevitavelmente você vai acabar sendo expulso dela.

E para dar um goshtinho da escolha de Sofia que eu tive que realizar, vai aí a listinha das eletivas da minha adorada faculdade. :D E lanço uma promoção: quem adivinhar duas das três eletivas que eu escolhi ganha um pacote para duas pessoas com tudo pago para Hamburgo, via Varig e Soletur! :D
P.S.- Não adianta: uma vez Federal, SEMPRE Federal... :D

domingo, 1 de agosto de 2010

Sobre a difícil arte de blogar (e comentar)


Teoricamente blogar é algo muito fácil. Escolhe-se um site de preferência (os que prezam pela praticidade e facilidade escolhem o Blogger, os que preferem a liberdade e conseguem entender como funciona aquela merda escolhem o Wordpress). Cria-se uma conta. Decide-se por um template (agora tem umas opções mega estilosas que não existiam quando eu resolvi criar o meu blog! E agora? E o medo de migrar para algo cool mas sem a essência Lost und Found de ser?!). Nomeia-se o blog (a hora mais complicada: quando você precisa ser criativo, mas sem ser babaca nem copiar algo que já existe. Mas claro, algo que represente você. Ou seja, um processo difícil pra caralho.). Clica-se em „Nova Postagem”. Dá-se um novo título ao que você quer escrever. Escreve-se o que vem a sua cabeça e voilá: você é um blogueiro.

No mundo real, claro que as coisas não tão fáceis assim. Entre escrever o que você pensa e clicar no “Postar” existe uma decisão de compartilhar as suas ideias com o mundo. De entender que aquilo que você escreveu vale a pena ser lido. De checar se aquilo foi algo que outras pessoas pensaram também. De saber se é relevante. E isso envolve ter uma coragem do caralho. E um certo grau de egocentrismo: todo blogueiro gosta de saber que é lido, que é apreciado, de que colocou em palavras o que pessoas não conseguiram colocar antes.

Mas para acontecer essa interação entre autor e leitor, precisa existir o botão “Comentar”. Li uma vez em um blog francês de uma adolescente mega antenada em moda uma discussão sobre o tema: depois de alguns posts gongativos e meio stalkers (contando detalhes da vida dela e de pessoas do seu grupo de amigos), ela resolveu acabar com a seção “Comentários” por acreditar que o blog é uma visão de mundo de uma pessoa, exposta para que outras possam acompanhar e tirar suas próprias conclusões. E que esse processo então prescinde dos comentários.

Eu discordo. Quem quer escrever e não escutar comentários e ideias e correr riscos escreve para si mesmo, num diário, guardado a sete chaves. Se for muito corajoso, organiza em textos e envia para uma editora, que se ele for tão brilhante mesmo, vai publicar. E ele não vai ler nenhuma crítica de jornal, nenhuma resenha, nada. E tapa os ouvidos para qualquer um que venha falando “Eu li o seu texto...”. Agir dessa forma tem suas vantagens, é claro (a ignorância pode ser uma benção, claro). Mas eu pessoalmente acho um tanto quanto... solitário agir assim.

Mas aceitar que comentários cheguem também tem sua dose de risco. O risco de ser desafiado. De chegar alguém e dizer que discorda do que você pensou, e questionar o seu escrito de uma forma que te atinja lá, bem no seu calcanhar de Aquiles. De alguma forma, provar para você que você está errado, ou de que o seu pensamento pode não ser o único válido. E aí as coisas complicam...

Todo blogueiro tem a sua lista de comentários ácidos, do tipo mais difícil de engolir. Daqueles que você passa algum tempo pensando em como responder, mostra para um amigo mais chegado e pergunta “Como respondo esse FDP?”. Estou excluindo dessa lista os puramente gongativos, afinal, gongar sem conteúdo é pura mediocridade auxiliada pela possibilidade de assinar como anônimo. Estou falando dos comentários que questionam o que você escreveu, o que você pensa. De que te fazem pensar por pelo menos 5 minutos, nem que sejam para te deixar puto. E fazer você escrever um outro post em resposta e esse comentário.

Todo mundo que acompanha o meu blog sabe mais ou menos como eu penso. Sabe da minha verve crítica, dos meus comentários irônicos com relação a tudo e a todos. Não sou assim o tempo todo, nem é esporte: é só mesmo o espaço que eu uso para me expressar assim. E falar o que eu penso. Compartilhar a minha visão de mundo. Trocar ideias, e chegar a uma conclusão diferente no final.

Por isso que eu acho que vale a pena blogar. E deixar o botão “Comentários” aí, ativo, funcionando. Para conseguir ter interação com os meus leitores críticos. Para que se alguém discorde do que eu escrevo, que essa discordância chegue até mim. E que isso me incomode, me deixe puto, sim. Mas que me faça pensar. E que me faça rever meus conceitos, ou só melhor fundamentar os meus conceitos preexistentes.

Porque só assim vou extrair alguma vantagem real de blogar.

A de ser um pouco menos ignorante. E aprender um pouco mais com os outros. Seja blogando. Seja comentando. Seja comentando e percebendo que o mundo pode não ser muito bem da forma como você pensa.