terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Fernando goes to São Paulo

Entâo, mêu: Fernando estará indo para São Paulo na próxima sexta para uma viagem de negócios (Ok, "ir para São Paulo" e "viagem de negócios" foi meio pleonasmo, eu sei... :D) e resolveu levar le Monsieur mon BF para um finde por terras emboabas. E a minha missão é transformar a megalópole brasileira num lugar interessante para uma pessoa proveniente de uma das cidades mais simpáticas, receptivas, carinhosas com o turista, cheia de pessoas alegres, bem resolvidas e felizes: Paris. :D São Paulo não tem praia, não tem coqueiro nem gente supostamente simpática sem camisa pela rua (3 motivos pelos quais eu poderia convencer um francês a vir para a América do Sul), logo a missão será árdua.
Portanto, HELP! Conselhos, dicas, ajudas, listinhas de must-see's! Faz séculos que não ando por esse lado da DMZ: quando eu fui aí pela última vez, a Avenida Paulista ainda tinha pedrinhas portuguesas com o formato do estado de São Paulo (aliás: alguém me explica por que isso, hein?) e o Tietê ainda dava uns sustos na população com umas enchentes eventuais. E mesmo depois de 4 dias por aí sempre caminhava para o lado oposto do da Paulista que eu queria ir, afinal todos os prédios da Paulista estão bem alinhadinhos (e até eu descobrir os prédios da Cásper e da FIESP) e achava impossível achar onde eu exatamente estava naquela avenida. Portanto, de alguma forma, a viagem também vai ser um pequeno "Descobrindo São Paulo" para mim também.
Guidelines
Quando: Chegada na sexta à noitinha, volta domingo final da tarde por Congonhas.  
O que eu acho que gostaria de ver: Liberdade (O que tem pra ver lá? Só aquela rua com aquele trecos vermelhos gigantes? Algum restaurante japonês-podrinho-mas-bom-pra-caramba?), Mercado Municipal (o povo fala tanto desse maldito sanduíche com 5kg de mortadela que eu quero finalmente ver como é) e Museu da Língua Portuguesa.
O que eu adoro: cafés de bicha-fina-urbana-e-que-veste-preto-no-verão-e-fala-articulando-as-consoantes-paulistana ali pelos jardins (o Suplicy ainda existe?), restaurantes quase-pé-sujo (sabe, aqueles com o dono no balcão com uma camisa social e um peito peludinho quase todo pra fora?) de culinárias exóticas e esdrúxulas (Tipo Indiano? Coreano?) por preços amigos, cachorro-quente com purê de batata (onde dá pra comer um muito bom?) e aquelas padarias maravilhosas que vocês insistem de chamar de padoca.
O que eu sei que eu não quero ver: Clube Noturno (sei que SP rules nesse quesito, mas sinceramente... dessa vez não, obrigado.), lugar baladinho demais (meaning: Spot, Ritz e semelhantes) e window-shopping-tours pela Oscar Freire (comprar a mesma coisa que dá pra comprar em Paris pagando o valor do produto + o pequenino imposto de importação brasileiro para produtos industrializados não rola, né Chéri?).
Perguntas: 1) Como sair da Rodoviária Tietê em direção a Paulista? (sem o táxi, CLARO!) 2) Como sair da Paulista em direção à Congonhas? 3) Qual a melhor área para ficar, ali perto da Paulista? Algum hotel/hostel bom-bonito-e-barato (lembrem-se que eu já fiquei em hostel de 5EUR em Praga, portanto eu sou fresco e seguro o barranco)? 4) Como eliminar o meu sotaque carioca em 2 dias? 4) Querem um post "Fernando em viagem" episódio SP? :D
Valeu, mêu!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Guess who's back?


Tudo bem, tudo bem... Um mês sem postar. O meu blog passou definitivamente da categoria de ativo (ui!) para aquele vivo-morto no qual o blogueiro parece ter perdido a vontade de brincar com brinquedinho novo mas de vez em quando sente saudade e gasta uns 5 minutinhos com ele. Ou seria o clássico caso de estrelismo da blogsfera, no qual depois que um cara cria um blog, começa a postar enloquecidamente sobre todo e qualquer tema, começa a comentar enloquecidamente nos blogs em que ele super quer constar no blogroll (os educados, como eu, só comentam – os sem noção mandam o clássico “Ai, adorei seu blog! Então estou escrevendo um blog sobre como as Destiny Childs foram importantes para a minha formação de caráter! Passa lá pra comentar, vai!!!!”), consegue um séquito fiel de seguidores que elogiam absolutamente tudo o que você faz (“Realmente, você escreve tão bem sobre qualquer assunto!” ou “Sua opinião sempre é fantástica!”), consegue determinada posição de destaque na blogsfera ele... repensa no porquê ele gasta seu tempo escrevendo quando poderia estar treinando badminton, posta uma mensagem de despedida no blog “Valeu pelos comentários, até a próxima, mas sou importante demais pra ficar escrevendo!” e fica postando feeds engraçadinhos no Facebook?

Juro que queria ter uma razão super fantástica para contar aqui agora. Tipo... sobrevivi uma catástrofe gigante, fiquei em coma esse tempo todo e só agora recuperei todos os meus movimentos do corpo (JAMAIS eu posso ficar paralítico pelo simples motivo de que a minha noção de espaço é uma das piores que eu conheci na minha vida. Andando eu já esbarro, chuto, piso em um monte de coisa – imagina equipado de uma roda de metal cheia de quinas super cortantes?!). Ou que a proximidade de 2011 me fez repensar nas minhas prioridades de vida e no que realmente eu busco dentro do meu “Eu interior” (tipows... eu dentro de mim mesmo, saca?), me fez enxergar que a vida é muito mais do que roupas, viagens e bens materiais e fez decidir largar a faculdade de Economia para viver num mosteiro budista no interior da Índia estudando os vedas e fazendo yoga mmslösmsstanga o dia inteiro (CLARO que isso jamais iria acontecer, porque no exato momento em que eu chegasse na Índia e visse todas aquelas confecções infétidas cheias de crianças filhas de prostitutas trabalhando sob regime semi-escravo, furando e cortando seus frágeis dedinhos para produzir fúteis peças de vestuário por quantias miseráveis....eu lembraria que laranja fica PÉSSIMO em mim, acabaria torrando todo o meu dinheirinho em fantásticas peças e quando uma criança viesse correndo clamando por piedade, eu chamaria o capataz para ela tirar ela de mim porque #1 eu não posso manchar minhas novas roupas de catarrinho e #2 elas precisam continuar realizando um trabalho tão importante, tão fantástico, que gera tanta felicidade na vida de tanta gente!). Ou que eu decidi escrever um livro corporativo de mega sucesso internacional (“Quem mexeu no meu cachecol da H&M?” ou “Pai bem-vestido, Pai cafona”?) e agora passo todo o meu tempo dando entrevistas na Você S&A (aka. Capricho de Executivo) falando em “estimular o capital humano” ou “buscar a sinergia de forças das diferentes competências e business cores da empresa”. Ou que virei comentarista de moda do GNT, atualmente comentando o São Paulo Fashion Week com um recém-adquirido sotaque fashion-tupiniquim (que vem a ser uma mistura do gauchês “Era camponesa/ferreiro na minha cidadezinha de colonização alemã/italiana quando o olheiro tarado me viu, me deu uns pega e me decidiu levar pra SP”, paulistanês “Eu falo gerÚNDIO todo o tempo e fa-lo as pa-la-vras super-merca-das por-que fica su-pe-R so-fis-ti-cado” e um leve toque de carioquês “Porqueám na Globoum só entra queim falám que néam a Fernanda Abreu, e ninguém vive de campanhãm da Carmim e Triton pro resto da vida nãum!), absurdamente discorrendo sobre aquelas lindas e super práticas peças mega originais (A-HAM!) de outono-inverno, completamente adaptáveis ao nosso clima temperado (quem falar que paulistano consome moda inverno e usa sobretudo em julho APANHA, porque toda vez que eu vou nessa cidade no inverno eu vejo a maior quantidade de gorro de poliéster e casaquinho de fleece com estampa da Disney do Hemisfério Sul!).

A verdade é que eu somente trabalhei horrores nesses últimos dois meses. Concentrei no trabalho. Reestruturei minha vida pessoai. Finalmente consegui um lugar para viver no médio prazo (o que para mim, depois do segundo semestre de 2009, significa uns 4, 5 meses? :D) com pessoas razoavelmente sãs e até simpáticas! :D Trabalhei mais um pouco. Fui a praia. Curti o verão carioca (e para ficar bem registrado: ainda continuo odiando o verão, odiando essa temperatura, odiando esse clima abafado e gente torrando a minha paciência falando “Ai, eu adoro o verão! Prefiro passar calor do que frio!”. Primeiro, eu ODEIO não conseguir dormir direito porque ainda sou um fudido e não tenho um ar-condicionado para recriar a Karélia no meu quartinho-sauninha, odeio essa sensação de estar suado o tempo inteiro, de pele suja e colando o tempo todo, como se ao invés de sabão eu tivesse passado Cola Pritt no corpo inteiro. Segundo, eu uso terno – no Rio de Janeiro – para ir trabalhar, e as duas cores que eu tenho disponíves são preto e preto risca-de-giz. E terceiro, toda pessoa que vem com essa frase imbecil sempre tem um ar-condicionado bem fortinho pra ligar de noite e seguramente não cresceu no bairro adjacente de BANGU, onde faz um calor do cão, e praia... RÁ, só lá depois de Jacarepaguá!). Li alguns livros. Escrevi alguns e-mails reclamando do calor infernal que faz no Rio de Janeiro e mostrando ponto-a-ponto para os meus amigos no Norte da Europa porque o inverno pode ser sim muito legal. Enfim, o normal. Nada demais.

Todo blogueiro acaba precisando de um pequeno período de distância para repensar no que escreve. Afinal, quem está aqui não é um jornalista que escreve on demand, mas somente um leigo que decide dividir suas experiências e impressões com o resto do mundo sob a forma de uma página na Internet. Algumas vezes temos muito a dizer, algumas vezes não temos absolutamente nada. Branco total na tela do Word. E sinceramente, o meu blog sempre foi o dos textos grandes, comentários dentro de comentários e uma análise um pouco particular sobre os assuntos. Não consigo fazer texto tipo “Fulaninho lançou tal Cd e eu achei isso e aquilo”. That is not me. Quem me lê espera mais. E produzir esse tipo de texto demanda tempo e inspiração, gente!

Enfim, obrigado pelos comentários de “Vamos atualizar? Obrigado.” (Ri muito quando li esse, confesso!) e estou de volta. Espero. Ou farei o meu melhor. Sinto saudades dessa coisa de parar em frente a uma tela branca e preenchê-la com palavras e pensamentos. Primeiro, eu acho super Carrie escrevendo sua coluna (Posso ver a camera chegando por trás de mim, minha voz falando “Once upon a time, in a steam-sauna called Rio de Janeiro...” e eu com cara de inteligente tomando um Haagen-Dazs tamanho “Panela de Refeitório de Escola Pública”). Segundo... é terapêutico. E terceiro, alguns leitores são como amigos, parte da minha vida, e que fazem falta.

Enfim, é isso. Eu voltei.. :)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

All I want for Christmas


Pisa, última parte do meu European Bitch-and-Lonely Tour. Última parte daquele tipo de viagem que você sabe que sempre você irá lembrar como o auge da sua vida (viajar pela Europa, óbvio que iria rolar outra vez - mas com vinte e poucos anos na cara, sozinho, pouco dinheiro no bolso e a incomparável e indescrítivel sensação de first timer, infelizmente nunca mais :D). Ainda sob o efeito Roma (um misto de sentir-se um nada perante toda a história humana bem ali na sua frente, sentir-se em êxtase e do tamanho do mundo pela capacidade absurda de criatividade e realização humana), não necessariamente triste, mas um tanto quanto melancólico. Sentimento natalino? Ficou lá em Frankfurt - os mercados de Natais chic et fashion de Paris não me convenceram, com suas casinhas brancas, luzes azuis e pretenso elegante estilo off-white; muito menos conseguiria sentir qualquer Christmas feeling em Madrid (onde o máximo que dá para conseguir é um hangover feeling).

E lá estava eu, em Pisa, para passar o Natal com uma amiga de uma tia. Família brasileira: rabanadas, peru e tudo mais o que pudesse se adaptado a um Natale Italiano. Inclusive compra dos últimos produtos exatamente no último dia de Natal.

Até aquele momento o Christmas Feeling não tinha batido direito. Vinte e Quatro Natais com verão, calor insuportável, ida à comércio popular para comprar o fatídico modelito para a véspera da Natal, bermudinhas, mais calor insuportável na cozinha enquanto minhas trocentas tias cozinhavam os clássicos de qualquer ceia de Natal (minha tia preferida fazendo a minha all favorite torta de limão) e passar a noite de Natal no jardim da casa da minha avó, reclamando do calor absurdo e fofocando sobre os últimos assuntos da família. E um Natal com frio, neve, roupas de inverno, cachecóis com motivos natalinos, pinheiros genuínos de Natal decorados com luzes brilhantes e coloridas, quentão (clássico do Natal na Europa, com alemães proclamando que é uma tradição natalina alemã, húngaros orgulhosos falando que a sua versão é a correta e franceses tentando terminar a discussão utilizando o argumento que vinho aceitável e bebível inexiste no além-fronteiras de Republique). Claro que ainda não havia rolado a sinapse que aquilo era o Natal.

E lá pelas 13h fomos ao hipermercado comprar os últimos ingredientes para a nossa ceia. Ana, realmente não acreditando que a capacidade de comunicação internacional (assim com a minha cara-de-pau de estabelecer uma comunicação em qualquer idioma) não tinham limites, me delega a tarefa de comprar azeitonas a granel e me deixa na fila enquanto vai procurar outra coisa qualquer.

Enquanto espero a minha vez na fila (esperando na fila - já se via que eu estava completamente adaptado à cultura alemã :D), eu olho ao redor. E vejo um supermercado típico de véspera de Natal: mamas comprando os últimos ingredientes para a ceia, nonas carregando peças enormes de carnes, crianças pentelhando tentando conseguir a última extorsão pré-presente de Natal... Engraçado: tão longe de casa, tão igual à casa...

E bem nessa hora eu sinto um cheiro. Tender assado. Saindo do forno, no setor de pratos prontos. Tender assado. Tender assado. Tender assado. E vem na memória aquela sensação de calor absurda, minha tia gritando "Jesus, que calor é esse!" enquanto coloca o prato saído forno em cima da pia...

E ao meu redor somente famílias italianas gritando. E massas Barilla. E proseccos. E a vista dos Apeninos pelas janelas do supermercado. E mais famílias italianas gritando (deus, como italiano fala alto!).

E no fundo daquela gritaria todo, sons de sininhos. Sininhos natalinos. E uma voz feminina acapella cantando "Iiiiiiiiiiiiii... don't want a lot for Christmas... There is just one thing I neeeeeeeeed...". Cantando que não liga para os presentes debaixo da árvore de Natal, porque só tem uma coisa que ela quer.

Sim. O meu espírito natalino de 2009 decidiu dar as caras num hipermercado nos subúrbios de Pisa com Mariah Carey cantando "All I want for Christmas". O primeiro Natal longe da minha família. Do outro lado do mundo. Num frio do caralho. Sem presentes. Sem tender assado. Sem calor absurdo. Sem presentes. Sem presentes. Sem presentes.

Meia hora depois estourava lindamente o meu orçamento diário de viagem comprando um lindo-mas-inútil-para-o-clima-tropical-do-Rio suéter lilás na Benetton. Uma hora depois começava a chorar ridiculamente num cybercafé administrado por uns paquistaneses assim que a minha mãe atendera o telefone na casa da minha avó e eu escutara aquele som de bagunça que só quem tem família muito grande sabe como é e pensava que estava todo mundo lá, menos eu. Chorei ainda mais assim que liguei para Hamburgo e percebi que o meu amigo mexicano-americano realmente sentia a minha falta naquela noite. E chorei ainda mais (haja lágrima) quando liguei para o francês que tinha conhecido na última noite em Paris (e que me stalkeava desde então) porque estava muito carente e ele tinha reagido muito estranhamente à minha ligação (cette FDP se tornaria posteriormente meu namorado e alvo da chantagem "Você atendeu estranho aquela minha ligação de Natal!", a qual ele pagaria cada franco pela atitude demi-bombe dele :D).

Saí do cybercafé para o carro da amiga da minha tia secando as lágrimas. Ajeitei o cinto do trenchcoat, arrumei meu cachecol de lã de alpaca enquanto ela dirigia às margens do rio Arno. "Com cara inchada, mas elegante" pensei eu. E olhei para a mistura de prédios renascentistas e barrocos na Lungarno Mediceo. E pensei na sorte que tinha. E voltamos para casa, tive meu Natal italiano, passei o dia de Natal mais fantástico da minha vida passeando pelas ruas vazias de Florença (e o resto vocês sabem porque contei aqui no blog).

E o que talvez vocês não saibam é que mais uma vez Fernando foi vítima do late Christmas Feeling. Em pleno horário de almoço do estágio, em frente à vila de Natal do shopping RioSul, olhando toda aquela decoração fake com pinheiros e casinhas de Natal e pensando como ao vivo era tão mais fantástico, mais colorido, mais mágico. Quando na Renner, ao lado, começa a tocar "All I want for Christmas". Thanks Mariah, again. Obrigado por me relembrar da longa lista de pessoas com as quais eu gostaria de estar nessa noite de Natal juntinho, dentro de um chalé qualquer bem no meio dos Alpes. E obrigado por me relembrar que isso é praticamente impossível de acontecer! :)

Lição de Natal aprendida? Não importa o lugar do mundo em que você esteja, você sempre irá ficar deprimido porque aquilo que você realmente quer você não vai ter. :D De desde ao Ferrorama que sua mãe substituira pelo Autorama, Barbie Sonhos de Princesa Rosa substituída pela Susy Veterinária, Jogo Imobiliário substituído pelo idiota Imagem e Ação... Até todos os amigos ao redor do mundo que você gostaria de dar uma abraço bem forte e falar que tem saudades pra caralho deles.

Mas não adianta. Porque todo Natal a gente continua esperando que vai dar certo. Que vamos ganhar o presente que a gente quer. O presente perfeito.

E lá vamos. Colocando o maldito sapatinho na janela. Continuando com a tradição, mantendo a esperança. :D

Feliz Natal para vocês.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Considerando o calor senegalês que tem feito no Rio...

Vocês dão um desconto se eu confessar que ainda estou sentido uma puta falta de Hamburgo?

Inacreditável pensar que logo vai fazer um ano eu voltei (e dois de que eu fui) e ainda toda vez em que eu vejo uma foto dessa... eu me lembro exatamente da excitação da minha chegada na Alemanha. Da aventura que era ir para a rua. De escutar alemão, de ter diálogos em alemão. De pensar "Caralho, estou no Norte da Europa!". De ficar feliz como uma criança idiota toda vez que via neve (e não, morar num país que tem um inverno real não me fez ficar de saco cheio de neve.).

E bate a saudade de vestir aqueles casacões antes de sair de casa, se sentir aquele gelado gostoso no rosto quando se abria a porta da rua, de pensar que tudo aquilo era tão surrealmente diferente do Rio.

(Ok, hora do estudo, só queria compartilhar a foto de um amigo com vocês. :D)

domingo, 28 de novembro de 2010

Weekly Report: Novembro, Semana 49

“Guerra ao Terror” no Rio
Inquestionável: uma das piores semanas que essa cidade já viu. Com eventos como a Copa do Mundo e Olimpíadas se aproximando, a sensação que todo carioca teve foi de humilhação e vergonha por tudo o que aconteceu. Mensagens no meu Facebook pipocando de amigos estrangeiros perguntando como estava a situação na cidade, eu tentando tranquiliza-los que Ipanema ainda era seguro, ao mesmo tempo que em que pensava em toda a minha família espalhada pela Zonas Oeste e Norte e pensava como essa cidade realmente é partida. Os carros de polícia se multiplicando pela cidade, numa escala em que eu jamais vi antes, com os policiais se escondendo atrás dos fuzis e estampando na cara a sensação de insegurança e medo que dominou a cidade. O pânico – que pelas facilidades modernas de e-mails, sites de notícias e twitters – se espalhando pela cidade, com as notícias de empresas liberando os funcionários mais cedo, planos de jantares e get togethers sendo cancelados por “motivos de insegurança” e a preocupação por todos os amigos que moram na Zona Norte.

Não tenho muito de novo a acrescentar – afinal tudo foi exaustivamente discutido, analisado e pensado. Mas sinceramente, três coisas me preocupam seriamente nessa questão. E sobre as quais vale a pena debater aqui.

Primeiro, o argumento mais dito e repetido pela classe média carioca nessa semana de “para fazer uma omelete precisamos quebrar alguns ovos”. 30 pessoas mortas não são “alguns ovos”, 30 pessoas mortas não são um efeito colateral necessário de algo que”tinha que ser feito”. São 30 pessoas mortas. Que não sabemos se eram chefes do tráfico, aviões ou gente honesta que levou um tiro dentro de casa tentando se esconder do conflito. Já perceberam que inexistem informações sobre quem eram essas pessoas? São 30 pessoas pelas quais não haverá “Abraço a Lagoa pela Paz” nem advogados processando o Estado porque eram... 30 pessoas, provavelmente negras, moradoras de favela e que por isso são “ovos necessários de serem quebrados” para a garantia da paz no Rio de Janeiro. Que não merecem nem a mínima dignidade de terem seus nomes mostrados ao público. Isso tudo combinado com o discurso clássico de “Direitos Humanos é o caralho” - como se realmente fossemos uma Suécia, onde os policiais ficam inertes por uma variada gama de restrições de ações

Segundo, a nomenclatura de “guerra” para o conflito que aconteceu no Rio. Me chegou via e-mail a excelente declaração do deputado Marcelo Freixo sobre a questão dos conflitos no Rio que vale a pena ser repetida.

... Primeiro, que as imagens, as armas, o número de mortos, tudo isso poderia nos levar a uma conclusão da ideia de uma guerra. Mas, qual é o problema de nós concluirmos que isso é uma guerra, de forma simplista? Não há elemento ideológico: não há nenhum grupo buscando conquistar o estado. Não há nenhum grupo organizado que busca a conquista do poder por trás de qualquer uma dessas atitudes. As atitudes são bárbaras, são violentas, precisam ser enfrentadas, mas daí a dizer que é uma guerra, traz uma concepção e uma reação do Estado que, em guerra, seria matar ou morrer. Numa guerra a consequência e as ações do Estado são previstas para uma guerra. Hoje, inevitavelmente, o grande objetivo é eliminar o inimigo e talvez as ações do Estado tenham que ser mais responsáveis e mais de longo prazo.

Pouco vale a pena acrescentar a esse paragrafo. Talvez deixar registada a minha decepção (mesmo enquanto pirralho que não sentiu na pele o que era Ditadura, mas que todo dia quando entra na faculdade vê os nomes dos estudantes da minha faculdade assassinados pelo Governo Militar escritos numa placa numa das entradas de uma das minhas salas de aula) de ter o Exército e Marinha de volta as ruas, com o apoio popular, sem que as pessoas sequer questionassem coisas como “Forças Armadas não existem para meter em balas em brasileiros” ou sobre o perigo de estimular o orgulho de “Salvador da Pátria” de uma instituição que tomou o governo para si e só foi retirado faz meros 25 anos. E enfim... quem não pelo menos repensar duas vezes o que ouviu durante essa semana pode voltar para a leitura da sua Veja e me taxar de “defensor merdinha dos direitos humanos”.

E por último, a minha eterna crítica a adoração brasileira pelas “soluções práticas e fáceis”. Que nós realmente fossemos idiotas alienados e acreditassemos que o BOPE “iria vencer essa guerra” e que daqui para frente não existisse um bandido sequer, uma bala sendo disparada sequer no Complexo do Alemão e Morro do Cruzeiro – realmente dá para acreditar que essa situação não irá se repetir em nenhum outro morro carioca, em nenhum outro subúrbio brasileiro? Realmente precisa relembrar que essa situação é nada mais do que o pagamento tardio de uma divida social, de um modelo de desenvolvimento que provocou a geração de uma sociedade altamente desigual (again – década de 90, Brasil país mais desigual do mundo, superando qualquer país africano que jamais poríamos nossos pés por questões de segurança), da falta de alternativas e possibilidades de crescimento pessoal para uma massa significativa da população que foi ignorada pelo governo e pela sociedade enquanto elas “não causavam problemas”? Isso não é um jogo de “Counter Strike Rio – Real Life”, no qual quem vence a batalha solta um gritinho de “sou macho pra caralho” e vai tomar seu ovomaltine preparado pela empregada. Isso não é um joguinho de “Call of Duty” no qual o BOPE sai da favela carregando uma criança nos braços, transpirando dever e orgulho de “defender o que é certo” enquanto os favelados jogam flores, orgulhosos de terem sido “resgatados”.

A solução? Não sou especialista em segurança pública, não sou economista especializado em estudos da pobreza e muito menos tenho topete para sugerir fórmulas inovadoras de desenvolvimento urbano e social. O que eu sei? Que tudo começa pela construção de uma Polícia respeitada por toda uma população: da Vieira Souto ao Complexo do Alemão. E o modelo para essa polícia não é Batalhão de Operações Especiais, circulando pelas ruas num panzer blindado com uma caveira com duas armas e uma faca enfiada dentro dela. É uma Polícia eficiente, exata, cirúrgica, que prende, que atira na perna antes de tomar a decisão de enfiar uma bala na cabeça de um negro (lembram do caso do morador do Andaraí que levou um tiro na cabeça enquanto usava uma furadeira elétrica porque o policial do BOPE pensou que era uma submetralhadora? Ah claro... “efeitos colaterais”).

E o pior de tudo? Eu sei que essa polícia não vai existir tão cedo. Porque é mais fácil aumentar o número de recrutas do BOPE, porque é mais fácil meter porrada em morador de favela ao invés de investir em inteligência (no próprio discurso do Marcelo Freixo: sabe onde fica o órgão da inteligência da Polícia carioca? Na Polinter – e agora, cariocas me entendem), porque é mais fácil bater sem perguntar do que ser eficiente e deixar o julgamento nas mãos do Judiciário, como toda sociedade tolerante deve fazer.

E para nós, gays: a solução para esse problema, alternativa a questão de desenvolvimento e inclusão social desse mar de gente favelada e marginalizada, já está acontecendo: o fundamentalismo religioso. O entretinemento, o centro de direitos sociais, a escolinha nessas regiões de favela e subúrbio estão sempre concentradas na figura do Igreja e do Templo Religioso - que quase sempre propaga esse discurso conservador e reaça contra o qual nós temos “lutado”. E na hora em que essas instituições passarem a querer exercer o seu poder de mobilização de massas, o seu poder político... aí bees, vai ser a hora de empacotar as Aussie Bums e camisetas AX e ir morar lá pelas bandas do Primeiro Mundo, porque teremos perdido na “nossa” batalha.

E o Rio
O cheiro do mar. O ar saudável e bronzeado das pessoas. A possibilidade de sempre contar com a praia como programa possível para uma tarde de sol livre. O mar de ressaca quebrando na praia. O sotaque – do carioquês ipanemense até o carioquês suburbano-favelado, todos com seus 's' transformados em 'x' e seus 'r' aspirados. O fato de que não importa o quão decadente economicamente nos tornamos sempre seremos identificados como a síntese, a imagem do país para o mundo. A vista da chegada a São Conrado pela Avenida Niemeyer. As lojas de sucos. Sempre se surpreender com uma vista fantástica e espetacular do Pão-de-Açúcar e do Cristo. O tempo bom e verão quase permanente no clima dessa cidade. Perceber o clima de excitação e de êxtase quando Dezembro chega e sabemos que mais um verão se inicia. Poder escolher entre a Praia ou as ruas internas (e quase sempre o trânsito fluir melhor... pela praia). A síntese de montanhas, cidade, floresta e mar. Sentir na pele o retumbar dos tambores e tamborins durante um desfile de escola de samba. Escutar Bossa Nova em qualquer lugar do mundo e ser automaticamente transportado para 'casa'.

O fato de ter 'Naturalidade: Rio de Janeiro' na minha carteira de identidade e passaporte. E pensar que tudo isso acima faz parte de um estilo de vida. O meu estilo de vida. E que independente do lugar onde eu vá morar, eu quero ter certeza de que tudo isso espera aqui, por mim.

Crise Econômica na Europa
Para todo os que curtem os meus posts “Economics for Bees”, um must read: essa coluna do Clóvis Rossi no Folha Online. Pequena lição de como a Economia realmente funciona. (E claro, estou aberto a perguntas!).

The Bitch is back
E para todos que ficaram inconformados depois que Mr. Daniel e o seu Chato no Ar resolveram pular fora do cyberspace (e se sentiram órfãos de blogs gays cariocas de altíssima qualidade), uma boa notícia: eles está de volta, mas agora sob o título “O Mundo em Meus Olhos”. Sim, queridos: o filho pródigo do Méier está de volta, com seus textos surpreendemente fodas (yes, honey: músculos, good look e inteligência podem conviver numa mesma pessoa!), senão numa pegada mais intimista. Direto para o blogroll, claro.

Agora: todo mundo sabe que o Daniel adora hidden messages, e que o ChatonoAr era ne verdade Chat Noir. Portanto, qual a hidden message de “O Mundo em Meus Olhos”? Algo tipo assim... Tom Zé? :D

(E para o Dan: Welcome back Bitch! Sentimos sua falta!)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Weekly Report: Novembro, Semana 48

(Uma tentativa... de manter o contato com vocês. E de falar algumas besteiras, bien sûr. :D)


Crise do Euro, Irlanda, Portugal, Grécia (e todos os outros países-peludos) se ferrando
Primeiro: estava óbvio que legal não tava... mas também ninguém não queria muito acordar para a realidade, não. Dublin infelizemente eu não conheci, mas Portugal e Espanha pareciam way wealthier do que eu jamais imaginei – isso depois de eu ter conhecido a Escandinávia e ter morado na Alemanha (ou seja, nada de choque “subdesenvolvido goes to Europe”). Em Portugal discutiam seriamente um projeto de reconstrução da linha de comboios rápidos Alfa Pendular que custaria uma fortuna absurda em euros e que reduziria o tempo de viagem entre Lisboa e o Porto em enormes... 20 minutos. Já na Espanha, ainda hoje comento do aspecto palaciano do sistema de trens urbanos de Madrid – estações e túneis gigantes quase que inteiramente subterrâneos, trens que faziam seus equivalentes dos serviços urbanos de Paris e Berlim parecerem ter sido doados pela Supervia/CPTM – e de como aquilo devia doer um pouquinho no espírito de alemães e franceses quando pensavam que aquilo estava tudo sendo financiado com dinheiro da UE.

Segundo: Sinceramente, não faço a mínima ideia se Portugal escapa dessa vez. Difícil mesmo prever uma coisa que vai acontecer. Mas uma coisa é certa: entrando Portugal e Itália declarando que não vai muito bem das pernas, F-U-D-E-U. Se eu consigo imaginar a Europa sem o euro e voltando às suas moedas nacionais? Não. Economicamente, por mais que a Alemanha reclame de ter que pagar a conta da má administração de meio continente, o euro foi uma das melhores coisas que aconteceu para a combalida economia alemã. E politicamente... a parceria França-Alemanha já chegou num nível sem volta, e tanto Berlim quanto Paris sabem que enfrentar EUA e China uma sem a outra definitivamente vai ser muito pior.

E terceiro: eu juro que super imagino Betinha deitada num confortável sofá com seu MacAir no colo, num live chat com as amigas Silvinha, Margô e Soninha enquanto assiste Frau Merkel tentando explicar para os eleitores alemães porque eles deveriam financiar a dívida dos “povos do sul” (“Liebe Volk, eu sei que eles são bagunceiros, gastadores, incompetentes, só querem saber de festa e desconhecem qualquer conceito de ordem e disciplina... mas se eles quebrarem tamos com o salsichón no Kuh! E já que a gente não pode invadir, então só resta ajudar financeiramente, néam?”). Betinha digita no computador “And they thought we needed them, didn't they, girls?” e seu riso ecoa pelo Mar do Norte. :D

Homofobia não
Absolutamente me decepciona o que aconteceu tanto na Paulista como no Arpoador (e eu quero é mais ver cada um dos culpados pelos dois casos dentro da cadeia, servindo de mulherzinha pra geral).

Mas sinceramente? A indignação, a mobilização geral, o “Temos que fazer alguma coisa” acontece somente quando os casos acontecem dentro da bolha de Ipanema e Jardins? Eu sei: é onde a imprensa está, é onde a imprensa cobre, bla bla bla. Mas minha “experiência de subúrbio” (A-ham) lembra que viadinho e travesti morto são fatos absolutamente comuns, assim como Polícia e Exército fazendo suas merdas eventualmente sem que ninguém falasse de nada.

Afinal, não custa lembrar que o Brasil é o país onde mais se matam homossexuais fora do mundo islâmico, não é?

Parada do Rio
Não fui. Porque sinceramente... #1 odeio multidões, #2 odeio música alta + multidões, #3 odeio música alta + multidões + vinho barato que pode manchar qualquer uma das minhas roupas, #4 porque meu amigo não topou participar do programa de índio e me convenceu ficar vendo “Esquadrão da Moda” no Discovery Home & Health. Mas lá pelas 21h fomos tomar um chopp por Ipanema, demos uma passada na praia e fizemos a Celina-e-Odete (“Mon dieu Celina, mas o que é isso?!”) com a cena da praia na altura da Farme tomada por Pokemóns adolescentes vestidos de Restart e falando o mais autêntico Katylenês – calças jeans skinny em tons berrantes em profusão (eu sempre defendi a Skinny, mas porra: amarelo ovo? Roxo? Verde-limão?! Não dá, néam!) e muito “Ai bee, tô locaám, me passa esse Ice aquieám!”. Mas passado o choque inicial (de ver tantos projetos-travecos juntos – gente, na minha época não era liberado assim não e viadinho tomava coió no colégio!), sabe que eu fiquei até um pouco feliz? Para muitos dali era uma das raras oportunidades de darem pinta, serem o máximo de viados que pudessem ser, de se sentirem incluídos dentro da categoria “Sou Gay”. E dessa galera nova, mega afetada e mega BEEESHA! é que nós precisamos.

E a reflexão Pós-After-da-Parada...
Quando as bees cariocas vão entender que barra de cueca Calvin Klein não é chique, muito menos cool e longe de ser estilo, hein? (Porque sinceramente, a visão permamente-de-todo-e-em-qualquer-lugar daquela camisa pólo com aquele pica-pau absurdamente gigante já considerei como dada para o próximo verão carioca).

Palavrinha Nova
Pensa num 'Bear'. (Não bee, tô falando num homem gordinho e peludo mesmo, não num Urso Polar.) Tira a gordura mas mantém os pêlos. Um Wolf, certo? Ok, agora tira ainda um pouco mais de gordura. Skinneou, certo? Sabecomoéonomedisso? Squirrel. :D

Cena da Semana
Última quinta-feira de noite, amigo chama para um chopp no “Tô nem Aí” (eu sei: é tipowz aquele programa que você sabe que vai ser furado, mas que você vai... porque no fundo acha legalzinho. Total tensão no ar tipo “Gringo seeks a local / Local seeks a gringo”). Abro o guarda-roupa, boto uma camiseta social-but-casual (Oi?), bermuda, Converse cano longo vermelho e olho para os meus cachecóis europeus. Como tava um vento estranho no ar (e no Rio toda vez em que você quer fazer a linha “Puta-não-sente-frio” você acaba batendo queixo com um vento gelado vindo do mar), resolvi arramatar o look com um dos meus preferidos – um laranja – praticamente um companheiro de viagem. Me olhei no espelho, aprovei o look depois da auto-pergunta “Eu me pegava?” e saí feliz e contente de casa.

Um chopp se tornou dois chopps que se tornaram cinco chopps, toca Pitbull no ambiente, “Ai, eu quero dançar... Vamos pro Galeria?!” (sim, uma alma reagattonera existe debaixo dessa imagem eu-amo-Europa), e voilá Galeria. Small performance ao som de “In my arms” (“How do you describe a feeling?... I've only dreamt of this... WOW!”). Voltando para o bar para encontrar o meu amigo (o que no Galeria significa... 20 cm de distância ocupados por 15 cacuras e pessoas estranhas) quando uma coisa me para. Gordinho, usando uma camiseta preta justinha no corpo (quando as pessoas vão entender que “camisa justinha” só funciona quando você tem a quase impossível combinação de corpo magro/longilíneo mas sem NADA gordura, porra?) com uma clássica idiota mensagem em glitter, segurando um drink coloridinho com uma das mãos (odeio drink “coloridinho”: drink tem que ser transparente, opaco e no máximo a intervenção de uma grenadine. Mais do que isso, pra quê?). Ele para, pega no meu cachocol. E numa voz proto-diva me solta “Too much.”. E saí.

Durante 1 segundo (hiperativo: a gente pensa rápido demais mesmo), minha cabeça processa a informação. Um cara deselegante, gordinho, usando “camisa justinha” tentando passar lição de “How to get dressed” para mim? No Rio de Janeiro, uma das cidades mais legais do mundo? Rá. Rá Rá. Rá Rá Rá.

Eu viro de lado. Faço a minha melhor cara “Blair Waldorf's Über-Bitch Face”. Sorrio o mais tender dos meus sorrisos. E mando:“ 'Too much of fat' you meant, darling?

A criatura faz aquela cara atônita de “Oi?”. Eu viro as costas. E jogo o cachecol pelo ombro da forma mais nonchalant possível que eu sei que consigo fazer – com a certeza de a ponta foi na cara dele. E continuo conversando com o meu amigo.

E decidido: o visual do verão? Qualquer coisa com cachecol. Eles já passaram 9 meses dentro do guarda-roupa, precisam de uma diversão, coitadinhos. E se todo mundo (meaning TODO MUNDO MESMO) pode sair exatamente igual de pólo da Reserva, porque eu não posso fazer a linha “Verão na Costa Amalfi”? :D

E a última
Contei para vocês que estou morando em Ipanema?

(É, eu sei: um passo crucial para a transformação numa “bicha phyna” foi dado. Agora só falta comprar a minha coleção de livros de mesinha de centro Taschen e fazer minha filiação no PSDB*. :D)

*Prometo ficar sem alfinetadas políticas por um bom tempo, tsá? :D

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Curtas: I'm so busy

Faculdade, primeiras provas pessimas, Acorda! de meio de periodo, uberpanico com a possibilidade de repetir com em qualquer uma das materias atualmente cursadas (faculdade mais um periodo nao!) e certeza absoluta de que paz de espirito somente da segunda semana de dezembro para frente. Estagio novo, estagio antigo, estagio novo com o dobro do salario, terno (longo verao pela frente) e vista para a Baia de Guanabara e decisao pessoal de que daqui para frente meu maximo tem que virar meu padrao e que eu tenho que me tornar o profissional que eu sempre quis ser (ou seja: blogsfera durante o horario de trabalho, Auf Wiederniemals!). Quarto na Zona Sul, flatmate (incompetente) decide que pagar a luz e o gas nao sao prioridades, discussoes (jamais discuta comigo quando eu estou plenamente seguro de que eu estou certo - preze pela sua vida), move out, noites na casa de um amigo no Leblon, noites na casa da tia em Vila da Penha (#For-Non-Cariocas: Bairro da Zona Norte/suburbio com certa concentracao de predios bonitinhos, casinhas arrumadas e pessoas com padrao aquisitivo relativamente mais elevado, sonho de vida da maioria dos suburbanos. E claro, no meio das principais e mais pacificas favelas do Rio de Janeiro), busca incessante pelo maravilhoso mercado imobiliario do Rio de qualquer coisa para morar (bolha define - as pessoas realmente perderam a nocao de valores, principalmente em Botafogo) e certeza de a teoria "Quando uma area da sua vida comeca a dar certo, outra instantaneamente comeca a dar errado" realmente funciona. Crise no namoro a distancia, termina, volta (tudo por Skype), colocamos os pontos nos i's culturais (namoro intercultural never again!) e vamos tentando ate onde da, saudades para caralho e marcando passagens para os proximos encontros.

Explicada a falta de posts? :D
(Assim que retornar ao mundo com Internet e sem faculdade, prometo voltar com as postagens num ritmo normal, certo? :D)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

" O pior é pensar que o Nordeste escolhe o Presidente, mas nós é que pagamos a conta... Deplorável. "

Extraído da blog sobre a campanha da presidência da Folha.

Somente um comentário: eu não votei no Serra (e jamais votarei em PSDB) exatamente por esse motivo. O PT tem milhões de problemas, mas sinceramente, eleitores que declaram abertamente esse tipo de opinião? A gente sabe muito bem onde encontra.

P.S.- E quem vier com comentário do tipo "Mas o Nordeste é sustentado pelos impostos do Sudeste", por favor, faça-me um grande favor: abra um livro sobre o sistema de distribuição tributária brasileiro e leia sobre o tema antes de falar alguma merda. Também vale pensar em toda a mão-de-obra baratinha baratinha (que passa a sua roupa, serve seu prato no restaurante, dirige seu ônibus) que simplesmente fez a grande ofensa de migrar dentro do seu próprio país em busca de melhores condições de vida.

P.S.2- Filho de pernambucanos que migraram para o Rio, sim senhor. 100% de sangue nordestino rolando aqui nas veias (apesar de que isso representa porra nenhuma pra mim).

P.S.3- PUTO. Muito puto com esse tipo de gente.

domingo, 31 de outubro de 2010

Eu voto no Serra porque....

1) Eu e Odete Roitman não aguentamos mais encontrar com brasileiros na Île Saint Louis (e queremos a volta do dólar custando muitíssimos reais)
Porque assim não pode, assim não dá: nós pagamos uma passagem aérea internacional, nos enfiamos num avião para cruzar o Atlântico e subir para o Hemisfério Norte (malditos portugueses: precisam ter navegado TANTO para fundar o novo país?), vestimos os nossos melhores casacos de pele para chegar em Paris ou Londres e topar com brasileiros falando "Olha AMORRR, o hidratante Victoria Secret tá por USD20! Será que dá pra levar 10?"?

E pasmem (pois se Odete visse isso, pegaria a arma de Leila e mataria ela a si mesma): nem na própria Île Saint Louis temos mais paz. Na minha última estadia em Paris, passeando pela Île Saint Louis em direção a Berthillon (sorveteria maravilhosa: os proprietários abrem quando querem, afinal é Paris, oui?), topo com fitinhas de tecido multicoloridas presas a uma porta de uma loja brilhante e iluminada, se movendo conforme os ventos do Sena de final de inverno. Chego mais perto e... meus olhos piscam de incredulidade.

Sabe aquela marca de pulseiras de resina Sobral (dieu: brasileiro adora uma resina, plástico e semelhantes!)? Então, abriram uma filial em Paris. Na Île Saint Louis! Fitinhas do Senhor do Bonfim na Île Saint Louis!

Isso precisa acabar. Urgente. Buenos Aires, Paris e Londres estão sendo destruídas pelos brasileiros. (E Miami, Aruba e Cancún? Pode deixar para os brasileiros mesmo - impossível ser sofisticado em qualquer praia fora do Mediterrâneo, brasileiro curte uma praia e é bom que eles fiquem por lá mesmo.)

2) Dilma é uma comunista de merda, terrorista de esquerda
Meus ancestrais (judeus holandeses) trabalharam bravamente, dia-e-noite, durante anos para fornecer dignidade e qualidade de vida para seus descendentes. Enquanto isso, esses índios ficavam dormindo em redes e descendentes de escravos batucando essas canções que deram para chamar ultimamente de música - e nada de aprenderem um ofício, algo de produtivo e útil. Aí chegam esses comunistas reclamando que "estamos nos apropriando do excedente produtivo dessas classes" e reclamando nossos bens e propriedades para a coletividade?

E a sociedade brasileira lutou bravamente pela defesa de valores como família e propriedade privada e contra esses insurgentes vermelhos que espalharam o terror e o sangue dos bravos defensores da Revolução gloriosa de 69. Insurgentes vermelhos que espalharam bombas e o terror vermelho sem dar ao menos chance de defesa aos militares, ameaçando a democracia da pátria Brasil! Os mesmos insurgentes que já dominaram o poder por oito anos e agora ameaçam voltar na figura principal de presidente da República? Onde está a Igreja? Onde está a sociedade brasileira? Onde está a Globo?!

3) Governo não tem que oferecer merda alguma 
O Gasto Público está nas alturas, e alguma coisa está melhorando? Nada! Está mais do que provado que a iniciativa privada é que precisa fornecer esse tipo de "auxílio social" - eu mesmo, freqüentemente participo de jantares beneficentes para ONG's que desenvolvem trabalhos excelentes. Ainda preciso pagar impostos?

Afinal, a Europa infelizmente já deixou claro que sistema de bem estar social não funciona, e nos EUA é assim: quer educação? Paga! Quer plano de saúde? Paga! E todo mundo continua imigrando para lá, não é? E porque nós temos que fazer diferente? Porque EU tenho que continuar financiando programa de de assistência social de flagelado da Seca lá do Nordeste? Já financio a Cleidete, fornecendo emprego a uma pessoa que mal sabe ler e não consegue de forma alguma simplesmente reproduzir qualquer uma das minhas receitas de culinária francesa.

4) Acho que o Brasil já cresceu rápido demais mesmo e a taxa de juros precisa voltar a subir
E taxa de juros alta é bom porque impede que o fantasma da inflação volte - eu mesmo li isso semana passada na Exame. Realmente, essa farra de crédito já chegou longe demais: os aeroportos viraram currais, com aquele bando de classe C embarcando felizes da vida com suas malas de material inferior nos vôos em direção ao Nordeste com passagens pagas em 9x sem juros. Quem está pagando isso? Nós. NÓS!


5) Acho que tem que privatizar tudo mesmo
Porque está mais do que provado que a iniciativa privada faz tudo muito melhor mesmo. Afinal, lembram do caos que era conseguir uma simples linha de telefone celular? E daí que temos as maiores tarifas de telefonia do mundo: para quê pobre quer falar no telefone? E todo mundo vive com telefone pré-pago, certo? Portanto, muito melhor do que esta antes.

Enfim, é isso. O Brasil realmente está impossível de se viver. Mon dieu...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A crise dos 25

Certos cientistas defendem a teoria que o ser humano chega ao seu ápice vital por volta dos 25 anos. Um pouco mais, um pouco menos, mas quase sempre por volta dos 25 anos. Seria quando as capacidades sexual, física e intelectual atingem o seu nível máximo. E a partir de quando o organismo começa efetivamente a... envelhecer.

Pessoalmente eu tenho achado essa fase um saco. Primeiro, quando eu penso que com bem menos da minha idade Rimbaud já tinha escrito a maior parte da sua obra essencial, Toulouse-Lautrec já estava pintando fantasticamente e Neymar já tinha dinheiro suficiente para esbanjar com jóias idiotas de grama para jornalistas chatas, eu fico deprimido. Segundo, quando chega aquele pessoal de 40 e muitos mandando um “Ah, tão novinho! Tem tanta coisa pela frente ainda! Você ainda não viveu nada da vida!” bate um pânico meio “Porra, o que aconteceu até agora foi só um teaser?!”. E terceiro, ninguém lembra que essa fase coincide exatamente com a fase de tomar as decisões “que irão determinar o seu futuro por um longo prazo”. O que sinceramente me deprime para caralho. E aí é esquecer a dieta, comprar o Twix, o pacotão de 1kg de Doritos e uma garrafa giga de Fanta Uva (meu gosto para refrigerantes não evoluiu dos 5 anos - quanto mais corante e com mais gosto artificial, melhor) e ficar no sofá obcecado pensando “O que eu faço? O que eu faço?!”

Primeiro foi o intercâmbio – decisão de abandonar estágio onde eu estava, mudar de país por tempo indeterminado, na obrigação de ter que arranjar um emprego, viagem auto-sustentada, “e se der errado?”, “e se eu odiar a Europa?”, ter que voltar ao Brasil, ter que aturar a minha mãe me sustentado por tempo indeterminado – que acabou acontecendo, legal, aprendi para caralho, voltei, me readaptei à bagunça e a fingir que adoro sambinha na Lapa e “jamais consegui viver direito na Europa sem feijão”, conseguir estágio de novo no Brail, voltar para a Zona Sul. Ponto. Parágrafo.

Mas claro, as questões voltam. Os pontos de interrogação se colocam na sua frente. E você se sente como num daqueles programas de auditório, nos quais você tem um tempo determinado para responder uma pergunta. E aí? E aí?

Uma das facetas desse dilema veio bem forte nos últimos dias na parte pessoal. Amizade sempre foi uma das maiores prioridades na minha vida, e sempre me gabei de ter amigos simplesmente foda. Mas desde que eu voltei do meu intercâmbio na Europa parecia que algo tinha se modificado na minha relação com alguns amigos. Eu não sentia mais aquela conexão intensa que outros tempos, que me fazia querer procurar essas pessoas. Parecia que o papo tinha se tornado chato, não havia mais aquela transmissão de idéias e pensamentos que caracteriza uma boa amizade. Eles reclamavam que tudo o que eu sabia fazer era reclamar. E eu tinha vergonha de pensar que eu os achava chatos. MUITO chatos. E limitados. E cabeça fechada para a vidinha de estudante universitário de federal de classe média do Rio. E que tinha muitas saudades dos meus amigos dos tempos de Erasmus.

Enfim, a fase inicial de readaptação passou (na verdade, com alguns desses amigos nem essa fase existiu), mas com alguns amigos esse sentimento incômodo prosseguiu. E eu não soube lidar com isso, fiz algumas merdas (confesso), e com uma grande amiga em especial a amizade entrou em estado de “on hold”. E mesmo depois de “termos resolvido as coisas”, continuou a sensação de incômodo, de “formalidade informal” que sinceramente não sei se foi ocasionada pela merda que eu fiz ou por algo pior: a grande verdade de que não temos mais nada muito em comum. Nem interesses, nem idéias sobre grandes temas da vida, nem sobre como conduzir a vida. E uma frase da Danuza fica martelando na minha cabeça “Amigos são que nem banco – periodicamente necessitam passar por um recadastramento”. Mas aí então eu relembro dos grandes momentos que vivemos, das viagens e do mega carinho que ela já teve por mim e vem questões de lealdade e de “tentar pelo menos”. Que logo depois são sobrepostas pela pergunta “Quero realmente tentar? Quero continuar insistindo uma amizade verdadeira com amigos que não me entendem?”. Enfim...

E sobre o lado profissional, vieram as famosas escolhas. Passei 6 meses pensando em entrevistas de emprego chatérrimas para finalmente conseguir o sonho dourado de todo estudante de Economia do país: cargo de estagiário (com chances de efetivação!) numa verdadeira multinacional brasileira em um dos setores mais promissores que a Você S/A poderia imaginar. Salário digno (com alguns benefícios), rotina de trabalho motivante, equipe de trabalho legal pra caralho e com o plus do gerente da área simplesmente ir com a minha cara já na primeira semana. E quando sento na minha mesinha, ligo o meu computador com o meu papel de parede já escolhido (muito pode-se dizer sobre a personalidade de uma pessoa com relação no papel de parede que ela escolhe para o seu desktop – o meu era uma foto da estação central de Hamburgo que já usei num post, e do meu colega de trabalho mais próximo era de um carro americano que ele queria terzzzzzzzzzzzzzz) e penso “Tudo indo bem!”, toca o telefone e surprise: uma outra empresa oferece uma vaga de emprego. E-M-P-R-E-G-O. Multinacional européia com escritório no Rio. Dobro do salário, benefícios que me fazem imaginar fazendo a Scarlett O'Hara. Chance de carreira realmente internacional. (A volta dos meus posts de viagem!!!) Usar o alemão no meu dia-a-dia profissional (Atóro quando eu recebo elogios “O seu alemão é tão bom!”, e eu faço aquela carinha de “Ai, pára... Fala mais, vai!”). Flexiblidade de horários do escritório para me permitir terminar a (maldita) faculdade de Economia.

E o que escolher? Qual dos dois caminhos tomar? O que realmente vai me fazer chegar aos 40, olhar para trás e pensar “Eu fiz certo: era isso que eu queria!”? Ou será que momento de reflexão aos 40 é uma das maiores besteiras do mundo, afinal 40 representa quase ainda metade de uma vida inteira pela frente? (Sempre lembro das velhinhas alemãs em estações de trem, com suas malas de viagem, camisetas pólo e aquele ar saudável de quem viajava muito de férias em contraste aos alemães engravatados de 30 e poucos anos, estressados e permanentemente culpados pelo excesso de trabalho e falta de tempo para aproveitar a vida)

Definitivamente a resposta universal aos 20 e alguns anos é: “Não sei.”.

Mas a gente tem outra opção, a não ser continuar tentando?

(Mas lembrando-se: caindo sim - mas carão forever.)

P.S.- Provas, provas, muitas provas.
P.S.2 – Não se preocupem, as escolhas já foram tomadas. :D
P.S.3 – Boring, parte 2. :D