Dois pensamentos: #1 A Bismarchi seria parente... do Bismarck?; #2 Os peitos dela não tão olhando para direções opostas?! Primeirão de tudo - paulistas, paulistanos, whatever: não leiam o post que eu irei escrever agora. Sei lá, vão dar uma volta no Jardim Cidade Mall (atóooro a propaganda fake da SJP no Cidade Jardim, do tipo "Claro! Vou me enfiar num avião para a América do Sul, enfrentar processo de visto para o Brasil para comprar roupas de coleções passadas pelo triplo do preço que poderia pagar na esquina da minha casa. Genial, néam?!"), passear por um parque
e se for no Trianon, por que não fazer la pegación básica, ir comer num bom restaurante
com um bom atendimento, porque no Rio nem se voce prometer um kéti para o garçom você consegue receber um servicinho razoável.
Why? Porque eu falarei a coisa que todo carioca é praticamente proibido de falar em um grupo de não-cariocas. Que contraria o mais forte dos clichês construídos sobre os habitantes dessa querida região fluminense. Que vai contra tudo o que essa cidade tem de mais... carioca.
Eu sou um carioca que acha Carnaval um saco.
Uma heresia, eu sei. Mas eu tenho motivos! Que motivos?
Felicidade geral da nação: Tem coisa mais chata que um bando de gente feliz, imbuído nesse clima de "Vamos curtir, galeeeeeeeeeeeraaaaa!". Tem sim: gente que vê um sentido poético-filosófico-social no Carnaval, no estilo Vinícius de Moraes meets Elias Canetti. Tipo de coisa que com certeza se vê no
Bom dia Brasil de segunda-feira de Carnaval, com o Renato Machado dando a sua
pedrobialzada do dia, e que aquele seu amigo proto-intelectual vai repetir em alguma conversa barata de boteco depois de algum bloco.
Programas de índio elevados a categoria de "coisa mais legal do mundo": Isso sendo, bloco de carnaval. Ah, vamos combinar: 4 horas cantarolando aquelas musiquinhas imbecis, enfiando cerveja quente goela abaixo, cercado de 250674095 pessoas suadas (e barangas, CLARO. Já perceberam que homem gostoso não sua, mas somente fica
umidificado? E nunca um desses gostosões é aquele cara que vai passar se esfregando todo em você, mas um gordão+peludo+mala que vai achar que isso foi a coisa mais sexy que você já viveu na vida?), bêbadas e imbuídas daquele espírito de filho-da-puta meio "AAAAAAH, TO LOOOOCA!", tudo isso num calor mais filho da puta ainda, subindo e descendo ladeira (porque bloco legal no Rio TEM que ser naquelas malditas ruas de parelelepípedos, no qual você corre o risco permanente de torcer o pé, bater com a cabeça no chão e ser engolido pela multidão cantarolando a marchinha). Quando fora do Carnaval voce se meteria numa merda dessa? Se você respondeu "Micareta": Queridaum, tá lendo esse blog para que?!
Bahia. All about it. Durante o Carnaval: Primeiro, antes de tudo, deixemos claro: eu adoro Salvador. Acho a Bahia um lugar incrível para passar as férias e recomendo para todo amigo gringo uma parada obrigatória nesse maravilhoso estado. Mas Bahia durante o Carnaval é insuportável demais. Tem sempre o tal de "novo ritmo que vai invadir as ruas do país" (esse tal de "Rebolation" é algo tão... TÃO que me fez perceber como fomos injustos com Compadre Washington e É o Tchan e não percebemos todo o lirismo e sofisticação de letra que as músicas deles tinham!) que toca junto com os clássicos dos vinte carnavais passados: todos no estilinho "dancinha de foquinha amestrada" (esquerda, direita, cima, baixo). Olodum e Timbalada (
seriously... Qual é a diferença entre os dois, na boa? Alguém me explica, porque sério, nunca consegui captar?). Aquele bando de playboy classe média do Sudeste (visualiza comigo: correntinha de prata no pescoço, bandana amarrada no bracinho devidamente bombado
e quase sempre um pênis do tamanho de um amendoim. Que somente fica meia-bomba, claro.) que junta grana por um ano para aloprar naqueles trios elétricos. Aliás, trios elétricos: Ivete Sangalo naquela egotrip insuportável de se achar A criatura mais foda do Universo (ODEIO aquele jeitinho "Sou gente como você"), Cláudia Leitte realmente achando que é fashion e hype e aqueles outros trocentos grupos e blocos que ninguém escuta nada sobre o ano inteiro. Sinceramente: se eu fosse de Salvador, me revoltaria ver a minha cidade transformada nesse hospício durante essa época do ano. Sacanágy.
Rio. All about it. Durante o Carnaval.: Nada funciona direito. O que funciona tá custando o triplo do preço (quádruplo se você tem olho claro/pele muito branca/usa uma echarpe achando que tá no verão europeu). Nenhum grupo de amigos fica completo porque sempre tem aquele no grupo que tem a idéia de ir para Ouro Preto (basicamente: ficar bebado 24h/dia, levar tombo em ladeira e ficar com um bando de caipira barango que você vai ficar ligando pra você durante os próximos 10 meses querendo te encontrar na próxima viagem dele pro Rio), Floripa (o novo hit-must-go do Brasil. Nunca fui, portanto não posso chochar. :D Mas deve ser bom, néam: catarinense é um povo com potencial...) ou acampar em algum lugar sem noção do estado do Rio (ler
esse post). Circular entre lugares próximos, tipo Leblon e Copacabana, se torna praticamente uma atividade impossível: ou você entra no clima dos blocos, ou certeza de ficar 3 horas num ônibus, com o motorista com cara de puto, um bando de folião batendo como uns loucos nas janelas e portas e aquele calor infernal dentro do ônibus. Ou seja: tudo aquilo que você adora no Rio se transforma em algo completamente diferente, irritante e "carnavalesco" durante essa época. Um saco.
Desfile das Escolas de Samba: Acho legal o lado social da coisa, o lado de que "a festa mais importante do país é construída pela classe mais oprimida e marginalizada das terras tupiniquins" (los favelados), a movimentação gringo-financeiro-economica que o evento gera para a cidade. Mas... eu tenho a impressão que todo ano é tudo igual. Uma hora da mesmíssima coisa, over and over. Sempre tem alguma escola trazendo um enredo no estilo "Amazônia e suas lendas", o que inevitavelmente significa todos aqueles irritantes clichês do Brasil (onça, lobo-guará, tucano e semelhantes) sendo desfilados na Sapucaí durante uma hora, quase sempre sendo coroado com o carro de uma biscate desconhecida tomando banho seminua em uma mini-fonte representando muito mal uma cachoeira e recebendo o poético nome de "Índia representando a comunhão entre natureza e o homem"
que deveria se chamar "Índia piranha tentando ver se descola algum homem branco, índio ou tatu para dar umazinha". Sempre aquele bando de samba-enredo chato para caralho, falando das "Fantasias e surpresas ao descobrir o esplendor encantado", independente se o tema é sobre "Kama Sutra", "Influências do Butão na cultura brasileira" ou José Bonifácio. Sempre aqueles comentários chatérrimos dos comentaristas da Globo, tentando MESMO dar algum significado a piração artística e maluca dos carnavalescos (quando vejo aquelas fantasias tipo prato-colado-no-topo-da-cabeça juro que imagino um carnavelsco bee pintosérrima num barracão em Madureira tentando imaginar as mais diferentes e filhas-da-puta formas de sacanear um folião ao criar as fantasias mais sem noção, quentes e não-práticas do MUNDO. Isso tudo com explicações do tipo "Essa vai ser... a representação do furor sexual de Afrodite ao chegar nas favelas cariocas!"). E como se não bastasse o Rio... vem São Paulo e me inventa os desfiles de SP: um bando de mulata paulistana com sotaque italianão sambando meio estranho e aquelas escolas de samba com nomes muito parecidos (mas não iguais!) aos das cariocas.